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Trump pausa tarifas em 90 dias e sobe para 125% contra China, volatilidade extrema nos mercados

Fernando Ulrich20:13

Transcription

China e Estados Unidos seguem retalhando nas tarifas e, assim, escalando as tensões. O que preocupa o mundo inteiro, e os mercados estão em polvorosa: volatilidade extrema.

No Brasil, o dólar voltou a ultrapassar a marca de R$ 6, testando o nível de R$ 6,10 nesta manhã de quarta-feira, dia 9 de abril. E tem algo que está quebrando no sistema. Então, é importante recapitularmos as últimas notícias, declarações e medidas anunciadas desde o último vídeo, que foi publicado na segunda-feira. Tanta coisa aconteceu, parece que já se passaram 7 ou 10 dias. Então, vale a pena trazermos essa atualização.

A grande notícia das últimas horas foi a retaliação da China, ao levar as tarifas para 84%, em resposta às tarifas de 104% de Trump, que também foram anunciadas nos últimos dias. Essa é a situação do momento, mas é interessante observar o comportamento distinto das moedas. Porque, se por um lado as moedas dos emergentes estão sentindo muita pressão – por exemplo, aqui o real brasileiro, que no dia 3 de abril chegou ao patamar de R$ 5,60, já voltou a subir, então, novamente acima de R$ 6 – é uma alta do câmbio de cerca de 9%. É muito rápido e muito intenso. Mas a gente nota o mesmo movimento, por exemplo, na moeda da Índia, num período similar, assim como na moeda do México e de vários outros emergentes.

Por outro lado, em relação às moedas dos países desenvolvidos, as principais moedas de reserva, o dólar está perdendo o valor; ele está se depreciando. A começar pelo dólar index, que nos últimos dias caiu, chegou até a testar o nível abaixo de 102. Em relação ao euro, também vem perdendo terreno, o euro se valorizando; libra esterlina se valorizando; iene japonês também se valorizando fortemente, assim como várias outras das principais moedas do planeta. Então, hoje o dólar, ele está se fortalecendo contra os emergentes, inclusive o real, mas se enfraquecendo contra as principais moedas do planeta.

Mas o que foi anunciado aí nesses últimos dias que tivemos muita volatilidade? Eu vou deixar depois a parte da China dessa retaliação, porque é importante a gente se estender um pouco mais nessa análise. Mas, além dessa medida, nós tivemos algumas notícias, declarações do secretário do tesouro americano, por exemplo, essa aqui no próprio Twitter dele – isso foi ainda no dia 7 de abril – de que cerca de 70 países já tinham abordado os Estados Unidos, se aproximado para tentar reequilibrar o comércio global, e que eles devem iniciar já conversas abertas com o Japão para conseguir viabilizar a grande visão do Trump da era dourada do comércio global. Isso aqui está no Twitter, então, e de fato, e essas notícias, por um lado, aliviaram, mas logo depois veio a retaliação da China e acabou jogando um grande balde de água fria.

Mas, além do Japão e os países que já tinha mencionado, como Índia também, Vietnã, a União Europeia também estendeu aí a mão querendo negociar. A Ursula von der Leyen havia comunicado ou sinalizado a intenção até de zerar tarifas europeias, só que o Trump, numa entrevista, desdenhou dessa proposta, inclusive dizendo: "Não, apenas gerar tarifas não é suficiente; precisa ir além disso; é preciso eliminar também as tarifas não alfandegárias ou as barreiras que não são tarifárias, como restrições sanitárias no agronegócio; enfim, inclusive é preciso reduzir o déficit comercial dos Estados Unidos com a União Europeia. A União Europeia precisa comprar mais dos Estados Unidos". E aí que entra o problema tanto de objetivo quanto da retórica, a estratégia de negociação do Trump, que por um lado, reduzir as tarifas, OK, é meritório, concordo; eliminar as barreiras que não são tarifárias também é importante, concordo. Imaginar a linha de forçar a redução do déficit comercial com cada região ou país em específico é um absurdo de política econômica, não tem nenhum sentido. E se ele realmente está buscando isso, é um tiro no pé, é contraproducente, se é apenas uma estratégia de negociação, buscando ou colocando um alvo quase impossível, inatingível, para depois eh chegarem a um acordo algo mais viável. Aí, mas se ele realmente tá perseguindo reduzir o déficit comercial com cada país, é um absurdo de política econômica. E como sempre, nunca sabemos com certeza o que Trump está pensando ou o que ele realmente está buscando. Então, isso com relação à União Europeia. Só que a última notícia hoje de manhã também, quarta-feira, é que a União Europeia vai impor mais tarifas em alguns produtos americanos. Então, é uma situação fluída, seguimos com muitas notícias e ainda sem nenhum sinal de que essa guerra tarifária vai acabar.

O que nos traz então de volta à questão da China, porque esse foi o anúncio que foi feito então nas últimas horas e foi lamentado pelo secretário do tesouro, o Steven Mnuchin, que inclusive tem sido agora a principal, o principal porta-voz nessa guerra comercial, e ele lamentou a retaliação da China, disse que isso não é, não tem sentido fazer isso, não é a melhor atitude chinesa. Então, é aquele, o, o – no inglês os americanos chamam de *chicken game* – para ver quem é que cede antes, quem é que vai realmente baixar a guarda e tentar trazer alguma apaziguar, acalmar os ânimos e conseguirmos chegar a pelo menos a alguma conversa. Neste momento, estamos diante desse cenário, e como eu venho alertando aqui, vocês têm acompanhado os vídeos, uma coisa: negociar com o Vietnã, com Camboja, com países menores, até mesmo com a União Europeia… O grande problema e o grande realinhamento do comércio global que os Estados Unidos estão buscando é com a China. E se não houver algum acordo, algum realinhamento, alguma conversa com a China, não adianta realinhar com o Japão, com a União Europeia, com os demais países. Mas é possível que isso também seja uma forma de negociação dentro da estratégia do Trump e do seu secretário do tesouro, comércio e afins, porque isso foi aventado pelo Mnuchin, que isso foi também foi tweets ou declarações das últimas horas, de que os Estados Unidos tentariam então um acordo primeiro com os mais aliados, com o Japão, com a União Europeia, com o Canadá, com México, enfim, com vários outros países, países asiáticos também, países menores. E depois de chegar a um acordo de realinhamento do comércio global com vários países ou com os principais países, isolando a China, assim os Estados Unidos poderiam chegar em bloco e numa posição muito mais forte para negociar com a China e forçar sim o realinhamento da posição chinesa, eliminação de tarifas, fortalecimento do IAN, enfim. Esse até é um assunto que eu vou trazer no outro vídeo, mas essa é a estratégia agora que parece que está sendo tentada. Se vai dar certo, são outros 500, mas isso me traz a, o ponto que eu quero mostrar para vocês aqui também, de como a situação toda traz muito receio. E com as tarifas agora que já estão valendo, várias empresas já cancelando pedidos, importando menos da China, empresários suspendendo investimentos, uma incerteza enorme que continua e muitas pessoas, muitas pessoas influentes, como aqui o presidente do JPMorgan, Jamie Dimon, já dizendo que agora a recessão é o resultado provável de todo esse embrolho tarifário. E assim como o Dimon, tem várias outras pessoas agora também prognosticando uma recessão, e que é bem possível que aconteça, ela seja provocada ou precipitada por toda essa imprevisibilidade da guerra tarifária. Então, e agora é possível que esse seja um cenário que cuja probabilidade aumente nos próximos dias, nas próximas semanas.

Mas voltando à questão da negociação, essa ideia de reunir todos os países principais para isolar a China e ter um acordo já estabelecido com o Ocidente, os principais parceiros, e depois tentar forçar a China, isolar a China para depois negociar com ela com este grande bloco, até pode dar certo, mas é curioso como a estratégia do Trump, ela é tão antagônica. E pela postura dele, pelo comportamento, ele está alienando não apenas os aliados, mas também os inimigos, domésticos e externos. Cara, é impressionante. E a última fala dele aqui, que é realmente execrável, eu diria vergonhosa, que disse o seguinte – até vou colocar aqui pra gente ver, das palavras dele – foi num evento ontem à noite, na terça-feira. Então, olha só que coisa mais assim bizarra, ele fala isso de que os países estão ligando para ele, vários países que estão beijando o traseiro dele, que implorando para fazer um negócio, que eles farão qualquer coisa, que eles querem um acordo com Trump. Cara, é assim, um líder, presidente da principal nação do planeta, se comportasse assim, falasse dessa maneira, e com seus aliados, ainda na minha visão, isso aqui é extremamente contraproducente, o que pode até no limite inviabilizar esse grande acordo com os demais países, porque clima, que ambiente vai ter para negociação quando aquele com quem você está negociando se comporta dessa maneira? Mas enfim, espero que eu esteja errado, que Trump consiga alcançar esses acordos e aí consiga negociar com a China e finalmente acabemos com toda essa incerteza tarifária. Mas ainda é incerto.

E só para também dois pontos, pontos mais, antes de falar do que pode estar quebrando no sistema, vale a pena comentar um pouco das rusgas que aparecem dentro do governo Trump entre seus principais aliados, como aconteceu agora com o Peter Navarro, que é um assessor sênior de comércio e que é dos mais radicais e que tem as piores ideias no que tange o comércio global, protecionismo; ele é um grande defensor das tarifas, e ele criticou o Elon Musk em entrevistas com a TV americana, e o Elon Musk respondeu no X dizendo que o Peter Navarro é um idiota e que é mais burro que um saco de tijolos. Então, a gente começa a ver essas rixas internas e talvez alguns aliados do Trump começando a abandonar o barco ou pelo menos criticando esses posicionamentos, porque com essa estratégia tão extremada, que está trazendo volatilidade, possivelmente recessão, é claro que tem muita gente que já critica Trump, muitos que eram eleitores e que defenderam Trump, por exemplo, o investidor Bill Ackman, ele é um que tem criticado agora consistentemente, tá muito preocupado com tudo, antes grande defensor, agora já quase jogando a toalha e implorando para que pare com essas medidas e cheguem logo a um acordo, porque o que está acontecendo está sendo muito prejudicial pros mercados, pra economia e para, no fim das contas, para o cidadão americano, pros trabalhadores, porque uma recessão não será algo bom. E aí que eh a questão final, antes de falar do que está quebrando no sistema, que o tiro pode ser pela culatra: o Trump pode ter a sua estratégia de negociação, pode ser um excelente persuasor, mas ele não tem tudo sob controle, e as coisas podem eh eles podem perder a mão da situação, e daqui a pouco não conseguir atingir os objetivos de comércio, pode antagonizar mais os aliados, daqui a pouco isso pode levar a Europa e outros países, em vez de se aliar com os Estados Unidos, de se aproximar com outros países, até mesmo com a China. Então, eles não têm tudo sob controle; não adianta aqueles que amam o Trump, defendem com unhas e dentes, endeusá-lo e achar que ele é o maior negociador do planeta e conseguirá tudo que ele que ele está tentando. Não é assim que funciona, a coisa é muito complexa, economia, mercados. Então, infelizmente, tem muita incerteza no ar ainda.

E aí, para encerrar, que é o que está acontecendo nos mercados e que é importante, eu preciso botar aqui na tela a taxa de juros do governo americano, porque se nos últimos dias estava caindo, até num sinal dito pelo Steven Mnuchin positivo, porque ó, mostra que eh o juro tá caindo, então facilita até o refinanciamento da dívida americana… O que tivemos nas últimas horas foi um *short squeeze*, então um aperto naqueles que estavam vendidos em Treasuries, ou comprados na verdade, porque os trades agora estão e caindo de preço, portanto os juros estão disparando. Vejam só a disparada, depois de chegar em três, abaixo de 3,90% na semana passada, ou nessa semana ainda, chegou a superar 4,40%, Treasury de 10 anos. Da mesma forma, o Treasury de 30 anos ultrapassando também 4, quase 4,90; chegou a testar 5% na madrugada. Porque o que está vendo é uma reversão de uma aposta do mercado chamada de *basis trade*, que *hedge funds* fazem para lucrar com o Treasury à vista e o Treasury futuro, só que eles fazem essa aposta se alavancando enormemente, só que em momentos de volatilidade essa aposta pode dar errado, e é o que está dando nas últimas horas, e por isso este movimento todo de venda acelerada do tesouro americano, dívida pública americana, assim como as ações já estavam caindo, agora a dívida pública americana também está caindo, o que é um péssimo sinal para o Steven Mnuchin, pro tesouro americano, pro governo americano, para os mercados, porque aí o receio é que outros eventos em cascata, este episódio aqui pode desencadear o quanto que essa disparada de juros pode repercutir nos demais mercados, aqueles que estão alavancados. E esse é o problema da alavancagem, da interconectividade dos mercados de produtos eh financeiros, aqueles mais exóticos. Esse, por exemplo, é um é *basis trade*, aposta no no *basis*, que é o *basis point*, é o ponto base, que é arbitragem de quase nada de diferença de Treasuries, mas como é feito no volume enorme e com alavancagem, dá muito lucro para os *hedge funds*, mas estamos vendo a reversão dessas apostas que pode trazer muitas consequências negativas para os mercados. Então, é um momento sim delicado. Por hora, o Steven Mnuchin está minimizando esses problemas, é algo normal, mas sim que é um sinal de alerta vermelho dos mercados, e por isso tem já bastante investidores preocupados com o que está acontecendo. Então, esse é o ponto agora fundamental: tesouro americano é o principal ativo do sistema, e se ele perde valor, se o juro dispara, isso é um péssimo sinal pro restante, por isso é importante seguir eh monitorando o que está acontecendo.

E vejam só que impressionante, a gente tinha recém editado o vídeo, quase subindo no YouTube, quando o presidente Trump faz uma postagem na sua rede social, pouco depois das 2 da tarde, horário de Brasília, dizendo o seguinte: "Com base na falta de respeito que a China demonstrou aos mercados mundiais, estou aumentando a tarifa cobrada à China pelos Estados Unidos da América para 125%, com efeito imediato. Em algum momento, espero que em um futuro próximo, a China perceba que os dias de roubar os Estados Unidos e outros países – ó, inclui outros países – não são mais sustentáveis ou aceitáveis. Por outro lado, e com base no fato de que mais de 75 países chamaram representantes dos Estados Unidos, incluindo os departamentos do comércio, do tesouro, eh para negociar uma solução para os assuntos que estão sendo discutidos em relação ao comércio, barreiras comerciais, tarifas, manipulação monetária e tarifas não monetárias, e que esses países não, por minha forte gestão, retaliaram de qualquer maneira, então não retaliaram eh contra os Estados Unidos, autorizei uma pausa de 90 dias e uma tarifa recíproca substancialmente reduzida durante esse período de 10%, também com efeito imediato. Obrigado por sua atenção a este assunto". Primeiro, não ficou claro aqui se é realmente uma pausa completa nessas tarifas recíprocas ou pausa do excedente acima de 10%; enfim, é uma medida que está sendo comemorada pelos mercados de uma forma impressionante, como a gente pode ver agora aqui, olha a volatilidade que vemos, as ações que abriram o dia em queda, futuros em queda ontem à noite, muito negativo, hoje S&P 500 subindo quase 7%, NASDAQ mais de 7%, e EWZ subindo mais de 5%. Agora o dólar index ainda cai, leve queda, mas veja só o real brasileiro, que estava quase em 6,10, agora está caindo para 5,87, uma queda de… Olha, é esse insano, o nível de volindo mais de 1%, quase 2%, real brasileiro, a taxa de câmbio agora caindo mais de 2%, é é insano. E o Treasury ainda sobe, teve uma queda, mas ainda num patamar mais elevado aqui, até uma eh um alerta vermelho para o tesouro americano. Mas resumindo, apenas para fazer complementar o vídeo, não deixar ele logo já desatualizado com o que acabou de sair, é uma evidência da volatilidade, como as coisas estão acontecendo muito rápido, e de que a China continua isolada, e que a estratégia do Trump agora com isso é isolar mais ainda a China e tentando trazer os países junto à negociação, como eu comentei no restante do vídeo, agora uma prova dessa análise. E vamos ver como a China vai responder a essa medida. Por enquanto, o Trump segue dizendo truco, retrico, quero vale quatro. Será que a China também vai retalhar agora? Enfim, aguardemos e sigamos acompanhando essas essas notícias, declarações, porque a todo instante tudo pode mudar. Agora sim, fico por aqui. Espero que tenham gostado, compartilhem desse vídeo, se inscrevam no canal, ativem o sininho, quem não faz parte ainda do Follow the Money, sigam o dinheiro no nosso aplicativo definitivo, com o melhor conteúdo de finanças, investimentos e economia. Código QR na descrição do vídeo e em algum lugar da tela também aqui o link, aliás, na descrição do vídeo. Muito bem, fico por aqui, vamos seguir acompanhando, vamos ver se até o final do dia não tem uma notícia também da China. Valeu, assistam os demais vídeos e volto no próximo.