Transcription
E se a gente pudesse usar dados para analisar o comportamento humano? Esse é o nosso terceiro episódio. Tenho convidada especial e hoje a gente vai falar de uma ferramenta de assessment que é o PDA. Para quem eu recebo aqui, a Cint Oliveira, é nossa executiva de negócios, é consultora e também é certificada, gente, em duas ferramentas, o disc, que a gente já falou lá no primeiro episódio, e agora essa nova ferramenta que a gente vai apresentar que é o PDA. Bem-vinda, Cíntia.
>> Muito obrigada. É um prazer estar aqui com vocês hoje. Obrigada pelo convite. E ela tá super ansiosa para falar dessa certificação que ela tem aí. O que que é esse tal de PDA? Qual que é o principal diferencial desse assessment perante outros que tem no mercado?
>> Legal. Então, o PDA ele é um assessment que nos ajuda a mapear a nossa tendência comportamental com base em cinco eixos: o eixo da extroversão, do risco, da paciência e da norma. Até aí existe uma similaridade com outros assessments que medem tendências comportamentais. O pulo do gato é que o PDA ele traz o quinto eixo, que é o eixo do autocontrole. E aí é interessante, Elis, porque ele vai nos indicar como é que a gente processa as nossas emoções. Então, diante de situações de conflito, eh, tomada de decisão complexa, altos níveis de estresse, como é que eu processo eh essa demanda, a demanda desses estressores externos? Como é que eu processo isso internamente? a minha tendência é mais emocional ou é mais racional? E aí um ponto importante aqui é entender. Ah, a gente aqui não tá trazendo um dado para avaliar, ah, então eu sou controlada, uma pessoa controlada ou descontrolada. Não é sobre filtro, é sobre a forma como você processa as suas emoções. E aí uma visão macro, a gente tem um pouco mais de contexto para direcionar esses profissionais. É claro que eu já tô pensando aqui um monte de exemplo e também me chamou a atenção que você trouxe eh o o terceiro ponto aí da paciência. E de verdade, nos assessments que eu conheço, pode até vir ali uma aparente análise desse nível de paciência, mas aqui parece que tem algo eh diferencial no PDA. Você pode me dar exemplos em relação a isso?
Posso? Então, por exemplo, eh, uma pessoa, eu vou traçar aqui um perfil, né, aleatório, uma pessoa com uma extroversão alta, um risco alto, uma paciência baixa, uma norma baixa e um autocontrole mais emocional. Eh, como é que seria a tendência dessa pessoa? Porque a gente não rotula, né? Não é assessment, não é sentença. Então, são tendências. A paciência, ela não vai falar também sobre descontrole ou reatividade, ela vai falar sobre um nível de energia, vai falar sobre pessoas muito ativas, sobre pessoas mais ousadas, sobre pessoas muito dinâmicas, autônomas. Então, quando a pessoa tem uma paciência mais alta, por exemplo, eh, ela normalmente vai ser uma pessoa mais contida, vai ser uma pessoa mais conservadora na sua tomada de decisão. É mais ou menos por aí. Deu para Deu para entender?
>> Sim. Achei bastante interessante essa comparação, porque daí você já trouxe até outros eixos por ali. E Cíntia, a gente sabe que para liderança é sempre bastante interessante eh conseguir perceber a equipe através de análises de dados. Como é que a gente traz o PDA nessa tomada de decisão da liderança a partir de perceber o time?
>> Legal. Então, eh, o PDA ele vai nos dar duas visões base. Ele vai trazer o gráfico do teu perfil natural, que é como você opera no dia a dia, eh, de uma maneira mais espontânea. E o gráfico adaptado, que é, ele traz uma espécie de raio X do teu momento atual. Então, como está, não, como é como está a Elis hoje no contexto profissional dela? Aí a gente vai fazer, vai cruzar, fazer um cruzamento de dados e a gente vai ter outros indicadores, nível de energia, motivadores e o que que é isso, né? Então, entendendo um pouco melhor quanto de energia eu preciso colocar para para desenvolver ou para performar em determinadas tarefas. Então eu vou fluir mais naturalmente naquelas tarefas onde eu tenho mais habilidade e eu vou ter que colocar um pouco mais de esforço e energia naquilo que se distancia do que é o meu natural. E como é que o líder pode fazer uso disso? Bom, uma vez que ele tem esses dados em mãos, ele pode traçar um plano de ação adequado, aderente aquele o perfil daquele profissional, ajustar a sua comunicação, eh definir uma estratégia de feedback, calibrar metas, enfim, eh ele tá olhando para aquele profissional para além do óbvio, com com base em dados. Então ele vai tomar decisões naturalmente mais assertivas.
Ô Cíntia, você tá me dizendo então que nesse eh relatório do PDA traz ali o que seria o perfil natural e o perfil adaptado. Isso se tiver grande divergência nesses dois quadros apresentados, o que que indica pra liderança e se deveria até tomar alguma ação a partir disso?
>> Legal, essa é uma ótima pergunta, não tem como afirmar, mas eh nós temos alguns indicadores aí. Então, quando existe uma discrepância muito grande do adaptado pro natural, eh, a gente vai entender isso, a gente vai partir desse dado e a gente vai evoluir para conversas, né, a fim de traçar aí um plano de desenvolvimento. Mas via de regra, esse profissional pode estar desmotivado, ele pode ter uma percepção de que o seu potencial tá sendo subaproveitado ou ele pode não estar muito bem alocado. Então tem >> pode ser uma mudança recente de cadeira. >> Pode ser uma mudança recente de cadeira. Então quando o líder ele tem essa percepção, ele ele vai a fundo para entender o dado, ele pode evitar um um algum problema ali na frente e pode eh tomar ações eh que vão trazer resultados concretos aí mais assertivos. E aí é legal, só para antes de fechar esse ponto, Elis, eh, que existem estudos, eh, uma pesquisas da Galo que nos indicam que um ambiente onde o engajamento é mais alto, e aí a gente entende que quando os profissionais eles se sentem respeitados, eh, vistos por quem eles são, então, poxa, o meu líder ele ele tá aqui, ele tá considerando o meu perfil fio comportamental, aqui onde eu fluo melhor ou não, enfim, o engajamento tende a aumentar. E aí unidades onde o engajamento é maior, elas aumentam em até 21% a sua lucratividade, 17% na sua produtividade.
>> Cíntia, você trouxe que o PDA traz ali uma análise de energia e motivadores. Por que que isso é tão interessante e importante nesse contexto atual?
Se a gente imaginar, Elis uma era de mudanças muito rápidas, de demandas complexas, simplesmente saber o que o que o profissional faz, mais concorda, eu preciso fazer a pergunta, por que ele faz o que ele faz em todos os os domínios ali dessa desse profissional. E esses indicadores, eles vão nos falar sobre o que essa pessoa busca, o que ela evita, o que mantém ela performando por mais tempo. São esses os dados que a gente vai poder usar para, enfim, desdobrar em conversas, em planos de ação mais assertivos. E até eu vou dar uma espiada aqui na minha colinha porque eu trouxe um dado interessante sobre aqui, ó. Tem existem pesquisas internacionais que apontam que empresas que utilizam assessments comportamentais como o PDA, elas melhoram em até 29% a performance das equipes e podem reduzir até 36% o turnover. Por quê? A gente tá de novo falando em colaboração, em engajamento, em senso de pertencimento.
>> Cinttia, eh, na sua experiência, tanto aí acompanhando pessoas, né, cumprindo ali com assessment e na devolutiva, o que que mais costuma surpreender o líder ou até uma pessoa que recebeu, eu mesma fiz meu PDA e tiveram coisas ali que me surpreenderam. O que que é mais comum de surpreender quando a pessoa recebe esse relatório do PDA?
Eu vou começar trazendo um ponto de novo. Eh, pesquisas nos indicam que nós temos uma autopercepção meio meio turva sobre a nossa performance real. Sim. >> Tá certo? Algo que eu eu já eu já dei inúmeras dezenas de devolutivas e não raras às vezes as pessoas me trazem eh o seguinte: Cíntia durante ou depois da devolutiva, como é que eu faço para mudar o meu perfil? Por que que você quer mudar o seu perfil? Porque eu não vou conseguir aquele aquela promoção. Como é que eu vou me encaixar em em um cargo de liderança, por exemplo? eh se eu sou introvertida, se eu tenho eh eu eu tenho um risco baixo, enfim, quando a pessoa vai recebendo a devolutiva, ela normalmente se identifica com a maioria eh dos dados apresentados, até porque o relatório reflete o que a a o que o pesquisado respondeu. Entretanto, as eh via de regra, as pessoas elas têm uma visão, elas não têm uma visão eh muito assertiva sobre elas mesmas. Então, o que que eu devolvo? Você não precisa mudar. Você não você não precisa querer mudar. Você precisa se apropriar de quem você é. Você precisa entender eh como é que você se torna eh a melhor líder ou melhor líder dentro do teu perfil. E é claro, uma maturidade, uma consciência ampliada em perceber também quais são os meus gaps, quais são os meus pontos fracos, onde eu preciso investir, né, na no meu aprimoramento.
>> Eu vou trazer aqui um ponto de vulnerabilidade. Eu fiz o meu PDA, eh, e pedi para pra Cíntia olhar o meu relatório e me trazer ali uma devolutiva dele. E para mim o que me surpreendeu quando eu vi foi e perceber que eu estava ali é mais num emocional deste eixo do autole, >> no eixo do autocontrole perceber que eu estava no emocional. E no meu dia a dia eu me percebo alguém que atua de uma maneira mais racional e até as pessoas que estão ali ao meu redor costumam me dar essa devolutiva. Então aquilo me surpreendeu e aí eu perguntei: "Sent, mas o que que isso quer dizer?" E aí você fez uma boa tradução. Essa costuma ser eh uma ponta ali que cutuca a pessoa que ela vê o relatório dela.
>> É, então e você vê você muito bacana o que você trouxe. É algo muito pessoal, é muito individual porque >> cada pessoa é um universo único. Então, existe uma diversidade infinita de perfis, porque os perfis eles vão sendo, eles vão se apresentando não eh eh analisando os eixos individualmente, mas o conjunto da obra, né? Por mais, por exemplo, que eh você tenha afinidade com alguém e se perceba eh parecida com essa pessoa em algumas características, no fim do dia você é única, eu sou única e assim vai. Então essa questão que você trouxe especificamente, eu não tinha recebido ainda, não tinha me deparado com esse exatamente essa, mas com outras eu já atendi executivos e profissionais que almejavam aí um cargo de liderança, uma promoção com um perfil mais introvertido, sabe assim, mais low profile, mais conservador, eh com uma necessidade de desenvolver habilidades de oratória, enfim, Me vem a memória agora algumas dessas situações onde me questionaram nessa mesma linha que você, esse eixo, né, da extroversão ou da paciência. Isso é importante, Elis. É papel do analista que tá dando essa devolutiva. Não deixar ele sair da devolutiva com dúvidas, deixar claro que não existe perfil bom e ruim e deixar e deixar claro o que significa cada um dos eixos para o PDA, né? Porque a gente fala em paciência, vem um senso comum. A gente fala no autocontrole, o autocontrole ele gera bastante ruído, sim, porque como eu disse, as pessoas têm uma tendência a pensar em autocontrole. Então, se eu sou racional, eu sou controlada, se eu sou emocional, eu sou descontrolada. Não, é só uma uma forma de sentir, não tem melhor ou pior.
>> E Cíntia, nesse aspecto, eh, a pessoa que tá ali nos acompanhando, quem tá assistindo a gente, pode ser que estejam com vontade de ter acesso ao PDA, saber como é que tem ali uma possibilidade de conhecer esse acesso, se há um investimento ou não. E até a importância assim de para além de receber o relatório, ter também um acompanhamento de alguém certificado. É isso?
>> Esse ponto é bem importante. Então, vamos lá. Eu sou certificada e existem algumas premissas. Primeira, o PDA ele não faz distinção entre perfil bom e ruim, né? Ele traz aí as diferenças e ele serve como uma ferramenta de autoconhecimento. Segundo, dentro do que você me perguntou, não existe fazer responder o teste e receber um relatório e tchau. Não, necessariamente você precisa receber uma devolutiva por um profissional certificado. Por quê? Eh, imagina se você tivesse, por exemplo, você que já fez, se você tivesse respondido seu PDA e simplesmente recebido o seu relatório sem que ninguém te desse uma devolutiva e te explicasse, né? >> Então, até onde eu sei, não é não acontece, não deveria acontecer como um exame médico mesmo, né? Ah, se a gente faz um exame de sangue, ok, tem algumas coisas que são intuitivas ou que você eh pelo pelo histórico, você consegue identificar se você está eh bem ou não, ou se tem alguma preocupação, mas você não sabe a fundo analisar se você precisa de algum complemento ou não. E é por isso que você conta ali com >> E mesmo que você jogue no chat PT, não vai ser a mesma coisa. Que esperamos que não seja a mesma coisa. a mesma coisa que se a pessoa certificada.
Eu fiz uma pergunta eh importante quando a gente fez o primeiro episódio aqui com Alessandra Rufina, um beijo para ela sobre disc, que é a questão da imparcialidade deste profissional habilitado, certificado que vai dar devolutiva. Como é que a gente minimiza o efeito dessa preferência individual quando eu vou devolver um relatório, fazer uma devolutiva para uma pessoa?
Você diz por assessment, preferência? >> É por conta do do profissional, porque eh você vai me dar a a devolutiva do do meu assessment. Se você tem preferências individuais de perfil, como é que eu recebo essa situação com essa parcialidade? Porque a parcialidade está em todos os lugares. Como é que a gente minimiza e até para quem vai receber pode até identificar o quanto esse profissional está habilitado? Se eu tô eh aplicando o assessment, né, por exemplo, que você tá trazendo a de estar ou não habilitado, eh a empresa está investindo nesse profissional, então a empresa tá aplicando o teste com algum objetivo, né? precisa precisa estar claro para para pro profissional e pro analista qual é o objetivo, onde a empresa, para onde ela quer ir, porque o PDA ele vai trazer dados para que você possa trabalhar, para que esse sujeito possa se desenvolver, não para ele receber aí uma resposta: "Não, você não está apto". ou você sim, você está apto. Esse não é o propósito da ferramenta. Outro ponto sobre imparcialidade, eu não vou, o meu papel não é eh interpretar, >> perfeito. Analisar. Então é uma análise de dados. Se isso vai se desdobrar para um processo de mentoria, para um processo de coaching, aí são outros 500. Mas nesse momento da devolutiva, eu vou fazer a leitura desse relatório com esse profissional. Eu vou explicar para ele o que que tá, eu vou explicar e validar com ele. Você tá se identificando aqui? Sim. Ah, sim, legal. Ah, aqui não. Ah, então vamos entender. Aí eu vou entender a techa como como aconteceu com a gente. >> Não, eu não vou dizer isso para ele, mas lá na minha cabeça, não. Eu vou achar esse fio da meada. você não pode sair daqui sem se identificar, porque a não ser que existe apareça alguma inconsistência no relatório, isso pode acontecer. É um um caso interessante aconteceu comigo, uma pessoa que veio para mim indicada, ela tava participando de um processo chamava eh processo recolocação, cuja primeira etapa era a aplicação do PDA e eu eu que fazia, eu que aplicava. E ela não respondeu de forma genuína ao relatório, porque ela sabia que aquele, o resultado daquela trilha seria a possibilidade ou não de uma promoção. E ela tentou responder o que ela achava que ali os gestores queriam eh ler ou receber. Só que a gente tem como mapear isso >> com a ferramenta. É. E aí na conversa eu consegui, a gente conseguiu chegar nesse lugar, né? E aí foi bacana também porque a gente conseguiu conduzla para um outro processo, né? Eh, ou dar luz a algumas questões que ela também precisava esclarecer.
>> Maravilha. Sento a gente tá muito chegando no final, mas eu tenho que fazer essa pergunta para você. Como é que foi o impacto do autoconhecimento eh até por meio do PDA na sua vida?
Bom, o PDA em si foi como um ponto de partida, vai. O PDA por si só, ele não vai trazer todas as respostas, mas ele é um convite para que você mergulhe em águas mais profundas. Então ele ele é um start. Eh, e uma vez que você começa, que você entra nesse universo do autoconhecimento e entende o quanto isso é valioso pro nosso crescimento quanto seres humanos, não é um caminho sem volta. O PDA, eu diria, foi um ponto de partida, uma boa base para gerar curiosidade e entender alguns pontos importantes onde eu precisava amadurecer, onde eu precisava me aprimorar. Então, quando você entende onde você está, para onde você quer ir e consegue usar dados ali concretos para trabalhar o que tá no meio desse caminho, fica mais fácil, fica mais leve.
>> Senti muito obrigada por ter vindo aqui gravar com a gente.
>> Foi super rápido o episódio. >> E você que tá nos acompanhando, olha só, sabe quem é que vai passar o resto da vida com você? você mesma, você mesmo. Então é necessário se autoconhecer. Espero que esse episódio tenha te ajudado. Fica com a gente, curte, comenta e compartilha. Até o próximo. Tchau.