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Episódio 4: A logística como diferencial competitivo (2020 - até hoje) | SUA ENCOMENDA CHEGOU

nstech15:01

Transcription

[Música] [Música] A gente tem um plano de continuidade de negócio onde a gente simula o que pode dar errado e cria planos de mitigação para aquilo que pode dar errado. Nenhum BCP previa o que aconteceu, né? A pandemia foi muito mais intensa e teve um impacto muito mais abrangente do que se podia imaginar. Quando a pandemia veio, a primeira impressão que a gente teve foi: "isso aqui, em duas ou três semanas, tá resolvido". E depois, "ah, não, não é duas semanas, mas são dois ou três meses". E isso virou praticamente dois anos, né? As pessoas foram para casa, compraram mobiliário, decoração, artigos de conforto, começaram a consumir muito comércio eletrônico de uma forma geral, inclusive bens básicos.

Você podia prever uma queda de avião, ao mesmo tempo que um incêndio, ao mesmo tempo que uma queda de sistema, mas imaginar que o que de fato aconteceu na pandemia era que as pessoas não iam sair de casa, que a gente precisava de um documento de atividade essencial para poder chegar dentro do CD, que você não podia ter as pessoas convivendo no refeitório, né? Que a gente tinha que dividir o time em grupos. Nossa, eu não posso mais depender da China, porque se a China parar, o mundo para. Eu não posso mais depender de um país ou de uma região só para toda a sua cadeia de produção. E aí começaram outros modelos.

Então, foi uma época muito, muito difícil. Imagina que a gente tem grandes contingentes; nós temos dezenas de operações com mais de 100, 200 pessoas. A gente tem operações com mais de 1.000 pessoas em um único lugar. A convivência era muito difícil, mesmo seguindo todos os protocolos de álcool em gel e máscara. O nosso canhoto de entrega era uma assinatura na tela do celular do motorista, e uma das maiores fontes de transmissão do COVID na época era a tela do celular. Então, cara, a gente teve que mudar do dia para a noite.

Eu sempre começava a mensagem falando: "Pessoal, hoje vocês tomaram uma decisão de sair de casa, colocar o uniforme e vir trabalhar. O meu pedido é que amanhã vocês tomem essa decisão de novo, porque apesar da televisão falar que as pessoas devem ficar em casa, se a gente ficar em casa, se nós que estamos aqui ficarmos em casa, o Brasil vai parar. Vai faltar remédio na farmácia, vai faltar produto de limpeza no supermercado e vai faltar alimento para as pessoas". Então, a gente não pode se dar o luxo de parar.

A logística, nesse momento, se superou. Ela mostrou uma resiliência muito forte, mostrou uma altíssima capacidade de flexibilização. E foi um negócio que dragoou os olhos, assim. A gente meio que acordou em 2022 com um monte de coisa criada, tentando encontrar encaixar cada vez melhor, gerando eficiência. Como consumidor, né, como pessoa física, passamos a ter um hábito de consumo muito diferente do que a gente tinha, né? Começando a comprar muito online, e isso fez com que, ao retornar para nossas empresas, percebêssemos que tinha um GAP muito grande entre a experiência que a gente tinha no B2C e o que a gente estava vivendo no B2B.

Ok, eu quero agora que a minha empresa tenha a mesma experiência que eu tinha na minha casa: visibilidade de entrega mais rápida. E isso também fez com que iniciasse um processo muito forte de digitalização das empresas, porque quem não tinha venda online teve que montar, né? Quem tinha, teve que evoluir. O nosso R de operações, na época, virou para mim e perguntou: "Quanto você tem de capacidade? Quanto você consegue crescer de capacidade no próximo mês?" Ele falou: "Então acelera, porque o volume lá fora tá explodindo e em mais uma ou duas semanas isso vai acontecer aqui também".

A gente tinha lá uma participação de e-commerce dentro dos nossos negócios que multiplicou por 15 e 20 em dois dias. Assim, foi um cenário de guerra absurdo. Me perguntavam muito: "Mas você acha que esse volume que tá vindo agora vem para ficar?" E eu respondia com muita consistência: "Quem tratar bem o cliente vai ficar com esse volume". Depois, "Pô, eu preciso estar com presença em tal local ou outro local de maneira rápida e eficiente para atender a população com todos os itens básicos e com saúde".

A gente começou a ter uma aceleração da digitalização dos processos internos que iam demorar talvez 5, 10 anos, e a gente fez isso em 5, 10 semanas. A gente começou a vender por WhatsApp, criamos uma rede de WhatsApp loja a loja. Os clientes se conectaram naquele grupo de WhatsApp e a gente começou a fazer venda por WhatsApp. Como é que nós vamos receber isso? Desenvolve um boleto por WhatsApp também. Oito meses antes, a gente fazia cerca de 65% das entregas com a malha dos Correios, por exemplo, e a gente terminou 2020, acho que com 20% de distribuição via Correios.

Então, a gente conseguiu realmente verticalizar a cadeia. Era algo que, quando a gente contava essa história, os parceiros às vezes riam: "Vocês são malucos, assim, não dá para fazer isso". E como que você tem uma entrega mais ágil? Como que você tem uma visibilidade melhor de toda a cadeia? E não à toa, uma empresa como o Mercado Livre despontou hoje como a empresa mais valiosa da América Latina. Tudo bem, a gente começou lá com entregas de 2, 3 dias, hoje a gente tem entregas de 15 minutos. Nós vamos ficar loucos com esse negócio, mas faz parte da evolução de absolutamente tudo.

A gente começou a ter modais de entrega: onde você quer receber? Na sua casa, no seu escritório, casa de campo, casa de praia? Quer retirar em alguma das nossas lojas? Olha quantos pontos eu tenho de entrega perto da sua jornada de trânsito, por exemplo. Enfim, o grande legado que a pandemia trouxe para o nosso setor foi o desenvolvimento de muita tecnologia e um princípio de acelerar o pensamento fora da caixa, que passou a ser absolutamente necessário e vai continuar sendo necessário.

À primeira vista, se você entrar num CD hoje, vai ter pouca diferença do que era um CD em 2007. Mas o que acontece por trás da área de planejamento, da inteligência, da previsibilidade e de como a gente consegue antecipar movimentos, isso sim é muito diferente do que era lá em 2007. Quem não tiver tecnologia, informação e ambientes flexíveis dificilmente consegue prosperar num ambiente onde você tem que operar com rapidez e, ao mesmo tempo, manter os custos estáveis.

Tudo se reacomodou muito grande depois da pandemia, por conta dessa preocupação de como funcionam essas cadeias globais de abastecimento. Isso foi muito importante para a sociedade como um todo e, mais ainda, para a logística, que vai valorizar o seu profissional e a sua atuação na sociedade. A gente mostrou também que não tinham muitos limites para aquilo que a gente queria fazer e acho que isso destravou várias conversas. Hoje em dia, eu vejo jovens enxergando esse setor como um setor: "Eu quero me especializar nisso, eu quero seguir essa carreira".

A gente sempre fala que esse tripé de pessoas capacitadas, processos bem desenhados e tecnologia é o que vai fazer a diferença no final do dia. É muito, assim, é impossível você lidar com essa complexidade, com essa fragmentação, sem o uso intensivo de tecnologia. A gente precisa pensar em como a gente forma as pessoas, transforma as pessoas que estão no mercado hoje, que são muito operacionais, em um perfil diferente. A colaboração entre humano e inteligência artificial é algo que tá se desenhando cada vez com mais clareza.

Novos algoritmos, novas visões de mercado que ampliam muito as fronteiras do conhecimento que a gente tem. Eu vou fazer uma entrega em determinado local, a localização tá incorreta. Cara, eu preciso que o motorista avise isso. Ou seja, será que a taxa de insucesso que eu tenho naquela localização, o sistema não consegue aprender sozinho? E uma outra coisa que eu tenho acompanhado bastante no mundo da robotização e automação: eu acredito muito no poder da tecnologia em se consolidar como um dos principais agentes, senão o principal agente, a auxiliar a redução do impacto ambiental que é produzido pelas operações logísticas, aportando com uma malha cada vez mais verde, sustentável e mais otimizada, e fazendo as coisas com mais inteligência.

Ter tecnologias que barateiam a distribuição, a forma como nós geramos energia de uma forma mais eficiente, de uma forma mais responsável. Se eu pudesse dar uma dica, seria: conheça muito bem quem você é, o que a sua empresa faz, tecnologia, inteligência artificial, softwares absurdamente evoluídos, modelos que testam protótipos para você mitigar quebras. O que não vai mudar é que o ser humano vai continuar fazendo negócios com o ser humano. Pessoas vão continuar trabalhando com pessoas, com convicções diferentes, visões diferentes.

Então, precisamos saber lidar com isso. Como você capacita melhor sua equipe? Como você investe em profissionais melhores? Como você pensa e repensa processos que sempre foram feitos de uma maneira, que estão sendo feitos de outra? Sempre se perguntar se tem alguma maneira diferente de fazer isso, se tem uma maneira mais eficiente de fazer isso, se tem algum outro jeito de fazer isso. Aprenda a se sentir confortável em trocar o pneu do carro com o carro em movimento, porque os ciclos de evolução vão se tornar cada vez mais curtos.

Vou formar cientistas de dados. Acho que não dá mais para deixar as tomadas de decisão nas mãos das pessoas somente. A capacidade de olhar números, olhar informações, tomar decisões com base em números o tempo inteiro não é simplesmente mergulhar no conhecimento técnico de supply ou de logística. Mas eu faço supply e logística alavancando qual estratégia da companhia? Qual é o valor agregado que a companhia tá querendo entregar para o mercado? Qual é a necessidade de nicho de mercado que a gente quer sanar? Nesse sentido, é fundamental para você ter uma logística eficiente, independente do tamanho da sua companhia, independente do tamanho do seu mercado.

Nós deixamos de ser vistos como aquela despesa que quanto menor, melhor, e passamos a ser vistos como um componente da estratégia da empresa. Quem tem um bom planejamento logístico consegue ganhar mercado. [Música] [Música] [Música] [Música] [Música] [Aplausos] [Música] s l [Música] [Música] [Música] oh l