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Me atenda. Nefrose é um conjunto de sinais e sintomas que aparecem decorrentes de lesões glomerulares primárias ou até mesmo de doenças sistêmicas. Se você quiser saber um pouco mais sobre esse quadro, fica até o final do vídeo. Vem comigo para mais um vídeo do quadro Medicina Resumida.
Antes da gente continuar o vídeo, eu só quero lembrar vocês que curtam o vídeo, se inscrevam no canal e até mesmo compartilhem esse vídeo com seus colegas. Compartilhamento ajuda muito na divulgação; dessa forma, a gente continua mantendo as atualizações constantes do canal. Não se esqueça daquele comentário aqui embaixo também, muito importante. Eu adoro ler os comentários de vocês. Mas vou deixar o vídeo, vou lá.
A síndrome nefrótica, ela vai se caracterizar por uma penca de sintomas clínicos e sinais laboratoriais que começam com uma proteinúria maior que 3,5 g em 24 horas. Que por conta dessa perda de proteína pela urina, a albumina sanguínea, que é uma das principais proteínas, acaba diminuindo, o que leva a uma hipoalbuminemia. Porco o fígado, ele tenta compensar a perda de proteína produzindo mais proteínas; no entanto, acaba produzindo também mais lipoproteínas, o que acaba acarretando uma hiperlipidemia. Decorrente dessa hiperlipidemia, o paciente também começa a urinar essas lipoproteínas; isso leva a uma lipidúria. Por conta dessa perda constante de proteína pela urina, a pressão oncótica plasmática acaba diminuindo, e isso faz com que o plasma sanguíneo extravase para o interstício de vários tecidos, levando ao edema generalizado no paciente, o que a gente conhece como anasarca. Estão vendo umas imagens aí de anasarca que aparecem até mesmo na face dos pacientes.
Além disso, pela perda de imunoglobulinas na urina e complemento, o paciente acaba tendo maior risco de infecções. Por perder muito antitrombina na urina também, o paciente tem maior risco de desenvolver trombose e até mesmo tromboembolismo pulmonar. A osteomalácia também pode aparecer pela perda da proteína ligadora de D.
Quando a gente vai fazer análise inicial desses pacientes, é importante a gente solicitar alguns exames; por exemplo, a urina tipo 1 é importante para a gente avaliar a presença ou ausência de sedimentos urinários. A proteinúria na urina 24 horas também é muito importante. Tem disso, a gente também pode solicitar uréia, creatinina para ter uma noção da função renal; o perfil lipídico para a gente evidenciar se existe ou não a hiperlipidemia; e a gente pede também um hemograma para a gente evidenciar se existe leucocitose ou até mesmo já alteração nas plaquetas.
Nós podemos também solicitar alguns exames complementares tentando encontrar causas secundárias; por exemplo, dosagem de glicemia, importante para a gente descartar diabetes melito tipo 1; a dosagem de ANCA para a gente descartar vasculites e até mesmo anti-MBG para descartar doenças como a Goodpasture. Se você quiser saber um pouco mais sobre esses dois anticorpos, eu vou deixar um card em cima sobre o vídeo que eu gravei de síndrome nefrítica; lá eu expliquei bem cada um desses dois anticorpos. A gente também pode solicitar dosagem de FANA, anti-nuclear para descartar lúpus; dosagem de crioglobulina; sorologia para Hepatite B e C também devem ser solicitadas. Também pode ser solicitado o complemento sérico que pode estar aumentado ou normal. Dependendo do resultado, a gente vai ter algumas causas prováveis. Eu vou deixar uma tabela aparecendo para vocês para vocês verem as causas de complemento sérico aumentado e complemento sérico normal nesse quadro.
Em caso da gente não identificar nenhuma causa secundária, a gente deve pedir uma biópsia renal para evidenciar qual é a doença glomerular que esse paciente possui. E nós, na parte das primárias que a gente vai avaliar nessa biópsia renal, a primeira causa é a doença por lesão mínima, também conhecida como doença de minimal change ou até mesmo nefrose lipóide. Essa doença é a causa mais frequente de síndrome nefrótica em crianças. Ela afeta mais meninos do que meninas; para cada dois meninos, ela acaba afetando apenas uma paciente feminina. Quando a gente fala em adultos, ela também afeta adultos, só que é mais frequente ela afetar idosos, só que não existe predileção por sexo nessa idade. Quando a gente olha o microscópio óptico, a gente encontra um glomérulo que pode se encontrar normal ou até mesmo com uma pequena expansão glomerular; daí o nome doença por lesão mínima. Quando a gente olha o microscópio eletrônico, a gente pode evidenciar uma fusão e apagamento dos processos podocitários; isso acaba causando uma alteração no filtrado, permitindo que substâncias de carga elétrica negativa, que normalmente não são filtradas, acabem sendo filtradas pelo glomérulo; que isso causa uma predileção por essas substâncias e a albuminúria acaba aparecendo. Essa doença ela pode estar associada ao uso de fármacos, como, por exemplo, os anti-inflamatórios não hormonais, a alfa-interferona, o lítio e o ouro. Também pode ser causada por alergias ou mesmo por linfoma de Hodgkin.
Além dos sintomas clássicos de síndrome nefrótica, o paciente com essa doença pode manifestar asma, eczema, uma hipotensão arterial e até mesmo uma. Em vinte por cento dos casos, é importante a gente perceber que a hematúria é um sinal característico da síndrome nefrítica, mas a hematúria pode aparecer junto com esse quadro; por isso é importante a gente ver o quadro como um todo e não focar só em um sintoma e já dar o diagnóstico. Isso pode, muitas vezes, dar um diagnóstico errado e a gente acaba tomando uma conduta errada também. Quando a gente fala de tratamento, a gente tem que começar um tratamento de suporte, usar prednisona nesses casos e, quando ela não é suficiente, a gente pode adicionar ciclofosfamida associada a este corticoide. Muito importante entender que, pela doença ser de lesão mínima, muitos casos evoluem de forma normal; então, o paciente acaba tendo uma resolução espontânea do quadro sem mesmo nenhum tratamento indicado.
Segunda causa de síndrome nefrótica é glomerulonefrite com necrose focal segmentar. Essa doença se caracteriza por lesão focal nos capilares glomerulares e também por lesão segmentária nas alças capilares do glomérulo. Às proteínas, essa doença ela não é eletiva, ou seja, é apenas a albumina que vai ser perdida neste quadro. Então, a gente vai estar urinando vários tipos de proteína, como citei anteriormente; a perda de imunoglobulinas também pode acontecer. Essa doença é um pouco mais grave que a anterior. Ela não é uma doença de lesão mínima; então, o paciente ele pode se apresentar com hematúria e também hipertensão, que aparecem em cinquenta por cento dos casos. Esses pacientes também podem estar diante de uma diminuição da função renal logo no início do quadro, mas a maioria dos pacientes evoluem para uma diminuição importante de função renal dos cinco a dez anos posterior ao quadro. Essa doença ela também não avança e melhora naturalmente; ela precisa sim de tratamento.
A terceira doença que pode causar uma síndrome nefrótica é conhecida como nefropatia membranosa. Era chamada desse jeito porque nós temos uma alteração na membrana basal glomerular; ela acaba engrossando. É muito importante entender que a lesão primária ocorre diretamente nos podócitos; e, daí, a alteração podocitária, a membrana basal começa a engrossar e leva o nome de nefropatia membranosa. A nefropatia membranosa é a causa mais frequente de síndrome nefrótica em pacientes não diabéticos. Nessa doença, a gente não encontra nenhuma alteração de complemento sérico; no entanto, a gente encontra o depósito de imunoglobulina G e complemento C3 no glomérulo. O paciente, além dos sinais de síndrome nefrótica característicos, desse paciente pode apresentar uma proteinúria desde subnefrótica, ou seja, menor que 3,5 gramas ao dia, até uma proteinúria bem elevada, chegando aos 20 gramas por dia. O paciente ele também pode se apresentar com função renal preservada e normotenso, o que acontece em setenta por cento dos pacientes aproximadamente. Quando a gente vai tratar esses pacientes, a gente acaba tomando a seguinte conduta: anti-hipertensivos, como o IECA e BRA, para os pacientes que têm quadros de hipertensão; isso ajuda a diminuir a proteinúria do paciente; diuréticos para o controle da anasarca; isto é, o controle da dislipidemia; e uso de anticoagulantes para evitar que haja trombose, citada no início do vídeo.
Existe também a glomerulonefrite membranoproliferativa, que também é uma das causas de síndrome nefrótica; no entanto, ela não é propriamente uma doença, ela está mais associada a um conjunto de patologias e alterações também. No entanto, como ela é muito longa, a gente não vai entrar muito nesse tema aqui no vídeo; vou deixar ela para um próximo vídeo.
Eu espero que vocês tenham gostado do vídeo. Pessoal, vocês perceberam que a síndrome nefrótica, ela não é uma patologia de sete cabeças; ela é apenas um conjunto de sinais e sintomas que podem ser causados por várias doenças glomerulares e até mesmo sistêmicas. Se vocês ficaram com dúvidas, vocês podem mandar nos comentários aí; vou estar respondendo sempre que possível. Eu vou ficando por aqui. Não se esqueçam que conhecimento é poder. Tchau, tchau. [Música] E aí? E aí? [Música]