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O QUE ACONTECEU COM A PEQUENA MISS JONBENÉT RAMSEY?

Jaqueline Guerreiro1:33:01

Transcription

Oi, bonitas e bonitos, tudo bom com vocês? Começando mais uma quinta misteriosa aqui no canal. Se você é novo por aqui e ainda não tá inscrito, aproveita e já se inscreve aqui embaixo, que tem vídeo novo para vocês toda segunda e toda quinta. Playlist completa com todos os casos que eu já contei aqui no canal vai estar aqui na descrição para vocês. Corre lá, maratonar que tem mais de 400 casos. Quinta misteriosa também é podcast, para ouvir quando e onde quiser. E não esquece de me acompanhar nas redes sociais, que eu vou deixar aqui na tela para vocês. Me sigam por lá, que tem conteúdo exclusivo.

Conforto é uma prioridade para mim na hora de me vestir, tanto no meu dia a dia quanto para gravar aqui para vocês. E se tem uma marca que preza por conforto, essa marca com certeza é a Insider. E para quem cometeu a loucura de deixar a Black Friday da Insider passar, calma que ainda dá tempo. Mas essa é a última oportunidade do ano de aproveitar as melhores promoções da Insider, que somadas ao meu cupom de 15%, podem chegar até a 40% de desconto.

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E agora, bora começar o caso de... [Música] [Aplausos]

Hoje, como vocês viram no título, vocês já sabem qual caso eu vou contar hoje. E quem me acompanha há muito tempo, ou quem já zerou a playlist do Quinta, sabe que eu já contei esse caso lá no comecinho. Eu lembrava que tinha sido muito no começo, mas eu queria saber quanto no começo. E eu fui ver, foi um dos primeiros vídeos, foi o quinto vídeo que eu fiz aqui pro Quinta Misteriosa. Esse é um caso que eu conheço há muitos anos e eu contei lá atrás, em 2018, que é o caso da JonBenét Ramsey. E o vídeo é super curtinho, tem 15 minutos. E eu lembro que quando eu pesquisei esse caso lá atrás, era muito difícil de entender o que era fato, o que era teoria, o que era suposição. E era um caso que me intrigava muito. E, enfim, era um caso que... me marcou muito.

E aí, assim que eu descobri que ia ter um documentário, no dia que soltaram esse documentário, eu estava lá assistindo imediatamente. Eu pensei: "Não, eu vou fazer esse vídeo de novo para vocês, agora com detalhes". Porque documentário é sempre uma das melhores coisas, eh, quando se trata de pesquisar vídeo para vocês, né? Pesquisar fontes de pesquisa, no caso. Porque, eh, quando tem muitas pessoas falando sobre, pessoas que participaram, então a gente sempre tem detetives, a gente tem pessoas que estavam lá quando aconteceu, né? Pessoas da família, eh, jornalistas, pessoas que participaram da investigação do caso. Então são muitas fontes, isso agrega muito. Então, pela primeira vez, eu senti que eu ia conseguir trazer realmente muitos detalhes e muitos fatos sobre esse caso. Então, pela primeira vez, eu senti que eu ia conseguir trazer esse caso com muita clareza, mas ao mesmo tempo, não tanto. E vocês vão entender conforme eu for contando esse caso de novo para vocês. Só que agora, como eu disse, com muitos e muitos e muitos detalhes.

Então, acabou de sair um documentário sobre esse caso na Netflix. São três episódios. Gostei muito do documentário, achei que é um documentário super legal, é que tem muita, muita, muita informação. Então, ele não é um documentário que fica enrolando, sabe? Então, depois de assistir o vídeo aqui, se vocês quiserem assistir lá, vale super a pena. Tem muitas pessoas que dão depoimentos lá no documentário, que é sempre, sempre muito legal, agrega muito. Então, como eu disse, já contei esse caso para vocês lá atrás, lá no comecinho do Quinta. Imagina, a gente 2018. Então, agora vou trazer de novo para vocês com muitas, muitas, muitas informações novas. Então, bora começar.

JonBenét Patricia Ramsey nasceu no dia 6 de agosto de 1990, na cidade de Atlanta, localizada no estado da Geórgia, nos Estados Unidos. Seus pais eram Patricia Ann Ramsey, apelidada de Patsy, e John Bennett Ramsey. Então, aqui vocês puderam perceber que o nome da JonBenét é uma junção dos dois primeiros nomes do seu pai. Um fato do qual ela tinha muito orgulho e sempre contava para as pessoas e para as suas amigas que o seu nome era justamente a junção dos dois primeiros nomes do seu pai. Ao todo, a JonBenét tinha quatro irmãos. O seu pai, ele teve um casamento anterior com uma mulher chamada Lucinda. Então, esse casamento durou de 1966 a 1978. Então, juntos, nesse primeiro casamento, John e Lucinda tiveram três filhos: Elizabeth, apelidada de Beth, Melinda e John Andrew.

O John, em 1980, ele estava há pouco tempo divorciado da sua primeira esposa quando ele conheceu a Patsy. Para vocês entenderem, ele é 12 anos mais velho do que a Patsy. Quando ele conheceu ela, ela tinha 23 anos e ele tinha 35. Ele conta que, no começo, ele não tinha interesse em namorar com ela porque ele achava que ela era muito nova para ele. Mas aí ele conta que ele percebeu que ela era muito inteligente. Eles foram conversando, se aproximando cada vez mais e acabaram dando certo como casal. Eles se casam em 1980. E aí, 7 anos depois, no dia 27 de janeiro de 1987, nasce o primeiro filho do casal, chamado Burke Ramsey. E aí, 3 anos depois, nasce a JonBenét em 91.

John trabalhava como empreendedor independente. Ele fundou uma empresa de representação comercial que revendia equipamentos eletrônicos no ramo da informática, chamada Access Graphics. Por sorte, essa empresa cresceu e prosperou muito na época. Eles atingiram o marco de 1 bilhão de dólares em vendas. Com o sucesso, a empresa fundiu com outras duas empresas, e uma delas ficava na cidade de Boulder, no Colorado. Então, a família decidiu que se mudaria para lá por dois anos e depois eles voltariam para Atlanta. Então, eles guardaram bastante dinheiro, fizeram uma poupança. Só que aí os planos da família acabaram mudando.

No dia 9 de janeiro de 1992, a Beth, que é a filha do John do seu primeiro casamento, sofre um acidente de carro e acaba falecendo junto com a outra pessoa que estava no carro com ela. Nessa época, JonBenét tinha apenas 1 ano e meio. E a Patsy diria em uma entrevista anos depois, em 98, que ela e o John sentiram que, mesmo que a filha não entendesse completamente o que estava acontecendo, ela parecia sentir o luto e a dor dos seus pais naquele momento. Inclusive, a JonBenét é descrita como uma criança muito sensível. A Patsy menciona que ela tinha um jeitinho específico de chegar e abraçar os pais.

E aí, no ano seguinte ao falecimento da Beth, a Patsy descobriu que ela estava com câncer. Faziam alguns meses que ela estava sofrendo com distensões abdominais e, por insistência da sua mãe, Nedra, ela foi ao médico checar o que estava acontecendo. Então, ela fez um raio-x e identificaram um tumor em sua região abdominal. Depois de mais exames e pesquisas, descobriram que era, na verdade, um câncer de ovário que chegou ao estágio quatro. Por um tempo, ela precisou ficar internada para fazer o seu tratamento. Os filhos iam visitá-la no hospital e, de maneira carinhosa, JonBenét, mesmo tão pequena, dizia para a mãe que tudo ficaria bem e ela não sentiria dor por muito mais tempo.

Depois de um ano fazendo tratamento com quimioterapia, Patsy conseguiu se curar do câncer. Ela disse que lutou contra a doença pelos seus filhos, que eram a razão de tudo na vida dela. Para acompanhamento, ela precisava ir anualmente ao médico porque ela estava em remissão, que é o período em que o paciente não apresenta mais sintomas depois do tratamento, mas a doença poderia voltar. Então, eles precisavam monitorar sua saúde para garantir que isso não acontecesse, ou que, se acontecesse, eles tratariam logo no início.

E aí, uma informação que é importante citar para vocês é que quando a Patsy tinha 21 anos de idade, ela tinha participado de um concurso de beleza na Virgínia Ocidental, onde ela morava na época, e ela recebeu o título de Miss West Virginia em 1977. Nessa época, ela estava na faculdade. E aí, segundo a Patsy e o John, eles contam que a JonBenét teria demonstrado interesse pelo mundo dos concursos de beleza. A Patsy diz que a filha sabia que ela tinha vencido um concurso anos antes e que ela sempre perguntava quando ela poderia participar também. Então, levar a filha para participar dos concursos de beleza foi algo que aconteceu devido ao câncer que a Patsy teve. Ela achava que talvez não viveria para ver a filha participar dos concursos quando tivesse 18 anos de idade. Então, a Patsy disse que ela quis dar essa experiência para a filha e quis poder viver esses momentos com ela também. Por isso, decidiu que faria isso naquele momento, enquanto a filha ainda era criança.

JonBenét era uma criança muito carismática, ela gostava muito de se apresentar nos concursos, para ela era uma diversão. Os Ramsey dizem que as meninas não tinham esse senso de competição, que elas participavam dos concursos para se divertir e que a JonBenét era uma dessas meninas. Os pais a incentivavam porque ela gostava. Então, ela participou de vários concursos de miss infantil em Boulder. Ela ganhou vários títulos como a Pequena Miss Charlevoix, Pequena Miss Colorado, Pequena Miss Beleza Nacional, Miss Royale da América e a Garota da Capa Infantil do Colorado State All Star. Esse fato da JonBenét participar desses concursos geraria duras críticas aos seus pais por toda a mídia depois que o caso aconteceu.

Então, agora entrando no caso, como eu falei para vocês, a família morava em Boulder e eles viviam em uma grande casa que tinha ao todo 600 metros quadrados. Era uma casa antiga que foi ampliada e que dava uma sensação de ser um labirinto para quem não a conhecia muito bem. Tanto que no documentário, eles meio que fazem um 3D, digamos assim, da casa para tentar explicar como a casa era por dentro, como eram os cômodos, assim, né, a disposição dos cômodos. E até assim, é meio difícil de entender. A casa era bem grande mesmo, tinham muitos cômodos e ela tinha três andares. Então, eles meio que vão mostrando a disposição assim dos cômodos e até dessa forma fica confuso.

Então, no terceiro andar ficava o quarto principal, né, da Patsy e do John. No segundo andar ficava o quarto da JonBenét, mas ele ficava do lado oposto do quarto dos pais. Do segundo andar para o primeiro, tinha uma escada em espiral. Então, nesse primeiro andar ficava a cozinha, a sala, também tinha uma despensa. E abaixo dele, tinha o porão. Nesse porão era onde a família guardava diversas coisas, entre elas, tinha uma sala que eles chamavam de "sala do trem", que era onde tinha tipo uma maquete enorme do trem do Burke. Então, esse trem ficava lá junto de várias outras coisas que a família guardava. Os Ramsey eram considerados uma família completamente normal dentro da comunidade, né? Então, eles eram pais super amorosos com seus filhos e a JonBenét e seu irmão mais velho, Burke, davam super bem.

Então, agora entrando no caso, no dia 25 de dezembro de 1996, né, era Natal. A família, então, os pais e as crianças, os quatro, foram jantar na casa de alguns amigos do John e da Patsy. Segundo que o John se lembra, eles teriam saído de casa por volta das 6 horas da tarde para ir nesse jantar. Então, eles saem de casa, vão pro jantar e voltam para casa por volta das 9:30. Eles iriam viajar bem cedinho no outro dia para visitar os familiares em Michigan. Ele explica que eles fariam essa viagem porque os seus filhos mais velhos precisaram trabalhar no dia do Natal, então eles só poderiam comemorar mais tarde. Então, era por isso que eles iriam todos se encontrar no Michigan.

A Patsy disse em entrevista em 1998 que ela acordou muito cedo naquela manhã, antes mesmo do sol nascer. Ela se lembra que era por volta de 5:45. Então, ela se lembra de acordar, descer aquela escada em espiral e ir para a cozinha para preparar o café da manhã para todo mundo, antes mesmo de todos acordarem, né, antes da viagem. Só que aí ela conta que, conforme ela foi chegando próximo do pé da escada, ela percebeu que tinha um pedaço de papel jogado ali. E aí ela pegou esse pedaço de papel e começou a ler. As primeiras linhas, ela disse não se lembrar exatamente o que aquele bilhete dizia, porque ela leu: "Estamos com a sua filha". E quando ela leu essa frase, ela imediatamente correu pro quarto da JonBenét. Chegando lá, viu que a filha não estava na cama. Então, ela começou a gritar.

Nesse momento, o John estava no quarto se barbeando. Ele escuta a esposa gritar. E esse bilhete que a Patsy encontrou era um pedido de resgate. Esse pedido era endereçado ao John e era um bilhete bem longo. Então, eu vou colocar aí na tela para vocês todo o bilhete para vocês verem. Então, se vocês quiserem ler ele inteiro, é só pausar o vídeo. Claramente, ali na carta, eles falam para a família não ligar para a polícia, mas o John fala que imediatamente ele manda a Patsy ligar para a polícia. Ela faz essa ligação poucos minutos depois dela ter acordado, por volta das 5:52. Nessa ligação, a Patsy fala que a sua filha foi sequestrada e que deixaram um bilhete de resgate na casa.

E aí o John fala que, nesse momento, eh, a sensação que ele teve foi muito parecida de quando você está com seus filhos no shopping e você perde um dos seus filhos, e você fica com aquela agonia horrível. E de repente, você sente aquele alívio quando a criança é encontrada. Só que o alívio não veio, porque eles não encontraram a JonBenét. E aí eles tinham o Burke, né, que era o filho mais velho, e ele se lembra que a primeira coisa que ele viu aquela manhã foi a mãe dele acordando ele, dizendo que tinham levado a JonBenét.

Antes mesmo da polícia chegar na casa dos Ramsey, eles ligaram para os amigos deles que eles tinham jantado no dia anterior, contaram o que tinha acontecido e pediram para eles irem até a casa deles para dar ali um apoio, um suporte. Então, foi o que os amigos fizeram. Além disso, a Patsy ligou para outros amigos também e fez a mesma coisa, contou o que estava acontecendo, pediu para eles irem até a casa deles. E nisso, chegam os primeiros policiais na casa. Então, dois policiais atenderam a esse chamado e eles chegam na casa por volta das 6:05 da manhã. Esses policiais eram Rick French e Linda Arn.

O detetive do Departamento de Polícia de Boulder era o Bob Whitson. Ele recebeu um bip dizendo para ele conversar com o supervisor do turno da noite, que relatou sobre o caso de sequestro de uma menina de 6 anos de idade. Desde o começo, ele sabia que se tratava de um caso muito raro para a polícia local, que nunca tinha trabalhado em um caso de sequestro com resgate. O Bob colocou dois dos seus policiais no chamado. A inexperiência da polícia local em casos de sequestro afetou muito a forma como toda a cena foi tratada desde o começo. Então, por exemplo, para vocês entenderem, a casa não foi isolada, foi permitido que os amigos da família ficassem no local junto com a polícia, o que afetou muito a preservação da cena do crime, levando em conta que, naquele momento, o caso estava sendo tratado como um sequestro.

Então, uma coisa que eu acho interessante nesse ponto, que é bem no início, né, do caso, o caso ter acabado de acontecer, é interessante a gente tentar imaginar essa cena. Os policiais chegam na casa, os pais estão lá e tinham os amigos também. Então, eles tomaram café da manhã, eles lavaram a louça, tinham todas essas pessoas circulando dentro da casa. Então, isso posteriormente seria reconhecido como um fator que possivelmente afetou a preservação das evidências, né, já que a casa não foi isolada e era o que deveria ter acontecido, né?

O John se lembra de entregar o bilhete, né, o pedido de resgate, para um dos policiais. E esse policial perguntou para ele se a filha dele não tinha fugido de casa. E o John fala que não, que a filha dele tinha só 6 anos, que estava noite, estava frio, estava nevando, e ele tinha certeza absoluta que a filha dele não tinha simplesmente fugido. E aí os detetives conversam rapidamente com o Burke, né, o irmão mais velho da JonBenét, e eles conseguem levar ele para casa de um amigo para, meio que, tirar ele daquele ambiente, né? E aí o John conta que ele conversou com ele rapidinho, disse que a irmã dele tinha sido levada, mas que eles iam dar um jeito de conseguir trazê-la de volta. Nesse ponto, John Speak, ele estava muito focado em trazer sua filha de volta. Então, ele estava muito focado em manter sua cabeça no lugar e em fazer com que isso acontecesse.

Os policiais se avistaram a casa dos Ramsey por volta das 7:30 da manhã e foi nesse ponto que eles perceberam que a casa era muito maior do que aparentava ser por fora. Foi aí que eles perceberam também que o quarto da JonBenét ficava no segundo andar, o dos pais no terceiro, e que eram em lados opostos. Então, seria muito difícil que os pais conseguissem ouvir alguma coisa acontecendo no quarto dela. Então, as autoridades policiais fazem ali uma revista na casa, eles não encontram evidências de crime e também não encontram a JonBenét.

Nisso, o detetive Bob Whitson chega na casa e aí ele vai até o quarto da JonBenét. Ele percebe que a cama dela estava desarrumada, então ele vê que claramente ela teria dormido ali. Então, ele decide fechar a porta do quarto e colocar uma fita isolando o local. E ele explica pro John que ninguém pode entrar no quarto. Os sequestradores escreveram no bilhete que eles fariam a ligação entre as 8 e as 10 horas da manhã. Então, o detetive estava orientando o John a pedir para falar com a JonBenét na ligação. E nesse meio tempo, John estava providenciando o dinheiro do resgate.

Por volta das 9:15, um dos policiais recolheu aquela carta, né, o bilhete do pedido do resgate. E o detetive Bob pediu pro John fornecer uma amostra da sua caligrafia e uma amostra da caligrafia da Patsy para ele. Então, o John entrega para eles dois blocos de notas, um com sua caligrafia e um com a caligrafia da Patsy. Cerca de meia hora depois, o Bob leva essas amostras para a polícia científica na Secretaria de Segurança Pública de Boulder. Na polícia científica, havia um perito em caligrafia que examinaria as amostras.

O Jeff Kitcar, outro detetive, relata que ele estava olhando pro bloco de notas da Patsy e ele percebeu uma folha que ainda estava presa no bloco com o que ele acreditou que era o primeiro bilhete de resgate. Nele estava escrito: "Senhor e Senhora", só isso. E o que parecia ser o traço vertical da letra "R", né, que dava a entender que seria de Ramsey. Ele olhou para aquilo chocado e disse que parecia que o bilhete ou a carta de resgate teria sido escrito naquele bloco de notas de dentro da casa da família. O detetive Jeff foi até o detetive Bob e mostrou isso a ele. Houve um silêncio. Havia um agente do FBI presente e ele disse: "Você sempre tem que investigar a família". Esse agente do FBI era o Ron Walker.

Em 2006, numa entrevista, ele falou que naquele dia ele estava de folga e um dos assistentes de investigação das sedes regionais do FBI ligou para ele relatando sobre o sequestro da JonBenét. Ele conta que uma das principais coisas a serem feitas em caso de sequestro é ler o que está sendo pedido pelos sequestradores. E ao ler, o Ron rapidamente percebeu que se tratava de um bilhete muito longo, o que não é comum. Ele disse que os bilhetes de resgate costumam ser bem curtos e diretos. Outra coisa que foi percebida com estranheza no bilhete foi o valor, que era um valor bem específico, né? Eles pediam $18.000. Ele disse que era um valor considerado baixo para pedidos de resgate, que costumam ser de 200.000 para cima. E além disso, geralmente os sequestradores pedem valores mais redondos, como 250 ou 300.000. Observando esses fatores, o Ron acreditava que o bilhete de resgate era falso.

Enquanto isso, a família aguardava pela ligação dos sequestradores. Segundo John, foram horas angustiantes e eles simplesmente não ligavam. Passou das 10 horas da manhã, o horário limite que estava escrito no bilhete, mas ninguém ligou. A Patsy deu uma entrevista em 1998, ela disse que olhava para os policiais perguntando o que que eles iam fazer, se eles tinham, sei lá, fechado os aeroportos. Ela queria saber qual era o plano deles. Eles disseram que não, que eles não iam fazer isso e parecia não haver um plano. Então, ela estava desesperada, ela queria que fizessem alguma coisa, né, para encontrar sua filha.

Nisso, eles não receberam a ligação, já tinham se passado algumas horas. Era por volta da 1 da tarde e a policial que estava lá no local falou pro John por que ele não dava uma volta na casa, eh, dava uma olhada, né, observava a casa para ver se ele não estava alguma coisa fora do lugar. Então, na companhia de um dos amigos do John, ele começou a dar uma volta na casa. Então, ele desce até o porão, passa por aquele trem que eu falei para vocês, ele vai até um quarto que tinha lá e nesse quarto ele percebe que a janela do quarto estava quebrada e que logo abaixo da janela tinha uma mala que ele achou estranho, porque ele não lembrava de ter colocado aquela mala ali.

Ao observar aquela cena, ele percebeu que aquela mala poderia ter servido de degrau para conseguir subir na janela, porque essa janela específica era uma janela mais alta e, como eu falei, a janela estava quebrada. E aí ele fala que ele tinha quebrado a janela porque ele precisou entrar um dia na casa, ele estava sem chave. Então, a cena para ele era estranha, aquela mala não era para estar ali. Essa janela, específica, ela fica no nível da rua. Então, assim, para tentar explicar para vocês, se tiver foto, eu coloco aí, mas ela fica no nível da rua porque ela fica no porão. Então, em cima dessa janela, tem uma grade. Então, você tem que tirar essa grade para você poder entrar nesse vão, digamos assim, e passar pela janela para conseguir entrar ali. Essa parte específica, né, do porão que eles estavam, e essa janela dava pros fundos da casa, pra parte da churrasqueira. Então, eles acharam estranho, né? Ali estava um pouco esquisito.

Então, eles continuam fazendo a busca ali naquela área do porão e eles entram em uma outra sala que tinha ali, que eles costumavam chamar de adega. Apesar deles não guardarem vinhos ali, eles chamavam essa sala de adega. Esse local estava mais para um depósito que eles guardavam diversos essas coisas. Então, eles entram nesse depósito e é nesse momento que o John encontra o corpo da JonBenét. E ela estava com uma fita na boca, estava com os bracinhos presos com um cadarço. O John imediatamente arranca essa fita da boca dela, eh, ele tenta desamarrar também esse cadarço que ele não consegue porque estava muito preso.

Imediatamente, ele pega a filha nos braços e leva pro andar de cima e começa a pedir ajuda pros policiais que checam se ela tinha pulso, mas percebem que já era tarde demais. Então, assim, essa busca que o John fez nesse momento, ele faz com o amigo, né? Ele não faz com policiais. Então, a coisa certa a se fazer nesse momento seria chamar os policiais, talvez isolar a cena, mas ao mesmo tempo, é um pai que encontra o corpo de uma filha, né? Então, é um... Esse caso, o tempo todo, eu tento me colocar em todos os lados, sabe? Do que seria certo se fazer, mas também é um pai que estava procurando a filha. Então, enfim, eh, as pessoas sempre falam nessa parte: "Ai, porque ele não podia ter feito isso? Ai, porque tinha que ter isolado a cena". Mas ele não estava nem com policial fazendo essa busca. Isso já estava errado. E antes disso, já tinha sido feita uma busca na casa. Então, isso é importante eu relembrar vocês.

No momento que os policiais chegam primeiro na casa, aquele primeiro momento, eles buscam na casa e eles não entram nesse quarto por algum motivo, eles não abriram a porta desse quarto, eles não entram nesse quarto. Então, quem encontra o corpo é o pai, é o John. Então, como eu falei, ele pega o corpo, leva pro primeiro andar e aí era tarde demais, ela não tinha mais pulso. Em um primeiro momento, a Patsy é impedida por uma amiga de ver o corpo. E aí, à 1:12, os detetives avisam que o corpo foi localizado.

De acordo com a Paula Woodward, que é uma jornalista investigativa, ela recebeu de uma de suas fontes a seguinte informação. Ela diz que essa fonte estava em uma reunião de policiais no departamento de polícia e, quando souberam que o corpo foi encontrado, uma pessoa ouviu um investigador cochichando para o outro que sabia que eles, no caso os Ramsey, mataram a filha deles. Pouco depois da descoberta do corpo, John e a Patsy foram escoltados para fora da residência e ficaram na casa de amigos, enquanto a polícia investigava o local. Nesse ponto, a casa foi isolada como cena de crime. E por volta das 9 da noite, o legista saiu da casa com o corpo. Os jornalistas cercaram a casa, mas naquele momento a polícia não deu declarações aprofundadas sobre o caso, apenas disseram que a JonBenét teria sido baleada ou enforcada. Um dos investigadores que saiu da casa forneceu à imprensa o nome e a idade da vítima, mas nenhum suspeito foi publicamente identificado naquele momento.

Os repórteres conseguiram conversar com alguns vizinhos que disseram apenas que ela era uma garotinha bonita e educada. Ao saberem o nome da vítima, os repórteres investigativos passaram a pesquisar e tentar descobrir quem eram os Ramsey. Alguns desses repórteres falaram com a Netflix no documentário. E a Carol M. Linley, repórter investigativa da Fox News Channel, diz que eles estavam caçando por qualquer informação. Em suas pesquisas, os repórteres descobriram que o John era presidente da Access Graphics, uma empresa bilionária com sede na cidade. Descobriram que ele e a Patsy tinham um filho mais velho chamado Burke e descobriram também sobre a morte da Beth, uma das filhas mais velhas do John. A jornalista Paula disse que tentou conversar com todos da família, mas ninguém quis falar com a imprensa.

Segundo o detetive Bob, na autópsia do corpo da JonBenét constava que o seu assassino pegou um cordão branco, amarrou seus pulsos, pegou o mesmo cordão e fez o que é conhecido popularmente como garrote ou ligadura. De acordo com o comandante aposentado do escritório do xerife de Arapahoe, John San Agustin, esse garrote não foi usado em um primeiro momento para matá-la, mas foi usado como mecanismo de controle, porque era algo que poderia ser apertado no pescoço e solto conforme o assassino quisesse. Era possível observar que o garrote foi produzido por alguém que tinha habilidade com isso. Na ponta do garrote, tinha um pedaço de madeira quebrado, que a polícia constatou que pertencia a um pincel da Patsy. O pincel estava no material de arte dela e foi quebrado em três partes. Analisando todos os fatores, constatou-se que a JonBenét estava viva quando o garrote foi feito, porque havia um pouco de cabelo dela preso ao nó. As evidências mostravam que alguém a segurou e usou o pé para segurá-la enquanto fazia o nó do garrote, que foi deixado preso em sua garganta.

O John diz que não se lembra de ter visto esse garrote no pescoço dela, por isso ele achou que ela ainda poderia estar viva. Muita força foi aplicada com esse garrote, ele estava muito preso à sua pele. Logo abaixo da sua garganta, haviam marcas vermelhas que eram consistentes com as suas digitais, como se ela tivesse tentado aliviar a pressão do cordão com seus dedos. Durante o procedimento da autópsia, quando a cabeça dela foi aberta para verificar o estado do cérebro, o legista percebeu que ela foi atingida com um golpe que deixou uma rachadura de 20 centímetros em seu crânio, parte do qual cedeu.

Dentro da residência dos Ramsey, a polícia encontrou dois itens que poderiam ter sido usados para causar o ferimento: um deles era um taco de beisebol que a família tinha e que foi encontrado do lado de fora da casa, e o outro era uma lanterna que foi deixada na cozinha da casa. Apesar das suspeitas, os objetos foram testados e não haviam evidências físicas de que eles tivessem sido usados dessa forma. A causa da morte foi listada oficialmente como asfixia por estrangulamento associado com trauma cranioencefálico. O patologista que examinou o corpo não conseguiu determinar o que aconteceu primeiro. Ele disse que ambas as violências poderiam ter acontecido ao mesmo tempo.

Além de todos os ferimentos já citados, foram encontradas fibras microscópicas no cabo do pincel, o mesmo que foi colocado no garrote, em suas partes íntimas, indicando abuso. Ela também tinha pequenas marcas em suas costas e em seu rosto. Eram marcas que tinham a mesma distância uma da outra. No começo, a polícia acreditou que elas tivessem sido feitas pelos trilhos do trenzinho de brinquedo do Burke, acreditando na possibilidade de que JonBenét tivesse deitado sobre esses trilhos.

Um dos fatores para que o caso tivesse chamado tanto a atenção da mídia em escala nacional eram as fotos e vídeos da JonBenét, suas participações nos concursos de beleza mirins, fazendo apresentações que demonstravam quão cativante e simpática ela era. Muitos canais importantes de TV nos Estados Unidos, como ABC, NBC, CBS e CNN, abriram seus noticiários durante praticamente um mês mostrando essas imagens dela nos concursos. Como eu falei para vocês, essas imagens geraram muitas críticas aos pais da JonBenét. As pessoas diziam que ela passava uma imagem muito profissional e que não parecia uma criança, e sim uma mini adulta. Algumas personalidades da TV diziam até que ela passava uma imagem que chegava a ser sensual, e isso repercutiu de maneira muito negativa sobre os pais dela.

Logo que o caso aconteceu, os pais não rebateram essas críticas e fizeram isso apenas alguns anos depois, em 1998, durante uma entrevista concedida a Michael Taylor, professor e documentarista da Universidade do Colorado em Boulder. Nessa entrevista, Patsy disse que essa sexualização estava na cabeça das pessoas, que não era a intenção dos pais, que eles levavam a filha nos concursos porque ela gostava de ir. O John disse que apenas os pais das meninas que estavam competindo estavam presentes nesses eventos e que elas estavam lá para mostrar o que gostavam de fazer.

Então, agora voltando para a ordem cronológica do caso, então, três dias depois, no dia 29 de dezembro de 96, a polícia começa a receber duras críticas, né, ao trabalho deles, pela forma como eles fizeram tudo, praticamente. Porque, principalmente pelo fato de que eu falei para vocês que muitas pessoas circularam dentro da casa, pelo fato de que o John começou a buscar pela casa com o amigo e não com a polícia, e principalmente pelo fato da polícia ter feito uma busca pela casa primeiro e não ter encontrado o corpo da JonBenét. E principalmente também por eles não terem isolado a casa como cena de crime. E por conta disso, né, muito possivelmente, muitas evidências possivelmente foram destruídas.

Nesse meio tempo, o John San Agustin, que é o comandante aposentado da polícia, disse que isso aconteceu porque eles não tinham experiência em casos desse jeito, que era uma coisa que nunca acontecia na cidade, que eles não tinham experiência porque eles não lidavam com casos desse tipo e que era uma coisa rara de se acontecer ali. Inclusive, ele disse que a morte da JonBenét foi o primeiro homicídio que teria acontecido naquele ano, uma semana antes do ano acabar. Essa falta de experiência da polícia teria ocasionado em uma série de violações no protocolo de cena de crime.

Para as autoridades policiais, o John e a Patsy, né, os pais, eram os principais suspeitos desde o primeiro momento. Mas por um tempo, eles deixaram isso fora da imprensa, fora do olhar do público. Inclusive, o John se lembra de uma coisa que aconteceu logo depois de tudo isso. Ele disse que foi ou no dia 26 ou no dia 27, então logo depois. Ele disse que ele e a Patsy não estavam atendendo ligações, que os dois estavam em choque, então eles não estavam conseguindo nem falar com ninguém direito. Mas aí um funcionário ligou pro John dizendo que precisava falar com ele. Então, ele disse que atendeu essa ligação e o funcionário disse que era uma informação que alguém do governo passou para ele, dizendo que a polícia acreditava que ele era o suspeito e que ele precisava contratar o melhor advogado que ele pudesse. O John ficou em choque com aquela informação.

Então, no dia 31 de dezembro, ele contrata um advogado renomado criminalista, que naquele momento, ele já fala para as autoridades que os Ramsey não vão conversar diretamente com eles, que eles vão falar com seus advogados e só eles vão responder por eles. Essa atitude, vista de fora, foi muito estranha para todo mundo, né? Que pouquíssimos dias depois eles já tivessem um advogado criminalista e que eles tivessem essa atitude de "nós não vamos conversar com ninguém e quem vai responder por nós são os nossos advogados". Porém, eles forneceram absolutamente tudo que a polícia pedia. Então, qualquer documento que a polícia quisesse, eles forneceram todos os documentos, cartões de crédito, amostras de DNA, amostras de sangue, tudo, tudo que a polícia pediu para eles, eles forneceram absolutamente tudo para eles.

No documentário, John explica que essa escolha de não conversar com a polícia foi uma recomendação do advogado, que explicou para eles que eles precisavam tomar cuidado porque tinha muita gente inocente presa. Ele conta que naquela época ele não se importava com nada que estavam falando dele, as pessoas estavam falando muitas coisas sobre ele e a Patsy, mas ele conta que estava sofrendo muito a morte, né, da sua filha, que ele estava passando por um momento horrível e que até morrer talvez aliviasse toda a dor que ele estava sentindo.

Ainda no dia 31 de dezembro, ocorre o velório da JonBenét. Ela foi enterrada ao lado da sua irmã mais velha, Beth. Enquanto eles estavam no enterro, vários amigos do John e da Patsy falaram para eles conversarem com a polícia para eles se defenderem, já que, nesse ponto, já tinham muitas acusações contra eles, dizendo que eles eram os culpados, né, pela morte da filha. Então, os amigos queriam que eles se defendessem.

Bem no início da investigação, a polícia não vazava quase nada de informação, assim, sobre o que eles estavam investigando. Mas logo depois, eles começaram a vazar todo tipo de informação de forma bem intencional. Eram informações que eles queriam realmente que fossem amplamente divulgadas. Então, assim, eles tinham uma teoria desde o início de que o crime só poderia ter sido cometido por alguém de dentro da casa, porque não havia pegadas na neve do lado de fora da casa.

O Charlie Brannon, que é um escritor da equipe do jornal Rocky Mountain News, era uma dessas pessoas que mais recebia informações da polícia. Ele conta que logo que o caso aconteceu, ele recebeu essa informação que foi uma coisa que a polícia considerou muito importante, que era justamente o fato de que não haviam essas pegadas do lado de fora da casa, né, não haviam pegadas na neve. Foi algo que foi considerado muito relevante para a polícia. E ele disse que recebeu essa informação de uma fonte extremamente confiável. Mas, segundo o professor e documentarista Michael Tracy, naquele dia não estava nevando, inclusive, tinha só um resto de neve naquele dia. E na parte de trás da casa, que eu expliquei para vocês, onde ficava aquela janela que era no nível da rua, da parte da churrasqueira, próximo de onde encontraram o corpo, né, que era na parte de trás da casa, não tinha praticamente neve alguma. Eles mostram no documentário uma foto da casa no dia, né, que os policiais estavam lá, no dia que aconteceu, e praticamente não tinha quase nada de neve.

Na época, como o caso rapidamente ficou muito conhecido e os jornais, né, os jornalistas queriam publicar tudo sobre o caso, o que dá a entender no documentário é que muitas vezes eles não checavam direito as informações. Eles simplesmente recebiam e iam publicando tudo. Eles dão a entender que eles recebiam uma informação de uma fonte que eles consideravam confiável, que muitas vezes eles não tinham como checar a veracidade, se era aquilo mesmo ou não. E aí eles iam publicando tudo. Tem a questão também que a família não falava com ninguém, nem com a polícia, nem com os jornalistas. Então, eles não tinham como ter a versão da família para essas coisas. Eles falam que eles tinham duas fontes dentro da polícia, então muitas vezes eles usavam apenas essas fontes. E aí, meio que era isso.

Outra história que esse mesmo cara, o Charlie Brannon, publicou e que repercutiu muito, muito, muito na época, eh, foi uma história que ele conta que no dia do enterro, o John chegou no enterro de jatinho e que dentro do jatinho estava o caixão com o corpo da JonBenét. Essa história é mentira. Então, no documentário, eles contam que isso nunca aconteceu, que o John não tinha jatinho, que ele não chegou em jatinho nenhum, que era tudo mentira. Mas essa história foi publicada e repercutiu muito. Muitas pessoas acreditaram que isso era verdade, que era uma coisa absurda, né, para as pessoas. Era absurdo que ele estivesse fazendo uma coisa dessas. Então, as pessoas ficaram completamente chocadas, imaginando como que o John teve coragem de fazer uma coisa dessas no dia do enterro da filha.

Então, o Charlie conta que a fonte que deu essa informação para ele era uma fonte que já tinha dado várias outras informações que eram corretas e precisas. Então, ele acreditou, fez essa publicação que mais tarde ele descobriu que não era verdade. Então, assim, eh, quando a gente, né, está falando sobre casos mais antigos, a gente tem que tentar meio que se teletransportar para a época em que aconteceu. Então, esse caso de 1996. Então, a gente tem que imaginar assim, que as notícias vinham dos jornais e da TV. Então, o que as pessoas viam nos jornais e na TV, obviamente, elas pegavam aquela informação e tinham certeza que aquilo era verdade. Então, tudo que elas viam sobre os casos e sobre esse caso, que estava gigante, todo mundo...

Estava falando sobre isso. Qualquer informação que elas viam, elas tinham certeza que era verdade. Então, imagina tudo que não só esse escritor, mas outros também publicaram e que era mentira, que saiu em todo lugar e as pessoas tinham certeza absoluta que era verdade, como essa história do jatinho. Então, assim, é muito doido o quanto de informação que eles tinham, tipo, de uma fonte que eles tinham certeza que era verdade, eles publicavam e era tudo mentira.

Então, assim, isso foi muito no comecinho, né? Fazia pouquíssimos dias que o caso tinha acontecido. Eles publicaram essas matérias falsas, obviamente, isso impactou e muito na que as pessoas tinham sobre os pais da JonBenét.

Nesse ponto, depois de muita insistência dos amigos, os Ramsey decidem dar uma entrevista para a CNN. Mas eles ainda não tinham conversado com a polícia, então eles vão primeiro para a TV. Qualquer aparição que eles faziam, eles eram extremamente julgados por todos.

Nessa entrevista específica, muitas pessoas julgaram a Patsy, principalmente porque, pela forma como ela estava na entrevista, muitos acharam que ela estava medicada, que ela não parecia bem nessa entrevista. E ela fala, fala que os pais deveriam manter suas crianças por perto porque tinham uma assassina solta. Essa afirmação acabou reverberando de maneira muito negativa. As pessoas começaram a se sentir inseguras, a não se sentir seguras na cidade, o que levou a prefeita na época a dar uma declaração no dia seguinte.

Então, a prefeita Leslie Durgin disse que não haviam sinais de entrada forçada na casa, que o corpo foi encontrado dentro da casa dos Ramsey. Então, ela disse que provavelmente foi por alguém que conhecia muito bem o local. Ela disse que não havia nenhum maluco assassino à solta. E aí, a Patsy foi muito criticada por essa afirmação e as pessoas disseram que ela só queria chamar atenção.

No dia 1º de janeiro de 97, o comandante geral da polícia, Tom Koby, deu uma entrevista e ele disse que, naquela primeira busca que a polícia fez na casa, eles não foram naquele cômodo onde o corpo foi encontrado. Eles simplesmente não procuraram lá. Ele também reconheceu como um erro de protocolo o fato de que a casa só tenha sido toda isolada como cena de crime horas depois que a primeira denúncia tenha sido feita.

Já o detetive Bob Whitson reconhece também que aquelas pessoas, os amigos da família que estavam lá circulando dentro da casa, deveriam ter sido removidos do local. Mas ele disse que, como eles acreditavam que se tratava de um caso de sequestro, ele achava que seria benéfico para eles terem uma rede de apoio naquele momento.

Além da casa em si, também tem o fato de que o John encontrou o corpo da filha e que ele mexeu na cena do crime, né? Então, ele tirou o corpo do local, ele deixou um cobertor no local, ela estava com uma fita isolante na boca, ele tirou essa fita. Então, ele pode ter destruído, né, possíveis evidências que tinham ali no local. O comandante Tom Koby disse que poderiam existir suposições de que evidências foram perdidas, mas que não haviam indícios de que isso de fato aconteceu.

Alguns dias depois, no dia 5 de janeiro, aconteceu um serviço memorial em Boulder em homenagem a JonBenét. A imprensa divulgou várias imagens, eh, de tudo, né? E a Patsy, mais uma vez, foi muito criticada porque as pessoas disseram que ela estava muito arrumada. E a família também foi criticada porque o assessor de imprensa teria levado um fotógrafo no local para registrar tudo.

Já o John, ele comenta sobre isso no documentário e ele disse que ele não se lembra muito, eh, do que aconteceu no dia. Mas ele disse que lembra do pastor pedindo para as pessoas formarem um corredor na saída para demonstrar apoio a eles. Ele disse que isso foi feito, mas que nada disso foi ensaiado.

Logo na primeira semana após o crime, a polícia de Boulder decidiu reduzir um pouco a equipe que estava trabalhando no caso. E com essa decisão, o detetive Bob foi retirado da investigação. O detetive Tom Thilo e o detetive Steve Thomas assumiram a responsabilidade de investigar o caso Ramsey.

O detetive Steve Thomas, anteriormente, estava envolvido na unidade de narcóticos e ele não tinha experiência com homicídios e anunciou à mídia que eles não forneceriam informações. Apesar do Bob Whitson não estar mais envolvido diretamente na investigação, os detetives Steve ataram para ele que tinham certeza de que os culpados pelo assassinato eram os pais. O Bob disse que não tinha motivos para duvidar deles porque eles eram as pessoas que estavam envolvidas diretamente no caso.

Anos depois, ele descobriria que ele não teve acesso a muitas informações que a polícia tinha na época e passou a se questionar sobre a real culpa do John e da Patsy.

Ainda nesse período de início de janeiro, todos estavam ansiosos para que os resultados dos testes de DNA das amostras coletadas na cena do crime ficassem prontos. As amostras foram processadas no Instituto de Investigação do Colorado. Foram coletadas amostras da parte debaixo das unhas da JonBenét e sua calcinha. Os resultados saíram no dia 15 de janeiro e mostravam que o DNA não correspondia a ninguém da família Ramsey.

O assessor da família, Pat Corten, disse na época que eles estavam ansiosos pelos resultados, pois sabiam que os resultados os excluiriam da lista de suspeitos. Entretanto, apesar da polícia de Boulder ter recebido os resultados em janeiro, eles não foram divulgados. Os detetives do caso estavam completamente convencidos que os Ramsey eram os culpados, mesmo que a informação do DNA não confirmasse isso. Nem o promotor do caso sabia que os DNAs não correspondiam aos Ramsey. Essa informação só se tornou pública meses depois. Isso permitiu que o John e a Patsy fossem colocados como culpados nos veículos de mídia da época.

Logo no início da investigação, a polícia vazou informação de que a Patsy havia escrito o bilhete de resgate. O advogado dela a impediu de conversar com a polícia, mas, como eu já citei, não a impediu de fornecer amostras de caligrafia porque isso foi feito logo no primeiro dia.

A polícia alegou na época que foram encontrado das similaridades entre a letra dela e a letra que estava no bilhete de resgate, que aparentemente foi escrito no bloco de notas que pertencia a ela. Porém, quatro peritos, dois deles sendo do Serviço Secreto, olharam para o bilhete e afirmaram que ele não foi escrito por ela. Segundo o detetive Bob Whitson, mesmo assim, a informação falsa de que ela era autora do bilhete vazou e alimentou ainda mais as teorias da conspiração da época.

No final do mês de janeiro de 97, a imprensa publicou a notícia de que o valor do resgate pedido no bilhete, que era de $18.000, era praticamente ente o valor que o John receberia de abono anual de sua empresa, que seria de $8.700. O valor pedido no resgate sempre foi alvo de muitas suspeitas por ser muito específico. Essa notícia foi publicada com um tom de que a pessoa que pediu o resgate sabia sobre esse dinheiro.

O detetive Bob Whitson alega que, se a pessoa que fez esse pedido de resgate passou algumas horas dentro da casa, ela poderia ter vasculhado, né, a casa da família, os documentos do John e ter encontrado, né, um documento com esse valor. E por isso, ela poderia ter escolhido esse valor bem específico.

A gente pode separar e esse caso entre duas vertentes: as que as pessoas acreditam que os Ramsey são os culpados e as que acreditam que eles são inocentes. Então, para quem acredita que eles são inocentes, é muito simples acreditar que uma pessoa entrou na casa naquele dia, né, que eles tinham saído para jantar com os amigos no Natal e que, naquelas horas que eles não estavam em casa, naquela casa enorme, essa pessoa ficou andando pela casa e poderia ter mexido nos seus, poderia ter ficado escondida na casa até no momento em que eles estavam na casa depois que eles voltaram, sem que eles percebessem. E que, nesse meio tempo, essa pessoa encontrou esse documento com o valor de 118, né? Então, quem acredita na inocência deles, acredita muito que isso poderia ser bem possível.

Mas, na época do caso, a maioria das pessoas acreditava nessa outra vertente, de que eles eram os culpados, né, do caso, principalmente por todas as informações que eram divulgadas na mídia. Inclusive, em dado momento, o John foi considerado o principal suspeito do caso, com muitos alegando que inclusive teria molestado a JonBenét depois cometido o crime. A imprensa começou a divulgar que sinais de abuso teriam surgido anteriormente ao caso e que isso estaria sob investigação.

Julie Haiden é uma repórter investigativa. Ela diz que conversou com diversos detetives que afirmaram acreditar que a JonBenét sofreu diversos abusos em sua vida antes de sua morte. Várias fontes confirmaram à imprensa na época que tinham muitas fotos da JonBenét no escritório do John e que essas fotos eram consideradas fotos sensuais, que no caso eram as fotos tiradas da JonBenét nos concursos, né, que ela fazia. E aí, muitas pessoas achavam esquisito que o John, como pai, tivesse essas fotos específicas no seu escritório.

De acordo com o Michael Tracy, que é professor documentarista, a lógica dessa teoria era que os pais simplesmente a obrigavam a participar desses concursos de beleza, que ela era sexualizada nesses concursos e que o John abusava dela, mesmo não tendo prova sobre isso. Para vocês terem uma ideia, na época, os tabloides até publicaram que a polícia estava investigando possíveis abusos que o John teria cometido com a sua filha Beth, que é aquela filha que faleceu em um acidente de carro.

E aí, vem o pediatra da JonBenét. Ele foi entrevistado na imprensa e ele afirmou que ela nunca apresentou nenhuma evidência de abuso. E ele respondeu isso de maneira categórica, alegando que ela nunca sofreu nenhum abuso. Ele sabia, inclusive, que, como médico, se ele mentisse sobre isso, ele poderia perder sua licença médica. E, mais uma vez, ele negou que ela tivesse sido abusada. Mas os sables continuaram publicando muitas histórias sobre isso, que acabou se tornando uma crença, né, na população.

No dia 3 de fevereiro de 97, o promotor Alex Hunter fez uma entrevista coletiva dizendo que ele queria falar diretamente com o assassino ou com os assassinos. Ele afirmou que a lista de suspeitos só diminuiria e que logo restaria apenas o culpado e que ele pagaria pelo que ele fez.

A jornalista Julie Haiden disse que, toda vez que as autoridades policiais falavam assim de maneira pública, eles passavam essa impressão de que o caso estava quase sendo solucionado, só que ele nunca era. Segundo ela, fontes de dentro da polícia afirmavam que eles tinham certeza que os pais eram culpados, mas eles não conseguiam estabelecer ali dentro realmente quem havia feito o quê entre a Patsy e o John. Mas eles acreditavam que só um deles era realmente o culpado. Então, eles começam a acreditar que só um tinha realmente cometido crime. Como eu falei, eles tinham essas suspeitas em cima do John, mas aí eles começam a acreditar que, na verdade, quem tinha cometido crime era a Patsy.

A teoria sobre a Patsy é que ela teve um ataque de raiva e cometeu crime porque a JonBenét teria feito xixi na cama. Essa era a teoria do Steve Thomas. Então, ele fala que, em meio a um final de ano muito exaustivo, né, no final do Natal e tudo mais, teria sido meio que a gota d'água ali, uma discussão entre mãe e filha e que a razão teria sido xixi na cama. Então, um dos médicos com que a polícia conversou até cita a incontinência como um dos motivos clássicos de raiva nos pais. O detetive disse que a Patsy não seria a primeira mãe a perder o controle por conta disso.

Então, segundo a sua teoria, acontece um conflito entre mãe e filha pouco antes da 1 da manhã e bateram com a cabeça da JonBenét em uma superfície dura, como, por exemplo, a borda da banheira, causando o ferimento fatal em seu crânio. E que depois a Patsy teria forjado toda a cena do crime. Ainda dentro da teoria, a Patsy sabia que a polícia assumiria o óbvio. Então, ela cria toda aquela história e escreve o bilhete de resgate para distrair a polícia. Segundo a polícia, ela teria ficado exaltada. Então, ela pega um dos seus pincéis, quebra o pincel para fazer o garrote. Então, segundo ele, ela teria feito toda aquela cena do crime que ela mesma encontraria na manhã seguinte.

Para o detetive Bob Whitson, o principal problema dessa teoria é que ela não está alinhada com as evidências encontradas no caso. A principal de todas elas é o fato de que a JonBenét estava viva, né, quando tudo aconteceu, quando ela foi torturada. Então, se a Patsy foi oculpada, ela teria que ter feito tudo aquilo com a filha viva.

O John, né, o pai da JonBenét, fala que essa teoria é uma completa loucura e ele fala sobre tudo que a Patsy passou, sobre o câncer que ela tinha vencido, um câncer. Então, ela estava extremamente feliz de estar viva e que todos os filhos dele molharam a cama quando criança e que aquilo não seria nunca um motivo para ela fazer tudo aquilo que ele citou na teoria. Então, ele fala que é uma completa loucura, ela estava feliz de estar viva e que ela jamais faria uma coisa dessas.

E aí, em março de 1997, o promotor Alex Hunter enfrenta algumas divergências com a polícia de Boulder. Segundo o que ele mesmo diria em uma entrevista em 2004, algumas pessoas de dentro da polícia de Boulder acreditavam que sabiam quem eram os culpados do crime, que eram os Ramsey. Porém, parte da promotoria acreditava que não eram os Ramsey e sim um invasor. Essa diferença, onde um acredita em uma coisa e o outro acredita em outra, fez com que eles não conseguissem trabalhar bem juntos.

O promotor Alex Hunter queria a ajuda de uma pessoa que tivesse mais experiência em casos como esse. Então, ainda em 97, ele pede a ajuda de um detetive mais experiente, que no caso era o Lou Smith. O Lou Smith era um detetive profissional muito respeitado. Ele trabalhou em vários casos de repercussão e, na época, ele já teria investigado mais de 150 homicídios. Sua reputação era ótima por seu trabalho no Colorado e ele era admirado por policiais, juízes e promotores do Estado. Ele foi responsável pela solução de um caso em Colorado Springs usando apenas uma impressão digital. Nesse caso, a criança foi sequestrada de dentro da casa dos pais.

O Lou gravava fitas de áudio sobre os casos em que trabalhava, como se fossem diários. Em suas fitas, ele dizia que não acreditava que o assassinato da JonBenét era culpa de sua família porque ele tinha a impressão de que ela era uma criança que significava muito para os seus pais. Inclusive, essa parte do documentário é super interessante porque eu particularmente gosto muito de ver essa parte da investigação dos casos. Então, eles mostram várias partes das gravações que ele fazia na época.

O John San Agustin trabalhava no escritório do xerife de El Paso e o Lou Smith era o seu chefe. Ele pediu ajuda para organizar as informações do caso com o objetivo de entender o que estava acontecendo até ali. O John San Agustin diz que o Lou Smith era o Sherlock Holmes do seu tempo.

Então, no dia 13 de março de 97, cerca de 2 meses e meio depois do crime, a mídia divulgou notícias de que havia problemas entre a polícia de Boulder e a promotoria. A polícia parecia não ter respeito pela promotoria e haviam teorias divergentes sobre o que teria acontecido.

O Lou começa o seu trabalho investigativo pelo corpo da JonBenét. Em sua visão, uma das provas mais importantes deixadas pelo assassino foram as marcas nas costas e no rosto. Anteriormente, a polícia acreditava que ela havia se deitado sobre os trilhos do trem de brinquedo do irmão e aí eles não deram muita importância para esses ferimentos. Porém, o Lou trouxe uma nova visão sobre essas marcas. Elas tinham a mesma distância entre si e era possível observar que eram levemente retangulares, levando o detetive a acreditar que foram feitas por uma arma de choque.

Ele fez vários testes em um porco cuja pele possui similaridades com a pele humana. Ao final desses testes, ele determinou que os ferimentos deixados na pele do porco eram iguais aos que ficaram na pele da JonBenét, concluindo que realmente foram feitos com uma arma de choque. O Lou acreditava que a arma de choque foi utilizada para imobilizar a JonBenét e tirá-la da cama. Essa seria uma alternativa fácil e que fazia pouco barulho. Então, o invasor poderia levá-la ao andar de baixo e fazer o que quisesse com ela sem que ninguém ouvisse.

Mesmo que a polícia não desse muita importância para essa possibilidade, o uso da arma de choque intrigava o Lou. Ele se questionava do por os pais usariam isso na própria filha simplesmente para levá-la ao porão. Era algo que não fazia sentido na cabeça dele.

Em seguida, ele avaliou as fotos da cena do crime. A primeira foto tirada pela polícia foi no quarto dela e o Lou afirma que é possível perceber, pela forma como as cobertas estavam dispostas, que ela foi de fato tirada da cama por alguém. Para o detetive, o que ele podia observar naquela imagem era consistente com sua crença de que ela tomou os choques deitada e foi tirada da cama e levada ao porão.

Na mesma imagem, é possível observar que a cama não estava molhada, já questionando a afirmação de Steve Thomas de que a Patsy assassinou a filha porque ela fez xixi na cama. Para sustentar essa teoria, foi apontado que a Patsy teria trocado a roupa de cama e por isso que ela não estava molhada. Entretanto, a roupa de cama que estava lá no momento em que as autoridades chegaram foi V ada para testes, nos quais foram encontrados todos os tipos de fibras e fios de cabelo que provavelmente não estariam lá se a roupa de cama tivesse sido trocada naquela manhã.

Em um quarto de hóspedes ao lado do quarto da JonBenét, foi encontrada uma corda que não pertencia à família Ramsey. Ninguém da família reconheceu aquele objeto. Para o Lou, era possível que o objeto pertencesse ao invasor que trouxe a corda e usou para amarrar JonBenét e depois a deixou na casa.

Quando o Lou chegou, né, para fazer a sua própria investigação, ele foi muito bem recebido pela polícia. Então, todos trataram ele super bem. Ele começa a sua investigação e, quando eles percebem que o caminho que ele estava levando a sua investigação era diferente do que a polícia acreditava, né, porque a polícia tinha certeza absoluta que os pais eram culpados, a história muda. De repente, eles não tratam ele tão bem assim e, no documentário, falam que eles começam a chamar o Lou de 'velho gagá'.

O que, para mim, é muito doido, gente! Porque a gente está falando de uma cidade onde eles mesmos falam que casos não acontecem, casos de sequestro não acontecem. O caso da JonBenét foi o primeiro caso de homicídio daquele ano. Então, a gente está falando de policiais que não tinham experiência nenhuma, tanto que eles chegam na cena do crime, eles não sabem nem como lidar com aquela cena de crime, eles não tinham ideia dos Protocolos de uma cena de crime, eles não sabiam o que tinha que isolar, eles não sabiam o que fazer, eles nem procuraram na casa direito.

Então, a gente está falando de um monte de policial que não tinha experiência nenhuma. Então, eles trazem um detetive, tipo assim, extremamente experiente, que tinha solucionado um monte de caso, que obviamente sabe o que está fazendo. E só porque ele não pensa igual eles, né, ele traz uma outra visão pro caso, ele sabe o que ele está fazendo, de repente ele é um 'velho gagá'. Gente, juro, para mim isso é um absurdo, é um absurdo!

E essa parte do documentário mostra em detalhes, assim, ele investigando, ele fazendo os testes porque ele fez diversos testes que a polícia de Boulder nem tentou fazer nenhum desses testes. Então, assim, a parte da investigação do Lou é muito legal de ver, é muito interessante. Dá para ver que ele realmente é muito experiente mesmo. Então, assim, essa parte é incrível de ver o documentário e a forma como ele é tratado depois disso é um absurdo. Mas isso não impediu ele de continuar a sua investigação.

E aí, outro fator que o Lou achou extremamente importante de ser considerado ali era aquela janela que estava aberta, que eu falei para vocês que logo abaixo da janela tinha uma mala. E foi ali que o John percebeu que tinha alguma coisa errada, né, lá no porão. Nessa janela, tinha algumas folhas, mas não fazia sentido aquelas folhas estarem ali porque não tinha como elas crescerem ali. Então, ele percebeu que alguém tirou aquela grade, que logo acima tinha uma grade. Então, as folhas caíram ali.

Para a polícia de Boulder, era impossível que alguém tivesse usado aquela janela especificamente para conseguir entrar na casa. Então, o Lou fez vários testes e eles mostram do documentário ele entrando e saindo da janela diversas às vezes para provar que era, sim, possível entrar por aquela janela. Inclusive, naquela mala que o John encontra, tinha um pequeno pedacinho de vidro, bem pequeno, em cima da mala e também tinha uma marca que parecia ser uma pegada, uma pegada bem leve, em cima daquela mala, o que realmente dava a entender que ela foi usada como uma um apoio para conseguir pisar e entrar por aquela janela.

Então, o Lou acreditava que realmente a a pessoa que invadiu a casa naquele dia era um invasor extremamente experiente, que ele conseguiu entrar e que ele ficou dentro da casa por um bom tempo até que a família voltasse. Lembrando vocês mais uma vez que a casa da família era enorme, ela era muito maior do que aparentava ser. Então, tinha como entrar e ficar escondido na casa sem que eles percebessem.

Em meio a essa investigação, ainda em março de 97, a polícia de Boulder recebe uma ligação vinda de Charlotte, na Carolina do Norte, falando sobre um homem chamado John Brewer Staley e como ele poderia ser um suspeito no caso. O John Brewer foi acusado de abuso e sequestro de uma criança. Ele era um andarilho que confessou ter sequestrado uma menina de 2 anos de idade. Ele cortou a tela da janela do quarto da menina e a sequestrou.

A polícia de Boulder foi até lá para investigá-lo e policiais de outras três cidades também estavam analisando os crimes dele. Ao chegarem na casa dele, os policiais encontraram um santuário para JonBenét, o que imediatamente levantou suspeitas. Porém, ele tinha um álibi incontestável pro dia do crime: ele trabalhava em uma fábrica e bateu o ponto durante o dia da morte dela. Com isso, ele foi descartado como suspeito.

Em setembro de 97, a polícia se deparou com uma outra ocorrência em Boulder, em uma casa não muito longe da casa dos Ramsey, mas em outro bairro. Uma menina de 14 anos foi atacada. A mãe dela estava dormindo e o pai estava em uma viagem de negócios. Em entrevista, o pai disse que acreditava que o invasor entrou na casa enquanto todos estavam fora e aguardou o momento certo de atacar.

A mãe da adolescente acordou depois de ouvir um barulho. Ela pegou pegou um spray de pimenta e foi ao quarto da filha, quando encontrou um homem desconhecido. Ela usou o spray e conseguiu expulsar o homem da sua casa. Esse homem nunca foi identificado.

Uma possível conexão com o caso da JonBenét surgiu quando foi divulgado pela imprensa que essa garota fazia aula no mesmo estúdio de dança da JonBenét. Apesar dessa possível conexão, a polícia não conectou oficialmente os dois casos e continuavam com suas suspeitas a respeito dos Ramsey.

Na época, também estavam acontecendo alguns casos em que um suspeito entrou na casa das pessoas no meio da noite, tentou ou conseguiu abusar de mulheres. E esses casos aconteceram tanto antes quanto depois da morte da JonBenét, mas não parece que foram eventos muito investigados ou conectados ao caso de alguma maneira.

No final de 97, exatamente um ano após a morte da JonBenét, o detetive Mark Beckner assumiu o caso. A polícia não parecia estar mais perto de solucionar o crime, mas ele confirmou que Patsy e John permaneciam sob suspeita.

Foi em 1998 que o professor documentarista Michael Tracy, que eu já estei algumas vezes aqui no vídeo, entrou em contato com os Ramsey para entrevistá-los. O trabalho do Michael consiste em investigar e um dos seus focos seria tratar do declínio dos valores jornalísticos. Em sua opinião, a cobertura mediática do caso de JonBenét era um exemplo perfeito disso, levando em consideração a quantidade de notícias inverídicas que foram veiculadas a respeito da família.

Ele entrou em contato com o Bryan Morgan, advogado do John Ramsey, porque ele queria fazer um documentário sobre o que os Ramsey passaram com a mídia. O documentário se chama "Quem Matou JonBenét?" e foram cinco dias de entrevistas para que ele fosse produzido.

Então, o John e a Patsy aproveitaram esse espaço para falar sobre tudo que foi veiculado na mídia sobre eles, sobre todas as notícias falsas que foram divulgadas e também sobre todas as acusações que eles receberam, sobre as acusações que o John recebeu de ter abusado da própria filha, sobre as fotos, sobre tudo que foi falado. E eles comentaram, né, sobre tudo isso. O John, inclusive, comentou sobre o fato de acharem que ele abusava da própria filha. Ele disse que sentia nojo só de pensar sobre isso. A Patsy disse que muitas das alegações que foram divulgadas eram falsas e que era um absurdo que ninguém fosse responsabilizado por tudo isso.

Durante a produção do documentário, o Michael tentou encontrar indícios de que, de fato, houve abuso. Então, ele conversou com muitas pessoas próximas da família, familiares, amigos e até a filha do John. Então, ele conversou com ela e ele não encontrou nenhum indício que comprovasse isso.

Mas uma coisa que é fato é que, por conta de todas as coisas que foram divulgadas sobre a família, fez com que eles fossem odiados. Eles eram odiados por todo mundo. Então, o John conta que a única coisa que fez com que ele e a Patsy se mantem vivos era o fato de que eles tinham outros filhos, principalmente o Burke. Ele era o mais novo. Então, o John conta que ele e a Patsy precisavam ser fortes pelo Burke. Ele sentia muita falta da irmã mais nova e eles precisavam ser fortes por ele.

Uma coisa que eu acho importante citar também é que não eram só os Ramsey que eram perseguidos pela mídia. Todos a a volta deles também eram perseguidos. Então, por exemplo, se eles iam até a casa de algum amigo, no outro dia esses amigos eram perseguidos e tinham jornalistas, fotógrafos em imprensa. Eles ficavam em volta da casa, eles batiam na janela, na porta dessas pessoas e eles também eram perseguidos.

Já no dia seguinte, em 98, a Patsy e o John deram uma entrevista dizendo que eles tentavam proteger o máximo o Burke para que ele não visse as notícias que saiam na época porque tinham várias notícias horríveis, né, sobre eles. E nessa época, tinham notícias de que a polícia temia que a Patsy e o John também matassem o Burke.

Ainda em 1998, o promotor Michael Kane se envolve no caso e ele disse que, nesse momento, não havia muita movimentação da polícia em relação à promotoria porque a relação deles estava estremecida. Ele disse que, em dois dias, Steve Thomas e outros detetives fizeram uma lista dos motivos pelos quais eles acreditavam que os Ramsey eram suspeitos, incluindo o comportamento que eles tiver eram quando um doss primeiros policiais, Rick French, chegou na cena. Pro Steve Thomas não era um comportamento condizente com um sequestro e sim com pessoas que sabiam que tinha acontecido uma morte.

Naquele momento, a polícia acreditava que tinha informações suficientes para pedir por um grande júri. A promotoria analisou para ver se realmente tinha o suficiente para entrar com uma acusação. Então, no dia 3 de junho de 1998, a polícia e a promotoria se reúne para falar qual teria sido a decisão. Michael Kane disse que eles não tinham o suficiente para prestar queixa naquele momento.

No dia 6 de agosto de 98, a ABC divulgou que um dos detetives do caso, o Steve Thomas, pediu exoneração em protesto a decisão e divulgou uma carta que Steve escreveu e na qual ele atacava o promotor do caso de maneira ácida. Dois dias depois, o governador do estado, Roy Romer, convocou a equipe que trabalhava no caso para irem ao seu gabinete em Denver e conversar sobre o que estava acontecendo. O governador pressionou o promotor Alex Hunter, que decidiu levar o caso ao júri de acusação em 15 de setembro de 98.

12 pessoas foram convocadas ao Centro de Justiça de Boulder County para serem juradas no caso. A parte de fora do local estava lotada de repórteres. Nesse caso, não haveria defesa, apenas acusação. O que é uma coisa muito doida porque eu não lembro de nenhum outro caso onde não havia defesa, apenas acusação.

O Michael Kane, o promotor Bruce Levin e Mitch Morrissy, promotor de Denver especialista no uso de evidências de DNA, apresentaram o caso ao júri. John e Patsy se ofereceram para testemunha. Mas isso não foi permitido. A promotoria temia que, ao testemunharem, eles poderiam conquistar o júri.

Em 22 de setembro de 98, Lou Smith teve seu último dia oficialmente na investigação. Ele continuava acreditando que os Ramsey eram inocentes e permanecia insistindo que a morte de JonBenét era fruto de um crime cometido por um invasor. Ele decidiu se afastar do caso por conta do júri de acusação. Ele não queria ter qualquer envolvimento com a possível acusação de um casal que ele acreditava ser inocente.

Em sua opinião, a acusação era uma far e não tinha evidências concretas, apenas uma versão inventada. Ele queria testemunhar durante o júri de acusação porque sentia que os jurados precisavam ouvir as informações que ele tinha. Ele tentou, mas recebeu uma carta de Michael Kane no dia 11 de fevereiro de 99 dizendo que seu pedido para testemunhar foi negado. A carta também o proibia de falar que havia recebido aquele documento e ele acredita que as autoridades queriam silenciá-lo.

Ao documentário da Netflix, Michael Kane nega que tenha enviado essa carta. Um advogado ameaçou entrar com um processo para que fosse permit tiddo que Lou Smith testemunhasse e depois disso eles permitiram. Lou disse que nunca foi tão mal tratado em 40 anos de profissão na polícia. Tudo o que ele dizia era atacado e ele se sentiu completamente humilhado. Ele se lembra de se virar pro Alex Hunter e dizer que não havia menor chance que o céu realmente fossem indiciados pelo crime.

Os jurados puderam analisar o homicídio de JonBenét e foram até a casa onde a família Ramsey morava na ocasião para avaliarem o local do crime. Como a casa era muito grande e confusa por dentro, pros promotores estava claro que nada dentro da casa era muito intuitivo, ou seja, Você precisava conhecer o ambiente para saber exatamente onde precisava ir. Para Michael Kane, isso é um fator que indica para eles que o culpado era alguém que conhecia a casa.

Um dos problemas que a polícia enfrentava era o DNA encontrado no corpo da JonBenét. Havia sangue na calcinha dela, sangue que saiu no momento em que ela foi violada com o cabo de pincel. Esse sangue se misturou com outro DNA que foi identificado como um DNA masculino, mas não era esperma. Poderia ser outro tipo de fluido corporal com grande quantidade de células de pele.

Como Como já dito anteriormente, esse DNA não correspondia com o DNA de ninguém da família de JonBenét e também não correspondeu a nenhum DNA na base de dados da polícia. Mas o promotor Michael Kane disse que não é possível afirmar que ela foi morta por um intruso simplesmente porque o DNA não correspondia a ninguém da família.

Em um esforço para encontrar uma explicação, a polícia de Boulder buscou a fábrica onde a calcinha foi produzida, na China, procurando por um trabalhador branco para coletar seu DNA e comparar com o DNA encontrado, na tentativa de explicar o porque aquele DNA está estava lá, já que eles não deixaram de acreditar que os culpados eram os pais.

Esse júri de acusação durou mais de um ano, em que os jurados ouviram testemunhos e analisaram as evidências apresentadas. Cerca de um mês antes do resultado do júri de acusação sair, em 17 de setembro de 99, a ABC News transmitiu uma entrevista feita com uma das policiais que respondeu à cena do crime, que eu citei para vocês lá no início, que foi a Linda Arndt.

Na entrevista, ela afirmava que sabia quem matou JonBenét e que, para ela, não haviam dúvidas de quem teria sido. Ela já tinha feito uma entrevista anterior ao Good Morning America onde ela disse que sentiu que estava cara a cara com o assassino. Ela disse que eles tiveram uma troca não verbal e que ela nunca iria esquecer isso. E ela comenta que ela percebeu, ela tomou nota, né, do comportamento do John porque ele tava mexendo na correspondência naquele dia e que ele parecia muito calmo. Então, ela diz que, desde esse momento, ela já suspeitava do John. E ele rebate isso no documentário dizendo que ele estava procurando por outra correspondência, eh, do sequestrador nas cartas que que caíram da caixa de correio.

Nesse momento, a Linda relatou que ela era a única policial na casa no momento em que o corpo foi encontrado e que foi ela que disse pro John procurar pela casa para ver se tinha alguma coisa de diferente, alguma coisa fora do lugar. E ela disse que ele foi direto pro porão, foi direto pro local onde o corpo foi encontrado. Então, segundo ela, ele encontrou o corpo logo de cara. E aí, o John rebate dizendo que aquele era o lugar mais lógico a começar a procurar porque era o local de mais fácil acesso da casa.

A Linda disse que o John olhou para ela e, quando ela olhou nos seus olhos, Ela Ficou assustada com o que viu e que ela temeu pela própria segurança. Na entrevista, ela disse que ela se certificou de quantos cartuchos de bala ela tinha porque ela não sabia se eles estariam vivos até que os outros policiais chegassem na casa. Essa entrevista que ela deu reforçou mais uma vez que os Ramsey estariam envolvidos no caso.

No dia 3 de outubro de 99, sai a decisão do júri de acusação. O John e a Patsy estavam prontos para serem levados para serem presos. Eles decidiram cooperar mesmo como sempre desde o início alegando que eles eram inocentes. Eles acreditavam que eles seriam presos inclusive eles até passaram a guarda do Burke para um irmão do John. Mas aí o promotor disse que ele sua equipe acreditava que eles não tinham evidências o suficiente para indiciar ninguém.

Mas aí os Ramsey divulgam uma nota dizendo que para eles isso não era suficiente porque tinha alguém solto e que essa pessoa era cupado pela morte da filha deles. E aí Alguns anos depois depois em 2013 o Charlie Brennan que é aquele jornalista que eu falei para vocês que publicou várias notícias falsas sobre os Ramsey disse que conseguiu conversar com alguns dos jurados e descobriu qual tinha sido a decisão deles. Os jurados decidiram indiciar sim o John e a Patsy mas não por assassinato e sim por abuso infantil considerando que a JonBenét foi colocada em uma situação de risco que resultou em sua morte.

Apesar da decisão do júri, a promotoria optou por não seguir dessa maneira. Muitas pessoas estavam decepcionadas inclusive o Michael Kane que sentiu que os seus últimos dois anos de trabalho foram meio que desperdiçados e que resultaram em um caso sem solução. Na opinião do John Andrew que é o filho mais velho do John Ramsey tudo isso não serviu para nada e eles só desperdiçaram recursos.

De acordo com o Mitch Morrissy, o júri achava que havia justa causa no indiciamento do casal, mas a justa causa É o requisito mais baixo do sistema de Justiça Criminal dos Estados Unidos e há uma longa distância entre ISO e uma prova Cabal irrefutável que seria o requisito mais alto. Então, ele explica que como promotor se não há provas irrefutáveis é possível escolher não oferecer uma denúncia.

O Alex Hunter deu uma entrevista em 2004 na qual falou que apresentar uma denúncia quando não se tem provas muito concretas é algo horrível de ser feito com as pessoas envolvidas. Então, ele estava orgulhoso do fato de que resistiu à tempestade E agiu corretamente de acordo com as evidências e ele se sentia em paz.

Então, logo depois que o júri de acusação se encerrou, os Ramsey voltaram para Atlanta. E aí, segundo o John, eles já tinham esgotado todas as suas economias. Eles venderam a casa e os bens para conseguir pagar pelos advogados e pelos investigadores envolvidos. Então, eles só queriam encontrar o assassino da filha.

Em 15 de novembro de 99, foi publicada uma notícia dizendo que o caso estava parado. O John disse que sabia que a polícia acreditava que ele ou a Patsy eram os culpados e, se não poderiam acusá-los, eles então não investigaram mais. O John inclusive disse no documentário que ele ficou sabendo que é po estava só esperando ele morrer para que o caso pudesse ser engavetado.

Com isso, ele e a Patsy começaram a aparecer mais e mais na mídia com o objetivo de pressionar a polícia a continuar investigando. Eles foram até no programa do Larry King onde enfrentaram o detetive Steve Thomas que os acusava e eles refutavam as acusações. Depois, eles foram de novo no programa no dia 27 de março de 2000 dizendo que o detetive Lou Smith acreditava que haviam evidências suficientes para que a polícia encontrasse o homem que matou a JonBenét.

Mesmo depois de ter se afastado do caso oficialmente, o Lou Smith continuou trabalhando sozinho na investigação. Ele tinha certeza que estava procurando um pedófilo de algum tipo específico e imaginava que esse homem poderia ter visto a JonBenét em um dos concursos que ela participou.

Logo no início da investigação, a polícia recebeu informações sobre um homem chamado Gary Howard Oliva. Ele abusou da filha de um vizinho enquanto morava em Oregon e depois fugiu. E ele passou um tempo em Boulder Vivendo como sem teto. Um dos amigos dele conversou com a polícia e disse que o Gary tinha ligado para ele Muito angustiado dizendo que teria acabado de machucar uma uma garotinha. Por conta dessa alação, a polícia investigou o Gary.

Quando os policiais foram até a tenda onde ele vivia para conversar com ele, se depararam com fotos da JonBenét. Em entrevista a polícia ele falou que não era o culpado e que ela teria aparecido para ele em espírito depois de sua morte. Na época, ele garantiu a polícia que assumiria culpa pelo assassinato se eles dessem para ele três refeições por dia e um teto. Mas aí eles testaram o DNA dele e não batia com o DNA da cena do crime. Por conta disso, a polícia não conseguiu confirmar se ele era o autor do crime.

No documentário, tem um casal de jornalistas investigativos chamados Joyce e Stephen Singular. Eles contam que ficaram sabendo sobre o caso da JonBenét, decidiram pesquisar. Tudo isso começou no ano que o caso aconteceu em 96 e na época eles moravam a 48 km de Boulder.

A Joyce fala sobre como os Ramsey foram ingênuos sobre a forma como eles vestiam a filha, achando que isso não atrairia a atenção dos pedófilos. Então, o casal de jornalistas decidiu entrevistar Mães de meninas que participavam de concursos de beleza na mesma época da JonBenét. E algumas das Mães tinham algumas suspeitas em relação a pessoas que iam assistir aos concursos que, no caso, não eram pais nem parentes de nenhuma das crianças que estavam se apresentando.

Essas pessoas passavam a impressão de que estavam lá apenas para observar as meninas, e isso incomodava as mães. Elas comentam sobre um fotógrafo específico chamado Randle Simons. Ele era o principal fotógrafo da John Beny e outras meninas que participavam dos concursos. Inclusive, ele vendeu algumas fotos da John Beny para uma agência que, posteriormente, vendeu as fotos aos tabloides.

Muitas mães das meninas que participavam dos concursos ficaram muito bravas com essa situação. Uma das mães, em específico, disse que ele tinha fotos muito esquisitas nas paredes do estúdio dele e que ele também tinha comportamentos duvidosos. Inclusive, depois da morte da John Benet, ela disse que ele ligou para algumas das mães histérico, dizendo que ele não tinha matado ela, o que é muito esquisito porque ele não tinha sido acusado de nada. Então, esse comportamento foi estranho e deixou elas meio que em alerta em questão de tudo isso.

E aí, esse jornalista que eu falei para vocês que começou a pesquisar sobre o caso, ele e a esposa dele tentaram entrar em contato com esse fotógrafo várias vezes. Ligou para ele muitas vezes. Ele atendeu apenas a uma dessas ligações e, nessa ligação, ele disse que ele sabia de várias coisas, mas que ele não diria nada. Ele foi preso em 1998 porque ele estava andando pelado na rua e aí a polícia foi chamada para intervir, e ele ficava repetindo: "Eu não matei a John Beny".

Depois disso, esse casal, né, o Singler, só ficaram sabendo desse fotógrafo novamente em 2019, quando ele foi preso de novo. Posteriormente, ele foi indiciado com 15 acusações de pornografia infantil, foi condenado a 10 anos, e aí ele foi testado, né, o DNA dele, e não era compatível com o DNA encontrado na cena do crime. Por conta disso, ele foi descartado como suspeito.

Voltando à linha do tempo, em 2000, Steve Thomas escreve um best-seller sobre o caso e, nesse livro, ele acusa a Patsy de ter cometido o crime. Na opinião do John, policiais não devem escrever livros sobre casos que estão em andamento, porque, segundo ele, isso é falta de profissionalismo. Depois disso, os Ramsey entraram com uma acusação por calúnia e difamação contra o Steve e também a editora que publicou o livro, pedindo uma indenização de 80 milhões de dólares. Essa ação foi arquivada depois que os Ramsey e a editora entraram em um acordo, então foi pago um valor à família que não foi divulgado.

E aí, em setembro do ano seguinte, o mesmo detetive Steve Thomas estava depondo em uma ação cível sobre o caso de John Benet. Em seu depoimento, ele foi questionado pelo advogado dos Ramsey sobre diferentes aspectos da conduta policial durante a investigação. O advogado perguntou se o plano da polícia era vazar informações na imprensa que implicassem os Ramsey no homicídio da própria filha. Ele respondeu que eles discutiram com o FBI sobre exercer uma certa pressão pública em pessoas que não estavam cooperando com a investigação. Em seguida, o advogado questiona se essa pressão pública teria a intenção de que um dos pais confessasse envolvimento no crime, e ele responde que isso pode ter sido parte do motivo.

Em seu depoimento, Steve Thomas disse que a polícia não encontrou nada patológico na família, o que ele quis dizer com isso é que eles não encontraram nada relacionado ao abuso de drogas, violência ou abuso sexual. Mas ele continua a afirmar que, no início de 97, ficou claro que a Patsy havia cometido o crime. Ele retoma a situação do xixi na cama ter sido motivo, mas ele não se lembra de ter visto o lençol só molhado. Foi durante essa ação cível que ele revelou sua teoria sobre a culpa da Patsy no caso. Para rebater isso, o advogado questiona se os peritos foram unânimes em dizer que a John Benet estava viva quando foi abusada e se o Steve acreditava que a Patsy conseguiu ferir a filha enquanto ela estava sendo enforcada e tentando lutar pela própria vida. Mesmo com todas essas argumentações, aparentemente o Steve não deixou de acreditar que a Patsy era culpada.

E aí, em 10 de setembro de 2002, o professor e documentarista Michael Tracy, que fez o documentário em 98 que eu citei para vocês, acaba, eh, tendo uma pessoa entrando em contato com ele por um homem dizendo que sabia que ele trabalhava no caso e tal, e que queria conversar com ele. Esse homem se identifica como Dexis, e esse contato vem por e-mail. E aí ele disse que ele não vai, né, revelar sua identidade, que ele preferia se manter anônimo porque ele estava sendo investigado por vários outros crimes e que ele estava em fuga, e que eram crimes bem pesados. Então, ele disse que os crimes variavam de abuso até o homicídio de uma garota de 12 anos de idade.

E aí, eventualmente, ele começa a ensinar que ele é o assassino da John Beny, que ele manteve segredo por muito tempo, que ele estava sentindo culpado e até envergonhado. Ele disse que estava profundamente arrependido, que ele sofreu e que ele sofria muito, mesmo não estando dentro de uma cela de prisão. O Michael disse que o Dexis dava a entender que ele entendia a sua relação com a John Beny como uma relação de paixão. Ele falava que amava muito, que ele não era um criminoso genial e que a morte dela tinha sido um acidente.

Então, depois de conversar com ele algumas vezes, ele decide se encontrar com o John Ramsey para falar sobre esse, né, essa pessoa que ele vinha conversando por e-mail. E aí o John estava muito cético em relação a tudo isso, porque o caso John Benet é um caso gigantesco. Então, essa pessoa poderia ter pegado informações online, né, informações que tinham saído no mundo todo e podia só estar querendo atenção.

Então, o Michael conversa com o Dexis sobre isso e meio que pede alguma prova de que ele está falando a verdade, que ele não está inventando tudo aquilo. E aí ele fala para ele perguntar pro John Ramsey qual apelido que a John Beny usava com a avó dela e qual era esse apelido, que era uma informação que até então não tinha saído em nada da mídia, era uma coisa que não tinha como ele saber. A John Beny chamava sua avó Nedra de "Ned". E aí eles procuraram, né, o John e o Michael, para ver se essa informação tinha saído na mídia em algum momento, em alguma coisa. Eles procuraram em tudo e, realmente, essa informação não tinha vazado e ele sabia dessa informação de alguma forma. O Dexis sabia.

Então, eles passam a dar um pouco mais de credibilidade para essa história que ele contava. Mas o Michael ainda estava achando a história toda meio estranha. Então, ele conta pro Lou Smith, o detetive, né, sobre isso que estava acontecendo, esperando que o Lou fosse falar para ele que o Dexis era um doido, para ele parar de conversar com ele, que essa história toda era inventada. Mas o Lou fala o contrário, fala para ele continuar conversando com ele, que pode ser que ele realmente fosse o assassino, e para ele continuar tentando extrair informações, porque o Dexis tinha dito que ele só contaria o que ele quisesse. Então, para ele continuar ali tentando chegar, né, na identidade dessa pessoa de alguma forma.

Então, ele continua a comunicação com o Dexis, e essa comunicação por e-mails durou anos. Nesse meio tempo, a Patsy continuava, né, indo no médico, porque o câncer estava em remissão, para ver se estava tudo bem. Até que, no oitavo ano, o câncer volta. Segundo John, quando isso acontece, o câncer resiste mais ao tratamento. A Patsy foi para casa do seu pai no norte de Atlanta para fazer o tratamento, e o câncer foi consumindo a Patsy aos poucos e chegou no ponto do médico recomendar os cuidados paliativos, apenas para dar para ela uma vida mais confortável, sem muita dor. A família não estava pronta para esse momento. A Patsy queria continuar lutando, e o John queria que ela continuasse lutando, mas chegou num ponto que ele decidiu acatar as recomendações médicas e pediu para que parassem o tratamento sem que a Patsy soubesse.

O câncer acabou atingindo o cérebro da Patsy, então ela não se comportava mais da mesma forma, não era mais a mesma, e ela não sabia que a sua família tinha desistido do tratamento. Então, ela sempre perguntava quando seria o próximo tratamento, e o John sabia que não haveria o próximo.

Nos e-mails do Dexis, ele falava sobre o quanto ele amava John Benet e que ele queria encontrar a Patsy, que precisava encontrá-la antes que ela morresse. Em 2006, ele pediu para que o Michael conseguisse que ele falasse com a Patsy para que ele pudesse pedir desculpas por ter cometido o crime. Ele queria o número do telefone dos Ramsey, mas o Michael ficava enrolando ele. O Dexis até dizia que era mais fácil aparecer na casa deles do que conseguir o telefone ou o e-mail, e o Michael entendeu isso como uma ameaça.

Na época, isso era meados dos anos 2000. Outra promotora tinha assumido o caso, a Mary Lacey, foi a promotora de Boulder entre 2001 e 2009. O Michael foi até ela e mostrou todos os e-mails, dizendo que o Dexis era uma pessoa que precisava ser investigada. Então, a Mary iniciou uma investigação que envolveu a imigração e a alfândega.

Em dado momento, Dexis começou a conversar com o Michael por telefone. Foram 11 horas de conversas gravadas que eram monitoradas por agências de inteligência. Nessas conversas, ele descreveu o que teria acontecido na noite do crime. E para o Michael, a pior parte durante essas conversas com o Dexis era fingir que estava tudo bem enquanto ele ouvia aquilo. Ele não podia julgar. Então, ele narra tudo que teria acontecido naquela noite e ele conta que ele saiu por aquela janela, mesmo que era a janela que eles acreditavam, né, que o Louis Smith acreditava que ele tinha usado.

Depois que ele contou tudo, ele disse que ele ficou mais preocupado em ser encontrado, mas ao mesmo tempo ele afirmava que ele era o pesadelo da Interpol. Ele dizia que o número do telefone que ele estava usando não poderia ser rastreado porque não levava a ninguém. O Dexis também relatou que o seu plano inicial era realmente sequestrar John Benet, mas quando ele chegou na casa, ele estava muito confiante e relaxado, e que quando ele entrou no quarto dos pais dela, ele teve a sensação de que ele estava sendo observado e começou a se dar conta da gravidade da situação. Ele se questionava o que iria fazer em relação aos pais dela. Então, ele queria que eles tivessem informações suficientes para que soubessem que ela seria devolvida. Então, ele quis escrever o bilhete de resgate de maneira educada e carinhosa, mas ele sabia que se fizesse isso seria encontrado pela polícia. Ele disse que tentou, mas não conseguiu de maneira nenhuma endereçar a carta para a Patsy. Então, ele tentou no começo, mas logo mudou de ideia.

Ele continuava insistindo em conversar com a Patsy pelo telefone. Na época, ela estava acamada por conta do câncer, mas a polícia decidiu explorar o fato de que ele poderia conversar com ela para tentar encontrá-lo. Um telefone grampeado foi colocado ao lado da cama da Patsy. Eles aguardaram a ligação, só que ele nunca ligou.

A Patsy faleceu no dia 24 de junho de 2006, depois de um período em que ela esteve muito doente. Ela tinha 49 anos de idade na época. O Burke tinha acabado de se formar no ensino médio e estava na faculdade. O Michael ligou pro Dexis para avisar que a Patsy tinha falecido, e ele disse que isso era terrível porque ele não conseguiu pedir perdão para ela de alguma forma.

O Dexis sabia que o Michael tinha a última foto tirada da John Beny viva e ele pediu para que ele escaneasse essa foto dela e enviasse para ele. Ele faz esse pedido por e-mail. E aí, um dos investigadores sugere que o Michael ofereça para ele enviar a foto original imediatamente. Ele aceita. O Dexis passou o endereço de uma caixa postal de Correios em Bangkok, capital da Tailândia. Nos e-mails, ele disse que esse endereço que ele passou era muito longe de onde ele estava, porque ele tinha medo de ser pego. Então, ele passa esse endereço. Eles enviam a foto para lá e ficam esperando ele aparecer. Então, essa unidade de Correios específica fica sob vigilância esperando esse momento.

E o Dexis tinha dito pro Michael que ele tinha comprado uma bicicleta, ele até descreve essa bicicleta. Até que um homem com essa bicicleta vai até os Correios para pegar a foto e a polícia descobre que o Dexis, na verdade, é um homem chamado John Mark Karr. As autoridades de Bangkok descobriram que ele era um predador sexual que, ao mesmo tempo, era um professor do ensino fundamental. Ele já tinha conversado com o Michael sobre o seu trabalho, sobre a sua sala de aula. Ele disse que teve um dia que ele sentou e colocou uma das alunas no seu colo, quando tinha alguém chegando, ele tirou ela rapidamente.

A polícia tailandesa decidiu agir e prendeu o John Mark Karr no dia 10 de agosto de 2006, e ele tinha 41 anos de idade. Investigando seu passado, a polícia descobriu que ele trabalhou em uma escola de ensino fundamental em Atlanta por um tempo. Ele foi professor substituto na escola Hamilton por alguns meses, pouco antes do homicídio da John Benet acontecer. Em seu histórico também constava que ele foi preso no dia 19 de março de 2001 em Petaluma, na Califórnia. Ele também trabalhava como professor na época, mas foi encontrado pornografia infantil em sua posse e ele era suspeito no envolvimento em abuso infantil. Ele foi acusado e seria julgado, mas conseguiu fugir dos Estados Unidos.

O John trabalhou em duas escolas internacionais em Bangkok, incluindo uma escola só para meninas. Depois que ele foi preso, saíram notícias sobre terem ouvido ele falar na cadeia sobre a forma como ele entrou na casa dos Ramsey e ele disse que as pessoas se questionavam sobre como ele não se perdeu lá dentro, mas ele disse que entrou na casa por volta das 5 da tarde e ficou lá sozinho até a família voltar por volta das 10 horas da noite. Então, ele teve tempo de explorar a casa e entender toda a dinâmica dela.

Logo depois de preso, ele foi deportado para os Estados Unidos. O John Ramsey conta que assim que saíram as fotos do John Mark Karr nas notícias, uma funcionária da família liga para ele e conta que no verão anterior à morte da John Benet, ela estava limpando a casa, estava na garagem, quando esse mesmo homem, né, que foi preso, aparece na garagem e começa a fazer um monte de perguntas estranhas para ela. Essa informação é muito doida, porque essa memória que ela teve dele, assim que ela viu a foto, né, se realmente era ele, parece que todos os pontos se ligam. Tipo assim, dá a entender que está tudo, né, se interligando, que é ele. Nossa, é isso foi ele, tá, né? Todas as informações se encaixam. Pegaram o assassino.

Assim que ele foi deportado para os Estados Unidos, eles pegam o DNA dele para fazer a comparação com o DNA encontrado na cena do crime. Os resultados chegam no dia 28 de agosto de 2006, e os resultados não batiam. O DNA não correspondia ao DNA encontrado na cena do crime. Mesmo com ele confessando, mesmo com todas essas informações, ele é liberado.

E aí, teria uma informação que ele teria publicado em um site em 2024, né, esse ano, onde ele diz que ele está vivendo uma vida secreta nos Estados Unidos. Ele não teria sido condenado por nenhum crime envolvendo crianças. Então, meio que ficou por isso.

No documentário, tem algumas pessoas que afirmam acreditar que tem alguns problemas nessa amostra de DNA. O jornalista Charlie Brannon, que os problemas com o DNA aconteceram desde o começo da investigação e, em sua opinião, isso poderia estar diretamente ligado com a contaminação da cena do crime. Considerando esse fator, ele acha problemático apostar todas as fichas do caso no DNA.

O promotor Mit Morrissey relembra os erros cometidos pela polícia de Boulder logo no início da investigação que, em sua opinião, comprometeram muito o caso no quesito de contaminação de amostras. Mas, se há contaminação, o documentarista Michael Taylor acredita que muitas pessoas que foram excluídas continuam sendo suspeitas.

O John Andrew, que é um dos filhos, né, do John Ramsey, irmão da John Benet, ele diz que a polícia nunca deixou de suspeitar do John e da Patsy, só porque o DNA deles não batia com o DNA na cena do crime, e isso deveria ser feito com todos os outros que foram suspeitos do caso, e eles não poderiam ser excluídos apenas porque o DNA não correspondia.

Um dos investigadores mais engajados no caso, que é o Louis Smith, teve câncer e, mesmo enquanto fazia suas sessões de quimioterapia, ele se encontrava com amigos próximos e passava informações sobre o caso. Ele queria o caso solucionado, então ele passou a responsabilidade da investigação para os seus filhos, que continuaram a investigação do caso após a sua morte.

Em 2010, em 2011, 5 anos após a morte da Patsy, o John se casou novamente com uma mulher chamada Jan Karr. Ela diz que quando se casou com ele, ela não conhecia muito sobre o caso e não sabia o porquê do caso ainda repercutir tanto. Ela explica que a John Benet é como se fosse neta deles, porque eles não conseguem imaginá-la adulta. Parece que ela parou no tempo, e suas fotos e lembranças estão junto com eles, onde eles guardam as coisas dos netos.

Em 2016, eles voltaram a falar sobre o caso, dessa vez com a mídia publicando sobre essa possível contaminação de amostras. Foi também nesse ano que a CBS exibiu um programa no horário nobre no qual acusava Burke Ramsey de matar a própria irmã. Eles levaram um menino de 10 anos no programa para fazer uma simulação e insinuaram que o Burke matou a John Benet porque ela comeu o dele. O Burke processou a CBS, os produtores e apresentadores em 750 milhões de dólares de indenização, mas o caso foi arquivado depois que a CBS e os produtores aceitaram pagar um valor desconhecido para ele.

O caso do processo foi arquivado, mas a teoria de que Burke era o assassino só crescia, principalmente na internet. Os promotores do caso precisaram ir até a imprensa para desmentir essas alegações, porque perceberam que a proporção disso já estava muito grande. Então, eles emitiram um comunicado inocentando Burke. Ele não deu entrevista no documentário, citando como justificativa a forma como ele foi tratado ao longo dos anos pela imprensa.

Apesar de décadas terem se passado, o caso da John Benet ainda é um caso não solucionado. No dia 28 de abril de 2022, a família da John Benet pediu ao Governador Jared Polis para que agisse para encontrar respostas sobre o caso. O John Ramsey explica que eles estão insistindo para que hajam testes com cinco ou seis objetos que estavam na cena do crime e foram levados ao laboratório, e que amostras de DNA sejam coletadas desses objetos, algo que não aconteceu em 1996. O desejo da família é que essas amostras sejam recolhidas e testadas com os DNAs disponíveis no banco de dados e com o uso da genealogia genética com o banco de dados genéticos para que seja possível encontrar o assassino.

Em 2023, o Instituto de Investigação do Colorado reuniu um painel de pessoas para fazer uma revisão no caso não solucionado de John Benet Ramsey. Esse painel recomenda o que deve ser feito pela polícia de Boulder para encontrar o assassino, mas a polícia não divulgou quais foram as sugestões desse painel. Um porta-voz apenas informou que as sugestões estavam sendo consideradas, mas não disse se novos testes de DNA estavam sendo conduzidos.

O John Ramsey conta que até hoje ele recebe cartas de pessoas se desculpando por acreditarem por anos que ele e a Patsy eram os assassinos de sua filha. Bom, gente, esse foi o caso. Eh, eu acho que a parte mais doida de tudo isso é que esse vídeo com certeza ficou gigantesco, porque são muitas informações, mas os principais suspeitos, né, que eu cito nesse vídeo são os mesmos que eu citei, sei lá, 6 anos atrás, no primeiro vídeo que eu fiz sobre esse caso em 2018, num vídeo de 15 minutos. Só que agora, obviamente, com muito, muito, muitos novos detalhes, né, com outra visão do caso, bem diferente da que eu fiz 6 anos atrás. Então, eh, esse é um caso que, de novo, é um caso que me pega muito, é um caso que eu tenho muito interesse nele, porque, sei lá, gente, para mim é muito doido que esse caso não tenha sido solucionado até hoje. É muito doido que os suspeitos sejam os mesmos até hoje e eles ainda não tenham chegado na solução desse caso. Eh, agora que ele voltou à tona, me lembra até um pouco o que aconteceu com o caso dos Menendez, né, que voltou à tona agora também. Então, talvez agora role uma movimentação que possa ajudar, né? Toda vez que esses casos que foram muito, muito falados, foram muito famosos por um longo período, aí, né, passa, meio que cessa por um tempo e depois volta, é possível que isso ajude de alguma forma a que voltem a falar sobre, porque aí ele é investigado lá onde aconteceu, né, em Boulder, então pode ser que agora eles voltem, né, se eles ainda tiverem essas evidências que foram citadas agora no fim, né, que tem outras evidências de DNA além das que eles usaram, se elas foram preservadas e realmente tiver esse DNA lá preservado da forma correta, é possível que eles consigam usar e é possível que chegue, né, na solução desse caso. Gente, porque não é possível, tipo assim, eu não consigo aceitar, ele tem que chegar numa solução. Esse é um dos casos assim que eu, eu preciso saber o que aconteceu, eu quero muito saber o que vocês acham, me contem.

O documentário acabou de sair na Netflix, ele é muito bom, então para quem quiser assistir, vale bastante a pena. E esse é um dos casos que tem muito material, então tem muita foto, muito vídeo. Então, no documentário tem bastante material visual que eu, eu, eu fico muito assim, eu gosto muito de ver essa parte da investigação, e lá tem bastante coisa. Então, praticamente tudo que eu falei aqui para vocês nesse vídeo, tem visualmente lá, então é legal assistir. E eu quero muito saber o que vocês acham, o que que vocês acham que aconteceu, quem vocês acham que cometeu o crime, me conta aqui nos comentários.

Playlist completa com todos os casos que eu já contei aqui no canal vai estar aqui na descrição para vocês maratonarem, são mais de 400 casos. Quinta Misteriosa também é podcast para ouvir quando e onde quiser e vai estar para vocês tudo certinho aqui na descrição. Não esquece de me acompanhar nas redes sociais que vão estar aqui na tela para vocês. Me sigam por lá que tem conteúdo extra e é isso, gente, eu vejo vocês no próximo vídeo.