📱

Get Our Mobile App

Take your business learning on the go!

Download on the App StoreGet it on Google Play

Estamos sozinhos no Universo? | Nerdologia

Nerdologia9:05

Transcription

[Música] Sejam bem-vindos ao Nerdologia. Eu sou o Otávio, biólogo pesquisador. E será que vamos durar o suficiente? Hoje nós vamos ver quais são as chances de vida inteligente ao nosso redor. E por que ainda não ligaram de volta? Não recebemos nenhum contato alienígena.

Mas isso não quer dizer que estamos sozinhos no universo. Se olhar para cima, impressiona pela quantidade de estrelas que conseguimos ver. Elas são só uma porção bem pequena da nossa galáxia, a Via Láctea, que tem pelo menos 100 bilhões de estrelas. O universo visível tem pelo menos 10 trilhões de galáxias, o que soma mais de 10 elevado a 24 estrelas. Ou estrelas para cá, isso claro, se você não morar em uma cidade iluminada como São Paulo, onde, se muito, se vê a lua.

Para saber se temos companhia entre elas, o astrofísico Frank Drake bolou, em 1961, como fazer essa conta. Segundo a equação de Drake, o número de civilizações inteligentes na Via Láctea depende das estrelas parecidas com o Sol, nem tão quentes, nem tão frias, com planetas orbitando em uma zona habitável, que desenvolvem vida com inteligência, e quantas dessas civilizações inteligentes querem se comunicar. Tudo isso multiplicado pelo fator mais importante para esse episódio: a longevidade, ou seja, o tempo que uma civilização que pode se comunicar dura.

Como Lee Billings conta no *5 Billion Years of Solitude*, já sabemos dar os números para a primeira parte da equação. Como explicamos no episódio sobre exoplanetas, a maioria das 10 a 20 bilhões de estrelas parecidas com o Sol da nossa galáxia tem pelo menos um planeta em sua órbita. E, sendo conservadores, pelo menos um bilhão de planetas têm condições habitáveis só na Via Láctea. E se você viu Nerdologia sobre a origem da vida, sabe que tivemos sinais de vida aqui na Terra pouco depois que o planeta esfriou o suficiente para ser habitável, o que diz que as condições para a vida surgir na Terra não foram nada especiais. Ou seja, provavelmente boa parte desses planetas têm formas de vida, das mais simples. O que não sabemos é quantas delas são inteligentes a ponto de se comunicar e por quanto tempo.

Dependendo do quão provável achamos que é o surgimento da vida inteligente, chegamos na estimativa de entre uma e 10.000 civilizações inteligentes na galáxia. E essa variação é onde está toda a diferença. Nossa longevidade, a fração de tempo em que humanos são capazes de se comunicar além do nosso planeta, é de mais ou menos 100 anos, com a invenção do rádio. E, por enquanto, continuamos presos aqui na Terra.

Mas, como Tom Murphy calculou, nosso consumo de energia tem crescido pelo menos 2% por ano nos últimos séculos, o que equivale a aumentar 10 vezes a cada 100 anos. Se essa tendência continuar, em 2400 vamos consumir mais energia do que o Sol manda para a Terra; no ano 3400, mais energia do que o Sol produz. Ou seja, uma hora precisaremos sair daqui para, pelo menos, conseguir energia. E quem bolou um jeito de fazer isso foi o John Von Neumann. Ele imaginou uma máquina capaz de se autorreplicar, que poderia ser lançada como uma sonda para pousar em um planeta ou asteroide, onde ela passaria anos fazendo outras sondas que podem partir para outros sistemas e fazer o mesmo.

Com essas sondas de Von Neumann, em menos de 100 milhões de anos, uma civilização poderia visitar toda a nossa galáxia. 100 milhões de anos pode parecer muito, mas na escala galáctica não é. A Terra tem um pouco mais de 4 bilhões e meio de anos, e mesmo assim é nova. A Via Láctea tem por volta de 10 bilhões, e a maior parte dos planetas habitáveis nela tem entre 6 e 8 bilhões de anos. Ou seja, mesmo se a vida inteligente surgiu muito cedo aqui na Terra, esses outros planetas têm bilhões de anos de adianto.

Então, com tantos planetas habitáveis e tempo mais do que suficiente para cobrir a galáxia, onde estão os nossos vizinhos? Esse é o paradoxo de Fermi, que, como o astrônomo Robert Gray conta, não é nem um paradoxo, nem de Fermi. Na verdade, é um argumento inicialmente feito por Michael Hart para a pergunta: se houvesse vida inteligente na galáxia, ela não teria colonizado a Via Láctea? Então por que não fomos contatados? Ele dá algumas soluções, como a viagem interestelar ser inviável (o que Fermi se perguntava), ou a viagem é viável, mas os extraterrestres resolveram não vir para cá; ou ainda existem colonizadores espaciais, mas não chegaram no nosso canto da galáxia; ou eles passaram pela Terra no passado, quando simplesmente não poderíamos registrar que estiveram aqui; ou pela hipótese zoológico, vieram, mas estão só nos observando; ou nós não somos capazes de perceber que já estão aqui porque são muito mais complexos do que conseguimos compreender. Qualquer resposta dessas seria melhor do que a alternativa: o grande filtro, para Robin Hanson.

Se temos tantos planetas habitáveis e nenhum contato, pode ser que algum evento importante impeça o surgimento de vida inteligente capaz de nos contatar. Algum passo entre a origem da vida, o surgimento de vida complexa, o surgimento de inteligência, ou entre o estágio onde estamos agora e uma civilização durável suficiente para ser capaz de explorar o espaço pode ser tão improvável que ainda não tem colonizadores de galáxia. Podemos já ter passado por esse filtro.

Em *The Vital Question*, Nick Lane aponta o surgimento das células complexas com mitocôndrias como algo extremamente improvável, que só aconteceu uma vez na Terra e levou quase 2 bilhões de anos para isso. Pode ser que o surgimento da vida inteligente seja muito raro, ou porque a inteligência surge muito raramente, ou porque demos a sorte de estar em um período tranquilo da Terra, sem meteoros ou mega vulcões, e longo o suficiente para animais inteligentes se desenvolverem. Nesse caso, nós seríamos a primeira ou uma das primeiras civilizações a passar pelo grande filtro, e estamos entrando em uma era dos seres conscientes no universo.

Ou, no pior dos cenários, é até fácil de chegar onde estamos, mas a longevidade é curta; ainda tem algum grande filtro pela frente que acaba com qualquer civilização antes de conseguirmos desenvolver a tecnologia para a colonização, porque elas colapsam, ou porque outra civilização que já chegou lá elimina a concorrência. Por isso, descobrir formas de vida simples em outros planetas pode ser um mau sinal. Se não temos contato inteligente, o grande filtro ainda deve estar pela frente, e é uma questão de tempo até descobrirmos.

Enquanto isso, como Neil deGrasse Tyson, continue olhando para cima. E nessa quarta, como toda última quarta-feira do mês, tivemos um novo episódio do Nerdologia Tech, sempre oferecido em parceria com a Alura, cursos online de tecnologia. Nesse novo episódio, falamos sobre testes A/B, como a web é aprimorada e como todo mundo vira cobaia na internet. A Alura, que participa desse episódio, tem a carreira de UX Designer, que ensina como apresentar o seu produto ao usuário, até a forma como ele lida com o seu produto; e a carreira de Marketing Digital, para poder levar o seu produto ao encontro de um potencial usuário, a famosa jornada do cliente. E quem assinou Nerdologia tem 10% de desconto nos planos da Alura. Visite www.alura.com.br/supertec e aproveite para conhecer como desenhar esses testes. E não se esqueça de ver o episódio se já não viu.

Nesse episódio, eu cito o livro *Five Billion Years of Solitude*, do Lee Billings, um ótimo livro para entender que tipo de sinal que nós buscamos no universo, como buscamos exoplanetas e, de quebra, ainda tem um pouco de geologia da Terra. Recomendadíssimo. E também tem *The Vital Question*, do Nick Lane, que também não foi traduzido, que trata justamente de como surgiu a vida mais complexa aqui na Terra. Já recomendei no episódio sobre origem da vida lá atrás, e no episódio passado sobre déficit de atenção.

Para quem afirmou que o Leon Eisenberg disse que o TDAH é uma mentira, isso é um boato. Ele realmente foi muito importante na área, mas, como A.J.D. Nation conta, o que ele denunciou no fim da carreira foi o excesso de diagnósticos e tratamentos nos Estados Unidos, não que o déficit de atenção não existe. Por isso mesmo eu recomendei o livro; ele trata dos dois pontos: de onde vem a nossa noção do déficit de atenção e como isso foi extrapolado demais no caso americano. Mas, como Daniel Barros e Ana Arantes afirmaram em relação ao episódio anterior, o problema no Brasil é o oposto: a falta de noção e de diagnósticos legítimos de Déficit de Atenção no Brasil. E para quem se perguntou por que que eu falei que o tratamento também depende de medicamentos, eu vou usar aqui os comentários dos dois profissionais que revisaram o roteiro anterior: na prática e na literatura científica, só em alguns casos não precisa de medicamento. Se é um nível que não precisa de medicamento, não é transtorno. Então não se esqueça de curtir, compartilhar o vídeo e assine o canal com mais vida inteligente nos comentários. E até a próxima! [Música] Quinta! [Música]