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Você já reparou que tem assuntos que parecem impossíveis de entender até o momento em que algo se conecta? E, de repente, fica simples, óbvio e até fácil de explicar. Neste vídeo, eu vou te mostrar um conjunto de estratégias que vão te ajudar a construir um entendimento de um jeito que o seu cérebro consiga acessar, recuperar e usar quando você precisar, especialmente em provas, trabalhos, apresentações. E eu vou organizar isso em partes bem claras. A gente vai falar sobre analogias e metáforas para você dominar de verdade um conceito. A gente vai falar como criar múltiplos caminhos de acesso à sua memória, entre outros, que vão fazendo sentido conforme a gente avança. Então, fica comigo até o final do vídeo, porque eu vou te mostrar como você pode aplicar tudo isso na prática nos seus estudos. E se você gosta de neurociência aplicada para melhorar os seus estudos, para mudar os seus hábitos, para você entender melhor o seu comportamento, já se inscreve aqui no canal, porque toda semana tem vídeo novo, sempre com explicações práticas para você levar isso pro seu dia a dia.
Bom, agora então vamos começar pelo que para muita gente, né, para a grande maioria, é uma virada de chave do entendimento. Então, vamos direto ao assunto: analogias e metáforas. Quando você consegue explicar um assunto usando analogias, metáforas e imagens simples, isso costuma ser um sinal forte de domínio real. Por quê? Porque você não só entendeu dentro daquela matéria, aquele conceito específico, como você entendeu o mecanismo por trás da ideia, a lógica que sustenta o conceito. E quando isso acontece, você consegue transportar essa lógica para outros contextos, outras áreas e outras situações da sua vida de um jeito quase que intuitivo. Em outras palavras, quando você consegue pegar algo complexo e transformar isso em uma explicação simples, clara e acessível, a ponto de qualquer pessoa entender, isso é um forte sinal de que você realmente compreendeu o conceito e não apenas decorou, né? Eh, não apenas decorou ali os termos, né? Termos técnicos, enfim.
Então, vamos lá, eu vou te dar um exemplo. Imagine que você esteja tentando entender como funciona o sistema nervoso. E aí você tá assistindo uma aula e aprendendo sobre neurônios, sinapses, impulsos elétricos, neurotransmissores. É tudo muito abstrato. São palavras difíceis, processos invisíveis. Então, a impressão que talvez você tenha é de que você tá lidando com algo que você não consegue enxergar.
Agora imagine que esse professor mude completamente a forma de explicar. Em vez de ele falar em termos técnicos, ele diga: "Pense no seu corpo como uma cidade. O cérebro é a central de controle dessa cidade e os nervos são as vias por onde as mensagens circulam. Essas vias estão livres e a informação chega rápido aonde tem que chegar. Se algo atrapalha esse caminho, a mensagem ela demora ou nem chega direito." Então, de repente, você não tá mais tentando imaginar impulsos elétricos que são, eh, processos invisíveis para você. Você está vendo ruas, você tá vendo caminhos, mensagens sendo enviadas. Então, a complexidade continua ali, mas agora ela faz sentido porque você consegue visualizar o funcionamento do sistema, entendeu?
Um outro exemplo, né? Se a gente falasse agora aqui sobre metabolismo, né? A maioria das pessoas quando pensa em metabolismo pensa, eh, nisso como algo distante, algo complicado, né? Vai pensar talvez em hormônios, enzimas, queimar calorias, né? Tudo isso parece difícil de visualizar, mas pensa no seu metabolismo de um jeito diferente. Imagina que o seu corpo funciona como uma casa inteligente, daquelas que tem sensores, programação automática, eh, distribuição de energia. Então, tudo o que você come é energia entrando nesse sistema. O metabolismo seria um conjunto de decisões que o seu corpo toma o tempo todo sobre o que fazer com essa energia. Se vários aparelhos estão ligados ao mesmo tempo, a casa precisa distribuir energia. Se o seu sistema estiver bem regulado, tudo vai funcionar perfeitamente bem. Se não estiver, a energia pode faltar aonde é essencial ou se acumular onde não deveria. Então, no corpo, a lógica é a mesma. Quando o metabolismo está saudável, a energia vai pro movimento, para a manutenção, para o equilíbrio. Quando não está, não é só o quanto você come importa, mas como o corpo interpreta esse cenário.
Então, você consegue perceber a diferença? Você não precisou, eh, decorar termos técnicos. Você entendeu o funcionamento e é isso que uma boa analogia faz por você. Ela te ajuda a organizar o raciocínio e simplificar através da analogia não é empobrecer, é você tornar esse conhecimento acessível. E quando você entende desse jeito, não é só a sua compreensão que melhora, a sua memória também vai se fortalecer. E é isso que nos leva ao segundo ponto.
Antes de eu entrar no próximo ponto, deixa eu te explicar uma coisa bem rápida. Tudo isso que eu estou falando aqui sobre como o cérebro aprende é o que eu aprofundo no meu e-book Neuros. Ele pode ser acessado individualmente se você quiser focar só em estudo e aprender a estudar de forma muito mais inteligente. Mas o Neuros, ele também faz parte de um combo que eu montei, onde além dele você encontra outros materiais importantes, conteúdos para você desenvolver autocomando emocional e sair da procrastinação. Então, você pode escolher acessar só o Neuros ou aproveitar o combo completo que reúne tudo isso. Eh, os links estão aqui na descrição desse vídeo. Depois dá uma olhada lá com calma, fica à vontade para ver o que que faz mais sentido para você. E agora vamos seguir porque entender é só o começo. A memória também precisa de estratégia.
Criar múltiplos caminhos na memória, uma rede, não uma linha só. Quando você trabalha com analogias e conexões, você cria uma espécie de teia de conexões mentais, um estoque de referências que vão te ajudar a lembrar. E isso é muito importante porque a memória ela não é uma coisa única. Existem diferentes sistemas de memória no cérebro. Alguns estão ligados a habilidades automáticas, ao como fazer. São memórias construídas pela repetição, pela prática, que não dependem de esforço consciente e elas ficam gravadas em circuitos profundos do cérebro. E é por isso que depois que você aprende, o seu corpo executa antes mesmo de você pensar. E existem outros sistemas de memória que estão ligados a experiências, contextos, significados. São as memórias que registram o que aconteceu, onde aconteceu e como você viveu aquilo. E elas se organizam a partir de associações, histórias, relações com experiências anteriores.
E aqui está o ponto central. Quanto mais sistemas de memória você ativa ao aprender, mais rotas o seu cérebro cria para acessar a mesma informação depois. E no geral as lembranças dependem muito de profundidade e de quantas rotas você tem para chegar na mesma informação.
Então, pensa assim: quando você aprende só por decorar, você até cria um caminho natural forte, porque você está repetindo sempre a mesma coisa. O problema é que se esse caminho é único e pouco integrado, a chance de ele não funcionar ou falhar existe. Ele funciona enquanto o contexto é o mesmo. Ele funciona, por exemplo, se a pergunta ela faz sentido para você. Agora, se a pergunta muda, se entra a sua ansiedade, se o tempo passa, né, esse caminho pode falhar. E quando isso acontece, você fica sem acesso, porque você não construiu outras rotas para chegar na mesma informação. Então, ele vai funcionar enquanto as condições são favoráveis, vai funcionar enquanto nada mudar. O problema é que se essa trilha falhar, pronto, você fica sem acesso. E isso acontece muito em prova. A pessoa, ela decorou de um jeito só, ela não entendeu, só repetiu. Aí chega na hora da branco, aquele caminho ali ele desencaixa e aí acabou. Não tem outro trajeto mental para alcançar a informação, a ideia.
Agora, quando você consegue conectar um assunto com coisas do dia a dia, fazer analogias, trazer para algo que você já conhece, tudo fica muito mais fácil de entender e de lembrar. É como se o seu cérebro ganhasse mais de um caminho para chegar na mesma ideia.
Imagina que você tá estudando conteúdos da área da saúde, como biologia, enfermagem ou medicina, e você precisa entender de verdade como que funciona o fluxo de sangue, porque a pressão arterial pode aumentar. Para entender melhor esse mecanismo, pensa numa mangueira de jardim. Pensa, você concorda comigo que a água ela não nasce na mangueira? Ela já chega com pressão da torneira? Acompanha o meu raciocínio agora. Vamos lá. Você vai apertar a ponta da mangueira com seu dedo ou você vai colocar um bico mais estreito ali. Que que vai acontecer? O jato vai mudar na hora. Ele vai ficar mais forte porque você criou uma passagem mais apertada. E quando a passagem fica mais apertada, o que que acontece? A pressão se concentra antes desse ponto.
Agora imagina outra situação. Você vai dobrar a mangueira, você vai pisar nela, a água vai passar menos, o fluxo vai diminuir, só que a força da água continua empurrando até o ponto onde tá esse aperto. Ou seja, a pressão fica forçando o sistema antes do desse aperto, né? No caminho.
No corpo acontece uma lógica parecida. O coração é quem empurra o sangue. Os vasos são o caminho por onde ele passa. Se esses vasos ficam mais estreitos, mais rígidos, o sangue ele encontra mais resistência, como se surgisse um aperto no caminho. E pro sangue continuar circulando, a pressão precisa subir.
Você consegue perceber o que aconteceu aqui? Eu fiz uma analogia entre dois sistemas diferentes, mas que seguem a mesma lógica. Um você não consegue ver, o outro você consegue visualizar perfeitamente, porque isso faz parte da sua vida, do seu cotidiano. Eu trouxe isso para a sua realidade. E isso fez o entendimento ficar muito mais fácil. E isso vai possibilitar você criar diferentes caminhos, diferentes rotas para você acessar as informações. Você não vai depender de uma única estrada para formar ou acessar aquela memória. Você não fica refém de um jeito só de lembrar. Você constrói uma rede, uma teia de conexões que vai te levar ao mesmo conceito. Você vai ter várias estradas diferentes e aí quando você precisar recuperar esse conhecimento, sempre vai existir um caminho disponível para você chegar nele. E é por isso que para você parece que aquele conhecimento fica permanente, porque você não depende mais de um único acesso. Você cria várias conexões para chegar no mesmo conceito. Então, você consegue explicar de formas diferentes, de maneiras diferentes, lembrar de por diferentes exemplos. Isso mantém a informação sempre disponível quando você precisar.
Agora, talvez você esteja pensando assim: "Tá, Eliane, mas e quando, eh, o assunto, né, o conteúdo for muito complexo, tão complexo que eu não consigo nem fazer analogias, eu olho e eu não sei nem por onde começar." É exatamente aí que entra a próxima técnica.
Quando o conteúdo é complexo demais, o problema não vai ser a falta de analogia. Na verdade, a questão é que existe um excesso de coisas ao mesmo tempo. O seu cérebro ainda não tem peças suficientes organizadas aí para você comparar com nada que você conheça. Então, nessa situação, antes de você criar analogias, você precisa fazer outra coisa: quebrar o assunto em partes menores, pegar um conceito complexo e dividir em partes. Você vai precisar desmontar o quebra-cabeça, entender cada peça separadamente e só depois então começar a ligar uma coisa na outra pro seu cérebro conseguir processar.
Então, eu vou te dar um exemplo, né? Suponhamos que você ainda é você é aquela estudante da área da saúde, agora você tá tentando aprender ali sobre, eh, diabetes tipo 2. Então, a diabetes tipo 2 não é só açúcar alto, né? Ela envolve resistência à insulina, uma perda progressiva da capacidade do pâncreas de produzir insulina suficiente ao longo do tempo. Então, ali no começo a gente sabe que o pâncreas ele tenta compensar produzindo mais insulina e ao mesmo tempo tem envolve a questão do fígado também que ele continua liberando a glicose. São vários processos acontecendo juntos e às vezes você não vai conseguir entender isso de uma vez só.
Então, para você estudar do jeito certo, você vai dividir por partes. Primeiro, você vai entender o que que significa resistência à insulina, como que o pâncreas tenta compensar isso no começo, por que essa compensação vai falhando com tempo? Qual que é o papel do fígado nisso? Como que a glicose, por exemplo, ela começa a subir na prática? Então, o que que você tá fazendo? Você está quebrando em partes, você está reduzindo o número de elementos que você precisa integrar de uma só vez. Dessa forma, você aprende por módulos. E depois que você aprender por módulos, você vai reconstruir essas conexões.
E agora vamos pro próximo ponto, o maior erro que você comete durante uma aula. Mas antes de a gente introduzir esse ponto, eu quero te fazer uma pergunta. Eu quero que você pense nisso de forma muito transparente.
Quando você assiste uma aula, como você se comporta? Você é do tipo de pessoa que copia absolutamente tudo que o professor fala, cada detalhe, cada vírgula, cada exemplo, cada analogia? Ou você é do tipo que fica ali mais quietinho assistindo a aula, às vezes você até se distrai? E isso vale tanto para as aulas presenciais quanto para as aulas online. Quando você assiste uma aula em casa, né, como que você age? Quero que você pense nisso agora. Por quê? Porque existe um erro muito comum que quase todo mundo comete durante a aula. E é sobre isso que a gente vai falar agora.
Vamos partir do princípio de que assistir a aula não é estudar, fazer resumos também não é estudar. Anotar tudo que o professor fala em um caderno ali, né? Também não é estudar. As aulas são extremamente importantes, mas talvez você esteja usando as aulas de forma não muito eficiente, aliás, nada eficiente. Muita gente acredita que a aula por si só é um método ativo de estudo e não é necessariamente. A aula pode ser uma excelente ferramenta na sua mão se você entender qual é o papel dela no processo de aprendizagem.
Então, qual é o papel real da aula no cérebro? Na maioria das vezes, a aula é o primeiro contato com o conteúdo. É a primeira vez que você vê aquele tema, aquele conceito, aquela lógica, né? E quando o seu cérebro tem esse primeiro contato, ele não consolida tudo, ele não absorve todos os detalhes, tabelas, exceções, exemplos complexos, né? Nesse momento, a informação ainda não foi consolidada na sua memória de longo prazo. Nessa fase inicial, o seu cérebro só é capaz de captar a base, o esqueleto, né, o rascunho daquele conteúdo. E isso é fundamental de você entender.
Então, nesse momento você anotar tudo, por mais que você esteja fazendo isso de forma dedicada, né, eh, de forma bem intencionada, eh, na prática isso atrapalha o processo de consolidação. E por que, né, por que que isso acontece quando a gente tem esse primeiro contato com o conteúdo, o que que acontece no cérebro não é a consolidação dessa memória. Nesse momento inicial, a informação ela está sendo codificada, ela ainda não está sendo estabilizada.
Então, funciona assim, ó, em linhas gerais. No primeiro contato, o cérebro está tentando responder uma pergunta básica sobre o que é isso, né? Ele não tá pronto para responder, por exemplo, como que isso funciona em detalhes. Então, nessa fase, a informação, ela fica majoritariamente em sistemas de memória de curto prazo e de trabalho que têm uma capacidade limitada. O cérebro ele consegue captar padrões gerais, relações principais e a estrutura do conteúdo, mas não sustenta muitos detalhes ao mesmo tempo. Por isso, o que ele constrói nesse momento é uma representação inicial, como eu disse, uma espécie de rascunho mental, um esqueleto conceitual daquele tema. Essa primeira camada é fundamental. Ela serve como base de ancoragem para tudo o que vem depois. É sobre ela que as próximas camadas, exemplos, aplicações, exceções, detalhes técnicos, vão se apoiar. Se essa base não ficar clara, o cérebro não tem onde pendurar as informações futuras, por assim dizer.
E aqui entra um ponto crítico. Quando você tenta capturar todos os detalhes logo no primeiro contato, tudo, os exemplos, cada palavra que o professor fala, você sobrecarrega a sua memória de trabalho. Com isso, o cérebro perde a visão do todo, porque você anota muito, mas você entende muito pouco. Em vez de consolidar a estrutura central do conteúdo, a sua atenção, ela fica fragmentada em partes soltas. Então, o resultado é que a base fica frágil e se essa primeira camada é fraca, as próximas também serão, vão falhar. Então, você consegue perceber: o aprendizado, ele não acontece de uma vez, ele acontece em camadas sucessivas ao longo do tempo. Por isso, nesse primeiro momento, o mais importante não é você capturar tudo, é você focar, é você prestar atenção, você entender a lógica geral, você identificar os conceitos centrais e permitir, então, que o seu cérebro construa esse esqueleto inicial. Esses detalhes eles vão vir depois em revisões, em novos contatos com aquele conteúdo, em momentos que o cérebro já tem uma base para aprofundar.
Pensa na construção de um prédio, né, de um edifício. Antes de qualquer coisa, você precisa fazer o projeto estrutural, certo? Depois vem as fundações e só depois disso é que o prédio começa a subir, né? Aí você vai ver os pilares, as lajes, os andares, né? Então, você não começa um prédio escolhendo a parte do acabamento, a fachada, as luminárias, a decoração do apartamento. Se você tentar decidir esses detalhes antes da fundação, o prédio não se sustenta. E o aprendizado, ele funciona do mesmo jeito. A aula é o projeto inicial e a fundação do prédio. É nesse momento que você constrói a base estrutural do conhecimento. Se você se perde em detalhes logo no primeiro contato, é como tentar escolher o revestimento do 15º andar, sem ter garantido a fundação. Sem base sólida, os próximos andares não se sustentam. Então, os detalhes, que são, eh, os exemplos e as aplicações, como eu falei, entram depois, quando a estrutura já está firme o suficiente para suportá-los. Então, deu para entender? O aprendizado funciona da mesma forma. Você vai precisar de outras sessões, de revisões e de contato repetido com o conteúdo para que esse conhecimento, esse entendimento se consolide, assim como no prédio, né, ele vai sendo construído aos poucos. Primeiro a fundação, depois a estrutura, depois os andares, né? E só lá no final você tem o prédio inteiro pronto, sólido e funcional.
OK, Eliane? Entendi. Então, como eu devo me comportar na aula? Vamos lá.
Então, durante a aula, você precisa confiar no processo de consolidação. Isso significa que você vai precisar resistir à ideia de anotar tudo. O seu foco principal deve ser prestar atenção, entender a lógica geral e identificar os conceitos chave e anotar somente esses conceitos chave. Você vai ter um caderno ali, né, onde você vai fazer anotações chave. Então, são anotações fundamentais, anotações essenciais. Inclusive você até pode dar um nome para esse seu caderno, né? Se você quiser, você pode chamar ele de caderno de anotações chave. Ele é a forma como a neurociência traduz o que que é uma boa anotação. Então, quando você entender isso e aplicar isso, você vai perceber quanto tempo você perdeu fazendo, eh, anotações excessivamente completas.
Então, sim, você vai ter que abandonar aquele caderno que você tinha, que você era super orgulhoso, orgulhosa dele, né? Com excesso de informações, todo bonito, às vezes cheio de cores, né? Todo colorido, enfim. E você vai passar a ter um caderno de anotações essenciais e você vai perceber que os resultados vão aparecer. Então, se atente a isso. O que está na sua mente não precisa estar no papel. E o que está no papel é porque ainda não está na sua mente. Então, quando você anota tudo, tudo, tudo, tudo, o seu cérebro ele entende que você não precisa consolidar aquela informação. Sim, a aprendizagem ela acontece quando ele precisa selecionar, quando ele precisa organizar e recuperar o conteúdo. Então, o papel ele deve apoiar o esforço mental, não substituir esse esforço. Então, guarda isso. Anotar demais reduz o esforço cognitivo que você precisa fazer e sem esforço não há consolidação da memória.
Então, um caderno excessivamente cheio é como um quadro coberto de post-its. Imagina comigo, no começo até parece organizado, mas quando tudo tá em destaque, nada realmente se destaca. Na hora que você precisar encontrar informação certa, esse excesso vai virar um ruído e vai atrapalhar o acesso que você precisa ter ao que realmente importa.
Então, no seu caderno, o que você precisa anotar? O mais importante são os conceitos gerais que você aprendeu na aula. Isso você precisa anotar, aquilo que forma a base do seu entendimento. E anotando essas informações, anotando esses pontos, você não está só registrando, né, os pontos principais. Somente o ato de você tá escrevendo ali, né, já ativa circuitos motores e atencionais, o que vai contribuir, o que vai ajudar a manter o seu foco e estabilizar essa primeira camada da memória. Além disso, o que deve permanecer ali? Mais um ponto importante: esse caderno deve guardar apenas o que você ainda não sabe, o que você ainda precisa consolidar, o que ainda precisa ser compreendido, estabilizado, consolidado. Então, se você tá vendo um excesso de informações que você já sabe, quando você percebe que ali tem uma informação que já foi aprendida, né, eh, provavelmente vão ter ali ideias centrais, conceitos fundamentais, enfim. Essas informações não precisam mais estar ali. E sim, isso significa que você precisa apagar. Eu sei que isso gera uma certa resistência porque dá a sensação de que todo aquele esforço foi perdido, mas na prática é o contrário. Apagar é o sinal de que o conhecimento saiu do papel e foi para sua mente. Esse processo é essencial para você manter o seu caderno funcional e evitar que o excesso esconda aquilo que realmente importa.
Na prática, você está deixando de terceirizar o que é função do seu cérebro. Você já ouviu falar do conceito das bengalas nos estudos? Quando você deposita expectativa demais em um material, né, ou seja, em um caderno ou em uma aula, você está terceirizando o esforço cognitivo. É como se você dissesse ao cérebro: "Não precisa guardar isso, depois eu vejo ali no caderno." E o cérebro acredita. E isso cria uma bengala, uma muleta. E quem usa muleta não fortalece o músculo.
Então, onde o esforço cognitivo precisa começar? Ele precisa começar na aula. Você não pode perder essa oportunidade. É ali que você constrói uma base sólida que depois será fortalecida com revisões espaçadas, com prática, com tempo. Inclusive, depois eu posso trazer uma aula para vocês sobre revisões espaçadas. Se vocês quiserem, escreve aqui no comentário.
Então, gente, não terceirize para o caderno aquilo que é função do seu cérebro. Comece o esforço cognitivo já no primeiro contato com o conteúdo. E na próxima aula eu vou trazer outras técnicas de estudo. E se esse conteúdo fez sentido para você, segue o canal, compartilha com alguém que também estuda, salva essa aula para você rever depois. E se você quiser acelerar esse processo, é exatamente por isso que eu criei materiais mais aprofundados, o e-book Neuros, que te ensina a estudar de forma muito mais inteligente, entendendo como que a atenção, a memória e a consolidação realmente funcionam. E eu tenho também o e-book Como parar de procrastinar e o e-book do caos à calma, que trazem técnicas práticas de autocomando emocional para você sair da instabilidade, ganhar clareza mental e atingir os seus objetivos. E para quem quer tudo isso, eh, de uma forma mais acessível, eu reuni esses conteúdos em um único combo, pensando justamente, eh, em torná-los mais acessíveis. Então, eh, depois dá uma olhada lá, os links estão aqui na descrição desse vídeo, eles podem te ajudar bastante.