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[Música] Oi pessoal, eu sou Amanda Costa, especialista em psicologia positiva. E nesse episódio, a gente vai tratar de um tema que certamente já fez, está fazendo ou fará parte da vida de todas as pessoas em algum momento: a depressão. Mesmo que você nunca venha vivenciar essa condição, em algum momento você terá contato com uma pessoa próxima que vai estar passando por isso.
[Música] Praticamente toda pessoa viverá alguma forma de depressão ou terá contato com alguém nessa situação. E, ao contrário do que a maior parte das pessoas normalmente pensam, não existe apenas um tipo de depressão. Aqui no canal, já falamos sobre a depressão severa e a distimia, que é a depressão oculta. Mas mesmo a depressão severa pode ser diferenciada em quatro tipos, que são descritos pelo psicólogo americano com base em sua prática clínica. Para ele, existe a depressão situacional, a depressão biológica, a psicológica e a existencial. Conhecer essas quatro manifestações da depressão ajuda as pessoas a comunicarem melhor o que estão sentindo e a procurar a ajuda que precisam.
Vamos ao primeiro tipo: a depressão situacional, que é justamente aquela que vivenciamos diante de certas situações. Por exemplo, durante o isolamento social da COVID, muitas pessoas que nunca tinham se sentido deprimidas sofreram emocionalmente com a falta de contato social. Outras situações, como o fim de um relacionamento, uma reprovação em um concurso para o qual você se preparou tanto, uma perda financeira grave, são situações que podem levar alguém a entrar em depressão situacional. Então, se você já sentiu uma tristeza profunda em resposta a esse tipo de situação, você atravessou a chamada depressão situacional. O que é perfeitamente normal. Afinal, somos seres humanos e reagimos com tristeza, inclusive por longos períodos, em resposta a acontecimentos negativos ou a situações de isolamento. Muito poucas pessoas permanecem imperturbadas quando perdem o emprego ou uma pessoa amada. Então, não há nada de errado em se sentir deprimido em casos assim. Agora, quando essas emoções perduram por mais do que algumas semanas, isso é sinal de que a pessoa provavelmente está vivenciando uma outra forma de depressão.
Vamos conhecer, então, a depressão biológica. Nessa situação, os sintomas depressivos começam com desbalanceamento em algum dos neurotransmissores, como a serotonina ou a norepinefrina, ou em algum tipo de hormônio, como estrogênio, a progesterona ou a tiroxina. Essas substâncias afetam o nosso humor e a nossa fisiologia. Existem casos em que alterações em neurotransmissores e hormônios podem levar diretamente a sentimentos de desespero ou de desmotivação profunda com a vida. Outras vezes, o caminho para a depressão é pavimentado por outras condições, como hipotireoidismo ou apneia do sono, porque elas reduzem os níveis de energia da pessoa, uma condição conhecida como síndrome de baixa excitação. E essa falta de excitação ou motivação provoca desinteresse, sensação persistente de cansaço, dificuldade de raciocínio lento. E, é claro, tudo isso pode levar a um quadro depressivo, já que a vida social da pessoa despenca junto com a vida profissional e afetiva. A síndrome de baixa excitação não é, em si mesma, depressão. Ela simplesmente torna as nossas atividades diárias e a conquista dos nossos objetivos pessoais muito mais difíceis. E quando os fracassos começam a se amontoar, entramos em padrões de pensamento negativos, nossa autoestima vai lá para baixo, e é quase impossível não se deprimir. Mas tudo começou com alterações bioquímicas que não levaram diretamente à depressão, mas a tornaram mais fácil. Então, existem dois tipos de depressão biológica: aquela que é resultado direto de um desbalanceamento em neurotransmissores e hormônios, e aquela que surge em decorrência de limitações provocadas por mudanças, limitações que dificultam o nosso funcionamento satisfatório em uma ou mais áreas da vida. Em qualquer caso, quando fatores biológicos começam a gerar sintomas depressivos, isso se torna um ciclo vicioso. Então, é preciso quebrá-lo. E aí que a medicação pode ser de muita ajuda, seja um antidepressivo, um tratamento específico para a condição médica que indiretamente levou à depressão, como o hipotireoidismo. De acordo com o doutor Cotone, a medicação por si só não resolve os problemas, mas ela consegue produzir na pessoa um estado biológico de maior energia e concentração, e isso aumenta a capacidade do paciente de implementar as mudanças discutidas na psicoterapia.
O terceiro tipo de depressão é a psicológica. Ele tem esse nome porque está diretamente ligada a fatores psicológicos, como perda de perspectiva, expectativas irrealistas e diálogos mentais negativos. A questão é a seguinte: a maior parte das pessoas terá alguns sonhos esmagados pela realidade. Isso será uma experiência bem difícil. Só que, para alguns de nós, a principal forma de lidar com isso será evitando criar novas expectativas e esperanças para não sermos decepcionados novamente. É claro que, dependendo da situação, não há problema em fazer isso. Mas quando a pessoa começa a usar esse mecanismo o tempo todo, ela se torna apática e desesperançosa. A vida se torna um fardo. Mas também há casos em que a depressão psicológica é resultado de relações amorosas. Existem relações nas quais as pessoas permanecem juntas mesmo quando fica claro que elas desejam coisas diferentes da vida. E essa permanência pode acontecer por vários motivos, o que não impede as pessoas de sofrerem prejuízos emocionais com isso. Nessas situações, a psicoterapia pode ajudar a descobrir se a relação ainda pode ser salva ou se a separação é necessária para aliviar os sintomas depressivos.
Por fim, existe um quarto tipo de depressão: a depressão existencial. Na imensa maioria das vezes, a depressão existencial é resultado de uma experiência positiva de algo que a pessoa desejava há muito tempo. Mas como uma experiência positiva pode desencadear um episódio depressivo? Bom, a questão é que muitos de nós decidimos nos dedicar a determinados objetivos que acreditamos que vão tornar nossas vidas mais significativas, que vão nos deixar mais realizados. Esses objetivos podem ser uma casa grande, uma carreira bem-sucedida, trabalhar em uma determinada empresa, ter um filho, fazer uma viagem dos sonhos. Não importa o objetivo. O problema é que, quando organizamos nossa vida em torno da obtenção de certas conquistas, muitas vezes criamos expectativas irrealistas de que viveremos em estado de graça quando chegarmos naquela meta tão desejada. E, de fato, conquistar aquele objetivo pode trazer muita satisfação. Mas, para muitas pessoas, essa satisfação será passageira. Porque reconhecer que você gastou uma grande parte do seu tempo de vida e da sua energia perseguindo um objetivo que não te trouxe um estado permanente de satisfação com a vida, isso é um baque suficiente para deixar muita gente deprimida. A pessoa começa a se questionar se não perdeu tempo demais, se existe realmente alguma coisa que possa dar sentido à vida dela, se existe algo que vale a pena ir atrás. São perguntas próprias da depressão existencial. Um tipo de depressão que frequentemente leva a pessoa a questionar tudo em que ela já acreditou. Sim, porque, como ela não obteve o significado que esperava atingir ao conquistar aquele objetivo, as coisas que ela gostava na vida deixam de ser satisfatórias, e ela se sente perdida, sem ter mais uma grande meta assim buscada no futuro. Mas há casos em que a depressão existencial pode ser resultado de uma experiência negativa que se tornou permanente. Por exemplo, ao receber o diagnóstico de uma doença terminal ou ao sofrer um dano físico que impossibilita o estilo de vida que a pessoa tinha antes. São situações que nos fazem perceber que toda nossa vida está sujeita a perdas sérias e a mudanças radicais indesejadas. Provavelmente, a depressão existencial é a mais difícil de ser tratada, porque as medicações não restauram o sentido de vida da pessoa, não criam um propósito ou uma nova identidade. As psicoterapias que tratam sintomas concretos, como pensamentos irracionais, também não ajudam muito, já que os sintomas existenciais surgem de um lugar muito profundo. De acordo com o doutor Cotone, o tratamento da depressão existencial requer um longo tratamento, combinando diferentes estratégias.
Bom, resumidamente, estes são os quatro diferentes tipos de depressão. E uma pessoa pode sofrer um episódio depressivo que combine duas ou mais delas. E um terapeuta pode ser muito útil ao ajudar a pessoa a compreender quais as formas de depressão que estão combinadas em seu sofrimento. Por isso, como sempre dizemos, se você se reconhece em alguns desses sintomas, nunca tenha medo ou vergonha de procurar um profissional de saúde mental. Existem bons profissionais para todos os bolsos, inclusive para quem não pode pagar. Se você não tem coragem ou energia para ir sozinho, peça a um amigo para te acompanhar na primeira. Obrigada por ouvir e até o próximo episódio.