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Olá, esse é o Text Talks, o podcast com visão estratégica e prática da reforma tributária, uma iniciativa da Reviseia, a plataforma de inteligência tributária que transforma dados em insightes e do Tex and Women, o grupo que promove o protagonismo feminino na área tributária. Vamos conferir alguns takes desse episódio.
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Do ponto de vista prático, a gente tá migrando para dobrar, considerando já alíquotas máximas de regime, né? Você tem um sobrepeso de tributação naqueles que têm menos capacidade econômica. E o antídodo para isso foi, pessoal do serviço, olha, fica calmo, porque a gente tá incrementando sobremaneira alíquota de vocês. Em contrapartida, vocês vão conhecer um universo novo que é o da não cumulatividade. Claramente, na minha visão, só a experiência prática vai comprovar se essa conta realmente vai fechar.
Primeiro que a gente tá falando de uma cadeia de consumo, então me parece natural que essa regra de tributação se vire pro consumo e não pro local de origem, né? Porque a reforma vem trazendo um elemento de transparência e de simplificação, mas principalmente de transparência, com a tributação por fora, os tributos destacados em nota. Então você, pessoa física, que não é um tributarista, em tese, você vai ter um entendimento muito melhor daquilo que você tá pagando.
Olá, eu sou Tex Talks, o podcast com visão estratégica e prática da reforma tributária, uma parceria da revíia com Tex and Women. Eu sou Cristiane Pires Mcnoton, serei a host dos nossos encontros e hoje estou aqui para receber uma convidada super especial, Amanda Vieira. Amanda é graduada em direito pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Fez LLM pela International Tex da Universidade King College London, MBA pela Fundação Dom Cabral em gestão de Negócios e tem mais de 15 anos de experiência tributária na iniciativa privada. Seja muito bem-vinda, Amanda.
>> Obrigada. Obrigada Cris, pela oportunidade de estar aqui. Tema super relevante, né, como muitos da reforma tributária. Então, muito obrigada pela essa manhã aqui com você.
>> Muito obrigada pela sua presença. Hoje nós vamos falar sobre o impactos, os impactos da reforma tributária no setor de serviços. Nós sabemos que o setor de serviços foi um dos mais, se não mais impactado pela reforma tributária. E para começar a nossa conversa, Amanda, eu gostaria de falar para perguntar para você sobre a questão das alíquotas, né? Como que ficou essa questão das alíquotas para o setor de serviços.
>> É, eu acho que quando a gente começa a falar de reforma no setor de serviços, esse é o ponto de partida, né? Na verdade, acho que falar de alíquotas na reforma já é um tema super importante, pelo que a gente tem presenciado, né? Mas quando a gente olha pro setor de serviços, a gente tem um setor que hoje tem uma tributação de piscofins na sistemática não cumulativa 9,25, mais um ISS de alíquota máxima de 5%, então a gente fala de uma carga de 14% aproximada. E a gente já tá discutindo alíquotas num patamar de 28%, né, num contexto de IVA dual de reforma tributária. Então, do ponto de vista prático, a gente tá migrando para dobrar, considerando já alíquotas máximas de regime, né?
E aí, só para trazer um pouco de tinta, assim, para falar um pouco mais de coisas que a gente não fala tanto, lá no passado, quando a gente começou a conversar sobre as alíquotas e sobre as sistemáticas de tributação, muito do que a gente falou em matéria de reforma foi que a reforma também teria um objetivo, talvez secundário, mas de colocar energia no enfrentamento da regressividade tributária, que é um tema bastante importante pra gente, que é um país de concentração de renda, de desigualdade social, né? Porque hoje quando a gente olha pela própria mecânica de tributação da cadeia de consumo, que é uma tributação que grava operação, que grava prestação e, portanto, desconsidera a renda, o poder de compra de quem participa daquela cadeia, você tem um sobrepeso de tributação naqueles que têm menos capacidade econômica.
>> Sim. E na sistemática nacional, a gente tem esse elemento adicional que é, a gente tem duas cadeias distintas de tributação de consumo e muito distintas, né? A gente tem a avenida do ICMS para compra e venda de mercadorias numa sistemática não cumulativa num 18% numa tributação estadual. E a gente tem uma outra avenida de prestação de serviços, competência municipal de 2 a 5%. Então, só daí a gente já tem bastantes diferenças. Agrava-se a isso o fato de que quando a gente compara o consumo dessas cadeias em termos de população, os serviços são mais consumidos por aqueles de maior poder econômico. Então é só a gente pensar em educação, em saúde privada e quem é a população que consome esse serviço, né? Então, quando a gente tem uma tributação máxima de cinco para ISS e uma tributação média de ICMS a 18 em operações que são consumidas mais amplamente, só pensar em vestuário e alimento, isso gera uma distorção adicional na nosso sistema. Então isso foi parte também do que a gente do que o que o país quisfrentar e dialogar num contexto de reforma e até tem algum alguma razoabilidade pensando no país.
E o antídodo para isso foi pessoal do serviço, olha, fica calma porque a gente tá incrementando sobre maneira a alíquota de vocês. Em contrapartida, vocês vão conhecer um universo novo que é o da não cumulatividade, né? e uma não cumulatividade que se pretende que seja ampla, porque a gente já fala de não cumulatividade nas regras de piscofins, numa legislação que já tem 20 anos de existência e até hoje a gente tá discutindo o que que é insumo em matéria administrativa e judicial. E quando a gente migra para uma sistemática de não cumulatividade ampla, o que se pretende é que aquilo que é adquirido e efetivamente tributado e recolhido na etapa anterior gera um crédito automático na cadeia subsequente. Então isso em algum nível equilibraria as contas.
Só que nessa primeira análise desconsiderou-se o fato de que as operações são muito distintas. Então, quando eu falo de compra e venda de mercadoria, por definição, o meu objeto fim só pode ser exercido se eu comprar. Eu não tenho como revender algo que eu não comprei. E mesmo que eu seja uma indústria, eu só dou saída num produto acabado se eu fizer uma aquisição de matériapas e insumos para minha atividade. No serviço, a minha atividade fim, ela é muitas vezes desempenhada só no capital humano. O escritório de advocacia é um exemplo clássico aqui, né? Eu não tenho esse incremento substancial de operações de cadeia anterior que equilibrem as alíquotas, um incremento substancial de alíquotas, né? Então o que se assistiu foi uma evolução e me parece muito acertada para trazer alguns setores de serviço aí nos artigos 1278 da Lei Complementar 214 que tenham reduções de tributação a 30 e a 60% e aí buscando finalmente equilibrar esse incremento de alíquotas de 14 para um 28, mas com uma redução prática. E a gente já tem até PLPs discutindo aí créditos presumidos pro setor de serviço baseado em Quiná e etc. Claramente, na minha visão, só a experiência prática vai comprovar se essa conta realmente vai fechar.
Eh, e eu acho sim que existem setores de serviço que não vão ser capazes de suportar ainda com a redução essa esse incremento de alíquota. E aí vale também uma crítica construtiva aqui de que a gente tá tentando migrar para um modelo internacional, né? Pro país tá alinhado ao modelo de tributação de consumo que é amplamente adotado no mundo. Só que quando a gente olha aqui os nossos pares na América Latina, o patamar de alíquota de IVA tá em torno de 20%, né? Então o que é que justificaria a gente tá num 28? Então tem muitas camadas aqui de discussão, de reflexão. Acho que esse ponto é muito sensível pro setor de serviço e acho que só a prática vai dizer se mesmo com as reduções, ele essas reduções são suficientes para garantir inclusive, né, a manutenção dos serviços e essa prestação, empregos e, enfim, desenvolvimento econômico do país nesse patamar de 28%, que é o que se que se imagina que seja, né?
>> Sim. Perfeito. Eh, realmente a gente se preocupa muito em como esse o setor de serviços vai reagir, né, no dia a dia, na prática. E eu acho que é muito importante o legislativo, o executivo está disposto a flexibilizar a todo momento. Percebeu que não deu certo, percebeu que tá muito pesado, né, que nem você falou, tem o PLP que visa eh que tá já tá pensando em crédito presumido, né? Então, viu que tá tá pesado pro setor de serviços, busca uma solução, né? E não deixar largado, né? Acho que esse é o principal ponto, né?
>> É deixar o contribuinte se virar com essa conta, porque no fim do dia, eh, se a gente pensar na cadeia alongada, isso vai refletir no consumidor final.
>> Perfeito, porque não é interesse de ninguém efetivamente sobrecarregar um consumidor final. Não é esse o objetivo da reforma, né?
>> Exatamente. Muitas vezes o consumidor final não vai desistir da prestação do serviço, né? Em muitos serviços nós sabemos que eles não são essenciais, né? Então o contribuinte pode simplesmente falar: "Não, então esse serviço eu eu vou deixar para lá", né? E, e a gente já sabe que no Brasil, infelizmente, serviço é desvalorizado.
>> Uhum. Né? O setor de serviço, a pessoa paga um valor numa mercadoria, mas para um prestador de serviço, ela não paga aquele valor. E agora você vai somar o tributo, né? Então, eh, muitas vezes o setor de serviços pode ser deixado para lá pelo consumidor, né?
>> Com certeza. Pelo histórico que a gente tem, né? E a gente tem eh dentro do setor de serviços e dentro de todos, mas de serviços especificamente, uma gama muito diferente, né? Então você tem empresas de serviço que efetivamente tem gastos relevantes que podem gerar acreditamento, talvez as contas se equilibrem e você tem players muito menores, né? Ou até pensando num universo de escritório, vocês têm aqueles enormes e a gente tem aqueles que são boutique, então que tem clientes diferentes, com fluxos de caixa diferentes também, né? Então essa multiplicidade gera uma um ponto de preocupação importante aqui também.
>> Sim, exatamente. E a questão da tributação do destino, como que vai ficar para o setor de serviços?
>> A tributação do destino é outra, talvez inovação da nossa mecânica, né? E também muito interessante, eu acho assim, ela tem uma série de fatores por trás e eu gosto sempre de pensar o contexto, né, da regra, porque eu acho que ajuda a gente a pensar e a criticar, né, hoje no primeiro que a gente tá falando de uma cadeia de consumo, então me parece natural que essa regra de tributação se vire pro consumo e não pro local de origem, né? E a tributação na origem, principalmente aí falando de CMS, que não é serviço, mas só para o contexto, ela gerou o que a gente conversa muitas vezes, a famosa guerra fiscal e o desenvolvimento, inclusive, de algumas regiões que foram eh proporcionadas por benefícios fiscais naqueles locais de atração de indústrias, de atração de empresas. E a gente vê hoje o setor que é gravado em ICMS se refazendo, né, pensando parque industrial, pensando cadeia logística, né? Então realmente refazendo as contas de operação de forma ampla.
Quando a gente pensa em serviço, a gente tinha na Lei Complementar 116 e tem ainda, né, porque a gente ainda fica um tempo com o regime híbrido, a regra muito clara de que o tributo era devido no local do estabelecimento do prestador. Então era muito gravado esse elemento central de que o local da prestação ele tinha uma equivalência aonde estava o prestador. E agora a gente migra para um conceito de destino. Então é o local onde aquele serviço vai ser prestado. Isso vai gerar eh e aí pensando principalmente em municípios como São Paulo que tem uma concentração enorme de serviços, né? Isso vai gerar uma pulverização de arrecadação e distribuição nacional com certeza, pelos consumidores, né, desses serviços.
E aí eu acho que tem um elemento muito interessante aqui que é de adaptação país, de adaptação população mesmo, que é um elemento cultural, porque a reforma vem trazendo um elemento de transparência e de simplificação, mas principalmente de transparência, com a tributação por fora, os tributos destacados em nota. Então, você pessoa física, que não é um tributarista, em tese, você vai ter um entendimento muito melhor daquilo que você tá pagando. Então você vai pegar sua nota fiscal e você vai entender daquele valor final de de serviço o quanto você tá destinando a pessoa jurídica que te presta, que é o preço, e o quanto é um é um encargoal de tributação, de arrecadação, né, dos entes federativos. Então isso para mim é um instrumento super importante de cidadania, essa tributação por fora e esse essa clareza sobre o que que a gente paga para quem.
Só que quando a gente pensa em operação, em ponta de operação, você vai ter uma pessoa física aí pensando no contexto de São Paulo, por exemplo, em que você tem municípios que são quase bairros de São Paulo, como Osasco, Barueri, em que as pessoas residem um município e trabalham nesse outro município. Então, eh, elas alteram esse município muito facilmente na rotina delas. E você vai ter sim a possibilidade de ter valores finais de operação diferentes. Então, se hoje uma empresa de serviços, ela cobra um valor final pensando na tributação dela e aquele preço é um preço final para onde quer que ela esteja, em contexto país, você vai passei a ter um valor final de operação cobrado do consumidor final diferente. Então, se eu tô em São Paulo, eu posso ter um 128. Se eu tô em Barueria, eu posso ter 127. E aí esse mecanismo de educação do seu consumidor, eu acho que é um grande desafio pro setor de serviços, para que as pessoas comecem a entender que uma coisa é o valor da pessoa jurídica, o preço da atividade e outra coisa são os encargos tributários daquela operação e que sim, essa diferença de preço ela pode acontecer. Então eu acho que essa tributação no destino vai gerar esse desafio para muitas organizações de serviço, que é na prática e também pensando no setor de mercadorias, né, o preço da gôndola e o preço no caixa, se a gente puder levar para esse lugar, mas de educação país mesmo, de entendimento do que é da pessoa jurídica no contexto da prestação e o que é de autoridade pública, de que é arrecadação pública e essa diferença final de preços, considerando destino, né?
>> Perfeito. Isso é acrescido da ideia da da da evolução da tecnologia, né? Com a principalmente após a pandemia, nós tivemos um desenvolvimento da tecnologia que nós não teríamos, talvez em muitos anos, nós tivemos em poucos meses,
>> com certeza. E hoje os serviços são prestados à distância, né? Com certeza. Então, a maioria dos dos serviços, assim, não não sei se não sei dizer especificamente se a maioria, mas muitos deles já estão adaptados à tecnologia. Então, medicina que antes não podia ser exercida de forma online, hoje é autorizada. Eu, pelo menos, nossa, se eu tenho a oportunidade de fazer uma consulta, uma terapia online, eu faço online, porque eu não preciso pegar trânsito, não preciso, né? Eu tenho um médico hoje em dia em estados diferentes. Eu tenho um médico que me atende, que eu adoro ele, que ele mora em Natal.
>> Eu nunca encontrei ele pessoalmente e talvez nunca vai encontrar.
>> Sim, né? Mas é uma facilidade. Eu me identifiquei com ele. Então, independente dessa questão dele estar próximo ou ele está distante, né, a identificação com o profissional, apesar da distância, facilita muito.
>> Certo educação também, né? Virou o máximo. Hoje a gente faz cursos inclusive online com outros países, né?
>> Exatamente. Eh, então, sem dúvida, esse elemento da tecnologia também gerou uma capilaridade, né, nesse sentido de você acessar serviços em lugares muito diferentes e essa regra inversão dessa regra de tributação, de polo de origem para destino também tem esse efeito prático, né?
>> É. E você acha que vai fazer trazer talvez um um pouco de confusão, né, um pouco de dúvida assim nos contribuintes, no local onde vai ser a tributação ou tá muito claro na lei?
>> Ah, eu acho que só o estabelecimento físico é que realmente é claro assim, porque aí um estabelecimento físico você não tem muita discussão, né? É o que se acontece, por exemplo, pro meu segmento, mas com certeza. Eu, na verdade, eu acho que a reforma traz muitas dúvidas, né?
>> Muitas dúvidas para os tributaristas.
>> Então, quando a gente leva isso para uma população leiga e leiga no sentido de simplesmente as pessoas desempenham outra atividade, né? Isso gera muito, muito desentendimento assim de tá, mas por que eu sou destino? Né? E aí a gente tem aquelas séries de operações que você compra online, mas você entrega para outra pessoa ou em outro lugar. Então, a tributação, a tributação no conceito do destino, ela vai precisar, eu acho que de muita aplicação prática pra gente refinar. E aí a gente precisa lembrar que a legislação ela nunca vai conseguir interpretar todos os casos.
>> Sim. Então vai ter uma série de operações que existem e que são praticadas que a lei nem sequer pode pensar. E aí, repensando também o conceito de tecnologia, o quanto a gente vai ver de evolução tecnológica nos próximos anos, inclusive no período de transição, que vão levar a outras regras ou outras demandas de regras de tributação, né?
>> Sim. Perfeito. Eu gostei muito da distinção que a lei fez de adquirente e destinatário. Eu acho que algumas operações ela vai ajudar bastante, mas a gente ainda vai precisar de um tempo de adaptação pra gente entender quando que é mais importante a gente olhar para o adquirente, o destinatário, né? Tudo questão de adaptação, mas é importante a gente sempre tá atento, né, pros tributaristas. Vai ser uma fase bem interessante.
>> Sem dúvida. E a questão do compliance para o setor de serviços.
>> Olha, eu acho que a gente tem falado bastante aqui de de pontos que a reforma gera de dúvidas ou incertezas e a gente também precisa reconhecer que em alguns pontos a reforma avançou positivamente, né? Eu também não gosto de ficar só pensando eh nos pontos de preocupação, porque senão a gente realmente, né, fica bastante assustada. Então, eu acho que vale fazer uma uma visão ampla de reforma. Eh, existe um ou dois, talvez elementos de compliance que eu acho que a reforma trouxe realmente pontos positivos, assim, talvez não da maneira como a gente gostaria ou pretendia ou poderia ter sido, porque a gente sempre tem um contexto político país, mas acho que são pontos de evolução. E aí quando a gente pensa em setor de serviço, a gente tem que lembrar que a gente tá falando de 5.500 municípios, né? E ter uma legislação, uma espinha dorsal já facilita bastante, né, de uma forma mais robusta e aí já combinada com o que seria o CMS, então IBS, CBS e Piscofins, então três, né? Mas eh eu acho que um dos elementos super interessantes de compliance é o layout no padrão nacional. E aí o que eu quis dizer de downside aqui e trazendo para esse ponto, é que infelizmente ele não vai ser adotado por todos os municípios, né? a gente já tem municípios se manifestando que por quaisquer motivo, seja de adaptação sistema, dotação orçamentária, não vão seguir o modelo nacional, que é uma pena na minha visão.
Eh, porque para o contribuinte, e aí a gente precisa lembrar que a administração pública, ela é feita de servidores. Nós somos clientes desta prestação de serviço público, né? E a gente não se coloca nesse lugar muitas vezes. E a gente tem experiências como contribuinte muito distintas nos municípios do país, seja por questões de desenvolvimento econômico, tecnológico, enfim, nível educacional, capacidade mesmo de de do município em termos de desenvolvimento. Então, quando a gente fala de pessoas jurídicas que t uma capilaridade grande de business e que atuam em muitos municípios, você claramente percebe a diferença no atendimento e na interface com esses diferentes municípios.
>> Sim. E quando e se a gente migrasse para um layout efetivamente nacional para todos, isso geraria uma potência de negócios muito maior, porque existe um custo invisível, né? invisível nos que para as empresas não é invisível, mas invisível nessas contas públicas de adaptação. Então, quando o município muda um layout, isso gera um custo e um trabalho pra empresa de mudar o layout, estudar a legislação, parametrizar um sistema e um esforço que às vezes inclusive eh dificulta o próprio faturamento naquele mês e você tem que correr atrás daquilo. Então essa experiência de ter um monte de layout, ela é muito desafiadora pro contribuinte e o estabelecimento de um padrão nacional, que ainda que não seja eh adotado por todos os municípios, mas por alguns ou pela maioria, já traz um alívio nesse sentido de administração desse dessa montanha de notas técnicas e de layouts e de parâmetros, né?
Eh, e um outro fator de compliance que eu acho relevante de comentar, e esse também eh, acho que é bem interessante, é que a gente fala de até até 31 de dezembro, né, de lançamento por homologação. Então, o contribuinte vai atrás da sua apuração, ele levanta os dados, ele prepara as contas e ele faz as apurações, os recolhimentos e deixa pra administração pública o papel de revisor e auditor nesse sentido. e a gente migra para um cenário e aí de apuração concentrada, que certamente é uma grande evolução, num modelo em que o contribuinte se torna o revisor, né? Então eu acho que nesse sentido essa pré-apuração, essa apuração eh pré-preparada pela administração pública também é um avanço substancial na dinâmica em especial de SS, novamente pensando nessa capilaridade que a gente tem, nessa quantidade de municípios que a gente tem, né?
>> Sim. Perfeito. Perfeito. Então o o custo, né, de conformidade das empresas, provavelmente nessa fase vai aumentar.
>> Com certeza, né? Vai aumentar. E é importante que que o poder público tenha essa sensibilidade, né?
>> Com certeza. Perceber isso, que as empresas estão se esforçando, elas estão querendo entender até por uma questão de tempo, né? para dar tempo ao tempo. Então, por exemplo, ano que vem a gente tá passando por um ano teste e um ano muito importante paraa adaptação. Mas o que me preocupa é aquelas empresas que eventualmente errarem.
>> Uhum. Né? que não tiverem, talvez, principalmente as pequenas, não tiverem uma boa interpretação, o problema, o próprio contador tiver dificuldade e essas empresas serem cobradas do tributo e além disso multadas, receberem uma multa por um período de análise, de teste. Então, é muito importante que o que o poder público tenha essa sensibilidade e que é desafiador pro próprio poder público, né? Na verdade, a gente tá enfrentando um período teste num pensamento do próprio poder público, de entendimento dele, de que ele também precisa testar o modelo que ele propõe examente. Então você aplicar uma penalidade para um contribuinte que muitas vezes que muitas vezes não, que certamente não tem estrutura administrativa de um governo que vem há muitos anos discutindo isso e que vai ter que dialogar com diversos players que fazem os RPs fiscais e muitas vezes as empresas têm um RP fiscal e um outro sistema de balanço, né, de contábil. Então, e vai ter que convergir esses sistemas, vai ter que passar. Então é muito investimento, não só financeiro, mas intelectual. Então, sem dúvida, é um período de adaptação e precisa ser enfrentado dessa maneira. Assim,
>> sim. Uma coisa que eu espero que seja muito respeitado o princípio da cooperação, não só da cooperação entre os entes, entre as administrações, mas a cooperação entre contribuinte e e o estado, não pensando só na parte da cooperação do contribuinte, na obrigação do contribuinte cooperar. mas também dos órgãos públicos, né, cooperarem com esse período de adaptação, entenderem a fase que eles estão passando e que os contribuintes estão passando, justamente porque uma preocupação que eu tenho é o PLP 108, ele traz multas muito pesadas, né? Então assim, você aplicar essas multas já de cara, né, sem uma conversa, sem uma análise do que aconteceu, sem um período de de pro próprio contribuinte se corrigir, né? Então eu espero que o princípio da cooperação seja bem respeitado nesse sentido também.
>> Nossa, tô tô muito alinhada com você. Eu acho que a gente tem visto até uma certa evolução nesse sentido de diálogo, né, entre a administração pública e o contribuinte. Acho que a reforma também teve muito disso. Eh, e acho que isso é fundamental, assim, é fundamental pro sucesso do modelo no fim do dia.
>> Exatamente. É, a gente precisa sair desse lugar de achar que o contribuinte ele é um sonador.
>> Exatamente. Você vai ter maus contribuintes, isso vai acontecer aqui em qualquer lugar do mundo. Mas a gente precisa mudar essa percepção de que as pessoas estão fazendo de má fé.
>> Exato. E entender que a gente tá saindo de um modelo totalmente complexo e por isso inviável e por isso a reforma e que a gente vai ter um período de transição super longo em que a gente vai conviver com esse modelo super desafiador e mais um modelo novo.
>> Exatamente. Que vai demandar esforço, investimento, tecnologia, alteração cultural, entendimento de país e que a gente precisa entender esse contexto maior, né?
>> Perfeito. Muito bom. E a questão do impacto em time, que que você tem a nos dizer?
>> Eh, eu acho que, e aí olhando totalmente paraa dinâmica de pessoa jurídica, né, de empresa, eu comentei há pouco, né, a gente tá saindo de uma sistemática de apuração por homologação, de lançamento por homologação, em que o contribuinte faz e a administração pública revisa para uma sistemática exatamente ao contrário, em que a administração faz e eu sou o revisor. E quando a gente pensa em time, né, primeiro que a gente tá pensando primeiro em gastos, né?
>> Sim. Então, como que a gente vai manter a equipe que a gente tem e fazer com que essa equipe evolua pro novo modelo, sendo que uma parte dos tributos e o ISS é um deles, permanece na sistemática atual. Então, essa divisão de time, de maneira que você consiga transformar as pessoas ao longo do período de transição, já é um impacto super relevante. E aí é capacitação de pessoas mesmo assim.
>> Sim. E em algum momento eu entendo que a gente vai ter que escolher umas batalhas. Então o time que dentro das organizações e geralmente essa divisão existe, né, faz o piscofins, ele vai ter que começar, né, porque o Piscofins é o primeiro a ser eliminado. E talvez o time que faz o ISS, o ISMS, ele vai ficar um pouco para trás no bom sentido da palavra, né, durante o período de transição. Mas a gente tá falando aqui, a gente precisa pensar que a gente tá falando de analistas. são pessoas num nível inicial ou intermediário de carreira ainda.
>> Sim. E existe um pensamento interessante, principalmente para analistas que fazem o compliance fiscal das empresas, que muitas vezes eles são executores, eles são operadores, né? Mas o cargo é analista, né? Então, o tempo deles efetivamente deveria estar mais destinado à análise do que a à implementação ou a operação. E então eu acho sim que existe uma oportunidade bem interessante aí de mudança de perfil, mas é um trabalho realmente também de mudança cultural, de você trazer essas pessoas pro entendimento de que a atividade delas mudou.
>> Sim, elas não vão ficar mais apertando o botão, baixando o relatório ou conciliando, quer dizer, em algum nível, sim. Mas o objetivo fim é revisor, então é uma análise crítica daquilo que foi pr pré-preparada e são skills diferentes, né? O skill do revisor, ele é muito diferente do do executor, né? Então você vai ter que preparar um time que muitas vezes é híbrido e que não tem advogados, por exemplo, que estão mais acostumados com o texto da lei, é estudar legislação.
>> Sim, porque as respostas muitas vezes ou na grande maioria das vezes está lá, né? Então, a gente fala de times de tex que muitas vezes tem contadores que não são tão eh íntimos de uma leitura legislativa. E o papel de gestor é que é muito relevante no sentido de trazer essas pessoas para esse ambiente de transição e escolher batalhas. Existe sempre uma pressão sobre o gestor de não incremento de custo de redcount, incremento de custo sem dúvida. E aí para qualquer empresa de qualquer porte ele vai acontecer porque você vai gastar em sistema, no mínimo, para adaptar layouts, adaptar RPs, adaptar o que for, mas existe também esse outro custo de conformidade, esse outro custo invisível, que é esse custo adaptação de pessoas. E é um custo, inclusive do ponto de vista de gestão, eu vou falar um custo emocional, assim, de escolher batalhas, de transicionar pessoas, de mudar a cultura, de entendimento daquele processo. Então eu acho que para ti aí olhando na posição de gestor para baixo e acho que por fim tem um grande fator também que é uma mudança na estrutura da empresa, né? A forma como as pessoas entendem ou entendiam a área de tex até um passado muito recente, era a área de tex como um backoffice, né? Como uma um uma pessoa que fica recolhendo tributo e apurando um tributo ali.
>> Sim. E a gente há alguns anos já vem mudando esse perfil da área de tex como uma área de negócios que muitas vezes gera crédito, gera receita, gera eficiência. E agora a gente tá mudando para um outro lugar ainda que é a área de tex no lugar de business, né? Porque a reforma tributária, ela é uma reforma estrutural que a gente dialoga com jurídico para caramba, dialoga com as áreas de comercial e de supply para caramba, RH. Então ela é uma reforma muito mais ampla, né? a forma como a gente entende os tributos, ela vai mudar drasticamente. E aí, tanto na nossa posição como profissional, na nossa posição como cidadão, então ela é realmente um efeito grande num processo cultural bastante importante dentro da organização e também no nosso papel aqui como pessoa física e cidadão, né?
>> Sim. Dois pontos que eu tenho ouvido muito falar sobre essa questão do time é que primeiro vai exigir, como você falou, o diálogo entre as diversas áreas. Então, as áreas vão ter que se comunicar porque é é algo integrativo, né? A reforma traz essa demanda de que todas as áreas se comuniquem e vai trazer um refinamento também do nosso trabalho, né? Porque antes, como você falou, né, o exemplo do apertar botão, então um exemplo, por exemplo, de um serviço que eu fiz bastante e que me incomodava, que era inscrição no CPOM. Nossa, mas era um serviço assim de mandar documento, mandar comprovante de endereço do contador, né, para para todos os municípios que prestavam o serviço que tinha a previsão do CEPOM para ser indeferido, para ser deferido. Não, mas faltou esse documento. E tinha município que tinha município que era muito tranquilo, né, mandava os documentos, tá aqui, está inscrito no CEPOL, mas tinha município que indeferia por causa de detalhezinho e tornava assim um serviço uma coisa chata, porque é questão burocrática, né? E eu sinto que a reforma traz um refinamento nisso, justamente por toda essa uniformização, essa centralização das informações, vai fazer com que a gente se preocupe mesmo com o mérito da coisa, com direito em si, né? Com uma análise mais criteriosa, que nem você falou, o analista vai ter que analisar, né? Então, com uma análise do direito da matéria, então traz da operação, então traz um refinamento, não é? Muita gente eh falava, né? Ai, vai faltar serviço com a reforma tributária, o advogado não vai ter trabalho. E nós já estamos vendo que não é bem assim, né?
>> Com certeza não é bem assim. Vai ter muito trabalho, mas eu sinto que um trabalho mais refinado.
>> Eu concordo. Eu concordo. E acho que a tecnologia é um aliado importante aí.
>> Tecnologia, sim. Eh, a gente já vem nessa jornada, né, como empresas de maneira geral e mesmo escritórios, enfim, mas de construção de dashboards, de BI, da informação tá num num outro formato de leitura, né? O Excel que a gente achava super chique há uns anos, ele tá ficando muito muito básico, quase obsoleto já, né? Ele tá virando quase uma calculadora.
>> Verdade. É, e pra gente evoluir para outros modelos. Então eu acho que nesse processo também tem a capacitação de time nesse contexto de tecnologia, né, de operar outras ferramentas. Então, e aí tô super alinhada com você de discussão de mérito, de lei, de direito, de transação, de qualidade de dado. Então, realmente é uma outra outra estrutura, assim, é uma outra vida. Realmente
>> é uma outra realidade.
>> Uma outra realidade. Se aproxima muito já, né?
>> Muito boa, Amanda. Muito rica a nossa conversa. E agora para finalizar, eu queria saber se você queria, né, destacar mais um ponto que a gente deixou de falar ou deixar uma mensagem, né, sobre tudo isso que você tem visto, que você tem pensado, sobre o impacto no setor de serviços da reforma tributária.
>> Eh, eu acho que a reforma tributária ela é um grande desafio. Eh, falar qualquer coisa diferente disso é a gente tá subestimando os próximos anos. Assim, certamente quem trabalha com tributário vai ter emprego pelos próximos anos tranquilamente assim, porque existe muito trabalho a ser feito. Eu espero genuinamente assim que a reforma traga algumas notas altas, umas melhorias e uma modernização da nossa estrutura. E aí pensando no contexto país, né, a gente é um país que é muito pouco atrativo para fins de investimento, dentre outros muitos fatores, mas também pelo aspecto fiscal. É muito difícil você explicar para uma uma empresa no exterior, muitas vezes a matriz, as regras de tributação que a gente tem aqui. Então eu genuinamente espero que esse novo modelo ele traga uma solução para essas ineficiências que a gente apresenta, porque isso é desenvolvimento econômico, é desenvolvimento de país, é geração de emprego. Isso é muito importante pra gente como país, pra gente pensar.
Eu fico um pouco preocupada e aí retomando o tema da alíquota, porque eu realmente quando a gente compara e aí a América Latina é uma ótima referência pra gente, a gente não tem níveis tão altos. É muito importante pensar que o objetivo da reforma não é canibalizar o business, né? Então, sobretachar o business é muito preocupante, porque o setor privado ele é gerador de emprego, ele é gerador de receita, ele é um financiador da atividade, então ele precisa ser olhado nesse sentido assim. Mas então, pensando nas pessoas jurídicas, eu acredito que o setor de serviços tem esse desafio de fazer conta e eu gosto, gostei muito do seu ponto respectivo a colaboração, a cooperação. E eu acho que esse diálogo ele vai precisar acontecer pra gente garantir que o setor de serviços e aí pensando especificamente nessa pauta, ele se mantenha num cenário de fomento, de desenvolvimento, desenvolvimento municipal, eh de geração de empregos e de efetiva qualidade, né? Os serviços eles são muito relevantes, né? Então que a gente possa manter essa estrutura de desenvolvimento de serviços, gerador de receita pros municípios em último nível, mas também de gerador de empregos, de gerador de atividade econômica, de motor do país. Eh, e espero genuinamente que a reforma também traga esses outros elementos de desenvolvimento de país e desenvolvimento de setor.
>> Perfeito. Muito obrigada, Amanda. foi muito rica a sua participação no nosso podcast hoje. Eu tenho certeza que o pessoal que tá ouvindo a gente assistindo em casa, adorou essa conversa. Eu tenho muito agradecer em nome do Revíia e do Tex and Women.
>> Então, imagina. Muito obrigada a vocês todos.
>> Muito obrigada. Obrigada a todos que nos acompanharam e seguimos com novos episódios do nosso Text Talks. Obrigada.
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