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Introdução aos Transtornos Depressivos

Liga Acadêmica de Saúde Mental e Psicopatologia1:19:18

Transcription

Vocês conseguem ver meus slides?

>> Conseguimos em formato de PowerPoint ainda.

>> É legal. Meu computador ele tá um pouco fora da casinha. Ele tá querendo dar trabalho agora. Eh, mas eu acredito que agora já tá OK. OK.

>> Tá sim. Pronto. Hoje a gente vai conversar e vai começar a conversar sobre a uma parte da introdução dos transtornos depressivos, tá? E aí a grande questão do que a gente tem o cuidado aqui na liga é de fazer e construir as nossas aulas, né, construir os nossos ensinamentos em cima do que tá lá eh como pré-requisito lá no DSM5, tá? Para gerar uma prática clínica mais eficaz.

E aí a gente precisa entender um pouco, mais na frente a gente vai ver alguns outros slides que vão trazer algumas alguns números de entender um pouco de como é esse panorama dos transtornos mentais, tá? Então, eh, o que é que acontece? A gente pode dizer que ele representa um dos maiores desafios de saúde pública. E aí a gente se pergunta, por que saúde pública, né? a gente pensa em saúde pública, a gente pensa a princípio em patologias que estão no cotidiano de uma forma mais eh enraizada, né, como catapora, como sarampo, como doenças assim, né? E aí a gente vai vendo que hoje a os os transtornos mentais, de certo modo, eles afetam milhões de pessoas globalmente.

Existe todo ano um ranking que sai com os principais diagnósticos que foi eh levado em consideração para o afastamento de trabalhadores, né? E no ano passado, referente ao ano de 2024, foi visto que o maior c de afastamento a trabalho tava relacionado a alguma patologia, algum transtorno, na verdade, algum transtorno mental, alguma questão de saúde mental. E a depressão ela em particular, ela tem uma principal causa de incapacidade mundial. Então, o reconhecimento adequado desses transtornos é fundamental para quê? é fundamental para que a gente consiga entender, proporcionar cuidado cada vez mais eficaz e cuidado com a ideia de reduzir o o o sofrimento humano.

Uma padronização diagnóstica a gente tenta trazer aqui através do DSM5 para oferecer uma linguagem mais comum, né, ao profissional de saúde e principalmente ao profissional de saúde mental. Então, qual é a importância dos critérios clínicos, critérios padronizados, né? A gente tem três pontos que a gente tem que destacar. Uma é a precisão diagnóstica, uma a comunicação profissional e a pesquisa e o tratamento. Na precisão diagnóstica, a gente vai ter critérios claros e objetivos paraa identificação precisa desses transtornos depressivos. Já na comunicação profissional, é uma linguagem comum entre diferentes especialistas e instituições de saúde. E a questão de pesquisa e tratamento é uma base sólida para o desenvolvimento de pesquisas e protocolos terapêuticos.

E aí quando a gente começa a questionar, né, o que é normal, eu como professora de anatomia, a gente considera normal tudo o que a anatomia, ela diz que normal é tudo aquilo que se repete na maioria dos casos, né? Eu dou sempre o mesmo exemplo em sala e eu digo: "Olha, se a gente chega em uma sala de aula e todo mundo tem uma média de altura de 1,70 m, aquilo vai ser normal. Então padrão de normalidade para aquela sala vai ser 1,70 m, né? Então quem tá abaixo ou quem tá acima de 1,70 m tá fora do padrão de normalidade. E aí a gente se questiona, o que é tristeza normal? E a anatomia ela traz uma coisa que é muito interessante. Ela não dá conceitos sem saber a referência. Tipo, eu digo que o normal é 1,70 m de altura. Ela diz assim, mas é o normal em relação a quê? Então, quando a gente vai falar e determinar qualquer padrão de normalidade, a anatomia ela vem com esse critério de relacionado a quena, ela tem uma um parâmetro para poder se basear.

E aí quando a gente fala, muitas vezes é confundido, né, essa questão do que é uma tristeza normal e do que é um episódio depressivo. E a gente vai ver que muitas vezes esses episódios depressivos eles vão estar associados, né, e o pessoal vai levar em consideração como se fosse uma tristeza, né, como é a mesma coisa, um das nossas próximas, nosso próximo transtorno no mês que vem é ansiedade. E aí as pessoas acham que ansiedade é vai ter um show sábado e eu estou muito ansiosa, não vejo a hora de chegar porque eu quero ir pro show. Isso é uma uma ansiedade fisiológica. E aí quando isso começa a trazer repercussões físicas, passa a ser patológico. Mas aqui a gente vai ver um pouquinho do que seria uma tristeza normal comparado a um um episódio depressivo, tá?

Então, como tristeza normal, eu posso dizer que é uma reação natural a eventos estressantes. A duração, ela é limitada ou é proporcional, não compromete significativamente o funcionamento e a dá uma capacidade de experimentar um prazer, ela é preservada. Já no episódio depressivo maior, a gente vai ter sintomas eh persistentes por pelo menos duas semanas, um prejuízo funcional significativo, perda do interesse ou do prazer e múltiplos sintomas neurovegetativos, tá? E a gente vai ver um pouquinho de cada um desses.

A gente vai começar a falar do transtorno depressivo maior, que ele é caracterizado eh por episódios de humor deprimido ou uma perda significativa de interesse ou prazer nas atividades. É o transtorno depressivo mais comum e mais debilitante, tá? Então, para o diagnóstico, é necessário a presença de pelo menos cinco sintomas eh específicos durante o período mínimo de duas semanas, representando uma mudança de funcionamento anterior. E aí, quais são os principais critérios que a gente utiliza para o transtorno depressivo maior, né? Humor deprimido, o que é que eu teria como conceito, né? O que é que eu poderia caracterizar esse humor deprimido? seria sentimentos persistentes, né, de tristeza, de vazio, de desesperança na maior parte do dia. Outro seria anedonia. E o que é isso, né? Às vezes a gente escuta esses nomes, aí faz o que significa isso, né? A a a nedonia, ela a gente pode dizer que ela é uma perda marcante do interesse ou do prazer em atividades que anteriormente era prazerosa. Por exemplo, ah, eu gosto muito de ir ao cinema, então uma vez por semana eu vou ao cinema com os meus amigos. Então, eu começo a perder isso, a perder esse interesse por algo que me dava muito prazer. A gente tem também a questão da duração mínima, né, que são sintomas presentes por pelo menos duas semanas consecutivas. Não são sintomas que estão hoje, desaparece e voltam na outra semana e voltam daqui a um mês, daqui a dois meses, três meses não. A gente tem uma sequência, né, de pelo menos duas semanas consecutivas e um prejuízo funcional, que é um sofrimento clinicamente significativo ou comprometimento do funcionamento.

E no DSM a gente elenca, né, a gente não queria eu, né, o DSM elenca cinco sintomas para relacionado a transtorno depressivo maior. Aqui a gente vê os cinco primeiros, né, ele coloca humor depressivo, deprimido, que é essa tristeza, esse vazio, essa desesperança na maior parte do dia. A nedonia que é a perda do interesse ou prazer em as atividades, alteração de peso e de apetite, tá? perda ou ganho de peso significativo, distúrbios do son como a insônia e a hiperinsônia quase diariamente e agitação ou retardo psicomotor, que são mudanças que a gente consegue observar na atividade motora. Aí você me diz, mas aí só tem cinco? Você não disse que tinha nove? Mas aí a gente vem como esses outros quatro sintomas, eles entram como sintomas adicionais, tá? que aí seria a fadiga ou perda de energia, que é o cansaço persistente quase todos os dias, sentimento de inutilidade, né, uma culpa excessiva ou inadequada, dificuldades cognitivas, né, problemas de concentração e principalmente de tomada de decisão. Pensamento de morte, né, a ideiação suicida que é recorrente em plano específico. E aí eu já disse para os ligantes novos, eu já falei no semestre passado que a gente tem pensamento de morte, a gente tem duas coisas diferentes, né? Um é a ideiação suicida, aquela que você tem vontade de tirar a a sua própria vida. E o outro é o pensamento de morte também. Ele pode tá alterado assim: "Eu queria morrer e se eu morresse, tá?" Mas não tá ligado a diretamente à ideia de retirar a própria vida, tá? Então são duas conotações que pensamento de morte termina tendo, absorvendo nesse nesse ciclo, tá? Então é importante que pelo menos cinco desses nove sintomas eles devem estar aí presentes, tá? Incluindo obrigatoriamente humor deprimido ou anedonia. Então para eu fechar diagnóstico de depressão, de transtorno de depressão maior, eu preciso dos nove, eu preciso de cinco sintomas. desses cinco sintomas, um ou ele é o murro deprimido ou ele é a a anedonia, tá? Para poder fechar o diagnóstico.

E qual é a diferenciação do que é depressão de transtorno maior com transtorno bipolar, né? Muitas vezes a gente acredita que tá sendo eh diagnosticado erroneamente. E aí a distinção entre transtorno depressivo maior e transtorno afetivo bipolar, ele é crucial pro tratamento adequado. Então a presença de episódios maníacos ou hipomaníacos na na história, ela exclui automaticamente o diagnóstico depressivo maior, transtorno de depressão maior, tá? Então o que é que acontece? Eh, humor, o episódio maníaco vai ter humor elevado, humor expansível ou irritável por pelo menos uma semana com prejuízo funcional significativo. Já o episódio hipomaníaco, são sintomas similares à mania, mas pelo menos quatro quatro guias, né, sem prejuízo das funções, eh, sem prejuízo funcional grave.

E quais são os especificadores no DSM5, né? o que determina ali o que fornece informações adicionais. Então, esses especificadores, como eu disse, eles vão fornecer informações adicionais e essas informações adicionais são informações importantes sobre a característica específica do episódio depressivo, auxiliando aí no planejamento terapêutico e no prognóstico desse paciente. Esses modificadores, né, eles permitem uma descrição mais precisa e individualizada do quadro clínico, considerando a variação da sintomatologia e contextos relevantes, tá?

É uma coisa que eu digo sempre, né? Tem aquela questão de que eu preciso estar lá com um checklist do DSM5 dizendo: "Olha, ele tem isso, ele tem isso, ele tem isso". Não, tá, gente? A gente também tem que entender o que o paciente ele vai nos passar, né? O que é que a gente observa nesse paciente. Então, pra gente conseguir fechar um diagnóstico mais adequado, a gente tem que colocar na nossa cabeça que tratar com psicopatologias não é um checklist, né? A, a gente quando vai tratar um indivíduo, o indivíduo ele vai ter situações que são únicas, né? Eu não tenho como padronizar um tratamento. E a partir de hoje todo mundo que tem transtorno depressivo maior vai tratar com, sei lá, com sei lá, floxetina, que nem é, mas só um exemplo, tá? Aí vai tratar com floxetina e a partir de agora todo mundo que tem transtorno depressivo maior vai tratar com floxetina. Então, não é uma coisa, não é uma receita de bolo. Era justamente isso que eu queria dizer, não é uma receita de bolo. Entender que não é uma receita de bolo é o ponto principal pra gente conseguir fazer um diagnóstico mais eficiente.

Quando a gente fala de transtorno depressivo, os pacientes eles podem apresentar características melancólicas, tá? Então essa característica melancólica, ela tem uma piora matinal, os sintomas são mais intensos pela manhã, vai ter uma anedonia severa, né, a perda completa do prazer em qualquer atividade, alterações físicas, né, a perda de peso e uma perda significativa de peso e de apetite e um retardo psicomotor pode apresentar uma lentidão marcante dos pensamentos, tá? E algum aqui a gente vai ver algumas características atípicas que representam um padrão bem específico de sintomas que diferem da apresentação clássica da depressão, tá? Sendo importante quando a gente vai escolher a terapêutica que a gente vai abordar, sendo importante quando a gente vai fazer essa escolha. Nós temos a reatividade do humor, que é a capacidade de responder positivamente a eventos prazerosos, a hipersonia, que é um sono excessivo por pelo menos 10 horas por dia, a hiperfagia, que é um aumento significativo do apetite, né, e ganho de peso, e a sensibilidade rejeição, um padrão duradouro de sensibilidade interpessoal. Então são nesse conjunto aqui, a gente pode dizer que são características que a gente considera características atípicas.

Outras características especiais que podem aparecer são características místicas, tá? Primeiro, ela vai ter uma presença simultânea tanto de sintomas depressivos e maníacos e hipomaníacos. alguns casos início pós parto, né, durante a gravidez ou nas quatro semanas após o parto e um padrão sazonal, que é episódios recorrentes relacionados à estações específicas do ano, tá?

Então, qual é a gravidade e o curso desse desse transtorno, né? Nós podemos dizer que ele pode ser classificado em três formas, né? o leve, o moderado e o gráfico. Quando a gente fala de leve, são poucos sintomas, além do mínimo necessário para um prejuízo funcional menor. O moderado são sintomas e prejuízos funcionais entre leve e grave. E o grave são sintomas em excesso ao mínimo, né, com o prejuízo funcional marcante. Então, o curso ele pode ser classificado como um episódio único ou recorrente com especificações do estado atual. de remissão.

Nós temos também, além do transtorno depressivo maior, nós temos o transtorno depressivo persistente. Anteriormente, por muito tempo, ele era conhecido como distimia, né? Ele era caracterizado por um humor mais depressivo na maior parte do dia e na maioria dos dias, por pelo menos 2 anos consecutivos em adultos e um ano em crianças e adolescentes. Essa questão do transtorno depressivo persistente, ele tem pode ter o seu início precoce. E aí a gente considera seu início precoce antes dos 21 anos de idade, seu início tardio aos 21 anos de idade ou depois e seu curso crônico, né, que são sintomas persistentes por anos. Então, precoce antes dos 21, tardio depois dos 21. Lembra que a gente já tinha falado que 21 anos ali a fase, uma fase crítica, né, entre 14 e 25 anos, eles consideram uma frase, uma fase muito crítica do indivíduo, porque o indivíduo tá na adolescência, né, saindo da ideia da criança, ó, eh, entrando na fase de adolescência, entrando na fase de jovem, né, e essa fase de transição da vida eh infantil, né, enquanto criança paraa vida com responsabilidades. E aí essa fase é uma das fasesonde aparecem a maioria dos transtornos eh psiquiátricos, tá? Então, maioria dos transtornos eles vão se despertar justamente nessa nessa fase, nessa fase de transição pra vida adulta.

A a destemia, né, eles vai apresentar alguns sintomas. Então, durante o período de humor deprimido, pelo menos dois dos segmentos de sintomas vão estar presentes. Aí os sintomas, eles vão ser classificados como alteração de apetite, distúrbio do sono, baixa energia, baixa autoestima, dificuldade cognitiva e desesperança. E aí o que é que acontece quando a gente fala de alteração de apetite? Ele pode ter tanto o apetite diminuído quanto aumentado. O disturbo do sonho ou insônia ou hiperinsonia. Eh, abaixa energia é uma fadiga persistente. Na baixo autoestima, sentimentos de inadequação. Dificuldades cognitivas, a gente vai falar que é tá muito ligado a problemas relacionados à cognição, né, a concentração e a questão de decisão e a desesperança, que é sentimentos de desespero sobre o futuro, tá? Então, para que a gente classifique esse indivíduo como humor deprimido, ele tem que ter pelo menos dois segmentos, né? Tem que ter, por exemplo, alteração de apetite, baixa energia, baixa autoestima, disturbo de sono. Ele tem que ter dois segmentos presentes, tá?

Nós temos o transtorno disruptivo, né, ou de desregulação do humor. Ele é um distúrbio que e o diagnóstico dele é específico para crianças e adolescentes entre 6 e 18 anos, né? Ele é caracterizado por explosões de raivas severas e recorrentes desproporcionais à situações do nível de desenvolvimento. Então aqui a gente trouxe quatro situações, né? a explosão severa, que são essas explosões, elas podem ser verbais ou comportamentais desproporcionais ao estímulo. A frequência é três ou mais vezes por semana. Um humor persistente, que é um humor irritável, um humor raivoso entre as explosões e a duração. Em sintomas presentes, eles passam pelo menos por 12 meses, tá? Então essa é uma característica de quando a gente fala dessa questão dessa desregulação de humor tratando de criança e adolescente.

Nós estamos, nós temos ainda o famoso, né, muita gente confunde com TPM e acha que tudo é o fim do mundo e acha que tudo é frescura da mulher, mas algumas mulheres elas vão ter o transtorno disfórico pré-menstrual, que ele é caracterizado justamente por sintomas afetivos e físicos significativos que ocorrem na fase lútea da menstruação, né, do ciclo menstrual, com melor com melhora após o início do ciclo menstrual. O que é que acontece? Quando a mulher ela vai menstruar fisiologicamente, a mulher ela já nasce com a quantidade de óvulos que ela vai ter pro resto da vida dela. E aí quando ocorre a primeira menstruação, ela vai todo mês liberar um óvulo. Ela querendo, ela tendo vida sexual ativa ou não, ela querendo ter filhos ou não, todo mês o corpo dela vai se preparar para receber uma fecundação. E aí o que é que acontece? Para que isso ocorra a um distúrbio eh hormonal, a mulher, ela vai produzir quatro hormônios sexuais. Dois vão ser produzidos pelos nossos ovários, que é o estrógeno e a progesterono, e dois vão ser produzidos pela hipófise, que é o LH e o FSH. E o que que acontece? Eles dançam todo mês para que a mulher ela consiga, para que o útero ele consiga espessar suas paredes, para que o ovário ele consiga ovular. E esses esses eh esses hormônios eles vão dançando, em alguns momentos eles vão estar bem altos, em outros momentos eles vão estar bem baixos e isso gera sintomas, tá?

Então, nós temos, no caso do transtorno disfórico pré-menstrual, quando a gente vai falar de sintomas afetivos, nós temos aquela labilidade emocional marcante, uma irritabilidade ou raiva, um humor deprimido ou desesperança. No caso, também pode apresentar ansiedade ou tensão. Já nos sintomas físicos incomortamentais, a mulher ela pode apresentar uma fadiga, uma baixa de energia, alterações de apetite, dificuldade de concentração, sintomas físicos como enchasco e como dor. Tá? Então a gente tem esse quadro que ele é caracterizado por esse período pré-menstrual, principalmente na fase que a gente chama de fase lútea, tá, do ciclo menstrual.

Outros transtornos depressivos. Nós vamos ter transtornos depressivos especificados e transtornos depressivos não especificados. Nos especificados, nós vamos ter os sintomas depressivos clinicamente significativos, que não atendem o critério completo para outros transtornos. Já no especificado, eles vão ser usados com quando o quadro clínico, né, não opta por não especificar a razão pelo qual os critérios não foram atendidos. Essas categorias elas têm que são categorias que elas permitem uma flexibilidade e diagnóstico para apresentações de casos mais atípicos, né, ou para quando as informações elas são insuficientes para um diagnóstico específico.

E qual é a diferenciação? A gente tem várias situações que a gente vai passando ao longo da vida e que a necessidade da gente fazer a diferença entre transtorno depressivo maior e várias situações. Uma delas é o luto, tá? Então, a distinção do que é um luto normal para um episódio depressivo maior, ele é fundamental, especialmente considerando o que o luto pode desencandear a depressão em indivíduos mais vulneráveis. Nós temos aqui como luto normal ondas de tristezas relacionadas à perda, preservação da autoestima, capacidade de experimentar movimentos positivos e melhora gradual ao longo do tempo. O que é diferente no caso, a gente vai falar de episódio depressivo, é um humor depressivo persistente, sintomas de inutilidade, anedonia generalizada e deação suicida, tá?

Quando a gente vai falar de transtorno depressivo maior V versus, né, a transtorno de adaptação. Inclusive, hoje eu tava, enquanto tava vindo para cá, eu tava almoçando e encontrei uma conhecida no restaurante e a gente começou a conversar e ela tava com a filhinha dela e a filha dela tá justamente nessa fase, faz dois meses que está no colégio e tá dois meses nessa fase de adaptação no colégio, né? E que tem sido muito difícil para ela, porque ela passa o dia fora e que a menina tem que passar o dia no integral, tudo mais. E aí ela disse assim: "Ah, olha, a psic eh a psicop a psicopega e quase que não sai. A psicopega, vocês entenderam o que eu quero dizer? A psicopedagoga. Isso que eu fiquei foi gaga, agora, quase que não sai o nome. A psicopedagoga do colégio disse pra mãe investigar se não era uma possibilidade de uma depressão. E aí, gente, a gente tem que ter muito cuidado com esses diagnósticos que a gente ouve as pessoas saírem dando aí, tá? Então, às vezes, ã, uma questão de comportamento, ela não é uma depressão. Então, a gente tem que ter cuidado. Eu digo sempre, né, até nas minhas aulas digo, todo mundo já viu um vídeo no TikTok que fica lá, baixa um dedo se você tem isso, baixa um dedo se você tem aquilo, a você temh, ai você tem autismo, ai você tem ansiedade. Então, a gente tem que ter cuidado. Hoje é muito mais fácil a gente culpar um transtorno eh psicológico do que assumir que, por exemplo, algo é um excesso de de estímulo, por exemplo, que pode levar a desatenção. Então, é muito mais fácil dizer que é TDH do que dizer que é o excesso de estímulo. Então, essa questão da adaptação, ela é um ponto que ela realmente ela precisa de um olhar um pouquinho mais criterioso, tá? Então, a o transtorno de adaptação, ele é uma resposta desproporcional a um estressor identificável, né, com no início em seis meses na avaliação clínica, né, as análises de relação temporal e proporcionalidade nos sintomas é o que pesa bastante nessa avaliação. E quando a gente fala de transtorno depressivo maior, ele pode ou não ter estressor identificado e critérios específicos de sua gravidade, tá?

E aí a gente tem uma outra questão que além de da gente ter que tá tratando uma pessoa com transtorno depressivo maior, muitas vezes esse paciente ele chega pra gente ainda com comorbidades frequentes, né? Geralmente ele já tem associado um transtorno de ansiedade que é presente em quase 60% dos casos de depressão. Ele tem atrelado a isso, o uso de substâncias, né, de algo de álcool e de droga de como automedicação. Todo mundo já encontrou alguém que disse assim: "Olha, plano tá tomando isso para dormir". Aí a pessoa diz assim: "Ai, mulher, arruma uma cartelinha para mim também que eu tô precisando dormir". Então sempre a sempre tem essa questão do nosso país é um dos países que mais tem índice de automedicação, né? Outra comorbidade que tá associado é a questão de transtorno de personalidade, especialmente borderline e transtornos evitativos. E condições médicas, né? Diabetes, doenças cardíacas, eh dor crônica. Geralmente o paciente ele vem com essas comorbidades associadas. E uma das questões também muito fortes que eh tem até um psiquiatra que eu sigo e ele tem escrito estudos eh recentes sobre justamente o uso de substâncias, né, o uso de medicamentos de psicotrópicos e associações com o álcool, né, do do mal que faz. Então a gente pega pacientes aí com esse contexto e essas comorbidades frequentemente.

E como é que o a gente diz que a depressão é um dos maiores problemas, né, e como é que ela se comporta no mundo, né? Então a gente tem, segundo a OMS, 280 milhões de pessoas sofrem com depressão. Então são números absurdos, né? Eh, 4.4 é a prevalência mundial da população global que apresenta transtornos depressivos e dois para um por gênero, né? Mulheres são duas vezes mais afetadas do que homens. Inclusive hoje eu tava lá no meu trabalho e aí eu tava na sala da psicóloga e ela atendendo e eu fiquei escutando, eu tava fazendo um outro serviço do lado e terminei escutando a a conversa, apesar que no meu serviço não tem muita privacidade, né? Então, eh, eu fiquei prestando atenção,

>> professora, a senhora travou. Não sei se tu tá escutando.

>> Tô escutando.

>> Não tô agora.

>> Travou tudo daqui desde o começo,

>> não? Eh, quando tu foi começar a falar da conversa travou.

>> Aí o que é que acontece lá na conversa? E aí eu prestando atenção na conversa de curiosa mesmo, aí o paciente começou a dizer assim: "Olha, não, porque eu vim pro psiquiatra e ele me passou uma medicação que no início até tava resolvendo, mas agora não resolve mais. Porque eu não quero ficar com essa história que homem tá chorando por nada. Eu às vezes me pego chorando nada, homem não precisa chorar não. Então isso é uma coisa que também tá muito atrelado. Muitas vezes esses homens eles até podem ter transtorno depressivo maior, mas que por muitas vezes ele nem vai ser diagnosticado porque não acha que precisa procurar o serviço. A gente tem ainda, querendo ou não, muito preconceito relacionado à procura de psiquiatra, à procura do psicólogo, né? A primeira coisa que as pessoas dizem e faz assim: "Eu não tô louco, eu não tô louco, eu não preciso ir". E aí a gente tem um outro problema pior, né, que é a questão de relacionado à questão da religiosidade, né? A gente vive em um país que ele é que ele tem o seu aspecto religioso e que por muitas vezes ele é tido, os transtornos eh mentais eles são tidos com problemas de espirituais. Eu digo sempre de um de um documentário que é ouvidores de vozes, tem vários, inclusive vai ter até o congresso deles esse ano. E aí eh em um dos em um dos documentários deles passam a história de três pessoas e aí elas começam a contar de como foi que começaram a ouvir vozes, né? E todas as três, a primeira coisa que todo mundo levou foi, a família levou para uma igreja. O que é interessante é que eles pegaram três pessoas de de religiões diferentes. Então, tinha uma uma evangélica, tinha uma católica e tinha uma de matriz afrodescendente. E aí, eh, a comparação do que é, né, que todo mundo diz que, olha, não, isso aqui é um espírito obsessor, né? Ah, isso é espiritual, isso espiritual. até que alguém realmente leve esse indivíduo para tratar uma patologia de fato.

E quando a gente vai paraa questão da da depressão no nosso país, a gente vê que o Brasil ele apresenta um dos maiores índices de prevalência da América Latina. Ele tem um impacto significativo na saúde pública e na economia nacional. Então, 5,8 eh a prevalência nacional da população brasileira que sofre com depressão. 11,5 milhões de pessoas são afetadas, que são brasileiros que vivem com transtorno depressivo. E o Brasil tá no primeiro ranking, em primeiro lugar, um ranking regional de países com a maior prevalência na América Latina, tá? Então o Brasil ele tem esse esse título aí de tá em primeiro lugar no caso das doenças da dos transtornos depressivos, tá?

E qual é a questão do impacto eh social e funcional quando a gente fala da depressão? O impacto ocupacional é uma redução significativa na produtividade, um excesso de faltas, incapacidade laboral. A depressão, ela é uma das principais causas de afastamento do trabalho. Ela também tem impacto sobre as relações interpessoais, que causa a deteriorização dos relacionamentos, né? Relacionamentos familiares, relacionamentos sociais, um isolamento progressivo e dificuldades de manutenção de vínculos afetivos. O custo econômico, né? gastos elevados com tratamento, com medicamentos e perda da produtividade, elas representam bilhões em custo pro sistema de saúde.

E qual é a relação? A gente tá no setembro amarelo, né? Eu acho que não teve transtorno melhor para que se encaixasse agora no setembro amarelo para que a gente pudesse falar bem sobre ele, tá? E é justamente a relação que o transtorno de depressão ele tem com o risco de suicídio, né? A depressão, os estudos apontam que elas estão intimamente relacionadas com o comportamento suicída, sendo um dos principais fatores de risco. Então, a avaliação cuidadosa dessa ideação suicida é fundamental em todos os casos. A gente tem muitos ditados relacionados a suicídio, né? A gente diz assim: "Quem quer morrer não avisa, quem quer morrer vai lá e faz". Isso é só para chamar atenção. Então, a gente tá em um mês específico, né? que é o mês a conscientização relacionada ao risco do suicídio. Eh, e a gente precisa de verdade trabalhar para que essas falas elas não se repitam, tá? Então, a gente pode caracterizar como ideação suicida pensamentos recorrentes sobre a morte, sobre suicídio, planejamento, né, o desenvolvimento de planos específicos para autolesão e a tentativa, né, que é o comportamento autolesivo com a intenção de morte.

Eu uma vez atendendo no meu estágio de forense, eu tava atendendo uma paciente que tinha tava fazendo corpo delita de uma paciente que tinha entado suicídio. E aí eu saí para comunicar a família que ela tava liberada e tudo mais. Escutei um primo, um tio, eu não sei especificamente quem era, que tava acompanhando a mãe dela e disse assim: "Ela não quer morrer não, ela só quer chamar atenção. Se ela quisesse morrer, ela tinha cortado para sangrar até morrer. Ela cortou, foi tudo muito superficial. E aí eu fiquei com aquela frase na cabeça e fui para casa pensando nisso, né? Eu fiz, as pessoas com costumam dizer assim: "Ah, teu suicídio é um ato de covardia, né? Eu já digo que suicídio é uma ato de coragem, mas de uma coragem ruim, vamos dizer assim. Por quê? Porque você pegar, você, se você tiver costurando algo e você fura o dedo, dói. Se você vai cortar uma carne e essa carne e essa faca escapa e lhe corta, dói absurdamente. Imagina você pegar algo e você se mutilar, né? você chegar ao ponto de você rasgar a sua pele, de você ver seu sangue saindo e mesmo assim você insistir, né, a dor que é. E aí eu me pego pensando em qual sofrimento maior para essa pessoa, né? É o sofrimento mental que ela se encontra, é o sofrimento físico que ela tá causando para ela. Então, quando a gente fala de suicídio, a gente tem uma vertente aí gigante, né? a gente tem uma abertura gigante com muitas páginas pra gente explicar, né? Pra gente explicar, não, pra gente tentar entender, né? Então, uma das coisas que a gente não pode esquecer é que todo paciente com depressão, ele deve ser avaliado quanto ao risco de suicídio, tá? A a presença da ideiação suicídia já requer uma intervenção imediata e um acompanhamento especializado.

Qual a importância de uma avaliação clínica completa, né? Essa avaliação clínica, ela ela é bem abrangente, ela é fundamental para o diagnóstico preciso e para o planejamento terapêutico, né? E esse planejamento um terap um planejamento terapêutico adequado ao transtorno depressivo, eu não tenho como fazer adaptações, tá? Não tenho como pegar um protocolo de borderline e aplicar para transtorno depressivo e só ajustar aqui algumas coisas. Não é assim que funciona, tá? Eu preciso da história clínica detalhada, né? Investigação de sintomas atuais, da história familiar e pessoal dessa pessoa. Exame do estado mental, né? uma avaliação sistemática das funções psíquicas, avaliação e investigação do do risco, né, investigação de suicida e fatores de risco e diagnóstico diferencial, que é exclusão de outras condições médicas e psiquiátricas. Então, a gente tem que levar em consideração essa questão eh relacionada a essa avaliação clínica completa, tá?

Qual é o papel da equipe multidisciplinar com esse paciente, né? Então, o tratamento eficaz do transtorno depressivo, ele requer uma abordagem multiprofissional. E uma abordagem multiprofissional integrada. Eu fiquei a no semestre passado, tava dando aula sobre neuroanatomia e aí em algum momento eu falei de alguma síndrome genética e um aluno me abordou e fez assim: "Olha, professora". E aí eu comecei a falar sobre a importância da equipe multiprofissional. E aí quando a gente conversava a ele foi dizendo, ele fez: "Olha, eu faço tratamento com psiquiatra há tantos anos e com o meu psicólogo há tantos anos, só que eles não conseguem conversar". Aí dis por quê? Ele falei: "Não, meu psiquiatra não aceita nada que meu psicólogo disse." E aí eu disse uma frase que até Dani no nosso evento passado ela usou ela fez: "Mude de psiquiatra". E eu disse a ele: "Mude de psiquiatra". você confia no seu psicólogo? Ele fez confio. Eu disse, eu mudaria de psiquiatra. E aí dias depois ele veio me falar, ele fez, eu mudei de psiquiatra e meu psiquiatra, ele agora escuta o meu psicólogo. E eu fui tratar na minha vida inteira com um transtorno e hoje a gente descobriu que eu não tenho esse transtorno. Eu tenho um outro transtorno que poderia ter sido bem mais leve o meu tratamento do que foi o tempo inteiro, só porque meus profissionais eles não conversavam. E a importância da conversa, né? A gente tem que entender que nenhuma profissão ela é solo, ela não ela não consegue. A gente quando vai ver a integridade do indivíduo, né? Quando a gente vai ver o paciente como um todo, não dá pra gente separar. Então, tu vê o braço, eu vejo esse outro braço. Tu vê uma perna, tu vê uma perna e depois a gente junta. Não é um franco ex, tá? Então, a gente precisa que esses profissionais eles conversem e que o foco principal desses profissionais sejam a questão de uma abordagem eh centrada no indivíduo. Ah, porque quem ganha não sou eu. A nossa intenção, nosso papel enquanto profissional não é ganhar. O nosso papel enquanto profissional é gerar benefício pro paciente. Então, quem tem que ganhar com essa integração é o paciente, tá? Então, o psiquiatra, ele vai trabalhar com a parte de diagnóstico, com a prescrição medicamentosa e o acompanhamento clínico, a enfermagem com os cuidados diretos naé educação e saúde e monitoramento, o psicólogo com a psicoterapia individual, familiar e as avaliações psicológicas, assistente social, né, com o suporte, orientação familiar e recursos comunitários e o diagnóstico precoce e rede de apoio, né? O a gente entender que o que aquele paciente tá sentindo não é frescura, não é preguiça, não é falta de Deus, não é falta de amor, não é isso. Às vezes a gente quer condicionar a situações, né? A gente quer explicações. Aí o que causa dengue é você ser picado pelo mosquito. Mas o que causa depressão, né? O que causa ansiedade, a gente quer, quer explicações plausíveis. A gente escuta até assim, o menino fulano tem uma vida tão boa, tem dinheiro, tem tudo e ainda eh ainda tem depressão. Queria eu ter a vida dele, né? A gente sempre acha que a grama do vizinho ela sempre é melhor, sempre.

E hoje, inclusive eu depois de preparar a aula, eu fiquei pensando e aí comecei a passar o algoritmo do Google. Funciona muito bem, né? eu falando sobre, pesquisando sobre depressão e querendo ver algumas coisas relacionadas à depressão e passando e aí querendo achar uns artigos mais atuais. E quando eu parei em um vídeo e que o vídeo era história de uma mulher até feito por inteligência artificial, mas que era voltado agora pro setembro amarelo e eu parei para ver o vídeo que era justamente assim: ninguém finge que tem depressão, a gente finge que tá bem. E isso é, essa frase no final me pegou muito. Vai contando a história da menina seis meses antes do suicídio, né? Eh, três meses antes do suicídio. Ela em vários momentos, ela casando, ela em uma festa de aniversário, ela ganhando um cachorrinho, ela em vários momentos. E aí no final diz essa frase, né? A gente não finge eh depressão, a gente finge estar bem. E isso é muito real. Muitas vezes a própria sociedade ela impõe isso, né? que olha, não, você tem que tá bem, você tem uma vida muito boa, você tem um marido bom, você tem uma formação, você tem um emprego, pense pessoas que poderia tá tá em situações piores do que você, não tem nada disso. Então, a gente fazer esse diagnóstico precoce e essa rede de apoio e não uma rede de crítica, ela é muito importante. Eh, a partir desse desse estabelecimento de uma rede de apoio sólida, a gente tem um consegue estabelecer um prognóstico favorável para esse paciente. E quais são os benefícios de um diagnóstico precoce, né? A prevenção da progressão de sintomas, a melhor resposta ao tratamento, redução dos riscos de complicação, prevenção do eh eh preservação do funcionamento social e os elementos da rede de apoio, né? pode ser família, amigos próximos, profissionais de saúde mental, grupos de apoio e comunidade e recursos institucionais e sociais.

Então, gente, deixa eu voltar para vocês. A princípio, o que eu tinha planejado para falar, eu ainda tô na no outro modelo do da liga que a gente tinha menos um pouquinho de menos tempo, tá? Então, ainda meio que eu ainda tô nesse processo de adaptação, mas prometo que nas próximas aulas a gente estende um pouco mais, tá? Eh, deixa eu agora só explicar para os novatos, né? Depois que a professora termina a apresentação, a gente abre para perguntas e comentários. Então, a gente tem aqui 40 minutos para vocês eh perguntarem, comentarem sobre a aula, enfim, fiquem à vontade. Quem quiser falar no microfone, eu só peço que levante a mãozinha, que aqui no MIT a gente tem essa opção de levantar a mãozinha para organizar ninguém falar um em cima do outro, né? Ou podem perguntar no chat que a professora consegue ver por aqui também. Eh, aí, professora, já tem uma pergunta aqui no chat que a Saionara tinha feito.

>> Certo. Deixa eu ver aqui.

>> Hum. Professora, como se dá essa conversa entre os profissionais? A princípio, eles podem, a grande maioria se comunica através de laudo, né? O psicólogo emite um laudo com o psiquiatra, o psiquiatra emite um laudo para o psicólogo e assim sucessivamente. Mas ah, não é que seja o ideal, que termina formando uma ideia de monopólio, tá? Mas o interessante é quando a gente trabalha com profissionais que trabalham no mesmo ambiente, às vezes no mesmo prédio, no mesmo grupo, facilita essa comunicação, facilita eh trabalhar o processo eh voltado paraa resolução do problema do paciente, né, paraa questão do do como se fosse um estudo de caso e ter a discussão daquele caso e procurar aí para conseguir resolver a o paciente. Mas quando não dá para conversar, sim. Eh, mesmo sendo profissionais, às vezes de outro estado, dá para se conversar através de laudo, através de e-mail, seja o que for.

>> Oi. Sou eh sou eu. Tá certo? Então eu vou perguntar aqui, professora, eh, você falou sobre o transtorno disruptivo da desregulação do humor e é geralmente eh crianças e adolescentes que possuem, né? E aí eu gostaria que você falasse um pouquinho mais, porque eu me perdi um pouquinho, como eh eu tava anotando o outro, eu acabei me perdendo um pouquinho sobre esse assunto, sabe?

>> Certo. O que é que acontece? Deixa eu botar ali, deixa eu botar o slide de novo por aqui. Então, o que que acontece? A gente pode dizer que o transtorno eita disruptivo da desregulação de humor, ele é um diagnóstico que ele é muito específico e aí ele entraria para crianças e adolescentes. Só que a gente considera adolescentes quem não tem 18 anos completos, tá? Só que aqui a gente arredondou. Então ele pega é um transtorno que tá muito relacionado a crianças e adolescentes entre 6 e 18 anos. E o que é isso? Eles vão ser caracterizados por explosões de raiva severa. E às vezes esse transtorno ele pode ser eh pode ser confundido com todo, tá? Então como uma questão do desafio, né? Mas esse específico é uma explosão de quando a criança ela é contrariada. E essa é uma explosão de raiva severa e recorrente. E as situações que são totalmente desproporcionais, elas t o desenvolvimento da explosão, ela cria uma proporção muito desproporcional, tá? Então, uma explosão severa, essa explosão severa pode ser verbal, ela pode ser comportamental, ela pode ser física. A frequência, essa criança, ela vai apresentar três ou mais vezes por semana. É um humor persistente, aquele humor sempre irritável, aquele humor sempre raivoso ã entre uma explosão e outra. E a duração ela vai ser sintomas presentes por pelo menos 12 meses, tá? Eu não consigo pegar um um episódio de explosão e dizer que é um transtorno disruptivo da desregulação do

Humor, mas eu preciso ter pelo menos esses sintomas persistentes por um ano na vida dessa criança, tá certo?

Aí, no caso, eh, para diferenciar do TOD que você tá, você comentou, eh, seria essa questão da duração. Isso seria a questão da duração e a questão do que não tá relacionado diretamente à questão do desafio. O transtorno disruptivo, ele tá associado à questão do ser contrariado. Ele não tá ali pra desafiar. Ele não aceita a ideia de que não vai sair do jeito que ele quer, entendeu? A ideia, basicamente, a grosso modo, é essa.

Tá certo? Obrigada, professora.

De nada. Eh, eu só queria fazer um comentário mesmo e depois tem duas outras, tem outras perguntas aqui no chat também. Aí eu só vou falar rapidinho que eu só achei bem interessante a senhora ter dedicado um slide só para falar que tem uma diferença entre transtorno depressivo maior e transtorno bipolar, porque infelizmente, assim, eu já vi paciente que teoricamente foi diagnosticado com um transtorno depressivo maior e bipolaridade, sendo que isso não é possível, né? Porque eles são dois diagnósticos excludentes. Se tem mania ou hipomania, você joga para transtorno bipolar. Aí vai ser tipo um, tipo dois, e não para transtorno depressivo. Infelizmente, isso é um erro muito comum, né? Por isso que é tão importante a gente estudar sobre categorias diagnósticas, porque olha o que que pode acabar acontecendo, né? A gente diagnostica duas condições excludentes em uma pessoa, não tem como. Enfim, aí tem várias, eh, várias outras perguntas no chat, viu, professora?

Deixa eu ir vendo aqui, tá? Vamos lá. Conversa entre os profissionais para o diagnóstico de catatonia preciso pelo menos de três a do sinais. Como a gente comunica aos pacientes a suspeita do diagnóstico? Mas aí a gente, enquanto profissional, né? Enquanto profissional, a gente, primeiro, a gente tem que ter o cuidado da gente não tá saindo fazendo diagnóstico aleatório, principalmente a questão de pessoas muito próximas à gente, né? A gente tem essa questão já que nem permite que vocês atendam as pessoas de certo vínculo, né? Até porque geraria todas as questões aí do do que dizer, né, de como dizer. Então, o que é muito importante é você manter essa distância, né? E a suspeita do diagnóstico, a gente tem que ter cuidado quando vai fazer essa comunicação e dizer que é suspeita, né, que vai precisar de um diagnóstico para complementar, né, encaminhar no caso, pro psiquiatra, porque eh e ter o cuidado hoje do como a gente diz, porque, por exemplo, se você me diz: "Olha, eu acho que você tem isso", a gente vai sair da sessão, a primeira coisa que a gente vai botar na recepção do consultório é botar no Google e descobrir o que é. E aí a gente vai ter uma série de diagnósticos errôneos, né? Então, por exemplo, se você bota no Google: "Tô com dor de cabeça, eh, dor no peito", e qualquer outro sintoma, ele vai botar lá: "Infarto agudo de miocárdio, câncer de não sei de quê". E às vezes é só uma virose. Então, a gente tem que ter esse cuidado de estabelecer o, acho que o principal ponto para diagnóstico é estabelecer o vínculo com o paciente e estabelecer o vínculo de confiança com ele, tá?

Ahã. Ah, professora, a senhora pode explicar um pouco mais sobre a proporção de depressão por gênero? Eh, a questão é que os estudos apontam que mulheres têm mais predisposição a ter depressão, transtorno de depressão maior do que homens. Eu acredito, né, isso aí é já uma opinião pessoal, eu acredito que seja por todas as questões relacionadas a ao machismo que tá incutido já na sociedade de uma forma geral, né? Porque, como eu disse, foi como paciente hoje, homem não pode chorar, homem é rindo de casa, homem não pode procurar eh não pode procurar serviço de saúde, então termina sendo muito mais fácil para as mulheres terem diagnóstico efetivo, tá? E um dos pontos que diferencia bastante a gente dos homens é a questão hormonal. A questão da progesterona e do estrógeno faz uma diferença gritante na vida da gente, realmente, de fato, não só para a parte de saúde mental, mas como várias outras, vários outros funcionamentos e patologias que aparecem no nosso corpo, tá?

A catatonia é de espectro autista, tá? Como a Manu disse. E aí perguntaram aqui, professora, a senhora pode me explicar um pouco mais sobre a depressão sazonal? A depressão sazonal, ela é um subtipo, a gente pode dizer que ela é um subtipo da depressão, tá? E ela ocorre de forma recorrente em algumas épocas do ano. Então, tem pessoas que, por exemplo, atrelam um final de ano a sempre é uma coisa muito ruim, ou pessoas que viveram uma época, por exemplo, viveram um luto em um determinado momento e toda aquela época do ano, passando anos e anos, sempre volta para reviver aquilo, né? Ela é momentânea, ela é naquele momento, ela tem um início que a gente pode dizer que ela é um início cíclico. A tem um estudo que diz que as épocas do ano que são mais depressivas, né? A ideia que eles botam como mais depressiva seria outono e inverno. É um estudo que ocorre na Europa. Eu acredito que é porque na Europa realmente o frio ele é muito mais forte, né? As pessoas ficam mais tempo isoladas da sociedade. Mas os sintomas mais comuns para essa depressão sazonal, a gente pode dizer que é um humor deprimido, que é a fadiga e baixa de energia. A alteração de sono, ela vai ser persistente, então a vai ter uma dificuldade de concentração e vai ter a especificamente esse isolamento social. Algumas literaturas elas explicam que essa questão, principalmente por tá ligada a meses mais frios, né, ao outono e a inverno, ela diz que pode ter uma explicação que é por causa da redução da luz solar. Então, meses mais frios eles tendem a alterar o nosso ciclo circadiano, o nosso ciclo de sono, tá? E aí diz que esses essa esse prejuízo do nosso ciclo de sono, ele prejudica aí o equilíbrio da serotonina. E aí também da melatonina e causa essas alterações. A gente tem a questão de pode ter algum fator genético, né, algum fator biológico, como uma predisposição familiar. É mais comum em mulheres jovens adultas, tá? E a localização geográfica, ela tem uma preferência maior por áreas mais afastadas da linha do Equador, que é como eu disse, são países que realmente vivem essa questão de realmente frio e da redução realmente de luz solar, tá?

Alguns, ah, eu vi um estudo que ele tratava mulheres que tinham depressão sazonal e principalmente quando tava ligada à estação do ano no inverno, eles tratavam como fototerapia, igual a gente faz com bebê quando nasce com icterícia, que a gente bota ele naquela luz, uma luz que é para queimar ali a questão do fígado, né? E aí para essas mulheres eles fazia com uma luz artificial que simulava uma luz solar. Era uma das fontes de tratamento que eles utilizavam, tá?

Nesse caso, tem que vir acompanhando muita psicoeducação. Muita psicoeducação é a chave de tudo. Eh, a gente entender, eh, quando a gente entender o papel do psicólogo, né? A ideia de tirar aquela associação de que "Eu não sou louco para ir pro psicólogo, não vou pagar para conversar". Eu já ouvi muita história: "Pagar para conversar? Eu converso na mesa no bar, eu converso com minha amiga. Minha amiga me dá ótimos conselhos". A gente precisa entender que o papel do psicólogo não é conselho, né? Conselho a gente tem ali na esquina. Se a gente parar ali na esquina e dizer: "Moço, eu vou pra direita ou pra esquerda?", ele vai dizer: "Olha, pega a direita que é melhor". É um conselho, não deixa de ser. Mas eh não é a resolução dos nossos problemas. E os nossos problemas eles são resolvidos por ninguém mais, por ninguém menos que nós mesmos. E a gente conseguir entender isso, que é isso que vocês fazem, é fazer a gente entender que quem resolve os nossos problemas não é ninguém, é a gente mesmo. E que a gente precise que a maioria dos do dos problemas nós mesmos criamos, né? Alguns problemas nós criamos e criamos algumas barreiras para a resolução deles. Então, a psicoeducação ela é a chave de tudo. E principalmente nesses dois transtornos que a gente vai ver inicialmente, que é depressão e ansiedade, são os transtornos que mais crescem e crescem de uma forma absurda na sociedade. Ah, tem um estudo que prevê que em 2050 quase toda a população ela vai ter transtorno de ansiedade. Então, assim, eh, é bem pesado quando a gente para para analisar de um ponto de vista geral, tá?

E só um detalhe, Manu, aqui, se conselho fosse bom, era, não era de graça. E isso é a mais pura verdade, gente. Se vocês abrirem a internet hoje, vocês vem e vão ver o tanto de gente que vende qualquer coisa. Então, tem gente que vende, olha, a prosperidade tá aqui em três aulas. Assista três aulas comigo e seja rico. Ah, isso aqui tá em tal canto. Resolva seus problemas afetivos, resolva isso, resolva aquilo. Se conselho realmente ele fosse bom, ele não era de graça. Ele era vendido e era vendido muito caro. Tenha certeza absoluta disso.

Oi. Posso dar uma palavrinha? Eh, era só um comentário mesmo. Eh, primeiro para agradecer a nossa prof querida. Eu achei muito interessante você ter abordado o suicídio. Eu sei que depressão tem relação e a gente tá no Setembro Amarelo, mas queria agradecer porque a gente não tem muito espaço, pelo menos no nosso curso de psicologia, na minha experiência, a gente não tem muito espaço para falar sobre suicídio. E aí quando você colocou no slide sobre eh as etapas, né, do suicídio, que até tem um texto que eu tô que eu tô lendo que chama isso de magnitude do suicídio. E aí, eh, nesses estudos que eu tô fazendo, a moça que tá dando a mediação, ela chamou a nossa atenção pra gente conhecer esses termos técnicos, porque a gente meio que conhece muito no senso comum: ideação, tentativa, ameaça, planejamento. E aí ela disse pra gente: "Vocês precisam conhecer esses termos técnicos porque é uma responsabilidade muito grande quando a gente pegar esses casos. E se a gente não tiver a capacidade de sustentar ou não tiver capacidade eh de conhecimento mesmo, a gente tem que saber fazer um bom encaminhamento". Então, assim, eu achei muito interessante esse slide em si. Era isso.

Pode falar, Manu. Eh, eu acho muito importante também isso que a Bianca trouxe, porque realmente a gente não fala muito sobre suicídio, apesar da gente, tipo, ter um mês que teoricamente a gente só fala disso, né? Ainda assim é algo muito difícil de ser falado, porque assim, é muito fácil a gente falar, a gente, ah, vamos numa palestra sobre saúde mental, ah, vamos fazer alguma coisa relacionada a Setembro Amarelo, a gente faz alguma campanha, a gente faz alguma postagem no Instagram, etc. Mas quando a gente se depara com o paciente na nossa frente da gente perguntar sobre suicídio, a gente trava. A gente não trata com não normalidade, mas assim com tranquilidade, tipo, "Olha, eu preciso saber disso, eh, eu preciso te perguntar sobre isso e tá tudo bem o que, tipo assim, tá tudo bem se você me trouxer que você tem ideação, tá tudo bem se você me trouxer, se você já tentou, etc, etc". Tipo, eh, no meu estágio que eu faço estágio na Eureca, a gente tem que perguntar. Se a gente não pergunta, a gente não pode dar prosseguimento com aquele paciente, porque a gente precisa saber se é um paciente de risco, até porque estagiário não pega eh paciente que tá em risco gravíssimo de suicídio, enfim. Então tem vários níveis que precisam ser avaliados, né? E aí eu lembro que antes da gente começar a fazer as triagens e os atendimentos, foi muito assim, tipo, "Caramba, mas como é que a gente vai perguntar sobre isso? Como é que a gente fala sobre isso com naturalidade?". Porque ninguém ali tava acostumado a tá perguntando sobre suicídio. E o que o meu coordenador sempre orientava pra gente, inclusive ele fez roleplay, ele ensinou muita gente, tipo, "Gente, pergunta normal, vocês não estão perguntando da vida da pessoa? Pergunta, tipo, olha, tem algumas perguntas que eu preciso fazer aqui, porque são várias perguntas protocolares e aí a primeira pergunta vai ser sobre isso. Você tem ideação? Você já pensou sobre isso? Tem alguém perto de você também?". É muito importante, né, você perguntar das pessoas ao redor. E aí com isso eu fiquei refletindo muito sobre isso, do quanto que a gente não consegue, tipo assim, tá, a gente pode até postar no Instagram, a gente assistir a aula, a gente tá falando aqui, mas quando chega na hora ali com o paciente, eh, "eita, né? Não vou nem tocar nesse assunto, vou deixar o paciente trazer porque eu posso despertar gatilho no paciente". Tipo, não, você precisa perguntar para ele. Você não perguntar é até antiético, porque você não sabe qual é o risco que aquele paciente tá tendo, né? Enfim, muitas reflexões sobre suicídio que é muito importante. E parabéns, professora, por ter trazido isso. Vamos discutir mais sobre o suicídio.

Vamos. Eh, só antes da Bianca falar, é a questão do suicídio, ela é uma questão que a gente tem que parar para pensar que quem vai cometer, quem tá pensando, quem tem a ideação suicida às vezes tá do nosso lado. E aquela coisa, a gente sempre acha que vai, é igual assalto. A gente acha que sempre vai acontecer com os outros, mas nunca vai acontecer com a gente. Ah, eu vou sair com o celular na rua. Ai, mas aqui ninguém me assalta. Mas vai ter um dia que vai acontecer. Então, por mais que a gente não tenha ninguém próximo a gente nesse momento, mas a gente sempre vai ter. Eh, aí uma das coisas que eu percebi muito entrando na minha vida adulta, eu tenho hoje 39 anos e uma das coisas que eu tava conversando com o meu marido era sobre isso. Eu disse, as coisas eram tão distantes da gente quando a gente era mais novo e que assim era sempre os amigos de os meus pais, né? Ah, um amigo do meu pai, alguém do trabalho do meu pai. E hoje você começa a ver que é a sua vida, né? Ah, alguém que estuda comigo, alguém que trabalha comigo, alguém que o marido da colega de trabalho. Então você vai vendo que as coisas elas vão ficando mais próximas de você. Você vai criando, você vai crescendo, né? A ideia é essa de crescimento, você vai ganhando as responsabilidades e as coisas elas vão ficando cada vez mais próximas de você. E aí você para para pensar assim: "O que faz uma pessoa?". Eu fico, eu na minha cabeça, eu tenho milhões de perguntas. Eu digo que se eu chegar no céu, eu tenho várias perguntas para fazer a Deus. Uma delas é: O que passa na cabeça de alguém que vai cometer o suicídio quando, por exemplo, pula de um prédio, né? Os 5 segundos até chegar lá embaixo. O que é que acontece, né? O que é que passa? O que leva a pessoa a um desespero tão grande que a única solução que ela tem é tirar a vida dela e ela acha que morrer é o mais eficiente que ela vai ter no momento, né? E você fica se perguntando isso. E aí é aquela coisa, a gente trabalha no Setembro Amarelo. Esse mês a gente vai falar até dia 30, a gente vai falar muito sobre suicídio, mas parece que passou primeiro de outubro, parece que a história de suicídio acabou e não tem mais nada que a gente falar sobre, a gente não precisa falar, o foco é Natal, Natal, Natal e Natal. E então é um assunto que a gente não pode focar apenas exclusivamente no mês e principalmente a gente que trabalha com saúde mental, a gente tem que focar nele todos santo dia.

Eu ia falar justamente isso para complementar o que Manu falou também em outra questão, porque o Setembro Amarelo para organizar aquele evento da Liga, eu tive que ler muito. E aí eu fui, eu só percebi nessas leituras que o Setembro Amarelo é uma campanha muito nova ainda, de 2015, então vai fazer 10 anos, é muito pouco tempo. E o estrago já foi muito grande, porque assim, tem taxas de pessoas que cometeram suicídio pelas campanhas serem mal feitas. Então, eh, é uma responsabilidade muito grande, não só para a gente enquanto profissional, mas para as pessoas que estão na frente dessas campanhas. Eh, e outra questão também, quando a Manu falou do estágio dela, que me fez lembrar, eu tenho muita preocupação com isso, né, de chegar lá na hora e meu Deus. E aí uma dica que a Flávia, que foi uma das convidadas do encontro sobre suicídio, ela paga algumas disciplinas comigo e outras pessoas que estão aqui, ela deu uma, ela sempre dá essa dica pra gente, quando ela tem oportunidade, ela sempre fala, eh, da gente aproveitar as oportunidades que a gente tiver no futuro sobre estágio de escuta, plantão psicológico, tanto da NASSAU quanto de outro lugar, seja online, o que for, porque ela sempre fala que a escuta é a ferramenta mais poderosa que a gente tem. Então, mesmo se você não tiver o conhecimento técnico profundo, agora, a escuta é muito importante e independente da área ou da abordagem que você vai seguir, eu acho que a gente deveria ter um conhecimento, mesmo que prévio em suicídio. Então, ah, eu não quero trabalhar em clínica, não quero atender causa de suicídio. Mas você vai estar no hospital do Valentina e vai atender uma criança que eh passou por uma tentativa de suicídio. E aí você vai ficar assim para os responsáveis. Então, assim, eu acho que a gente tem que se especializar mesmo, independente se não for uma área de trabalho da gente, sabe? Em específico. Agora terminei, falei demais, perdão.

Você nunca fala demais, Vi? Pode falar que é o espaço para isso mesmo. Só para complementar o que tu falou agora, eu achei muito legal quando tu traz essa questão, ah, mas eu não quero trabalhar com suicídio, tá? Mas em algum momento chega. E é isso que eu sempre reforço. Vocês que estão há mais tempo na liga, eu sempre falo isso. Ah, mas eu não quero trabalhar com transtorno mental, eu não quero, sei lá, me especializar em psicopatologia, mas vai um dia chegar alguém que vai ter algum transtorno e você vai ter que saber as características deste transtorno, você vai ter que entender como ele funciona. E é claro que a gente não vai reduzir nenhum paciente ao transtorno dele, né? A gente sempre reforça isso, inclusive eu já me deparei com algum certo de preconceito, vamos dizer assim, com o fato da liga ser de saúde mental e psicopatologia. Então, ah, é de psicopatologia, então só fala de transtorno, né? Caramba, mas psicopatologia também faz parte do que a gente tá fazendo aqui, porque vai chegar paciente com transtorno, vai chegar paciente, inclusive com transtornos graves. E assim, particularmente, eu não gosto de fazer essa separação, né? Tem gente que faz. Eu acho que para você chegar a um ponto de você ter um transtorno é porque eh a pessoa ela tá numa situação de sofrimento intensa, com um prejuízo intenso, enfim. Então eu falar transtornos graves eu acho que é um pouco redundante, mas você precisa conhecer sobre suicídio, você precisa conhecer sobre psicopatologia. Mesmo que você não vá pra clínica, ah, eu vou trabalhar no social, eu vou trabalhar eh pra prefeitura, sei lá, do CAPS. CAPS vai chegar o quê? É claro que existem pessoas, populações que não vão ter algum transtorno, que a gente não vai ter algum diagnóstico e tá tudo bem. A gente vai levando, vai adaptando de acordo com a pessoa, mas quando chegar? E quando chega uma pessoa com transtorno bipolar e você não sabe identificar um transtorno bipolar e você acha que é um transtorno depressivo ou você acha que é um transtorno de adaptação, ou às vezes você nem sabe que aquele transtorno que a pessoa tem existe. Então, por isso que é tão importante a gente, né, em constante estudo, em constante aprimoramento, porque caramba, essas demandas vão chegar e o que é que você vai fazer quando chegar? Quando chegar uma pessoa que já tentou cometer suicídio, quando chegar uma pessoa que tem ideação suicida, quando chegar uma pessoa que tem um transtorno por uso de substâncias, transtorno difícil, estudo, né? Sim, importante, Bianca, não é para assustar, é para incentivar a capacitar.

Pois é, é que nem o a situação que a professora Manu tinha trazido, né, de uma pessoa que tinha um diagnóstico X, só que por falta de diálogo entre o psiquiatra e o psicólogo, foi um diagnóstico errôneo por anos. E quantas situações a gente não vê, né, de falta de comunicação de profissionais e diagnósticos errados e tratamentos incorretos e mais sofrimento para a pessoa. Enfim, gente, se alguém tiver mais algum comentário, alguma pergunta, pode fazer, tá? A gente ainda tem uns 12 minutos aqui para matar. Fiquem à vontade.

Ah, eu vou falar de novo, gente. Licença. Eh, desculpa a pergunta se ela for besta, mas hoje em aula Camila abordou um pouco sobre psicologia perinatal, que eu adoro. Eh, ela, a gente comentou um pouco sobre depressão pós-parto, aí eu fiquei na minha cabeça: "Meu Deus, depressão pós-parto é um transtorno? É certo." Vou estudar mais sobre, tá? Que eu achei muito interessante.

É que tem ali o especificador, né, que a professora tinha mostrado. Aí é o transtorno e você especifica.

Certinho. Obrigada. Porque na realidade, a gente pode dizer que o transtorno do pós-parto ele vai entrar principalmente porque primeiro a gente tem que separar, né, o que é baby blues, né, que é aquela tristeza transitória que ocorre logo após o parto, né, eh, justamente por causa dos hormônios. Os hormônios, a progesterona e o estrógeno, ele se mantém muito alto para a manutenção da gravidez. Tanto que a progesterona, ela é o hormônio que mantém a gravidez até o final, quando a mulher ela tem risco de abortamento, né, a mulher faz a ingesta ou coloca óvulos de progesterona para manter os níveis de progesterona. E aí, eh, essa é a grande diferença da gente separar o que é o baby blues, né, que é justamente essa tristeza transitória que é abaixo dos hormônios, que é comum acontecer pós-parto e depois a depressão pós-parto, ela vai apresentar sintomas mais intensos e esses sintomas eles vão ser sintomas duradouros, né? Eles vão permanecer e aí eles alteram tanto a saúde física da mãe quanto o emocional e aí também o social. E aí também termina sendo a prejudica a interação da mãe com o bebê, né? Então essa é os sintomas, a gente pode dizer que os sintomas de depressão pós-parto eles são mais intensos, mais duradores, duradouros, né? Eles duram mais de duas semanas e eles chegam a ser incapacitantes, né? E aí necessita do acompanhamento profissional, de fato, tá?

Obrigado, professora. Tem uma pergunta no chat sobre sobre essa temática.

A pessoa depressão pós-parto pode se tornar uma depressão crônica? Rapaz, essa é uma das perguntas que mais se faz. A literatura diz que não, que são eventos isolados, mas já há literatura que diz que é a pessoa tem uma predisposição, né? Já tem ali uma predisposição genética, por exemplo, pais, mães, pai, pai ou mãe para poder se transformar numa depressão crônica, né? Geralmente não. Geralmente ela é como tudo que acontece na gestação, né? A hipertensão gestacional após um certo momento, ela para, não torna paciente crônica. A diabetes gestacional não torna paciente com diabetes, ocorre especificamente na gestação. A depressão pode desenganear ou agravar uma pseudociese? Com toda certeza. Certeza. Certeza.

O que dizer das conversas em palestras? Conversa. O transtorno vai além de não estar sozinho. Porque na realidade, o que é a primeira coisa, a gente precisa eh descobrir, precisa aceitar que a gente é o principal, o principal, vamos dizer assim, a principal bomba para resolver, a grosso modo, tá? Por quê? Eh, não adianta ter toda uma rede de apoio se eu não enxergo o transtorno, se eu não enxergo a ajuda, se eu não enxergo querer melhorar. Então, eh, a questão da do buso que ajuda você não estar sozinho, ela é muito importante. Você realmente não está só, mas você também tem que fazer sua parte, porque ninguém vai fazer sua parte por você. Essa é a maior questão. Não é você estar sozinho ou não estar, é você fazer parte desse processo. E você entender que faz parte desse processo é o principal disso. Você faz parte do seu processo de cura. E voltando pra questão da depressão e a questão da pseudociese, que é a gravidez psicológica, o que é que acontece, né? Ah, na gravidez psicológica, a mulher ela vai sentir todo o todas as alterações hormonais possíveis. Em alguns casos, até o beta HCG vai dar positivo por causa da o nosso cérebro, ele é muito fácil de ser manipulado, vamos dizer assim. Então, dependendo da situação, a gente manipula ele de alguma coisa ou outra. Por exemplo, mulheres que tomam anticoncepcional, a gente manipula o cérebro dizendo que tá grávido. Por quê? Porque só existe três momentos na fase da vida da pessoa que a pessoa não menstrua: ou antes da menstruação, ou ela tá grávida, ou ela tá na menopausa. E aí o que é que acontece? Quando a gente toma o anticoncepcional, que geralmente é a base de progesterona e estrógeno, a gente aumenta a o a dosagem hormonal e aí o cérebro entende: "Olha, ela tá grávida". Tanto que se você emendar uma cartela na outra, você não menstrua. E tanto que se você for pro ginecologista e prestar atenção, ela vai dizer que não é menstruação, é escape sanguíneo. Porque não é menstruação. O seu cérebro entende que você tá grávida por causa da dosagem hormonal.

E outra pergunta, tem um tempo máximo para duração pós-parto? Não, mas geralmente é o primeiro ano, tá? Eh, geralmente no máximo se estende até o primeiro ano de vida da criança, até menos do que isso, mas mais, mas dentro da normalidade tá entre ali três, quatro meses pós-parto.

Gente, só falando aqui rapidinho, eu tô tentando achar no meu livro de DBT aqui a a escadinha que eu falei e eu não tô achando aqui nesse livro. Eu acho que eu vi em outro livro, aí eu vou procurar e depois eu mando no grupo para vocês quando eu finalmente achar, porque eu também eu tô pesquisando aqui, aí toda vez que eu pesquiso o Google ele fala assim: "Ah, se você precisa de ajuda, liga pro 188, procura o CVV". E eu fico assim: "Google, não estou querendo fazer isso, eu estou querendo saber sobre isso, me ajude". Enfim, mas depois eu mando no grupo para vocês quando eu achar o Google me ajudar, enfim.

Aí perguntaram aqui qual a diferença de episódio depressivo maior e episódio depressivo maior recorrente? É a questão realmente de tempo, tá? O recorrente ele vai ter vários períodos de estabilidade e depois o paciente volta e aí depois mais estabilidade e depois volta. Então, tá muito ligado só à questão do tempo. Realmente acho que agora dona Natália vai fazer seu sorteio.

Pois é, gente. Eh, a aula foi ótima, professora. Muito obrigada, viu? A gente tirou várias dúvidas, esclareceu tanta coisa assim, foi maravilhosa. Eu tô vendo que todo mundo gostou aqui. Várias palmas. E gente, agora nós vamos fazer o sorteio, tá certo? Lembrando que quem vai participar é só o pessoal que já tava conosco.

Oi, Manu, quer falar? Amiga, deixa eu só fazer um encerramento para eu parar a gravação junto também, que aí faz o sorteio porque tá gravando aqui. Eh, enfim, gente, muito obrigada por todo mundo ter comparecido, né? Quem também não é da liga e veio. Estamos muito felizes de ter aberto para ouvintes aqui. Eh, a lista de presença vai ser passada, tá? Tanto ligantes quanto ouvintes, a lista de presença vai ser passada. Então, se atentem em preencher porque a gente só fica aberto por com essa lista, né, por 24 horas. Depois que fecharem essas 24 horas, que fechou o formulário, a gravação dessa aula vai ser disponibilizada, bem como eh os slides também, tá certo? Então, quem acabou chegando atrasado aqui, não é da liga, não conseguiu participar no horário, vai poder assistir a gravação. A única coisa que vocês não vão conseguir é a questão da presença, mas a questão do conhecimento vai estar lá no nosso canal do YouTube, tá bom? E a gente manda detalhadinho essas questões para vocês. Então, eu vou encerrando aqui a gravação. Quem não é da liga, eh, já tá liberado. E quem é da liga, eu peço que fique um pouquinho mais aqui para Nati poder fazer o sorteio, tá certo? Muito obrigada, gente.