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Abramos, irmãos, a palavra de Deus na carta de Paulo aos Romanos, Capítulo 11. Enquanto você procura aí, eu quero saudar a todos, receber os com alegria nessa noite para o culto que nós prestamos ao nosso Deus. Enviar também a nossa saudação por aqueles que nos acompanham pela internet e dizer da nossa alegria de estarmos juntos mais um domingo para o louvor de Deus e para o aprendizado. Sejam todos bem-vindos, especialmente aqueles que nos visitam nessa noite. Romanos, Capítulo 11, do verso primeiro até o verso 10, em sequência à nossa série de mensagens na carta aos Romanos.
Pergunto: pois diz o apóstolo Paulo: “Terá Deus porventura rejeitado o seu povo?” De modo nenhum. Porque eu também sou israelita, da descendência de Abraão, da tribo de Benjamim. Deus não rejeitou o seu povo, a quem de antemão conheceu. Ou não sabeis o que a Escritura refere a respeito de Elias? Como ele insta perante Deus contra Israel, dizendo: “Senhor, mataram os teus profetas, arrasaram os teus altares, e só eu fiquei, e procuram tirar-me a vida”. O que lhe disse porém a resposta divina? “Reservei para mim sete mil homens que não dobraram os joelhos diante de Baal”. Assim pois também agora, no tempo de hoje, sobrevive um remanescente, segundo a eleição da graça. E se é pela graça, já não é pelas obras; do contrário, a graça já não é graça. Que diremos, pois? O que Israel busca, isso não conseguiu; mas a eleição o alcançou; e os demais se endureceram, como está escrito: Deus lhe deu espírito de entorpecimento, olhos para não ver, e ouvidos para não ouvir, até ao dia de hoje. E Davi diz: Torne-se a sua mesa em laço, e armadilha, em tropeço e em punição; escureçam-se os seus olhos para que não vejam, e fiquem para sempre encurvadas as suas costas. Vamos orar, pedindo que Deus nos dê graça para compreendermos o significado dessas palavras.
Esse é, nós estamos na parte reconhecidamente mais difícil da carta aos Romanos, que são os capítulos 9, 10 e 11, onde o apóstolo Paulo fala a respeito do futuro da nação de Israel. E o trecho tem dificuldades e tem sido motivo de debate pelos estudiosos ao longo da história da Igreja. Precisamos da graça de Deus para tentar compreender. Oremos. Pedimos, Pai, que nos ilumines para que o significado daquilo que o Senhor revelou ao apóstolo Paulo seja apreendido por nós e mova o nosso coração à tua obediência. Não somente queremos compreender intelectualmente, mas nós queremos viver aquilo que tua palavra nos ensina; dê que ela fale profundamente ao nosso coração. Em nome de Jesus, amém.
Paulo começa o Capítulo 11 com uma pergunta: “Pergunto, pois: terá Deus porventura rejeitado o seu povo?” Porque é que ele fez essa pergunta? Porque desde o Capítulo 9 até o final do capítulo 10, Paulo vinha demonstrando como a nação de Israel sistematicamente rejeitou a revelação que Deus fez da sua graça na antiga aliança. Começando no capítulo 9, Paulo fala de como os judeus não compreenderam que o caminho de Deus para que uma pessoa fosse justificada não era pela guarda da Lei, não era pela observância das obras requeridas pela lei de Moisés, mas era pela fé nas promessas do Messias que foram feitas desde o Jardim do Éden, passando por Abraão, passando por Moisés na sua lei e também pelo próprio Davi. Os judeus, em vez de receberem o caminho de Deus revelado nas Escrituras do Antigo Testamento, eles seguiram o seu próprio caminho, que era tentar se justificar diante de Deus através de obras meritórias: guardando a circuncisão, guardando o calendário judaico, guardando a dieta religiosa e todas aquelas demais leis que Moisés havia mandado e outras leis que eles acrescentaram. Eles não perceberam que o homem é justificado pela fé, pela graça, e isso era o que Deus havia ensinado na antiga aliança debaixo de Moisés. Então, nos Capítulos 9 e 10, o apóstolo Paulo mostra como Israel conscientemente, voluntariamente, virou as costas para o caminho de Deus e resolveu seguir o seu próprio caminho, sendo por isso, então, rejeitados por Deus e merecendo aquilo que Deus diz a respeito deles no final do capítulo 10, verso 21. E quanto a Israel, Deus diz: “Todo dia estendia as minhas mãos a um povo rebelde e contradizente”. A figura aqui é de Deus estendendo as mãos para a nação de Israel, mas a nação de Israel, em rebelião e contradizendo o que Deus dizia, virou as costas para Deus e diz: “Nós seguiremos o nosso próprio caminho”.
Depois disso, é natural que Paulo faça então a pergunta que está aí no verso primeiro do Capítulo 11; ou seja: “Terá Deus, então, à luz dessa rejeição crônica da nação de Israel dos caminhos de Deus, será que Deus porventura rejeitou o seu povo? Será que Deus resolveu rejeitar de uma vez os descendentes de Abraão, com quem ele havia feito um pacto, uma aliança selada pela circuncisão, um povo a quem Deus deu as promessas, deu a lei, a quem Deus deu o verdadeiro culto e as ordenanças, e de onde veio o Messias? Será que Deus rejeitou, então, esse povo antigo, porque esse povo foi o tempo todo rebelde contra ele?” E a resposta de Paulo é, como vocês podem ver no verso 1: “De modo nenhum”. De modo nenhum. Deus não rejeitou o seu povo antigo; ele não irou-se com a nação de Israel a ponto de dizer assim: “Agora, também nenhum judeu vai se converter mais; eu não vou salvar mais nenhum judeu, porque eles não escutam a minha voz, não seguem o meu caminho. Então, basta, eu já fiz o que eu podia pelos descendentes de Abraão, já cumpri todas as promessas, já mandei o Messias, ele já ocupou a terra prometida, o meu filho, da descendência de Davi, já se sentou no trono do universo, cumprindo todas as promessas feitas. Então, não quero mais nada com os descendentes de Abraão”. Será que Deus porventura fez isso, perguntou o apóstolo Paulo à luz dessa sequência de desobediências de Israel, e que Paulo descreve nos Capítulos 9 e 10, terminando com o versículo 21, onde ele chama Israel de um povo rebelde? Então, ele não quer ser mal interpretado; diz: “Não, de maneira nenhuma; você não pode inferir de tudo isso que eu venho dizendo até agora que Deus rejeitou o seu povo”. E aí ele dá três demonstrações de que Deus não rejeitou os judeus definitivamente ou completamente.
A primeira é o caso dele. Ele diz ainda no verso 1: “Deus não rejeitou o seu povo, porque eu, Paulo, também sou israelita, da descendência de Abraão, da tribo de Benjamim. E sou cristão, e creio no Messias”. Então, ainda que Paulo fosse o único, estaria aberta a exceção à regra, provando que Deus não rejeitou os descendentes de Abraão; porque de entre os descendentes de Abraão você vai encontrar um Paulo, que era israelita – nome que era dado aos descendentes de Jacó, cujo nome Deus mudou para Israel – descendente de Abraão, são três coisas que Paulo apresenta como seu pedigree, e que ele era da tribo de Benjamim, que foi exatamente aquela tribo que, junto com a tribo de Judá, permaneceu fiel a Davi e a Deus quando houve a separação dos reinos. Ou seja, Paulo se apresenta como sendo judeu de judeus; se tinha alguém que era judeu, era ele: israelita, descendente de Abraão e ainda da tribo de Benjamim, conhecida pela sua fidelidade e a sua aderência a Deus, e ele era crente; ele creu no Senhor Jesus Cristo. Ora, se Deus tivesse rejeitado definitivamente, completamente o seu povo antigo, nem um judeu teria se convertido; porque nós sabemos que a conversão é obra de Deus, é obra da graça de Deus; é Deus que ilumina, é Deus que chama, é Deus quem converte. Se Deus, então, converte o judeu como Paulo, significa que ele não abandonou o seu antigo povo e que ele, na sua misericórdia, ainda está agindo no meio daquela nação. A primeira prova que Paulo apresenta, então, para sua afirmação de que Deus não rejeitou o seu povo, é ele, o caso dele; ele que era um perseguidor, ele que achava que estava fazendo um favor a Deus quando perseguia e oprimia os cristãos, mas agora ele convertido e o crente em Jesus Cristo, e mais do que isso, ele apóstolo e pregador de Jesus entre os gentios. Então, tá aqui a primeira demonstração de que Deus não havia rejeitado completamente o seu povo. A gente pode perguntar: por que que Paulo tá insistindo nesse ponto? A resposta é que os gentios, que não eram judeus e que creram no evangelho, eles poderiam se virar contra os judeus e dizer: “Esse é um povo perverso; é um povo que Deus rejeitou completamente; que tendo recebido de Deus toda aquela iluminação, toda aquela graça, Deus, porém, agora os excluiu completamente do caminho da salvação”. Para não permitir que essa atitude arrogante crescesse ou aparecesse entre os cristãos gentios, Paulo então diz: “Irmãos, Deus não rejeitou totalmente a nação de Israel; a prova é que eu sou um descendente de Israel, eu sou um descendente de Abraão, eu sou um benjamita, e estou aqui, e eu sou crente no Senhor Jesus, como vocês são também”.
A segunda demonstração que Paulo faz é baseada no episódio que aconteceu na vida do profeta Elias e que é bem conhecido. Paulo fala desse episódio do verso 2 até o verso 4. Verso 2: “Deus não rejeitou o seu povo, a quem de antemão conheceu”. Ou não sabeis o que a Escritura refere a respeito de Elias? Como ele insta perante Deus contra Israel, dizendo: “Senhor, mataram os teus profetas, arrasaram os teus altares, e só eu fiquei, e procuram tirar-me a vida”. O que ele disse porém a resposta divina? “Reservei para mim sete mil homens que não dobraram os joelhos diante de Baal”. Esse episódio que Paulo está citando do Antigo Testamento está no primeiro livro dos Reis, Capítulo 19. Ali você tem a história de como Elias enfrentou os profetas de Baal. Na época de Elias governava a nação de Israel a rainha Jezabel; na verdade, ela era a esposa de Acabe, e Acabe se deixava manipular por ela. Acabe era judeu, mas Jezabel era uma pagã, e ela era adoradora do Deus Baal. Baal era uma das maiores divindades daquela época; era um Deus pagão adorado por diferentes povos e que exigia inclusive sacrifícios humanos em sua adoração, e ela tinha promovido – Jezabel que influenciou o rei para que promovesse o culto a Baal por todo Israel. Então ela tinha levantado altares e templos ao Deus Baal por toda a extensão da Palestina e obrigado e forçado os judeus a adorarem Baal, a oferecerem sacrifícios, a pronunciarem o nome de Baal. Enquanto isso, ela ia suprimindo o culto a Deus; ela ia diminuindo cada vez mais as atividades religiosas relacionadas ao verdadeiro Deus, de forma que chegou… Deus levanta Elias numa época em que o balismo era a maior religião de Israel, e o… e o… e o abismo não é que é o nome da religião que a gente dá no Antigo Testamento; a verdadeira religião baseada no nome de Iahweh, que é o nome de Deus; o iapismo estava morrendo, estava em declínio, pelo menos assim pensava o profeta Elias. Então, um dia, Elias resolve fazer um desafio; ele chama os profetas de Baal e diz: “Vamos subir no Monte Carmelo e vamos ver quem é Deus de verdade”. E aí o teste era qual seria o Deus que responderia por fogo. É feito o altar, sobre o altar colocadas pedras, lenha e um sacrifício e um animal, e então cada um invocaria o seu Deus. Os profetas de Jezabel invocariam Baal para que com fogo, e Elias, então, invocaria o nome de Deus. A história nós conhecemos; os profetas de Baal começaram: “Bau, bau, responde”. Começaram a dançar em redor do altar; daí você vê coreografia antiga; começaram a dançar em torno do altar, começaram a se cortar com facas e com lanças e tudo, derramar sangue, fazer sacrifício, chamar Baal: “Ouve, ouve”. E Elias assim grita mais alto: “Ele pode ter ido no banheiro, né? Eu… então ele saiu de viagem; ele não tá escutando o que vocês estão dizendo, né?” Grita aí: “Vê se esse Baal responde”. Passou o tempo, e Baal não respondeu. Ele se chega, então, diante do altar, e o pessoal trouxe o cordeiro e diz: “Mete água”. E o pessoal trouxe água: “Está pouco; põe mais”. E botaram mais água. E Elias faz só uma oração: “Senhor, ouve-me para que esse povo saiba que tu és Deus”. E caiu fogo do céu que consumiu o altar, e diz lá o texto que lambeu toda a água; não ficou nada, evaporou tudo, foi tudo embora pelo fogo que desceu do alto dos céus, Deus respondendo àquela vitória extraordinária. E Elias aproveitou, então, aquele momento de vitória, disse ao povo: “Pega os profetas de Baal e mata todos eles”. E aí o povo pegou os profetas de Baal, levaram para um ribeiro ali próximo e mataram centenas de profetas de Baal. Que vitória extraordinária! Até o momento que Jezabel soube, e ela mandou um recadinho para Elias: “Olha, amanhã eu vou fazer com você a mesma coisa que você fez com os meus profetas; isso aqui, ó”. Elias saiu correndo; Elias foi embora, morrendo de medo, achou refúgio numa caverna e se escondeu ali, temendo pela sua vida, e Deus foi encontrar Elias lá. Elias, senhor, quatro queixas de Elias, tá aqui no verso 3. Foi antes do episódio do Monte Carmelo, quando Jezabel tinha mandado exterminar… do episódio do Monte Carmelo, quando Jezabel tinha mandado exterminar os profetas de Iahweh: “Mataram os teus profetas”, primeira coisa; segundo: “Arrasaram os teus altares”; Jezabel acabou com todos os teus altares, já não tem mais lugar onde o povo adora Deus aqui na terra; terceiro: “Só eu fiquei”; eu sou o único crente aqui, tem mais ninguém; Jezabel acabou com todo mundo; quem não morreu fugiu, se escondeu, ou então tá calado e adorando Baal para não morrer; o único fiel aqui sou eu; e quarto: “E procuram tirar-me a vida, Senhor; tô jurado de morte pela Jezabel”. Então, é uma situação desesperadora; não tem jeito; mas chegou ao fim; é o fim da adoração ao Senhor na terra de Israel. Olha a resposta de Deus, verso 4. Paulo disse o que ele disse; porém, a resposta divina… Deus, na verdade, disse muito mais do que isso, quando ele sair, mandou ele ir atrás de Eliseu, mandou ele fazer uma série de coisas, e… mas o ponto de Paulo, que Paulo destaca da resposta de Deus para Elias, foi esse aqui: “Elias, eu reservei para mim sete mil homens que não dobraram os joelhos diante de Baal”. Ou seja: “Elias, você não está só; eu, pelo meu poder, pela minha soberania e pela minha graça, eu escolhi de entre a nação de Israel; eles não se curvaram diante de Jezabel e nem do seu ídolo imundo; eles são homens fiéis que eu preservei, que eu chamei e guardei; você não está só”. Você não está só. Essa palavra aqui: “Eu reservei para mim”, significa exatamente que Deus, de entre toda aquela idolatria, de toda aquela multidão da nação de Israel que estava adorando Baal, ele impediu, ele guardou sete mil, a quem ele impediu que se bandeirassem para idolatria através da ação do seu espírito, através do seu poder no coração desses que são judeus fiéis. Aqui o que você tem é a doutrina do remanescente fiel. O que Paulo está dizendo é que Deus sempre teve judeus fiéis de entre a nação, muito embora Deus tenha feito uma aliança com a nação de Israel; nem todo israelita é filho de Abraão, e nem todo circuncidado é salvo. Há um povo dentro da nação de Israel; há uma igreja dentro da comunidade de Israel; há um grupo que Paulo chama de aqueles que foram reservados, sete mil, que Deus guardou para si. Ou seja: Deus não rejeitou o seu povo como um todo, porque ele sempre teve dentro da nação de Israel um remanescente fiel, um grupo de judeus fiéis que creram em Deus, que entenderam a verdade, que procuraram se justificar pela fé. Paulo vai lá para o Antigo Testamento para provar que sempre foi assim, e agora, em terceiro lugar, ele aplica isso para os seus dias. O ponto de Paulo é: Deus não rejeitou a nação de Israel totalmente, porque… porque Deus sempre teve judeus fiéis no meio do povo; o meu caso, ele cita, né? Paulo diz: “O meu caso foi o primeiro argumento; o caso de Elias, em que Deus menciona sete mil, e agora Paulo faz a aplicação para os seus dias”. No verso 5: “Assim pois também agora, no tempo de hoje”, ele não podia ser mais enfático, né? Ele tá fazendo uma inferência; ou seja: “Da mesma forma que debaixo da antiga aliança Deus tinha reservado sete mil que não dobraram os joelhos a Baal, também assim agora, no tempo presente, da mesma forma Deus tem um remanescente fiel de judeus no meio da nação, mesmo que ela tenha rejeitado a Jesus Cristo”. Verso 5: “Sobrevive um remanescente, segundo a eleição da graça”. Sobrevive o remanescente, a quem Paulo se refere quando ele diz: “Nos dias de hoje, agora sobrevivem remanescente”. Ele se refere àqueles judeus que creram em Jesus Cristo. Quando o evangelho foi anunciado… gente, como o ancião que, quando viu o menino Jesus, disse: “Deus pode me levar, porque eu já vi o cumprimento das tuas promessas”; a profetiza Ana, que tava no templo quando Jesus foi apresentado, e ela tomou nos braços e disse: “O Senhor tá cumprindo a sua promessa; tá aqui o Messias”; os discípulos de Cristo, 12, com exceção de Judas, que foi substituído, que creram em Jesus; eles eram judeus; os 120 que estavam lá no dia de Pentecostes; mais tarde, Paulo menciona 500 irmãos a quem Cristo apareceu; o livro de Atos diz que pelo menos três mil se converteram no dia de Pentecostes; depois esse número subiu a 5.000, e centenas de judeus, sacerdotes e fariseus se converteram a Cristo durante aquela pregação dos apóstolos em Jerusalém. Esse é o remanescente fiel, e era prova de que Deus não havia abandonado o seu povo, porque ainda tinha muitos judeus se convertendo. A nação como um todo havia rejeitado a Jesus; a liderança da nação rejeitou a Jesus e o entregou para ser crucificado; mas no meio do povo Deus tinha sete mil que não dobraram o joelho a Baal; o remanescente fiel, a verdadeira igreja, o povo de Deus dentro do povo escolhido; a igreja dentro da nação é com esses que Deus tem o pacto; estes são os verdadeiros filhos de Abraão, estes são os verdadeiros herdeiros da promessa, e Paulo diz que eles estão ali agora. Note que no final do verso 5 Paulo diz, ele dá o critério pelo qual Deus escolheu aqueles e não outros; porque aqueles e não outros, respostas: “Eles foram eleitos”, final do verso 5, “pela graça”. De novo, agora, porém num tempo de hoje, sobrevivem remanescente segundo a eleição da graça. Eleger significa você escolher entre muitos uma pessoa; se elege aquela pessoa… nós estaremos eleições em breve, e entre vários candidatos você vai ter que escolher um; Deus elegeu de entre a nação de Israel aqueles que ele quis para salvação. Eu afirmo isso porque Paulo está dizendo aqui que a eleição foi segundo a graça; se é segundo a graça, veja o verso seguinte, verso 6: “Já não é pelas obras”. Ou seja: a eleição não foi por causa das obras que os eleitos fizeram, né? Porque Deus viu, olhando lá da eternidade, que esses judeus haveriam de ser fiéis e de crer, e Deus então os elegeu com base nas obras que Deus previu. Eleição não é baseada em presciência; porque então ela seria baseada em obras; a eleição é baseada na graça de Deus; se é por graça, não é por obra; se não, graça não é graça. Graciosamente, soberanamente, Deus escolheu de entre a nação de Israel aqueles judeus que creriam em Jesus Cristo para receberem o perdão de pecados e serem salvos. Paulo de Tarso era um, aquele sete mil judeus lá na época de Elias também eram parte desse grupo; todos aqueles judeus que ouviram o evangelho, se converteram, foram batizados em nome de Jesus, esses fazem parte da eleição da graça, eleitos graciosamente por Deus para serem salvos. De tudo isso que ele disse está aí do verso 7 até o verso 10. Primeira conclusão; ele… ele introduz essa conclusão com uma pergunta: “O que diremos, pois?”, quer dizer, à luz disso tudo que eu acabei de expor, da existência do remanescente fiel, que prova que Deus não rejeitou completamente o seu povo, o que que nós podemos dizer aqui? Conclusão; nós chegamos à primeira conclusão: “O que Israel busca, isso não conseguiu”. Primeira conclusão: aquilo que Israel busca não conseguiu. O que que Israel busca? O que é que os judeus sempre buscaram? Ser justos diante de Deus, entrar no reino eterno, participar do Shalom, do milênio de paz com o Messias, reinar com o Messias sobre todas as nações, agradar a Deus, fazer a vontade de Deus; é isso que Israel sempre buscou, mas Paulo disse: “Não alcançaram”. E por que que não alcançaram? Porque eles não procuraram do jeito que Deus disse que devia ser; eles estão tentando a justiça de Deus; eles estabeleceram a sua própria justiça e procuraram ou obter o favor de Deus e a vida eterna através das obras, das obras da lei, do mérito, através da circuncisão, através da guarda da dieta religiosa, do calendário religioso e dezenas de outras leis que eles mesmos inventaram; se tornaram legalistas, uma religião baseada em ação humana e esqueceram a graça de Deus e a fé que eram exemplificadas no Antigo Testamento, por exemplo, no sacrifício de animais, no ministério dos sacerdotes que funcionavam como intercessores, tudo apontando para o Messias e para o sacrifício dele. O que Israel busca não alcançou; ou seja: muitos judeus pereceram e foram condenados; pereceram e se perderam, da mesma forma como hoje, como qualquer outro povo, como qualquer outra nação, qualquer outra etnia; se o judeu não crer em Jesus Cristo para ser como seu Senhor e Salvador, ele também não vai alcançar, como outras pessoas não alcançarão a vida eterna; é só mediante Jesus. O que Israel busca pelas obras não alcança, porque… porque por Cristo somente. Enquanto não se arrependerem, não crerem em Cristo, não somente eles, mas todas as nações estarão perdidas; não vão alcançar. Segunda conclusão de Paulo: “Mas a eleição alcançou”. Eles não alcançaram porque procuraram da maneira errada, mas os eleitos, que foram escolhidos por Deus soberanamente, graciosamente, eles alcançaram a vida eterna, porque… porque o propósito de Deus ao escolhê-los foi fazer com que eles cresçam; Deus abriu o entendimento deles, como, por exemplo, Lídia, aquela judia a quem Paulo pregou o evangelho à beira de um rio lá na cidade de Filipe, os Atos 16; enquanto Paulo pregava, o texto diz lá: “Deus abriu o entendimento de Lídia para que ela entendesse aquelas palavras”; era uma judia; Deus abriu o entendimento dela; a eleição alcança porque Deus abre o entendimento dos eleitos para que eles compreendam é Cristo, para que eles vejam o que ele fez na cruz, para que eles creiam na sua ressurreição; e sem isso, sem que Deus faça isso, e ele só faz nos eleitos, os demais… Terceira conclusão: “Foram endurecidos”. Endurecidos quer dizer o coração dele se tornou como que de pedra, sem se abrir para Cristo, sem se abrir para a verdade de Deus. Agora, é claro, a Bíblia ensina que Deus endurece quem primeiro se endurece; Deus endureceu a nação de Israel para ela não entender e receber o evangelho de Cristo Jesus na sua grande maioria, porque… porque consistentemente, sistematicamente, a nação de Israel rejeitou a Deus e os seus enviados, a começar de Moisés, a começar dos profetas, dos reis piedosos, dos juízes que Deus mandou; muitos foram mortos, outros foram rejeitados, outros foram escarnecidos. Você pode ler a lista lá em Hebreus, Capítulo 11, que chama esses homens de heróis da fé, rejeitados pela nação de Israel; mataram os profetas, e finalmente mataram o Filho de Deus. Como resultado, então, veio endurecimento sobre a nação para que não visse, não compreendesse, não cresse, não aceitasse e não fosse salvo. Começa… é uma afirmação pesada; Paulo comprova com duas citações do Antigo Testamento. A primeira tá aí no verso 8: “Como está escrito”, diz Paulo, “Deus lhe deu espírito de entorpecimento, olhos para não ver, e ouvidos para não ouvir, até ao dia de hoje”. Já o profeta Isaías havia anunciado que Deus haveria de derramar sobre aquele povo rebelde, não o Espírito Santo, mas o espírito de entorpecimento. A gente sabe o que é ficar entorpecido; às vezes a gente toma um remedinho para dor muscular, ou sei lá, para artrite, alguma coisa; é aquele remédio deixa a gente meio baqueado, né? A gente não pensa, não pode nem dirigir, né? A mente fica um pouco pesada e tudo; a gente fica entorpecido, não consegue… eu, pelo menos, não consigo ler, ou ler com atenção, né? O foco se perde; a… tem outros… outros exemplos que a gente poderia dar sobre entorpecimento; entorpecimento dos sentidos; os sentidos não funcionam bem. Deus derramou o espírito de entorpecimento sobre os judeus para que eles, vendo, não vejam, ouvindo, não entendam, como Paulo diz aqui no verso 8, e isso até o dia de hoje, até o dia em que Paulo estava escrevendo essa carta, e nós dizemos até os nossos dias. A segunda citação é de Davi, tá no verso 9 e 10, e é baseada no Salmo 69, de 22 a 23. Lá Davi disse, falando dos inimigos de Deus: “Torne-se-lhe a mesa em laço e armadilha, em tropeço e em punição”. A mesa é uma referência aos banquetes de fraternidade, de alegria; era momentos de celebração; era na mesa e ao redor da mesa que os judeus se ajuntavam para diante de um banquete, celebrar uma vitória ou celebrar aquilo que eles entendiam que era as grandes obras de Deus. Davi diz que estas coisas que parecem para eles motivo de celebração e de alegria, na verdade, se torne em laço, em armadilha, em tropeço e em punição; ou seja: aquilo que Israel se alegrava, Deus transformou em laço, tropeço e punição. E Davi continua: “Escureçam-se os olhos”; veja como é parecido com o que Isaías disse, que olhos fiquem escurecidos; quer dizer que eles não consigam enxergar, que eles não consigam ver, “para que não vejam, e fiquem para sempre encurvadas as suas costas”, como alguém que é escravo, que está servindo, ou alguém que teve a espinha quebrada; a espinha quebrada. Isso Isaías e Davi disseram da nação de Israel. É como se Paulo dissesse: “Esse endurecimento não sou eu que estou inventando; na própria lei dos judeus, nas Escrituras dos judeus, já estava profetizado que Deus haveria de mandar um espírito de cegueira, de entorpecimento sobre eles, e tal maneira que aquilo que eles julgavam que era motivo de festa, aquela mesa se transforma em castigo, em laço e em armadilha”. E com isso Paulo está explicando duas coisas: primeiro, porque aqui a nação de Israel, na sua maioria, rejeitou o Messias; resposta: tá aqui; o que Israel busca não alcançou; e Deus lhe deu espírito de entorpecimento; Deus endureceu o coração deles por conta de toda sua incredulidade. Segunda coisa que Paulo está fazendo aqui é dizer: “Todavia, essa rejeição não é total, porque entre os judeus há um remanescente fiel, eleito pela graça de Deus, que creu em Jesus Cristo, como eu, como aquele sete mil de Baal, e como centenas e milhares de judeus espalhados pelo Império Romano no primeiro século que creram em Jesus como Senhor e Salvador”.
O que que isso tudo tem a ver conosco hoje? Que lições nós podemos tirar para nós? Eu creio que nós podemos tirar algumas lições para nós. A primeira delas aqui, essa passagem, bem como o livro de Romanos, como um todo, aliás, como todo o Novo Testamento, perdão, como a Bíblia toda ensina: a salvação é um dom de Deus, é pela graça e pela misericórdia de Deus, e Deus faz isso aos seus amados, aos seus eleitos, que ele escolheu antes da fundação do mundo; os demais, Deus deixou entregues, entregues à dureza do seu próprio coração. E você me pergunta, pastor: “Como é que eu sei que eu faço parte desse povo eleito de Deus? Como é que eu sei que eu faço parte do remanescente fiel aqui na minha nação, no meio da minha família? Como é que eu sei que eu sou de Deus?” A resposta é: como vocês podem ver pelo texto, que ser eleito em Israel significava crer no Messias e saber que o caminho da redenção é pela graça de Deus e não por obras. Se você crê em Jesus Cristo como seu Senhor e Salvador, e a sua esperança tá nele somente, e o desejo da sua alma e da sua vida é servi-lo aqui nesse mundo, e você é eleito, tenha certeza da sua salvação e louve a Deus e glorifique a Deus por isso. Essa é a primeira aplicação que eu quero fazer aqui. Segunda: às vezes você pode pensar que você é o único que restou; às vezes é cristão, é alguma coisa bem solitário na universidade, no trabalho, na família ou na cidade; a gente olha assim para um lado e para o outro, diz: “Deus, é o fim; só sobrou eu aqui de fiel”. Saiba que Deus tem sete mil além de você, usando a figura, usando a expressão de Deus ao profeta Elias. Você não está só; Deus elegeu muitos para redenção e salvação; Deus tem muito povo nessa cidade; os eleitos são multidões de multidões, miríades de miríades; não foi essa a visão que João teve do trono de Deus no dia da glória? Uma multidão de miríades de miríades, de todas as nações, línguas, povos e tribos louvando a Deus e glorificando o nome de Deus. Então, você não está só; a sua fé é a mesma fé de milhões de pessoas nesse exato momento e de milhões de outras que já viveram em dois mil anos de história e antes de Cristo vir, como aquele sete mil fiéis na época de Elias. A nossa fé, ela é universal; ela é uma fé católica; a palavra católica significa exatamente isso, né? Que ela é do… é a palavra… é uma palavra que significa da totalidade do mundo conhecido, né? Que infelizmente ficou apropriada pela Igreja Católica. Mas a nossa fé católica no sentido de…
Que ela abrange o mundo todo, a milhões de pessoas que hoje professam a mesma coisa, que estão passando pelos mesmos sofrimentos. Então você não está só. Mas eu quero fazer aqui uma terceira aplicação disso que nós ouvimos hoje: é o fato terrível e extremamente difícil de falar de que Deus endurece pecadores. Deus endurece pecadores. Deus cega os olhos de pecadores. Deus lhes manda um espírito de torpor, de endurecimento, para que eles não vejam, não ouçam, não creiam e não se convertam. Eu sei que isso é difícil de ouvir, não é? Porque a gente está acostumado a um evangélico que diz assim: “Não, Deus não é assim, nem pensar. Deus, Deus quer salvar a humanidade toda; ele não sabe porque o homem não deixa. Deus quer salvar Fulano, mas Fulano não quer ser salvo. Então vale a vontade de Fulano. Deus quer salvar Maria, mas Maria não quer ser salva; então Maria vai para o inferno, e Deus dizendo: ‘Maria, Maria’, e Maria indo para o inferno. Deus não pode fazer nada”. Mas se o Deus que a Bíblia fala, esse Deus, nosso Deus, ele é soberano e ele é senhor de tudo e de todos, se você é salvo, você é salvo somente pela graça e misericórdia dele; se você vai ser condenado, você vai ser condenado porque o seu coração foi endurecido por conta da incredulidade do seu coração. Deus endurece quem se rebela contra ele, como foi a história de Israel. Esse espírito de endurecimento veio por conta da rejeição crônica de Israel. E eu fico pensando na quantidade de pessoas que há nas igrejas evangélicas que ouvem o evangelho desde criança, que cresceram debaixo da orientação de pais piedosos e crentes, e que se tornaram adolescentes e jovens, e jovens que se acostumam: entra no ouvido, sai no outro. Eles vão resistindo, resistindo, não querem, até que um dia Deus diz: “Então seja feita a tua vontade; vou entregar você ao seu próprio coração”. E agora Deus passa a endurecer. Tem uma passagem no Antigo Testamento a respeito dos dois filhos do sacerdote. Eles, esses dois filhos foram feitos sacerdotes depois dele, mas eles não andavam no caminho do pai; eles eram desobedientes, praticavam imoralidade com as mulheres na congregação, eles roubavam da oferta que o povo trazia para Deus, e grande era o pecado desses homens. E Deus mandou um profeta falar com eles, mas diz o texto lá: eles não quiseram ouvir, porque Deus os queria matar, porque Deus já estava resolvido a condená-los, de tanto eles resistirem à vontade de Deus. É o mesmo Deus. É o mesmo Deus. Tem pessoas que dizem assim: “Eu vou viver a minha vida, vou experimentar a vida, vou transar com meu namorado, viver uma vida legal, viver uma vida de pornografia, todos os prazeres que o mundo me dá. E aí, quando eu tiver uns 50 anos, eu vou me converter”. Você não pode se converter por você mesmo. Você não pode se converter por você mesmo. Você não tem condições de se regenerar, de abrir os seus próprios olhos. Você não consegue dobrar a sua vontade para que ela se curve diante de Cristo Jesus, não é quando você quer. Por isso que a Bíblia diz: “Hoje, se ouvirdes a sua voz, não sejais rebeldes”. Tá no Salmo que nós lemos, como aquela congregação de Israel no deserto. Buscai ao Senhor enquanto se pode achar, invocai-o enquanto está perto. Que Deus aplique essa palavra nos nossos corações, para que nós possamos nos regozijar na sua graça, em sermos parte do povo eleito de Deus, para o louvor da sua glória. O Deus faz com que essa palavra frutifique nos corações presentes aqui, de que ela produza o fruto que o Senhor determinou. Eu oro por aqueles que vêm endurecendo o seu coração, que estão procrastinando, adiando o dia de se arrepender e de te buscar, Senhor. Fala com estas pessoas antes que seja tarde. Nós oramos também pelo teu povo fiel que aqui se encontra, pelo remanescente fiel segundo a eleição da graça; renova-os, fortalece-lhes a fé, enche-os de alegria, para que vivamos para o teu louvor, em nome de Jesus, amém.