Transcription
O homem sem crédito não vai pra frente não. Esse crédito aí é a ciência maior da coisa. Nós somos 10 irmãos. O único que não foi na faculdade foi eu, porque eu tinha um grande mestre em casa.
Eu tinha 1000 km est de terra. Tinha época, nós ficavamos 90 dias sem chegar lá.
Fazendeiro que é fazendeiro não faz cruzamento social. A grande qualidade melóricidade, não é fertilidade, não é peso, não é nada, é rusticidade. As brasileiras são muito ruins. Nós tinha tudo para ser mais rico Estados Unidos. Nós somos o retrato do nossos pais e tudo que eu sei foi meu pai e minha mãe que nos ensinou. Deus existe e milagre existe também.
Está começando mais um MFcast, o podcast do MF Rural. Eu sou Roberto Lucas e hoje vamos falar bastante pecuária, agricultura também. E para isso estamos aqui hoje com um dos grandes pecuaristas do nosso país, que é o Carlito Guimarães. Tudo bom?
>> Bom dia. Tudo bom? É um prazer estar com vocês aqui, contando um pouquinho de história, contando como é que é a vida, como é que o Brasil começou e que não vai acabar não, que vamos tocar ele pra frente, né?
>> É isso aí. E aqui ao meu lado, Walter Celano, tá bom, Walter?
>> Bom demais da conta. Tem a prosa hoje é das melhor que tem, porque nós vamos falar com cabô que é realmente do agro na essência e cresceu dentro desse ambiente e melhor ainda, fez com que a família crescesse com isso. Então tem uma importância muito grande.
>> É isso aí, Carlit. Vamos lá. Como é que o agronegócio entrou na sua vida?
>> Cara, eu sou filho de fazendeiro, né? Meu pai quando casou com a minha mãe, ele tinha 20 alqueir terra. Minha mãe tinha 37 vacas. Arrumar 12 filhos, dos quais dois não sobreviveram. Aí sobreviveu 10,
>> tá?
>> E eu sou o segundo. E o primeiro também com 43 anos faleceu. Eh, houve um acidente aéreo, ele tava com com o piloto, perdemos os dois. Mas sou agricultor e pecuarista desde que nasci. Então sou filho de fazendeiro, mãe fazendeira. Ela que era dona da vaca, ele era dono da terra. E estamos aí lutando. Eu acho que eu fiz parte da primeira leva de colonizadores do sul da Amazônia,
>> tá?
>> Porque em 1966, com 17 anos, já tava mexendo com as primeiras derrubadas aí na norte de Goiás. E acho que eu fiz parte da última leva, porque hoje colonizar Amazônia é como com essa Marina Silva aí, com esses governos, nós com a Europa toda lutando contra o Brasil. Eu acho que a Amazônia o que tinha que ser feito já foi feita, a não ser que daqui uns 100 anos muda a concepção da coisa. Essa COP 30 aí que vão fazer hoje para destruir o país, acabar de matar, de selar a Amazônia e deixar 23 milhão de brasileiros lá na pobreza, na miséria, no lugar mais rico do mundo. Mas isso nós estamos vendo e vamos contar uma venda e vamos ligar para que melhore. Não sei se na minha geração ainda conseguir mudar alguma coisa, mas no futuro muda.
>> Tá certo? Mas vamos lá. Você nasceu dentro da fazenda já? Já a sua infância, porque você falou, você seu pai e sua mãe tinham terra. Mas como é que foi sua infância? Você nasceu aonde?
>> Olha, eu nasci na cidade de Morrinhos,
>> tá?
>> Mas naquela época a minha mãe, meu pai morava na fazenda e minha avó morava em Morrinhos. A minha mãe veio para Morrinho só para dar luz. Ainda foi na época de parteira, não era com médico nem nada. Meu pai só conseguiu mudar pra cidade quando eu tinha 11 anos,
>> tá?
>> Eu até os 8 anos eu fiquei na fazenda. Minha mãe me alfabetizou. Primeira professora minha foi a minha mãe. Eu vim paraa Goiânia com 8 anos para entrar no primeiro ano primário.
>> E quando eu tinha 11 anos, nessa leva de menino que tinha lá em casa, meu pai foi obrigado a trazer minha mãe paraa Goiânia comprar uma casa para deixar a família aqui. Mas eu só tornei um cidadão eh rural ou urbano, pode dizer com 11 anos de idade, porque até então a gente pais, mãe e os irmãos faz tudo lá na roça,
>> tá?
ficar até assim 11 anos. Você veio para aí foi Morrinhos?
>> Não, Morrinhos eu fui só nascer,
>> tá?
>> Eu nunca morei em Morrinhos. Eu só nasci lá porque minha avó morava lá. Aí nós morava na fazenda mesmo. Na fazenda morava na roça.
>> Na roça.
>> Você imagina que a primeira vez que eu tomei banho num banheiro, num chuveiro, cruzei um vaso sanitário, eu tinha 7 anos.
>> É. Nós tomava banho no calaboço do monjolo.
>> Não tinha banheiro em casa. Nós tinha energia lá tinha lamparina,
>> lampião.
Aquele lampião não é a gás não, a quererose.
>> A querene
>> tinha que bombar e fogão era lenha, água quente era na serpentina, né? Isso quando eu fiz 7 anos. que até os 7 anos não tinha nem serpentina, não.
>> Era no monjol mesmo.
>> Era meu pai melhorou um pouquinho, fez uma casa melhor, encanágo, colocou um carneiro. Aí nós começamos a ter um banheiro dentro de casa, você tomar banho no chuveiro, já mirou de vida, né?
>> Você você chegou a reparar isso assim? Porque a gente quando é menino não repara muito, você vai vivendo, né?
>> Não, pra criança aquilo para nós era uma era um lazer, né?
>> Aham. É, nós brincava com esse carrinho de carretel, pegava a lobira, fazia os carrinhos para correr, cavalo de pau, que então é uma criança criada na roça, mas era feliz
>> demais.
>> Hoje os meninos, vocês não der um laptop aí num trem para ficar eles não fica chorando molando a mãe. Então mudou. Hoje é tudo na tecnologia.
>> E como é que era? Acho que foi o casamento perfeito do seu pai e com sua mãe. Um com a terra, outro com as vacas, né? E essa é do jeito que tinha que ser. Como o que que era essas vacas? Era para tirar leite? Era para fazer bezerro? Como é que foi isso?
>> Não, era vaca para fazer bezerro. Mas naquela época não tinha gado nelor não.
>> Aham.
>> Nós tinha que no Brasil que era nelorada fara que era tucura, né?
>> Tucura.
>> Mas o gado aqui era do Brasil e gir.
>> Gir.
>> Esse gado da minha mãe é um gado meio girado.
>> Ah, tá.
>> A 37 vaca dela.
>> E começou. Meu pai foi um homem muito, meu pai, meu pai tinha um crédito muito grande. Meu pai era comprador de boi do seu Jerômico Bom, que era lá de Burit Alegre, e era comprador de vaca pro Figrifo Palmega lá de Uberlândia.
>> Hum.
>> E comprador de cereais pros Vasconcelo lá de Araguari.
>> Ah, do arroz Vasconcelo lá.
>> É meu pai. E quem deu muito crédito pro meu pai e me ajudou muito meu pai foi o Jerômo Gomes, que era o que meu pai comprava boi para ele e o Sou João Nas lá, bom do figurífico meu pai tinha um crédito muito grande com eles e foi se você não tiver crédito, não tiver nome, você pode largar te trabalhar não. Eu acho que o homem vale pelo que ele pelo pelo que ele é. Se meu pai foi, conseguiu fazer esse nome de homem honesto, homem trabalhador e eu conheço os meninos dele tudo e eu fui o mais bem educado que eu fui, fui pra escola, né?
>> Ah,
>> fiquei estudando com ele.
>> Ah, o senhor fala que você foi mais bem educado, porque o senhor estudou com o seu pai? pai, o grande mestre tava dentro de casa e só tinha um quarto ano primário. Eu acho que lá em casa dos nossos irmãos, uns que mais aprendeu na vida fui eu. Tanto é o que teve coragem de sair da porta e ir pro norte de Goiás e pro sul do Pará. Eu fui pra região ali da Transamazônica, Marambá, naquela época a 70, 1975.
>> Tá?
>> Acho que eu tinha 27 anos. 27 anos. Dier, ninguém me conhecia lá. Dinheiro meu era curtir, comprar o que lá? Comprar posse, terra sem documento, comprar o direito e abrir aqui lá e pô boi e fazer fazenda. E eu só tive que sair do Pará porque eu não gostei do ambiente,
>> tá?
>> E nem da topografia. O clima excelente. Não tem clima no Brasil melhor para criar boi que o Pará, hein? Mas a topografia do Pará é muito ruim, muito assuntada, muito acidentada. Daí eu vim pro Mato Grosso, terra plana, Mato Grosso, as terras era tudo já escriturada. É uma região muito pacífica e até hoje, né?
>> E lá nessa época também no Paraná, imagino que não era tão pacífico assim, né?
>> Não, o ambiente era péssimo. Gosto de falar para você, eu falei, eu vim para cá, foi para criar boi, não foi para matar a gente, nem para morrer. Invasão de terra. Teve um dia que eu saí da minha fazenda, quando eu cheguei na porteira lá, chegando na rodovia, tinha quatro corpo no chão.
>> Isso era normal no parar. Morria um por passar na cidade para a polícia pegava enterrar queria saber nem sabia que que era, nem sabia porque, mas era um trem normal. O Pará foi muito selvagem. Hoje já melhorou muito, pelo que eu sei, melhorou demais. Esse foi um dos motivos
>> pelo qual eu não quis ficar no Pará,
>> que o senhor tinha nessa época 27 anos você falou, né? 27,
>> eu imagino 27 anos aí.
>> Quando eu já vim pro Mato Grosso, com 30 anos eu já tinha achei melhor comprar um pedaço de terra no Mato Grosso.
>> Tá, mas você tava lá com o seu pai, por que que você decidiu sair e e aventurar para outro lado? Por que que você não não ficou por aqui?
>> Não, eu continuei, quando eu fui pro Pará, eu continuei tomando conta das nossas do Cristá. Ah,
>> te contar qual o fato de eu ser o filho que não formou, eu comecei a tomar conta das fazendas nossas Joviana e Goiatuba, porque meu pai adoeceu muito novo,
>> tá?
>> Meu pai morreu com 63 anos e ficou 9 anos, os últimos 9 anos de vida dele, ele não ia na fazenda não foi. Meu pai com 54 anos ele parou de ir em fazenda.
>> Entendi.
>> E quando ele tinha 54 anos, eu tinha o quê? Um uns 30.
>> Entendi.
>> Aí eu continuei tomando conta das coisas. Até que meus irmãos começaram a voltar da faculdade para mim entregar as fazendas. Aí entreguei Jovem Goiatua, fiquei tomando conta da fazenda dele do Crichá. Ainda mesmo no Pará eu tava criá Pará e mesmo depois Crichá Pará Mato Grosso. Eu demorei entregar o Cá paraos meus irmãos, mas devagar meu pai não queria que entregasse. Pai, eles se aprende, pai, eu ajudo, tal. Então foi difícil, mas devagar todos eles voltaram para as fazendas, aprenderam ser fazendeiro também. Entendi. E eu continuei no Pará até um certo ponto, assim que o Pará evoluiu muito mais rápido que o Mato Grosso. A nossa região do Mato Grosso, que aqui no Nordeste, região ali de Confreda, Vila Rica,
>> tá?
Foi uma região muito sofrida pelos governos matrscense. Tanto até que chamava vários dos esquecidos é ali, porque o eleitorado nosso era pequenininho
>> e o político não vai atrás de produção, vai atrás de voto.
>> É, entendi.
>> Mas agora de uns 20 anos para cá começou a desenvolver essa região. Hoje já temos município. Querência é o terceiro ou quarto município que mais produz soja já no Mato Grosso. A pecuária de Vila Rica, de Confresa de São José de Tingô, Santa Cruz. é muito desenvolvida, muito desenvolvida.
>> E aí você foi pro Mato Grosso nessa região, a região do Nordeste Mato Grosso
>> e continua lá até hoje.
>> São José do Xingu. Já tem fazendo São José do Xingu, Santa Cruz do Xingu e Porto Alegre do Norte.
>> Mas quando você foi para lá, que que você foi com que dinheiro que você foi lá para poder entrar nisso?
>> Não era muito barato as coisas. Eu tinha 1000 km de est de terra,
>> tá?
>> Para chegar no Mato Gross.
>> Ave Maria.
>> Tinha época nós ficavamos 90 dias sem chegar lá. Se rodava uma ponte, ninguém ia consertar. Aí quando chegava mês de abril, todo mundo já tinha uns boizinhos para matar. Aí fazia aquelas mutilando de fazendeiro para arrumar a estrada e as pontas tava rodada para só saía boi de abril até outubro. Novembro já ninguém tirava um boi de lá mais. Estrada acabava.
>> E por que que eu vim com Mato Grosso era mais pacífico, terra documentada? Aí você conseguia financiamento.
>> Ah,
>> no Pará você não tinha crédito.
>> Entendi.
>> Era terra sem papel. Entendi.
>> O que me ajudou um pouco no Mato Grosso foi isso. Eu ir no Banco do Brasil pegar dinheiro para comprar 500 novilha, comprar 1000 novilha. Aí era fazer o passo, o dinheiro, o banco arrumar para nós. Aí você tem que ter o crédito. O crédito é a coisa mais valorizada que no mundo é crédito. O homem sem crédito não vai pra frente não. Esse crédito aí é o é é a ciência maior da coisa. Com crédito você vai longe,
>> tá?
>> Sem crédito você para.
>> Com crédito e coragem, né? Porque
>> ah tem que ter coragem.
>> Tem coragem.
>> Tem ter uma companheira na
>> É. E e essa eu ia te perguntar isso. Quando você foi lá pro Pará com 27 anos, você já tinha a companheira? Ainda não?
>> A Fátima no não começo do Pará a Fátima não tava comigo ainda não. Igual o Mato Grosso. A Fátima foi pro Mato Grosso em 1986. Já tinha 8 anos que eu tava no no Mato Grosso.
>> Hum. Tá. Tá. Mas ela nunca deixou de ir lá não. Eu já fui duas vezes lá sem ela.
>> Só duas vezes?
>> É, mas mas ia pra fazenda ficava 120 dias, 4 meses, 5 meses.
>> Nó morava até hoje a gente mora na fazenda. A gente tem um apartamento aqui em Goiânia, mas aqui em Goiânia eu cheguei ontem, amanhã eu tô indo embora. Amanhã eu tô na fazenda de novo. Eu vim porque ela tinha um exame, um oftalmologista, ela tem problema de visão. Ela tinha uns exames ontem, hoje de manhã ela foi fazer tirar sangue e amanhã ela tem que fazer umas outros uns exames ali, mas depois do almoço vamos embora.
>> E para qual fazenda que você vai?
>> Eu vou pra fazenda de Aruanã.
>> Aruanã.
>> É aí Aruanã em Cocainha pertinho ali.
>> Sei.
>> E segunda-feira eu vou pro Xingô.
>> E no Crichá lá. É, é irmão seu que tá tocando até hoje.
>> É, lá no Crichá nós dividimos as fazendas. Lá ficou para oito irmãos.
>> Hum.
>> Lá era 3.200 alqueirão. Cada um ficou com 400 alqueiro. É 8. É isso mesmo. Ficou para oito irmãos ali. E eu e eu não fiquei lá. Eu fiquei com o Mato Grosso. Meu pai tinha uma fazenda no Mato Grosso. Nós ficamos dois irmãos lá, eu e o e o Júnior.
>> Lá no Cocalim.
>> Não, lá no São José F. Lá em São José,
>> a de cocainha eu comprei tem 5 anos agora.
>> Ah, tá.
>> Essa foi a Cocainha Aruanã foi comprada agora a pouco prazo, mas fechei a porteira. Não compro mais não. Chega, chega. Foi as últimas fazendas que eu comprei foi essas duas.
>> Hoje o senhor nessa, quando o senhor começou, começou obviamente devagar e hoje nessas duas fazendas é eh qual que você tem pecuária junto com a agricultura ou como é que tá dividido isso?
>> Não, pecoara com agricultura é só no Xingu.
>> No Xingu.
>> São José de Xingu e Santa Cruz de Xingu. Não, Santa é Santa Cruz de Xingu e São José de Xingu. Eu tenho agricultura e pecuária lá.
>> Lá. O que que é mais ou menos divisão de quantos? De pecuária de agricultura.
>> Olha, pecuária, agricultura nós estamos lá aí hoje com uns 20 e poucos mil hectar já plantando.
>> Pecuária deve estar uns 12 a 15.000 ha,
>> tá?
>> No Mato Grosso que tá criando boi
>> lá no Xingu.
>> É. E aí, cocalinha? É só, é só
>> cocalinha é só o gado.
>> Só gado
>> aruanã é só gado aruanã. Faz aruan é só gado?
>> Ah, lá é pior.
>> Aruanã é peor. Só só não é pior lá o gado do confinamento. Que eu tenho um confinamento lá. Confinamento pequeno, não é grande não. 3.000 boi para trás.
>> Tá.
>> Esse lá tem é o engordo boi e a f do pó. Mas no xingunda ficou o gato peó para trás.
>> Tem uns gados lá ainda.
>> Tem tem uma fazenda de Porto Alegre do Norte que é só pió também. E lá no Xingu é cria que que
>> é cria engorda. Tô engordando no confinamento, né? Eu faço três giros
>> lá. Você faz três giros?
>> O gado, o a minha produção do Mato Grosso, eu tô trazendo tudo para Goiás.
>> Tô confinando aqui em Aruanã.
>> Mas o confinamento sempre tá cheio de boi.
>> Vai tirando uma boiada, pô no outra. E a gente trabalha mais com gato [ __ ] né? Entendi. Ô Carlito, você você pegou muito bem aquela época que você vendia um boi gordo, comprava quatro, cinco bezerros.
>> Chegou,
>> olha, eu fui o maior gabiroseiro do Brasil.
>> Ah,
>> nós matava um boi, vamos pô naquela matava um gabiru bom, gordo, 16, 17 ar.
>> Ah,
>> comprar a bezerra aqui em Goiânia, gabiru, duas@ 3, até 3,5 o máximo. Então você imagina com boi gordo dava cinco bezerro.
>> Uhum. Nós mandava esse caminhão pro Mato Grosso. O caminhão ia levando gabir voltava com boi gordo. Eu acho que morria uns 10%. Quando dava uma afetosa morria até 20. Mas não tinha problema não. Tava dando lucinda.
>> Era boa a relação de troca, né? Troca era boa demais no gabiru. O Nelor você dava, vendia um boi e comprava três.
>> Hum.
>> Hoje você vende um boi e compra dois só. Hoje é
>> E o gabiru não existe mais como existia antes, né? Ou ainda tem gente? Hoje tem um gabiru, mas muito puro. Você sabe que o gado leiteira apurou muito.
>> É,
>> naquela época o gado era um gado mais mistiçado. Então tinha, se soubesse comprar, comprav uns gabir bom para criar, para para engordar. Hoje eu tenho não mexo mais com gabiru, não qu não compro nem na l não tô comprando quais, então meu trabalho mais com os criolos. E o gado, o gado leiteiro apurou muito, cresceu muito a quantidade de leite por vaca, porque a vaca é mais pura hoje, então dá um bezerro mais ruim. E parece que uma grande parte desses criador de gado europeu aí para leite, acho que não sei se eles matam os bez que eles fazem com aquilo. E semina a vaca só da fêmea também, né?
>> É, também
>> tá usando muita semada de fêmea aí lá no leiteiro.
>> Então quase não tá sobrando marcha. E o que sobra é meio, se for muito puro, holandês não é bom para engordar.
>> É ruim de engordar, né?
>> É ruim.
>> E aí já não
>> fora o carrapato ainda, aquela textura já. Você tem que usar o tal de Ivomec, né?
>> É
>> Ivomec, que é o pai da pai e a mãe da música de chifre chama Ivomec, que aquilo é para gato taurino. O Zé Buío não precisa de Ivomec. O pessoal fala: "Car, que que você dá pra mosca?" Nada. Como? Nada. Falei: "Eu não uso i vermectina nada. Só usa bendazol para verme, que é um bom vermelho. Vermectina é para gataurina, gente, para derrubar carrapato, para derrubar sarna, é para essas coisas. Então você não usa nada paraa mosca? Não, biz com problema. O pai e a mãe da mosca é foi a vermectina porque nós já tinha essa mosca aqui há muitos anos não sabia. O bizorro controlava ela para nós. O dia que entrou no mercado, que nós todo mundo começou que tem, apareceu o milagre da pecuária, era Ivonc. Num outro ano surgiu a mosca, um dia para outro surgiu a música no Brasil eu não uso. Então o bizorro controla para mim. No mês de abril dá um pouquinho de mosca, agora no mês de outubro dá outro pouquinho, pouquinho. Você pode minhas fazendas, eu não aplico mesmo, eu não mato bizorro. E pouca gente faz isso.
>> É. O rola bosta, né?
>> É, o rola bosta. Não pode matar ele não. Ele controla a mosca do filho para você. E criador de Nelor tá usando vermectina aí, parecendo que é remédio e com vermífero é muito ruim. Com vermífero não é bom. Agora limpa o gado, limpa o pelo. Nelório não precisa disso não, gente. Nelório é rústico. Por que que o Brasil cresceu em cado nelório? É porque é a melhor fêmea que tem é anelório na BCZ. Eu discutia muito, gente, vocês estão criando nelor, bezerra nelor na vaca holandesa. O grande qualidade do Nelor é a mãe. A mãe cria lá no mato que nem um [ __ ] mateiro. Bezerra escapa.
>> É.
>> Ninguém precisa de botar um bezerro no ló para mamar, não.
>> Ela produz o que ele precisa, né?
>> E tem uma coisa, toda hora que o bezerro vai lá tem leite. E se o bezerro não vai lá, você vai tirar leite. Não tem. E é que nem égua, né?
>> Justamente. É isso aí.
>> É. E os caras, o povo não sabe que égua dá um mundo de leite. É que o podrinho mama toda hora, né?
>> Olha, a raça Nelor não é a raça mais pesada, não é a raça mais precoce, mas é a mais rústica.
>> Por isso que cresceu, né?
>> Eu vou citar até, você conhece amigos seus também lá do Beraba, Marco Antônio Carito, você não quer botar uns buzer nessa vacada sua? Não falei uag, naquele tempo a só tinha muita vaca. Ele foi lá no chingou na fazenda. Falou: "Ué, é bom." Falou: "É bem bom demais". Falei: "Não, mas eu vou andar numas fazendas aí para mim ver como é que esse gado." Ô Marco Antônio, uma fazenda dele de umas cinco. Falou, mas ninguém tem 5.000 vagas com zerar não. Falou: "Então não foi essa que nelora eu vou te levar quem tem 50.000, 100.000 que a única raça que você fala tem 10.000 vacas, você não precisa perguntar que é raça. Ah, tem 20.000 vacas. Pergunta também é tua nelória que é a mais rústica. A grande qualidade do Nelor é a rosticidade, não é precocidade, não é fertilidade, não é peso, não é nada. É a rusticidade, é a fêmea. É o carro chefe da pecória brasileira, é a vaca nelógica que ninguém fala mais bem contente não fala em leite noelor não. Nelor é só para criar o bezíro.
>> Isso
>> não mexe com leite noelor não. A teta tem que ser pequenininha. Se o ela criar o bezerrinho e o bezerrinho não sobreviver, ela vai pro figurífica. Mas não pode ter atesa grande, tem atesa pequenininha.
>> É,
>> é isso aí. Pecuária é a coisa mais fácil de fazer. Acompanha um grande professor que nós tivemos no Brasil que me ensinou muito, seu Adir. O Adir ele entendia de pecória.
>> Eu trabalhei com ele.
>> Trabalhou?
>> Trabalhei com ele muito tempo.
>> É o Adir eu tenho muitos conselhos dele de piqu que é pecuária de corte. Você tem que criar o gado na de acordo com a natureza. É a única raça que você cria lá. solto, tranquilo e cresce e dá lucro.
>> E não precisa pôr no coxo, né?
>> Também não dá para engordar lá no passo.
>> É,
>> rusticidade é a grande qualidade da raça, né? Lógico. E nós pecuaria, você põe lá pensamento dos ch, isso é bom. Eu até gosto da carne no europeu, mais massinha, né? Mas fazendeiro que fazendeiro não faz cruzamento. Os fazendeiros do ramo tá tudo no nelor ainda. Cruzamento ele dá uma sofisticação na pecuária, na fazend, mas dá muito trabalho, muita mão de obra. Eu você não consegue fazer volume também, né? Como é que você vai trazer 10.000 vaca no corró para inseminar aquilo tudo? Vaca para vocês em ela com bezerro no pé, né? Fica um tanto de bezerro para trás, vira um tanto de guacho na fazenda. Isso que a gente faz com gado peor já dá muito trabalho.
>> É o gato poem, lógico. Fazer o melhoramento genético, você tem que trabalhar com
>> o gado de corte você tem que largar lá pro pá, deixar o boi cobrir lá no pasto. O
>> o seu gado de corte, então é só
>> a pasta.
>> Cobertura.
>> Só a cobertura da pasta.
>> Não insemina
>> nenhuma vaca de corte. E esses touros que o que o senhor compra touro de vários locais, como é que o senhor faz a escolha do touro para poder
>> Não, eu tenho no gado po nosso, quer dizer, eu trabalho, eu tenho uma parceria com a na Viiraí,
>> tá?
>> Eu uso muito o o gado na Viraí e também tem boi lá na central também dessas parcerias tem boi parceiro meu com na Biraí na na alta, tem boi só meio na alta. E porque você tem que estar sempre cruzando, né?
>> Uhum.
>> Você não pode
>> Uhum. Essa o cruzamento, tanto é o seu Zé Humberto que eu vou amigo meu, você tem que ir na na pecuária do vizinho e pegar uns animais para colocar no seu por com sanguinidade você não pode,
>> tá
>> ver os grandes raçadores do Brasil, eh, que de da época de 62, quem não trabalhou com cruzamento ficou com a pecora parada. Você tem que tá misturando seu gado. Você tem que ir lá no mundo novo, pegar um animal desse, colocar no seu. Tem que ir lá no rubi, colocar no VR para dar um um choque de sangue. Agora até essa última importação que eles fizeram agora estão trazendo muito muito muito embrião da Índia,
>> tá?
>> E vai ter que já usar isso aí nos animais que já tá aqui dentro do 62, porque senão vai vai começar a nascer boi com a mão torta, com a cara torta,
>> com sanguinidade mais.
>> É, vai dar dá problema. P tem que cruzar. Agora, senhor, senhor acha que o Brasil para ele aumentar a eficiência nossa na pecuária de corte que você pega, dando um exemplo, como Estados Unidos que tem metade do rebanho nosso e metade não é até menos da metade, praticamente, menos da metade e tem mais e produto mais carne.
>> Prod mais.
>> Você acha que o Brasil vai chegar na questão de ter só a cria e engorda sair fora? Eu já tô fazendo isso. Essa semana parte um punhado de vizu, tirei da maminha e já coloquei no confinamento. Nelor
>> Nelor,
>> olha, 1994 foi o primeiro ano que eu fui nos Estados Unidos e fui logo para pro Texas e já pegamos um avião emala, já fomos para Marilo, conhecer os confinamentos. Quando eu voltei, falei: "Nós estamos 100 anos atrás dos Estados Unidos". Hoje eu vou dizer para você, nós nos demos uns 20, 30 anos só atrás do americano. Os gados, esse pessoal que tá fazendo cruzamento aí, já tá tudo desmamando o bezerro no confinamento. Eu essa semana desmamei uns bezerros no confinamento, nele.
>> Tá.
>> E vai dar certo. Vou explicar você porquê. Eu tenho visto os criadores de gado po fechar o bezerro desmamarado no confinamento e com 2 anos o bezerro tá com 800 kg. Esse bezerro de corte eu não vou dar com 800 kg, mas se ele der 600 kg tá ótimo. Se ele ficar lá 12 meses fechado e for para 600 kg,
>> tá ótimo. E vamos conseguir fazer isso facinho. Essa bezerrada que eu desmamei essa semana que vai já entrou no coxo, eu quero matar ela com 10 a 12 meses de coxo, mas ela vai dar mais de 600 kg. Ela vai dar que ela é boa. Eu acha que ela vai chegar nos kg. E aí eu vou fazer a conta no lápis que eu tô lá fazendo, que ela tá comendo para ver se compensa ou não. Isso aí tá próspero fazer no europeu. O meio sangue já tá fazendo isso, tá desmamando marcha e fêmea, meio sangue já no confinamento que nem o americano. Então nós faz assim, nós estamos 20 anos só atrás. Em 94 nós estava 100 anos atrás.
>> Aham.
>> Eu vi a Marilo, fui no confinamento lá, acho que é cactos. Até assisti uma palestra lá, foi até um argentino fez a palestra conosco. Eu falei: "Mas est atrasado demais". Aqui acho que só tinha o Dr. Otávio L confinando boi aqui em Goiás. Foi o primeiro confinador de boi s Goiás foi Dr. Otávio. Inclusive a primeira boada que o Dr. Otava matou. Quem foi lá no confinamento dele apartar os bois para ele matar fui eu.
>> Ah.
>> Aa tinha mais 10% da boiada dele tava com laminite.
>> Hum.
>> Aqui não tinha controle ainda de ração para saber como é. E eu sei que eu fui lá p aqueles bo laminite dele para morer. Chegou no carro assustou. Falou me boiar. Falei: "Você vai guardar desse que jeito". Ó os pé desses
>> tem que guardar tudo. Limina isso aí.
>> Dr. Ottavo lá ele tinha, eu não sei se acho que ele era governador quando eu fui lá par gato para ele. Era moleque também.
>> M Carlito, hoje você tá falando uma coisa interessante. Bom, o cruzamento industrial dá mais trabalho, tá? O bezerro vai sentir mais carrapato, é varador de cerca, tudo. Mas ele, lógico que você tá fazendo os seus números agora que você tá falando, mas a tendência não é o meio sangue ou F1 aí ganhar mais peso mais rápido e sair mais rápido confinamento. E
>> ele é um bezerro mais caro e fica mais caro você fazer um bezerro de cruzamento do que um bezerro nelor na paz. A conta que eu faço hoje é que 80 80 não, 90% do gado nosso hoje é criado a pasta. Esse gado, esse bezerro que vai pro confinamento precoce é uns 10% só, nem 10% acho que chega lá.
>> Então esse pode ser que amanhã o cruzamento industrial seja mais compensativo nesse nessa política de fechar o
>> Aham. Mas o nel vai dar um bom resultado, porque o Neló come menos para dar mais carne. Vamos pôr 1 kg de 10 kg de ração, talvez o europeu dá 1 kg de carne, o Neló já vai dar 1,200. O gado Zé buío, ele dá mais conversão de na alimentação. E outra coisa, o meiangue, qual as peças do meiang val mais que a do Nelja? A picanha, o contrafilé, o lagarto é do mesmo preço, o filé do mesmo preço, as carnes de segunda é tudo do mesmo preço. O alcatra vale mais também europeu, de meio sangue, é mais marmorizado. Eu acho que umas quatro peças só que é mais cara no cruzamento industrial do que o dronelógico. Então a diferença de preço só que você vai pro figurífica é muito pequena, é R$ 5@ R$ 10@ só de um animal rústico que nós estamos vendo o pessoal do PO fazer ele crescer no confinamento e pesa mais do que os europeus, hein? Você não consegue pegar um bezerro europeu aí, botar 800 kg nele com 2 anos de idade, não é difícil. E o neles estão colocando pegar esses leilões aí de gato po berrada do anos aí tudo dando 800 kg,
>> mas com cri
>> faz não, já desmama com 300 kg, né? Com cripe.
>> Com criando e continua no confinamento. Pois é
>> isso aí. E eu eu vou fazer esse teste agora. Fechei essa bezerrada agora essa semana no cucho.
>> Uhum.
>> Eu não sei nem quantos bezerro deu. Apartei lá mar, larguei lá e vim embora ontem. Mas já tá no coxo.
>> Já tá no coxo.
>> E vai engordar no coxo. Não vai sair do coxo não.
>> Mas então você acha que a nossa pecuária vai ter que ser finalizada no coxo? No passo não.
>> Vamos o passo tá acabando. A agricultura vai tomar conta do passo. Não pode derrubar mais mato porque a pecuária é que é que levava o o desenvolvimento do sertão. Hoje acabou. Hoje não tem sertão mais. O sul do Pará já tá tudo assaltado, tá tudo colonizado. O norte do Mato já tem jato operando lá em Alta Floresta. Lá em Sinó já tem uns seis voo por dia. Então acabou, tá acabando o sertão. Rondônia tem naquela cidade tudo tem azul azul desce naquela cidade toudo ali na beira da rodovia até Porto Velho. Desce uns quatro voovos no interior do da Rondônia. Já o norte do Mato Grosso tá descendo uma alta floresta. Cinop que tá descendo ali eh Lucas do Rio Verde também. Então, Rondonó, acabou o sertão. Daqui 20 anos não tem sertão mais, não tem mais Amazônia, a fena aberta. Então, a agricultura tomando conta da Serra Plana, a pecuária vai ficar a vaca solta e o macho nós vamos levar pro Costo nós desmama. Isso aí não vai 20 anos, não vai ter recria de macho mais não. Isso aí é uma realidade. Já tá acabando o meio sangue, já tá acabou e vamos acabar no puro também. E você acha que o Nelore vai continuar sendo competitivo mesmo tendo Sim. Mesmo para fazer o cruzamento do céu. Eu tenho um vizinho aqui no Aruanã, Dr. Vicente. Dr. Vicente tinha toda a vacada dele meio sangue, Ângos, tudo preta.
>> Hum.
>> E ele usava o semi do anos puro. E ele tem contrato, não sei se com JBS, com JBJ. Dr. Vicente tá trocando a vacada preta em troca de vaca branca. Tá pondo vaca branca do preto. Sai tudo meio sangue, sai tudo pretinho. Você não sabe nem que olhar no você não sabe nem que que não é.
>> Então a fêmea, a fêmea melhor que nós temos é a nelório.
>> A fêmea é anelório.
>> É vai ter esse. Mas o puro com puro não tá dando certo não.
>> Ô Carlitos,
>> a vaca europeia ela come muito para produzir um bezerro.
>> É, é isso aí. Não tem competição. A vaca meló é
>> é o carro. Eu conversando com a vez, na época eu tava trabalhando com quem produzia Angos com a VPJ.
>> Aí eu tava numa conversa com o Adir lá na casa do do lá de do Beraba lá na exposição. Eu falei assim: "Olha, o povo fala muito do cruzamento do céu, eu acho. É bom". Fi por que Adia falou olha as fêmeas que nasce eles vão matar tudo. Vai faltar a fêmea Neló, vai valorizar mais ainda o Neló. Então eles acha ruim o cruzamento do Cal. Eu acho é bom porque a fêmea Neló vai faltar daqui a pouco. Aí você tá falando agora que tem gente trocando as fêmeas meio sangue, mudando paneló.
>> Você acha que isso aconteceu? Deu tempo de acontecer?
>> A fêmea meio sangue não dá certo porque ela só para um bezerro. Ela compra uma vaca e meia.
>> Hum.
>> Para parir o mesmo tanto que a vaca na pare. Senhor contava o cruzamento do que ele a gente perde muito com cruzamento? Eu há uns 20 anos atrás quando a o Diné tava Biné foi quem comprou Bordolândia. Fica uns acordos lá com o Inca, tava passando a pro Inca e tava vendendo o gado. Eu fiquei uns 90 dias dentro daquela fazenda bordol. Eu comprei o gato praticamente quase tudo. O Duda comprou 1000 vaca paridda. As corr vacas vazi solteira. Fui lá na Alagoa da Serra, fiz um contato com a Lagoa da Serra para Lagoa da Serra em cima nessa vacada minha de Angos. Veio inseminou uma beleza, mandou os peão deles. Quem inseminou tudo foi
>> sem dese tudo.
>> Beleza. Nasceu uma bezerrada linda, maravilhosa, vacada bonita, com 60 dias eles vieram no reinseminar a vacada. Foi sucesso. Quando desmamou o primeiro lote, a vacada tava só o pinel sentida.
>> É. E já pr par de novo, né? Quando parei uma segunda vez, eu liguei lá, eles vieram fazer inseminar a vacada. Nós deu conta de inseminar 30% da vacada, 70% da vacada morreu.
>> Escore b. Falei isso examin de gado. Se você não tratar da vaca, aquele a vaca neer para criar ele também, você tem que fazer o cripo bizu e tratar da mãe,
>> fazer um proteinado porque senão ela desmama e não reenxerga.
>> É, é uma visão bem interessante.
>> E no nel comeló você não tem essa necessidade. Falei isso extermínio de gás nunca mais mexicamento do céu. Eu tô falando que eu não gosto. Eu já fiz.
>> Sim, sim.
>> Fiz. Fui com 2.000 vacas o lote que eu comecei. Aí falei: "Mas só sobrou 30%. Falei: "Término de rebanho, porque a vacada que falha você tem que matar. Depois que você implanta uma pecuária tudo certinho, pariu, ficou num pariu, morreu.
>> E ela não tinha nem condição de emprenhar com escore baixo do jeit que tava.
>> Não, não tem jeito. O jeitava. O bezerro mama a mãe. Bezerrinho mama de mãe. Aquele pretinho aquele cão para mamar.
>> Mama mesmo. E o Nelor mama normal. A vaca nelor ela feita para dar mamar pro Bzein Nelor que a conversão alimentar do Zebu é melhor que a do europeu.
>> Então você fala, você fala que ele judia, o bezerro de cruzamento judia da vaca na lógica. Isso
>> muitoais.
>> Se você tem que fazer um tripo bezerro pelo mamar menos e dar um proteinado pra vaca para ela ter condição de reenxertar. Você tem que você tem que preparar melhor para
>> É, na verdade você tem que tratar bem a vaca, né? O bezerro também, quanto mais ele come, mais ele vai
>> não, mas se você dar uma alimentação para ele, ele vai ter necessidade de menos leite.
>> Ele segura o leite, barriga cheia,
>> vai, ele vai no criper, vai numa narração.
>> O grande problema é que você fica com custo muito alto, porque você tem que crio, bezerro, tem que dar raça, comida pra vaca, proteinado pra vaca. A vaca realmente tem que tratar da vaca. E
>> o gado europeu fica mais caro. O boi europeu ele custa mais. Porque a conversão, igual eu falei para você, o Nelór com 10 kg faz um 1
>> kg 200 um 1,g 200 e o outro só faz 1 kg. Então já é ele a a ele come muito mais para fazer menos carge. A a criar um zebu é muito mais barato que criar um europeu.
>> Sem dúvida.
>> É,
>> hoje o senhor não mexe nada com cruzamento.
>> Europeu? Nada, nada. Parei mesmo. Não mexo não. Eu vou dizer se eu consigo n no nós pecuaristas e e que o nosso clima é pagado, Zé Buío. Vamos falar isso. Nós temos que melhorar agora. Só o pessoal fica inventando tanta coisa aí. É fazer precocinha que isso é bobagem. É umas bobagem que fica vendo. Nós temos que agora trabalhar para marorizar a carne do Nelório. E tem como mamorizar.
>> Tem um pessoal fazendo um trabalho forte. Isso aí hoje para mim que o gado nosso na loja já atingiu um apogu precocidade tanto de de abate como de pranheis. Não precisa fazer com enxertar com 3 meses, não. Enxerta com 24 meses. A a fêmea nelor, ela não foi porque se ela enxertar com
3 meses, ela vai parir com quanto? Com 22 meses. Ela vai falhar. Ela não tem estrutura para reenxertar. Deixa ela enxertar com 20 meses para ir lá com seus 30 meses e daí uns 90 dias tá aprendendo de novo.
Agora nós temos que melhorar a qualidade da nossa carne.
É qualidade, né?
Para competir melhor com os outros, né?
Outra coisa muito, eu eu eu sou eu sou um das pessoas, fiz errado, mas é boi errado que tá dando certo também, né? Esse negócio de engordar boi.
Hum.
E zangou a nossa carne demais. Esse boi criado da paz, isso é uma porcaria. Eu fui açougueiro 5 anos.
Hã.
Eu entendo bem de carne.
Não é só de comer, não, de vender também. Eu fui açougueiro. A carne desse boi inteiro engordado no pasto é ruim. É muito ruim. Quando você engorda ele no confinamento, ele não dá uma cobertura boa de gordura. Mas isso aí foi um desastre para a qualidade da nossa carne. Eu acho que se o frigorífico remunerasse nós aí R$ 10, R$ 20 mais caro no boi castrado, que ele pesa menos.
O boi inteiro que é é o errado que deu certo.
A gente ganha mais dinheiro barão. Ninguém caça o boi mais.
Não.
No início o frigorífico tentou lutar conosco, depois o pecuarista venceu o frigorífico. Mas o boi inteiro de pasto é muito ruim.
É ruim. Em que sentido você fala?
A carne, a carne não tem maisz, não tem marmorização, não tem gordura.
Carne, não deposita gordura.
É que a gordura que faz o sabor na carne.
Ele só fica bom se for no fica melhor, né?
Fica melhor no confinamento.
No pasto é muito ruim aquela carne.
A melhor carne que nós temos é da novilha de 12@.
Sim.
É, essa é boa.
Aí a dona de casa só tem daquela carne que você me vendeu ontem é da novilha de 12 arroba.
Essa é boa.
É. Não é da novinha de 10, não. É a novilha que já tá amadurecendo de 2 anos e meio.
Por que que você foi, por que que você teve açougue?
Vontade de melhorar de eu já fui transportador, já fui açougueiro, já fui madeireiro, já fui garimpeiro.
Ah, vá.
Garimpei na serra pelada. A fazenda minha era lá junto.
Ah.
Eu tinha três, nós tinha três barrancos lá no, na serra pelada. Teve dia nós ganhar, tirar 15 kg de ouro.
Bamburrou.
Bamburrei, mas gastou tudo lá. Chou nada. Garimpo é jogo, gente.
É, é jogo.
Você pensa tirar 15 kg de ouro numa noite, o ouro hoje deve tá R$ 3.000 a tonelada, o kg, né? 3.000, 3 milhão, que é caro.
Eu eu não sei.
Outro tá caro.
Tudo que nós ganhamos no garimpo ficou no garimpo.
Ficou lá.
Ficou lá. Aí você tem um barranco, começa a dar ouro, você arruma outro barranco, compra outro barranco do vizinho. Nós tinha três barrancos. Aí um afundou muito aqui, já encheu d'água. Nós vamos garimpar no outro mais que tá mais raso. E virou só festa.
Ao invés de pegar os 14 kg de ouro e sumir.
Ah, não, agora vamos no outro porque vamos vai dar mais.
Osto.
É o vício.
É, é jogo. Jogo é isso aí.
Jogo é isso. Você ganha uma vez tudo ele.
Go. É raro uma pessoa que enricou no garimpo ganhar dinheiro, todo mundo ganha no garimpo. Mas gasta tudo lá no garimpo.
É engraçado isso.
Ganha mais perde.
Ganha mais perde.
A pessoa quando é mais novo, você fomenta tudo na vida. Nós fomos e aqui em Goiânia eu tinha uma transportadora Goiás Frota.
Hum.
Eu transportava uns 70, 80 caminhão. Eu já trabalhei com açougue e vendia carne também. Eu distribuí a carne do do Caiova, do Bombife.
O Vasco lá do Vinhedo, que era o dono do Bombife, vendia a carne deles.
O Caiova daqueles francês vendia carne para eles. O Goiás carne aqui em Goiânia vendia carne para eles.
E tinha tinha uma desossa grande em Brasília também.
Brasília. Você você já comprava e e desossava.
E e e vendia carne também para ganhar comissão.
Hum.
Você arruma um jeito de ganhar dinheiro para melhorar de vida. Aí aquela [ __ ] ali quando casou comigo, ela não quis deixar mexer com carne mais não. Nós vamos para a fazenda. Esse de carne tá dentro do não dormia, né? Caminhão no mundo aí no motorista 3 horas da manhã ligando.
É.
Aí entrou aquele plano cruzado, tinha que vender as carnes tabelada. Prendia caminhão nosso no Brasil para tudo quanto é canto. Não larga disso mesmo. É do Sneio 88.
Aham.
Tabelaram com a carne.
A tabela da Tsunabi.
Nossa senhora. Prendia os caminhões nossos todos nas estradas aí querendo que vendesse qualquer preto. Não, mas os motoristas já viajavam com a nota fiscal de de venda da carne vendida, né?
Ah.
Aí tinha que arrumar advogado para tirar o caminhão da prisão para tocar pra frente. Você comprava tudo com mais caro que a tabela. Tinha que vender mais caro, mas já tinha os clientes que comprava mais caro.
Mas era vida, né? De tudo nós remamos um pouco até que virei só fazendeiro.
E hoje, se o senhor mexe com agricultura e pecuária, que que é melhor na sua visão?
Não, depende da época. O ano passado nessa época nós estava vendendo boi aqui em Gua de 180, 190. Hoje.
Tá vendendo 310, 305 nessa faixa aí. Melhorou a soja há uns três, três anos atrás nós estava vendendo soja de 180 aqui. Agora estamos vendendo 110. A agricultura tá ruim. Ano passado e esse ano foi muito ruim, mas tudo que tudo que cai sopra. Tudo que sopra cai. Isso aí você pode ficar cego.
Que.
Isso é uma coisa que eu ia perguntar, porque assim, a gente vê muita gente que às vezes entra no negócio falando: "Ah, o agronegócio dá, vai". O agronegócio é bom porque dá dinheiro. Aí o cara entra e se esfola.
Mas deixa eu te falar assim, sabe que a hora que você tem que entrar no negócio? O povo entra quando tá bom.
Hum.
É.
Quando tá bom, você tem que sair, você tem que entrar quando tá ruim. O pessoal faz o inverso. Se quando tá bom, ah, eu quero acabar com a minha pecuária. Acaba com ela quando o gado tá caro. Não acaba quando gado tá barato. Quando tá barato você entra. Quando o mercado tá todo mundo falou entrar nesse trem aí. E a maioria do povo sai. Pessoal faz o contrário.
E tá mais barato para poder comprar, né?
Você tem que entrar quando tá ruim e sair quando tá bom.
Isso é que nem mercado de ação, né? É a mesma coisa, né?
Quantos anos você tem de pecuária?
60.
60. Nesses 60 anos você já viu várias?
Ah, não. Só eu já vendi boi de 9 tem uns 40 e tantos anos atrás. 1.3. Já vendi soja de $ o saco 89. Eu plantei, a primeira soja que eu plantei na minha vida foi 89 lá no Xu. Eu vendi essa soja cá na água boa. Não sei se foi para Cardio, foi ouro e prata. Senhor, lembra direitinho 5 dó só boi de 9. Pensa quando dá 40 hoje nós tá morrendo.
Vendemos já de 9.
É.
Mas e o senhor, por exemplo, hoje nós estamos vendendo o boi a 300, 300.
É 300. R$ 300. Vamos falar. Que que o senhor acha que vai ser da pecuária aqui daqui pra frente? Daqui um ano o preço.
O pico vai ser o ano que vem.
Ah.
26 eu acredito que o boi vai bater o pico. 27 vai ser bom. 28 vai começar a decrescer.
O pico senhor acha que vai chegar em quê?
70@ tranquilo.
Mais de 400.
É. É. O dólar deu uma caída esse dia, mas vai acompanhar o dólar.
Mas vai por aí. O boi americano tá mais tá uns 110 não sei bem certinho hoje não. 106 110 o boi americano. Nosso boi vai ficar uns 30% mais barato que o americano. Olha como pico nosso aqui. Nossa carne é a mais barata do mundo hoje. A carne mais barata do mundo até esse dia era o Paraguai. O Paraguai tem mais carne que é nós. Mas esse monopólio.
E que você explica e o que que explica por que barateou?
O monopólio? Cadê a concorrência? Nós tinha três frigoríficos grandes aqui. Agora pessoal tem dois. Je que eu tô vendo aqui só tem um. É que nem criar gado aqui no Vale do Araguaia no Mato Grosso. Barra do Garça, Água Boa, eh com fresa, Santana, C de Taba, Redenção, só tem JBS. Ao longo da B158, de baixo do garção, só tem uma uma empresa. Seis frigoríficos JV, seis ou sete, não sei. Aí de Xinguara pra frente já tem concorrência. de redenção de Barra do Gar ali de Ron Lóp já tem concorrente lá de Cuiabá. Nós só temos hoje Minerva e JBS. A Marfrig hoje só tem duas plantas. Nós tinha três, tinha Marfrig, antes nós tinha Marfrig, tinha Bertin, tinha J, era Friboi, era JBS, tinha um caro de empresa concorrendo uma com a outra, até com umas quebradas também. Agora hoje esse pessoal tá ganhando dinheiro com essa união da da Marfrig com Minerva com só duas empresas hoje só tem Minerva JBS. O resto é frigorífico pequeno. O frigorífico pequeno não dita mercado. Quem dita mercado são os grandes. Por por que que as ping-pong de dezembro até hoje? É porque eles força a baixa das férias para as compras 15 20 dias. Daí não aguenta mais seguração. Agora eu acredito que da agora pra frente até 2027 elas não vão conseguir fazer ping-pong mais não. Boi agora é firme.
Tá.
Não vai conseguir baixar o boi não.
Ô, ô, Carlito, eh, isso que você tá falando é muito importante, porque eu vejo que a maioria dos pecuaristas não tem essa visão de mercado. Ele tá simplesmente criando e vendendo e criando e vendendo, mas nunca tá olhando mercado. Isso é essa experiência. Como é que você sempre foi assim pensando no mercado? Isso faz a diferença?
Sim, sim. A diferença tá aí. Por que que uns ganha mais dinheiro que os outros? Bom, um que gasta menos, né, e trabalha mais, dá. Mas a regra geral é fazer um negócio. Até a hora de você comprar fazenda, você tem que saber quando o nosso boi tava caro, há 5 anos atrás, foi as últimas de fazenda que nós fizemos. Pagar terra com boi barato é os boi acaba.
Hum.
Igual pagar terra barata com boi caro é bom. Tem a hora de você comprar terra, tem a hora de você fazer o serviço. Vai reformar uma fazenda como boi tá R$ 200. Não, boi. Eu já tô começando a comprar calcário já. Boi de 300 já. Vamos comprar um pouco de calcário. Eu tô pensando que venha do fazenda. Tem a hora de você fazer o serviço. Tem a hora de você fazer as trocas, porque quando o boi gordo tá tá caro, a troca é muito ruim também.
Hum.
O bezerro que é caro. Se você for vender boi gordo para comprar bezerro aumenta pouquinho. Então mata boi gordo para fazer isso na fazenda com a reforma da fazenda troca suas máquinas.
Esse é um detalhe que nós conversamos até aquele dia, né? Porque às vezes vende aí ele compra bezerra de 4.000.
É. Não. O o a gente ganha mais dinheiro que às vezes que os outros, não é porque a gente é mais é às vezes porque só vai mais devagar e fazer a coisa na certa, na hora certa. Tem gente que vende aí 200 boi para comprar uma caminhonete. Tem uma caminhonete, eu compro com 80, com 70. Você tem até a hora de comprar as caminhonete. A moeda nossa é a e do trabalho é saco de soja ou saco de milho.
Tem que tem que aprender a fazer essa moeda nossa não é real.
Quantos boi custa a caminhonete, né?
Justamente. Você pode estar até minguando seu dinheiro. Se os bois tiver aumentando o passo, você tá ganhando dinheiro. Nós tem que aumentar o boi no passo. Esse que é o lucro seu.
O grande segredo, tanto na lavoura quanto na no gado é ter volume.
Justo. Porque se você tem aí 10.000 boi hoje pode não estar valendo nada, mas a moeda minha é 10.000 boi o ano que vem aqueles boi tá caro. Então você não pode correr do boi você não pode correr atrás de dinheiro, você tem que correr atrás da mercadoria.
Perfeito.
Aumenta a mercadoria que você ganha dinheiro.
Olha, e a a sua teoria eh e são dois mercados com diferentes, mas igual que a teoria do Luiz Barce. O Luiz Barce lá, que é o o homem que mais investe em bolsa no Brasil, em ação, ele fala: "Não preocupa com o preço da ação, preocupa com a posse da ação."
Justo.
Você tem que ter, se ela subiu ou se desceu, não esquenta a cabeça. Você tem que ter ela.
Ela só desce.
Ela sobe e desce.
É igual eu falei para você, tudo que cai sobe, tudo que sobe cai.
Menos ele cobre, porque depois que caiu não sobe.
É, mas é é é aquele que ele fala que ele você tem que ter ação porque e ação que te dá dividendos. que te dá dividendos.
Você tem que tem que ganhar dinheiro com dividendos dela e não com o preço dela.
Quando você tem a vaca, o dividendo dela é o bezerro.
Bezerro.
Se a gente tiver aumentando o gado no passo, você tá ganhando dinheiro. Não olha o que que você tem dinheiro, não. Dinheiro, a pior mercadoria que tem na face da terra, eu sempre falo é dinheiro. Essa é ruim mesmo. Se você achar que o dinheiro é bom, você quebra fal assim, mercadoria que é bom. Você tem que ter mercadoria. Dinheiro é só para fazer despesa. Para que você vai guardar dinheiro de mão? Não, mercadoria que dá dinheiro, mercadoria que vale alguma coisa, não é o dinheiro.
É, não adianta eu ter um supermercado cheio de dinheiro no banco e não ter mercadoria na prateleira.
Não adianta, não adianta. É a mercadoria que dá o dinheiro. Então você tem que ter mercadoria.
Uhum.
Dinheiro é a pior mercadoria que existe. É dinheiro. Você pode ter um dinheiro para tipo num seguro, para um seguro de vida, um dia mês mais você largar seu patrimônio todinho dinheiro, você tá [ __ ] tá quebrado.
Esse dia até eu vi uma declaração do dono daquele velhinho da Avan. Ah, ele.
Fala esse negócio sobre dinheiro. Pior negócio é dinheiro em banco. E alguma coisa nesse sentido. Eu escutei uma conversa, eu falei: "Esse velhinho é sabido".
É que o que o senhor falou aí agora, um negócio interessante. Senhor falou assim: "Você vende o o bezerro, o boi tá com dinheiro. Aí em vez de você comprar o bezerro que tá caro, investe na sua terra".
Na hora que bezerra tá caro.
Na hora que daí você tá investindo num negócio seu ali que vai melhorar, vai melhorar. Que o gado tá barato, você tenha que aumentar o gado. Qual falar para você? Você tem que entrar no negócio quando ele tá ruim.
Mas você só vai conseguir aumentar o gado também se você preparou a fazenda, senão você você não vai conseguir aproveitar.
É isso aí.
Ô, ô, Carlito, como é que é você, e a gente fala muito disso aqui, ontem mesmo falando muito, mas sempre estamos falando que um dos grandes problemas da pecuária é que o pecuarista não trata o pasto como lavoura. Como é que você vê isso? Que você adubar pasto, cuidar de pasto para poder aumentar a capacidade de suporte, essas coisas.
Não, não trata não. Não tratava.
Hoje nós já temos uns 30% dos nossos pecuaristas começando tratar parecendo lavoura. Não tá igual a lavoura não, mas já tá investindo. Eu não te falei para você que eu já tô começando a comprar calcário. Que eu vou de 300 com o boi já dá para comprar não. Mas você tem que calcarear. Então vou jogar calcário esse ano para ano que vem adubar. Eu já tô bem.
Mas você tem uma característica, porque você tem os dois, você tem a lavoura e tem o boi.
É isso que só tem. Exato. Ajudou a te dar uma visão diferente também, você manusear a lavoura que precisa ser cuidada e você tirar a conclusão. Não, eu também preciso tratar do pasto ou é ou não.
Ó, o agricultor, um exemplo bom de agricultor é o café. Quando café tá bom, adubo o pé dele. Vai adubando sem dó. Café ficou ruim, tira o adubo. Mingua a produção. Minguando a produção, você vai aproximar a valorização do café novamente. Agricultura deixa que você faz. Agora a pecuária quando tá bom você vende os bois e não compra, não investe em boi, não vai reformar sua fazenda, porque a hora que o boi tá ruim, você pode encher ela. Ó que o boi tá barato.
Tá?
Então é a questão.
Senão você não consegue encher depois. Não adianta. Aí o bezerro vai tá barato, você não pode comprar porque você não tem suporte, não tem pasto.
Tem pasto. Falei, quando o boi tá bom, é a hora de você reformar sua fazenda, hora de você trocar suas seus carros, seus tratores, tudo. Hoje até até tem um rapaz aqui me procurando, eu mandei falou: "Vou quanto custa dois trator para tomar seu modelo?" Ele já tá me procurando já aí.
Agora já tô podendo comprar trator e trator para puxar carreta pro adubo já isso.
Ah, tá.
Para puxar as carretas. Eu tô precisando para ter veneno, um trator gabinado até que eu tô precisando comprar dois e já tá atrás de mim.
Ó, aqui no nosso estante tem dois cabinados bom.
É.
É. Você já sai aqui, você já vai ver ele.
Eu vou ter que comprar uns gabinetos que é para jogar veneno e adubo. Tem que ter condição pro operador.
Ah, não, senão tem. Senão dá.
Carlito, como é que é o o Carlito ainda toma conta de tudo sozinho ou tem filho? Como é que é esse negócio?
Não, meus filhos estão todos trabalhando. Meus filhos tudo tem vida melhor do que a minha. Todos são independentes. Ora, eu criei meus filhos diferente de todo mundo. Eu não sou o melhor pai do mundo, mas fui o pai que fez os filhos crescer e se tornar grande, independente de mim. Porque tudo for pra escola. Eu nunca dei um carro para um filho. Nunca. Eu nunca dei um apartamento a um filho. Todos têm casa, todos têm apartamento. Eu dei a vara de pescar, você vai pescar, dá o peixe. Tem hora assim que assim, mas você é um pai ruim. Não, eu na própria família minha, eu tô vendo pros pais que quer fazer tudo pros filhos, os filhos não desenvolvem, não cresce. Filho, você tem que dar educação, você tem que ensinar a trabalhar, você tem que às vezes ensinar até gastar um pouco, porque se você não aprender gastar, você não aprende ganhar também não.
Uhum.
Não é jogar fora, lógico. Mas meus filhos são todos independentes. Todos têm vida própria. Ninguém precisa de mim, nem do que eu tenho. E nunca mamou em mim, nunca. Mas você nunca deu um carro para um filho. Você nunca dei não.
Você era uma vaca ruim, né? Você não dava leite.
Mas aí eles aprenderam a ganhar, entendeu? Você você fez eles correr atrás do ganho.
Justo. É o que meu pai fez comigo. Meu pai também não dava tão mal por nós não. Nós era 10.
Nossa senhora.
Dava não. E nem em casa. Vocês vai trabalhar? Mas ensinou nós trabalhar. Os meus filhos não voltaram pra fazenda porque tudo foram pra escola. Aprenderam, cresceram na escola e tudo tem vida melhor e qualidade melhor do que meu.
Mas e como é que o senhor imagina a a sucessão da sua fazenda? Tem algum que tem mais apetidão para isso?
Olha, não vai ter. Vou explicar. Vai ter. Eu tenho, eu tenho cinco cunhados que eu tenho cinco irmãs, né? Nós somos cinco homens, cinco mulheres. E eu tenho cunhado que era professor, era virologista. É o, eu tenho um cunhado que foi o maior virologista do Brasil. Ele tem curso mestrado, doutorado, hoje é fazendeiro. Aprende, vem devagar que não é que eles vão deixar a atividade deles, mas aprende. Eu tô tentando ver se eu pego algum neto, faço algum neto.
Mais danado que arruma namoradinho, rapaz. Não quer ir pra roça, nem a namorada, rapaz.
É difícil a vida. Ele vê outra coisa boa aqui.
Ô Carlito, mas teve algum dos seus filhos que chegou, falou: "Não, pai, eu quero é trabalhar com você na fazenda". Chegaram a fazer isso ou nunca?
Não, nunca.
Nada. Nenhum formou na área.
Na área de pecuária, nem agricultura, nada, nada, nada, nada. Mas eu não posso ser contra eles que surgir bem.
Claro, claro, claro, claro.
Eu tenho três filhos que moram em São Paulo e dois em Brasília. Tudo. E onde eu reúno? Eu tenho um apartamento em Maceió, nas férias, aí vai os netos, vai os filhos para lá. Agora em julho eu já tô indo para lá. Dia 12 de julho já tô seguindo para Maceió. Os meninos tá acabando as aulas. Vai tu para lá, fica até o fim do mês comigo lá. Aí um apartamento era pequeno, comprei outro, parei. Ficou dois, tem oito quartos lá em casa. É, junta a meninada lá, os netos. Pode juntar todo mundo. É bom.
É bom.
Agora na fazenda, essas fazendas meia longe, é difícil pelo. Agora essa de Cocalinho. Vai dar para eu tô fazendo uma casa lá agora grande que vai caber os meninos também. E lá eu comprei, não tinha cerca, não tinha nada. Agora fal, vai faz uma casa meiazinha aí, tá acabando de fazer, ela tá botando os ar condicionado, já tá fazendo os armários. Eu acho que mês de setembro nós já tá lá dentro.
Carlita, você tá falando uma coisa, eu tô pensando aqui. Você falou, hoje não tem mais, não vai ter mais sertão para abrir. A coisa mudou completamente. Eh, você é no Carlito que você é? Se você hoje tivesse a mesma idade que você tinha naquela época, como é que você ia se virar? Qual que seria a sua ideia? Porque naquela época você podia ir para lá e fazer alguma coisa. Hoje já não dá mais. Tem outro jeito?
Tô falar para você, hoje você começar na pecuária tá difícil hoje, porque pecuária para você começar preciso de terra barata.
Hum.
E hoje a terra barata tá acabando. As terras estão ficando cara. Hoje dá para você crescer na agricultura. Na agricultura você pode começar do do zero sendo a cresce. A agricultura tá dando mais oportunidade de crescer do que a pecuária.
Hum.
E antigamente a pecuária era mais fácil você desenvolver. Você entrava pro nortão, aí comprava terra quase de graça. Gente, eu comprei terra no Pará, três arroba alqueirão.
[ __ ] que pariu.
Menos de uma hectare era mata.
Sim, trabalho. Mas você podia limpar, né? Mas você podia crescer, mas você também tinha que enfrentar lugares longe, né?
É, não. Quando eu fui pro Xingu, eu andava 1000 km de trás de terra. O Pará, Marabá, ali é 1500 km aqui. Nós pegava isso aí. Quer ver? Quando eu fui pro Pará, a ponte mais ao norte que tinha no rio Araguaia era Barra do Garça.
Hum.
De Barra do Garça até Belém não tinha nenhuma ponte.
[ __ ] que pariu.
É. Cruzava tudo isso tudo era de balsa. Barra do Garço de C, de si, de si. Não tinha nada, nada. Hoje tem quantas pontes aí?
Agora pera aí. Você, o você tá falando uma coisa que me me despertou uma curiosidade aqui. É mais fácil a pessoa entrar na agricultura e desenvolver do zero do que na pecuária. Então o que que nós podemos enfrentar? Nós precisamos melhorar muito a competência da pecuária de quem já tá, porque quem vai entrar vai entrar na agricultura e não na pecuária. Nós vamos precisar reinventar a pecuária para poder ter competitividade no mercado.
Mas hoje já tem muitos pecuaristas que, bom, eu sou um pecuarista que nasci da agricultura, só que a agricultura de 50, 60 anos atrás aqui em Goiânia, Guaiatuba, quando comecei a trabalhar com meu pai.
Nós naquela época lavoura de arroz. Aí.
Naquela época não tinha soja, nem algodão, nem milho, não.
Milho tinha. É, mas eu comecei daí eu virei pecuarista no Cristal. Quando eu saí de Goiânia, Guaiatuba, colei com meus irmãos e fui pro Cristal derrubar mato pro meu pai. Aí no Cristal era só só pecuária. Aí fui pro sul do Pará, só pecuária. Aí quando eu fui pro norte do Mato Grosso, só pecuária, porque a pecuária que abre o sertão.
Aham.
A agricultura vem depois. Hoje como acabou o sertão, então a agricultura tá tomando espaço. Vai sobrar na pecuária essa região de morro, de brejo, alagado, as terra plana do Brasil vai virar tudo da agricultura plana e que chove, né?
Sim.
Que a a topografia ajuda muito, mas a o clima também.
É básico.
Essencial. O boi vai pro morro, a vaca vai ficar só a vaca porque vai diminuir, não pode abrir mais área. Porque nós abrimos só 1/3 do Brasil. Dois terços tá em floresta. 2/3 do Brasil tá em floresta. Ainda fica essa briga, essa Marina Silva aí com esse Lula bobo fazendo COP 30 ali para dar lucro para europeu. Essa COP 30 que eles vão fazer em Belém, isso é para para arrebentar com o Brasil. É para arrebentar com aquele menino lá, aquele aquele deputado, né? Foi deputado, foi ministro. Que até era do Partido Comunista, como é que ele chama? Me dar umas entrevistas interessantes. Rebelo. Aldo Rebelo.
Aquele moço entende da Amazônia. Eu acho que ele foi o relator da do cóte desse cóte novo aí.
Sim.
É o homem que mais conhece a Amazônia. E ele já cantou. Nós temos 23 milhões de seres humanos quase que passando fome nessa Amazônia. Aí rede esgoto é zero e eles estão preocupados com as árvores. Aquela marina lá não quer que abrir.
Saneamento básico que se dá.
Zero não. Quantos mil pessoas morreram em Mana por falta de estrada para levar oxigênio? Não quer deixar soltar ali Porto Velho Manaus. A estrada tá aberta. Tá aberta a estrada não quer que deixar colocar a capa no período chuvoso não passa caminhão ali atola. E quantas pessoas tem ali longo ao longo dali passando fome até aqueles morrendo lá a míngua e não tá porta preocupando com os 23 milhões de ser humano ali, não tá preocupando com com o dinheirinho que vem de esmola lá da Noruega, daqueles país lá. É uma miséria da O Brasil. O Aldo Ribeiro, aquele homem conhece a Amazônia, hein?
É, ele.
Conhece muito.
Conhece não é de avião, não. Conhece de carro andando.
Conhece base no que fala, né? Tem base que ela conhece, ele andou lá e morou lá. Mas é essa COP 30 para mim aí vai fechar a porteira da Amazônia, vai ficar 23 milhões de seres humanos ali sem rede sem nada e.
E e sem ter como não pode produzir uma comida, não pode produzir uma comida na sua terrinha não. O gado nós tá morrendo também. Então não vai não vai chegar insumo, não vai chegar nada também para poder melhorar o. Não. E lá tem tudo e não pode nem explorar. O Brasil busca potássio na Canadá de terra indígena do Canadá.
Nós temos potássio que perto das terras perto das terras indígenas não pode ser explorado.
Porque a 10 km da Terra indígena você não manda na sua terra. Tem que obedecer os cog indígena. Você não pode passar uma rodovia a não é dentro não, perto da da terra indígena se não entrar num acordo. Nós temos potássio próximo à terra indígena da Amazônia não pode ser explorado porque tá próximo. E pega potássio no Canadá de dentro de terra indígena. É o Brasil na foto de Iguaçu lá agora do na lá perto do na foto do do Amazonas ao norte ali, cheio de no Amapá, cheio de petróleo, não pode ser explorado. Não pode explorar.
Não pode porque senão o Brasil domina o mundo mesmo, né?
Disso.
Pode. É, isso é o mais é medo do do povo de fora também para controlar a gente, né? As leis brasileiras são muito ruins. Nós tinha tudo para ser mais rico. Estados Unidos clima nosso aqui é melhor, extensão territorial, tudo. Você que eu eu conheço 17 estados americanos andando de carro porque se você me chamar para passear, eu quero passear de andar à toa de carro.
Avião é bom demais para trabalhar, hein?
Ixe. Mas para andar à toa.
É bom para chegar, né?
É.
Mas eu eu e a Fábia aqui todas as vezes que a gente vai para os Estados Unidos, a gente aluga um carro e anda de carro lá. Então conhece 17 estados americanos andando de carro. Que qual a diferença de de Nova York para Chicago, para Dallas? É só o traçado da rua e a altura dos prédios. O que que você conheceu? O que que mudou de Dallas para Nova York? Nova York tem prédio mais alto e as ruas diferentes de de Dallas. Nada. Você viu só prédio concreto, agora pega um carro e sai. Essa é uma visão bastante interessante. Essa visão sua é interessante.
Interessante.
Que aí o sujeito pega um avião, desce lá em numa cidade qualquer do mundo, sai do aeroporto, vai num hotel para uma reunião, volta tal, aí eu conheço Tóquio, mas não conhece nada porque chegou lá e saiu.
Mas é uma frase que eu achei interessante que ele falou: "Para trabalhar avião é uma beleza". Agora para andar à toa e conhecer é de carro. Tá aí andar à toa com propósito, né? Dia 12 de julho eu tô indo pro Nordeste.
Tô indo de carro.
Vou para uma senhora de carro. E de lá falei pra Faísca que nós vamos subir pro Maranhão, vou lá para aqueles lençóis, aqueles maranhenses lá, se der certo eu vou subir. Se não f ver ali que agora julho é muito cheio, né?
Hum.
A que as meninas voltar pras aulas, se der certo eu vou subir de cá, vou lá para Lençóis ali no Eu não conheço Parnaíba também, que era o litoral do Piauí. Eu conheço nada do litoral do Piauí. Eu conheço o Brasil inteiro, mas no litoral do Piauí eu nunca andei. Já no litoral já fui em praia no Maranhão, no Ceará, mas no Piauí a única cidade também que presta no Piauí que que é na orla, eu acho que é Parnaíba.
Hum.
Então quero conhecer Parnaíba também. E que aqueles lençóis maranhenses lá que é lindo.
Bonito, tá?
E a época ser lençóis é de julho a novembro, que a época que tá tem água, tem areia e água, né? Carlito, você falou um par de vez na Fátima.
Uai.
E aí, por o que que é a Fátima na sua vida?
Tudo, tudo. Eu é a minha companheira, você imagina 24 horas e eu falo assim, se tem uma reunião, se tem algum lugar que a Fábia não pode ir, eu não vou também. Ah, vamos pescar ali, mas lá sou homem. Falei: "Então não vou." Não vou. Se a Fábia não puder, eu não vou.
Não vai junto, não vou.
É minha companheira 24 horas. É, é uma doença. Você, você não vai ver eu a Fábia fácil não. Mas eu sou feliz e acho que ela também deve ser. D moça nova, saiu daqui bonita, né? Saiu o pai era juiz de direito, não sei que que deu na cabeça dela. Largar todo o conforto. Ela tinha emprego bom aqui em Goiânia, largar todo. Morou nos Estados Unidos, fala inglês tudo, larga esse conforto tudo para ir pro Xingu 120 dias, 150 dias lá guardado no ovo do pau. Feliz porque às vezes vamos, vamos de novo. Ela, ela aí não vai até hoje. Lá ô Fátima,
É do jeito que o Carlito era doido, então você era também.
É.
Ela renunciou a muita coisa para para ir viver comigo, muita mesmo, porque a qualidade de vida da Fátima, não sei, o avô dela era bem, era fazendeiro, o pai da mãe dela, o pai dela era juiz de direito, ela tinha um emprego muito bom aqui em Goiânia, mas já era uma moça de 27 anos e a gente já se conhecia. É muito interessante. A gente já se conhecia há mais de 20 anos. Também desde menina conheço a Fátima, o pai dela, a a tia dela que é irmã da mãe. Eu sou padrinho de casamento, então já e de uma hora para outra vamos.
Juntou.
Vamos juntar os três.
E amigo marido e mulher e deu certo.
Ô Carlito, nós estamos passamos de uma hora já de conversa. Conversa boa, hein?
É, depois você joga um pouco fora da conversa.
Joga nada, nada.
De jeito nenhum. O senhor falou aqui que a grande escola do senhor foi o seu pai.
O que foi o grande mestre?
Que que ele representou na sua vida e no seu sucesso?
Olha, tudo que eu sou, tudo que eu sei e tudo que eu tenho eu devo a ele. É lógico que a minha mãe junto, né?
Sim.
Mas esse casal aí é que me ensinou a viver. E hoje eu tenho uma companheira que me ajuda a seguir os passos que daquilo que eu aprendi. Eu acho que ela aprendeu também alguma coisa com família dela e tá aprendendo ainda comigo. Que a vida é uma aprendizagem, né? Mas assim, o início de tudo que eu sou, porque a coisa mais importante na vida da gente, a gente ser alguma coisa. Depois você tem que saber alguma coisa para depois você ter alguma coisa.
Hum. Perfeito.
Mas se você não for alguma coisa, esse verbo ser é o mais importante nosso. E tudo que eu sei foi meu pai e minha mãe que nos ensinou. Nós somos 10 irmãos. O único que não foi na faculdade foi eu. Meu pai tinha um quarto ano primário, mas eu aprendi muito com ele.
Na verdade, o o o senhor acha que o sucesso de um homem é a família por trás?
Ah, é a educação. Educação é tudo que é lógico que toda regra tem exceção, né? Mas 90% das coisas que dão certo vem de berço.
Mas a educação que o senhor tá falando é familiar. Família.
Família. É. Não, essa educação de escola, isso aí é outra, né? Essa de família que para mim é mais importante. É mais importante. Exemplo de pai é muito importante. O exemplo da mãe para as filhas é muito importante. Então eu acho que a a o retrato nós somos a fotografia do nosso nossos pais, nossos antepassados. Quem tem a oportunidade de conviver com eles mais tempo, mais vai representá-los. Perfeito.
Eu eu sou aquilo que o meu pai queria que eu fosse no início. Não, quando meu pai sentiu que eu não queria estudar, que foi um desgosto muito grande para ele. Mas quando ele começou a ver que eu tava tendo sucesso, mesmo nas coisas dele, né? Meu pai quando morreu tinha duas fazendas que era dele que eu comprei para ele que ele não conheceu. Uma no Mato Grosso e outra aqui em Nova Xavantina. Duas fazendas dele que eu comprei para ele, ele nunca tinha, ele não sabia nem onde é que era. Mas quando ele começou a ver o que eu estava acontecendo na minha vida em relação ao meu eu, administrando as coisas dele, ele passou a me admirar. O maior desgosto dele no início foi eu não querer estudar. E aquilo para ele foi uma contrariedade grande. E eu até hoje falo, agradeço ter saído da escola. É um trem até que eu não devia estar falando para os outros, mas eu agradeço ter saído da escola porque eu tinha um grande mestre em casa e meu pai não tinha dó não. Ele chamava atenção na hora certa, do jeito certo, não dava moleza. Meu pai quando morreu já tava bem. Quando começou a vida com 20 alqueires 37 vacas, foi difícil. Mas quando ele morreu, tava bem já. Meu pai já tinha 5 mil alqueires de terra. Ele achou a família muito bem, mas ele não deu moleza para nós não.
E o Carlito hoje.
Tá com você.
É o retrato do pai, não dá moleza pro senhor também não. E eu acho que hoje eles já me agradecem de eu não ter dado moleza. E eu vejo dentro da família muita coisa que não é que é errado, é que eu não, eu não sou o melhor pai, dizer, não é que eu não sou, eu não fui o melhor pai, talvez eu seja hoje o melhor pai, mas quando os meninos estavam mais pequeno, eu era muito duro, eu era duro. Eu tava, não deu moleza. Mas é a maneira que eu fiz com que meus filhos crescessem mais rápido. Dá a vara, não dá o peixe não, ele vai pescar. Ensina, dá conselho, orienta.
Muito bom. Para tudo isso que a gente faz na vida, óbvio, a gente tem que ter base familiar, tudo isso, mas como agricultor, pecuarista, qual a importância também da gente ter uma uma fé em Deus?
Bom, quando eu falei para você que família é tudo, mas que tudo da família é Deus, né? Eu sou cristão, fui aluno do salesiano, como até os 13 anos eu estudei no Ateneu e eu acho, eu sou católico também, mas o mais importante não é ser católico, mais importante é ser cristão. Eu acho que Deus, nós temos Deus e admiramos Cristo como a figura de Deus, que é o filho de Deus. Mas até os índios, eu digo que eu sou vizinho dos Caiapó ali no Xingu e são muito amigo até do Raoni. É interessante que Raoni já dormiu lá em casa e ele confia, acho que o de branco que ele confia no mundo, acho que é em mim. Carlito, Carlito, me chama de Carlito. Os índios tem o deus deles também. Se você for lá pro mundo asiático, eles têm o Deus, não é Cristo não. Nós temos Cristo como filho de Deus, mas eles têm o Buda, tem outros tem lá com filho de Deus também. Então Deus é tudo. Deus é tudo. Todas as religiões elas baseiam a nossa existência em Deus. Agora, nós acreditamos em Deus e Cristo é o filho de Deus. Nós somos cristãos. Então Deus veio ao mundo para nós aqui do do ocidente, né, na figura de Cristo. Isso há paz do 2000 anos atrás, 2000 anos atrás. E eu tenho exemplo dentro de casa, só de eu ter uma mãe com com 100 anos, você vê que é um milagre, né?
E ela tem.
Um irmão com sete 107 anos já.
>> 107? Nossa, tem um tio 107, irmão da minha mãe.
>> Olha só, irmão mais velho. Isso aí já é um milagre. E eu não vou contar não. Minha mãe ficou uns dois anos muito ruim. Até hoje acho que devo almoçar com ela. Ela caiu, teve umas fraturas e foi internada e toma remédio daqui, remédio dali. Minha mãe ficou meia ruim da cabeça. E essa semana não sei que ela foi no hospital e o médico tirou uns remédios dela e minha mãe tá pior do que o Sil Santos para conversar agora. Tá pior do que o senor Santo para conversar.
>> Era os remédios que tava limitando ela.
>> É remédio tava segurando.
>> Tava segurando. Tirou ela. Ficou boa demais. Mas nós somos cristãos. Eu tenho uma filha que há 20, 25 anos atrás fez uma cirurgia, a filha mais velha minha, uma cirurgia no cérebro, tirou um tumor maligno. Eu tenho um irmão que é neurocirurgião e no dia que ela operou, eu tava indo de carro para Uber, ia até para Ribeirão Preto. Aí quando eu passei pro Uberlândia, meu filho que mora em São Paulo, me digo: "Pai, a Cristiane foi pro hospital fazer um exame lá, repar que ela não tá bem não". Isso quando eu cheguei em Uberaba, eu liguei, falou: "Pai, vai ter que fazer uma cirurgia de emergência". Aí falei: "Quem que é o médico?" Falou. Aí eu liguei pro meu irmão, Rom. Esse médico assim assim vai na cirurgia da Cristiana é na cabeça. Marca está falou: "Não conheço não". Falou: "Vamos, vou falar com o Dr. Paulo Neymar que ele trabalhava na equipe do Paulo Neymar. Dr. Paulo conhece toda a equipe de neocirurgião de São Paulo. Aí passou um pouquinho me retornar, pode se preocupar. É, é o cirurgião mais novo de São Paulo. Ele opera no e no sírio. Tá em boas mãos. Aí eu já liguei em São lá em Ribeirão pro Paulinho, filho do Adir.
>> Ah, tá.
>> Paulinho, compra uma passagem para São Paulo que eu vou deixar meu carro. Aí eu tô indo para falou: "Vou lá pro aeroporto esperar já. Já levou um funcionário dele para pegar meu carro. E o Paulinho foi comigo para São Paulo também. Foi eu, Paulinha. E essa menina meia feia a cirurgia. Meu irmão foi lá, olhou o resultado. F garproveita. Ela não tem mais que 90 dias de vida. Bom, aí ele falou: "Olha o Eu Perou no Cí faz os as rádios no I porque tem uns equipamentos mais modernos que vai pegar só a parte faz terrado de cirurgia". Foi lá eu fiquei 30 dias em São Paulo, tirou o mol da cabeça, tal, conversei com o médico lá, falei: "Doutor, o que que o senhor me fala?
>> Sua filha não tem a sobrevida longa, não?
>> Vamos fazer o que pode. Não é procurando uma oncologista lá, tudo acertamos. Que acertou f embora. Eu tô lá na fazenda, daí uns poucos meses, ela veio aqui em Goiânia. A minha mãe, maa Judite, que é uma senhora que tem muito religiosa, foram sacrar no qual igreja? Aí e minha mãe telefonou para mim, Carlito, a Cristian tá curada. até como mãe e mais um judito fomos no sacrário, Deus cora, tá viva até hoje.
>> Que beleza.
>> Então Deus existe e milagre existe também. Quem não acreditar em Deus, acho que sofre muito. Nas horas difíceis da nossa vida, é Deus que nos carrega, é Deus que nos ajuda. Eu não sou muito de ir em igreja, não, todinia, não, em missa, porque negócio de fizemos e procura até, mas não mais missa. Hoje à tarde, se der tempo, eu vou lá em Trindade. Trindade é uma cidade que tem aqui e tal, que tem o Divino Pai Eterno, que minha mãe que me deu pro Divino Pai Eterno, que era muito custoso. Eu te dei pai eterno, para tomar conta.
>> Não aguento.
>> Isso. Vou entregar para Deus.
>> Eu gosto de lá, mas vou fora da missa. Vou lá, rezo, agradeço a ele, peço também. Mas religião é tudo, hein?
>> Não.
>> Deus. Sem Deus acho que nós não somos nada. É isso aí. você fal e essa coisa que você falou é muito bonito, porque eu tava vendo, eu sempre me esqueço do nome dela, uma poetisa falando, ela falou: "Eu não acredito em Deus. Eu sou muito triste por causa disso, porque minha filha morreu, eu não tinha nem com quem falar. Eu admiro muito quem tem fé, porque quem tem fé nas horas difíceis pode recorrer a Deus e eu não consigo. Então é uma coisa muito importante você ter uma religião para poder ter um conforto e a quem recorrer nos momentos para paz. A religião dá paz para você nas horas difíceis de sua vida, você pega com Deus, abraça Deus, ele te dá paz, dá conforto, te dá segurança. Deus é importante. É isso aí.
>> Um homem sem Deus, o homem sem fé, acho que ele, a vida deve ser muito ruim.
>> É, concordo.
>> E vamos levando a vida, né?
>> É isso aí. Show de bola. Adorei a história do Senhor. Acho que eh quem tá escutando a gente vai ver essa evolução na vida e e sempre saber que um homem de sucesso tem sempre família, uma mulher do lado e junto com Deus. Então isso é perfeito.
>> É família e Deus é tudo que a gente tem na vida. E os amigos também, né, que é importante. Amiga família.
>> Sim, sim. Eu acho, eu não tenho, eu não sou, eu, eu sou uma pessoa de muitos conhecidos e de poucos amigos. Conhecido vai lugar, tem alguém que me conhece, eu tô lá no aeroporto lá em São Paulo, chegou Carlito, que tá lembrado de mim? Não, não tô lembrado não. Então, a gente conhece muita gente pela vida que a gente leva. Agora amigos, que que é amigo? É os parceiros são poucos. Você você não vai ter ninguém tem muito amigo não. Amigo, amigo mesmo, né? São poucos.
>> É, me faz repetir a frase que eu falei lá. Eu tinha um amigo na falando na entrevista com o ratinho falando de amigo e eu tinha um companheiro que caminhoneiro, né, que eu já fui caminhoneiro também. E a gente conversando, ele falou assim: "Ó, ô Walter, amigo é quem lambe um saco de sal com a gente, porque lamber açúcar qualquer um lambe."
>> Concordo. É isso aí. É isso aí.
>> Amigo, você conhece amigo nas horas difíceis.
>> É, é.
>> É. Ele não vai te largar. Quer dizer, é falar e a esposa, a a você tem que ter uma esposa, você tem que ter amor, mas você tem que ser amigo dela.
>> Sim.
>> Eu, mas a Fáb acho que nós temos uma amizade muito grande, porque ela me aguenta 24 horas, né? Não é só amor também, não. Tem amizade. Ela concorda com as meus ideais, com a minha maneira de fazer e eu também tenho que concordar com ela. Isso é amizade.
>> É. Hum. Eu acho que o amigo é uma coisa muito importante.
>> É isso aí. É isso.
>> Muito bom. Bom, né, Valta?
>> Bom, porque hoje nós aprendemos muita coisa com Carlito, dentro de pecuária e dentro da vida. Mor, vamos morrer sem saber nada.
>> E vai fartar muita coisa. Mas você falou uma coisa que eu sei que tá em casa, é bom manter, aprender e praticar. Primeiro você tem que ser, depois você tem que aprender para você poder ter alguma coisa. O caminho certo.
>> Muito bonito. Muito bonito isso.
>> Muito bom.
>> Queria agradecer demais o senhor ter vindo aqui contar sua história pra gente, para todo mundo que nos que nos escuta. O senhor tava aqui em Goiânia, deu certinho da gente também tá aqui na feira. Foi muito bom.
>> Não, e deu certo. F as coisas tem. Eu fui, eu saí dia 27 aqui de Goiânia, fui para Uberaba, aí tinha, fui no leilão lá da, na Viraí, que eu até tava vendendo lá junto com eles. De lá, eu segui para São Paulo e tinha conversado com a como é com a menina
>> Gabriela.
>> Gabriela.
>> a Gabriela, pra gente fazer o podcast em em Marília.
>> Marília.
>> É, falei não, de São Paulo, vou paraa Marília. Fal, bom, até que eu passo lá em Lins, vou lá em Promissão, que eu tô matando muito gado lá com Marf Promissão ainda. Dá uma olhada lá no nos nos compradores de boi. Faz muito tempo que eu não vou lá. Eu gosto de manter contato eh visual também com esse pessoal para depois falar no telefone.
>> Aí não deu certo porque eu antecipei meu retorno. Eu sei que estava na feira de Ribeirão.
>> Isso.
>> aí deu certo que eu e por incrível que pareça, não é que eu vim só por podcast. O podcast encaixou direitinho. Eu tinha marcado para amanhã, meu que antecipe, porque eu vinha hoje para Goiânia, mas eu tinha que antecipar vind ontem porque a Fábio tinha uns exames para fazer que hoje não fazia. Ela antecipei, aí eu vou fei hoje fez o podcast, ela fez uns exames hoje de manhã, é só exame de sangue. Agora almoço com a minha mãe e amanhã eu volto pra fazenda e dia 12 sigo para Maceó.
>> E aí os netos vai tudo para lá.
>> vai férias, vai todo mundo.
>> muito bom. aqui essa feira, né, Agrovém, né, Carlito, que nós estamos fazendo o tá acontecendo a primeira aqui em Goiânia, né? Que que você acha da Goiânia tá recebendo uma feira dessa aqui?
>> Eu acho importante porque aqui mora agricultora, aqui mora pecuarista. O agro de Goiânia, aqui é a capital do agro. A capital do agro não é Cuiabá, é Goiânia.
>> É. O Mato Grosso é o maior produtor de boi, é o maior produtor de soja, maior produtor de milho, maior produtor de algodão. Mas a capital do água é aqui. Aqui nós temos uma avenida chama Castelo Branco, que é sua loja.
>> é única, é um shopping.
>> É verdade. É verdade.
>> É só Goiânia que tem isso, porque aqui tem fazendeiro da Bahia, sul do Pará, Tocantins, Mato Grosso. Mato Grosso Sul já não é muito de ambientar aqui, não. Mineiro, tem alguns mineiros que já moram aqui. A capital do Água vai aqui e aqui vai ter uma feira. Essa feira aqui, se bem administrada, ela pode ser igual ou uma horca de Ribeirão, hein.
>> Concordo com o senhor.
>> De acordo.
>> Porque ali em Rio Verde tem uma boa feira, mas Rio Verde não tem estrutura.
>> A estrutura da cidade não não suporta, né?
>> É.
>> né? Tá a estrutura lá de Ribeirão. Porque aqui você pega Goiana tem rede hoteleira, tem restaurante, tem tudo.
>> tudo. Tudo. A grande Goiânia é 2 milhões de habitantes já.
>> É. E temos aqui a Náp 50 km aqui que é grande também.
>> Também.
>> aqui não fta recurso.
>> Eu não sei quem tá administrando essa feira aqui, de onde, quem é que nasceu, mas se bem administrada vai concorrer com Ribeirão Preto.
>> Longe. Isso aí.
>> que aqui tem mais estrutura que Ribeirão.
>> Aqui tem o o tem um pessoal, tem o Silvio que é o que a gente, né, fala bastante, mas tem.
>> o próprio Zé de Camargo, tá tá encabeçando juntos daí. o cantor.
>> Uhum.
>> Então,
>> para tentar levar o nome da feira, subir. E tem mais uns 12 sócios, eu acho. Eles estão fazendo uma turma aí para tentar alavancar.
>> Que isso aqui que Goiânia tudo, tudo que se tudo que se almejou a fazer em Goiânia deu certo. Peg essa capital aqui é nova. Gua não tem 100 anos.
>> Hoje já detém 2 milhões de seres humanos aqui. E o o IDH aqui de de Goiânia é muito bom também.
>> É.
>> a renda per capita aqui é boa. Você não tem favela na cidade?
>> Boa.
>> Você pode rodar aqui os bairos de Banana, você não vai ver favela. Não tem.
>> né? A gente a gente tá hospedado um pouco longe daqui e você vê a estrutura que já tem. Às vezes não tem nem a cidade direito, mas as avenidas já de pista dupla, tudo que já pensando que o negócio vai crescer mesmo.
>> É, que vai crescer. É.
>> É isso. Bom, nós eu queria só deixar um recado para quem tá em casa. Primeiro, você inscreve no canal aí, vai lá no YouTube, curte, faz comentário, mas participa pra gente poder trazer gente que nem nós trouxemos Carlit aqui, gente da melhor qualidade que tem muito para ensinar para você. E agora uma coisa que o Carlito no começo da conversa ele falou assim: "Não, a minha mãe tem uma fazenda". Falei: "O Carlito deve est fraquejando, será que ele tem mãe ainda?" E hoje ele vai almoçar com a mãe de 99 anos. Então você que tá em casa, aproveita enquanto você tem tempo de almoçar com sua mãe, com seu pai. Não deixa para depois, não. Pode ser que ela não chegue nos 100 anos, que nem a mãe do Carlit chegou.
>> Dia 20 de outubro vamos reunir, comemorar 100 anos dela.
>> 20 de outubro, 20 de setembro.
>> 20 setembro. Bom demais. Bom demais.
>> É isso aí. Um prazer, gente.
>> Nosso.
>> É isso. Esse foi o MFcast, o podcast do MF Ral.
[Música]