Transcription
Olá, boa noite! Sejam muito bem-vindos e bem-vindas a mais uma conversa da Aldeia. Que a paz Jal esteja com cada um de vocês nessa noite, nessa noite de domingo, em que a gente, por ser muito apaixonado pela Umbanda, vem conversar sobre ela. Num dia de descanso, né? Mas é também um dia de encontro, né? É um dia de família. E eu estou aqui hoje com duas pessoas muito queridas, dois dirigentes que eu admiro, porque eu tenho uma identificação mesmo com a trajetória deles, né? A gente tem uma idade parecida e vivencia desafios parecidos, né? Porque o nosso terreiro tem um, um tamanho parecido, né? E a gente troca muito. E é uma oportunidade agora da gente fazer essa conversa para que mais pessoas possam também aprender junto, né? Com essas experiências que nós vivenciamos. Então, é uma alegria muito grande no dia de hoje eu receber aqui a Mãe Sueli e o Pai Guilherme, que são dirigentes da Irmandade Senhora Santana, que fica aqui no Rio de Janeiro, assim como o nosso terreiro. A casa deles fica no bairro do C. E é um prazer imenso. A bênção, Mãe Sueli! A bênção, Pai Guilherme! Muito obrigado por vocês terem aceitado o convite, né? E de vir partilhar aqui um pouco da experiência de vocês. Sejam bem-vindos!
Boa noite! Boa noite a todos! Obrigada, Luiz Felipe, pelo convite. É, pra gente é uma honra poder estar nesse domingo compartilhando, trocando, aprendendo também. Que a gente sempre aprende com o senhor, com a sua trajetória, com seus filhos, porque, é, não somos só nós dirigentes que sabemos ensinar, mas também aprendemos também com eles, nos desafios, nas trocas. Então, pra gente é um prazer estar aqui reunido, é, falando sobre Umbanda, né? É, boa noite! Sua bênção, Pai Luiz Felipe. Eu peço a bênção também, é, dos pais e mães que estão nos assistindo. Eu já vi aqui também que a Mãe Rosana Dula, a Mãe Débora estão aqui assistindo. Gente, que o Xalá abençoe a todos que estão nos assistindo. Já vi também que tem alguns filhos da Irmandade, alguns da Aldeia também já estejam aí. E pra gente é uma alegria muito grande. É, nós também temos um carinho muito grande pelo senhor, pela Alicia, por todos da sua casa. Foi um prazer imenso a gente poder visitar vocês no ano passado, né? Se eu não tô enganado. É, e a gente tem uma admiração muito grande também pelo seu trabalho como dirigente, como pesquisador da Umbanda. É, praticamente todos os médiuns lá da casa já leram o seu livro, gostam muito, já é uma referência lá em casa. Então, a gente poder estar aqui junto, como o senhor fala, reunidos em volta da da fogueira, mesmo que seja virtual, pra gente é uma alegria imensa.
É muito bom, né? Eu acho que a gente se conheceu, né? Nós nos encontramos virtualmente, né? Inicialmente, nesse período da pandemia, em que muitas casas se aproximaram, né? Muitas casas, é, convergiram, né? Uma necessidade de se fortalecer no momento que o mundo estava passando por muitas dificuldades. E algumas dessas amizades, né, que surgiram, continuaram, né? Isso é muito bom, porque eu acho que vem o momento, é, da, das casas caminharem, é, para essa convergência, mesmo, apesar, e, e, e valorizando as diversidades de culto, de práticas, mas entendendo que a gente pode dialogar, que a gente pode aprender. Isso é muito bom, né? A gente trocou recentemente muitas informações, né? E eu fiquei encantado com o que eu ouvi, né, do, do Pai Guilherme, da Mãe Sueli. Fiquei encantado, porque é diferente o rito, tem especificidade, tem uma história, porque os dois trazem uma trajetória, né, de onde eles vieram, da espiritualidade deles também, que os antecede, né? E de outras encarnações, uma missão. E é muito bonito ouvir a história, né, de, de uma outra casa. Então, pessoal, sejam bem-vindos a essa live. Realmente, já aproveito para tomar a bênção da Mãe Débora, que eu sei que tá por aqui, já deixou até um comentário aqui. Boa noite, bênção Pai Luiz Felipe, Pai Guilherme, Mãe Sueli. Que lindeza esse encontro! Axé! A gente comentou mais cedo que ela conheceu vocês também aqui em casa, no encontro que a gente promoveu, né, com uma palestra do Pai Caetano. E estamos aqui novamente. Mãe Rosana do Tula, terreiro de Umbanda Luz de Aruanda, também presente, sempre presente. E muitos filhos! Tem muitos comentários aqui, muitos filhos da Irmandade. E vou colocar alguns aqui, viu, gente? Ó, Luana Pedro, boa noite. Bruna, Axé! Meus pais, Pai, Paiô, abençoe! Muita gente chegando, muita gente querida aqui se encontrando. Rosângela, aqui, aqui da nossa casa. Vamos lá! Maria, que é parecida também, aqui, filha da nossa casa. Muita gente cruzando aqui, né? A, a internet propiciando esses encontros. Giovana, enfim, não vou conseguir falar o nome de todos, porque muita gente chegando. Mas aproveito para saudar a coroa de cada um de vocês, tomar a bênção dos pais. E se você também tá assistindo depois a live, seja bem-vindo e bem-vinda, né? Eu sempre começo, meus pais, fazendo uma saudação para Exu. Breve, mas importante, porque Exu é orixá da comunicação. Que Exu possa guiar as nossas intuições, permitir a boa palavra, e que Exu possa levar essa palavra para mais pessoas, né? A palavra da Umbanda, que tanta gente precisa ouvir e desmistificar muita coisa que existe, né? Então, Laroiê! Salve Exu! Umbanda sem Exu não existe. Umbanda sem Exu não há. Umbanda sem Exu não existe. Umbanda sem Exu não há. Segura uma vela acesa igual esse Exu ninguém vai encontrar. Segura uma vela acesa igual esse Exu ninguém vai encontrar. Laroiê Exu! Sabe sua força! Que a força de Exu esteja com cada um de nós, nos guiando sempre! E hoje a gente vai falar aqui sobre a cura na Umbanda, os rituais de cura, as giras de cura, as terapêuticas que existem na Umbanda, a terapia da alma, né? A Umbanda que se propõe a curar a nossa alma, e também o corpo, e também a mente. Como é que a Umbanda lida com a cura? Existe uma gira de cura específica ou depende de cada casa? Será que entidades e que guias estão ligados ao trabalho de cura? Todos podem trabalhar com a cura? E orixás, né? A gente sabe que existe nosso Pai Obaluaê, que é o senhor da doença e da cura. Mas será que a gente pode pensar que todos os orixás, de certa forma, têm algo a nos ensinar sobre a cura? Então, de modo geral, são algumas as questões que a gente vai falar, e muitas outras, né? Por favor, fiquem à vontade para colocar os seus comentários. E sem mais delongas, quero começar passando a palavra para vocês, perguntando um pouquinho, meus irmãos, para vocês falarem um pouco da trajetória da casa de vocês, da Irmandade, né? Contar um pouquinho dessa história, né? Dessa casa. E já emendar falando um pouquinho sobre o trabalho de cura que vocês fazem aí. Pode começar.
Bom, a Irmandade, a gente fala que ela é um bebê, né? Ela nasceu num contexto de pandemia, é, em 2021, que ela foi fundada em março. Um pouco da minha história, né? É, a herança da minha avó paterna, que eu herdo Nanã Buruquê, é, trazendo toda essa missão, trazendo esse resgate com a ancestralidade. Então, eu posso dizer que a Irmandade, todos os médiuns que chegam à Irmandade, têm uma conexão com a sua ancestralidade, com a avó, com, enfim, tem essa, essa conexão muito com seu ancestral. É, a gente tá descobrindo muitas coisas, aprendendo muitas coisas junto com o nascimento da Irmandade. Nós temos uma trajetória, é, pequena diante da dimensão do que é espiritualidade, do que é aprender dentro da Umbanda. Nós nos conhecemos dentro de uma casa, é, localizada no bairro de Botafogo. Foi lá que a gente aprendeu, é, lá que a gente, é, bebe a nossa raiz. Saímos dessa casa. É, eu fiquei lá por 6 anos, o Guilherme por 10 anos nessa casa, que é a casa que traz tudo que a gente entende sobre Umbanda, sobre resiliência, sobre amor, sobre responsabilidade, sobre servir. É, muito dos rituais que a gente pratica, né, na Irmandade, saiu dessa casa. Então, a gente tem muito, muito amor, muito respeito por essas pessoas, pelos nossos mais velhos, porque veio antes de nós, é, que pode, foi, fez possível, foi, foi possível a gente se apaixonar para, para a Umbanda. É, então, toda a nossa história, basicamente, parte por essa casa, que é a Casa de Caridade de Capuquê Peri. É a nossa matriz, é, na onde a gente bebe de tudo que a gente aprende, inclusive da, da questão da, da linha de cura. A gente parte para uma outra casa, que também é de uma filha do Pai Peri, é, um ramo que caiu dessa árvore e que cresceu num outro quintal e que também floresceu. E que foi possível a gente conhecer um outro lado, uma outra forma litúrgica de tratar Umbanda, como o senhor mesmo disse, existem dentro da Umbanda muitas formas, muito enriquecedoras, é, muito diferentes e muito bom a gente poder trocar e poder compartilhar. Até que, de fato, a Vovó Francisca, que é a chefe da casa, anunciou que estava na hora da Irmandade nascer. E aí sim, começa a história da Irmandade Senhora Santana.
Queria contar um pouquinho da sua avó também, né? Que eu acho legal, é, de explicar como que foi essa questão, como que surgiu essa missão, né? É, a Sueli, ela, ela não tinha contato com a avó dela há muitos anos, por conta das questões familiares. E aí, depois de alguns anos, muitos anos, na verdade, né? É, a irmã dela promoveu esse encontro. Ela já sabia que a avó dela era do Candomblé, ela já tinha sido da Umbanda também. E aí, nesse encontro, a avó dela fala duas coisas, né? É, "Eu já posso morrer em paz, porque eu te reencontrei". E, e quando a gente contou que era da Umbanda, ela fala: "Então, já tenho para quem passar as minhas coisas". E aí, a Sueli, a gente conversou que isso veio. E aí a gente continuou em contato com ela, até um dia que a gente combinou um dia, 20 de novembro, que a gente iria fazer um jogo de búzios com ela, já que ela era do Candomblé, para a gente poder conhecer a casa dela e tudo mais. E esse foi o dia que a gente, na verdade, estava indo no enterro dela. Ela faleceu um dia antes. E, e logicamente, foi muito chocante isso. É, alguma coisa a gente sabe sobre o axexê, que foi feito, que é o ritual fúnebre, né, do, do Candomblé. E aí foi apontado que teria uma, uma, é, uma herdeira, né? Que Nanã não queria dar continuidade. Porém, a casa fechou. E você quer? É, na verdade, minha avó sempre, é, dizia, né? Meus tios, meus primos contam que ela sempre, sempre dizia que ela, que ela tinha uma herdeira, que Nanã falava que ela tinha uma herdeira, né? Que ela não sabia quem era essa herdeira, mas que ela sabia que existia uma herdeira. E foi muito, muito curioso, porque, de fato, nesse ritual fúnebre, não, não falou que era minha herdeira, e não aparecia essa herdeira, né? É, de fato, eu já não estava nesse ritual fúnebre. E aí falam: "Tá, eu sou a única pessoa que eu conheço que, que é da religião". Não é minha sobrinha, né? Meu tio conta. E aí Nanã pergunta: "Podemos continuar?" Não. Mas o caso é que a casa dela fechou. E aí, depois, a espiritualidade foi dando esses sinais, através de também outras confirmações, inclusive de Exu. É, tinha uma entidade lá no Pai Peri, que também jogava, que era o Sete Boadeiro da Jurema. Ele confirmou. E nesse meio tempo, também, a gente já estava começando a ser orientado pelo nosso pai de santo, a, que é um pai de santo que tem toda uma história na Umbanda. Hoje, a casa dele é de Candomblé, mas ele cuida da gente pelo lado da Umbanda. Isso também foi confirmado, né? É o Pai Carlos. Aliás, sua bênção, meu pai. É, enfim. E a partir desse momento, foi compreendido que seria necessário fundar essa casa. E achava a gente, né, na nossa pequena ignorância, que seria para muitos e muitos e muitos anos à frente. A gente ficou um período curto nessa segunda casa, tinham algumas diferenças de modo de compreender a Umbanda, de alguns posicionamentos. É, a gente saiu de lá. E aí o Pai Gé e a Vovó Francisca determinaram que, a partir daquele momento, a gente ia começar essa missão. Mas entendi a gente que seria de uma forma muito embrionária, através de atendimento na nossa casa. Tinham alguns médiuns que já tinham a vontade de acompanhar a gente. E a gente achou que seria por pouco tempo. Só que, depois de um ano, ele já falaram, né? Vovó falou: "Olha, eu preciso, os médiuns não podem só cambonar, eu preciso desenvolver eles". E a gente foi nessa história, até que, quando a gente viu, ó, já estava conduzindo a gente a fundar uma casa, né? De nome Irmandade Senhora Santana, que foi escolhido pela Vovó Francisca esse nome. A gente até contestou: "Vovó, mas não seria, é, Terreiro de Umbanda Nanã Buruquê, Irmandade Nanã Buruquê?" "Não, meu filho, eu quero Irmandade Senhora Santana, porque isso é uma forma de aproximar mais pessoas". Depois a gente compreendeu, pela própria trajetória dela, ela é a Vovó Francisca da Bahia. Então, ela teve uma irmandade nos tempos dela da Bahia, em que ela justamente, como a própria história conta, ela comprava a, a alforria dos escravos e iniciava eles, e eles devolviam o dinheiro, e assim comprava de outros escravos. Então, também o nome Irmandade, ele faz todo sentido. É, e, e, e nesse dia que ela anunciou isso, foi, foi o dia 13 de maio de 2020. É, isso, né? Lá em casa, só eu e ela. 13 de maio de 2020. A gente estava num período máximo, assim, de, um pouco antes do lockdown, né? Não, um pouquinho depois, na verdade, já. E aí ela também anunciou que o mentor da casa seria São Francisco de Assis, né? Então, é importante a gente colocar que Irmandade Senhora Santana é um sincretismo com Nanã. Porém, São Francisco não é um santo sincretizado na nossa casa. É um sincretismo, é um, um santo que é o nosso mentor, mesmo, porque todo santo é um espírito, né? Então, esse espírito, com a sua falange de franciscanos, é o, são os mentores da casa. Lógico que Vovó é a chefe, é, e trazendo a missão da cura da alma. Então, essa, essa missão, a cura da alma, é uma, é uma coisa que é muito importante em todo o nosso trabalho espiritual. E aí, basicamente, né, é, resumindo um pouquinho essa a história, assim, a casa foi fundada em 13 de março de 2021. Então, a gente tem três aninhos de fundação, somos um bebezinho ainda, e caminhando aí pro, pro quarto ano, sim.
E uma trajetória que, por mais que seja recente aqui nesse plano, com certeza vem de muitas raízes, né? Essa própria palavra "irmandade", como vocês disseram, rememora essa experiência dos escravizados, né? Dos negros que vinham de África, mas aqui também no Brasil, na Bahia, aqui no Rio, é, de se unirem, né? Irmandade é um, é um coletivo de irmãos, né? E de resistência, né? De resiliência. E, e geralmente, eles adotavam os nomes de santos católicos. Católicos não, porque os santos eles não tinham religião, né? Eles eram seres humanos, né? É, mas que são santos da igreja, né? Como, é, Irmandade da Boa Morte, de Nossa Senhora da Boa Morte, ou então, é, Nossa Senhora do Rosário, né? É interessante isso. Eu sempre achei muito interessante o nome da casa de vocês, porque para mim, assim, é evidente, né? Apesar de agora estar conhecendo mais a fundo a história, mas para mim, sempre foi evidente que tem ali um fundamento, né? Histórico, né? A casa tem, como vocês disseram, 4 anos, né? Que que Vovó revelou lá em 2020, mas a história é muito antes, né? Então, tem fundamento histórico, tem uma preta velha, um espírito, com um grupo de espíritos, trazendo uma história, rememorando uma história, né? E assim, sempre me chamou a atenção, porque, é, isso, né? Da irmandade, que rememora isso, da, dos, dos africanos e, e, e outros escravizados brasileiros também, né? É, nascidos aqui no Brasil, que se reuniam em irmandades. E também a questão dos pretos velhos, né? Que é sempre assim, me, quando penso na casa de vocês, vejo eles ali, é, sinto, né? Essa, essa energia, é, de, de Vovó Francisca, do Pai Guiné, eles tomando conta. Isso é muito, muito bonito, meus irmãos, de ouvir, né? E de conhecer essa, essa história de vocês, né? Eu acho que nos inspira. Acho que nos inspira. Eu acho que mostra também, né, que uma casa jovem, relativamente jovem, né? E que tem muito comprometimento, né? Com o estudo, com a Umbanda, né? Vocês me passaram material maravilhoso, assim, sobre o trabalho de cura, né, gente? Que é o que a gente vai falar hoje. Assim, que é um material que eu falei para eles, assim, a gente não encontra esse material, é, sobre a linha do oriente, né? Eu fiz, eu fiz recentemente um vídeo sobre a linha do oriente, até era um pedido do Pai Guilherme, tinha mandado uma mensagem: "Ah, você podia fazer um vídeo falando sobre o povo do oriente?" E eu falei: "Nossa, é muito difícil, porque além de você não encontrar material, há todo uma mistificação também, aquela ideia que se tem, que é muito diferente daquilo do que eu mesmo acredito, do que nós mesmo praticamos". E aí fiz o vídeo, né? Criei coragem, depois de muito tempo pesquisando, fiz. E vou fazer, se Deus quiser, um outro falando sobre São Francisco, que é um santo também que tem esses cruzamentos, esses entrelaçamentos com a Umbanda. A gente canta, por exemplo, a Oração de São Francisco. É uma oração que é uma profissão de fé, ela inspira, independente da religião, né? Ela inspira, ela, e a figura de São Francisco é uma figura que inspira, né? Inspira aqui também, né, na nossa casa. Então, é, é muito bom, muito bom ouvir isso. E falando um pouquinho de cura, né? Falando um pouquinho dessa ideia de que a Umbanda, ela se propõe a curar a alma, como vocês disseram. Como é que vocês enxergam o, o, a cura na Umbanda? É, a Umbanda, ela é a arte de curar, né? A própria palavra Umbanda, né, do quimbundo, do kikongo, vem ali dizendo a arte de curar. Mas a gente sabe que as pessoas no terreiro, elas vêm por motivos mais diversos, desde procurar um emprego, procurar um socorro, procurar um, curar uma dor na alma, se espiritualizar, né? Os propósitos que levam a pessoa pro terreiro são os mais diversos. Mas como é que a gente pode lidar com a cura? E queria também, ao longo do percurso, que vocês pudessem falar um pouquinho do trabalho de cura que vocês fazem aí na casa de vocês.
Eu acho que antes da gente falar sobre cura, a gente precisa entender como é que acontece o processo de adoecimento, né? Para entender como se ocorre a cura, a gente precisa saber como que a gente se adoece, né? E são diversos os motivos do porque a gente adoece, né? É, os pensamentos, né? Excesso de pensamentos não saudáveis. Hoje a gente vive, a gente tá aqui, tem essa oportunidade de hoje usar a internet de uma forma boa, de de aprimorar, de conhecer, de trocar, mas a gente sabe que a internet tem coisas muito, é, uhum, a nossa alma que causa ansiedade. Quantas pesquisas a gente descobre hoje, né? Do excesso de tela, quanto que tá causando ansiedade, tá causando adoecimento mesmo físico, né? Então, é o pensamento, é os excessos que a gente comete ao nosso corpo, né? É, não uma alimentação, não prática de exercício. Então, é, são, é, muitos aspectos que levam a gente adoecer. Então, pra gente compreender como que se cura, a gente primeiro precisa entender como que a gente adoece, né? Então, é, até o próprio Ministério da Saúde fala, né, que não pode, é, distinguir saúde de doença, né? Uma coisa é uma coisa, é, e outra coisa, outra coisa em alguns aspectos, mas, na verdade, isso tá ligado. Doença é saúde, saúde é doença. Tratar a, a cura é importante a gente pensar sobre esse aspecto, entender a, a doença como um desgaste energético, condensação, né? Daquela energia que ficou ali na nossa aura, através da repetição, né? Então, essa ansiedade que a Sueli tá falando, ela vai plasmando cada vez mais aquela energia, seja o rancor, o ódio, e todos esses sentimentos, a raiva, eles vão ficando na nossa aura, e eles vão condensando cada vez mais, até chegar no nosso corpo mais denso, que é nosso corpo material. Então, espiritualidade, ela fala muito também da doença como o expurgo da alma, né? Aquilo ali tá sendo expurgado da gente. Então, apesar de ser sofrido, também não deixa de ser um benefício que a gente, que o nosso espírito, se a gente for olhar numa trajetória muito maior, né, do que só essa encarnação, a doença, ela é, de fato, a gente conseguir colocar aquilo para fora. E não tem como também, de uma certa forma, aquilo não ser dolorido, porque a gente machuca o nosso espírito, de muitas formas. Então, esse expurgo, ele também é dolorido, né? Então, acho que isso é uma perspectiva interessante aí da gente pensar no processo de adoecimento. E entender que a Umbanda, ela olha pro, pro doente, muito mais do que pra doença, né? A doença é consequência do doente. Se a gente não, não trabalhar o doente, a gente pode até curar uma doença como o médico cura, mas depois a pessoa vai acabar ficando doente de novo, porque a raiz da questão não foi solucionada, né? Entender esses corpos, né, espirituais, até para entender como que acontece os processos depois para a cura, né? E, então, entendendo que a doença, primeiro, ela vai aparecer nesse nosso corpo espiritual, né? Como os guias vêm, primeiro, muitas das vezes, eles sinalizam essa doença, e nem apareceu na matéria. Então, ele vai sinalizar ali que tem um aspecto cinzento, né? Pensando na nossa aura como algo branco, reluzente. Então, vai aparecendo esses sinais em, em pontos energéticos, nos nossos chakras. E aí, é nesses pontos que eles conseguem, através dos passes de cura, é, cada casa vai tratar e vai cuidar, é, da melhor forma, né? Um descarrego pode obter uma cura? Pode? Passe de um Caboclo? Pode? Pode um passe de um Preto Velho? Pode? Pode? Então, acho que é importante a gente entender que tudo é cura. Um, um conselho de um Preto Velho, de um Caboclo, de um Exu, pode alcançar a cura? Pode. Então, entender como que se acontece essa doença dentro desse nosso corpo espiritual, e quando ela chega no nosso corpo físico, é isso que o Guilherme comentou, Pai Guilherme comentou, é o último estágio. E para que ela possa alcançar a graça de ser curada, ela vai precisar fazer todas essas camadas de entender a doença em todos os seus aspectos espirituais. É, existem muitas literaturas que ajudam. A metafísica da saúde, por exemplo, né? Entender como os nossos órgãos, o nosso corpo, vai sinalizando um processo que talvez ainda não esteja em adoecimento, mas que vai ali te sinalizando. Uma dor de garganta, uma rouquidão, um estômago estufado. Isso já é um processo mental do que a gente vai carregando, e a gente vai nesse, nesse ciclo, né? Pensando em excesso e consumindo. A repetição causa esse adoecimento. Para que depois, dentro da Umbanda, dentro de cada casa, vai trabalhar, poder ter esse, essa cura, se for assim, né, da, da Vontade Divina, porque quem cura não somos nós. Nós, é, é a espiritualidade, é a fé da pessoa, e a conexão que ela faz com aquele ritual, com aquela casa, com aqueles espíritos. São eles que curam. Nós estamos ali apenas como instrumentos, é, acessíveis para que eles possam curar. Mas quem cura são só eles. Eu acho interessante também, Pai Luiz, a gente, o senhor falou uma coisa muito legal sobre, é, essa questão de todos os orixás curarem, né? Se a gente olha pelo prisma de que os nossos diversos tipos de emoções e de pensamentos podem nos adoecer, né? O próprio estudo da metafísica da saúde, ele fala sobre isso. Ah, a região tal do corpo, ela é ligada à questão da, sei lá, da raiva, o outro é o rancor, e tudo mais. Ah, diabetes, a falta de esperança na vida, enfim, várias questões que vão tocando, é, a gente. Se a gente entende que cada orixá, ele também trabalha determinadas emoções, então a ação desses orixás também traz a cura para todas as, para determinadas doenças. E muitas vezes, no estudo da fitoterapia, a gente vai observando determinadas ervas que são de tal orixá, e elas curam justamente aquela doença que é associada àquele orixá. Como, por exemplo, é, a canela de velho, que ela é uma erva de Obaluaê, ela cura muitas articulações, essas todas de, de ossos e tudo mais, associado ao Obaluaê. A sete-sangrias é uma folha de Obaluaê, ela é muito boa pro sangue, que também tem uma regência de Obaluaê. Daí a gente também vai tirando um monte de, de relações que podem até mesmo comprovar, né? Isso que o senhor tá falando. E, de fato, são várias as formas de promover a cura. A gente, a espiritualidade fala muito que o que cura é o amor. Eu acho que o amor é importante, porque ela ajuda a, a gente, né? Não, nem botar o consulente, a gente a se desprender do nosso ego, todas aquelas coisas que a gente vem carregando desnecessariamente na nossa vida. É, então, assim, é, esse desprendimento, através do amor, principalmente, é o que vai trazer, de alguma forma, a nossa cura.
Perfeito, perfeito! Assim, acho que é uma ótima introdução para esse tema tão complexo e, ao mesmo tempo, tão relacionado com a Umbanda, né? No dia a dia, a gente lida com isso. Na história, se a gente recuperar, né? Eu estava ouvindo vocês aqui, pensando, se a gente recuperar a história das tradições afro-brasileiras, tanto a Umbanda quanto os Candomblés, as outras tradições, é, sempre funcionaram, né? O terreiro, esse espaço, terreiro, ele sempre funcionou como um hospital, né? Hospital de almas. E no passado, né? Na mais ainda, porque não tinha, né? As pessoas não tinham a quem recorrer, né? Não tinha o SUS. O pobre, né? O SUS é uma criação muito recente, de 30 anos, pós, é, depois da Constituição. Então, um período, né? Há 100 anos atrás, em que não havia, né? É, direitos, inclusive, não havia saúde pública. As pessoas recorriam aos terreiros, né? As pessoas iam ao terreiro para curar, né? Para tratar os seus problemas, todos os campos, né? O problema emocional, o problema mental, o problema espiritual. E as, e sempre, né? Mesmo no senso comum, ali, as pessoas sempre, é, viam uma certa relação de uma coisa com a outra. E a gente vê, né? Também, é claro que a gente não vai, é, ser simplista, né? De dizer assim: "Ah, é, você está com uma influência espiritual e por isso você ficou doente". Não é uma coisa mecânica, né? Muito pelo contrário, porque o que vocês estão falando, e o que a gente vai falar, é realmente a complexidade de tudo, né? É, é o tudo, é, a gente levando, levar em conta o contexto de vida daquela pessoa, os seus hábitos, né? A sua própria relação com a espiritualidade. Como a Mãe Sueli disse, o conselho de Preto Velho pode curar, certamente, porque aquele conselho vai cair ali como uma sementinha naquele coração que é um coração que está entristecido, é um coração que está adoecido, é um coração que está machucado. E aí vai iluminar aquele coração. Só isso já é um passo fundamental. Mas se a pessoa tiver um câncer e tiver que passar pela quimioterapia, ela vai ter que fazer quimioterapia, não vai deixar de fazer, né? A gente, eu sempre falo isso assim, no, antes de a gente começar a gira de cura aqui na nossa casa, falou: "Gente, aqui o propósito não é substituir a medicina, a fisioterapia, qualquer área, né, da saúde". O Cabaco, como os cabocos falam, as entidades falam, os pretos velhos, não é substituir, é complementar, né? Então, se você faz seu tratamento, continua fazendo, mas o que a gente faz no terreiro vai complementar, né? Hoje em dia, graças à, à evolução da ciência e também dos direitos, né? A gente sabe que as pessoas podem procurar, né, a saúde, a saúde humana, né? Mas mesmo assim, a saúde humana não dá conta de tudo, não dá conta desse, desse além aí, que a gente tá falando. É, e, e acho que é só mesmo, né? O espiritual. É muito bom refletir sobre isso. E, é, antes de passar a palavra para vocês de novo, porque vi que teve alguns comentários aqui já, deixa só dar um, dar um salve aqui à Maria Cláudia Pompeu, à Mônica, "Casa pequena, espiritualidade gigante, muito amor". Várias pessoas da Irmandade por aqui. Cristina, Pai, Pai Guilherme, maravilhoso. Muita gente aqui passando por aqui. Deixa eu ver, Mãe Alicia também tá lá, cuidando do nosso Gabriel Francisco, que é nosso filho, que tá com dois meses, mas tá aqui acompanhando a live. Muita gente. Fernando, não vou conseguir, pessoal, falar o nome de todo mundo. Vou pegar agora os comentários, né? E pedir para vocês, se tiverem perguntas, complementos, por favor, né? É, falem, né? Contribuam com este tema. E, e também faço o convite para vocês se inscreverem aqui no nosso canal, deixar o, o curtir essa live, porque ajuda, né? Nesse tal desse algoritmo aí, para que mais pessoas possam ver, né? Para que o YouTube possa mostrar a live para mais gente, né? Então, você aqui assistindo, deixa um comentário, uma curtida, já ajuda, né? Esse trabalho aqui de estudo que a gente tá fazendo. Mãe Rosana tá dizendo aqui, olha: "No passado, havia uma falange denominada Semir-Tombas, que eram de freis, frades, né? Tava até comentando sobre isso, hoje a gente vai falar disso também, da falange de São Francisco, entre outros, em que São Francisco de Assis era considerado chefe dessa falange". Na atualidade, quase não se fala. E Mãe Débora tá dizendo aqui: "A Umbanda transforma, e a transformação cura". Eu acho que é dentro, muito dentro do que a gente tá dizendo, de que, é, uma palavra do Preto Velho, ele vai tocar a alma. E uma erva, né? Como o Pai Guilherme disse, a fitoterapia tá aí, né? E é uma história que os terreiros trazem também, do desses conhecimentos ancestrais, passados de vó para neta, não é, né, Mãe Sueli? Isso vai vindo, né? Para, para os terreiros. Pai André também tá por aqui, querido Pai André da Tass, do, da terreiro de Umbanda das Santas Almas Benditas, Sabidas e Entendidas. É, encontrei o Miguel Peri. Vou ter o prazer de estar com ele lá, se Deus quiser, agora em novembro. Já estive, vamos voltar. Enfim, gente, voltando aqui agora pro tema, né? Depois das apresentações, mais um pouco das apresentações, é, conta um pouco pra gente, pessoal, sobre o trabalho de, de cura na casa de vocês, né? O que que define e essa regência de São Francisco também, né? Do, dos franciscanos. Como é que acontece aí o trabalho?
Então, a nossa casa, ela realmente, ela tem, é, essa presença de São Francisco. É, essa presença de São Francisco, ela acontece principalmente nos trabalhos de cura, de fato. Mas, de uma forma geral, sempre vai ser falado: "Gente, lembrem-se que somos uma casa de Francisco". Isso exige simplicidade. Então, desde o início, essa questão da simplicidade de São Francisco, ela sempre vai ser, inclusive, é a primeira oração que a gente lê quando vai começar a sessão, qualquer sessão. Então, ela vai estar, é, é a imagem central no nosso gongá, e ela vai estar sempre presente, porque é a primeira oração que a gente vai ler, e é esse o prisma que a gente vai ter. Assim como a gente vai falar, a missão da casa é a cura da alma, a missão da casa também é sempre simplicidade. A gente não pode perder, em tempos de tanta, é, falando da tecnologia e num lado negativo, de tanto se expor, né? Até nisso, a Irmandade, ela é reclusa, né? A gente não tem uma página no Instagram, por exemplo, para se conectar. Então, tudo gira em torno dessa figura que é São Francisco, do, do andarilho, que vai levando a palavra, né? Do, a Vovó fala muito sobre isso, né? "Vai chegar na minha casa aquele que tiver que chegar, pelo falar, do indicação, um fala pro outro, fala outro, fala outro". É assim que vai chegar, é o tocar na campainha. Então, São Francisco vai estar sempre presente. E, e uma vez, até o Pai falou que não é por acaso que o nome da Vovó é Francisca. Isso ainda não foi revelado, mas ele também chama atenção pro nome da chefe da casa ser Francisca. Mas assim, de cura, ele, de fato, é o que a gente aprendeu na nossa raiz, que é um trabalho fiado por freis, por freiras, por orientais, a famosa linha do oriente. É, até a Mãe Rosana, ela comentou sobre os Semir-Tombas, e a gente estava até conversando, né, Pai Luiz, outro dia, é que esse é um termo que foi novidade para mim, quando eu comecei a estudar, porque lá na nossa raiz não se falava sobre isso, nunca se falou, e eu nunca conheci uma casa que falasse sobre Semir-Tombas. Então, eu não sei exatamente se tem uma diferença, é, é, é, nesse trabalho quando se chama de Semir-Tombas. Na nossa casa, a sessão de cura é a sessão onde se manifestam esses espíritos, onde, como eu falei, se manifestam, né? A gente entende que todos os espíritos estão sempre trabalhando em todas as sessões, mas esse é o trabalho que é chefiado, no caso, pelo Frei Marcos e pela Irmã Sara de Assis. E é o momento em que a gente faz os passes de cura. O único que fica incorporado é o Marcos, que comanda a sessão, e todos os médiuns vão fazendo os passes com os consulentes sentados. A gente vai cantando Somente para Oxalá, cantando alguns pontos de São Francisco, de linha do oriente, e de Iemanjá, porque, é, é, os franciscanos, né? E, na verdade, o, o, todos esses espíritos católicos, eles trazem muito a devoção a Maria. Então, alguns pontos de Iemanjá se cantam. E são os passes de cura, que são diferentes dos passes que o Boi, que um Preto Velho, né? Para, para trab, para ir tomar um passe de cura, o consulente precisa já ter passado por um descarrego na casa, para que naquele momento seja trabalhado a imantação, é, muitas vezes também, é, desfazer aqueles miasmas, né? Tirar algumas larvas astrais, mas recompor a aura do consulente, que por algum momento está adoecido. Isso se dá através do alinhamento dos chakras também. Isso acontece. E muito do que o Frei fala é a cura pelo amor. Ele sempre vai chamar muita atenção para isso. Sempre, entre um passe e outro, porque entram no caso, atualmente, ontem até foi sessão de cura, vão de cinco em cinco consulentes para tomar o passe. Então, ele sempre vai dar uma palavra antes, que eu acho que é típico do franciscano também, né? Essa coisa da pregação, da oratória, da palavra, para que os consulentes façam uma reflexão enquanto estão tomando ali o passe, né? Ele fala muito sobre que as pessoas estão dispostas a abrir mão na sua vida para que elas possam caminhar. Enfim, aí são várias palavras. Ele geralmente comanda uma cor que ele deseja que seja trabalhado naqueles consulentes, e é feito passe. Primeiro, os médiuns fazem uma pequena limpeza sem incorporação, porque a gente entende que, é, e a espiritualidade assim direciona, né? Que, de acordo com o consulente, vão ter equipes, é, é, cura trabalhando, né? A espiritualidade até quando fala de médicos, eles têm um, um cuidado para não parecer que eram espíritos com formação médica. Alguns são, outros não. É, mas vão ter equipes ali trabalhando de acordo com a necessidade do, do consulente. E é um trabalho muito interessante, porque não tem atabaque, os cantos são baixos, a luz é baixa, então é um trabalho assim de muita concentração, né? O, o, o cliente trabalha muito com, com a força mental, né? Então, essa imantação do médium ali, e isso também ajuda muito no desenvolvimento com todas as outras linhas, né? Porque a mediunidade é uma só. E aí, ao mesmo tempo que tá tendo o trabalho de cura, a gente tem uma salinha de cirurgia espiritual, que aí é o Dr. Champ, que aí é um médico chinês que trabalha com a Sueli. E aí ele, o Frei trabalha comigo. O Dum faz lá a cirurgia com as cambonas dele, aí a equipe médica dele, que, na verdade, como a casa é muito nova, ele tá preparando essas pessoas, esses médiuns, e estão sendo direcionados quem vão ser os outros médicos que vão, como a casa vai crescer, precisando ter mais outras frentes para conseguirmos atender a todos, né? Então, existe todo um trabalho. A sala de cura, que a gente chama, ela tem um preparo específico. Por exemplo, a gente faz defumação em todo o terreiro. Na sala de cura, não é um lugar que tem toda azul, tem cristais, tem uma outro tipo de preparação, tem uma outra tipo de condução também. Assim como acontece nos espaços de cura, os médicos que estão ali, exceto a instrumentadora do doutor, que é a única que não vai incorporar, que está mesmo, é, sendo trabalhada para em algum momento trabalhar com a entidade dela, sentem a vibração, se aproximam, mas não incorporam, justamente para ter essa flutuação de conseguir mais de um espírito chegar ali, e dependendo do que a pessoa tá precisando, conseguir fazer com que a, a fluidez energética seja mais fácil do que aquele salavan, né? Como é uma sessão que tem muito pouco estímulo, né? Assim de, ah, abaixa, levanta, né? Existem outros estímulos do passe, né? Da intensidade do passe, do calor, do frio, né? Uns sentem calor na mão, outros sentem de calor no pé. É, existem esses estímulos, mas não tem um atabaque, não tem um Caboclo barando, um Preto Velho instalando o dedo. Então, são outros tipos de estímulos. E por isso da a importância da concentração, né? Por isso que a, o estímulo do, da, na verdade, o estímulo vai ser a concentração, o silêncio. A sala de operação, por exemplo, é silêncio absoluto. Se alguém tiver com conversando do lado de fora, atrapalha. Então, é, é uma linha muito enriquecedora, que traz um, um desenvolvimento muito grande pra gente, porque quando a gente tá com o atabaque, automaticamente seu corpo arrepia, né? Você tem outros estímulos. E você conseguir silenciar por completo a sua mente, causa esse, esse esforço, né? Você tenta esse esforço de você tentar silenciar-se por inteiro para dar prioridade ao ato de você não incorporar, de você entender que vai ter essa troca, né? Essa mudança de energia. No caso das, da, da cura, das cirurgias espirituais, muitas das vezes, a pessoa acha que tá com uma questão no coração, mas ela pode estar sendo trabalhada ali a parte óssea, a parte digestiva. E por isso que precisa ter essa, essa agilidade para que os médiuns não estejam só com uma entidade, e que nesse desacoplamento, gaste a energia que precisa ser doada para essa equipe que vai estar assistindo essa pessoa, que vai estar ali recebendo essa assistência. E são encaminhamentos para.
Pra gira ou eh, ou a pessoa pode ir direto na gira de cura, né? Eu digo, se eh, é o Preto Velho, é o Caboco que encaminha para esse trabalho específico, ou a pessoa já pode ir direto? Sim, normalmente passa pelo aconselhamento espiritual com Exu, com Cigano, com Preto Velho, com Obaluaê. Eles eh, direcionam para que eles passem por esse descarrego, entendendo que precisa, muitas vezes, ali, naquele descarrego, já é o primeiro passo para cura, né? Para você conseguir ter esse passo de cura, como o Pai Guilherme falou, fazer essa limpeza, cuidar desse aspecto mais magístico mesmo, né? Da energia que tá ali, limpar para que possa haver a intercessão do passe de cura. Por exemplo, se existe alguma questão que, na sala de operação, o doutor identifique que é uma questão magística de alguém que tá com uma magia, ele não vai fazer nada, nenhuma intervenção cirúrgica. Ele vai fazer um alinhamento de chakra, porque ele entende que o corpo espiritual daquela pessoa não está apto para que ele possa fazer a intervenção. Então, pede para que retorne pro aconselhamento espiritual, fazer um aconselhamento e, se for o caso, retornar para ele, porque tem uma densidade que ele não consegue intervir para fazer o que ele precisa ser feito naquele corpo espiritual.
Eu acho que uma observação importante, né? Quando a gente falou do por que adoece, é a gente também entender que às vezes a doença, ela pode ser fruto de uma obsessão, ela pode ser fruto, infelizmente, de um feitiço. Então, dependendo do caso, não vai ser o caso de uma cirurgia, ou talvez antes da cirurgia, vai ser feito um outro trabalho, até mesmo além do descarrego. E, e, e assim, na nossa casa, eh, e eu acho que cada vez mais a Umbanda vem tendo isso. A gente valoriza muito a consulta. Já é uma casa de Preto Velho, né? Então, o Preto Velho já gosta de falar bastante. E assim, a gente prefere até, muitas vezes, atender um número reduzido, até porque a gente não vai serar a espiritualidade, falar o quanto ela quer. Eh, mas porque a gente entende que se não tiver esse, esse aconselhamento, não adianta só fazer tratamento, porque senão é trocar seis por meia dúzia, né? É só um receituário. Às vezes, a gente até reflete sobre o termo "consulta", né? E falar sobre "aconselhamento espiritual", porque a consulta pode parecer consulta médica, né? Ou algo parecido, que é só "ah, eu tô com isso, então faz isso", né? E virar só uma coisa mágica ali. Eh, então, assim, tem um aconselhamento e tem essa questão de observar o que que é necessário para aquela pessoa. Tem, tem trabalhos que a gente vai fazer com Obaluaê, que não é na cura, né? Ali, apesar de na sala de operação também ter lá pipoquinha, né? Que também você vê que, além da energia do Oriente, Oxalá, o, o Doutor não é bobo, então ele bota a energia de Obaluaê junto para segurar ali, muitas vezes, uma doença. Eh, mas a gente tem outros trabalhos, de acordo com a necessidade, que vai eh, trabalhar a cura, né? Nesse sentido da cura de doenças físicas. E aí, realmente, a gente vê quando que uma pessoa faz um trabalho para Obaluaê e, de repente, a coisa acontece mais, até mais rápido. A gente não gosta dessa coisa do tempo, né? Mas às vezes é muito mais efetivo do que o passe, porque a pessoa tá com uma outra situação, eh, que precisa de um outro enfoque. E também, eu acho importante a gente dizer que não trabalha só essa, essa linha de freis e freiras, né? Na linha do Oriente, como eu citei, o Dr. Chum, que é um chinês, mas também trabalham Caboclos, Pretos Velhos, Exus, crianças, espíritos que trabalham na linha do Oriente, ou então espíritos que guias que vão ali trabalhar naquele momento, pelo menos nessa vibração ali de cura do Oriente. É uma vibração muito de Oxalá, né? Para poder realizar o trabalho que tem que ser feito. A gente toma muito um cuidado para que, eh, não haja um, um racismo interno na Umbanda, de que a linha do Oriente é uma coisa elitizada e que não poderia fazer parte um Caboclo, um Preto Velho. A gente tem médiuns como a minha própria tia, ela recebe a Vovó Catarina do Oriente. Tem uma irmã de santo nossa, Maria Helena, que recebe os Sete Estrelas do Oriente, que chefiavam um grupo, que era um grupo do Oriente lá na nossa raiz. Então, assim, é muito importante também a gente colocar isso, que o trabalho do Oriente não é trabalho de branco, e o trabalho mais sutil, como a gente já ouviu muitas vezes, né? E os outros trabalhos da Umbanda, talvez fossem mais africanista. Ah, é o terra a terra, é o primitivo. Isso não existe na nossa concepção. Eh, vale, espíritos do Oriente também são, que fica, né, para quem não sabe, na África. Não são as pessoas brancas que aparecem no filme, né? E muçulmanos na África, os sufis de uma elevação gigantesca. Lógico, tem os indianos, tem os, os monges lá tibetanos, japoneses, chineses, tem tudo isso. Mas é muito importante a gente deixar claro que, que isso é uma, uma faixa vibratória, não é uma questão racial que vai determinar esse trabalho na linha do Oriente.
Eu acho que é também, só para pontuar, ainda nessa forma de preparo, eh, do trabalho espiritual da cura, e existe aí, nesse, nesse caso da, da cura, um, um resguardo específico, justamente de como esse corpo espiritual vai ser trabalhado e como esse corpo físico também vai ser trabalhado. Então, se a gente tem um preparo para ir a uma sessão, no caso da preparação da, da linha de, de cura, é um outro preparo para os consulentes que vão estar recebendo esse atendimento e para os médiuns também, entendendo também essa energia mais sutil que precisa. Não consumir carne, enfim, alcoólica, droga não combina com mediunidade, mas a gente sempre reza, escuras, café, tudo isso aquece o seu corpo e isso faz com que o, o passe consiga ter essa eficácia. Mas essa, esse parêntese que o Guilherme, eh, comentou, que eu acho que isso é muito importante em tempos, eh, de tantas desinformações, a gente entender que a linha do Oriente não é essa segregação racial. E, diga-se de passagem, quem passou o resguardo e quem, no final das contas, organiza tudo, é Vovó Francisca, porque ela é, é dominadora ali dos trabalhos todos, então ela, ela tá sempre, de alguma forma, presente. Foi ela que disse como que tinha que ser seu trabalho de cura, então, só também para deixar isso bem claro, que, que assim, Vovó é a chefe da casa, Vovó que manda.
É, gente, isso é muito interessante, né? Porque converge muito com a nossa visão aqui da nossa casa e com a maneira como nós também, eh, sempre estamos pontuando isso, né? De que, eh, é importante a gente pensar, né, quando fala em linha do Oriente, que não há como, muitas vezes, a gente ouve na Umbanda, né? Que não há uma, ah, não é uma linha mais evoluída, né? Que aí os outros trabalham com a parte mais suja, mais primitiva, né? E a gente escuta isso, a gente ouve isso, e não é por aí. Eu acho que o que vocês estão trazendo é uma visão, eh, muito importante do entrelaçamento entre todos os trabalhos, né? É como se nós tivéssemos ali uma constelação, né, de espíritos, e esses espíritos vão brilhando, formando um céu estrelado, né? E que pro céu estar estrelado, você tem que ter todos eles. Você tem o Preto Velho, você tem o Exu, você tem o, o Mestre do Oriente, você tem o Cigano. E aí, cada casa, obviamente, vai ter o entendimento, né, daquele, daquele espírito, daquela ancestralidade. Mas é importante a gente reforçar isso, né? De que há esse entrelaçamento. É uma coisa assim, que eu, ouvindo vocês, vou refletindo, e tem muito a ver com a nossa trajetória, que também vou falar um pouquinho. Eh, a gente, eu percebo, né, que a cura, ela ocorre em diferentes espaços, né? Eu acho que ela ocorre desde do momento que a pessoa entra no terreiro, ela imerge ali naquele ambiente diferente. Corta um pouquinho a rua. Eu falo isso antes de começar a gira, falei: "Gente, vamos respirar fundo, colocar o ar de Oxalá para dentro do peito, deixar o sangue acalmar, porque você vem da rua, vem pega o Uber, pega o carro, pega o trânsito". Aí você chega, tem que desligar, né? Isso já é um exercício terapêutico, porque você tá deixando para fora um monte de coisa, né? Um monte de problema, um monte de preocupação, de ansiedade, né? Emergindo ali no terreiro. E, e todo o trabalho do terreiro, ele é voltado, eu acho que com, com a especificidade, né? Cada, cada guia, cada entidade, eh, ele, ela trabalha com um tipo de cura, né? Como vocês estão dizendo, a pipoca de Obaluaê, ela faz um tipo de, de cura, né? O, o Caboclo com as suas ervas, né? A gente também é apaixonado muito por Caboclo, né? Pai Guilherme, a gente fala muito sobre Caboclo. E a gente, quando o Caboclo pega a erva, ele pega ali essa, a, uma sabedoria da terra, né? A força da terra. A folha também vai curar, né? A criança, a criança quando pega um, um doce e brincando, alegria, né? Isso é algo que é muito sabido e que é pouco falado, né? O poder de cura das crianças, porque inclusive se diz, né, que o que uma criança faz, ninguém desfaz. Sim, porque essa, esse poder que a criança tem, porque ela alcança um, um lugar do nosso ser que ninguém alcança, né? Nenhuma outra entidade, nenhum outro guia consegue chegar, né? Lá no fundo. Então, eh, eu acho que assim, a gente pensar tudo isso, né? E entender também o papel importante que a linha do Oriente tem, né? Eu acho que algumas casas não trabalham, outras trabalham, né? E, e eu acho que, independente do nome, o Pai Guilherme estava trocando isso comigo outro dia, né? Que a questão do Oriente, né, Pai, eh, não é apenas uma região geográfica, não é apenas de espíritos que vêm da Índia, da China ou do Japão, porque, na verdade, tá muito ligado à Estrela do Oriente, a estrela que orienta, né? Eu acho que tem muito a ver, depois se você quiser complementar, Pai. Eu acho que tem a ver até com que, eu, eu acredito que a gente fala na nossa casa, que tem a ver, né, com o Oriente, aonde o sol nasce, né? O sol nasce no Oriente. Então, dentro do chamanismo, que tem os quatro pontos, né? Norte, sul, leste, oeste, o leste, que é o Oriente, é um ponto de despertar, de iluminação, né? O Caboclo trabalha com isso, gente, o tempo todo, né? Guiando-se pela luz do sol, das estrelas, da lua, né? As entidades, os caboclos, sobretudo, trabalham muito com isso. E, e a gente vê, então, que o, o povo do Oriente é esse povo que vai trabalhar com essa energia de orientação, de iluminação, de despertar, né? Eu não sei se, eh, imagino que vocês tenham uma compreensão semelhante, né?
Sim, a gente estava até conversando sobre isso hoje, né? Falando sobre, sobre a live, que, que justamente, a gente tem essa visão, né? Que a linha do Oriente, eh, essa linha que, que, que atua sobre a vibração dessa Estrela do Oriente, a estrela que, que guiou os três Reis Magos até o menino Jesus, né? Eh, e que tem essa ligação, logicamente, direta com a linha de Oxalá, né? E eu acho muito bonito o que o senhor falou agora sobre o leste, né? Sobre o Sol Nascente. Não é à toa também que chamam os japoneses, né, do povo do Sol Nascente. Eh, e assim, logicamente, é uma, uma falange que ela trabalha, de fato, com muitos poucos elementos materiais. Elas trabalham muito com, com o nosso mental, com energias mais sutis. É um fato que não se coloca que não coloca eles acima de outras linhas. A gente sempre busca fazer essa ressalva. Eh, mas eu acho que essa, essa energia do sol nascendo, para mim, é o que descreve essa energia do Oriente, mesmo que, e da prof, Estrela, né? A estrela que é a Estrela Dalva, né? A estrela do Nascimento, né? É verdade. Tem, tem, acho que tem uma ligação sempre, né? Aí, sim.
E não, e é, é muito interessante quando a gente vai, vai estudando e conhecendo outras linhas, você, tudo, tudo, tudo encaixa muito perfeitamente. Quem faz essas, essas divisões somos nós, né? O senhor fez uma referência muito bonita sobre o céu, né? E ontem mesmo, eu, eu lembro do doutor, uma pessoa que estava sendo atendida, queria saber de onde que ele era, e que ela era cuidada numa casa, eh, espírita kardecista, e que ela estava em dúvida, porque ela estava muito, muito mexida, porque ela estava amando muito a irmandade, mas ela era a vida inteira kardecista, e aquilo estava criando conflito para ela. E o doutor falou que quem faz divisões somos nós, e que ali, se ela estava alcançando aquela graça, ela poderia alcançar aquela graça de qualquer forma, não, não num centro kardecista. E que se ela queria saber de onde era, ele era budista, mas que o fato dele ser budista não interessava, porque ele servia Cristo da mesma forma que um Caboclo segue, que um Preto Velho segue. Então, quem divide somos nós, né? Então, você fazendo a referência do sol, né? Que é o que guia, que é o que aquece, que é o, o, a, o motor, né? Para que a gente possa ter as ervas, para que a gente possa ter a vida, né? Se não tem sol, não tem nada, não, não, não germina nada, né? Então, é muito bonito quando a gente vai conversando mais, conhecendo mais a espiritualidade, a gente vai vendo que, na verdade, tudo se liga e, e tudo se complementa. Que individua somos nós, quem coloca.
Eu acho importante também a gente não, eh, coisificar os espíritos, né? Eh, porque, de fato, no Oriente, né, geográfico, tem os mais diversos tipos de pessoas e viver os mais diversos tipos de espíritos. E é uma coisa muito comum da gente fazer na Umbanda, né? Que o, ah, os Pretos Velhos são assim, os Caboclos são assim, os Ciganos são assim, e a gente mata a espiritualidade. É, diz: "Ah, os brasileiros são assim". Não, não é verdade, né? Se a gente for falar do mundo que a gente tá vivendo hoje, de um Brasil tão dividido, a gente tem pessoas muito diferentes, né? Com pontos de vista extremamente diferentes, formas de viver, histórias. E, eh, e não é pelo fato do espírito ter nascido no Oriente que ele tem que se apresentar como um oriental. Até porque nós tivemos muitas encarnações, né? Então, por exemplo, o Pai Gué, ele é um espírito que se apresenta como um Preto Velho por conta da encarnação que ele teve aqui no Brasil, como um, um filho de africanos, nasceu no Brasil. Porém, ele já nasceu, já viveu no Egito, ele já viveu na Índia, e nem por isso ele é um Preto Velho do Oriente. Ele não é um Preto Velho da linha do Oriente, ele é um Preto Velho da linha de Nanã. Então, é muito importante essas coisas serem colocadas para que as pessoas não, não coisifiquem os guias, não marquem personalidade desses espíritos e a trajetória que eles trazem também, né? Trabalhar na linha do Oriente é uma afinidade ou talvez uma opção daquele, ele foi carregado de trabalhar naquele momento, né? Exatamente.
É só para que a gente tenha esse cuidado de não colocar em caixas o que é, é livre, né? É, eu falo muito isso, isso assim, aqui em casa, né? Que a gente não pense a espiritualidade em caixinhas. Existe uma forma de organizar o pensamento, as chamadas linhas, mas elas convergem, elas conversam, né? Então, o Preto Velho, ele não segue um único padrão, né? A gente tem Preto Velho de todo tipo, porque é isso, né? O ser humano é diverso, imagina um povo ou vários povos. Então, eh, convergindo com o que vocês falaram, eu ia falar um pouquinho, né, como é que é o trabalho de cura, bem rapidinho, aqui na nossa casa, até para, né, a gente refletir dessa diversidade mesmo, da Umbanda. Eu, eu conhecia o trabalho da linha do Oriente na, na casa onde nós viemos, de onde nós viemos, né? Havia lá o trabalho de cura que era feito com os Mestres do Oriente. Mas quando a gente iniciou aqui, com o tempo, eh, o seu Set Flashs, que é o, o mentor da nossa casa, ele iniciou um outro trabalho, né? De forma diferente e muito na perspectiva assim, de trabalham muitos espíritos aqui. A cura, eh, são os Caboclos, né? Que, que conduzem, né? Eles que conduzem a cura. É um dia específico também, né? No caso, também tem que haver o encaminhamento, né? A pessoa passa pelo aconselhamento, pela, pela gira pública e depois é encaminhada para a gira de cura. E, e na gira de cura, trabalham os Caboclos, podem trabalhar os Pretos Velhos, é onde também mais trabalham os Mestres do Oriente, né? E é o contato que estava até contando pro Pai Guilherme, né? O contato que eu tenho com a linha do Oriente, foi, eh, não é uma linha que a gente trabalha muito, né? Na nossa casa, acho que a gente ainda está começando a, a entender, né? Eu tenho um guia, né? Um guia que me acompanha desde lá de trás, que é um mestre, né? O Mestre Sírios, que é o nome de uma estrela, né? E ele tem a ver com, com a espiritualidade que me acompanha, que me, que me assiste, porque sempre o símbolo da estrela aparece, né? O, o, o, o na de Ogum, né? Que tem os seus Sete Estrelas, seja na linha de Oxum, que aparece o Caboclo da Estrela Guia. Então, assim, é uma, uma miríade, né? Que aparece dentro da espiritualidade, um fundamento. E o Mestre Sírios, ele traz, né, a energia das águas doces de Oxum, né? Que é minha mãe. Então, é um pouco o contato, né? Que a gente tem com a linha do Oriente, né? E a Mãe Lícia, por exemplo, trabalha com, com o mestre, que é um, um mestre oriental, né? E ele, ele se apresenta, né, como japonês, e ele trabalha com a cor lilás, né? Eh, enfim, a gente vê, né, essa diversidade de compreensões, mesmo. E eu acho que não só de compreensões, mas de vivência mesmo. Vocês trazem, vocês tiveram oportunidade de vivenciar lá na casa do Caboclo Peri, né? Da, e viver aquela experiência ali. Isso vai influenciar a trajetória de vocês, o aprendizado. E a espiritualidade vai, vai trazer esse trabalho, né? Tão bem, bem fundamentado, tão bem estruturado. E isso é a beleza da Umbanda, né? Eu acho, porque isso é a, a diversidade, né? Como ela se apresenta, né? Então, é, é como se se complementasse, né? Meus irmãos, eu acho que se complementa.
Com certeza, sem dúvida, com certeza. São todas as luzes, né? Que se unindo formam a luz branca. Com certeza. Temos muitos comentários aqui. Eu vou ler alguns, porque alguns são perguntas. Eh, a Raquel Paris está dizendo que conversa enriquecedora. A Maria Cláudia está dizendo aqui: "Olha, gostaria de saber e como ocorre a preparação antes de uma sessão de cura. Quais são os preceitos? O que é importante fazer para os médiuns estarem preparados?" Mãe Su, já falou um pouquinho. Mãe, quer complementar um pouco mais sobre essa questão da preparação?
Então, quem vai pro passe de cura, nem todo vai pro prescrito passe de cura. É prescrito, por exemplo, para cirurgia. A cirurgia é o, para quem que tá com uma questão, eh, física mesmo, já comprovada por médicos, às vezes, muitas vezes, né? Tá lá, né? É físico mesmo, não é o que a pessoa ainda tá descobrindo. Então, ela é prescrita a, a cirurgia. E aí, é um pouco parecido aqui no nosso cotidiano, né? Tem, tem questão, são tratamentos. Ah, eu tenho pressão alta, eu tenho diabetes, eu tenho colesterol, eu tenho, eh, sei lá, dor na perna, qualquer coisa parecida. Às vezes, é um tratamento, é o passe. Tem coisas que são cirúrgicas, e aí, de fato, vem aí o trabalho de cirurgia. E aí existem algumas particularidades, eh, pros médiuns que trabalham no passe de cura e pros consulentes que vão receber o passe de cura. É o tempo, né? Eh, quem vai fazer o passe só de cura, não vai para a cirurgia. O preparo começa a partir de sexta, sendo que a sessão no sábado, né? Então, dia, 24 horas, né? Isso. Então, não se vai tomar café, é comer carne vermelha, vai tomar um banho de erva, não vai beber, fumar, de novo, não vai ter relações sexuais, não vai usar droga, porque droga não combina com mediunidade, é droga nunca se se usa, né? Mas, mas tem esse preparo. Vai descer uma vela para o Orixá de guarda antes de ir pra sessão, faz todo um banho de descarrego de ervas de Oxalá, né? Descarrego. E aí vai para essa sessão, receber esse passe. No caso de quem vai para essa preparação, acontece a partir de quarta-feira. Então, tantos os médiuns, os, os quem vai ser atendido, né? Eh, começa com esse resguardo desde quarta-feira, entendendo que vai ser uma intervenção maior nesse corpo espiritual. E a gente gosta muito de de ressaltar com os nossos médiuns, Lu, Felipe, é que o preceito, ele não é um castigo. Existe justificativa para que esse tipo de preceito seja prescrito. E é importante, muitas das vezes, a gente percebe deles entenderem, para que não seja só uma proibição por proibição, né? Então, acho que é, é legal compartilhar nesse momento, que é o desprendimento energético que leva-se para você fazer a digestão da carne, né? Que você precisa dessa energia que vai estar sendo usada na digestão da carne no seu corpo, para doação, eh, de energia para cura. O próprio ato da relação sexual, também se desprende muita energia no ato sexual. É o ato que gera uma vida, né? Então, você precisa ter essa energia para que possa ter para doar. Pessoa, não é porque o sexo é um, um pecado, né? É porque, eh, naquele momento, o corpo tem que estar preparado para outra coisa, né? Precisa dessa energia que vai ser doada no ato sexual para você fazer uma cura. Então, não é porque é impróprio, porque é sujo, nada. A bebida, você se conecta com outros espíritos, abre, né, uma, uma conexão. Então, a gente vai sempre explicando para que traga materialidade, traga responsabilidade para esses médiuns, porque se a gente fala só "não pode", ah, esqueci, né? Não tem problema. Então, entendendo o porquê, isso traz um senso de responsabilidade, e eles entendem que é o porquê dessa energia e por que não se pode. Uhum. É um pouco desse, desse trabalho. É o preparo em termos de resguardo, é isso, né? Como eu falei, a gente toma um banho de erva de Oxalá. E o preparo do espaço, ele não é complexo. A gente lava o chão com, com alfazema, né? Passa alfazema com paninho, bota, tem também um pouquinho da essência de alfazema num, num copinho com água que o freio usa. E é isso. E é os médiuns chegarem. Quem não tem algo específico para fazer, senta, fecha os olhinhos, vai se concentrando, vai se acalmando. Tem um momento de uma leitura para também ajudar os consulentes também a acalmar, né? Nessa questão do, da locomoção até chegar. Então, a gente tem uma médium que faz essa leitura para já começar essa revisão, essa reflexão desse, desse propósito da cura, né? Então, a gente tem uma literatura que é o livro "As Dores da Alma", que a gente tá lendo, pensando nesse processo também do adoecimento, lá da raiz. E aí, eh, começa a sessão para que a gente possa, quem vá fazer os passos, faça os passos, e quem vá para a operação, vá para a operação.
Só tem aqui outros comentários. A Ana Cristina está dizendo: "Olha, acho importante lembrar que a Umbanda sempre trabalha sobre o positivo de ser evidenciado, eh, uma ampliação daquilo que o filho traz dentro de si, sem condenar, sem culpar, né? Isso é curador." Que é aquela ideia de que a Umbanda, ao trabalhar com essência, né, com buscando o equilíbrio, eh, do que nós somos, né? Tentar nos equilibrar com aquilo que a gente é, né? Sem condenar. Eh, o Pedro está dizendo: "Boa noite, bênção dos pais. O trabalho de cura, há possibilidade de algum médium identificar alguma doença que precisa ser tratada para além da parte espiritual? Se sim, como isso ocorre?"
Sempre, né? Como o senhor já tinha falado, a proposta da Umbanda não é substituir o médico, né? Então, tanto no que se refere a doenças físicas como doenças mentais, sempre vai ter essa orientação de fazer o tratamento no espiritual e procurar um médico. Porque abandonar, né? A gente precisa ter responsabilidade, né? Nunca abandonar. Exato, né? Não podemos, sobretudo quando a gente tá falando de doenças mentais, né? Que é hoje a ordem do dia, são as doenças mentais. A gente não pode ser leviano e falar: "Não, olha, você vem aqui, esquece lá o tratamento com psicólogo" ou aqueles que fazem uso de medicações eh controladas. Não, que agora a Umbanda vai... Não, não. Isso é uma responsabilidade. A Umbanda vai cumprir um papel e o médico cumpre o seu papel. Uma coisa não anula a outra. Os dois podem andar juntos. Então, é muito importante que a gente não, não, não, não, não seja leviano, achar que a Umbanda vai curar tudo. Isso não cura. Não cura. Às vezes, de fato, a gente sabe que acontece, né? A pessoa, o médico desenganou uma pessoa e ela, de repente, fica curada. A gente não tem como garantir que alguém vai ser curado, que não vai ser curado. Mas jamais a gente vai ver a espiritualidade dizendo: "Esquece o médico e fica comigo". O único caso que eu já ouvi dizer foi esse caso que a pessoa estava desenganada e aí o guia falou: "Ah, o médico falou que você tem seis meses para morrer, então tá bom, então fica aqui comigo". E isso, quando ele falou isso, já depois já tinha passado quatro, cinco anos. A pessoa realmente passou muito de seis meses. E, mas jamais a gente vai ver um espírito e desdenhando assim do médico. A gente já casos que, que o que a espiritualidade falar: "Olha, procura uma outra opinião, vê se é isso mesmo, vê se essa é a melhor hora de você fazer o determinado tratamento". A gente sabe que isso acontece. Mas sempre submetendo a uma aprovação de um médico. Até porque o médico não, não pode dar orientação espiritual, né? Se o médico falar: "Não, você não é filho de Ogum, você é filho de Oxóssi", aí também não dá certo. Aí ele já tá, tá misturando as coisas também. Exatamente.
Gente, olha, estamos com 1 hora e 1 minuto de de live. Se vocês tiverem mais perguntas para a gente, coloquem aí. Mais comentários. Tem muitos aqui que eu ainda não li. Mais perguntas, fiquem à vontade, tá? Eh, para colocar. A gente daqui a pouquinho já vai caminhando para para as conclusões. Tá sendo ótimo papo. Muita gente falando aqui que tá adorando essa conversa. Se, sim, nós estamos com a média de 40, 43 pessoas aqui assistindo, bastante gente interessada, eh, elogiando vocês, dizendo que eh foram eh muito tocados pelo trabalho de vocês, né? Isso é inspirador. Eu tenho uma pergunta também que eu queria trazer, que nem estava no no roteiro, não, mas já a partir do que vocês falaram, me veio essa pergunta para a gente falar um pouco, né? Como lidar com os adoecimentos contemporâneos, né? Com a ansiedade, com as questões de saúde mental, né? Que aparecem e aparecem para nós, né? Desde da do entristecimento da pessoa, de querer também, eh, tá desanimada, né? Até mesmo algo mais grave, com a ideação suicida, já um algo que realmente necessita de um acompanhamento, eh, para além do terreiro. Mas como é que a gente pode lidar com isso? E levando em conta também essa questão da internet, né? Vocês sendo jovens, eh, eu também me considero relativamente jovem, já quase na casa dos 40, mas ainda jovem, né? Digamos assim, mas a gente lida, né? Com, com esse tempo nosso. E como é que a gente faz, né, meus irmãos? Com os médiuns jovens, como a gente, e diante de tanta informação e desinformação que a gente vê na internet? Enfim, são duas perguntas quase, né? Mas passo a bola para vocês aí para refletirem um pouquinho sobre isso.
Eu acho que é um grande desafio, né? Eu acho que é um desafio para a humanidade, não só para nós dirigentes, mas eu, eu acho que é um desafio para a humanidade da gente estar cada vez se desconectando mais da gente, né? Quanto mais tempo a gente passa, eh, na internet, como a gente já falou aqui, eh, hoje nós estamos usando a internet de uma forma prazerosa, de uma forma útil, né? Trocando, conhecendo, mas quanta desinformação tem sobre a nossa religião, por exemplo? Quantas médiuns chegam na nossa casa ou de outras casas com mais hábitos mediúnicos, mesmo de excesso de bebida, porque quer se desconectar de algo. Eu acho que isso está completamente conectado, eh, com esse adoecimento da terra, né? Da gente estar se desconectando do que é a nossa essência, tá se desconectando da nossa fé. Não é só a fé umbandista, é a fé acreditar em algo, acreditar que alguém olha por nós, que o que há possibilidade de melhoria, que é possível fazer a mudança, né? Eh, eu acho que isso tudo é um desafio, né? A gente consegue observar na irmandade, talvez seja uma realidade que o senhor também encontra na sua casa, a quantidade de pessoas com adoecimento mental, né? E como a gente lida, e cada vez mais jovens, né? Eh, novos, adolescentes. Então, assim, que, que, que a gente tá perdendo dessa humanidade, que, que a gente tá deixando dessa humanidade escapar, né? E a gente, por ser dirigentes jovens, e temos muitos jovens, inclusive adolescentes, que é um desafio para nós dirigentes jovens, como motivar jovens umbandistas, né? Adolescentes, trazer todo esse senso de responsabilidade, de servidão, de entender a responsabilidade. Qual é o seu lugar no mundo? Quando a gente é adolescente, a gente tá tentando se encaixar nesse mundo. E que mundo é esse que você tá tentando se encaixar, né? Então, quanto mais a gente se desconecta da gente, se desconecta do nosso divino, mais a gente vai se adoecendo e mais a gente vai se se desprendendo. Todo e a Umbanda faz esse chamado pra gente, né? Quando os Orixás velhos estão lá falando para se conectar com a natureza, tá se conectando com os Orixás, com a mata, com a praia, com a cachoeira, eles estão chamando pra gente se conectar com a gente. Essa é a nossa força motriz, né? A espiritualidade cobra muito, por exemplo, da gente, quanto tempo a gente passa na tela. Então, não dá para dizer que não dá tempo de você meditar, parar para pensar sobre na tua vida. Se você tem 10 minutos para ficar no celular, você tem 10 minutos para você olhar para você. E com essa aceleração que se tem, né? Dessa, desse processo, né? Desse sistema, capitalismo, que você tem todo o tempo, mostrar servir, mostrar resultado, a gente vai criando uma ansiedade e vai cada vez conectando-se, ouvindo menos. E acho que a cura traz isso, né? Quando a gente tá falando da sessão de cura, que é o silenciar a nossa mente, é a gente silenciar todos esses estímulos e a gente se conectar com o que realmente conecta a gente ao nosso divino, independente da religião, independente da crença que a gente tem, né? A espiritualidade fala muito pra gente a diferença da religião e da religiosidade. Tem muitos que têm religião, mas têm religiosidade. E o que que é essa religiosidade, né? Você pode encontrar lá na Umbanda, você pode encontrar no catolicismo, na igreja evangélica, mas é importante você encontrar. Você, você não pode não ter nada, você é um ateu, mas ter religiosidade, né? Você tá nessa busca, tá nesse, nesse empenho de se conhecer, de se respeitar, se conectar, se conectar com o divino, se conectar com os pontos da natureza. Então, isso é um grande desafio que a gente tem enfrentado, acredito que o senhor também esteja enfrentando, que outros pais de santo também dirigem, como pais na, né? Como nesse lugar, né? Nessa, nessa vida que cada vez mais coloca a gente nesse aceleramento, né? Que tem, que tem que ser.
É, sim, perfeito. O Pai diz uma coisa que eu acho interessante, que ele fala assim, que cada vez mais o homem está virando máquina e a máquina está querendo virar homem, né? Ser humano. Eh, eu acho interessante isso, né? Porque ele fala muito assim: "Vocês estão se tratando e sendo tratados como máquina, em segundo dele, como autômatos, né? Eh, o meio de produção, vocês têm que chegar no fim do dia e produzir não sei quantas coisas, e é isso que se mede o valor de vocês atualmente". Eh, e isso gera uma desconexão muito grande da gente da nossa humanidade mesmo, né? E, e do mundo como todo, no sentido de, né, a espiritualidade, ela fala muito sobre essa integração com todo. Não é à toa que a gente vê o mundo colapsando, né, em termos de meio ambiente. Eh, e, e eu acho isso tão interessante. Isso converge com a Umbanda, porque, no final das contas, a gente vê que quem está certo são os povos originários, são esses que já estão aí, ó, há muitos e muitos mil anos, e souberam conviver em harmonia no mundo. E não só com harmonia ecológica, né, mas um meio de vida saudável como um todo. E, de fato, isso é uma, uma sina que veio muito mesmo da civilização ocidental, mesmo, né? Do, do homem europeu que colonizou o mundo inteiro, submeteu a sua forma de ver o mundo. Eh, e, e aquela brincadeira que todo mundo fala: "Ah, devolve o Brasil pros índios que dá tudo certo". E, e os indígenas são quem sabe mesmo o que tinha que fazer. Então, eu acho também que, falando do da internet, a Umbanda, a Umbanda, ela precisa estar um pouquinho na contramão de algumas coisas do do mundo digital, porque se ela aderir completamente, não é que não seja louvável, e é maravilhoso seu trabalho, como de tantos outros pais de santo que a gente adora, o Pai Felipe, o Pai Caitano, o pessoal do Cuca também, nossa, a gente segue e indica vários canais do YouTube, tem várias páginas do Instagram que utilizam esses meios para propagar coisas boas. Mas a, a, a visão geral disso é só essa exposição do ego, né? E exposição do espírito de coisas positivas. E a gente precisa, de verdade, conversar sobre isso, né? A gente, na nossa casa, a gente é bem fechadinho, até porque senão a gente não consegue atender todo mundo, né? Nossa casa é bem pequena, até hoje são três médiuns dando consulta, então o nosso número é bem reduzido de atendimentos. Eh, mas a gente, a princípio, não tem essa, essa vontade de uma exposição muito grande, até para proteger os médiuns deles mesmo, né? Porque a gente percebe que se começa muito a exposição, as pessoas já começam a se desligar do do trabalho espiritual e se conectar no fenômeno, né? Naquilo que se vê. Eh, isso é uma, uma coisa também está associada às doenças mentais, né? Porque todas essas doenças mentais, elas não deixam de ser doenças do ego, né? Então, a ansiedade, ela é uma doença do ego, a depressão, e tantas outras coisas. Que não é por isso que a gente vai julgar a pessoa que passa por isso, mas é compreender essas raízes que, logicamente, elas afetam o nosso espiritual, né? Mas isso é fruto desse mundo imediatista, de pouca profundidade, de falta de propósito na vida das pessoas. E é muito raro a gente encontrar um propósito extremamente profundo na rede social, né? A rede social, ela vai fazer, no máximo, assim, um, uma lanterninha aqui para te lembrar que tem alguma coisa legal no teu feed para você buscar na sua vida real, porque a vida real não é a vida da rede social. E, apesar de sermos dirigentes jovens, né, eh, nós somos muito rígidos, né? Né? Com, por exemplo, não é permitido nenhuma sessão que aconteça dentro do terreiro, que a gente, na maioria acontece dentro do terreiro, ser filmada, fotografada. Não se sobe pro segundo andar com nenhum celular, e se subir, precisa pedir autorização para Vovó. A única sessão que é permitida fotografar, por exemplo, é a sessão que é feita na cachoeira, lá no Parque Ecológico dos Orixás, que é a sessão de batismo. A única que não acontece dentro da dependência do terreiro. Todas as outras sessões não é permitido, porque se entende que você quer se desconectar de fora, né? Que você vai estar ali, é 5 minutos, 5 minutos, já foi e não volta mais. E também, então, apesar de sermos dirigentes jovens, as regras são muito rígidas e por conta de determinação da espiritualidade. Espiritualidade é coisa séria e precisa ser levada a sério. Então, é importante, muitas das vezes, a gente prestar atenção o que que leva a gente estar ali, né? A gente está andando com o Divino, com o Divino. Posso estar com o celular, me distrai, me leva para um outro caminho. E o senhor perguntou também sobre os trabalhos, né? A gente tem um trabalho específico na casa, diante da crescente, né, de de pessoas que têm questão, sobretudo de suicídio. Não sei se isso é uma realidade do senhor, mas isso chega muito para a irmandade, com pessoas com questão de suicídio. Existe um trabalho específico que é feito na linha com os Pretos Velhos, que é para cuidar do ori da pessoa. Claro, não descartando e aconselhando o atendimento e o acompanhamento psicológico. Então, faz esse trabalho na linha dos Pretos Velhos, mas se estimula que a pessoa busque ajuda psicológica e psiquiátrica. E sobretudo, esses, esses, né? Essas doenças mentais, elas precisam de muita conversa, né? Não tem milagre, conversa. A pessoa olhar para dentro, enfrentar suas dificuldades. Nesse ponto, talvez seja um dos motivos que chegue tanto você, uma de Preto Velho, que gosta de falar, tão, talvez seja por isso.
É, não sei se é a realidade, eh, não é assim, sim, a gente vê esse processo realmente de, de um adoecimento social, né? Adoecimento social, eh, por esse tempo, né? Que a gente vive. E eu acho que é, que é uma demanda que vem pros nossos terreiros, e a gente tem que se capacitar sobre isso, né? Em que sentido que eu digo? Não é só fazer curso, não é, não só buscar, eh, formação, não é a gente refletir, refletir sobre essas questões, a gente conversar, trocar experiências, né? Saber que a gente não sabe tudo, né? Ter essa consciência e ter esse constante, esse constante diálogo, mesmo, acho que, que, que é o caminho, né?
Gente, tem muitos comentários que eu vou colocar aqui. Olha, alguns. A Tatiana está dizendo: "Excelentes explicações, amando aprender mais além do que já aprendemos na prática e nas doutrinas da irmandade." Tem uma pergunta. Tem algumas perguntas. Eu vou aproveitar aqui, colocar também para a gente responder. A Júlia está dizendo: "Estou adorando conhecer mais sobre a Umbanda, sempre aprendo muito com Mãe Suel e Pai Guilherme. Parabéns pela iniciativa." Para Felipe, obrigado, minha querida. Tem uma pergunta dizendo: "Como funciona o tratamento de pessoas em dependência, vícios? Na cura, elas podem ser atendidas na sessão de cura mesmo sem cumprir os preceitos?"
É nesse caso, não, não é o tratamento mais indicado para essas pessoas, porque ela não vai conseguir absorver essas vibrações. E a gente não gosta de negar um atendimento. Vamos dizer, tem um número limitado de consulentes por consulta. Eh, mas se vier mais gente, às vezes as pessoas batem lá, eh, ou tentam pegar uma desistência, elas vão tomar um passe. No caso da cura, essa pessoa vai ter que ser atendida por último. Só que ela precisa ter em condições mínimas, né? Uma pessoa que chega completamente alcoolizada é diferente de uma pessoa que fala assim: "Ai, ontem eu bebi, eu não aguentei, eu bebi". Aí a gente vai dizer assim: "Olha, você vai ser atendido último, porque as outras pessoas fizeram resguardo, se prepararam. Não tem como a vibração dela atrapalhar". Mas a gente sempre vai olhar muito para essa ótica do que que a pessoa vai estar apta a receber, porque senão não adianta, né, enxugar gelo.
Então, talvez para essa pessoa, o que que é o tratamento mais indicado? É um descarrego, é um outro trabalho, às vezes é até mesmo fazer um ebó pros exus dela para fortalecer ela e os exus para ajudar ela a ter força para sair do vício. Às vezes é um trabalho de cabeça que se faz para fortalecer os pensamentos dela. Eh, mas talvez não seja o caso da, da, do tratamento de cura. É também, acho, acho que, e, e para em geral, né? Eu acho que para qualquer atendimento no terreiro, atrapalha, né? A pessoa chegar num estado que, naquele momento ali, tendo feito o uso de substância, seja ela a bebida, seja ela, eh, droga, né? Eu acho que, que atrapalha. Se, pela experiência, né, que eu, que eu já vivi, pelas experiências que eu já vivi, eu acho que isso atrapalha, porque a pessoa está num estado alterado, né? Eh, isso vai prejudicar.
Tenho a, o Pedro tá dizendo aqui: "Muito obrigado pela explicação, muito bom acompanhar esse papo tão esclarecedor". A Cristina tem uma pergunta: "Ação, meus pais podem falar sobre a visão de vocês sobre a questão do sincretismo da Umbanda?". Aí ela, eh, numa outra, num outro comentário, ela disse que é uma questão que geralmente gera polêmica, né? E realmente é uma coisa que a gente sempre toca nesse assunto, né? Sim. Eh, é polêmico, sim, mas pela visão que nós temos da casa, não podemos dizer que não tem sincretismo. Eu recebi uma missão de Nanã Buruquê, o nome da casa é Irmandade Senhora Santana, já tá todo o sincretismo aí, né? Uhum. Eh, é uma casa de preto velho que tem muita devoção aos santos católicos. Aprendeu num ato de resistência, né? A vovó fala isso. Ela é uma vovó de Iemanjá que aprendeu a amar Maria, aprendeu a amar Nossa Senhora, assim como ela aprendeu a amar e a Iemanjá, aprendeu da mesma forma que ela aprendeu a amar Oxum, ela aprendeu a amar Nossa Senhora da Conceição. Então, existe para ela essa conexão que é impossível dela desconectar, né? Ela tem devoção também, mas ela entende que Iemanjá é Iemanjá e que Nossa Senhora das Navegantes, Nossa Senhora da Glória, Nossa Senhora da Glória. E ela não faz distinção na fé que ela vai depositar em cada uma delas. E ela traz muito também da importância, muitas das vezes, no trabalho de desobsessão que na casa, para espíritos que precisam acreditar em determinados tipos de reza, como uma forma dela fazer o encaminhamento. Então, ela não abre a possibilidade de ter, por exemplo, no gongá, imagens católicas, porque ela entende tanto da importância da, da reza católica. A linha de cura é toda católica, inclusive com cantos, às vezes até católicos de igreja católica mesmo. A, a oração, a reza que a gente faz no final pro Frei subir, é um canto católico. Então, tem muita ligação católica. Isso é algum, em algum ponto, uma resistência para pessoas que entendem da, da questão, que fazem uma questão de, de, de falar do embranquecimento da Umbanda, então é ver representado ali os santos católicos, ter nome do pai, nome do filho, é uma questão. Mas é uma questão que a espiritualidade na Irmandade não abre mão, porque ela entende que faz parte desse, dessa fé. O Pai Guiné também é, é um preto velho que tem muita fé na Nossa Senhora do Rosário e as Santas Almas Benditas, entendidas que é um culto católico, né? E eu acho importante, assim, a gente colocar que o sincretismo, eh, existe o sincretismo dos Orixás com os santos católicos, mas o sincretismo, ele, na verdade, ele vai muito além disso, né? Eh, o, o, o lá em África, na Nigéria, já usava Gu com Fá, com Eá, e tanto os outros, os Orixás com os Voduns. E aqui mesmo acontece isso também com os Inquices. Então, eh, é lógico que a gente compreende um contexto de escravização, de dominação, como, como forma de, de sobrevivência. Mas hoje, a gente pode também entender o sincretismo como uma ponte, muito mais do que como uma, uma opressão, né? E isso, na verdade, é uma, como eu falei, né, dos africanos e tudo mais, eh, o, o ser humano, ele é sincrético, ele cria associações, assimilações, né? O senhor gosta das estrelas bastante, então você olha pro, pra estrela, fala: "Ah, aquilo ali parece um, um animal". Então, é a constelação do animal X. São as associações que o ser humano vai criando, né? Isso faz parte da humanidade. E não se, não existe a religião que nasce do nada, por combustão. Não, isso não existe, né? O, veja aí que o, o, o, o Cristianismo veio do Judaísmo, Islam. Então, as religiões, elas vão conversando, porque elas são manifestações culturais também. Então, é, é importante a gente ter essa, esse entendimento. E é importante, obviamente, a gente combater o racismo na Umbanda, ponto. Mas eu entendo que são duas coisas diferentes. Pra gente, São Jorge não é Ogum, Ogum não é São Jorge. Como a gente falou, São Francisco é São Francisco. E assim vai. E lógico que outras pessoas são livres para, para ver de outras formas, discordar. A gente só não precisa, dentro da Umbanda, das igualdades de um, né, colocando o dedo na cara do outro, porque senão nós mesmos não temos união dentro da nossa religião. Sim, perfeito. Eu acho que a gente tem que discutir esse tema, né, de forma, como vocês falaram, e, e de forma transparente, eh, sem apontar, né? Eu acho que hoje tem um movimento de, de esgarçamento, né, de, de tensionamento, que acaba, eh, indo pro caminho de desunião na Umbanda, né? Ah, essa Umbanda é assim, aquela não é assim, né? E acaba isso gerando uma, uma, um conflito inter-religioso, né? Uma tendência a, a esse, a essa intolerância, inclusive, inter-religiosa. Essa questão do sincretismo é uma questão muito complexa, né? Como o Pai Guilherme disse, ela antecede o sincretismo no Brasil, né? Porque você vê em África, a gente já tem já tinha, eh, a figura de Santo Antônio, né? Já tinha dentro, eh, do Congo, né, a presença de Santo Antônio ali, num entrelaçamento com trabalhos de demanda, de quebra de feitiçaria, de enfrentamento, né? É um santo de demanda, iro, e que vai ser trazido pra Umbanda na figura, né, de Santo Antônio de Bemba, né? Que, que chefia batalha. Então, isso tá, isso vem de África também, né? Esses entrelaçamentos. É importante a gente fazer essa pontuação, né? Que, que o Pai Guilherme e Mãe Suelen fizeram, de que Orixá é Orixá, Santo é Santo. E eu sempre me reporto assim, aqui na nossa casa, quando me faz essa pergunta, assim, né, e, e como qual é a visão da casa, né? A visão da casa é seguinte: eu acho que dentro da espiritualidade Banto, né, que a Umbanda, ela tem a raiz Banto, eh, o Banto, ele, Congo, Angola, né, o povo Bacongo, Zambo, eles bebem em diferentes fontes, né? Então, se ele se apega a Ogum, porque Ogum vai abrir os caminhos, ele traz o Ogum para dentro de casa. Mas se São Jorge é o santo guerreiro, ele bota também nessa mala. Então, ele não, ele não se preocupa muito assim nessa questão de, eh, de um ou outro, né? Ele quer os dois. Então, a espiritualidade Banto, ela é assim, né? É uma espiritualidade da soma, né? Aonde eles iam, eles iam absorvendo o culto dos ancestrais da terra. Por que que o, por que que na Umbanda tem Caboclo? Porque eles chegaram aqui e viram que antes eles tinham que venerar os ancestrais daquela terra, porque aonde eles chegavam, eles bebiam, eles, eh, absorviam o culto daquele que, daquele de onde ele chegava. Então, eles absorveram o culto do Caboclo. Ou seja, né, cabe São Francisco, cabe, cabe Ogum, cabe São Jorge, cabe Jesus, cabe Oxalá, cabe. Pelo menos dentro de uma, dessa visão, né? Como Mãe Suelen disse, se, se não cabe dentro de uma outra casa, a gente vai respeitar, né? A, a Umbanda, ela tem que, ela tem que se respeitar as diferentes vertentes, linhas, tradições, escolas. Respeitamos, né? E, e, mas eu, eu vejo por esse lado, né? Eu vejo pelo lado da necessidade de, como Pai Guilherme disse, de combater o racismo religioso, né? E de distinguir, né, de rememorar a história do Orixá, a história do Santo. Orixá é Orixá, Santo é Santo. Mas eles conversam, né? E, e dentro da espiritualidade Banto, eles dançam juntos, gente. É o que, é o que, pelo menos, né, isso que enriquece a Umbanda, né? Não é que quando a gente fala da nossa religião, não é essa pluralidade, não é uma que não encaixa, né? Como que a gente vai conseguir, dentro do que, o que caracteriza a nossa religião, para além da prática da caridade, do amor, da doação, mas não é essa a pluralidade de todos os espíritos serem convidados? Por que que na hora do sincretismo isso vai dar também? E por que que a gente se ataca, se a gente tá falando da mesma fé? É, né? A gente perde tanto isso, quanto praticante da mesma fé, em vez de se ficar respeita o outro. O outro faz diferente na minha casa, não é assim, mas o respeito que naquela casa é feita dessa forma, e tá tudo bem. Sim, acho que é por aí, gente. Olha, estamos com mais de 1 hora e 40 minutos de live. Agora, de verdade, vamos caminhar para o fim. Apesar de ter, quando eu falei lá atrás que ia terminar, várias pessoas disseram: "Não, não acaba, não acaba". Mas amanhã é segunda-feira e nós temos que trabalhar, né? Mas tá sendo ótimo papo. Quero agradecer vocês, agradecer a vocês que estão assistindo, esses 46 pessoas, 48 que já estiveram aqui, né? Muitos entram e saem, mas a gente sempre teve uma média aqui de 46, 43 pessoas online assistindo, comentando, interagindo. Faça o convite novamente para se inscrever no nosso canal, tá? Para acompanhar outros vídeos. Eh, também curtam essa live, tá? Porque ajuda, né, o algoritmo do Facebook a mostrar para a pessoa que esse assunto interessa, né? Compartilhem também para seus irmãos de fé, para pessoas que possam se interessar por esse trabalho, né? A gente faz outras lives também. Hoje, finalmente, estou fazendo com os queridos amigos Mãe Suelen e Pai Guilherme. São pessoas que eu admiro, que eu sei que têm um trabalho sério, correto. A gente, como eu falei lá no início, tem uma identificação mesmo pela história, né? Porque a gente tem um, uma faixa etária próxima e um terreiro também que se reconhece na humildade, na simplicidade, né? Inspirada por São Francisco de Assis, como vocês disseram. E que a gente tem muito que aprender. Eu sempre falo isso, a gente, eu sei nada, eu sei muito pouco, né? Eu tenho 17 anos de Umbanda, né? Eh, danço terreiro, esse ano completou 7 anos de, de fundação. É uma criança nascendo, caminhando, engatando. E temos muito que aprender. Claro que a gente também tem que se orgulhar da nossa história, né? Defender, como Mãe Su, diz, somos rígidos, precisamos realmente bater nessa tecla. Tem que ter preceito, tem que ter, eh, fundamento. Umbanda tem fundamento, né? A gente tem que falar isso sim, né? Porque a gente é novo ou jovem ou, né, que a gente vai abrir mão disso, né? Mas é muito bom estar aqui com vocês, minha gente. E quero caminhar, né, pro fim, né? Para vocês fazerem o encerramento. E aí, como eu já comecei a me despedir, muita gente aqui veio agradecer. A Mônica dizendo: "Muito obrigado por compartilharem, foi enriquecedor". Mãe Lícia, Alícia, minha esposa, né? Mãe Pequena aqui na nossa casa, tá dizendo: "Uma live muito esclarecedora e muito bom conhecer um pouco mais o trabalho da Irmandade Nossa Senhora Santana". Alícia tem um carinho também, porque ela é filha de Nanã. Ah, raríssima, joia rara. É, é joia rara, é difícil encontrar, né? E ela é mesmo. Ótimo papo, né? Muita gente aqui, eu não vou conseguir agora mostrar todos os comentários, mas muita gente agradecendo. Regina tá dizendo aqui: "Opa, deixa eu botar o comprometimento deles é imenso com a Umbanda, eu posso confirmar. Beijo, gente". Eh, vou passar a palavra para vocês para vocês, eh, fazerem o fechamento. Quiserem falar mais alguma coisa, viu? Sem pressa, falem o que vocês quiserem. E quero agradecer também pelo carinho de estarem aqui, dividindo seus saberes, sua experiência, sua caminhada de vida, né? Que é muito importante para nós. Começar, pois, a gente queria agradecer primeiro o senhor e a gente tem um carinho imenso também por, pelo senhor, pela Mãe Lícia, eh, pela sua casa como um todo. Assim, a gente não esquece mesmo o dia que a gente teve aí presencialmente. Assim, foi, foi muito rico, foi, foi um afago, assim, que a gente estava precisando. E a gente espera que tenham, além da gente poder se visitar, que ano que vem, com certeza, a gente vai conseguir, mas que tenham também eventos como aquele. Aqueles encontros são preciosos mesmo. E, e eu sou, eu sou fã mesmo do seu trabalho. Eh, eu tenho muita afinidade mesmo com, com o senhor. Eu adoro pesquisar as coisas do seu trabalho. Se muitas coisas que eu não consigo nem parar para ali, o senhor traz com uma riqueza nos seus vídeos. E eu sugiro a todo mundo que está assistindo aqui que assista, realmente, todos os vídeos do Pai Luiz Felipe. São muito ricos, são muito sérios, são frutos da vivência dele e de pesquisa mesmo. Que eu acho que é bacana quando a gente vê a espiritualidade também se cruzando com fato histórico, né? Isso enriquece tanto assim, eh, a nossa vivência. Eh, e eu agradeço muito mesmo essa oportunidade. Assim, a gente se sentiu honrado com esse convite. E foi uma troca muito gostosa, porque a gente tá falando do que a gente ama, né? Todos nós aqui, todo mundo que tá assistindo, eh, na sua casa teve trabalho ontem, na nossa também. Então, tá todo mundo se recuperando de trabalho espiritual, né? Recuperando o que eu digo, do cansaço, mas feliz aqui, animado, participando. E é isso que é a nossa Umbanda, né? Eh, são esses encontros, eh, é a gente ter amor mesmo pela nossa religião, porque, eh, a gente não é, não é assim, ah, eu nasci na Umbanda, então eu sou umbandista. Não, só se denomina umbandista quem é praticante mesmo, né? Então, é opção de vida a gente seguir essa religião e poder colocá-la adiante. Então, a gente ter também, como a gente falou, num meio desse da internet, um espaço para falar de coisas boas, a gente fica muito feliz. A gente se coloca aqui realmente com muita humildade. Eh, nós estamos sempre aprendendo. Nós tivemos uma história, uma escola. Eh, eu agradeço a todos com quem nós aprendemos. Infelizmente, muitos já não estão aqui nesse plano, né? E a gente reverencia como os nossos mais velhos, como ancestrais. E são a esses também que a gente pede a força para poder sempre caminhar, para levar a nossa religião adiante com dedicação, com esmero, com amor, que a gente possa servir sempre a espiritualidade e aos nossos irmãos e aqueles que, que vêm nos buscar. Eh, e que nós possamos ter mais encontros, viu, Pai Luiz? Seja, já estão pedindo mais aqui, gente. A gente vai ser um prazer, porque marcar outro dia, outro tema. A gente aprende mais do que a gente fala, então, assim, é muito bom. Então, para eu não ficar muito longo aqui, muito obrigado. Essa é, é a minha palavra aqui final. É também, acho que as minhas, as palavras que o Pai Guilherme falou, pra gente é uma gratidão. Tá, poder compartilhar a nossa Umbanda, falar sobre Umbanda, trazer esse frescor também diante de tantas, eh, adversidades que a gente passa quando a gente fala e defende a nossa religião, né? Eu acho que a gente, enquanto umbandista, falar sobre a nossa prática, né? E não deixar que outras pessoas falem por nós sobre o que a gente pratica. E que a gente possa ter ainda mais, mais momentos como esses, que a gente possa trocar, crescer, eh, compreender, né? Como que funciona numa outra casa, como funciona na nossa casa. Eh, é muito enriquecedor. A Umbanda, ela é essa junção. E a gente não pode esquecer, enquanto dirigente, que precisamos motivar essas moções para que possamos juntos, enquanto religiões, irmãos de fé, poder combater todos os tipos de racismo, intolerâncias que possamos passar dentro da nossa casa, que esperamos que não passemos, mas também fora dela. Eh, para mim, foi uma honra, em nome da Irmandade Senhora Santana, eh, estar aqui falando com o senhor. Obrigada a todos os filhos do senhor também que puderam estar aqui compartilhando também dessa live. E tenho certeza que é a primeira e de muitas, de muitos encontros virtuais e presenciais que teremos. Muito beijo. É bênção, Mãe Suelen, Pai Guilherme. Que toma a bênção da Vovó, da Preta Velha Francisca, de Pai Guiné, dos Caboclos que tomam conta de vocês, dos Exus, Pombagiras, Ciganos, Mestres do Oriente, Médicos do Astral, toda a espiritualidade que acompanha essa Irmandade. E que vocês continuem sendo a Irmandade no melhor sentido dessa palavra, né? Nesse sentido histórico de, de resistência e de união, né? Porque a irmandade lá atrás, né, era isso, eram pessoas que se uniam no propósito para se libertarem, para um ajudar o outro. E, e é isso que vocês estão fazendo hoje no século XX, né? 2024, batalhando aí para levar a Umbanda nesse pontinho de luz que é a casa de vocês. Peço a bênção à Mãe Rosana, que estava assistindo, ao Pai André Salerno, lá de Conrado, Miguel Pereira, à Mãe Débora, à Mãe Regina, né, que vocês falaram, e outras pessoas mais que passaram por aqui. Muita gente bacana, muitos filhos de vocês. Eu mando um abraço enorme para vocês, filhos e filhas da Irmandade. Quero muito conhecê-los, se Deus quiser. A gente tentou ver se conseguia fazer esse ano o encontro, mais final de ano, brincando, né? É ladeira abaixo, né? Vem novembro, dezembro, é, é difícil marcar, né? É muito trabalho, é amacia, é trabalho para fazer encerramento. Então, a gente não conseguiu esse ano. Mas se Deus quiser, quero visitá-lo sim, né? É uma casa que passa uma energia muito boa, que é ao mesmo tempo de, de estudo e de comprometimento, né? Com, com a casa, com a Umbanda, com, com a espiritualidade. Muito obrigado, vocês, meus irmãos, por, por terem aceitado, né, estar aqui, aqui conosco. E que o caminho de vocês seja sempre iluminado, viu? Muito obrigado mesmo, mesmo. Uma boa noite aí para todos. A gente agradece. Sua bênção. Serão todos muito bem-vindos, senhor e seus filhos. Muito obrigado. Achei.