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NR01 - As Mudanças que Passam a Valer a Partir de Maio

TV CRCPR51:56

Transcription

[música] [música] [música] A ideia de que a segurança do trabalho é uma pauta meramente técnica ou restrita a engenheiros e médicos já não faz mais sentido. Cuidado. As novas diretrizes da NR1 para Maio já fazem parte da realidade estratégica e jurídica de todas as empresas e escritórios contábeis. Sejam todos muito bem-vindos. Sou o Alberto Barbosa, conselheiro efetivo do CRC Paraná. Este evento é uma iniciativa da comissão do empresário contábil do CRC Paraná. E hoje o nosso tema é a NR1, as mudanças que passam a valer a partir de maio. Esta aula aborda o impacto da nova norma nas empresas, com foco prático na gestão de riscos psicossociais e na comprovação de ações de segurança. Teremos como cuidado com a saúde mental é um investimento estratégico do desenvolvimento humano, indo muito além da mera conformidade legal. Antes de começarmos, este vídeo tem 5 dias para ser hypado. Se você valoriza conteúdo técnico de qualidade, clique em hypar e ajude as nossas a nossa classe contábil a ganhar relevância no YouTube. Para nos guiar, recebemos Ana Maria Masqueto. É psicóloga clínica, organizacional e do trabalho, especialista em treinamento, desenvolvimento de líderes e equipes. Pós-graduada em psicopedagogia, psicóloga, psicologia organizacional e gestão de pessoas, formação em coach executive e análise transacional 101, especialista em desenvolvimento humano e proprietária e diretora do Instituto Lotus, Desenvolvimento Pessoal e Corporativo. Ana Maria, é um privilégio tê-la conosco. Seja muito bem-vinda à Comissão do Empresário, a TV CRC Paraná. A palavra é sua.

Muito obrigada, conselheiro Alberto. É, é uma alegria estar aqui, né, ter essa oportunidade de conversar com vocês sobre um tema tão relevante e me deixa um tanto quanto emocionado a gente conciliar contabilidade e psicologia, né? É até um dos grandes, né, eh desejos meus sempre foi de fazer grandes e produtivas provocações no intuito da gente unir as profissões, né? Eu sempre sempre trabalhei com a psicologia organizacional, desde a minha formação. Trabalhar nas empresas significa que a gente está com pessoas de diferentes profissões, de diferentes níveis de instrução, de histórias de vida. Então é uma complexidade muito grande e nesse momento, né, ter a oportunidade de falar um pouco mais abertamente, de forma bastante resumida aqui sobre também de forma resumida, saúde mental, né, é muito gratificante. Então agradeço muito esse espaço pra gente conversar sobre e esse é o nosso tema aqui que a gente vai discorrer um pouco a respeito dele, né? Então fique aberto eh para me fazer perguntas. Gosto dessa interação e acredito que isso agregue muito eh nesse nosso bate-papo, né, assim que eu costumo colocar. Então, falar sobre a NR01, né, as mudanças que passam a valer a partir de maio. Então, o ano passado a gente já começou a falar eh a respeito desse tema, né, e agora estamos aí as empresas teoricamente estão tendo esse tempo para se eh prepararem para tomarem medidas e ações. E a norma começa então a valer agora, né? Então, me permitam, vou mostrar algumas alguns dados aqui para vocês. O que que eh o que a lei diz, né? Então, a NR01 foi atualizada, então, lá de acordo com a portaria do Ministério eh do Trabalho e Emprego, a lei número 1419, de 27 de agosto de 2024. Então, a partir de agora, 26 de maio, mais especificamente, é que ela começa a entrar em vigor. Então, eh, o que que é essa norma? Então, ela obriga o mapeamento de todos os perigos, incluindo fatores ergonômicos e psicosociais, né? Então, a gente vai se ater aqui os fatores ergonômicos, sim, já vinham tendo algum acompanhamento e o foco maior agora são esses riscos psicossociais que a gente já fala um pouquinho melhor sobre ele. Então, como eu disse lá no início, né, de forma resumida, aqui o que nós falaremos eh saúde mental passou a ter o mesmo peso legal que os riscos físicos, químicos e biológicos. Então, a gente vai avançando um pouquinho aqui, mas a gente já fala mais especificamente sobre o que é. Então essa lei a 14.457 1457 2022 de 22 exige medidas concretas contra assédio e violência no trabalho. Então são as novas mudanças que nós passamos a ter a partir de 26 de maio.

Ana, com licença. Antes de passarmos aí para a página dois, eu gostaria de abrir um parêntese. Esse início já gera muita curiosidade na nossa área para nós contadores, empresários da contabilidade, enfim, para todos os empresários. O que na prática a empresa precisa providenciar agora?

Ótimo. Então vamos lá para a prática de vocês contadores, inclusive, né? Se eu posso trazer um pouco mais de indicadores que concretize mais o que é tudo isso. Então, vamos lá. Eh, o que que essa fiscalização vai ver, né? Então, o fiscal eh vai visitar as empresas para ele olhar o que é que de fato está sendo feito com relação a tudo isso. Então, ele vai ver quais são as políticas internas sobre a saúde mental e a prevenção de violência. O que é que se tem feito diante de todas essas esses riscos psicossociais, né? E aqui é bem importante a gente abordar que, né, principalmente por eu ser psicóloga falando isso, trazer esse esclarecimento para vocês, né? Depois eu posso reforçar um pouquinho mais sobre isso, mas não é necessariamente sobre cada trabalhador e sim esses riscos psicossociais, a gente está falando aqui de saúde mental no ambiente de trabalho, tá? Então, o PGR, né, que que é esse PGR? O programa de gerenciamento de riscos. Teoricamente, todas as empresas deve ter alinhados lá ao eSocial, né? Então, eh, dentro do do PGR que a gente fala, vai ter que ter lá o inventário, incluindo esses fatores de riscos psicossociais. Então, o inventário, o que é, né? Então, de posse de um inventário, né, que são perguntas e aí setorizadas ou para a empresa como um todo. Então, o tipo do negócio aqui também vai ter uma interferência muito grande na condução de como vai ser feito tudo isso, né? Então lá é feito esse inventário onde os colaboradores passam por uma sensibilização, respondem a esse questionário e de posse desse levantamento é que vai dar todo o norte ou que vai mapear quais são os planos de ação a ser a serem desenvolvidos. Então aqui entra a parte estratégica, que são os planos de ação. E aí o que precisa ter também, o que que a fiscalização vai olhar dentro disso tudo? Quem são os profissionais responsáveis? Então vamos desenvolver eh os líderes. Então quem vai ser o profissional? O que é que vai ser tratado? Vamos, vamos supor aqui que seja um, um treinamento de desenvolvimento de líderes, né, ou um programa de desenvolvimento de líderes, quais são os temas abordados, eh quanto tempo vai ser realizado esse treinamento e o acompanhamento de tudo isso. Então, listas de presença, né, eh atividades que sejam realizadas, tudo isso precisa estar comprovado, tá? Canais de comunicação e denúncias com sigilo, né, para o tratamento adequado, principalmente quando a gente fala, né, um tema bastante relevante, muito falado hoje, que é eh o assédio, principalmente assédio moral, né? Então, as empresas precisam ter canais de comunicação, canais de denúncia para que isso seja tratado com sigilo, mas da melhor forma profissional, procurando minimizar ou extinguir esses riscos, né? Então, os registros desses treinamentos, como eu disse para vocês ali anteriormente, tudo isso precisa ser registrado. Quais são as Quais são as ações, quais são as melhorias que são implementadas? Então, os resultados que isso já vem gerando também precisam estar eh todos dentro desse desse eh planejamento, desse programa, para que realmente tudo seja visto por lá, né? Então, a fiscalização vai ver tudo isso. E esse diagnóstico aqui é um ponto também bem importante, tanto para vocês contadores quanto para orientação eh dos seus clientes, né, que esse diagnóstico é válido por 2 anos. Então, claro que o desejo é que a gente sempre faça, né, seja contínuo, seja de forma sistemática, com com consistência, principalmente dependendo dos temas levantados, porque eh quando a gente fala de comportamento humano, são essas doses homeopáticas que vão contribuindo para isso, tá? Então, se eu te respondi aqui, conselheiro, é isso que a fiscalização vai ver e é tudo isso que precisa estar registrado, OK? Dando sequência, depois abro para mais espaço, fica à vontade para me interromper, né?

Então, como que é isso? Então, a identificação desses perigos para se fazer o inventário. Lembra que eu falei anteriormente ali, né? Então, a gente só vai conseguir eh fazer um inventário assertivo que nos traga aquilo que realmente nós queremos e precisamos detectar nas empresas a partir desse levantamento. Então, eh, a gente tem algum alguns perigos já, eh, elencados, né? Então esse é o norte do nosso trabalho, é a bússola que faz principalmente com que a gente não entre nessa questão individual e sim de forma coletiva. Então o que eu coloquei ali para vocês, sempre com relação ao trabalho. Então, alguns tópicos aqui que precisam ser contemplados nesse inventário num primeiro momento, que é a sobrecarga de trabalho, pressão por metas, assédio moral, falta de autonomia, conflitos interpessoais, jornadas extensas. Então isso tudo precisa ser contemplado. Lembra que eu comentei com vocês? Ou por área, por departamento, por setor. Eh, tudo isso precisa realmente ser inserido lá no inventário. E aí, o que que você vai fazer de posse disso, né? Qual é a leitura que se faz para termos esses indicadores concretos e direcionarmos essas ações? Avaliação do risco, que é a frequência dessa exposição, o número de expostos, histórico de afastamento, queixas formais recebidas, né, principalmente o RH, eh, nessa hora é um grande eh, braço extremamente estratégico, tanto na identificação quanto na contribuição para que todo esse processo aconteça da melhor forma possível, porque isso tudo é muito muito novo, inclusive para o colaborador, né? Então, desmistificar algumas coisas com relação ao medo de se expor, né? Eh, tudo isso é muito significativo e a gente precisa ter esses cuidados para que, de fato, a gente consiga ter evidências que nos levem a ter ações que realmente venham trazer essas respostas e venham trazer trabalhos efetivos para que hajam mudanças nesses ambientes de trabalho e consequentemente essas dificuldades de forma geral sejam minimizadas ou eliminadas, que é o nosso grande desejo, tá? Então isso nós precisamos eh focar, OK?

Seguindo lá, então, quais as consequências, né, desses riscos psicossociais? Então, já eu venho com alguns números aqui pra gente reforçar isso que eu estou dizendo para vocês, né? Mas, eh, hoje a gente vem dando mais nomes a tudo isso, né? Se lá atrás, principalmente, eu trago aqui para vocês, né? falo com muito orgulho, que acho que eu sou uma quase que uma das pioneiras dentro desses quase meu 30 anos, meus 30 anos de formação e atuação na área organizacional, o quanto a gente vem evoluindo e dando nomes a tudo isso que vivenciamos nos ambientes de trabalho, né? Então, a gente sabe, trabalho dá trabalho, né? Eu me lembro de uma palestrante que ela sempre dizia assim, né? Trabalho dá trabalho, porque se não chamasse trabalho chamava miojo, né? Que era um negócio fácil. Então aqui o trabalho realmente tem o seu significado, mas o que vem acontecendo, o que a gente tem dado nomes e que tem dado, temos dados relevantes que tá fazendo com que a gente tenha inclusive um novo olhar para tudo isso, né? Então, são as consequências que nós estamos tendo. Então, já deixo a dica aqui para vocês, tanto para as suas empresas quanto para empresas dos seus clientes, eh o quão importante é a gente estar atento ao número de afastamentos, o o absenteísmo, a rotatividade. Então, fazermos em boas entrevistas de desligamento, contribuir muito para que a gente consiga trazer esses dados de forma fidedigna, fidedigna e com isso a gente consiga atuar direto nas causas também é extremamente importante. Mas aqui as consequências principalmente para os colaboradores, né? A síndrome de burnout que a gente tem falado tanto, né? Se vocês eh derem um Google ali, enfim, né, vocês vão encontrar inúmeros eh cases, inúmeros dados, inúmeras informações a respeito do burnout, né? Então, eh, ele tem sido um, né, um dado bem agravante que também traz um sinal de alerta muito grande para todos nós, empresários, colaboradores, seres humanos, né? A ansiedade, que todo mundo vivencia isso e que tem o seu grau de importância, o seu grau de relevância para que a gente seja produtivo. Mas aqui o que que é importante a gente entender que tudo aquilo que em excesso acaba sendo prejudicial e com a ansiedade não é diferente, né? A depressão, que temos casos, números, né? já falamos da da doença, que é o mal do século. E aí temos também problemas físicos como insônia, dores crônicas, né? Então, por aqui a gente já tem um um dado bem significativo que trouxe esse olhar para que realmente a gente consiga avaliar o que é que de fato está acontecendo para que a gente consiga ter medidas para minimizar tudo isso. E pras empresas, quais são as consequências aqui? Então, ó, aumento desse obenteismo, a rotatividade, a queda na produtividade, reclamações trabalhistas por dano moral, né? Então, vocês que estão bem relacionados ali, que fazem, né, em muitos dos trabalhos que vocês ofertam, os seus clientes tem contato com tudo isso, né? Ações que envolvem o assédio moral, né, também tem sido uma crescente muito grande e afeta, né, qual é a consequência disso para a empresa. Então, eu sempre digo assim que eh é sim o financeiro diante disso tudo que a gente tem, mas eu penso que hoje inclusive uma grande preocupação e que eu vejo, né, que tem uma grande consequência é com a reputação das empresas. Ah, mas eu moro numa cidade grande, ninguém, eu sou mais um no meio do oceano, mas as pessoas comentam e esse tipo de informação, como estamos dando nomes a tudo isso hoje, então se é uma empresa onde eu já ouvi falar que é um ambiente tóxico, eu posso garantir para vocês, pessoas que estão buscando oportunidade no mercado de trabalho ou eh RH, selecionadores que buscam esses profissionais pela bagagem que ele tem para trazer para as empresas, eu digo para vocês, abrem mão por conta de ambiente de trabalho, né? Eu já fiz muito processo seletivo hoje, não mais, né, com com tanta frequência quanto eu fazia, porque eu eh eh foquei especificamente em treinamento, desenvolvimento, em trabalhar essas questões todas de ambiente de trabalho, mas eu tenho contatos com colegas que realmente dizem isso. E hoje, né, algo a mais aqui pra gente também ter, né, no nosso radar, que com a inteligência artificial, com as mídias sociais, né, qualquer coisa que você poste, é uma oportunidade das pessoas também fazerem comentários nesses posts, que eu já vi muita coisa sobre isso também. Então, cuidados que a gente precisa ter realmente e o impacto que a nossa empresa eh causa na sociedade de forma geral, né? Então, revisar missão, visão, valores, não só ter um quadrinho bonito, né, que é lindo na teoria, mas que não na prática. Então, hoje essa congruência entre o pensar e o agir dos empresários, dos gestores de forma geral, precisa estar realmente muito alinhado, que isso tem uma consequência e um impacto muito grande nas nossas empresas.

Seguindo lá, então, falando, falei para vocês, né, que mostraria alguma coisa com relação a isso, eh, não só das consequências, mas alguns números muito relevantes que nos chamam muito atenção, né? né? Então, só em 2025 foram mais de 546.000 afastamentos relacionados à saúde mental em todo o Brasil. Então, olha só que significativo, né? um aumento de 15% em relação ao ano anterior. Então, um alerta foi ligado aqui no Ministério do Trabalho e Emprego. Então, parte desses adoecimentos estava ligado ao ambiente organizacional. E o Tribunal Superior do Trabalho, TST, né, recebeu cerca de 142, bom, vou arredondar aqui, 143.000 novos processos por assédio moral no trabalho. Então, um aumento aí de mais de 22% em 2024. Então, os o Ministério eh dados do Ministério Público do Trabalho mostra ali que em 2025 foram recebidas mais de 18.000 relatos de assédio moral, né? Então, alta de 26,9% em comparação a 2024, né? Então, números aí aproximados, enfim, né? Estamos contando que isso foi formalizado através de um canal de ética e quantos outros não estão registrados. Então, um aumento extremamente significativo que faz com que nós pensemos, né, o ambiente, os ambientes organizacionais estão também contribuindo para o adoecimento das pessoas. E aí isso é um rombo muito grande, né? Então vamos lá ainda para alguns números relevantes. O o INSS esclareceu que as pessoas passaram em média 3 meses afastadas, recebendo em média R$ 2.500. Então, pra gente ver o quanto isso realmente tem impactado eh no nosso governo, no nosso país de forma geral, né? Mais alguns dados aqui. O Brasil é o segundo país com mais diagnósticos no mundo. Então, o que que vem ali, né? Eh, eh, em grande em grandes proporções. Então, meta, pressão por metas e reais. Hiperconectividade, né? Então, a gente se, não vou dizer nem antigamente, porque não é tão antigamente assim, né? Se algum tempo atrás a gente tinha as conversas por e-mail, no máximo um telefone, hoje a gente tem inúmeros aplicativos, né, dependendo do porte da empresa, e é grupo para isso e grupo para aquilo outro, né? e os grupos de bate-papo internamente e não tem necessariamente um padrão, porque todas essas são eh possibilidades de nos conectarmos às pessoas. Além disso, a questão de tudo para ontem, né? Então, mais a precarização do trabalho, que que a soma disso tudo traz para nós adoecimento. Então, trouxe ali para vocês os dados e, né, complementando aqui o que eu venho dizendo para vocês, os transtornos mentais já, olha um número que que dado expressivo pra gente eh ter bem no nosso radar um em cada sete afastamentos. pelo INSS. Então, pra gente ver como realmente a saúde mental passou, né, passou de ser, ah, isso é frescura, quantos conceitos distorcidos a gente sempre teve, né? Me lembro ali que no início da minha atuação profissional, o quão pouco se falava sobre isso, né? A gente procurava trabalhar temas que fossem mais relacionados à questão técnica, né? se permitem fazer essa provocação aqui em vocês contadores também, né? O quanto que o olhar de vocês vai para números, para questões práticas, para questões técnicas. E a gente só vai, né? A gente só vai nesse batidão de que é necessário. Hoje o que a gente traz eh são pessoas que vem falando mais sobre isso. Sim. Eh, os números que eu represento são significativos, produtividade é importante, o meu desempenho é medido pelo batimento de metas, né? Trabalhar até mais tarde ou trabalhar todos os dias, fazer várias horas extras, eh, significado de comprometimento. Hoje a gente já vem trazendo um viés um pouco diferente disso, né? a gente já vem trazendo o quão é necessário termos esse equilíbrio, né, entre vida pessoal e vida profissional. Então, conforme a gente vai caminhando, dar nomes a tudo isso começa a contribuir para que tenhamos significados, né? Começa para que a gente também olhe para dentro de nós mesmos e entenda nossos limites, né? Então, a gente vem eh de gerações de uma cultura social eh eh se pegarmos dados históricos, né, sempre dessa produtividade muito alta. Eu gosto muito de trabalhar com mindset, né, as crenças limitantes, eh aquilo que realmente eh faz com que a gente crie algumas histórias para nós e nos limitemos muitas vezes a isso como verdades absolutas. Hoje a gente já começa a questionar um pouco mais, né? Então, hoje se fala sobre ócio criativo, né? Eu gosto muito dos ditados populares. Tem um especial que ele fala eh eh principalmente os mais antigos, né? Que não podiam ficar parados ou final de semana em casa. O que que era muito comum os pais dizerem: "Vai caçar o que fazer, né, na sua linguagem mesmo? Vai procurar o que fazer. eh, cabeça vazia, oficina do diabo. Então, a gente cresceu muito com isso e trazemos muito esse olhar, né? Então, toda essa pressão que a gente vivencia hoje, a gente tá começando a ter um olhar diferente. Pera aí, eu posso ser produtivo, mas eu preciso me matar de trabalhar, né? Então, a produtividade não necessariamente eh está ligada a eu estar o tempo todo fazendo alguma coisa, né? Então isso, gente, até importante a gente trazer eh para falarmos sobre inclusive os acidentes de trabalho, né? Então, técnicos de segurança do trabalho, eh muitos estudos com relação a isso, né? Eh, isso tudo é bem importante a gente trazer, por o fato de estarmos necessariamente ocupados não significa que nós estamos sendo produtivos. E aí aonde as coisas começam a acontecer de forma não tão adequada como deveria. Esse é um termo que a gente pode colocar tanto no ambiente de trabalho quanto para a própria saúde emocional desse trabalhador.

Seguindo mais um pouquinho aqui, então, ó, o adoecimento afeta. empresas. Olha lá, em 2025, ações trabalhistas por burnout geraram 3,63 bilhões em passivos para as empresas. Então, contadores, vocês que gostam de números, tenho alguns aqui para me ajudarem nessa sensibilização aos empresários, né? por da gente também tá trazendo para o ambiente organizacional e principalmente pro ambiente organizacional todo todos esses dados para que a gente realmente possa trabalhar tudo isso, porque é onde passamos a maior parte do nosso tempo, né? Então, pra previdência social, os gastos com auxílios cresceram em 68% em 2 anos. Então isso é extremamente representativo, né, Alberto? Tô vendo que você está aqui comigo.

É perfeito, Ana. Tô aqui refletindo sobre esses números, esses indicadores e gostei muito ainda quando quando você traz essa essa questão do que que a gente vivenciava no passado, né? E hoje a gente tá transformando isso em números, inúmeros preocupantes. Se a gente olha aí um passivo de 3 bilhões de reais para as empresas no país, isso é preocupante para todos nós, né? Em termos de quanto quanto sociedade, em termos quanto empresário e reflete diretamente na nossa profissão, né? Mas, o Ana, aproveitando o assunto, eu preciso te perguntar sobre o que mais preocupa os nossos clientes, evidentemente, né? Com relação às penalidades, o que esperar quanto às multas?

Muito bem, né? Eu eu já me preparei, né, assim, não tenho esse olhar tanto para números assim, mas também tenho aprendido bastante com vocês, né? Então, vamos lá. Tenho aqui para vocês também, então, falando um pouquinho sobre as multas, né, quanto ao descumprimento da lei da norma NR01. Então, falando em números objetivos aqui, né, eh os valores variam entre R$ 400 e R$ 6.700 R$ 700 por infração. Então, cada item daqueles que eu vi com vocês lá atrás, eh, se não estiver incluído, eh, na, ou se ele está incluído, mas ações não foram tomadas, ou, ah, fiz o levantamento, apliquei o diagnóstico ou, né, apliquei o inventário, tenho aqui o diagnóstico, mas nenhuma ação foi feita com relação a esse item que deu um risco muito alto, né? Porque tem ali o alto, moderado, né? Eh, me fugiu a palavra aqui agora, mas, né? Eh, baixo, tá? Risco baixo. Vamos supor que sejam essas três nomenclaturas que a gente utilize ali. Então, se você tem essas ações dessa forma, eh, e não fez nenhuma ação com relação, por mais que os outros itens você esteja fazendo treinamento, você esteja melhorando ergonomia, você esteja melhorando o ambiente como um todo para o trabalhador, eh, a multa vai existir, tá? Então, todos os itens precisam estar caminhando juntos dentro desse diagnóstico levantado. Então, se tem riscos moderado a alto ali, você precisa estar praticando alguma ação. Se não estiver, alguma infração, você vai receber por item que está lá na NR01, tá? E aí aqui é importante também trazer para vocês que é por colaborador, tá? do número da empresa da empresa. Então, a fiscalização é um dado bem importante aqui pra gente também ter isso no radar, na argumentação, principalmente com os nossos clientes, né, do que do que fazer, por que fazer, inclusive, né? Então, a fiscalização ela não multa somente pela existência do risco. Então, por você não identificar, não avaliar e não implantar medidas de prevenção, você também está sendo penalizado. Então, ah, sei que tem a NR01, a gente tá em processo. algumas ações vocês precisam já estar fazendo, porque se receber a visita de uma fiscalização, ele não quer saber eh a gente está se preparando, tivemos esse um ano para nos preparar, agora já é hora de a gente praticar e não mais vamos ver o que nós vamos fazer, né? Parece complexo tudo isso que eu tô trazendo para vocês, porque, principalmente com relação a esses dados todos, eh, eles não são necessariamente tão palpáveis, mas a gente tá trazendo tudo isso para números, para indicadores, para que realmente a gente possa trazer essas melhorias, eh fazer essas ações comprovadamente, como eu disse para vocês ali. Então, eh, preciso sim ter um plano de ação, né? eh eh que tenha dono, inclusive, né? mas eh que tenha tudo registrado. A responsabilidade não é necessariamente da pessoa que está na coordenação desse trabalho. Então, aqui também é importante a gente trazer que dentro desse trabalho pode ser que tenha uma equipe multiprofissional, porque o que se foi levantado lá nos riscos psicossociais a necessidade de uma formação específica que não necessariamente o psicólogo tem para agir, atuar em cima daquilo que foi levantado, né? Então, precisamos ter dono. E algo bem importante aqui que eu trago dentro dessas provocações para nós é que mexe com a cultura organizacional. Então, aquilo que eu disse sobre missão, valor, eh, visão, valores, os pilares, né, das organizações, como muitas têm colocado hoje, não dá para ficar só lá numa intranet, não dá para ficar somente num quadro exposto, não dá para ficar somente lá no site da empresa. ela precisa ser realmente praticada e isso vai impactar tanto na reputação dela perante a lei quanto perante aos colaboradores que também t o direito de escolher quererem trabalhar nessa empresa ou não, tá? Eh, depois podemos voltar se ficar alguma dúvida com relação a isso.

Então, Ana, mas a minha empresa tem três funcionários. Então, o que eu quero dizer aqui para vocês, não existe um número mínimo de funcionários, certo? Eh, de um, tendo um funcionário, já é necessário que se faça. A exigência vale para a empresa de qualquer porte, inclusive aquelas com apenas um trabalhador. O que vai mudar aí é a forma como vai ser avaliado, tá? Então, pode ser de uma maneira mais simples ou de uma forma mais estruturada. Então, vai depender muito do tamanho da organização. Por isso que eu sou uma grande defensora, temos ali eh como medir, né, os riscos psicossociais, mas é um trabalho bastante estratégico e peculiar, personalizado para aquele tipo de negócio, para o número de colaboradores que a sua empresa possui, OK? E ali, então, que que a gente vai fazer agora?

Alberto de novo. Eu aqui. Nossa, Ana, a multa não é parece cara, né, Ana? Não, não, aparentemente não é, mas dependendo do número de colaboradores e sem contar, né, Alberto, deixa eu voltar aqui um pouquinho, eh sem contar que eh o impacto disso para as empresas, né, eh dentro disso que eu estou falando de reputação, de como as pessoas veem essa empresa. Então, isso se hoje a gente já tem uma grande dificuldade, uma grande demanda, poxa, eu não encontro profissionais, Ana, o pessoal não tá querendo trabalhar. Essa é uma queixa que eu encontro, né? Como eu estou em várias empresas de ramos diferentes, as pessoas sempre me dizem: "Como tá difícil contratar, né? Como tá difícil contratar." Então, isso também as pessoas estão valorizando no momento delas fazerem as escolhas de onde elas vão, né? Eu soube esses dias, te interrompendo te mais um pouquinho aqui, Alberto, eh de uma empresa que fechou porque a pessoa tava se desdobrando, abria e chupava cana ao mesmo tempo, porque não tinha colaboradores para fazer o trabalho. Olha que loucura que nós chegamos nesse sentido.

É, a gente ouve frequentemente, né? Eu parei, eu saí por causa da pressão, motivo de pressão. Então, acho que eh a NR1 ela pode ajudar a contribuir para as empresas, né? Trazer, quer dizer, se nós olharmos R$ 400 numa multa, vamos dizer assim, ou R$ 67.700 700 por infração. E lembrando, né, que pode se pode número pode crescer. Ele se comparar em termos de valores não parece tão alto. Agora o reflexo como você trouxe nos números anteriores são muito grande para as empresas em termos econômicos, termos de impactos em resultados e o pior, né, que é os os impactos subjetivos, que é a reputação. Isso que é o que o que pesa muito mais aí para uma empresa parar de ter sucesso, vamos dizer assim, para não falarmos ter um insucesso ali na frente, né? Mas Ana, a minha interrupção foi especificamente que para quem deseja implementar ações, o que você recomenda que seja feito de imediato, uma vez que maio já tá aí, nós já estamos aí eh quem 60 dias aí para para implementar isso.

Exato. Então, olha lá, que que a gente tem que fazer agora. Então, orientações que eu trouxe aqui de forma geral para as empresas que ainda não se adequaram. Então, escolher um parceiro sério, isso é extremamente importante, porque isso tudo tem que tá ligado ali, ó, no no critério da escolha do instrumento. Então, pode ser que tenhamos inúmeros profissionais, mas a gente precisa ligar lé com cré. Se isso não faz sentido, a correlação que isso tem com os impactos também não vai explicar aquilo que realmente precisa eh ser feito, né? Então, a sua assertividade em ações não vai se concretizar. Então, outro aspecto extremamente importante, capacitar líderes, né? Aquilo que eu falei sobre, já falando mais um pouquinho aqui sobre o fortalecimento da cultura organizacional, né? Então, eh, trabalhar essas lideranças que a forma como lidar com as pessoas tem mudado, que tem nomes para aquilo que a gente, ah, mas é fraquinho, não aguenta prestão. Hoje isso tem nome, né? Então, fortalecer a cultura organizacional. Por que que isso precisa ser constante e consistente? Para que realmente haja essa mudança de comportamento. Não adianta, não é virar a página de um livro, né? É comportamento. E quando falamos de comportamento é subjetivo. Então, a gente precisa trabalhar bem eh fortemente de forma sistemática, né? E como maio tá aqui no nosso cangote, começar imediatamente, sem dúvida alguma. OK?

Então, seguindo mais um pouquinho aqui, né, pra gente finalizar, NR01, então protege pessoas, orienta decisões, reduz adoecimentos e evita passivos trabalhistas, aumenta a produtividade, melhora o clima e fortalece a cultura da empresa. Então, dentro daquilo tudo que nós falávamos ali, quais são os impactos maiores dentro da reputação, né? Então digo para vocês que ignorar ou minimizar a NR01 não é economia, é risco. Ela deixa claro que a saúde mental é gestão de risco. Então, adequar-se é necessário pra gente não correr esses riscos jurídicos, financeiros e principalmente, que é o meu grande desejo, humano. Então, cuidar da saúde mental, minimizar ou eliminar esses riscos não é cumprir uma norma, é proteger o maior patrimônio de uma de qualquer empresa, o ser humano que merece ser respeitado, ouvido e amparado. E era isso então que eu gostaria de dizer para vocês. Fica aqui o meu contato. Agradeço a oportunidade, espero realmente ter trazido grandes provocações aqui nesse sentido de caminharmos juntos nessas mudanças organizacionais.

Oi, Ana. Ana, eu tô aqui, não sei se eu tenho que agradecer, mas eu tô um pouco emocionado, né? Porque você traz, você traz um tema que para nós contadores eh sai do nosso meio, que a gente gosta aí de números e fica falando em tributos. E pior ainda, né? Nós estamos no meio de uma reforma tributária e supostamente começa a vir a NR1, né? Mas isso não tem a ver com o contador, com a contabilidade. Tem, está presente por dois motivos aqui nessa nossa live, que uma delas nós somos empresários. E a mais importante que eu vejo que nós para muitos empresários é o único conselheiro da empresa.

Exatamente. Para muitos todos, para a maioria, né? Porque se nós saímos aqui, vamos para uma empresa grande que tem lá acima de 20, 30 funcionários ou extremamente organizada, se torna mais tranquilo para se implementar NR1. e ele tem um um uma equipe. Agora, para nós contadores, os empresários eh para para esses empresários pequenos somos nós que estamos à frente. Então, acho que você trouxe um tema eh muito leve para que nós possamos aí eh refletir sobre sobre a NR1 e, evidentemente, auxiliar eh os nossos clientes e quanto também quanto empresário. Eu queria já eh em nome de todos os participantes da comissão de do empresário Contábil, né, em nome de todos que estão nos assistindo, né, eu queria desejar meus sinceros agradecimentos por você compartilhar eh esse tema conosco, né? Fiquei muito emocionado realmente por ouvir isso, até saber pelo pela história que o tempo que a gente se conhece, saber da sua trajetória, da sua atuação profissional, né? Então, eu queria eh se você tiver mais algum assunto, algum tema que você acha relevante, né? Eh, e eu não vejo aqui mais nenhuma nenhuma pergunta interessante para que a gente possa estar discutindo, mas aí se alguém fez aí no chat podemos responder isso posteriormente, né? E aí eu gostaria de deixar aberto para você fazer uma acrescentar mais alguma coisa que você achar interessante. Fica à vontade.

Eu quem agradeço mais uma vez a oportunidade. Fico muito feliz, né? fala assim que essa soma de esforços, principalmente, eu vejo assim a psicologia hoje, né, com todo essa com todo esse caminhar, eh, conseguindo trazer realmente a importância de algo que a gente sempre procurou trabalhar, mas nunca teve tanta relevância, né, como hoje. Então, dar nome às coisas ajuda com que eh a gente ganhe forças nesse sentido e sensibilize outros profissionais, assim como você trouxe, né, a própria contabilidade de eh e tantas outras, né, não vou citar profissões aqui para não ser injusta, mas o quanto todo mundo fazendo um pouquinho do seu lado contribui para que a gente evolua o no mundo do trabalho, né? Então, agradeço, fico aqui também disponível. qualquer dúvida, algo que eu possa contribuir mais com vocês também.

Ana Sim, você me permite, vamos estender um pouquinho mais aqui. Eu sei que você já finalizou, mas vamos imaginar que um microempreendedor, ele contratou a esposa dele. E agora como nós vamos fazer essa distinção? Porque é comum nós olharmos o microempreendedor, contratar a esposa como empregada ou a filha ou o filho, né? Isso, isso é padrão no Brasil. Não sei se é felizmente ou infelizmente, mas é um jeitinho nosso, brasileiro. Ele também estará obrigado a NR1. E ainda tem um detalhe, né? tem a família e tem um trabalho.

Exatamente. Então a gente e é muito interessante sua pergunta justamente por isso, né, que acaba misturando, né, se você tem maturidade, enfim, por mas por mais maturidade que você tenha, né, pelo ritmo, por todas as questões envolvidas, você acaba misturando as situações, né? Então, o que a gente precisa ter é maturidade, porque os riscos psicossociais vão ter sim que ser vistos. Então, se está acontecendo alguma coisa nesse sentido, eh, dentro dessa maturidade, o registro estará lá. Olha, então é problema de comunicação, é a maneira como tá sendo tratado, tá existindo um assédio. Então é esse profissional que acredito que de fora aí, né, porque internamente são só os dois no caso, eh vai ter que ter a intervenção. Então faz lá de uma uma maneira mais simples, eh não não faz um inventário necessariamente, mas faz uma entrevista, né, como se fosse um diagnóstico mesmo. E dentro desse diagnóstico, se esse profissional capacitado verifica um alto grau de eh de ou um grande potencial de risco psicossocial, ele precisa ter isso comprovado e precisa ter ação. Ah, vai encaminhar para um psicólogo de casal, vai encaminhar eh para um eh que mais que eu posso colocar aqui? eh um psiquiatra, né, para entrar com a ceciolítico ou, né, enfim, alguma questão mais séria nesse sentido. Esses direcionamentos precisam ser feitos e estarão lá registrados da mesma forma como para uma empresa de 20, 30 funcionários ou mais. Ah, é, eu acho que vai resolver alguns problemas de relacionamento de casais, [risadas] hein? É assim, a gente espera.

É, as empresas familiares, família, pai e filhos e, enfim, todos os relacionamentos familiares.

Ana, para finalizar, qual a mensagem, o conselho que você deixa para os contadores que desejam ser protagonista nessa jornada de cuidado com o capital humano?

Ah, eu penso que a gente precisaria eh colocar assim, né, que vocês contadores, né, de forma bem simples aqui, não só registrem a história das empresas, mas ajudem a construir um futuro melhor para quem trabalha nessas empresas. Acho que o, né, dentro desse protagonismo que eu podia dizer para vocês é isso.

Perfeito, Ana, muito obrigado, né? Eu agradeço mais uma vez, tá? E vamos para nós finalizar aí esse tema e espero que que quem quem vê essa nossa que está vendo a nossa essa nossa live, ela ela possa refletir bastante sobre essa norma, além de uma obrigação imposta pelo pelo governo ou para quem faz a gestão aí eh a nível nacional das leis trabalhistas, né? E eu acho que a gente pode, quanto contador realmente contribuir então com essas reflexões inspiradora que a Ana trouxe no final para todo esse tempo para nós, né, sobre o valor das pessoas nas organizações, nós encerramos essa live nossa. Deixe seu like, inscreva-se e compartilhe com as pessoas que precisam entender que a contabilidade também se transforma. Conselho Regional de Contabilidade do Paraná. Siga este conselho.

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