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Olá Sofia, seja muito bem-vindo ao meu canal Papo de Constante. Comigo, Eliane Oliveira, eu sou psicóloga clínica, especialista em Terapia Cognitivo-Comportamental. E com este vídeo, eu começo uma série sobre o que é a depressão na perspectiva da Terapia Cognitivo-Comportamental.
Então, nós vamos discutir sobre dados, panorama geral, principais sintomas, manejo clínico, incluindo também quando o meu paciente diz que ele quer se matar, o que eu faço então nesse momento? Qual o tipo de intervenção? Qual tipo de acolhimento? Qual tipo, né, de manejo eu faço num momento tão delicado como esse?
Então, a ideia é que a gente, ao final desta série, consiga realmente trazer aspectos fundamentais da depressão e que você possa colocar em prática o conhecimento adquirido no seu consultório, com seu paciente, ok?
Então, no vídeo de hoje, a gente vai iniciar falando a respeito mesmo de um panorama, as principais características da depressão, e depois a gente vai continuar aí o nosso papo em outros vídeos. Então, não perca a oportunidade de seguir a série completa. E agora, nós vamos conversar. Bora lá?
Então, é, tá bom. Então, uma coisa muito importante, e antes de alta, a gente precisa saber sobre o transtorno depressivo maior, a nossa, é popularmente conhecida depressão. Ele é um transtorno de impacto global. O que isto quer dizer? É um transtorno que não impacta apenas a vida pessoal, as emoções do paciente, mas também impacta ele nível de funcionamento profissional ou social. E a isso também vai gerando um impacto maior a nível mundial, econômico e de funcionalidade, ok?
O que isso significa? Por que então que a depressão tem esta dimensão hoje no mundo? A gente tem cerca de 300 milhões de pessoas que têm diagnóstico de transtorno depressivo maior. Se a gente for pensar em termos comparativos, aqui no Brasil, no nosso último censo, nós temos 210 milhões de habitantes. Então, seria a gente chamar mais 100 milhões de pessoas, metade da nossa população, povoar o Brasil inteiro, e a gente teria essa quantidade de pessoas, esse volume de pessoas no país, em meio sofrendo de transtorno depressivo maior. O índice é muito alto, o índice é muito alarmante.
Então, a gente também tem uma preocupação, por quê? Porque ele também, aqui no Brasil, nós somos considerados o país da América Latina com maior número de diagnósticos. Aqui no nosso país, a gente tem cerca de 10 a 15% da nossa população que já receberam o diagnóstico de transtorno depressivo maior. Então, isso vai chegar em torno de 25, né, 20, 25 milhões de pessoas diagnosticadas aqui no Brasil com depressão, ok?
O que que é importante então a gente saber esses dados? O que significa? Que em algum momento, a gente vai se deparar realmente com esse transtorno dentro do nosso consultório. Eu costumo dizer nos meus cursos de capacitação e também nas minhas aulas, que nas minhas práticas clínicas, que uma coisa é certa dentro do consultório: transtornos depressivos e transtornos ansiosos. Isso daí é uma certeza que a gente vai ter em termos de demanda e de atendimento. Por isso, é caso você não queira lidar com o paciente depressivo, saiba que você vai receber esta demanda do seu consultório. Você não é obrigado a atender. Então, o fato de você saber sobre depressão, conseguir fazer uma escuta, vai ajudar também a encaminhar para algum outro profissional que possa, né, acolher, talvez, o paciente, trabalhar com esse, nesse sentido, ok?
Então, é muito importante, mesmo que você não tenha interesse, que você fique assustado, né, e acredite que trabalhar com depressão não seja para você, é importante sim ver mais sobre este transtorno. E aí, o que acontece? Se a gente tem 300 milhões de pessoas no mundo que sofrem deste transtorno, significa então que a gente vai ter impactos econômicos e impactos sociais significativos. Por isso, o trabalho em tecer com depressão é um trabalho muito mais amplo. A gente, como terapeuta, vai ter que trabalhar em várias frentes, que a gente vai discutir então ao longo da nossa série, ok?
Mas o que a gente precisa saber para hoje, para esse vídeo, é também o que é, efetivamente, a depressão. A depressão é um transtorno de humor. O que que isso significa? Significa que ela vai alterar energia, o estado de ânimo, o estado de espírito da pessoa que sofre com esse transtorno. Geralmente, ela inicia de uma maneira silenciosa. A pessoa não inicia um quadro depressivo já em estado grave, ela vai se desenvolvendo ao longo do tempo, ok?
Toda doença, dentro do comportamental, todo transtorno, por assim dizer, melhor, dentro da Terapia Cognitivo-Comportamental, ele é considerado multifatorial. O que isso significa? Que não há um motivo apenas para a depressão realmente poupar a vida de uma pessoa, ok? Então, na realidade, é uma soma de fatores. Nesse caso, aí a gente tem fatores genéticos. Então, se a pessoa tem um parente de primeiro grau aí que tenha realmente, né, um quadro depressivo, pai e mãe, irmãos, a chance, a probabilidade de ele também ser mais suscetível ao transtorno depressivo maior é de 30, 40%. Então, a gente tem uma carga genética.
Além disso, a gente tem o que? Fatores de vida, fatores estressores do passado, do presente, que podem realmente influenciar, então, o desenvolvimento deste transtorno, ok? Então, às vezes, uma pessoa está passando por um momento mais frágil, mais dele, e nesse momento, ela desenvolve um transtorno. E aí, a gente acredita que o fato dela ter, né, perdido o emprego foi o motivo da depressão. Na realidade, significa que esse quadro, ele se associou não apenas ao fato dessa pessoa ter perdido o emprego, mas vários outros aspectos que ela vivenciou ao longo da vida dela, né? Se apenas um emprego fosse o responsável por uma depressão diretamente, todas as pessoas que perdessem o emprego desenvolveriam depressão.
Então, nesse caso, a gente entende que há um panorama maior e mais amplo. Quando a gente trabalha dentro do diagnóstico de qualquer tipo de transtorno mental pela Terapia Cognitivo-Comportamental, ok? Então, nesse caso, é importante a gente compreender, quando a gente está fazendo uma escuta clínica do paciente em depressão, o histórico do passado, mas o histórico do presente. Muitas vezes, esse passado vai me revelar as, né, as coisas que realmente foram fundamentais e cruciais para realmente houve a chance do paciente desenvolver a depressão. Mas principalmente, no momento agora, principalmente no estado dele agora, quais são os fatores que estão mantendo o quadro? É aí que a gente entra em contato, terapeuta cognitivo-comportamental. Esse é o nosso enfoque, né?
Então, a gente consegue avaliar os sintomas, fazer uma avaliação clínica pelos critérios diagnósticos do DSM, que a gente vai falar no próximo vídeo. E a partir disso, a gente também observa quais são as dificuldades que o paciente está enfrentando neste momento, dentro da TCC e dentro do manejo específico com transtorno depressivo maior. Uma grande preocupação do terapeuta é justamente o que? Resgatar coisas que o paciente deixou de fazer. Um dos grandes impactos que a depressão traz no funcionamento do paciente, o que sofre desse transtorno, é justamente ela deixar de fazer coisas que antes davam prazer, deixar de fazer coisas que antes eram significativas. E muitas vezes, aquelas que ela ainda não tem um tipo de obrigatoriedade, como trabalhar e ter cuidados com a casa. Isso tem um esforço muito maior, tem um nível de energia muito maior empregado nesse sentido.
Então, nosso primeiro critério vai ser realmente fazer uma avaliação do quadro. Depois, a gente faz uma avaliação de situações estressoras ambientais internas que estão mantendo esse estado da pessoa. E aí, a gente começa a intervenção em Terapia Cognitivo-Comportamental, ok?
Então, nesse caso, o que que você precisa observar primeiramente? E são justamente estes impactos mais agudos na vida do paciente. Como está tentar fazer com que ele resgate coisas que ele deixou de fazer? O comportamento do paciente depressivo vai ser um comportamento semelhante ao comportamento do transtorno ansioso, que é um comportamento de evitação ou fuga. Isso acontece porque a gente tem duas reações principais associadas aí dentro da depressão: a tristeza, que é justamente a emoção que faz a gente, o que fazer naturalmente o recolhimento, isolamento social, né? Então, a gente tem uma tendência quando tá triste de ficar mais na nossa, de ficar no canto. E também a culpa excessiva. Culpa excessiva é um sintoma do transtorno depressivo maior. A pessoa, ela se culpa por tudo e ela começa a ficar presa no passado, presa a lembranças de decisões que ela acredita que foram decisões erradas, né? E aí, ela passa a fulminar, ela passa a ter, né, uma cognição, são uma distorção cognitiva que a gente chama, que é um padrão de testamento, auto-divulgação. Ou seja, ela fica presa nesta combinação de fracasso, de menos-valias, né, coisas que realmente são importantes e negativas para ela.
Por isso que o que acontece? Ela fala o isolamento inicial por conta da tristeza. Então, ela se afasta das pessoas. E aí, ela passa a ficar sobre todos os para casos, sobre todos os erros, sobre todas as coisas que ela se arrepende. Isso vai fazendo com que ela se feche cada vez mais, logicamente. Então, dentro do comportamento dela, ela vai passar a evitar também situações sociais e vai ficar mais pobre de contato com coisas que lhe deem prazer. Então, dentro do quadro depressivo, a gente vai observar justamente estas mudanças, né? Então, a gente tem o aspecto emocional marcado, especialmente por essas duas emoções: culpa excessiva e tristeza. E aí, na parte comportamental, a gente vai ter o aspecto mais tocado de todos, que é o que? A esquerda e agitação social, né, de coisas que antes davam prazer. Então, se sair, vai deixar de sair ou vai evitar ao máximo estas situações. E isso vai fazer, então, um pouquinho para o soro cada vez mais grande força, ok?
Então, para esse primeiro momento, a ideia é simplesmente a gente entender o que é o transtorno depressivo maior, qual é o impacto dele em relação, né, a a vida da pessoa, vida emocional, social e econômica também. Aí, não é só econômica da pessoa, mas econômica em termos mesmo mais amplos do país, de economia. E também entender que nenhum quadro de transtorno mental, para a Terapia Cognitivo-Comportamental, tem apenas um fator. Todos os transtornos são multifatorial.
Espero que esse vídeo tenha te ajudado a entender o panorama um pouco melhor sobre o que é a depressão. E no próximo vídeo, a gente vai discutir a respeito de quais são, então, os critérios diagnósticos que estão trazidos pelo DSM e como que eu faço uma avaliação do que é tristeza para o que é realmente uma depressão, ok?
Então, desejo muito sucesso para você e seus atendimentos e vejo você no nosso próximo vídeo. Um beijo, tchauzinho!