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POR QUE A INFLAÇÃO ESTÁ TE DEIXANDO MAIS POBRE? | Como se proteger?

Bruno Perini - Você MAIS Rico20:38

Transcription

Se você clicou nesse vídeo, é porque sente no próprio bolso a perda do poder de compra do dinheiro que você ganha mês após mês. Mas talvez não entenda muito bem como isso acontece. Por isso, nesse conteúdo, eu vou abordar três pontos para que você possa entender de verdade o que é inflação. O primeiro deles é explicar essa parte teórica, que vai além simplesmente de “olha, os preços estão subindo, isso é inflação”. Você vai ver que isso é só uma consequência.

No segundo ponto, eu vou te mostrar como a inflação acaba afetando nossas vidas de maneiras não óbvias, inclusive a parte de saúde. E no terceiro ponto, eu vou abordar como é que você pode se proteger da inflação, uma vez que os custos nunca antes foram tão pesados para quem não sabe investir o dinheiro para se proteger. E as recompensas também podem ser muito grandes para aqueles que aprendem como esse jogo funciona.

Para começar, eu acho muito improvável que você nunca tenha ouvido falar de inflação, ainda mais no pós-pandemia, com a inflação correndo, poder de compra das moedas pelo mundo todo. Em 2025, a gente tá experimentando isso também: vários itens aumentando bastante de preço. Tivemos, inclusive, a fatídica frase do nosso presidente falando que “se tá caro, não compra”. De modo que a percepção geral, para quem nunca parou para estudar o tema, é que: olha, inflação é o aumento de preços. O que pode acontecer por diversos fenômenos. O preço de um produto, ele pode aumentar porque os custos de produção dele aumentaram, porque o preço dos insumos tá mais caro, porque, de repente, você teve muito mais demanda para a mesma oferta, como aconteceu lá com o álcool em gel na época da pandemia; ou você teve, né, uma diminuição de oferta para a mesma demanda, o que pode acontecer quando há um evento climático que vai impactar a safra do café.

Porém, veja que aqui eu tô falando de causas isoladas para o aumento de preços isolados. E a grande característica da inflação é ter como consequência um aumento generalizado de preços. Não é o café, não é só o ovo, não é apenas o feijão; são os itens todos subindo ao mesmo tempo. E aí, se tá tudo ficando mais caro ao mesmo tempo, bom, se essa é a consequência, qual que é a causa? Porque os preços dos itens todos aumentariam? Porque os custos de produção de todos aumentaram ao mesmo tempo? Porque os insumos estão todos aumentando ao mesmo tempo? Mas tem que ter uma causa para isso também, e a causa está associada ao aumento da oferta monetária; ou seja, a mais dinheiro entrando em circulação na economia.

E apesar dessa ideia que eu falei aqui hoje em dia estar mais disseminada pela sociedade, não é um total consenso sobre aquilo que é a inflação, como é que esse aumento de oferta monetária vai afetar os preços na economia. Inclusive, há correntes de economistas que defendem ideias diferentes de como é que vai ser a interação entre a moeda, se o preço vai aumentar, se não vai aumentar de fato. Há monetaristas que veem simplesmente que a inflação é simplesmente o quanto a base monetária está aumentando, e não essa consequência dos preços.

Então, para começar a discutir esse ponto e abordar em diferentes partes, eu vou pegar aqui a definição do dicionário. Se você joga no Google e pesquisa sobre inflação, você vai ver que a primeira definição é: desequilíbrio que se caracteriza por um aumento substancial e continuado no nível geral dos preços – naquela consequência que eu falei – e ele coloca que isso é concomitante com a queda do poder aquisitivo do dinheiro. Ou seja, você pode entender que os preços estão subindo ou que o poder de compra da moeda está caindo; os dois acontecem ao mesmo tempo. E continuando, ele diz que é causado pelo crescimento da circulação monetária em desproporção com o volume de bens disponíveis.

Então, pegando por partes, né? Primeiro essa parte de que você tem concomitantemente a subida dos preços, a perda do poder de compra do dinheiro. Isso é óbvio para qualquer um que vai no mercado, né? O seu dinheiro compra cada vez menos itens. Então, lá atrás você conseguia comprar uma certa cesta de produtos com R$ 100; hoje, para comprar, você precisa de R$ 150, R$ 180, R$ 200. Isso deve continuar acontecendo ao longo do tempo. Se nós pegamos o índice inflacionário mais utilizado aqui no Brasil, e aquele que inclusive o Banco Central usa para definir sua meta de inflação anual, que é o IPCA, se você coloca R$ 100 lá no começo do Plano Real, em julho de 1994, para ser atualizado pelo IPCA até a última data que a gente pode colocar na calculadora do cidadão, que é o mês fechado de fevereiro, para manutenção do poder de compra pelo IPCA, os R$ 100 deveriam ter virado R$ 840,46; ou seja, uma multiplicação por 8,4. Uma outra maneira de enxergar isso, caso você tivesse deixado R$ 100 baixo do colchão e tirado hoje para gastar, é entender que esses R$ 100 hoje têm o poder de compra de R$ 11,90; ou seja, a moeda ela perdeu 88,1% do seu valor durante os últimos 30 anos. Mas, como eu disse, isso é a consequência. Agora vamos falar da causa, que na própria definição do dicionário tá lá, né? Causada pelo crescimento da circulação monetária em desproporção com o volume de bens disponíveis. Então, veja que ele já coloca uma relação de oferta e demanda. Se você tivesse o crescimento da base monetária, mas um grande crescimento no número de bens e serviços disponíveis, a proporção do preço se manteria igual. Agora é muito mais fácil que a oferta monetária cresça; afinal, hoje em dia basta o Banco Central apertar um botão e produzir… Não é tão fácil assim, sobretudo num país que tem vários gargalos logísticos de infraestrutura e amarras para a produção.

Mas pegando principalmente a parte da oferta monetária, de onde que vem esse dinheiro novo? Eu falo bastante disso no meu livro “Em Nome do Povo”, mas que eu tô adiantando um pouquinho no conteúdo que você pode encontrar aqui. Eu conto essa história toda para que você possa entender porque que a inflação é esse fenômeno permanente e porque, infelizmente, somos obrigados hoje a ganhar o nosso dinheiro duas vezes: ao trabalhar e depois a investir para superar a perda do poder de compra do dinheiro. Inclusive, para quem for entrar no “Viver de Renda”, eu ia dar edição encadernada do livro só pros 300 primeiros inscritos. A gente decidiu internamente, aqui, muitos pedidos de alunos ontem perguntando: “Pô, tô entre os 300, né? Quero o livro”. Todo mundo da turma 30 vai ganhar a edição encadernada. As inscrições estão abertas, você pode se inscrever pelo link aqui abaixo, além do curso que chegou na sua 30ª turma, treinamento didático, módulos divididos para que você possa assistir as aulas, tendo dúvidas, perguntar pra equipe de suporte, para que você realmente possa aprender a investir do zero. Você ainda ganha um exemplar encadernado do meu livro autografado; você vai receber na sua casa.

Bom, mas pegando um pouco da história que eu conto aqui, até o dia 15 de agosto de 1971, quando então o presidente americano Richard Nixon foi na televisão para falar que daquele dia em diante o dólar só valeria dólar e não teria mais um lastro em ouro. As moedas ainda tinham um lastro em escassez, ainda que indireto, porque o sistema que foi criado na Conferência de Bretton Woods, já no final da Segunda Guerra Mundial, em 44, colocou o dólar como a moeda de reserva mundial, que tinha um lastro em ouro: US$ 35 valia uma onça Troy, uma unidade de peso de mais ou menos 31g de ouro. E as outras moedas teriam lastro em dólar. Então, os bancos centrais poderiam acumular dólares e, quando quisessem, poderiam trocar esses dólares nos Estados Unidos por ouro, o que raramente acontecia. E deu aos americanos o privilégio exorbitante de criar muitos dólares, porque quase nunca alguém aparecia lá com os dólares para pegar o ouro; até que isso começou a acontecer. Houve perda de confiança no dólar. Os franceses, por exemplo, no evento que ficou conhecido como crise do ouro, levaram um navio para falar: “Olha, tá aqui os dólares, me dá meu ouro”. E aí, com medo de ficar sem ouro, o Nixon foi lá e acabou com esse lastro, o que deu aos governos, agora sem essa âncora da escassez do metal precioso, a liberdade para criar o quanto de moeda eles quisessem. Porém, logicamente, isso tem consequências.

Ô, Bruno, e como que ocorre essa criação de moeda? Basicamente, a gente pode falar que ela ocorre de três formas. O Banco Central, hoje em dia, né, com a moeda eletrônica, ele vai lá e pode criar moeda e começar a comprar ativos na economia. Nos Estados Unidos, por exemplo, em 2008, isso aconteceu bastante: o Fed, o Banco Central Americano, começou a comprar hipotecas, títulos podres de bancos para melhorar o balanço dos bancos. O Banco Central do Japão comprou ações, ETFs para caramba. Então, o Banco Central vai e começa a comprar coisas, e ele injeta esse dinheiro criado na economia. O que pouca gente se atenta é que os bancos privados também têm um poder parecido. Eles não podem criar dinheiro, mas eles criam muito crédito. E hoje em dia é bem complicado você entender o que que é crédito e o que que é dinheiro. Lá atrás, quando você não tinha os sistemas eletrônicos, era mais fácil, porque o dinheiro era aquilo emitido pelo governo, e o crédito era um cheque, você receber do banco uma carta de crédito. Então era muito nítido ver que aquilo tinha um valor, mas não era dinheiro em si. E o sistema de reserva fracionária é mais complicado de explicar. Eu mostro bastante isso lá no “Viver de Renda”, mas basicamente entenda o seguinte, né? Antes desse sistema, se você deixava 1 milhão num banco, o banco ia emprestar uma parte disso, mas não podia emprestar tudo, porque você poderia voltar para pegar esse dinheiro, a não ser que ele tivesse muito mais depositantes lá. Mas ele nunca poderia emprestar mais do que ele tinha, porque no advento de uma corrida bancária, se alguém fala: “Olha, aquele banco lá não tem recurso para todos os seus correntistas”, ele simplesmente quebraria, já que ele tinha uma série de passivos de curto prazo, as pessoas querendo pegar o seu dinheiro de volta, e os ativos dele, o dinheiro que ele emprestava, vira um passivo da pessoa, um ativo pro banco, mas costumavam maturar no longo prazo. Então ele tinha esse descasamento entre ativo e passivo.

Já com o sistema de reserva fracionária, o que acontece é basicamente o seguinte: se eu vou lá e coloco 1 milhão no banco, o Banco Central fala: “Olha, a parte disso tem que estar aqui com a gente numa conta compulsória, digamos 20%. Então, de 1.200.000 vai pro banco, e aí o banco agora tem 800.000 para emprestar. Alguém vai e pega esses 800.000, e aí usa para comprar uma casa. Só que o dono da casa, que agora recebeu os 800.000, também tem conta nesse banco; ele deposita de volta, mas você tem 20% disso indo pro compulsório, 160.000, sobra 640, e aquilo vai sendo emprestado, vai voltando pro banco. Veja que do 1 milhão original, que ao final de todas as rodadas de empréstimo vai parar no compulsório, você teve uma criação de crédito para esse compulsório de 20% de 4 milhões. Isso tá rodando pela economia, sendo tratado como dinheiro.

E um terceiro ponto seria o governo simplesmente gastando mais do que arrecada. Ele tem que conseguir o dinheiro de alguma outra forma para fechar esse gap, né? Se ele arrecada X e gasta X + 10, ele tem que obter esses mais 10. Ele pode emitir dívida pública para isso, o que inicialmente seria só o dinheiro trocando de mãos. Eu poderia gastar R$ 1.000, mas ao invés disso eu compro um título público, e o governo agora pode gastar esses R$ 1.000. Só que o governo ele cria uma promessa de pagamento desse principal mais juros para esse indivíduo. Além do que o Banco Central também pode comprar títulos públicos do governo, criando dinheiro para fazer isso e dando a liberdade para que o governo possa gastar em outras áreas. E a questão é que essa dívida pública costuma virar uma bola de neve, porque para pagar a dívida que o governo tem comigo agora, ele pode simplesmente criar mais dívida com vencimento no longo prazo para pagar a dívida que vai vencer no curto prazo. E esse é o retrato do mundo pós-Segunda Guerra, né? As dívidas dos países crescendo cada vez mais, até um ponto em que podem se tornar virtualmente impagáveis. E aí, com todo esse montante de dinheiro – ou não necessariamente dinheiro, né? Porque, como eu disse, você tem crédito, você tem esses depósitos a prazo crescendo – então pegando agregados monetários para deixar isso, eu diria, mais palatável, mas pode até complicar um pouco, né? E vou citar dois aqui: o M1, que é esse dinheiro em poder do público, papel moeda na sua mão, o dinheiro que você pode tirar do banco a hora que você quiser, que não tem um prazo para que você resgate; e aí você vai pro M2, um agregado monetário no qual as pessoas ficam mais de olho hoje, onde você tem simplesmente o M1 mais esses depósitos a prazo e títulos públicos em poder das pessoas, do público. Mas inclusive uma corrente cada vez maior de pessoas que fala que olha, a inflação é simplesmente o crescimento do M2, porque o que aqui no Brasil cresce percentualmente a números bem altos, a gente pega uma média aí em torno de uns 20%. E, como eu disse, não há um consenso total, né, do que seria essa inflação. É difícil você ter consenso em atividades humanas, mas eu gosto muito da Escola Austríaca de Economia, até porque foi uma escola que me fez ganhar muito dinheiro, graças a eles eu descobri o Bitcoin lá em 2014. E os austríacos, eles veem que não basta essa criação de dinheiro, tem que ver como que isso vai entrar na economia, porque esse dinheiro novo entra simplesmente no mercado financeiro, que é o que acontece com pessoas que têm um patrimônio mais alto; eles consomem muito pouco, investem a maior parte do que ganham. Se o dinheiro tá indo todo para lá, então você vai ter uma inflação dos ativos financeiros; eles vão subir de preço, enquanto as coisas normais não estão subindo muito de preço. Então, veja que depende dessa interação de onde o dinheiro vai ser injetado. Se a gente simplesmente considera o M2 como inflação… Bom, levando em conta que durante o Plano Real você tenha tido um crescimento do M2 da ordem de 20%, isso significa que os preços de 94 para cá deveriam ter se multiplicado por 236 vezes. Pesquisando, eu não consigo encontrar um preço de um item que subiu 236 vezes, exceto o Bitcoin, que foi criado muito depois. Ah, Bruno, mas na verdade a média menor é 15%. Bom, então os preços deveriam ter subido mais de 60 vezes. Como os preços não subiram tanto assim, novamente eu falo que eu fico mais com os austríacos, falam que olha, isso é a causa, mas a consequência não é diretamente proporcional à causa; tem que ver como é que esse dinheiro vai entrar na economia. Mas de toda forma, o que você espera dessa causa como consequência é a perda do poder de compra do dinheiro. Citando o economista austríaco muito famoso, um dos mais influentes, o Hayek, ganhou o Nobel, ele dizia que todas as grandes inflações foram consequências dos governos criarem dinheiro para pagar suas contas, e isso continua acontecendo ano após ano. Governo nenhum costuma querer uma hiperinflação, já que isso costuma ter consequências sociais, até a derrubada do governo eventualmente, mas todos eles gostam de pequenas taxas de inflação para ajudar a fechar suas contas, até porque a inflação ela acaba sendo benéfica pro governo no seguinte sentido: vamos supor – e aqui eu vou pegar um item que ele faz parte de toda a base da economia, ele é insumo para tudo – que o preço dos combustíveis suba 20%; ou seja, o litro custava R$ 5, e subindo 20% foi para R$ 6. E vamos supor, só para deixar a conta mais simples, que a arrecadação do governo sobre o litro de combustível – que eu falo do governo federal – seja de 10%. Então, antes, com o litro a R$ 5, eles arrecadavam 50 centavos; agora, com o litro a R$ 6, eles arrecadam 60 centavos; um crescimento também de 20% em termos de arrecadação. Só que veja, isso não tá acontecendo só com combustível, tá acontecendo com ovo, com a carne, com a água, com os produtos todos. Então, a arrecadação do governo ela sobe por conta da inflação, já que você tem essa combinação de inflação crescente com a alíquota de imposto fixa. Ô, Bruno, mas depois o governo ele arrecada, ele gasta; então ele vai ter despesa também mais alta. Com gasto sim, ele vai, mas aí você tem que lembrar de quais são as principais despesas do governo, e a principal despesa hoje é com o pessoal, principalmente o inativo, e depois o pessoal ativo. Para o pessoal ativo, você tem aumentos que não acontecem todo ano; muitas vezes as pessoas podem ficar sem aumentos durante uma série de bons anos. Durante o governo Fernando Henrique, meu pai ficou sem aumento – ele é coronel do exército da reserva – durante o período de 8 anos, uma época em que a inflação era bem mais alta do que agora. E para o pessoal inativo, geralmente você tem um reajuste das aposentadorias, mas isso acontece no comecinho do ano, e geralmente por alguma coisa próxima ao IPCA; ou seja, o aposentado ele pagou mais caro o ano inteiro em uma série de itens, aí no começo do ano ele tem um reajuste por uma média de preços que matematicamente sempre vai ficar entre os extremos da média. É impossível que eu faça uma média da altura do pessoal que está vendo aqui o canal e veja que: ah, Pedro tem 2m, João tem 1,70m, Mateus tem 1,90m; ah, quanto é que deu a média de altura? Deu 3m? Não, a média não pode ser mais alta do que os integrantes da média. E aí muita gente fala: “Pô, o IPCA ele é adulterado pelo governo, por isso que ele fica tão baixo”. Ele nem precisa ser adulterado para ficar mais baixo. Na pandemia a gente teve um exemplo disso: vários itens que as pessoas queriam consumir subindo de preço, mas você tinha alguns caindo muito, como, por exemplo, passagem aérea; e aí no final você teve um IPCA fechando em 10%, mas com vários itens subindo muito mais do que isso; ou seja, o governo ele tá arrecadando mais, e quando ele vai gastar, nossa principal despesa, ele reajusta mais por um índice que fica mais baixo. E aí a gente pode lembrar que esse índice pode vir a ser manipulado pelo governo – não tô falando que isso tá acontecendo agora – mas vamos lembrar que o nosso vice-presidente, o Alckmin, ele falou que olha, talvez a gente devesse tirar certos componentes do cálculo do IPCA. E eu não tô falando que ele foi mal intencionado, porque nos Estados Unidos eles olham métricas de inflação de preços de produtos retirando itens mais voláteis, como alimentação e energia. Contudo, isso vem bem a calhar pro ano, a gente tá vendo preço de energia, de alimentação puxando o IPCA para cima. Então, basicamente, o que pode acontecer ao longo do tempo é que o índice se comporte da seguinte maneira, né? Tudo aquilo que sobe muito, o governo vai lá e tira, e coloca outros componentes que sobem menos, de modo que você vê um índice comportado, mas no mundo real o seu custo de vida não para de aumentar.

E aí nós temos um outro ponto também muito importante que você entenda sobre inflação, que é o fato de que ela afeta muito mais quem tem menos e geralmente entende menos como esse fenômeno funciona, em comparação com quem tem mais. Porque veja que, se o grande vilão nesse ano está sendo a inflação de alimentos, uma pessoa que ganha um salário mínimo e eu, nós vamos comer mais ou menos a mesma quantidade de comida – talvez eu como um pouco mais – porque pode faltar dinheiro para ela comprar comida, já que a comida tá custando cada vez mais caro. Ela tem que fazer escolhas, mas supondo que ela coma a mesma quantidade de calorias do que eu, para isso ela já gastou o salário mínimo dela inteiro, e eu gastei só uma parte do que eu ganho. Então não tem como ela se defender da inflação, pegando uma parte do dinheiro para investir; ela já gastou tudo, enquanto eu tenho todo o restante do dinheiro que eu ganho para investir em ativos que vão superar a inflação. Só que até aqui a gente foi naquilo que é muito óbvio, e começando o ponto dois desse vídeo, eu quero te mostrar aquilo que não é tão óbvio assim, porque as pessoas estão acostumadas aí no mercado e verem os preços dos itens subindo, ou o preço sendo mantido, mas a quantidade que você compra do item diminuindo. Você pode não se dar conta, mas tem itens que reduziram para menos da metade. Vou colocar algumas fotos aqui, mas é interessante, por exemplo, olhar o chocolate, que lá atrás tinha 200g a barra, depois foi reduzido para 150g, 125g, 100g, e agora são 90g. E não porque o pessoal não quer que você engorde por comer chocolate demais, é simplesmente porque o empreendedor ele vê o seguinte: “Bom, se eu continuo subindo preço, eu perco o mercado para um competidor”. O que que eu posso fazer? Ao invés de subir preço, eu posso diminuir a quantidade, e a pessoa que tava ancorada naquele preço continua comprando, mas agora eu boto nova embalagem, não sei o quê, e tento não dar tanto destaque assim pra mudança no peso do produto. E a mesma coisa aconteceu com farinha láctea, com pão, com biscoito, com bala – a sacola de 34g para 28g. Só que a parte não óbvia é que, concomitante a isso, as empresas também, para tentar baratear o alimento, vão trocando os seus ingredientes, tirando aquilo que subiu de preço para colocar outros produtos, geralmente de qualidade mais baixa que não subiram. Usando palavras do economista Saifedean Ammous – ele é o cara que escreveu o “Padrão Bitcoin” e também o “Padrão Fiduciário” –, no “Padrão Fiduciário” ele fala que a inflação não só aumenta os preços, ela piora a qualidade dos produtos, e com o tempo destrói até o valor nutricional da comida. É dessa forma que chocolate vira sabor chocolate, que café vira bebida sabor café. Esse chocolate aqui na tela é o Choco Biscuit, que era chocolate meio amargo, vira somente meio amargo, porque o produto que você tem lá que parece chocolate ele não é mais chocolate, ele não pode mais ser chamado assim. De modo que você não tá comprando apenas menos quantidade, você também tá levando para casa menos qualidade, e no fim das contas pagaremos por isso com a nossa saúde. Como a comida de qualidade ela tende a continuar mais cara – afinal, o preço dos insumos de quem trabalha na indústria também subir ao longo do tempo – a gente vai trocando cada vez mais a comida de qualidade por produtos alimentícios industrializados de baixa qualidade. De modo que, ao mesmo tempo que a gente poderia traçar uma linha mostrando a evolução da inflação pós-1971, fim do lastro em ouro, a gente poderia traçar o mesmo tipo de gráfico mostrando o crescimento da obesidade e problemas de saúde relacionados à alimentação no mundo ocidental.

Ô, Bruno, tá OK, tô entendendo aqui o problema, o buraco é mais embaixo, mas e aí? É para eu ficar deprimido ou há como me proteger desse tipo de coisa? É aí que entra a importância de você aprender a investir o seu dinheiro. Primeiro, de ganhar o dinheiro suficiente para que você tenha um excedente que possa ser investido, já que quem ganha muito pouco vai estar, infelizmente, fadado a gastar tudo que ganha apenas para sobreviver. Mas agora, a partir do momento que você consegue um excedente, você tem que conseguir investir esse excedente de maneira que ele cresça a ponto de superar a perda do poder de compra do dinheiro. O que nós já vimos aqui nesse vídeo que não é exatamente o crescimento da base monetária medido pelo M2, mas também não é simplesmente a inflação medida pelo IPCA; é algo que fica no meio desse caminho. E investir não vai garantir que você consiga suplantar a perda do poder de compra do dinheiro; para isso é necessário que você invista bem, construindo uma carteira diversificada com ativos descorrelacionados, com exposição internacional, não só aqui ao nosso país, porque de nada adianta ganhar da desvalorização do real – sei lá, você mede o IPCA do ano passado e fala: “Pô, ficou em 5%, e minha carteira subiu 10%”. Tá, mas o real contra o dólar desvalorizou 27%. Então, em termos globais, você tem que ganhar da inflação do dólar. E logicamente você não vai conseguir fazer isso deixando seu dinheiro parado na poupança. Se a gente pega o gráfico dos rendimentos da poupança em vários anos, ela não consegue nem empatar com a inflação medida pelo IPCA, quanto mais com o crescimento do dólar contra o real acrescido da inflação em dólar. Então, para isso é muito interessante – já que todos nós aqui acabamos tendo uma cesta meio dolarizada de consumo, porque as commodities, o trigo do seu pãozinho, o café que você toma pela manhã, a carne, a gasolina que você coloca no seu carro, todas as matérias-primas negociadas no mercado global, elas têm o seu preço em dólar – então, indiretamente você vive em dólar, você come dólar, diferente do que os políticos falam aqui no Brasil. Por isso é interessante que você tenha uma parte dos seus ativos também nessa moeda. Tudo não, eu não sou o cara que defende que você tenha tudo lá fora, sobretudo se você vive aqui no Brasil. O Brasil é um país instável, com desempenho de mercado um tanto quanto errático quando a gente fala de renda variável, principalmente, mas que de tempos em tempos tem janelas muito boas de exposição. Então, por isso é interessante ter…

Uma parte lá fora tem uma parte aqui dentro, e logicamente tem uma parte também fora dos países que seria o Bitcoin pegando a janela dos últimos 10 anos. Até porque, se eu voltar mais no tempo, lá para 15 anos, fica uma multiplicação quase infinita, né? Saú do zero para chegar na sua máxima de vou excluir esse começo do Bitcoin e pegar apenas os últimos 10 anos. A valorização dele foi na ordem de 77% ao ano. Isso é a média em dólar.

Então, ao ter uma parte do excedente que você consegue economizar, poupado ali, investido em Bitcoin, você também tenderia a superar a perda do poder de compra do dinheiro. E aí, se você chegou nesse vídeo até aqui e quer aprender mais sobre isso, eu lembro novamente que as inscrições pro viver de renda elas seguem abertas. Você pode entrar lá sem saber nada; nós pegamos do absoluto zero pela mão para te ensinar a investir de maneira diversificada em diferentes ativos, moedas e até países, para que você possa proteger, aumentar o seu patrimônio ao longo do tempo, até que um dia construa um patrimônio grande suficiente do qual você possa viver.

O link para quem quiser entrar na turma tá aqui abaixo. Lembrando que todos que entrarem é um exemplar encapadura do meu livro. Fico por aqui, muito obrigado, pessoal.