Transcription
Quando o Ciro começa a crescer, ele vai lá e faz uma campanha de destruição, de reputação do Ciro.
Quando a Marina tava em primeiro lugar na eleição, ele vai lá e coloca na televisão uma propaganda dizendo que a Marina, por defender a independência do Banco Central e por ter um vice-empresário, quer que o povo morra de fome, coloca o prato vazio lá. Inclusive a própria Marina dá entrevista pro Roda Viva dizendo que o PT inventou as fake news. Ela falou aqui também quando ela veio aqui. Pois é. Aí depois ela vai lá se submete ao governo do PT e aí acontece o que aconteceu agora. Aí aí ela chega e passa aquele constrangimento do Senado com o líder, o líder do PT, senador Jaques Wagner, do lado dando risada com o senador bolsonarista. Pois é.
Então assim, nem a própria base, nem a própria base do governo, que não é que a base do governo não foi, porque eu sei como é ministro fraco do governo. Vai, por exemplo, vai uma Margarete Menezes, que é ministra da cultura, vai um pessoalzinho do PC do B, vai uns caras mais ligados à cultura do PT, mas assim, articulador político e grande debatedor do PT e da esquerda, não chega lá para defender a Margarete Menezes. É uma ministra, vai o ministro da CGU, não vai grandes defesas. Então, primeiro assim, ela tá completamente desprestigiada, né, lá dentro. Mas o que eu quero colocar, esperava que pelo menos o, os governistas iriam defender ela, ia defender. Então, mas assim, largaram porque assim, os próprios, os outros ministros do governo discordam da visão dela. Ou porque ela é vista como ameaça ainda ou não? Não, não é mais vista como. Ela tá destruída, coitada, ela mal ganhou eleição pra deputada.
E por que então? Porque ela tá defendendo que é o porque ela defende que não seja explorado, né, dentre outras coisas que a gente não explore o petróleo eh da Foz do Amazonas, na margem equatorial, né? Então a gente tem assim campos gigantesco, imensos de petróleo. Você precisa ter uma ideia ali, pô, basta ver o aumento no PIB de esse equibo ali que o Maduro quer invadir e anexar. Falou, o Maduro cogitou entrar em guerra com outro país por causa disso. Não, aquilo é uma fração do que a gente tem. Aquilo assim, a gente tem a capacidade e apesar de falar do Foz do Amazonas, quando você, eu vi uma diretora da Petrobras mostrando, quando você olha a parte do, do mar em que eh chama-se de Foz do Amazonas, na realidade você poderia chamar de Foz do Amapá, tá? Mas tá, tá muito, tem muito mais território próximo do Amapá do que do Amazonas. E isso poderia assim transformar o Amapá, que hoje é um dos estados mais miseráveis do Brasil, numa potência só de royalty, só. E assim, não tô nem falando do, do Amapá explorar o petróleo, não. Só do Amapá receber a remuneração de parte do lucro daquele petróleo explorado. E a Marina não quer, né, porque e eh o pessoal faz COP na Arábia Saudita, né, no, nos países da OPEP, do cartel do, do petróleo, e todo mundo acha lindo no meio ambiente, né? Eh, eh, eh, a China explora petróleo, carvão, a dar com pau, todo mundo acha lindo. Europa tem uma matriz mais suja do que a nossa e vem o Macron botar o dedo na nossa cara. Não, porque a Amazônia tem que ser internacionalizada pra gente preservar. Preservar o que, meu filho? Vocês desmataram tudo na Europa. Quer botar o dedo na nossa cara? Quer botar o dedo na nossa cara aqui, 85% de, de energia limpa é renovável. Maior parte da floresta é preservada, na, na própria, na, em propriedade privada, a gente tem reservas legais em que o dono daquele terreno não pode tirar aquelas árvores de lá. E a gente ainda tem unidade de conservação. O único país do mundo que tem ao mesmo tempo sistema de reserva legal e de unidade de conservação. E a gente tem que ouvir, ouvir, mas tudo isso para dizer por que a Marina tá fraca. Ela não quer eh, eh, fazer essa exploração que pode dar muito dinheiro pro, pro governo. Para você ter uma ideia, liberar meia dúzia de, de campos agora e daria R$ 15 bilhões reais em um ano. Liberar assim pouquinhos. Agora se a gente falar de mais, a gente tá falando de muito mais. E ao mesmo tempo tem o, eu não vou entrar muito em detalhe nisso porque isso é chato e vai baixar muito a audiência, mas tem um projeto de licenciamento ambiental que ela é a única ministra do governo que é contra, né, que eu relatei na Câmara e que os outros ministros, ministros da agricultura, ministro da infraestrutura, porto, aeroporto, transporte, todo mundo é a favor e só a Marina é contra. Então ela tá isolada.
Mas voltando no meu raciocínio do Lula não ser, não ser candidato e não ter alternativa, ele sempre fez questão de destruir todos os, as outras pessoas que pudessem passar. E ele só apoiou gente que ele sabe que sozinho não vai para lugar nenhum, Dilma e Haddad. Gente que não tem brilho próprio, não tem trajetória política própria e, e não tem a capacidade de articulação, de comunicação para crescer e superar ele. É gente sem sal que só vence a eleição com a bênção dele. Então, eh agora que o Lula não vai mais conseguir disputar a eleição, não vai disputar a eleição, vai ser uma guerra, já tá sendo uma guerra dentro do PT e fora do PT, os outros partidos também estão sentindo cheiro de sangue. O PDT do Lupi, do Ministério da Previdência saiu da base do governo e é um partido de esquerda. É um partido que eu converso com o deputado do PDT e ele fala: "Olha, a gente é independente, mas veja, 90% dos projetos do governo a gente tem que votar porque a nossa base acredita nesses projetos de esquerda". Então assim, para você ver, o nível de desgaste é tão grande que mesmo o cara tendo que votar 90%, ele não se declara governo. Só para não se declarar governo, né, perdendo os cargos e as emendas que se governo garante. Então, as pessoas já estão sentindo o cheiro de sangue da morte política do Lula. Eh, e esses vários, né? Ah, os comunistas querendo criticar agora, falar de neoliberal, tal, entra para mim primeiro nessa, nessa corrida que vai abrir para ver quem que vai herdar dividendos políticos do Lula, né, que eu acho que vai ser, ninguém vai herdar sozinho, vai ser dividido o espólio do Lula ali entre quem conseguir sair na frente. Aí o Haddad quer, o Camilo quer, o Bolos quer, todo mundo vai sair disputando. Eh, e um outro ponto, a parte dos comunistas, né, falarem, chamarem o Haddad de neoliberal, na minha avaliação, já faz parte de uma construção do pós-Lula de dizer o seguinte: nós nunca tivemos esquerda no poder. Ah, foi um lixo o governo, teve crise econômica, segurança foi uma porcaria, mas é porque não era esquerda de verdade, gente. Mesmo discurso que a gente escuta sobre socialismo ou comunismo. Não, gente, nunca teve comunismo. Verdade. A União Soviética não era comunista. A Coreia do Norte não é comunista. Cuba não é socialista. Várias vezes. A gente nunca teve a esquerda de verdade. Nunca teve comunista, nunca teve esquerda de verdade. Aí falar: "Tá vendo? Foi um lixo porque cedeu pro mercado, porque neoliberal, porque ah, tá vendo? Nomeou ali pro Banco Central Galípolo". Aí o Galípolo continua com a taxa de juros alta. Então eles já estão construindo o discurso para dizer: "Olha, nós nunca tivemos esquerda no país. Nos dê a chance que a gente é esquerda de verdade". E a gente já viu esse filme várias vezes, assume uma esquerda mais radical que quebra o país mais ainda. Eh, eh, ou ocupa ainda que não, não chegue ao poder, ocupa cadeiras para causar um estrago gigante. Falei da Grécia aqui mais cedo que, que quebrou a previdência, teve uma hiperascensão do Syriza, que é um partido de extrema esquerda. Na Espanha também teve, teve quebradeira, eh, teve ascensão do Podemos na época também, que é um partido mais à esquerda do que o Partido Tradicional de Esquerda da Espanha. Então, há uma tendência, né? Bom, teve uma, uma quebra da, da esquerda tradicional, né, com as suas concessões políticas, com as dificuldades da vida real de estar no poder, vem uma esquerda mais radical para tentar ganhar espaço. Pois é.
E a declaração do Lula, Deus deixou o sertão sem água para ser presidente. Que que vocês acham, irmão? O Lula pode falar o que ele quiser. O Lula, o, o Lula pode agradecer o COVID. Você lembra que o Lula agradeceu o COVID? Falou: "Ainda bem que teve COVID". O Lula pode falar que a procuradora, a, a quem que era mesmo que acordou com cinco caras da Polícia Federal? Era ah, Clara Antipundadora do PT. Ah, então ela, ela, ela acordou, tinham cinco homens da Polícia Federal no quarto dela. Acordou feliz. Ele pode falar isso, fosse um sonho. É, ele, ele pode falar que ele colocou a Gleisi Hoffmann como, como a pessoa responsável por negociar com o Congresso, porque ela era uma mulher bonita e os homens iam se interessar mais por ela. Ele pode falar tudo, cara. Ele pode falar, ele falou: "Deus deixou vocês 179 anos na seca para que eu fosse presidente". E a galera e Lula, é isso aí, meu. A da hora, mano. É, eu acho que ele, acho que ele gosta de mim, ele vai cuidar de mim. Aí ele fala: "Eu vou cuidar de vocês". E as pessoas, isso aqui, cara, é uma, vou te falar, vi ela, ó, uma, uma das, uma das, uma das coisas maravilhosas de você não ter mandato e de você poder falar algumas verdades, é você inclusive poder falar coisas impopulares sem se preocupar com o que vai acontecer. Eh, isso aqui faz parte, cara, de uma coisa que poucas pessoas têm a coragem de falar, que é o seguinte: o Brasil é um país de merda, bicho. O Brasil é um país de merda. A gente acha que o Brasil é um país que está dividido entre uma briga entre direita e esquerda, né? Entre uma briga entre conservadores e, e comunistas. Isso não é verdade. Se a gente tivesse no parlamento inglês lá com a Margaret Thatcher, não é isso. Não é isso. O Brasil é um país de pessoas muito pouco inteligentes, tá, com a cognição absolutamente limitada, onde os políticos do Centrão dominam o Brasil e o cara vai estar com o governo que tiver lá, é o político que ele vai tapar direito pra esquerda conforme a ocasião. E no final das contas a gente não vai conseguir nem cobrar esses caras. A gente não vai conseguir nem, nem dizer o que eu quero que esse cara faça. Porque se o presidente da República pode falar uma merda dessa, ele ainda é aplaudido, né? O que você não pode falar? Você pode falar tudo aqui no Brasil, cara.
Uma coisa que a gente fala bastante é o seguinte, Vilela, a gente tem uma crise de representatividade. Acho que isso tá muito nítido, né? Porque você vota no, até esses dias o Renan, ele, ele viralizou, né? Falou, fez uma fala polêmica dizendo que os políticos não são nossos funcionários, porque os políticos, na verdade, eles são representantes daquilo que a gente acha que a gente é. Então, se eu acho que o Kim pensa como eu, eu vou colocar o Kim lá, porque eu vou delegar a ele a profissionalização da tomada de decisão que eu não tenho tempo para tomar porque eu sou padeiro, porque eu sou pedreiro, porque eu sou engenheiro, porque eu sou médico. Não importa, eu vou pôr um cara que pensa como eu penso lá. O problema, e eu acho que todo mundo consegue identificar isso muito rápido, é que nós temos uma crise de representatividade. Se você sair por aí e perguntar para as pessoas assim, você acha que tem que aumentar o número de deputados? Eu te garanto que 99% das pessoas vão dizer não. E a gente acabou de aprovar uma PEC que aumenta o número de deputados. Então existe uma distância muito clara entre o que as pessoas querem e dizem que querem e que os políticos fazem dizendo representar essas pessoas. O problema, cara, é que a gente tem uma crise de identidade. A gente não sabe o que a gente é para gente demandar de alguém que nos represente. Então é um problema muito mais profundo.