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Olá, meus queridos e minhas queridas! Boa noite! Estão me ouvindo? Me digam aí se vocês estão me ouvindo. Boa noite, boa noite!
Ai, que ótimo! Que ótimo que estão me ouvindo. Tô muito feliz, muito animada com a noite de hoje, muito feliz em ter vocês aqui, né? Para a gente construir aí bastante conhecimento. Começando a nossa maratona, vão ser três dias aí que nós vamos trabalhar bastante, falar sobre a depressão. E é uma alegria poder ter vocês aqui comigo para a gente compartilhar conhecimento, para a gente construir conhecimento sobre esse transtorno tão importante. E sobre esse transtorno que realmente, né, nós precisamos fazer uma intervenção, porque apesar de ele ser comum, é um transtorno grave.
E na aula de hoje, nós vamos falar a respeito do que você precisa saber para sobre a depressão, né? Sobre esse transtorno. Vou falar também sobre algumas coisas importantes do próprio cliente, também de nós, enquanto terapeutas, como que a gente pode desenvolver esse olhar dentro da clínica, também para esse transtorno. Quais são as características que o psicólogo precisa ter, o que que ele precisa também ajudar os seus clientes, quais são os critérios diagnósticos, impactos. Então, a gente vai ver bastante coisa, ok?
Fiquem aqui comigo e aproveitem para convidar aí também outros colegas psicis. Então, se tem algum colega que você fala: "Nossa, essa maratona, essa live vai ser bacana para ele", mande aí o link, né? Convide para que a gente aí reúna bastante pessoas e a gente consiga, então, divulgar cada vez mais esse conhecimento que é tão importante, ok?
E antes da gente começar, quero pedir para vocês: caso alguém queira comentar e não esteja conseguindo comentar, é porque os comentários eles estão para os inscritos no canal. Então, se você quiser tirar alguma dúvida, participar escrevendo alguma coisa no chat, por favor, né, se inscreva. É só clicar nesse botãozinho aí de "inscreva-se". Depois de 5 minutinhos, vai estar liberado, então, para você fazer os comentários que você quiser. Tirar as suas dúvidas ao longo, então, da noite de hoje, eu vou tentar ler algumas dúvidas aqui em tempo real e já ir, né, respondendo. Também vou reservar os minutinhos finais da nossa live para eu responder também todas as dúvidas. Então, o que é bacana é que vocês vão poder aí tirar as suas dúvidas. Então, fiquem super à vontade para poder aí comentar, para poder realmente tirar as dúvidas que vocês tenham, porque realmente a ideia é a gente construir conhecimento e conhecimento de qualidade, ok?
Vou esperar mais alguns minutinhos o pessoal chegando. Então, vão me contando de onde vocês são, né? De que, de que lugar do país vocês são. Já vou confessar que eu sou de Belo Horizonte, Minas Gerais, né? Capital de Minas. E também já vou avisar vocês: hoje é dia do jogo do Atlético Mineiro, ok? Então, ele tá disputando a Libertadores. Se vocês ouvirem fogos, alguma comemoração, espero que seja comemoração e não tristeza, né? É porque o jogo tá, vai acontecer ainda, não começou, mas pode ser que quando a gente estiver caminhando na nossa live, o jogo já inicie. Então, é por aí, tá bom?
Vão me contando. Temos a do Espírito Santo, Ana Cláudia de Serrinha, Bahia, Ruba, Andreia, ok. Cris, carioca morando em Curitiba. Ô, delícia! Luciano de São Paulo, capital baiana que mora em Joinville, que bacana. Cuiabá, gente! Olha só, tá bem diversificado. Silv, Rio de Janeiro, Maric, Rio de Janeiro, São Paulo. Carina, Cristina. Muito legal, muito legal! Ok. Tamires do Rio. Vamos ajudar aí você, Tamires, com essa questão da desesperança, tá? Principalmente na live de amanhã, eu vou falar bastante sobre essa questão da desesperança.
Olha, temos a Ris Alves de Cabo Verde, gente! Olha só, muito obrigada pela sua presença. A Sara aqui, olha, que mora lá no norte dos Estados Unidos, também. A Zilanda, que é daqui de BH e que mora nos Estados Unidos. Muito bacana, gente! Tô muito feliz. A gente tem Olinda, tem Goiás aqui, tem a Felícia. Olá, Felícia, lá de Angola! Que delícia! Pernambucana que mora em Salvador. A Valéria. Eu não vou conseguir falar o nome de todo mundo porque o chat tá subindo rapidinho aqui para mim, tá? Mas muito feliz mesmo, pessoal, de ver vocês aqui comigo, tanto aqui do Brasil quanto agora também fora do Brasil. Tô me sentindo assim, muito privilegiada, muito honrada por ter todos e todas vocês aqui.
Então, eu já vou começar aqui a nossa live para a gente aproveitar todos os minutinhos que a gente tiver para poder explorar o conteúdo, para a gente poder trocar ideia. E a ideia é a gente trocar ideia mesmo, tá, gente? Então, a gente fazer aqui desse momento não apenas o momento técnico, formal de uma aula, mas essa oportunidade mesmo da gente estar aqui discutindo, conversando. Isso que é gostoso, ok?
Bom, então, para começar, não sei se todo mundo aqui me conhece. Acho que a grande maioria me conhece, mas eu acredito que nem todo mundo me conheça assim mais a fundo a minha história. Então, eu vou começar falando em breve, brevemente, assim, como que é a minha história com a TCC e a minha história com a depressão, inclusive.
Então, a minha história com a TCC, ela começou já na faculdade. E eu tive o privilégio de ter um professor que todas as disciplinas dele, ele puxava TCC, né? Então, a gente não tinha matéria de terapia cognitivo comportamental na época, mas ele aproveitava, então, as disciplinas dele, porque ele era mestre, estava fazendo um doutorado em terapia cognitivo comportamental, para falar sobre a TCC. Quando chegou, então, a época dos estágios obrigatórios, ele conseguiu fazer com que a gente tivesse estágios obrigatórios também dentro da TCC para atender na clínica escola. E aí começou realmente o meu caminho com a TCC e o meu caminho com a depressão. Eu atendi uma pessoa lá na clínica escola que ela tinha um transtorno depressivo e eu fui conduzindo, junto, junto com a supervisão dele, o caso dela. Eu caminhei com ela durante dois semestres. E ao final, além da ajuda terapêutica que ela recebeu, o caso dela também se tornou o meu trabalho de conclusão de curso. Então, o conhecimento sobre a depressão, esse caminho com a depressão e com a TCC começou desde a época da faculdade.
Quando eu me formei, eu não fui direto para a clínica, porque eu estava atuando na psicologia, mas dentro de consultoria de carreira. Mas quando eu fui para a clínica, né, um dos primeiros transtornos que eu me deparei foi a depressão. Na realidade, meu primeiro cliente foi de ansiedade e o meu segundo cliente foi de depressão. Então, tem mais de 10 anos que eu estou aí na clínica trabalhando com o transtorno depressivo maior.
E o que é importante da gente entender sobre essa jornada, sobre esse caminho no trabalho com a depressão? O primeiro deles é que trabalhar com depressão exige algumas características da gente, enquanto terapeuta. Como assim, Eliene? Bom, a depressão, ela é um transtorno que nos desafia bastante, não apenas dentro do nosso conhecimento técnico, especificamente, mas desafia algumas características nossas, enquanto terapeuta. Vou falar algumas características que eu percebi que foram bem desafiadas na minha jornada aí na clínica, principalmente no início. Então, se você está começando na clínica, fique atento a isso, porque isso é uma angústia muito comum.
A primeira característica que a gente precisa ter, né, é realmente sermos pessoas bastante interessadas. Isso, na realidade, o terapeuta, ele precisa ser para qualquer tipo de transtorno que ele vai tratar, mas a parte do interessado, ela é muito importante. Por quê? Porque a depressão, ela vai nos desafiar em termos, realmente, da nossa escuta. Então, o nosso cliente, ele vai ser marcado pela negatividade da depressão. Então, a gente vai ouvir muito discurso negativo. E aí, muitas vezes, isso vai nos desafiar a manter-nos atentos a isso. Mas por isso que é importante a gente sempre trazer esse olhar e esse cuidado e sempre mostrar interesse genuíno, mesmo pelo que a pessoa está trazendo.
Além do interesse, a gente precisa também ter a empatia. A empatia, claro, vai ser universal, mas ela também vai nos ajudar bastante. Por quê? Para a gente ajudar a acolher, realmente, o sofrimento do nosso cliente. Esse sofrimento, ele é muito genuíno e ele é muito doído. Então, na depressão, a gente tem uma marca muito significativa dessa dor. E principalmente, os nossos clientes, eles chegam geralmente bastante machucados para a gente fazer o atendimento. Por que que eles chegam bastante machucados no atendimento? Porque eles já foram invalidados bastante. Vai ser muito difícil um cliente chegar para a gente no consultório e falar assim: "Nossa, as pessoas compreendem o que eu como eu estou me sentindo". A maioria deles vai chegar com o relato das pessoas falando: "Nossa, isso é frescura", "Olha a sua vida", "Ah, você é tão bonita", "Nossa, você é tão jovem", "Nossa, você tem tantas coisas", "Ah, pensa nos seus filhos", "Ah, isso é falta de fé", "Falta de Deus", "Falta de um monte de coisa", né? Então, ele chega muito ferido e chega, né, bastante invalidado. Por isso que essa empatia para a gente fazer essa escuta, esse acolhimento, é muito importante.
E a terceira característica, essa sim, é a mais desafiadora: a paciência. Como assim, Eliene? Paciência. A depressão é um tipo de transtorno que exige paciência do terapeuta. Por quê? Diferente da ansiedade, onde o cliente, né, ele está ali com aqueles sintomas e ele fica doido para se livrar daqueles sintomas. Eu fico brincando que se a gente pedir para o nosso cliente, né, plantar bananeira três vezes por dia, pular três vezes, bater na madeira três vezes, isso a cada 5 minutos, ele vai fazer, se a gente garantir que isso vai tirá-lo ali do quadro de ansiedade. Agora, na depressão, tudo é muito mais difícil. Por quê? A característica essencial da depressão é justamente o rebaixamento do humor, o humor mais deprimido, a perda de energia, uma visão negativa de tudo. Então, mobilizar a ação do nosso cliente, colocá-lo em movimento efetivamente, é um grande desafio.
Então, por isso, precisamos de paciência. E por que que eu falei que essa é a mais desafiadora? Porque quando a gente pega esse livrinho, esse daqui da Judith Beck, ela fala o seguinte, né? A gente vai ali lendo e ela vai passando um protocolo. E na hora que chega lá na décima sexta sessão, ela já está começando a fazer os espaçamentos com o cliente dela. Isso funciona? Na realidade, na clínica, não raramente isso vai acontecer. Por quê? No livro, ela coloca assim: primeiro, porque existe um protocolo nos Estados Unidos. Segundo, porque também é uma ideia de ser um livro mais didático, né? Então, não dá para ela colocar ali anos de um processo psicoterapêutico. Mas esse cuidado é muito importante.
Eu lembro que no início da clínica, eu ficava ali me questionando, né? Eu falei: "Gente, eu já estou aqui há seis meses com a minha cliente, eu não consegui ainda dar a ajuda terapêutica para ela. Eu devo ser uma péssima profissional por conta disso." E na hora que eu fui vendo, que eu fui entendendo, que eu fui ganhando experiência, eu fui entendendo essa lição tão importante: é imprescindível a gente ter paciência. Mas isso não significa a gente ser morno no processo. O que que eu quero dizer? A TCC, ela precisa ser breve, mas o breve dentro do contexto. Quando eu peguei lá a minha primeira cliente, ela tinha outras comorbidades, o quadro dela estava mais grave, então havia várias coisas também que eram limitadores do próprio processo. Então, a gente gastou muito mais tempo nesse processo. Só que o que é mais importante? O resultado. Então, a TCC, ela precisa ser o mais breve possível, considerando o contexto, considerando a história do cliente, considerando as comorbidades, as individualidades. Alguns clientes, eles respondem muito mais rápido do que outros. Outros já respondem um pouco mais devagar. Então, é importante a gente respeitar cada uma dessas características, entender que isso faz parte do processo, mas sempre estar atento se há alguma evolução. Se impera aí, sim, é um sinal que você precisa intervir. Então, a gente paralisou, não está indo nem para a direita, nem para a esquerda, nem para frente, nem para trás. Então, aqui a gente realmente precisa observar, porque tem alguma coisa acontecendo, ok?
Então, isso vai exigir da gente, justamente, esse acolhimento, essa empatia com a gente também, essa autovalidação de pensar no processo. "Nossa, mas também a gente avaliar os caminhos possíveis nesse sentido e como que está tendo resultado." Sempre a referência é essa, ok? Diga sobre o resultado. E aí, a gente vai saber se o processo ele está funcionando ou não, se está sendo assertivo ou não, beleza?
E a gente vai ensinar essas mesmas características para o nosso cliente. É importante que ele seja interessado por si mesmo, pela sua própria história, pela própria TCC. Então, a TCC, ela é psicoeducativa. A gente precisa ajudar o nosso cliente a compreender a depressão, a compreender a sua própria história, a compreender também como que a TCC funciona e como que a TCC pode auxiliá-lo.
Além disso, é importante que ele seja empático com a própria dor. É muito, muito, muito comum que os nossos clientes depressivos, eles se tornem autocríticos ferrenhos, né? Então, o tempo todo eles estão se criticando, julgando, dizendo que eles não poderiam estar assim, se sentindo fracassados porque eles estão dessa forma. E eu até converso com os meus clientes, eu falo: "Olha, primeiro, qual que foi o dia que você tomou a decisão que você ficaria depressivo? Teve algum dia que você virou realmente e falou assim: 'Ah, o que que eu vou fazer da minha vida? Eu vou decidir ficar na depressão?'" Né? Não. Então, a depressão, ela é multifatorial. Ela não, não foi uma escolha. Ela foi a consequência de vários fatores que se associaram, de coisas que eram importantes na sua vida e que estão ameaçadas, os estressores que você está vivenciando, coisas dolorosas que você vivenciou lá atrás. Então, é um conjunto de fatores, não é tão simples assim. E de longe, é uma escolha.
Então, vai ser importante ajudar o nosso cliente a ser empático, a tirar essa chibata, né? Eu falo que eu, eu gosto de arrancar a chibata, porque a pessoa fica ali, né, se chicoteando o tempo todo. Eu falo: "Vamos arrancar essa chibata dessa mão, porque essa chibata não está te ajudando. Pelo contrário, está prejudicando o nosso caminho no processo terapêutico."
Além disso, né, ele precisa também ter paciência com o próprio processo. Claro que a gente vai evitar, como eu falei, né, que o cliente ele paralise, mas é importante também entender que ele não vai melhorar da noite para o dia. Hoje, em supervisão, eu estava dando uma supervisão mais cedo e uma supervisionanda minha falou para mim que a cliente dela ficava: "Olha, ok, mas quando que eu vou melhorar? Como que eu melhoro? Como que eu saio daqui? Eu quero sair daqui logo, né?" Que bom que ela quer sair de lá logo, mas é importante também entender que a depressão, ela não brotou da noite para o dia. E inclusive, a depressão, ela começa de uma forma muito silenciosa, ela começa, né, a modificar ali a forma da pessoa se sentir, a forma da pessoa se comportar, e a pessoa vai acreditando que ela vai conseguir lidar com aquilo sozinha, que daqui a pouco passa. E quando ela menos percebe, não passou e isso se tornou um estado contínuo. Daqui a pouco, a gente vai falar sobre os critérios diagnósticos da depressão.
Então, esse é o grande desafio quando a gente fala desse transtorno e ajudar, então, o nosso cliente a fazer esse acolhimento e falar: "Olha, demorou tempo para você chegar até aqui. Vai demorar um pouquinho de tempo também para você sair daqui. Mas a questão é: quanto mais você se engajar, quanto mais, então, você se comprometer em fazer realmente as tarefas propostas, assinalar o que está bacana, assinalar o que não está bacana no processo, quanto mais a gente conseguir construir realmente um processo que faça sentido e que seja sólido, aí sim, mais rápido a gente vai obter os resultados."
Então, a depressão, ela não vai embora sozinha. Os casos de remissão espontânea, eles são raríssimos. Mas geralmente, quando a pessoa ela tem um episódio depressivo e a remissão é espontânea, vai passar um tempo e depois ela entra de novo num quadro onde a remissão não é espontânea mais, ok? Então, todos esses elementos aqui são importantes, beleza?
Como que está aí o coraçãozinho? Coraçãozinho já ficou angustiado com relação à depressão, né? Como que foi aí atender os clientes que desafiaram vocês? Se identificam com isso também que eu acabei de relatar?
E além disso, né, vai ser muito importante eu falar uma coisa. A depressão, ela vai nos desafiar, mas para mim, particularmente, né, ela é também algo que nos dá uma grande satisfação quando a gente efetivamente consegue vencer esse transtorno, ajudar os nossos clientes a resgatar a vida, a sair desse transtorno, a viver uma vida mais significativa. Então, não tem preço, não tem preço mesmo. Para mim, é sempre muito lindo, é sempre muito satisfatório quando eu vejo o meu cliente chegando ao final do processo terapêutico totalmente diferente de como ele entrou, né? Agora, realmente, podendo vivenciar suas experiências, seguir os seus caminhos, resgatar os seus sonhos e vivenciar os seus sonhos. Então, é um trabalho muito árduo, mas muito lindo, extremamente recompensador.
Então, se a gente fica ali junto com o nosso cliente, persiste junto com ele, dá a mão. Eu falo com ele: "Olha, eu vou te dar a mão. Você me chamou para briga e eu não largo a sua mão enquanto você não estiver bem para caminhar sozinho. Na hora que você estiver bem para caminhar sozinho, aí eu vou soltar a sua mão com toda alegria, porque eu vou saber ver que você vai estar pronto aí para viver a sua vida, viver as suas experiências da melhor maneira possível, ok?"
E aí, seguindo, então, né? Eu quis fazer essa introdução, porque isso são coisas que geralmente a gente não vai ouvir as pessoas falando, a gente não vai ler no livro. O que que acontece com a gente, enquanto terapeuta, né? Esses desafios que a gente vai vivenciando e vai experimentando. Até mesmo porque, eu falo que a terapia, né, ser psicólogo clínico, é uma profissão solitária. A gente está ali com o nosso cliente, mas é diferente de quando a gente trabalha em outra área, que a gente vai ali na mesa do colega e já pergunta, que a gente grita, fala: "Ô, Fulano, pera aí, tira essa dúvida aqui, né?" Quando você está ali no seu consultório, é você com você mesmo, com o seu conhecimento, auxiliando o seu cliente. Então, é importante a gente saber que isso acontece no nosso cotidiano, que isso acontece com outros colegas, porque isso vai ajudando o nosso coração a ficar mais calmo, vai ficando mais quentinho, a gente vai entendendo que essas experiências, elas são comuns também com outras pessoas. E ao mesmo tempo, também que é possível a gente superar, né, esses desafios que acabam acontecendo ali quando a gente está no atendimento clínico, ok?
Bom, deixa eu ver, né, aqui nos comentários, já antes de seguir para... Ok. A Emily falando: "Hoje foi a quinta sessão com a paciente, ela tem depressão, disse que eu não estou resolvendo e que ela não está gostando da questão da modificação dos pensamentos e crenças." Ok, Emily. Então, nesse caso, vai ser importante você perguntar para ela o que efetivamente ela não está gostando, né? É só da questão da modificação dos pensamentos e crenças? É porque ela não entendeu a importância? É porque ela está se sentindo invalidada, às vezes, né, em ter que mudar os pensamentos? Ela acredita que esses pensamentos são verdadeiros? Então, aqui vai ser importante, Emily, você investigar com ela, tá? E aí, nesse caso, você pode perguntar para ela: "Olha, eh, quais pensamentos você está se sentindo, né, eh, que você não está gostando que a gente está falando? Por que que você não está gostando? Você acredita que esses pensamentos realmente são verdadeiros?" E aí você pode trabalhar justamente aquele questionamento socrático. Então, assim: "Quais são as evidências a favor desse pensamento? Quais são as evidências contra esses pensamentos?" Ou também fazer um custo-benefício: "Qual que é o benefício de você continuar pensando nesses, né, acreditando nesses pensamentos? Qual que é o prejuízo disso?"
Observe também se você talvez não vai ter que recuar um pouquinho. Como você está na quinta sessão, talvez a relação terapêutica ainda não esteja tão consolidada. Talvez você vai precisar investir um pouco mais também na psicoeducação com ela sobre o que é o transtorno, sobre o que são os pensamentos automáticos, sobre o que são crenças. Então, talvez você vai precisar dar um pouquinho dessa recuada. É muito importante a gente conseguir trabalhar com o nosso cliente dentro desse eixo, né, de ter uma relação terapêutica bem sólida. Eu falo, né, que ser terapeuta é como a gente ir num cirurgião, né? A gente precisa ter uma confiança antes de colocar a nossa vida na mão dele. Então, da mesma maneira, a gente precisa desenvolver realmente essa relação terapêutica. Então, sinta o que que está acontecendo, veja o que que está por trás desse desconforto dela. O que é bom é que ela te sinalizou. Então, isso daqui já é um bom caminho. Agora, você pode ir investigando melhor, tá?
Ah, eu não vi que você colocou aqui embaixo, né? "Hoje ela deixou claro para mim que não queria mais se sentir assim. Ela não gosta da forma do atendimento da TCC, segundo ela é algo bobo." Ok. Por que que é algo bobo, né? E muitas vezes vai acontecer isso, Emily. Às vezes, a abordagem da TCC não vai fazer sentido para algumas pessoas, né? Mas o que que ela está dizendo que é bobo? Ela acredita, então, que talvez ela esteja pensando que, ah, é só eu modificar o meu pensamento que tudo vai resolver? Talvez ela não entendeu realmente qual que é a profundidade disso, ok? Então, vai ser importante realmente entender, eh, muito dessa questão. E efetivamente, às vezes, se a pessoa ela não se identificar com a TCC, às vezes uma outra abordagem seja uma via melhor, ok? A TCC, que ela é efetivamente um padrão ouro de atendimento para o transtorno depressivo. Ela é, até mesmo porque a TCC, ela nasceu para trabalhar o transtorno depressivo, né? Então, ela nasceu na década de 60 com Aaron Beck, onde ele estava efetivamente fazendo um trabalho com pacientes depressivos. Então, ela nasceu para isso, ok? E tem inúmeros estudos que mostram realmente a efetividade dela. Agora, a gente tem que entender o que que ela está achando que é bobo.
Deixa eu ver se você colocou mais alguma coisa aqui. Aí, ó, ela disse que ela sente que você está invalidando a dor dela quando eu faço a psicoeducação e quando eu faço a questão dos pensamentos e crenças disfuncionais. Ok. Bom, então agora você vai recuar. Vai recuar e vai fazer o acolhimento. Não é o momento de fazer o questionamento ainda. Então, talvez ela está buscando essa escuta, esse acolhimento, porque ela já veio invalidada, né? Possivelmente, as outras pessoas no cotidiano dela fazem essa invalidação, né? Então, ou seja, ela está buscando validação. Valide, num primeiro momento, escute, faça o acolhimento. E aí, aos poucos, você vai, então, trabalhando aí, passo a passo, ok? Então, dessa maneira, você vai ajudando ela. Já te entregou, né, qual que é efetivamente o caminho que ela quer. Ou seja, ela não está se sentindo validada e, como ela não está se sentindo validada, ela está invalidando a TCC. Ela está dizendo que a TCC é boba, que isso não está funcionando. Então, bora lá, ok? Entendi, entendi que agora você quer que eu faça uma escuta mesmo. Então, me conta o que que está acontecendo, né? Vai trabalhando muito: "Olha, o que que esse pensamento gera? O que que acontece com o seu comportamento? Como que você gostaria de se sentir, né?" Então, olha, é difícil mesmo passar por isso. Tem hora que isso é mais desafiador. E aí, aos poucos, você vai delicadamente puxando essa questão da modificação dos pensamentos e das crenças, ok? Espero aí ter auxiliado, viu, Emily? Sucesso, mas tem hora que é mais desafiador mesmo, ok?
A Doraci falando que ela tem cliente com várias comorbidades, né? "Quando um cliente tem várias comorbidades, entre elas a depressão, por qual eu começo a trabalhar?" Pela depressão, tá? Eh, geralmente, Doraci, a depressão, ela vai ocupar o estágio mais alto de prioridade, por quê? Porque como a depressão, ela interfere justamente na capacidade do cliente de fazer enfrentamentos, de enxergar, né, o futuro, de enxergar possibilidades, a depressão, ela acaba assumindo esse eixo principal, porque se a gente não trabalha, não modifica esses vieses, a gente não consegue também trabalhar dentro de outros transtornos, ok?
Deixa eu ver, ok. Mais alguma coisa? Uhum. Isso, isso mesmo, Ana Cláudia, que você falou, tá? É o caso de estabelecer mais vínculo mesmo. E é desafiador, né, nesse sentido. Depois, eu vou contar, viu, Maira, um caso mais desafiador e a gente vai trabalhando mais dentro desse sentido. Então, agora, a gente vai entender mais sobre a TCC. Depois, vou voltar aqui no chat para a gente conversando, ok?
E aí, o que que acontece em relação à depressão, especificamente? Bom, dentro da depressão, então, a gente vai ter alguns critérios diagnósticos ali dentro do DSM-5. Hoje, a gente tem a versão revisada dele, né, o DSM-5-TR, mas eu confesso que praticamente nada mudou dos DSMs anteriores, ok? Por quê? Porque a depressão já é um transtorno muito bem estabelecido. Então, a gente já tem o estabelecimento da depressão há muitos anos. Ele é muito consolidado dentro da psiquiatria, né? E a gente consegue realmente perceber aí os sintomas. Ele é um dos vários transtornos de humor. Então, a depressão, apesar da gente conhecer como transtorno de humor, existem outros transtornos de humor que também vão estar ali descritos no DSM-5 e que é muito importante também a gente estudar e aprender sobre eles, para a gente fazer um diagnóstico diferencial, saber efetivamente no que a gente está trabalhando. É uma depressão unipolar? É uma depressão bipolar? É outro tipo de transtorno de humor que eu estou lidando, como, por exemplo, um transtorno disfórico pré-menstrual? O que que está efetivamente acontecendo ali? Então, tudo isso vai ajudar a gente a sinalizar algumas coisas.
E o DSM-5, ele trabalha dentro de uma ideia que existe, tem nove sintomas, e que desses nove sintomas, a gente precisa ter pelo menos cinco para a gente, então, caracterizar aquilo que está acontecendo com o nosso cliente como um transtorno depressivo maior ou depressão, ok? O que que é importante a gente destacar aqui? Primeiro, que precisa haver um prejuízo no funcionamento normal do indivíduo, no funcionamento anterior dele. Ok. Todo transtorno precisa causar prejuízo. Eliene, o que que é prejuízo? Aquilo que realmente está impactando de uma forma muito negativa e muito significativa a vida do seu cliente e que, na linha do tempo, isso não está melhorando. Então, outra coisa que o DSM traz é essa linha do tempo, que esse impacto esteja acontecendo pelo menos durante duas semanas, sem a gente perceber uma melhora. Da maioria dos dias, esses sintomas, eles vão estar presentes, gerando, então, esse prejuízo por pelo menos duas semanas, ok?
Porém, geralmente, o nosso cliente chega muito depois disso, né? Quem nos der ele chegasse ali no inicinho. Ele chega geralmente depois de muito tempo tentando lidar sozinho com a depressão. Como eu falei, né, ela começa de uma forma mais silenciosa, mais leve, a pessoa vai acreditando que vai conseguir lidar com aquilo sozinha. E na hora que percebe, ela puxou o laço dela, ok?
E também, entre esses cinco sintomas mínimos que precisa ter, pelo menos a presença do humor deprimido ou a perda de interesse e prazer em todas ou quase todas as atividades precisam estar presentes. Então, entre esses sintomas, esses cinco sintomas mínimos, eu preciso ou ter o humor deprimido, ou ter a perda de interesse e prazer. Às vezes, inclusive, eu tenho esses dois presentes, ok? E junto com isso, eu vou ter outros impactos significativos no funcionamento. Eu vou ter impacto cognitivo, por exemplo, a questão da concentração, da atenção, da memória, vão ficar prejudicados. Eu tenho um impacto em relação às questões de funcionamento orgânico, como a questão, né, do sono, da alimentação. Então, o sono, eu posso ter a insônia ou eu posso ter a hipersonia. No caso da alimentação, eu posso ter um aumento do apetite ou a diminuição significativa do apetite, que representa ali uma mudança de pelo menos 5% do peso corporal em um mês. Então, eu engordo ou emagreço sem estar fazendo dieta. E essa alteração representa pelo menos 5% ali do meu peso corporal. Então, foi algo muito brusco que aconteceu de uma hora para outra, da noite para o dia, por assim dizer, né? E que traz todos esses prejuízos.
Além disso, né, nós temos aí a perda desse interesse pelos contatos sociais. A pessoa, ela vai fazendo um afastamento, né, desses contatos sociais. Então, é essa diminuição do interesse, do prazer. Tudo isso vai favorecendo com que a pessoa, ela vá perdendo significativamente o acesso a coisas que para elas são importantes, que para ela gera sensação de prazer.
Além disso, algumas pessoas, elas vão se sentir mais agitadas, outras pessoas vão se sentir com o retardo psicomotor. E além disso, também nós temos um aspecto emocional muito marcado, que seria o sentimento de inutilidade e de culpa excessiva, ok? Essa culpa excessiva, ela realmente é uma culpa às vezes absurda. Eu já tive uma cliente, né, que eu peguei ela num quadro depressivo muito grave e ela já tinha uma comorbidade com o transtorno depressivo persistente, que antes a gente chamava de distimia, né? E que essa distimia dela vinha desde a infância, em que ela acreditava que a responsabilidade pela separação dos pais, quando ela tinha 5 anos de idade, era dela. E ao questionar porque que ela acreditava nisso, ela falava: "Olha, eu sei que não faz sentido, mas eu acho que isso é minha culpa." Então, a gente vai percebendo essa marca da culpa, esse sentimento de inutilidade. Isso é muito perigoso, porque muitas vezes a pessoa, ela vai começar a adotar um discurso de que "eu sou um fardo", "eu sou um peso", "eu sou inútil", "eu não presto", "eu sou um lixo". E isso vai gerando, então, abrindo porta para um outro sintoma muito significativo, que é ideação suicida, ok?
Então, quando a pessoa abraça, principalmente esse eixo desse sentimento de inutilidade, é onde isso já se torna mais perigoso. A gente vai falar amanhã mais especificamente sobre essas questões da ideação e tudo mais, mas aqui a gente realmente precisa ficar atento a isso, ok?
Então, a gente tem aqui um emaranhado de sintomas que são complexos e que a gente vai ter aqui a manifestação desde um nível leve, moderado a grave. Então, a depressão, ela tem esses níveis. Ela tem o nível leve. Qual que é o nível leve? A pessoa, ela funciona, mas ela já começa a sentir que ela precisa de fazer um esforço adicional para fazer coisas que antes ela conseguia fazer com pé nas costas. Então, sair é mais difícil, fazer atividades que ela gosta é mais difícil, trabalhar é mais difícil, ter motivação para fazer as coisas é mais difícil. Ela até faz, dentro daquilo que é um eixo de obrigação, mas ela vai percebendo que ela está um pouco mais cansada, que ela está um pouco mais desanimada, que as coisas não estão mais fluindo da maneira como fluíam antes. E aí, nesse estágio, às vezes, as pessoas que estão em volta, elas não vão perceber tão claramente que a pessoa está dentro de um quadro depressivo. E muitas vezes, nem essa pessoa vai saber disso. E ali é onde, então, a gente começa a ter vulnerabilidade para a depressão aumentar de intensidade e atingir o nível moderado.
Quando chega no nível moderado, as pessoas que estão em volta já começam a perceber: "Opa, Fulano está diferente. Fulano está se recusando a sair, não está comendo direito ou está comendo muito, né? Está ficando muito mais agitado, muito mais impaciente, mais agressivo." Então, vai percebendo mudanças no humor, vai percebendo, né, essas mudanças ali no comportamento que antes não era natural da pessoa. Então, ali, as pessoas em volta já começam a perceber esses prejuízos.
E no grave, é onde efetivamente a gente tem esses prejuízos muito escancarados. É onde realmente o nosso cliente, ele está muito rígido cognitivamente, ele está muito negativo. E é onde a gente tem um grande desafio nesse sentido, porque realmente modificar todo esse viés quando está muito negativo e muito arraigado, efetivamente, é algo que é bastante desafiador. Inclusive, o caso aqui da nossa colega, a gente talvez poderia estar falando de um quadro depressivo mais grave, né, onde tem uma rigidez cognitiva e negativa mais intensificada, ok?
Então, vale a pena investigar aí como que está esse nível de gravidade. Como que a gente sabe desse nível de gravidade? Bom, a gente tem essa questão, como eu falei, desses marcos da gente perceber qual que está a intensidade do prejuízo, mas a gente tem algumas ferramentas também, como a Escala Beck de Depressão, a BDI-2. Ela ainda está validada pelo CFP. E a gente tem também a Escala Hamilton de Depressão. A Escala Hamilton, você consegue baixar na internet, é de alta aplicação e consegue fazer uma avaliação de como que está a gravidade aí desses sintomas, tá? E a Escala Beck, que é a escala que eu prefiro aplicar, eu gosto, mas ela é de uso restrito. Então, você precisa comprar, né, ou na editora, ou em sites que vendem, ou livrarias, né, que vendem. Aqui em Belo Horizonte, tem a Livraria do Psicólogo, por exemplo. E você precisa dar o seu CRP para você conseguir fazer a conta desse material e aplicar, então, no seu cliente. Ali, você vai perceber qual que é a intensidade, qual que é a frequência desses sintomas. Então, tudo isso também vai ajudando a gente a fazer uma avaliação mais segura e mais assertiva nesse sentido, ok?
Então, dessa forma, a gente vai percebendo que depressão é, apesar de um transtorno comum, bastante desafiador. E inclusive, ela é a segunda causa de morte em jovens adultos, ali em torno de 19 até os 39 anos. Isso é um dado, né, que a OMS, ela divulgou recentemente. Então, a gente está falando de algo muito grave, né, de algo muito sério. E por isso que também é muito importante a gente aprender ao máximo os recursos, as estratégias, as ferramentas para a gente conseguir fazer isso de uma forma bem assertiva, ok?
Então, essa idade, ela é muito importante. E a gente vai precisar trabalhar justamente nisso. Eliene, como que eu faço, então, para reconhecer, né, um quadro depressivo no meu consultório? Como que eu vou saber? Alguns clientes, eles já chegam diagnosticados. Muitas vezes, eles vão chegar inclusive encaminhados pelo psiquiatra. O psiquiatra vai falar: "Olha, você está com depressão, então, procura ali um psicólogo." Hoje em dia, a gente tem, tem tido, né, inclusive uma orientação dos psiquiatras para as pessoas procurarem a TCC, né? Então, muitas pessoas elas chegam para mim e falam: "Liene, né, o psiquiatra mandou eu procurar um terapeuta em TCC." Então, a maioria dos psiquiatras hoje estão direcionando para TCC. Por que que eles estão fazendo isso? Porque a TCC é uma abordagem que conversa diretamente com a psiquiatria. É mais fácil a gente fazer, né, esse caminho ali com o psiquiatra. Eles usam o DSM, a gente usa o DSM, né? A gente fala sobre critérios diagnósticos, fala sobre transtornos especificamente. É o que eles trabalham também. Então, acaba que a TCC, ela tem sido cada vez mais divulgada nesse sentido pelos psiquiatras, por quê? Porque há uma convergência nesse sentido. Inclusive, na minha pós-graduação, que eu fiz, duas das minhas colegas eram psiquiatras. Então, assim, elas estavam finalizando a residência delas na psiquiatria e estavam ali para fazer uma especialização já em TCC. Então, ou seja, né, tem esse caminho que é muito compatível ali com a questão da psiquiatria, beleza?
Mas existem pessoas que chegam dentro do nosso consultório e a gente, elas não têm um diagnóstico, nem elas sabem identificar isso. Então, por onde que a gente começa? Primeiro, pelos critérios diagnósticos. Então, a gente vai percebendo ali, durante a entrevista de anamnese, durante ali as primeiras sessões, a gente vai percebendo como que está o fluxo de pensamento dessa pessoa, como que está o comportamento dela, como que ela está enxergando a si mesma, como ela está enxergando o mundo, como ela está enxergando os outros, como ela está enxergando o futuro. E nesse sentido, é onde a TCC, ela vai trazer uma informação muito importante, que é o quê? É uma visão negativa global.
Então, quando a gente pensa no aspecto cognitivo da depressão, mais voltado no cognitivo, aqui falando da TCC, né? A gente tem essa marca: essa visão negativa mais global. Então, a pessoa, ela vai se enxergar como está ali no critério diagnóstico, como inútil, como incapaz, né? Ela vai enxergar os outros como melhores, mais felizes, mais capazes do que ela. Ela vai enxergar o mundo como lugar sombrio, como lugar hostil. Vai ver o futuro abreviado de uma forma desesperançosa. Por quê? Porque ela vai enxergar: "Olha, se a minha vida está assim agora, imagina lá na frente? Não quero nem pensar. Se ficar pior, aí é que não vai acontecer. Eu não vou conseguir seguir com a minha vida mesmo." Então, a gente vai percebendo que a negatividade está muito presente. Então, a pessoa, ela vai fazendo um filtro negativo. Ela vai desqualificando o positivo. As coisas que acontecem, quando você pensa: "Nossa, que legal que aconteceu!" Ah, mas e aí? Tem um negativo que é colocado ali, né? "Consegui passar, sei lá, no ENEM." Nossa, que bacana! Ah, mas eu fiquei raspando ali, né? Ou: "Ah, eu não consegui a nota que eu queria para a faculdade que eu queria." Então, a gente vai vendo que sempre tem um "mas". E a gente sempre vai ter mais o filtro para esse viés negativo.
Então, a gente passa a ver tudo de uma maneira negativa. Inclusive, reforçando aqui, essa negatividade também tem a ver com o próprio processo terapêutico, né? Então, como a nossa colega estava falando aqui, a Emily, tem a ver com essa questão: a forma como a pessoa enxerga lá fora, ela vai enxergar aqui dentro. Então, a cliente dela, que está vendo o processo terapêutico de uma forma negativa, isso é esperado, porque vai ver com desconfiança, vai ver dentro desse viés negativo. Então, a gente pode esperar esse comportamento. Por isso desse cuidado na hora da gente fortalecer bastante a relação terapêutica, porque o filtro negativo é para tudo. E o próprio processo terapêutico e a gente também, enquanto terapeuta, vai ser visto inicialmente dentro desse viés negativo. É a característica da depressão. E isso mostra realmente que a gente está lidando com o transtorno, porque se o transtorno não se manifestar dentro do consultório, ali, a gente precisa entender que tem alguma coisa de errado. Então, o que acontece do lado de fora, vai acontecer dentro do consultório. Mas a grande diferença é que no consultório, a gente vai criar um ambiente propício para a gente trabalhar os desafios e depois disso, a gente conseguir efetivamente, né, fazer esse caminho para que ele aplique, então, no cotidiano dele, fora do consultório, as estratégias que a gente vem adotando dentro. E assim, a gente amplia os resultados. Assim, ele realmente vai ter esse contato aí com a vida dele, né? A gente quer que ele fique bem do lado de fora do consultório também, né? Não apenas do lado de dentro. Então, a gente tem todos esses fatores. E aí, a gente vai, então, identificando, identificando dentro do discurso do nosso cliente, da forma, então, como ele está se comportando, dessa maneira. E ali, a gente vai entendendo. Quando você é um terapeuta mais experiente, né, com algum tempo aí mais de clínica, só daquela escuta inicial, você já consegue levantar algumas hipóteses diagnósticas. Ali, a luzinha já fica amarela: "Opa, está me parecendo depressão. Deixa eu investigar um pouquinho mais." E aí você vai lá nos critérios diagnósticos e fala: "Opa, pera aí."
Tem muita coisa. Ou você vai até conduzindo as suas perguntas, basear nesses critérios diagnósticos também, e ali a gente vai conseguindo fazer uma identificação para fechar o sintoma, para fechar o diagnóstico. Ok, Eliene, psicólogo fecha o diagnóstico? Sim, sim. Por isso que a gente, né, estuda ali psicodiagnóstico na faculdade. A gente tem sim a capacidade de fechar diagnóstico. A gente só não pode o quê? Prescrever medicamento. Prescrever medicamento é com psiquiatra.
"Eliene, eu não me sinto muito segura. Gostaria que o psiquiatra fechasse o diagnóstico." Sem problema nenhum. Só que muitas vezes também a pessoa, ela pode chegar com um diagnóstico equivocado, né? Já aconteceu comigo e com algumas colegas psicis que eu andei conversando, que muitas vezes o cliente chegou ali, hum, tá parecendo que não é bem isso que foi diagnosticado. Ou a pessoa que já foi diagnosticada na vida com vários transtornos, você fala: "Opa, tem alguma coisa ali de estranho." Por quê? Porque o psiquiatra, ele muitas vezes vai fechar o diagnóstico no primeiro atendimento dele. O terapeuta, ele vai ter tempo para fechar esse diagnóstico. Ele vai estar ali com o cliente mais vezes.
Ou vai partir do pressuposto de uma hipótese diagnóstica que é uma depressão unipolar, vai lá dar um antidepressivo, e a pessoa manifesta então entra na mania ou na hipomania. E aí a gente percebe que não é uma depressão, que é uma bipolaridade. Então, então esses caminhos, eles são importantes. E é muito importante, como eu falei, a gente estudar também sobre outros transtornos que podem estar presentes e pra gente fazer um diagnóstico diferencial também. Entender: "Parece depressão, mas é... não sei." Então, ou seja, "Ou parece depressão, mas é só ela?" Também não sei. Ela pode vir acompanhada. Inclusive, a depressão, né, ela tem um alto índice de comorbidade com outros transtornos: transtorno de personalidade borderline, transtornos de ansiedade de forma geral, transtorno obsessivo compulsivo, transtorno, né, de anorexia e bulimia. Então, todos esses transtornos, eles têm uma alta comorbidade. Por isso também que às vezes vai vir, né, com um coleguinha ali associado, o que vai tornar ainda mais desafiador o próprio processo. Então, a gente saber disso, entender isso, é muito importante.
Ok, isso vai ajudar então você a olhar de uma forma mais segura. E se você ainda não tiver segurança, fui lá no DSM, consultei os critérios, ainda não tô segura, converse com algum outro colega que tenha, né, um pouco mais de experiência clínica, procure supervisão. Então, isso tudo vai ajudar você a ampliar o seu conhecimento, aumentar sua segurança, aumentar o seu repertório para você criar planos de ação que sejam eficientes. No caso da depressão, dependendo inclusive do nível que a gente tiver, a gente também vai falar um pouquinho disso amanhã. Eh, existem estratégias que a gente vai adotar. Então, por exemplo, se eu tô num quadro mais grave da depressão, moderado a grave, eu não inicio pelas técnicas cognitivas. Eu não vou trabalhando manejo ao pensamento. Eu vou trabalhando primeiro comportamental, modificação comportamental. A pessoa que tá no moderado e grave, ela tá com muitos prejuízos a partir de comportamentos disfuncionais. Claro que esses comportamentos, eles vêm do pensamento. Sim, mas primeiro eu preciso recuperar essa pessoa, colocá-la para ver resultados mais positivos. E aí sim, eu consigo depois manejar essa mente que tá muito enrijecida. Então, eu começo pela ativação comportamental e depois, efetivamente, eu vou para os questionamentos, eu vou para a flexibilização cognitiva. Se eu já tô num quadro mais leve, eu consigo começar pela flexibilização cognitiva. Ok? E aí depois eu vou inserindo a ativação comportamental, outras ações.
Então, também isso é importante. Inclusive, Emily, esse também pode ser um motivo da resistência da sua cliente. Ela tá muito enrijecida cognitivamente. E se ela tiver ali já dentro de um quadro moderado a grave, a ideia é a gente trabalhar mais a parte comportamental do que a parte cognitiva, porque a depressão, ela faz de tudo para não ceder. Ok? Então, é importante a gente entender. Eu olho para a depressão como se realmente ela fosse um ser, uma pessoa. Por que eu falo isso? Porque quando ela assume, né, ali o o o controle de uma outra pessoa, pessoa, ela vai, essa pessoa vai pensar diferente, vai agir diferente, vai sentir diferente, tudo para o quê? Condizente com a depressão. E tudo para fortalecer a depressão. A depressão, ela nunca vai jogar contra ela. Ela sempre vai jogar a seu favor. Então, por isso que é muito importante a gente perceber esses aspectos, entender que ali a pessoa, ela está contaminada, por assim dizer, por aquele viés da depressão. E a depressão, ela vai querer de todas as maneiras encontrar recursos para ela se fortalecer e para ela se manter. Ok? Então, todos esses elementos, eles são importantes da gente observar.
E além dessa parte cognitiva que eu falei, né, que tem a ver com essa visão mais negativa generalizada, a gente tem mudanças comportamentais significativas. E uma das mudanças mais significativas que a gente tem é a evitação. Né? Geralmente, a gente fala assim: "Nossa, evitação é muito característico dos transtornos de ansiedade." Mas também a evitação tá muito presente no transtorno depressivo. Por isso que também é importante a gente ter esse olhar para ativação comportamental. A pessoa, ela evita fazer coisas que antes eram prazerosas para ela. Então, como ela perdeu o interesse e o prazer, ela evita fazer essas coisas. E quando ela evita fazer essas coisas, ela empobrece o cérebro dela, né? O cérebro dela deixa de ser estimulado para coisas positivas. Então, eu já tenho uma desregulação ali neuroquímica do meu cérebro, né? Os neurotransmissores já não estão funcionando como eles deveriam funcionar. E eu ainda não insiro atividades prazerosas. O que vai acontecer? Ele vai ficando cada vez mais empobrecido. Se vocês jogarem na internet aí imagem do cérebro depressivo, você vai ver que é um cérebro apagado. É nítido isso, né? Um cérebro normal sem depressão, com o cérebro com depressão. Então, o cérebro com depressão, ele é apagado. E o cérebro sem depressão, ele tem um monte de luzinhas ali, né? Então, é Natal. Então, ele tá ali com um monte de luzinhas piscando. E o cérebro depressivo não. E ali, então, ele já tem um funcionamento cerebral mais empobrecido. E eu não estou fazendo atividades que vão ajudar a estimular esse cérebro, que vão ajudar na produção de neurotransmissores responsáveis pelo meu bem-estar. Então, é ali onde a coisa empobrece cada vez mais.
Então, o que que acontece com a depressão? Ela começa leve, ela vai pro moderado e depois ela vai pro grave. Ok? Ela não vai parar o processo dela. A ideia dela é ir agravando cada vez mais, se fortalecendo cada vez mais. Quanto mais a depressão se fortalece, mais o nosso cliente enfraquece, né? Então, aqui ela realmente vai drenando, ela vai sugando a energia vital da pessoa para ela ir se fortalecendo. Então, nesse sentido, efetivamente, é muito importante a gente fazer esse olhar e conseguir fazer uma condução, entender ali o que que tá mais crítico do meu cliente, quais são os comportamentos que às vezes poderia favorecer justamente a gente começar aos poucos a voltar. E essa volta, né, dessa ativação comportamental, dessa sensação maior de prazer, ela precisa ir aos poucos, porque a pessoa, lembra que ela tá com energia baixa. Então, não adianta também a gente exigir da pessoa, colocar, né, fazer uma atividade que é uma atividade que vai, vai gastar muita energia. A gente precisa trabalhar ali em atividades que sejam mais próximas da energia que a pessoa tem. Eliene, se ela tiver energia zero, vamos fazer uma atividade energia um. Eu lembro que no livro do do Aaron Beck, que foi o livro que ele lançou a terapia cognitiva na época, só tinha esse nome lá na década de 60, né, que é terapia cognitiva para depressão, eu li esse livro dele, essa obra. E se eu não me engano, foi nesse livro, tá? E ele falou que ele estava com uma cliente tão deprimida que a atividade dela, a tarefa dela, foi o quê? Cozinhar um ovo. Simples assim. Então, assim, vamos começar a fazer você levantar da cama, fazer algo para você comer. Não precisa fazer um almoço completo. O que que a sua energia dá conta? Cozinhar um ovo. Nós vamos cozinhar um ovo. É pegar um ovo, encher uma vasilhinha, colocar o ovo lá dentro, ligar o fogo e deixar o fogo fazer, fazer a a o trabalho dele junto com a água. Depois vamos quebrar esse ovo ali e comer, né? Então, assim, a gente trabalhar de uma forma bem estratégica. Tudo isso é muito importante. Todos esses conhecimentos vão ajudar. Olhe para além simplesmente daquilo que os livros estão te dizendo. Olhe para o seu cliente. Veja o que que tá acontecendo com o seu cliente. Como eu falei, cada caso é único. É esse, esse é o desafio, mas essa é a beleza da clínica também. Imagina se a gente atendesse todo mundo fosse igual, né? Chegar em um momento que seria muito entediante, né? Próximo, próximo, próximo. Então, cada cliente vai nos desafiar. E cada desafio que a gente tiver, vai nos trazer um melhor aprendizado também. Ok? Então, basicamente, essa foi o a preparação da aula de hoje, o esquenta, né? E agora eu vou as dúvidas. Já vou deixar aqui para vocês também. Deixa eu pegar aqui, ó, o link da live de amanhã. Então, eu já vou deixar aqui para vocês, ok? Esse link já deixa salvo aí. Deixa eu ver se eu consigo fixar lá em cima. Isso. Então, aqui já é o link da nossa live de amanhã, ok? Deixa eu ir lá então para os comentários. Então, gente, já vai aqui trazendo as suas dúvidas pra gente conversando bastante ainda. Deixa eu ver. Já fui lá em cima, já tinha respondido a Emily. Deixa eu ver quem mais. Falei também a Tamires comentando aqui, né, que a cliente dela é assim, diz que não tem nada na vida dela de bom para contar. Pois é, então é muito característico, tá? Essa marca da negatividade é a característica principal da depressão. Quando o seu cliente, ele começa a falar, né, coisas positivas, começa a se mostrar de uma forma mais otimista, ali, né, onde a gente fala: "Opa, né, parece que tá funcionando agora." E uma coisa também muito importante que eu quero trazer para você, que eu acho que é interessante destacar, é que não é comum do quadro depressivo a gente ter melhora súbitas, tá? Então, por exemplo, a gente começou a fazer o atendimento, passou duas, três semanas, pum, nosso cliente tá maravilhoso. Nesse caso, a gente precisa avaliar isso com parcimônia, porque talvez a gente não esteja falando de depressão. Talvez a gente esteja falando, por exemplo, de bipolaridade. Então, é importante a gente saber essas coisas para que, né, a gente acabe não tratando a depressão como bipolaridade. Beleza? Então, esses elementos, eles são importantes também.
O acho que é Ledson, né? O Ledson falando: "Arranquemos a Shibata." Então, muito boa essa. Exatamente. Eu falo com os meus clientes: "Eu sou especialista em arrancar chibata da mão." Adoro. E na hora que eles se libertam dessa bendita dessa chibata, gente, como que é bacana. Então, assim, eles se sentem muito mais, mais leves, né? Eles se sentem muito mais acolhidos por si só, por si mesmos, né? Isso é muito legal, muito bacana mesmo.
Deixa eu ver quem mais. A Eline falando aqui, né: "A minha paciente entende as crenças, mas não consegue rompê-las." Ok, Eline. Bom, nesse caso, então, o que que é importante a gente avaliar, tá? Ah, quando a gente fala de crenças, se a gente pensar ali no modelo cognitivo, a crença nuclear, ela é o núcleo mesmo, ela é o centro de tudo. Abaixo dela, nós temos as crenças intermediárias. Depois, a gente tem ali as estratégias de enfrentamento disfuncionais, que antes a gente chamava, né, de estratégias compensatórias, e os pensamentos automáticos. Ali, se a gente pensar dentro do diagrama cognitivo, tá, do modelo cognitivo. Então, o que que acontece? A sua cliente já entendeu as crenças, mas o trabalho com as crenças é a última etapa que a gente faz num processo terapêutico. A gente começa por onde, né? Do mais frágil para o mais forte, frágil entre aspas. Então, a gente começa pelo quê? Pelos pensamentos automáticos. E depois que a gente vai para as crenças. Por que que talvez ela já entendeu e ela não consegue romper? Porque crença é, é emocional. Crença, ela vem a partir de situações e experiências de vida que são emocionais. Quando você fala que ela entendeu, mas não consegue romper, é porque ela entendeu só racionalmente. Ela ainda não experimentou essa mudança emocional. Então, a gente vai precisar avaliar, né, nesse momento, primeiro, eu já trabalhei tudo de lá de baixo até lá em cima? Então, eu já trabalhei os pensamentos automáticos, eu já trabalhei as estratégias de enfrentamento disfuncionais, eu já trabalhei as regras disfuncionais, que seriam as crenças intermediárias, né? E ali, por último, é que efetivamente eu vou trabalhar a crença nuclear, porque ali ela já está enfraquecida. E aí as minhas emoções, elas já estão começando a ficar mais próximas, então, da minha razão. Então, muitas vezes, a gente vai ver isso: o nosso cliente, ele entendeu, mas ele não conseguiu ainda modificar a forma como ele se sente. É porque isso ainda está arraigado. E aí a gente vai precisar, principalmente, produzir experiências emocionais, muitas vezes contrárias à crença. Então, por exemplo, se a sua cliente, ela tem uma crença de incompetência, então a gente vai precisar produzir nela experiências aonde a gente valide emocionalmente competência para ela. Então, por exemplo, ela conseguiu, sei lá, passar numa entrevista de emprego. Então, a gente vai trabalhar com ela dentro do eixo emocional também, né? Então, a gente vai trabalhar: "Olha, como que você se sentiu ao ter passado na nessa entrevista de emprego? Como que foi? Quais foram as habilidades? Quais foram as competências que você teve nesse sentido para te ajudar a passar nessa entrevista? O que isso diz sobre você? Vamos celebrar? Vamos brindar? O que que você pode falar de positivo para você? Né? Você pode falar: 'Bom trabalho', 'Nossa, que bacana'. Se fosse uma amiga sua que tivesse te contando o que tivesse passado numa entrevista de emprego, como que você se sentiria? O que que você diria para ela?" Então, a gente vai induzindo também essas experiências mais emocionais que são opostas, então, à formação original da crença. Então, assim, você vai ajudar também a sua cliente a ir se apropriando. Mas isso vai levar um pouquinho de tempo até a gente unir esses dois eixos, né? O entendimento com o coração. Às vezes demora um tempinho, mas é possível os dois se unirem. E quando eles se unem, aí significa que a sua reestruturação cognitiva já foi feita e que você já está em vias realmente de fechar o processo terapêutico dela, tá?
Cristina falando: "Paciente não entende que essas mudanças geram sinapses que vão enraizando os novos." Ah, sim, estava comentando, né, Cristina, a questão lá da Emily, que a gente estava falando. A Maira falando: "É bem desafiador mesmo. Você poderia contar um caso que foi bem desafiador?" Maira, vou contar sim um caso que foi bem desafiador, né? Eh, nesse aspecto dessa visão negativa em relação à terapia. Tá? Então, assim, muitas pessoas, elas vão chegar com esse viés. Como eu falei, a terapia, ela vai ser vista pelo mesmo viés da depressão, e o viés da depressão é a negatividade. Então, o cliente, ele tende a chegar desconfiado e ele tende a chegar mais desesperançoso. Ou muitas vezes, ele chega na terapia acreditando que aquele é o último recurso. Se a terapia não funcionar, então não resta mais nada para mim nessa vida. Eu vou me matar. Ok? Então, tem muitos clientes que eles chegam falando: "Olha, esse daqui é, essa daqui é a minha última tentativa. Se a terapia não funcionar, efetivamente, não resta nada para mim."
Então, eu tive um caso bem desafiador e que me marcou significativamente pelo desafio e, no final, pelo lindo resultado. Ok? Então, eu vou mudar algumas características aqui, porque como eu estou falando abertamente aqui na internet, eu vou mudar algumas características do meu cliente, tá? Para a gente não ter nenhuma identificação, possibilidade de identificação, para a gente garantir o sigilo ético das informações. Tá? Então, eu atendi um jovem, ele estava ali na casa dos 25 anos, ele tinha um quadro depressivo bastante grave. E esse quadro depressivo, inclusive, ele já estava no planejamento, né, do suicídio. Então, ele já estava em vias de se suicidar, tá? Quem me informou isso foi a família, né, que descobriu a tempo. Então, no primeiro atendimento, né, ele não sinalizou nada. E no segundo atendimento, eu já fui informada pela família e comecei a fazer a intervenção. Eu trabalhei bastante com ele a questão do acolhimento, a além, claro, né, de já trabalhar uma intervenção para a ideação suicida e para o planejamento, que aí depois eu vou falar em mais detalhes na live de amanhã. Eh, eu já fui trabalhando com ele bastante a questão da validação, né, do acolhimento, da escuta, do interesse genuíno, do colo, né, por assim dizer, da gente, eh, realmente fazer esse acolhimento para o cliente. Então, ele chegou acreditando, né, primeiro, que ele estava ali porque a família mandou ele estar. Ele não foi ele que entrou em contato para fazer a terapia. Foi um familiar dele. Mas, né, a partir desse primeiro momento, o meu primeiro enfoque foi bastante fazer essa escuta e esse acolhimento, entender a dor, validar a dor. Ele chegou bastante machucado, porque as pessoas, ah, sempre falavam com ele que ele não tinha motivo para ele se sentir assim. Muitas vezes, ele tentava revelar que ele não estava bem, que ele não estava feliz, que ele queria a atenção das pessoas, e as pessoas não faziam questão disso. Ele tinha uma família realmente bastante invalidante, eh, uma mãe bem negligente nesse sentido. Então, esse foi um grande desafio. Mas a vantagem foi contar, né, com o outro irmão que ele tinha e que era uma pessoa mais preocupada, o irmão mais velho. Então, tudo isso ajudou a gente ancorar um pouco mais. Conduzimos. Foi bem desafiador. Ele teve os seus altos e baixos, né? Teve um momento, inclusive, que a gente até pensou em fazer uma, uma internação, porque realmente o, o, aconteceu uma situação na vida dele que agravou bastante a ideação suicida. Mas a gente conseguiu fazer com que a família ficasse um pouco mais próxima nesse sentido. Eu já tinha conseguido psicoeducar mais a mãe, conseguido psicoeducar mais as pessoas próximas. Então, elas começaram a entender melhor a importância de estar ali mais perto. E a partir disso, a gente conseguiu fazer uma condução. Eu estava em contato direto com o psiquiatra dele também, para a gente conseguir fazer todo esse caminho. Depois de algum tempo, né, os sintomas começaram a entrar em remissão. Então, ele conseguiu, né, eh, fazer as suas atividades, começar a se relacionar melhor com as pessoas, começar a ter também mais esse apoio da família. Foi significativo. E a partir dessa psicoeducação, isso favoreceu bastante, né, a psicoeducação que foi feita com a família favoreceu bastante nesse sentido para ele começar a se sentir acolhido, validado. A gente buscou outras pessoas também ao redor dele que poderiam validar ele. Já tinha tido um amigo que tinha passado por isso. Então, esse amigo ajudou também ele a se sentir mais compreendido. E com o passar do tempo, junto com a medicação e junto com a terapia, ele realmente começou a entrar, né, dentro desse eixo da remissão dos sintomas e até efetivamente, né, ele conseguir entrar aí num quadro mais estável. Ok. No caso dele, a gente conseguiu fazer o quê? A remissão do transtorno depressivo. Mas ele tinha um diagnóstico comórbido, que era o transtorno depressivo persistente, a distimia, né? Então, nesse caso, a gente conseguiu fazer uma remissão do episódio de depressivo. Ele continuou fazendo, né, o tratamento com o psiquiatra, porque nesses casos, né, a ideia é que a prescrição do medicamento seja contínua para evitar novos episódios depressivos. E depois de um tempo, né, que ele já tinha recebido a alta terapêutica, eu costumo às vezes mandar, né, mensagens para os meus ex-clientes de vez em quando para saber como que está e tudo mais, porque eu acabo desenvolvendo, claro, né, esse sentido mais do afeto com eles. E foi muito bacana, porque eu mandei uma mensagem no aniversário dele e ele me retornou agradecendo, falando que efetivamente ele só estava vivo comemorando aquele aniversário pela jornada que a gente fez junto, né? Então, por isso que eu falei, e até hoje me emociona muito esse caso, porque foi muito desafiador, mas foi muito recompensador. Por isso que eu falei que a depressão é muito desafiadora, mas ao mesmo tempo também ela é muito recompensadora nesse sentido. Ok.
E no sentido do desafio do vínculo terapêutico, também é muito importante a gente ter esse olhar. Eu lembro de um cliente que chegou para mim e ele veio falando o seguinte: "Olha, eu vou ser muito honesto com você. Eu estou aqui porque a minha amiga mandou. Eu vi, ela falou que eu tinha que conversar com você. Eu confesso que eu não acredito em psicologia e eu só estou aqui porque efetivamente ela falou que eu estou passando por esses problemas aí, seria importante eu estar na terapeuta. Mas psicologia para mim, esses negócios é tudo viagem." E aí eu virei para ele e falei assim: "Você acredita que eu concordo com você?" Ele levou um susto na hora. "Como assim? Você concorda comigo?" Eu falo: "Tem muita coisa realmente na psicologia, quando a gente vai estudar a história da psicologia, que foi viagem pura, né? Muitas coisas foram testar que não tem nada a ver. Então, eu concordo com você que tem muita coisa que é viajada realmente na psicologia. Mas deixa eu te contar o seguinte, deixa eu te explicar mais ou menos qual que é a minha abordagem, qual que é a visão que eu tenho da psicologia dentro do que você trouxe, e talvez isso possa te ajudar. Posso te explicar?" Ele estava na, na época, passando por um processo ali, ah, de mudança no trabalho e também de ruptura no namoro dele. E aí eu fui explicando como que a TCC poderia ajudá-lo nesse sentido. E ao final, ele falou assim: "Olha, engraçado, interessante. Isso começou a fazer sentido para mim." E eu falei com ele: "Olha, então vamos testar. Volta aqui na próxima semana. Se você se sentir à vontade, se você tiver identificado, e a gente vai começar a testar essas teorias que eu te falei para ver se isso vai funcionar mesmo ou não. Você está disposto a experimentar?" E aí ele continuou o processo terapêutico comigo e a gente conseguiu fazer aí, né, as intervenções necessárias. Então, muitas vezes, né, a gente vai fazer esse trabalho de validar a opinião do nosso cliente e, principalmente, né, de validar o sofrimento dele. Então, são recursos, são estratégias que a gente pode adotar e que podem, né, ajudar a gente nesses desafios aí que aparecem. Ok. Fez sentido para vocês esses exemplos? Depois fala aqui também, comente se vocês já viveram desafios semelhantes que no final foram recompensadores ou coisas inusitadas que falaram com você no consultório e aí você conseguiu também, às vezes, né, ajudar aí a melhorar, né, essa relação com a o seu cliente no consultório. Ok.
BNC falando: "O problema da relação terapêutica é que às vezes demora. O paciente vê, às vezes demora, e o paciente quer ver o resultado logo. E nós estamos no tempo de gerar esse vínculo ainda." Entendo que o paciente paga e quer o quanto antes. Sim, tá? Então, muitas vezes, ele vai querer sim esses resultados imediatos. E aí é importante falar isso: "Olha, eu sou a pessoa mais interessada de te ajudar a ter resultados mais rápidos. Vamos então fazer, então, aqui, a gente vai trabalhar o seguinte: nós vamos começar a fazer um plano de ação e nós vamos trabalhando dentro das ferramentas. Quanto mais você se dedicar a esse processo, mais rápido os resultados vão vir. Mas assim como todo resultado, isso vai depender do investimento. Quanto mais você investir, mais os resultados vão ter. Aqui, a nossa relação, né, e o nosso trabalho é um trabalho em conjunto. Eu estou aqui na parceria com você." Quando eu atendia no presencial, inclusive, eu fazia questão da minha cadeira ser igual do meu cliente, porque inclusive eu virava para ele e falava assim: "Tá vendo? A sua cadeira é igual a minha. Aqui não existe diferença entre nós dois. A diferença única está em quê? Que eu tenho um conhecimento, né, técnico, mas se você não trouxer, né, o que você tem para trazer, de nada vale o meu conhecimento. E não adianta você trazer o que você tem para trazer se eu não tiver disposta a entregar o conhecimento que eu tenho. Então, a nossa relação aqui é de igualdade, é 50/50." Hoje, eu já brinco com meu cliente falando que eu sou o GPS, né? Então, a gente vai seguir nessa condução. Ele está ali como motorista, mas ele não sabe como chegar no caminho dele. E eu sou o GPS que eu vou, quê, sinalizando para ele, né, quais seriam as melhores rotas. Então, quando que ele vai chegar, a velocidade que ele vai imprimir, vai depender dele, né? Para mim, vai ser importante sinalizar. Eu, como GPS, posso até mostrar a rota mais rápida, mas se ele não quiser seguir essa rota mais rápida, bom, a gente vai ter que recalcular outra rota, né? Eu até brinco com ele: "Recalculando rota", né? Então, a gente pode ir conduzindo nesse sentido, trazendo, né, essa, isso também com leveza. É importante a gente, enquanto terapeuta, a gente não se ofender com o que o cliente traz e a gente não querer justificar e defender logo a TCC. É a gente acolher: "Olha, eu entendo. E muitas vezes, na sua posição, eu estaria fazendo esse mesmo questionamento, né? Então, eu quero aqui construir. Se você quer um resultado mais rápido, que ótimo! Eu também quero que você se livre desse sofrimento o mais rápido possível. Então, vamos juntar? Vamos fazer uma parceria aqui e tentar fazer com que isso seja o mais rápido possível mesmo." Então, a gente vai trabalhando toda semana, a gente vai elencando aqui uma atividade que você pode fazer e que vai te ajudar nesse sentido. E aí a gente vai trazendo também o cliente para dentro do próprio processo terapêutico.
O Ledson falando: "Tive um paciente que chegou falando que sempre desistia na terceira ou quarta sessão e realmente desistiu na terceira sessão. Isso ocorre mesmo? Tem outra?" Ah, tem outra que estou atendendo e sempre falta. É comum? Sim, infelizmente é comum. Ó, o seu primeiro caso, pelo menos a pessoa já cantou a bola, né? Ela já avisou que geralmente começa ali a a terapia e não dá prosseguimento. Se isso acontecer, é importante a gente perguntar: "Olha, por que que acontece? Você sabe me informar, né? Qual que é o motivo que efetivamente isso acontece, né? Por que que chega ali na terceira e quarta sessão? Você está me falando que isso já é um padrão, então, do seu comportamento. Então, você notou que existe algum, alguma forma, alguma coisa que acontece? É porque faz sentido? É porque você acha que está demorando ter os resultados? O que que efetivamente está acontecendo?" Então, essa é uma oportunidade. Tudo que o seu cliente fala é uma oportunidade de ouro para você investigar e ver se ali você consegue fazer algum tipo de intervenção. Ok? E a outra cliente que está faltando é muito comum também. E aqui a gente tem que tomar cuidado, porque muitas vezes a gente acredita o seguinte: "Se a pessoa está faltando, é porque ela não está interessada na terapia." Opa, pera lá. Muita calma nessa hora, ok? Então, a gente precisa primeiro entender o que que está acontecendo. É o momento de vida dela? Talvez ela está mais saturada nesse momento? Talvez tem coisas efetivamente que ela está se sentindo sobrecarregada? É porque para ela está sendo desconfortável, ela está trabalhando coisas que são dolorosas, tem crenças nucleares que estão ativadas? Então, o que que está acontecendo? Então, vai ser importante, quando ela comparecer na sessão, você gentilmente perguntar para ela: "Olha, fulana, que bom ter você aqui na sessão. Eu tenho reparado, né, que já tem algum tempo que você não está vindo com tanta frequência. Tem alguma coisa acontecendo que eu posso te ajudar? Tem alguma coisa com a própria terapia, né, que talvez dá pra gente ajustar?" Se ela falar: "Ah, não, é porque eu estou me sentindo sobrecarregada." Olha, a gente pode então trabalhar. E também em terapia, né, faz parte da terapia também te ajudar a organizar o seu cotidiano para tornar possível todas as coisas funcionarem, não só a terapia, as outras coisas também funcionarem para você. E aí você pode trabalhar com ela nesse sentido. Ok? Mas é comum sim acontecer a desistência e é comum acontecer essas faltas. E por isso que a gente precisa investigar melhor o que está acontecendo. Se a pessoa, ela foi para a terapia, é porque tinha um motivo, tinha uma motivação inicial. Se ela não está conseguindo permanecer ou se ela sempre desiste, o que que de fato está acontecendo? Ok.
Edna falando: "Acabei de fazer uma pós-graduação em TCC. Tenho um filho com quadro agudo de depressão. Por onde começar se ele se nega a conversar, vive dentro do quarto e quando sai, coloca fone de ouvido." Bom, Edna, o que que acontece, né? Nesse nesse caso, o ideal realmente seria você, eh, eh, conversar com ele para um outro terapeuta. Então, assim, eh, é importante que ele, eh, consiga efetivamente, ah, compreender que o que ele está sentindo e como ele está agindo e a forma como está sendo conduzido não é o melhor para isso. O que que eu recomendaria você como mãe fazer? Sentar, né, e ter uma conversa validante com ele. O que que é uma conversa validante? "Olha, filho, eu estou aqui. Eu sei que você não quer conversar comigo. Eu sei que você não quer falar sobre isso, né? Mas quando eu olho do lado de fora, eu percebo que talvez as coisas aí dentro não estejam tão boas para você. Se você não quisesse abrir comigo, tudo bem. Mas eu, como sua mãe, eu te amo muito e eu me preocupo com você. E eu garanto que, né, eu acredito que se eu também tivesse com alguma dificuldade, você também se preocuparia e, né, quer que, ia querer me ajudar. Por isso, eh, eu gostaria muito que você pensasse na possibilidade da gente levar você para a terapia, de você conversar com alguém, de você trocar ideia com alguém, falar com alguém que muitas vezes você não conhece, que não conhece a gente, que não vai te julgar, que não vai ficar dando opinião, né? Então, ou seja, que pode te ajudar a encontrar outros caminhos. O que que você acha? Pensa com carinho. Eu gostaria muito que você pensasse nisso. Você não precisa me dar a resposta agora. Pense com carinho, porque eu acho que isso vai ser um caminho para você se sentir bem, né? Ou pelo menos um pouco melhor." E aí você pode fazer esse primeiro contato. Tá, Edna? Depois de um tempo, depois de uma semana, duas semanas, né, você conversa com ele de novo, fala: "Olha, meu filho, a gente conversou. Você pensou sobre isso, né? Se você quiser, vamos fazer o seguinte." E essa estratégia eu uso com os meus clientes com resistência, tá? Quando, na realidade, não são os meus clientes, quando parentes dos clientes entram em contato comigo, né? Eu pergunto: "Olha, a pessoa está resistente?" E se ela falar que sim, eu falo: "Olha, você vai falar com ela o seguinte: 'Vamos lá para você experimentar, para você ver. Ok? E se você não gostar, ok. Depois a gente conversa sobre isso.' Nunca fala: 'Se você não gostar, não precisa voltar mais, não, ok?' Então, assim, se você não gostar, depois a gente conversa sobre isso. Mas eu gostaria muito que pelo menos você tentasse, porque pode ser que você vai chegar lá e vai gostar." E aí vai ser importante, claro, Edna, você procurar uma terapeuta que tenha, né, esse, esse traquejo, que esteja acostumada a lidar com esse tipo de demanda, né? Eh, eu não sei se o seu filho é adolescente, se ele é adulto, então, acostumado a lidar com essa faixa etária, acostumado a lidar com essa demanda e que tenha esse traquejo para poder ali, nessa primeira conversa, já fazer esse acolhimento e conseguir favorecer aí, né, que o seu filho ele comece se sentir pelo menos um pouco melhor e mais à vontade, e quem sabe, a partir disso, realmente se abrir para o próprio processo terapêutico e para sair desse quadro, tá? Torço aí para que dê tudo certo, viu, Edna? Ok.
Ana Cláudia perguntando: "Esse prejuízo da depressão é percebido pelo cliente ou pode ser um prejuízo observado por um familiar?" Os dois. Ok? Então, assim, às vezes o cliente, ele está resistindo em aceitar que tem alguma coisa de errado. E o familiar já viu que tem alguma coisa de errado, né? Então, alguns clientes, inclusive, eles vão ter essa negação. Nunca é feliz para o cliente saber que ele está com depressão. Então, quando a gente entrega, né, um diagnóstico de depressão, principalmente, a gente precisa fazer com muita sensibilidade, porque não é uma informação feliz para o cliente. Às vezes, ele até suspeitava. E quando a gente fala: "Olha, como que é para você isso?" "Ah, eu vou falar primeiro como eu faço, tá?" Então, geralmente, quando eu realmente percebo que o meu cliente está dentro de um episódio depressivo e que ele não recebeu esse diagnóstico pelo psiquiatra, né, eh, ele está vindo mesmo e eu já identifiquei isso, eu converso com ele. Eu falo: "Olha, de tudo que você tem me dito, de tudo que você tem apresentado, parece que todos esses sintomas correspondem ao que a gente chama de depressão. Ok? Isso faz sentido para você? Porque a depressão, ela vai causar justamente essas alterações: uma visão mais negativa, uma perda da energia, a perda do prazer, a dificuldade de estar perto das pessoas, uma dificuldade de concentração, às vezes uma irritabilidade. Quando as pessoas se aproximam, né, a gente tende a ficar mais isolada, a gente tende a sentir mais tristeza, mais culpa pelas coisas." Então, "do que você está me falando, parece muito que a gente esteja falando dentro de um quadro depressivo. Como quer ouvir isso para você?" E aí você vai pedir pro seu cliente dizer, né? E a partir do que ele te disser, você já começa a fazer ali uma psicoeducação, sempre com gentileza, sempre com acolhimento e falando: "Olha, eu sei que o que eu acabei de te falar não é o que você gostaria de ouvir, mas a gente saber o que está acontecendo nos dá recursos para a gente trabalhar. Seria como se você estivesse num médico e você está investigando o que que tem de errado com você, né? Então, quando o médico consegue descobrir, ter um diagnóstico, isso vai ajudá-lo a pensar na melhor terapêutica. E é aquilo que a gente vai fazer também a partir de agora. Você vai entender melhor o que está acontecendo com você e a gente vai trabalhar em cada um dos prejuízos que a depressão está trazendo." Ok? Então, dessa maneira, a gente vai fazendo essa escuta, esse acolhimento, vai estabelecendo a esperança. Apesar de você estar se sentindo assim, é totalmente possível a gente conseguir sair daí. Se você for um terapeuta mais experiente, você pode inclusive falar: "Olha, eu já estive nesse caminho com outras pessoas, a gente já trabalhou, já foi possível. Então, é possível. Eu sei que é, mas não é fácil. Eu nunca vou te enganar. Eu nunca vou falar que sair de uma depressão é fácil. É possível se a gente caminhar junto e tiver aqui juntinho nós dois, eu vou segurar na sua mão e a gente vai trabalhar nesse sentido." Ok? Então, a gente valida bastante e vai fazendo essa caminhada. Ok.
Luciano perguntando: "Esse tempo do DSM seria em terapia comigo?" Eu considero o tempo de sofrimento dele, seria o tempo de sofrimento dele, tá, Luciano? Então, essa questão aí das duas semanas é desde quando começou os sintomas. E se esses sintomas, eles estão mantendo na linha do tempo. Sempre que a gente tiver uma questão de de transtorno, a gente vai ter esse olhar para a linha do tempo. Isso é uma dica importante para vocês, né? Então, como que a gente sabe que é apenas uma dificuldade ou quando é um transtorno? Além do prejuízo, se isso está se mantendo na linha do tempo, se está se mantendo, se a coisa não está diminuindo com o tempo, é porque a gente está falando de um transtorno. O transtorno, ele vai trazer esse prejuízo mais persistente, diferente de uma situação que eu estou mais para baixo porque eu perdi meu emprego, estou mais para baixo porque eu me separei, me divorciei. Porém, a ideia é toda vez que a gente tem uma perda, ah, a gente tem um pico aqui e depois esse pico ele vai, né, se desfazendo, a gente vai entrando numa descendente. Se, né, esse pico teve e eu continuo a partir desse pico, tem alguma coisa de errado. Então, é aqui nessa linha do tempo, a coisa não melhorou com o passar do tempo. Beleza.
Anselma: "Anedonia é o principal sintoma?" Além da anedonia, que é essa perda de interesse e prazer, é o humor deprimido, tá? Então, são esses dois que são considerados os principais sintomas, né? Os dois ali dentro, tem que ter um ou outro para a gente iniciar, né, a investigação aí de depressão.
A Márcia falando: "Márcia Cássia, oi, lindeza! Meu maior aprendizado com Eliene: primeiro, construa a relação de confiança, fortaleça o vínculo e depois entramos com técnicas. Acolher a pessoa antes de tudo." Obrigada, minha lindeza! Sensacional isso daí. Aprendeu e tem praticado, minha flor. Muito bom.
A Ana Cláudia perguntando, né, aqui para Edna. Ok. Aí eu vou deixar vocês conversarem aqui, tá bom? Hum. Deixa eu ver. [Música] Uhum. Deixa eu ver que mais. Ah, ok. A Edna está falando aqui uma coisa importante, tá? Que o filho está no quadro depressivo há 8 anos. Nesse nesse caso, Edna, o seu filho ele já tem então o critério para a gente afirmar que ele está no episódio depressivo persistente. Ok? O que que configura o transtorno, eh, o transtorno depressivo persistente? Que eu tenho pelo menos dois anos aí de um humor mais rebaixado e que eu não fico mais que dois meses sem esses sintomas. Então, ele tem um transtorno, né, depressivo persistente. E ali, ele pode ter momentos onde ele tem o episódio depressivo maior. Isso desafia mais, que foi o caso do rapaz que eu falei, né? Se torna muito mais desafiador, por quê? Porque aqui a gente já tem uma tendência desse funcionamento rebaixado mais contínuo. E muitas vezes, eu vou ter então o episódio depressivo que vai fazer com que os sintomas se agravem consideravelmente. Inclusive, nesse caso, como eu falei, né, a prescrição é para que ele tenha um um tratamento psiquiátrico aí com medicamento contínuo, justamente para ajudar. Ok? Então, acho que vale a pena você ter esse papo com ele, né? Eu tinha falado que eu não sabia qual a idade. Agora descendo aqui nos comentários, você falou que ele já está com 35 anos. Então, vai ser interessante, né, você ter esse papo honesto com ele. E muitas vezes, ele vai conseguir compreender essa sua preocupação, tá? Ótimo.
A Doraci perguntando: "Como lidar com um paciente, né, que não quer tomar medicação?" Psicoeducação, tá, Doraci. Então, vai ser importante você psicoeducar o seu cliente sobre a importância. Faz também um levantamento de qual que é o custo dele tomar o medicamento, de qual que é o o benefício dele tomar o medicamento. Investigue quais são as dúvidas. Muitas vezes, a pessoa, ela tem dúvida. Ela acredita que se eu tomar um antidepressivo, eu vou ficar viciado. Não, nenhum antidepressivo vicia, tá? Então, antidepressivos, eles não viciam. Eh, ah, as pessoas vão achar que eu sou doido, né? Então, vai ser importante você investigar quais são os pensamentos, as crenças. Alguns acreditam.
Que eles deveriam, ah, por exemplo, né, conseguir superar sozinho. E a gente vai falar: "Olha, vamos tratar a depressão como uma doença física." Porque às vezes, quando a gente pensa no adoecimento mental, pra gente é mais difícil tangibilizar. Mas vamos pensar na depressão como uma doença física. Vamos comparar a depressão, por exemplo, como uma, uma pneumonia. Ok? Como que você trataria a pneumonia? Você realmente acreditaria que, se hoje você fosse diagnosticado com pneumonia, você simplesmente falaria o seguinte: "Olha, não, eu não tenho medicamento, tenho um antibiótico aqui que vai me ajudar na pneumonia, mas eu não vou tomar porque eu acho que eu tenho que superar a pneumonia sozinho"? Quais são as chances realmente de você tomar essa atitude e você melhorar? Então, ou seja, você tem um antibiótico à sua disposição. Por que não usá-lo? Então, o medicamento, ele é mais um recurso, mais uma ferramenta para ajudar você a melhorar.
Então, olha só, se eu te falar: "Vamos tomar o medicamento e talvez ele ajude a melhorar", não seria melhor do que você continuar passando por isso? Claro que eu não posso te garantir que é na primeira vez que você vai melhorar, que é na primeira semana, que é o primeiro medicamento, né? Porque a gente ainda vai precisar fazer uma investigação. Mas a questão é a gente abrir a possibilidade para usar um recurso que é utilizado há muitos anos em milhões de pessoas e que a gente já teve bons resultados. Então, vamos pensar sobre isso. Vamos caminhando. Vai me falando. Quais são as suas dúvidas? A gente vai anotando essas dúvidas, conversando sobre essas dúvidas. E se for o caso, nós vamos fazer o seguinte: a gente vai anotar todas as dúvidas mais específicas que você tiver e que eu não consegui te responder, porque eu não sou a psiquiatra. Você vai ao psiquiatra, você vai tirar suas dúvidas com ele, vai sair de lá com a receita e depois a gente conversa sobre você comprar ou não o medicamento. Mas primeiro, você já fez o movimento, você foi lá e tirou as suas dúvidas.
Vamos experimentar assim. E usar essa palavra "experimentar" é muito interessante. Por quê? Porque quando a gente fala "experimentar", a gente tira a obrigatoriedade, né? "Ah, eu tenho que, eu tenho que manter." Por isso que eu falei também, no caso aqui da Edna, de falar com o filho: "Olha, filho, vá. Vamos tentar. Experimenta, né? Se você não gostar, depois a gente conversa." Porque ali a gente tira o peso da obrigatoriedade. Aí quando a gente fala "experimenta", a pessoa fala: "E pode até ser. Tá, eu vou experimentar. Não custa, né? Se eu não gostar, ok." A pessoa sente que ela tem alternativa. Então, isso é interessante. Mas depois que ela faz o primeiro movimento, é muito mais fácil ela continuar do que se ela não faz esse movimento, se ela não vai ao psiquiatra, se ela não vai ao terapeuta, pelo menos pela primeira vez. Ok?
E claro que, nesse caso, assim como eu recomendei a Edna, precisa ter uma pessoa, né, que a gente vai aumentar as chances efetivamente da pessoa se sentir bem. Então, se você inclusive puder indicar um psiquiatra da sua confiança, que você já sabe que consegue fazer essa escuta e consegue dar atenção pra pessoa, é melhor. Porque se ela chegar ali no psiquiatra que mal olha na cara da pessoa, que já "aham, aham, aham", responde, dá uma receita pra ela, ela não vai realmente se convencer sobre isso. Então, às vezes, a gente vai precisar conversar com o nosso cliente, optar por alguns caminhos mais seguros, né? Quem que é o terapeuta mais seguro? Quem que é o psiquiatra mais seguro para fazer esse caminho para evitar do tiro sair pela culatra? Ok?
Eh, deixa eu ver, deixa eu ver que mais. Carol, você perguntou, né? O nome da escala de domínio público é Escala Hamilton de Depressão. Tá? Então é só você pesquisar. Deixa eu colocar aqui. Escala Hamilton de Depressão. Opa, pera aí. Mandei aqui. Beleza. Ã, deixa eu ver que mais. Opa, gente, o negócio desceu do nada. Deixa eu ver mais alguma coisa. [Música] Aqui, olha, desceu muito, gente. Pera aí que eu vou, que eu vou achar. Já achei aqui. Ótimo. A Márcia perguntando: "DSM tem para fazer o diagnóstico?" Márcia, tem algumas escalas. Tá? No DSM tem algumas coisas lá. Eu não sei te falar agora, te informar exatamente sobre a depressão, mas tem algumas escalas lá sim. Vale a pena você investigar mais lá no final do DSM. Tá? Deixa eu ver que mais. Ah, perguntaram se a live vai ficar gravada. Sim, para vocês depois poderem rever tudinho e compartilhar também com seus outros colegas. Tá?
Luciano falando: "Reitero questão sobre o tempo no DSM, devo considerar inter-terapia?" Tá, eu acho que isso daqui eu já te respondi, né? [Música] Luciano, deixa eu ver que mais. Fabiane, "antes era estratégia compensatória, atualmente não é mais, como que é?" Atualmente, só mudou o nome, tá, Fabiane? A gente, no lugar de estratégia compensatória, Judith Beck, nesse livro aqui da terceira edição, ela traz o termo "estratégias de enfrentamento disfuncionais". Tá? Mudou só a nomenclatura, mas a ideia é a mesma. De vez em quando, eles vão lá e falam: "Ah, não gosto mais desse nome, vou trocar de nome", mas o conceito é o mesmo. Beleza?
"O tratamento online", a Fabiane perguntando também, "de pacientes com ideação suicida é efetivo?" Depende, tá, Fabiane. Se a pessoa, ela já está com você, né, ali no tratamento, e ela apresentou uma ideação suicida, muitas vezes no online ainda é efetivo. Se ela já veio com essa demanda, o ideal realmente é você pedir para ela procurar um suporte presencial, tá? Isso inclusive tá descrito ali no, quando a gente vai fazer o cadastro no ePsi, lá do site do CFP, né, do Conselho Federal de Psicologia, pra gente atender online. Isso já tá descrito que nesses critérios, esses casos mais graves, a recomendação é que não seja feita via online, que ele tenha um suporte presencial. O presencial, ele vai garantir muito mais, né, essa segurança, essa articulação, você conseguir ter um contato direto com a família, acionar alguma coisa mais especificamente. Tá? Então, nesses casos, o ideal realmente é você fazer a recomendação para um atendimento presencial. Ok?
A Natália perguntando: "Como psicoeducar a família quando eles não acreditam na psicologia?" Aí é mais desafiador, viu, Natália? Bom, a primeira coisa que você vai fazer, né, é tentar entrar em contato com essa família e chamar essa família para uma conversa. Você pode inclusive acolher, né? Eles podem trazer: "Olha, não acredito em psicologia. Por que que você não acredita em psicologia? Né? Qual que é o, o que que te leva, né, a não acreditar na psicologia?" Mas, por outro lado, você acha que a psicologia faria mal nesse caso? Porque às vezes a pessoa pode não acreditar, mas não necessariamente significa que vai fazer mal. E aí você pode: "Você acredita que o trabalho em psicologia faria mal para essa pessoa, pro seu primo, pro seu irmão, seu marido, enfim, né, pra pessoa que tá sendo tratada?" Porque, deixa eu te explicar o que que a gente tá fazendo aqui nesse trabalho com ele. E aí você explica, né? Qual que é a maneira como você tá fazendo, como que você tá conduzindo. Você fala: "Olha, inclusive, essa forma que a gente tá trabalhando, ela já foi testada desde a década de 60, né? Então tem muitos anos, tem mais de 60 anos que a gente testa isso, que a gente tem obtido bons resultados. Então, vamos fazer o seguinte: só dê um voto de confiança. Vamos trabalhar no seguinte: eh, eu vou passar algumas orientações, tentem fazer essas orientações e vamos ver o resultado." Às vezes, a gente não precisa acreditar pra gente fazer. Vamos experimentar. Experimente fazer isso nas próximas semanas, nas próximas quatro semanas, você mudar esse comportamento, trabalhar nessa validação, a gente abrir esse canal, fazer essa escuta. E aí a gente vai ter oportunidade de avaliar pelo resultado se isso funciona ou não. Que que você acha? E aí você pode criar esse pequeno desafio com essa família, aproximar, fazer essa escuta, fazer esse acolhimento. Por isso que eu falo que é muito importante a gente já não ir na defesa logo. Pergunte o que que a pessoa pensa. Pense nessas estratégias de resposta, né? Porque assim, a pessoa fala: "Olha, legal, pelo menos eu fui ouvida. Pelo menos eu fui escutada. Pelo menos a pessoa teve boa vontade realmente de entender por que eu não acredito na psicologia, por que que eu acho, né, que psicologia é tudo balela." Então, assim, você vai conseguir, eh, pelo menos abrir um espaço, tá, de escuta e de possível acolhimento que essa família possa fazer com o seu cliente.
Eh, a Cleane falando: "Em 2022, 2023, atendi dois pacientes com tentativas. Um deles já havia tentado quatro vezes. Tudo está bem agora. Me emociono também quando lembro deles e de todo o processo." Que lindo, Cleane. Eh, é realmente, né? Não tem preço. Eu também atendi uma outra cliente minha, ela tem o transtorno depressivo persistente desde a juventude dela. Ela já tinha tentado, efetivamente, né, assim, quatro vezes. Uma, ela foi salva literalmente por milagre, né? Então, assim, aconteceu uma situação que literalmente salvou a vida dela. E, eh, a gente fez um processo muito bonito. Até hoje a gente conversa, né? Até hoje a gente troca figurinha. Eh, eu tenho um carinho muito significativo por ela, ela também tem esse carinho muito significativo por mim. Eu sempre tô ali conversando, vendo como que tá a vida dela, né, seguindo um pouco. Pinho pra gente criar esse caminho, né? E porque eu gosto, eu gosto de ser essa pessoa mais próxima. E é sempre muito emocionante a gente ver que literalmente, né, o caminho que a gente fez com a pessoa salvou a vida dela. E não apenas salvou para ela continuar vivendo uma vida ruim, salvou, né? E ela consegue viver uma vida melhor. Parabéns, viu, Cleane.
A Felícia perguntando: "Como faço o plano de ação? Em que momento o plano de ação, né? A gente vai fazer dentro do nosso plano de tratamento." Então, aqui eu não sei se você tá falando, por exemplo, da ativação comportamental. Se for ativação comportamental, eu vou avaliar primeiro qual que é o quadro do meu cliente, onde que tá tendo mais prejuízo. Então, se ele tá tendo muito prejuízo no funcionamento comportamental dele, é por aí que eu vou começar. Então, eu vou entender onde que tá esse prejuízo, o que que eu posso fazer. Mas começar do mais simples pro mais complexo, por exemplo, né? Eu tenho um cliente que eu comecei a atendê-lo já tem mais tempo, né? Já tem, acho que desde o ano passado. E aí, o que que acontece? Ele chegou com muitas demandas, o funcionamento dele tava muito prejudicado. E até coisas básicas ali do cotidiano dele não tavam funcionando de uma forma bacana. Então, ele tava com uma rotina muito empobrecida, tinha coisas na casa dele que ele precisava fazer, né? Consertos, pequenas coisas, pequenos cuidados. E a gente descobriu que ele é uma pessoa que gostava muito de coisas concretas, né? Ele precisava ver o resultado, pegar. Então, a gente começou, por exemplo, a ativação comportamental dele por aí. "Olha, vamos resolver essa gaveta que tá com a, a maçaneta quebrada, né? Vamos trocar essa maçaneta, vamos arrumar ali o, o pé do sofá, vamos fazer aqui essa porta que tá aqui com esse trinco também que não tá funcionando." Então, a gente começou a fazer pequenos movimentos. A partir do momento que ele começou a ver as coisas que estavam estragadas e que o incomodavam estarem consertadas, isso já começou a trazer pra ele uma sensação de bem-estar. Então, cada pessoa, a gente vai avaliar e vai começar do mais simples e depois a gente vai pro mais complexo. Ok?
Doraci falando que gostou do GPS. Gostou do meu GPS? Doraci, o pessoal gosta. O pessoal gosta quando eu falo. Geralmente, eles riem demais, né? Eu gosto de conduzir, inclusive, as minhas sessões de uma forma mais leve, né? Independente do quadro que a gente esteja falando. Claro que essa leveza não significa a gente tornar, né, cômico o sofrimento da pessoa, não é isso. Mas brincar nesse sentido, às vezes, quando a pessoa trouxer, fala: "Ó, calma, calma, calma. Deixa eu recalcular a rota aqui. Vamos lá. Vamos com calma. Tô aqui. Vamos seguindo." Então, a gente conseguir fazer esse acolhimento, né? Ok.
Ancelmo falando: "Como agir quando a cliente está muito carente?" Bom, a carência tem a ver com necessidade não atendida. Que necessidade é essa? É a necessidade de escuta, de acolhimento, de atenção, de afeto. Então, você vai investigar e vai ajudá-la a pensar com quais pessoas ela pode ter essa necessidade atendida, além da terapia, né? Porque muitas vezes, a gente ali como terapeuta vai atender também essa necessidade de atenção e de escuta. Mas existem outras pessoas que podem ali no cotidiano dela também ser essas fontes. Ou, se não tiver, onde que a gente pode encontrar essas outras pessoas? Às vezes, vale a pena ela entrar num grupo, eh, dependendo se ela tiver alguma crença no grupo da igreja dela, né, ou num grupo do bairro, alguma, algum outro tipo de atividade social em grupo que ela possa fazer para ela encontrar pessoas para ela ter, né, acesso maior a essa, eh, a essa necessidade. Entender também qual necessidade é essa, porque talvez ela tá muito excessiva, ela tá muito demandante. Então, também trabalhar nesse equilíbrio de até onde o outro consegue efetivamente atender essa carência e até onde é um trabalho que ela vai precisar também fazer internamente. Ok?
A Bia falando: "Acredito que o paciente voltar à vida social é o mais complicado." Sim, né? É bem desafiador. E aí, geralmente, aqui, Bia, uma coisa importante: quando a gente tiver ativando o nosso cliente para ele voltar aos contatos sociais, a gente vai pensar em pessoas estratégicas, tá? Que que seriam pessoas estratégicas? Pessoas que a gente sabe que já são mais validadoras, pessoas que a gente já sabe que são pessoas que vão ficar ali mais próximas, que tem essa capacidade de atender o cliente naquilo, né, que é básico, daquilo que é importante para ele, tá bom? Então, começar por essas pessoas que a gente sabe que já é um caminho mais seguro.
A Edna falando: "Ouvir suas orientações, agradeço. Ah, mas já tentei esse acolhimento e ele se nega a ouvir, se nada a procurar." Se nega, né? Seria se nega a procurar ajuda. Isso está difícil. Ele se nega a conversar. Que pena, né, Edna? Porque aqui a gente não consegue, ah, ah, fazer, né, nenhum movimento de obrigá-lo nesse sentido, né? Então, assim, é ir conversando de novo com ele, né, mais um pouco, tentando fazer esse acolhimento. É muito dentro desse sentido. E às vezes falando: "Filho, eu sei que você, você não quer, e eu tô aqui de novo, né? Eh, eu tô aqui porque eu te amo, porque eu me preocupo. Não quero que você pense, né, que por conta disso, ah, você é um estorvo, alguma coisa nesse sentido. Mas é um movimento natural que você também faria por mim, e é o movimento que eu tô fazendo por você, né? Então, é ir tentando mesmo, tá?"
Ah, Barti falando: "Quando eu vou fechar o diagnóstico, eu sempre peço uma avaliação psiquiátrica." Ok. Não tem, não tem problema nenhum, tá? Você pode pedir sim. E ali o psiquiatra também vai fazer essa avaliação, tá? "A Escala Beck do pode ser usada?" Tá, Cristine. E inclusive é a que eu, a que eu mais gosto, tá? Escala Beck para depressão. Eh, Raira perguntando se eu faço supervisão. Faço supervisão sim, Raira. Às vezes, vai depender da disponibilidade de agenda, né? Mas eu faço supervisão. Tenho grupo de supervisão. Nesse momento, o grupo tá fechado, mas no próximo ano eu abro as inscrições. Ah, para grupo de supervisão, é muito legal, é muito rico. Então, fica de olho lá no Instagram, né? Porque no Instagram é onde eu anuncio quando as inscrições estão abertas. Deve ser mais ou menos lá para fevereiro do ano que vem que eu devo abrir um novo grupo, tá? Eh, ok. Vou tentar colocar lá no Telegram, tá? A escala Hamilton para você no lá no canal. Beleza? No canal não é no canal.
A Cris perguntando se a depressão for decorrente de uma dor real como fibromialgia ou dores crônicas, como fazer? Sim, Cris. É muito comum, inclusive, tá? A gente desenvolver uma depressão a partir de dor crônica. Por quê? A dor, ela é um, um fator do nosso sistema nervoso central, assim como a depressão. E também já tem estudos afirmando que quando eu estou dentro de um quadro depressivo, inclusive, isso potencializa a sensação da dor. Então, essas duas coisas estão unidas. No caso da fibromialgia, bom, você vai trabalhar diretamente junto com um médico, né? Então, ele vai, ela vai estar lá no reumatologista, fazendo todo o tratamento, eh, para isso, tomando medicamento. Vai ser importante também incentivá-la na questão da atividade física. A atividade física, ela é muito importante para minimizar as dores da fibromialgia. E você vai fazer um caminho muito dentro também da aceitação e do compromisso, né? Então, aceitar a ideia de que a conviver com essa dor é imutável, mas quais são ações que são possíveis, mutáveis, efetivas, que ela pode fazer? Como que ela pode superar essas limitações também? E se o quadro depressivo também tiver muito forte, aí a gente também tem, junto com isso, o encaminhamento pro psiquiatra. Ela precisa realmente tomar medicamentos para ajudar também a equilibrar. Existe um antidepressivo, e eu vou falar sobre ele, gente, mas não significa que vocês precisam sair aí falando com todos os psiquiatras nesse caso, tá? Que ele chama do Loxcetina. Ele é um antidepressivo e que muitas vezes é usado também no tratamento da fibromialgia, porque ele também atua dentro desse eixo da dor, tá? Ah, se o meu paciente tiver ou meu cliente tiver fibromialgia, ele vai tomar esse medicamento? Vai depender muito do médico, do que ele avaliar, de outros sintomas. Então, nesse caso, a gente precisa fazer um trabalho multidisciplinar: endocrino, psiquiatra e terapeuta. Tá? Então, dentro da terapia, a gente vai trabalhar outras formas da pessoa viver mesmo na limitação da dor, né? Trabalhar com os pensamentos automáticos, trabalhar principalmente, né, as estratégias de comportamento que podem estar disfuncionais. Então, assim, você vai buscando aí, né, caminhos para a pessoa se sentir melhor e entendendo que, infelizmente, esse é um estado crônico, né? Então, a pessoa, ela vai conviver com essa dor. E ali você vai fazendo o acolhimento e orientação na resolução de problemas e no, no direcionamento para coisas significativas na vida dela também funcionar, apesar da dor. Tá? Esses são casos mais desafiadores, mas que são importantes. Ok?
Ah, o Os falando: "Só atendo online quando estou finalizando a terapia do paciente. Geralmente a manutenção." Eu não entendi, tá? Ó, se você puder explicar melhor, tá bom? Aqui no comentário. Barti perguntando: "Borderline possui muita evitação?" A senhora concorda? É, na realidade, né, o comportamento de evitação, ele vai estar presente em vários transtornos, né? Assim, na realidade, ele é o comum em todos os transtornos, praticamente. Eh, no Border, a gente tem muitas vezes, né, mais uma questão da pessoa se engajar no comportamento de querer obter, né, ali a atenção, o afeto, ah, do que necessariamente evitar. Claro que pode ter alguns comportamentos de evitação, né? Mas geralmente a gente vê a pessoa mais se engajando em comportamentos de busca, né, de buscar esse contato, de buscar esse afeto. E aí, quando não tem esse contato, quando não tem esse afeto, aí reage, né? Tem uma desregulação emocional mais intensa. Então, assim, a gente vê, mas geralmente o comportamento no Border, ele é mais ativo do que evitativo. Tá? Eh, ok.
Bom, então eu acho que eu respondi todo mundo, gente. Que lindo! Já respondi todo mundo. E quero agradecer. A partir, fui descendo aqui o olho, já fui vendo alguns feedbacks que vocês mandaram, né? Agradeço muito. Lisandra falando que foi um achado aqui na internet, né? Os vídeos. Fico muito feliz por todos e todas vocês estarem presentes comigo até hoje. Quero reforçar para vocês o convite para amanhã. Então, não perca. Amanhã a gente vai estar aqui para a gente falar a respeito, né, desses aspectos das técnicas cognitivas e comportamentais, de como que a gente pode pensar dentro desse manejo. Vou falar também um pouquinho sobre a questão da, da, do comportamento da ideação suicida, como que a gente pode ter um olhar mais eficiente nesse sentido. Então, venha junto comigo, né? Chame seus outros colegas também para participar desse momento. Agradeço a todos vocês por estarem comigo durante duas horas aqui, tá? Dando duas horas certinho a nossa live. Eh, espero que realmente tenha sido uma experiência positiva para vocês. Tô vendo aqui pelos feedbacks que sim. E seguimos, ok?
Mas eu quero finalizar a live de hoje reforçando justamente isso: trabalhar com depressão é um grande desafio, mas ao mesmo tempo também é uma grande recompensa. Uma recompensa não só pra gente enquanto terapeuta, mas uma recompensa para os nossos clientes. Eles merecem ter a chance de viver e viver uma vida significativa, viver uma vida valorosa, viver uma vida que faça sentido. O nosso trabalho não é simplesmente fazer eles viverem a todo custo, e sim fazer eles viverem com sentido, com propósito, né? Então, é um trabalho muito desafiador, mas é o mesmo tempo é um trabalho muito lindo. Toda vez que você encontrar um desafio, né? Toda vez que você tiver diante de um cliente que às vezes até se posicionar de uma forma agressiva com você, entenda, né? Ele tá machucado, ele tá com dor. Então, como que você pode fazer esse acolhimento? Como que você pode fazer essa escuta? Como que você pode direcioná-lo a caminhos melhores? Então, para mim, né, a terapia, eu falo que ser terapeuta, ser psicóloga clínica, para mim é muito mais do que simplesmente uma profissão, é um legado, né? E é muito bonito a gente poder depois ver todo o resultado disso e saber, né, que ali a gente pode, de fato, ajudar a pessoa a viver uma vida melhor. Então, um forte abraço para vocês. Muito obrigada. Essa live vai ficar gravada e eu aguardo vocês amanhã ao vivo. O link eu deixei fixado aí, mas amanhã também lá no Instagram, eu vou reforçar o meu convite. Já vou deixar também o link para todo mundo que se inscreveu, fez a inscrição antes, vocês também vão receber o e-mail com o link da live de amanhã, ok? Então, um beijo grande, até amanhã. Muito obrigada e seguimos juntinhos e juntinhas para muito mais conhecimento. Tchauzinho.