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Com um mês de gestação, o seu sistema nervoso já está se desenvolvendo. Já começou o seu desenvolvimento embrionário; muitas mulheres nem sabem que estão grávidas ainda.
E com dois meses, o seu sistema neural já está formado. Formado não é o mesmo que desenvolvido. Sim, ele vai ser formado, mas ele vai passar por um longo período se desenvolvendo. Com apenas dois meses, o desenvolvimento do sistema nervoso é muito suscetível a fatores ambientais: uso de álcool, substâncias externas, medicamentos e até mesmo fatores nutricionais, como a falta do ácido fólico, pode interferir de uma maneira tão drástica no desenvolvimento do sistema nervoso. Então é sobre isso que nós vamos discutir aqui. Nós teremos dois vídeos sobre o desenvolvimento do sistema nervoso, porque ele é um pouco complexo, mas aqui nós vamos facilitar para você. Você vai ver que você vai aprender, e eu quero trazer para você uma coisa bem aplicada. Então, por favor, não deixa de estudar esse nosso conteúdo aqui.
Você vai encontrar no Capítulo 17 do livro de Embriologia Clínica do autor Moore; é um livro bastante conhecido na área de embriologia. Mas ele também tem uma parte que está no Capítulo 2 do livro do Ângelo Machado, que é o Neuroanatomia Funcional. Então escolha a literatura que você quiser; eu só quero que você preste bastante atenção no conteúdo que eu trouxe aqui. Eu fiz de tudo para que fique bem simples e que para que você consiga compreender. Não deixe de assistir os dois vídeos sobre desenvolvimento do sistema nervoso, porque aí sim você vai completar tanto o desenvolvimento do encéfalo quanto o desenvolvimento da medula e tudo mais que você precisa saber. Eu estou para você aquilo que é essencial; você vai ver e você vai aprender. Eu confio em você. Então, sem mais delongas, vamos comigo, vamos para o nosso conteúdo, muda essa tela e vamos seguir chegando aqui no nosso conteúdo.
Então vamos compreender como é que se dá esse desenvolvimento do sistema neural. Começando aqui, a primeira coisa que você precisa saber é que ao final da terceira semana do desenvolvimento, nós já temos ali a notocorda naquele embrião, que é um tubo gelatinoso flexível que forma o eixo do embrião, e nós já temos também os três folhetos germinativos. Quais são esses três folhetos germinativos? Aqui, nessa imagem, dá para você visualizar: esse em azul é a ectoderma; esse vermelho é a mesoderma; e esse em amarelo aqui é a endoderna. E esse é um padrão de cores muito utilizado ali pelos principais livros que você vai utilizar. Então, se você observar uma estrutura em azul, já compreenda, deixa isso aí gravado na sua memória, que azul é o que é derivado do ectoderma. Se você ver uma estrutura em vermelho, derivada do mesoderma; e se você ver uma estrutura em amarelo, derivado do endoderma. Bom, e aqui nós temos a notocorda bem nessa parte central, né, o eixo principal do embrião. Então, ao final da terceira semana, já inicia-se uma dilataçãozinha aqui, e essa dilataçãozinha da ectoderme ela é chamada de placa neural. A placa neural, ela vai se formar; ela começa a formar no final da terceira semana, mas o desenvolvimento dela vai se dar a partir da quarta semana. A notocorda, então, ela serve de disparo para a formação da placa neural. Então, se a notocorda não se formar, não tem neurulação, e aquele embrião, com certeza, não será viável. E já se sabe que a notocorda ela vai liberar aqui esse sinalizador, que é o SHH. Então esse é o sinalizador, o fator de crescimento necessário e inicial para que se desenvolva a placa neural. E nós vamos ter, além disso também, o estímulo do mesoderma para-axial, que é esse mesoderma para-axial aqui que está do lado do eixo, e o eixo é a notocorda. Então, nessa vista superior, eu retirei aqui o âmnio, que é essa cavidade, essa estrutura que toda, retirei essa cavidade, olhei por cima, estou vendo essa dilatação que é a placa neural.
Bom, então na quarta semana do desenvolvimento embrionário, mais ou menos 22 a 23 dias, inicia de fato a neurulação. A placa neural, esse pensamento já começou a ser originário ali na terceira semana, no final da terceira semana do desenvolvimento, pelo estímulo da notocorda, e agora o que que nós vamos ter na placa neural? Forma-se então um sulco, que é um sulco neural. Esse sulco neural, ele vai gerando um aprofundamento. E isso se dá devido à intensa proliferação celular que está acontecendo ali. Essa intensa proliferação celular forma células que são colunares, por isso o espessamento dessa placa. Se você observar que elas são redondinhas ou mais cúbicas, e esse aprofundamento ele vai aumentando, formando essa estrutura aqui que é chamada de goteira neural. E nessa pontinha aqui nós temos as pregas neurais, que elas vão se encontrar. Quando elas se encontrar, vai fechar o tubo. Então essa imagem aqui seria uma vista, um corte transversal. O que que você consegue visualizar? Olha o iníciozinho aqui. Nesse iníciozinho eu tenho a placa neural que está aprofundando, formando aqui o sulco ou goteira neural; aqui as pregas se aproximando. Na medida que elas se aproximam, elas vão se fundir, formando aqui então esse tubo, e esse é o tubo neural. Em volta das pregas neurais começam a formar ali células que elas vão em direção às laterais das pregas. E essas células, elas vão compor uma estrutura chamada de crista neural. Então, além do tubo que está se formando aqui, eu tenho essa crista, e essa crista neural ela também vai se desprender da ectoderme; ela se reconstitui, fica aqui a crista neural, que depois ela se separa, formando duas cristas neurais que ficam laterais ao tubo neural. O tubo neural que se fechou, ele forma, e ele se forma que superior à notocorda. Então tem a notocorda como tudo, e tem também aqui o tubo neural que fica superior a ela, ambos dentro aqui dessa desse conjunto das camadas do embrião. Então pensa o embrião como um disco; se você cortar, você vai visualizar lá dentro dois tubos: um é a notocorda, menorzinho; um é o tubo neural, lateral ou laterais ao tubo neural. Nós vamos ter as cristas neurais que se formaram desse processo também. E aqui é muito importante você compreender, porque o tubo neural ele vai dar origem às estruturas do sistema nervoso central, que são encéfalo e medula espinal. Se você quer saber sobre essa classificação, volte um vídeo atrás, caso você não tenha assistido, que é o vídeo, o primeiro vídeo dessa playlist sobre as divisões do sistema nervoso. Então volte lá para você compreender, mas aqui já te adianto que o tubo neural ele vai ser ali a estrutura básica que vai dar origem ao encéfalo e à medula; e as cristas neurais, elas vão originar o sistema nervoso periférico, ou seja, delas vão partir ali nervos e gânglios, que são as estruturas dessa divisão.
Nessa vista aqui a gente consegue visualizar toda essa formação. Essa é uma imagem; as imagens anteriores elas foram retiradas do livro do Moore de Embriologia Clínica, e essas imagens aqui elas são retiradas lá do livro do Bear, que é o livro de Neurociência, mas aqui também a gente consegue visualizar esse processo, mas uma vista dorsal, ou seja, o disco, eu retirei o âmnio, eu estou olhando agora dorsalmente; dessa que é transversal, então dorsalmente o que que eu tenho? A placa neural aqui se formando, aqui o sulco neural que vai se aprofundando. Na medida que ele se aprofunda, as pregas neurais vão se aproximando, e elas começam a se fundir. E observe, elas começam a se fundir na região média desse embrião, não é na região cranial e nem na região caudal, na região média, e logo ela se encaminha para direção, né, já vai se fundindo tanto na direção bilateral, porque ela vai tanto se fundir para a região cranial quanto para a região caudal, e ao final nós temos as pregas neurais todas fundidas aqui lateralmente, aqui todas as cristas, né, a crista completa já está formando aqui toda segmentada, e aqui vão restar apenas dois poros na porção final. Esses dois poros são chamados de neuroporos: neuroporo rostral, que é a parte superior cranial, mas não tem como falar superior, enfim, e nós temos aqui esse esse neuroporo caudal. A mesma coisa que você observa nessa imagem é o que você viu na imagem anterior: a placa neural, o espessamento, a goteira ou sulco neural, as pregas neurais se juntando, as cristas neurais se formando, se separando aqui, e o tubo neural formado.
E aí, minha gente, é agora que a gente pode ter um problema, porque os neuroporos eles precisam se fechar, e é esperado que no desenvolvimento normal o neuroporo rostral vá se vá se fechar por completo em torno do vigésimo quinto dia, e o neuroporo caudal ele vai se fechar em torno do vigésimo sétimo dia. Então o cranial se fecha primeiro e o caudal se fecha depois. Caso ele não se feche, olha o que que vai acontecer, o que que pode acontecer. Na região cranial, o encéfalo pode nem mesmo se desenvolver ou se desenvolver parcialmente. E aí a gente pode ter uma acrania, ou a gente pode ter um feto anencéfalo por completo, ou seja, não desenvolveu nada do encéfalo ou desenvolveu apenas ali o tronco encefálico, e esse feto ele é incompatível com a vida. Inclusive é um dos únicos casos que na nossa legislação atual – não sei quando você tá vendo esse vídeo, eu espero que daqui 50 anos esse vídeo a gente esteja rodando – mas na data de hoje, no ano de 2023, é uma das únicas causas de que o nosso código penal brasileiro permite o aborto, a interrupção da gestação, caso não seja mais aborto e sim um parto prematuro. Porque, porque aqui nós temos o caso de uma monstruosidade, ou seja, um feto que não é compatível com a vida. Então a mãe tem esse direito de interromper essa gestação. Mas vamos supor que o neuroporo rostral se fechou; o encéfalo vai se desenvolver perfeitamente; você vai entender como é que isso acontece nas próximas nos próximos slides, nas próximas sequências. Agora, se o neuroporo caudal ele não se fechar, aí nós temos também problemas, mas que não chega a ser incompatível com a vida; são anomalias, são malformações que podem ser corrigidas, podem gerar lesões graves, podem gerar lesões graves, mas não chega a serem incompatíveis com a vida. Então o que que a gente pode ter ali, desde uma espinha bífida, que é o que a estrutura óssea final ali da nossa medula espinal ela não se fecha. Então ela fica aberta; é uma espinha bífida bem simplesinha que pode ser apenas um sinal pequeno ali nessa região lombar, né, na região sacro-lombar desse feto quando ele nasce, que pode ser corrigido com cirurgia, até mesmo é uma má formação com exposição de conteúdo da medula ali para fora. Então se tiver exposição das meninges, eu tenho caso de meningocelo; se tiver a exposição de meninges e também da medula, aí é o caso de mielomeningocelo. Então são ali má formações relacionadas ao não fechamento do tubo neural. Isso é muito importante, porque é uma correlação clínica que deve ser muito analisada por você, independente da área da saúde que você esteja cursando, e atualmente faz parte inclusive da legislação ali relacionado ao pré-natal, a prescrição do ácido fólico ali pelo médico, né, pelo profissional de saúde que está acompanhando a gestação. Então hoje é recomendado que se utilize o ácido fólico antes da concepção e que ele seja continuado por no mínimo três meses durante a gestação, e a dose média – porque vai depender de cada prescrição do médico, da paciente e tudo mais – a dose média é de 0,4 mg por dia. E olha só, para você ver, a legislação de cada estado ela muda. Então não há estados do Brasil em que a mulher ela passa tomando ácido fólico a gestação inteira, e há estados do Brasil que ela utiliza apenas nesses três meses, esses três primeiros meses da gestação, ou alguns primeiros meses da gestação. Isso porque, porque hoje já existem evidências de que mulheres que tinham ácido fólico alto no final da gestação tiveram diagnósticos de seus filhos posteriores ali de autismo. Então já existe essa correlação ali surgindo, já sendo discutida entre o excesso do ácido fólico e o desenvolvimento do autismo. Mas com muita cautela, é muito importante que a mulher utilize o ácido fólico. Isso porque, porque o ácido fólico é um dos fatores principais que fazem o fechamento dos neuroporos, tanto rostral quanto caudal. Então ele é essencial; não vá parar de tomar ácido fólico se você estiver grávida ou tiver que engravidar. Faça o acompanhamento corretíssimo, do jeito que o médico te prescrever, ou se você for um médico, estude bastante para que você faça uma prescrição correta, adequada, na dose certa, para que você evite tanto as malformações no embrião quanto ali um possível diagnóstico de autismo.
Bom, então entenda agora que o tubo neural se formou e os neuroporos rostral e caudal se fecharam, e agora na região rostral começam a formar dilatações. Essas dilatações elas vão ser tão intensas que vai fazer com que a região cranial do embrião comece a crescer muito, e esse crescimento faz com que ele se dobre. Então por isso que o embriãozinho lá no período de organogênese ou morfogênese ele vai ter esse formatinho aqui de U, mas logo isso finaliza; no finalzinho dessa dessa etapa, lá na oitava semana ele já volta, ele já tem ali uma estrutura parecida com humano, mas o início dela ele está assim justamente por causa das vesículas. As vesículas começam a se dilatar, e essas dilatações formam flexuras, e essas flexuras fazem com que eles se dobrem. O tubo neural ele vai ainda conter essa estrutura aqui que é um lúmen, é um canalzinho, e esse canalzinho ele é muito importante, porque no encéfalo ele vai formar o sistema ventricular encefálico, que são os ventrículos encefálicos; lá dentro é onde vão ser formado ali o licor, o líquido, o líquido cefalorraquidiano. Então ele é muito importante, ele precisa existir, então ele permanece ali, é se desenvolvendo junto com o desenvolvimento do encéfalo. Já na medula, ele vai formar o canal central da medula espinal, que é um lúmen já bem pequenininho, bem fininho. E aí, gente, também essa essa dilatações elas se dão em torno da proliferação celular que passa agora a ser intensa assim que se fecha; começa a ver uma proliferação celular intensa que vai dar origem aqui ah essas estruturas, essas vesículas encefálicas. Aqui nós temos um esquema só para você compreender; é claro que ele não é linear, eu coloquei o embriãozinho aqui para que você não caia ali, né, no erro de análise, para pensar que é dessa forma tão certinha, tão linear que acontece isso aqui. Isso aqui é apenas um esquema para você entender isso aqui. Então olha só, todas essas dilatações aqui que acontecem, elas podem ser esquematizadas aqui. Então vamos que você vai entender o que que eu vou ter aqui. Aqui a gente observa três primeiras dilatações; esse é o primeiro encéfalo do embrião, ele chama-se – essas são as vesículas primárias – então nessa vesícula primária aqui, ela é chamada de prosencéfalo; essa vesícula aqui do meio é chamada de mesencéfalo; e essa vesícula inferior é chamada de rombencéfalo. O prosencéfalo, ele vai continuar essa dilatação, e ele vai se expandir, realmente vai formar duas novas vesículas que se expandem lateralmente; uma delas expandindo lateralmente vai formar o telencéfalo, e a outra delas vai formar o diencéfalo, que fica inferior ao telencéfalo; ele não varia, ele continua do jeitinho que ele tá aqui, formando essa vesícula aqui nessa estrutura secundária. E por fim, o rombencéfalo ele vai originar mais duas novas vesículas também: uma vai ser chamada de metencéfalo, a outra de mielencefalo. E aí o que que isso aqui vai promover ali no embrião? No caso do telencéfalo, essa dilatação bem extensa lateral vai formar os hemisférios cerebrais; dentro deles, dos hemisférios cerebrais, o lúmen desses hemisférios vão formar uma cavidade em cada um dos lados, que são os ventrículos laterais, o primeiro e o segundo ventrículo, que vão ali, mais uma vez já repetindo, não ser responsáveis por formar o líquido, o licor, que é o líquido cefalorraquidiano. Depois aqui o diencéfalo vai formar o tálamo, epitálamo e hipotálamo, ou seja, né, todas as estruturas ali do diencéfalo, e também vai formar o terceiro ventrículo, que é esse ventrículo ali que se comunica com os ventrículos laterais. E por fim, o metencéfalo vai dar origem à ponte e ao cerebelo; eles permanecem ligados entre si pelo pedúnculo cerebelar, e vai formar a parte superior do quarto ventrículo. E para finalizar, o mielencéfalo vai dar origem ao bulbo, que é a parte de transição com a medula espinal, e vai formar a parte inferior do quarto ventrículo. Então veja, são quatro cavidades muito importantes que se formam ali pelo lúmen do tubo neural: são os ventrículos laterais, junto com as duas dilatações laterais do telencéfalo; o terceiro ventrículo dentro do diencéfalo; e o quarto ventrículo dentro do tronco encefálico ali todo. E só para que você saiba, essas primeiras vesículas elas ocorrem ali na quarta semana do desenvolvimento; terminou a formação do tubo neural, já começa a formação das vesículas; na quinta semana eu já tenho as vesículas secundárias, que são cinco; e na sequência já começa todo o desenvolvimento aqui que vai gerar o encéfalo formado; no final dessa semana ele vai estar formado. Nós já vamos ver sobre isso. E mais uma informação importante: o tubo neural, ele se nós dividirmos ele em três partes, as duas as duas partes craniais, né, rostrais, vão dar origem ao encéfalo, e apenas um terço final vai dar origem à medula espinal. Aqui nesse esqueminha você deve ter visto, eu espero que você tenha visto esse esquema todo aqui lá na aula anterior dessa playlist, que é a aula de introdução, né, basicamente de divisão do sistema nervoso. Então se você não viu, volte lá e veja, mas só para você saber, isso é um diagrama aqui para você compreender o que que cada estrutura vai gerar aqui no final. Então quando nós temos aqui a nessa imagem, veja que na 14ª semana já estão todas as estruturas do encéfalo formadas; na verdade ele inicia o período fetal, que é a nona semana, com tudo formado, o encéfalo todo formado, que aconteceu lá na morfogênese ou organogênese, só que se você observar aqui o hemisfério cerebral, ele é completamente liso, e o nosso os nossos hemisférios cerebrais eles são corrugados, vamos se dizer, né? Ele é todo cheio ali de círculos. E isso se dá pela grande área, mas essa grande área ela vai se desenvolver ali ao longo do período fetal; o período embrionário termina na oitava semana; a partir da nona já é o período fetal. Então perceba que só vão formando que novos sulcos, giros etc, e esse esse cérebro, né, essa estrutura encefálica que foi que iniciou lisa, ela vai evoluindo; na vigésima está assim; aqui na 30ª semana ela já tem um pouco mais; e ao nascimento, né, quando ele vem a termo na 38ª semana, ele já está com bastante sulcos e giros aqui, e isso permanece se desenvolvendo ao longo ali da ontogenia, já no período pós-natal, né? E tudo isso vai acontecer porque, porque os neurônios e as neuróglias, ou células da glia, ou células gliais, elas vão surgir, elas vão se proliferar, e elas vão desenvolver. Então esse desenvolvimento, toda essa povoação dessa estrutura de novas células é que vai aumentar tanto a área desse telencéfalo, fazendo com que ele fique todo ali cheio de sulcos e giros. Esse processo ele vai se dar em várias etapas, e essas etapas elas são importantes porque, porque elas não acontecem apenas durante a gestação, elas acontecem durante a gestação, durante a primeira infância, durante a fase e durante a fase adulta. Olha que bacana, o nosso sistema nervoso ele se forma, mas ele se desenvolve tanto no período fetal quanto no período pós-natal. Isso é muito bacana, porque se você está aqui hoje, você está tendo a capacidade de aprender o que eu estou falando para você, se dá justamente porque você, o seu cérebro ele tem a capacidade de formar novas conexões, formar novas sinapses, e isso é uma coisa linda do cérebro, é uma coisa linda do nosso telencéfalo e de todo o nosso encéfalo, né? Hoje nós sabemos que existem outras áreas do encéfalo que trabalham com o aprendizado. Mas vamos lá, quais são essas etapas? Primeira coisa, nós vamos ter a proliferação neuronal; esses neurônios, após se formarem, eles migram; então tem a migração; depois nós temos a diferenciação; ele vai ter aquele formatinho que ele tem de neurônio, e vários formatos surgem; depois tem a formação das sinapses, que é chamado de sinaptogênese, e formação de circuitos; por fim nós temos a mielinização desses axônios; e quando tudo se formou, existe uma formação em redundância, justamente para que a competição entre sinapses elimine ali sinapses que não estão saudáveis e que não vão permitir que esse que essa pessoa, né, já pós-nascimento, seja completamente formada. Então nós vamos ter uma poda sináptica, que é a eliminação programada de neurônios e sinapses. Então na proliferação neuronal, ela vai acontecer intensificada após a formação desse tubo neural, e ela vai acontecer o tempo todo em paralela. Todas aquelas transformações que a gente viu, a formação daquelas vesículas, e na medida que existe essa proliferação, esses neurônios eles migram. Então aqui é um esqueminha para você identificar: aqui na região próxima aos ventrículos, que é o lúmen do tubo neural, tem ali as células que vão dar origem a essas novas células. Então são as células ali, são neuroepiteliais, que vão se proliferando, proliferando, dando origem a novos neurônios. Tá vendo que elas são redondinhas, são bem diferenciadas, só que elas vão começar a migrar, e elas vão migrar por essas células aqui da glia, né, que já se formaram também e que vão formar esses prolongamentos. Essas células gliais formam um prolongamento que vão formar como se fosse uma via por onde esse neurônio vai migrar; ele vai rolar por essas células, né, por meio de sinalizadores químicos que tem na membrana dessas células. Então ele vai utilizando-se ali como se fosse um trilho para aquele neurônio. Então ele sai da região do ventrículo e migra para a região externa do encéfalo. Essa região externa do encéfalo vai ser chamada de córtex ali no adulto quando ele terminar o seu desenvolvimento. Então ele sai da região ventricular e vai para a região ali cortical. Então essa migração ela vai ser da região proliferativa e para a extremidade; ela sai em torno dos ventrículos para o córtex. Depois que ele migra, ele vai chegar ali naquela região onde ele vai povoar; ele vai iniciar então o processo agora de diferenciação neuronal. Essa diferenciação vai fazer com que ele adquira a forma de neurônio. Eu coloquei aqui apenas uma das áreas, né, para que você visualize como é essa diferenciação. Os neurônios eles vão ter ali o corpo celular, formando uma das suas estruturas, dendritos que se ramificam em torno dele e os axônios. Então ele também, de acordo com a sua migração, ele vai obter ali diferentes camadas desse córtex. Então esse aqui, se eu não me engano, nessa imagem a gente mostra uma parte do córtex auditivo, mas se você for olhar no córtex somatossensorial existem camadas também diferentes, morfologia de neurônios em diferentes camadas, e tudo isso se dá em torno da funcionalidade ali daquele córtex, porque diferentes áreas do córtex tem funções diferentes também. Então num outro vídeo, né, nós vamos falar melhor sobre isso, você vai entender ao longo desse nosso estudo aqui, mas o que eu quero que você entenda que a diferenciação desses neurônios se dá se dá com seu formato, que podem ser diferentes formatos, né? Ele pode ter um formato piramidal, ele pode ter um formato estrelar, ele pode ter um formato bipolar, ele pode ter um formato pseudopolar, diferentes formatos, mas também ele se dá em camadas. Então diferentes camadas do córtex vão ter ali diferentes neurônios, e isso faz parte da diferenciação, que é quando ele vai adquirir tanto a forma quanto as características bioquímicas funcionais. Ele já se proliferou, já já se diferenciou, agora ele inicia o processo de formação de sinapses, que é a sinaptogênese, né, a formação desse circuitos. Então o que que vai acontecer? A extremidade do axônio ele vai ter uma estrutura que é chamada cone de crescimento; essa extremidade que ela vai ser capaz de tatear, ou seja, o que que é tatear ali? Ele vai entendendo ali sinalizadores químicos que são liberados ali por diferentes células, principalmente na direção ali da região alvo e a própria região alvo. Então ele vai identificando esses sinais e ele vai migrando. Então vai havendo o crescimento celular, vai vendo ali uma protrusão da membrana; a membrana ela vai se projetando e ela vai tateando até chegar na região alvo. Então você imagina o seguinte: um neurônio que ele vai dar origem ali o corpo celular, que o seu axônio vai passar a formar um nervo do ali um nervo encefálico que vai é percorrer uma distância longa no corpo desse indivíduo. Então esse axônio ele vai crescendo, crescendo, crescendo até chegar nessa região alvo. Então se esse nervo ele vai inervar o coraçãozinho daquele embrião, aqueles axônios eles vão tateando até chegar aquela região cardiogênica e fazer sinapses ali com aquele coração. Então olha que bacana, isso é incrível. Essa migração é essa migração e esse crescimento vai permitir a formação, a conexão de sinapses. Então o que que nós vamos ter aqui? Esses esses prolongamentos, eles chegam às fibras, por exemplo, à pele, tudo mais; quando ele chega ele vai se ramificar, e essa ramificação vai fazer com que ele se conecte com diferentes células. Então quando você pode observar aqui no nascimento, olha a quantidade aqui que eu tenho de ramificações desses neurônios, e na maturidade, quando você já aprendeu um monte de coisa, olha a quantidade de ramificações.
Então, ele nunca para de acontecer. Olha que legal o dia que você, eu, a escrever. Você tinha sinapses que foram formadas ali de neurônios que chegaram na musculatura da sua mão. Sim, só que você ainda não tinha conexões suficientes para fazer o movimento para escrever. Na medida que você foi estimulando, novas sinapses foram se formando, novas ramificações e você foi adquirindo o movimento cada vez mais fino. Por isso que no começo era garatuja, né? Você pegava caneta e fazia isso aqui. Depois, no final, você começou a conseguir desenhar as letras e mais. Ao passar do tempo ali, é muito comum, né, quando a gente é pré-adolescente, a gente é criança, a gente querer desenhar letras novas, querer modificar as nossas letras. Tudo isso faz parte do aprendizado. Então, essa formação de sinais, ela nunca para, principalmente porque nós estamos sempre aprendendo, gerando novas conexões neurônio a neurônio, de neurônios com fibras musculares. E isso é muito bacana. Então, aposte muito no seu aprendizado, porque você tem uma fisiologia que permite você aprender para vomitar, porque você consegue muito mais do que você acha que você é capaz no quesito aprendizado.
Mas voltando aqui, isso vai acontecer na vigésima sétima semana lá do desenvolvimento embrionário, né, quase ele próximo ao nascimento, vamos se dizer. Só que ela vai persistir ao nascimento. Como eu disse para você, e ela vai seguir uma sequência. Primeiro, a sinaptogênese vai acontecer no córtex sensorial e motor, porque é o que permite o bebezinho sentir ali o ambiente e se movimentar de uma forma reflexa, muito mais reflexa do que cognitiva. E depois vai começar a acontecer no córtex associativo. Que que é o córtex associativo? É o que consegue ali ligar os pontos, é o que consegue gerar ali as funções cognitivas. Por isso que o bebezinho, quando ele nasce, ele agarra tudo que você põe ali na mãozinha dele, ele faz o movimento de sucção, ele se afasta ali de um perigo, vamos se dizer. Mas quando ele já está ali numa exploratória, ele mexe em tudo, ele olha tudo, ele quer aprender, ele quer arriscar, ele quer jogar coisas no chão para ver o que que acontece. Isso está acontecendo justamente por quê? Porque agora ele está formando sinapses muito de uma forma muito mais intensa ali no córtex associativo. Por isso que criança tem que ser exploradora, ela tem que explorar o ambiente, ela tem que ver, ela tem que mexer. Eu ouvi isso de uma colega de trabalho, achei incrível. Imagino você e ela provavelmente ouviu de outra fonte, mas é incrível que você está aqui nesse mundo há quanto tempo? Eu, hoje, estou nesse mundo aqui há 35 anos. Eu já sei o que que é um quadro, o que que é uma luz, o que que é um computador, o que que é isso. Então, eu já convivo bem com todos os objetos na minha volta. Mas se surgir um objeto novo, um celular novo, eu já quero ver, eu já quero pegar, eu já quero entender quantas câmeras tem, quantas teclas tem, se tem teclas, não dobra. Todo mundo é assim. Imagina uma criança que está nesse mundo há três, quatro, cinco, seis anos, ele não sabe nada da vida. Então, ele quer formar novas conexões, ele quer fazer novas sinapses, e isso é lindo. Essa é a magia da infância.
Então, vamos lá. Dito isso, agora inicia um processo que vai ser a eliminação programada de neurônios e sinapses. Por que que isso acontece? Porque vários neurônios e vários axônios migram para a mesma região alvo, tornam várias sinapses. Só que algumas sinapses elas vão acontecer de forma defeituosa, não vai ser tão intensa. Ou aquele neurônio não vai me eliminar. Nós já vamos falar sobre a mineralização daqui a pouco. E aí o que que acontece? Ela vai desaparecer. Então, o neurônio ele entra em apoptose, ele morre, aquelas sinapses são desfeitas, e isso é chamado de poda sináptica. Então, o que que vai acontecer? Que vão morrer? Elas vão morrer justamente por falta de ativação, ou porque formou e aquela pessoa não utilizou aquela sinapse, não ativou aquela sinapse, ou simplesmente porque ela estava defeituosa. Então, tudo isso é muito importante para que haja um refinamento funcional, para que não haja ali um excesso de estimulação e o movimento ou a função ali nem aconteça. Então, o que que acontece? Aqui em torno de 1 a 8 anos, nós vamos ter aqui essa quantidade de fios se ligando para fazer essas sinapses. Agora, no adulto, eu tenho muito menos fios se ligando para fazer a mesma quantidade de sinapses. Então, essa redundância não faz a pessoa ser mais ativa, ela faz com que às vezes nem seja possível acontecer. Então, por isso que acontece essa eliminação programada, que também é chamada de poda sináptica.
E aí, gente, por fim, nós vamos falar da mielinização. Essa mielinização, ela acontece de que maneira? Nós temos o axônio, e esse axônio ele vai passar a mensagem por meio de corrente elétrica. Nós temos vídeo aqui nesse canal sobre o potencial de ação e a sinapse, né? Volte lá, vejam a animaçãozinha bem bacana, rapidinho para você entender. Mas nós teremos vídeos mais à frente também falando sobre isso. Mas entenda que essa corrente elétrica, ela pode passar continuamente e de forma mais lenta, ou ela pode passar de forma saltatória. Para que ela passe de forma saltatória e seja mais rápido, eu preciso das barrinhas de mielina. Então, cada bainha de mielina que se forma ali é como se tivesse encapando aquele axônio, e a mensagem ela passa apenas entre as regiões não encapadas. Olha que bonzinho, apenas entre as regiões não encapadas, por isso que ela é muito mais rápida. Imagine você andando para chegar no ponto ou você saltando aqueles negócios que parecem cangurus lá, que tem um objeto bem legal que você sai pulando. Aí é claro que você vai chegar muito mais rápido saltando, pulando etapas. Então, por isso que ela é importante. Então, as sinapses mais rápidas elas acontecem nos neurônios mielinizados. Não é à toa que a maior parte dos nossos neurônios são mielinizados, pouquíssimos neurônios são amielínicos, e eles acontecem em regiões muito, muito específicas do nosso encéfalo.
E como que acontece essa mielinização? Nós temos aqui o axônio, em torno dele nós vamos ter uma célula da glia, que no caso do sistema nervoso central é o oligodendrócito. Essa célula da glia, ela vai ali envolver esse neurônio e vai começar a gerar ali concentricamente várias camadas. Então, ela vai formando mais citoplasma, como membrana, e faz mais uma camada, mais citoplasma, faz mais uma, mais, não faz mais um. E dessa maneira, né, vai gerando tudo isso aqui até a barrinha de mielina se forma. O núcleozinho aqui do oligodendrócito fica na periferia, e todo esse citoplasma com membrana vai envolver. E dentro do citoplasma ele vai produzir ali um lipídio que é chamado de esfingolipídio, né, que é a mielina. E essa mielina ela tem uma coloração esbranquiçada. Por isso que onde eu tenho neurônios, eu vou ter uma região mais branca no meu sistema nervoso, gente. Então, quando nós falamos de sinaptogênese, migração neuronal, proliferação dos neurônios, mielinização, poda sináptica, tudo isso vai convergir para que haja a função do sistema nervoso, e principalmente a mielinização, principalmente a sinaptogênese e a poda sináptica, vai formar ali uma grande capacidade do nosso sistema nervoso que é chamado de plasticidade. Então, nós temos plasticidade neuronal, que faz com que o nosso sistema nervoso também seja plástico. Que que é plástico? Ele tem a capacidade de se modificar de acordo com o estímulo externo. Então, quanto mais você estimula as estruturas ali do encéfalo e da medula, mais sinapses vão ocorrer. Isso é o mesmo que vai acontecer lá na academia: se você faz uma sobrecarga, o seu músculo produz mais estrutura e também mais conexões com o sistema nervoso, o sistema nervoso faz mais conexões com mais fibras. Então, se você não usa, se você não estimula, não tem. Nessa imagem aqui eu achei bem bacana, e trouxe para vocês justamente para que vocês entendam o seguinte: eles fizeram o experimento colocando esses dois ratinhos aqui jovens, que acabaram de nascer, com pouquíssimo estímulo ambiental, e olha a quantidade aqui de novas conexões que ele formou. Agora compare com esses dois outros ratinhos que foram colocados num ambiente cheio de estímulo: uma rodinha aqui para ele ficar girando, escadinhas, um plano superior, uma bolinha, um monte de coisa. E olha aqui, nesse ambiente enriquecido, o tanto de sinapses que ele formou. Então, você precisa estimular o seu sistema nervoso, estimular o sistema nervoso das crianças para que haja ali uma neuroplasticidade, para que haja um aprendizado, e para que haja novas, novas, novas, novas, novas sinapses e conexões.
Então, já fizeram vários estudos assim, e em estudos de neuroimagem funcional em que foi utilizada glicose marcada para saber a quantidade de glicose que estava sendo utilizada no sistema nervoso, já conseguiram identificar que em recém-nascidos o metabolismo da glicose ele é bem alto nas áreas corticais e nas áreas motoras, principalmente ali no hipocampo, nas áreas subcorticais, como tá lá no tronco encefálico, o verme cerebelar. Então, são regiões relacionadas à aprendizagem dos movimentos, da postura corporal, da manutenção da postura e tudo mais. De dois a três meses de idade, aumentou ali o consumo de glicose em regiões dos córtices, né, parietal, temporal, visual primário; ou seja, em regiões que foi possível a percepção sensorial, então, estilo de percepção. Então, cada vez mais foi ali havendo um amadurecimento dessa região de percepção, então, percepção motor, depois sensorial. E aí, de 6 a 12 meses de idade, ou seja, a ter ali um grande consumo de glicose na região do córtex frontal, que é a região de planejamento de ações, que é a região da cognição, vamos se dizer, para os movimentos ali relacionados a uma base cognitiva. Então, é o que você escolhe, é o que você entende, o que você planeja fazer. Então, tudo isso. E aí também, continuando observando essas crianças, né, o nível total de glicose utilizada ela foi aumentando gradativamente, tendo um pico por volta dos quatro anos. Esse pico, ele se deu na sequência de um platô até os 10 anos. A quantidade de glicose permaneceu a mesma até os 10 anos de idade e começa a diminuir quando ele chega no nível dos adultos ali em torno dos 16 a 18 anos. Ou seja, na fase da infância é a fase, é a janela de maior aprendizagem, justamente porque está tudo associativo para a formação de novas sinapses, da mielinização de neurônios que ela acontece ali desde o início desse desenvolvimento ali na fase final do período fetal até os 30 anos de idade. Então, tudo isso ele vai acontecendo e vai fazendo com que essa criança ela esteja muito suscetível ao aprendizado. Por isso que se você ensinar uma língua, a criança aprende; se você ensinar um jogo, a criança aprende; se você ensinar uma dança, um esporte, a criança aprende. Por isso as crianças precisam ser bastante estimuladas. E no adulto, o adulto ele continua aprendendo sim, não tem a mesma plasticidade neuronal que as crianças, mas ele continua aprendendo. Eu sou prova disso, porque eu vivo estudando, eu vivo aprendendo, eu vivo tentando coisas novas e eu vivo aprendendo. Se você não está aprendendo, é porque você está se limitando. Então, cria o hábito de estudar, de praticar esportes, de fazer novas atividades que você vai assim experimentar dessa maravilha que é a plasticidade pessoal. Vamos parar por aqui, não esgotamos a parte do desenvolvimento embrionário do sistema nervoso. Então, eu aguardo você no próximo vídeo, quando nós vamos continuar. E aí nós vamos falar sobre o desenvolvimento embrionário da medula espinal. Eu estou esperando você lá, eu estou ansiosa. E se você estiver vendo esse vídeo numa sequência, levanta, toma uma água, toma um café, vai ao banheiro e volta. Se prepara, porque nós vamos concluir esse raciocínio. Não deixe lacunas no seu aprendizado. Então, um abraço e tudo de bom.