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DIA 2: JULGAMENTO CASO ANDREI GOULART | Promotora Regina Calagari se emociona no tribunal

MARCONDI MARQUES CORTES E NOTÍCIAS URGENTES 21:53

Transcription

Mas o meu afeto hoje vai para essa mãe incansável que sempre disse: "Não desistiremos".

E ontem ela tinha uma necessidade enorme, enorme, enorme, enorme de falar. E a gente queria falar do fato, e ela queria falar e contar e contar. E quando ela falou, ela disse: "Eu quero contar uma história do risoles do meu filho que ele queria fazer e é difícil acertar a massa." E ele dizia: "Mas nós não desistiremos, eu não vou desistir". E ela se pensava nessa massa quando pensava no filho.

Eu me lembro a primeira vez que eu a vi nos corredores ali da do meu andar no Ministério Público, querendo ser ouvida, dizendo: "Meu filho não se suicidou, me ouçam." E eu lhe disse o que eu disse ontem, de uma mãe para outra: "Vou lhe dar um abraço. Ontem eu não pude lhe dar um abraço, mas se ele não se suicidou, nós estaríamos juntas até o final." E aqui estamos.

Não quero mais fazer promessas a mães. Não quero mais, porque eu sofro junto e eu já estou na minha caminhada final no Júri. Eu tô quase procuradora de justiça, mas eu não podia deixar de estar aqui no dia de hoje.

Senhores jurados, o Tribunal do Júri vai perder uma grande promotora, sem dúvida. É, senhores, a minha fala. Todos os senhores já foram jurados. Todos os senhores sabem que nós temos hoje um compromisso. Todos os senhores sabem que que são 1º de Porto Alegre no dia de hoje. Que esse 1º de Porto Alegre no dia de hoje representa que cada um dos senhores tem uma responsabilidade com um juramento que diz imparcialidade, consciência e justiça. Julgar de forma isenta, julgar com consciência, mas a gente tem que trazer trazer uma justiça.

9 anos de curadoria. Curadoria, gente. 9 anos de espera num julgamento que os senhores sabem, porque já foram jurados, que será sigiloso, que ninguém sabe como os senhores votarão, ninguém sabe se vão condenar ou absolver.

Nós faremos perguntas no final do julgamento de dois fatos. O primeiro da morte do menino Andrei, segundo do abuso sexual do menino Andrei. E dos dois fatos, o Ministério Público já diz desde agora: estará sustentando a condenação do homicídio com as duas qualificadoras do motivo para segurar, do para segurar a impunidade do estupro e do recurso que dificultou a defesa da vítima contra menor de 14 anos, com a agravante do prevalecimento das relações de coabitação, que desde já peço a consignação em ata, e do estupro, também com a agravante do prevalecimento das relações de coabitação, além da consignação em ata pública. Então, desde já, doutora, analise a minha consignação em ata das questões que são legais, além da necessidade da reparação do dano às famílias indiretas.

E o que que nós temos nesse processo? Ontem nós ouvimos várias pessoas, cinco testemunhas de acusação e ouvimos o réu. E nós temos que fazer um desfecho disso tudo. E a primeira questão, e todos sabem que um dia eu fui professora e eu adoro os quadros, a gente tem que estabelecer algumas questões que são primordiais, tentar ao máximo possível entender a primeira questão: horário do crime. O horário do crime, a gente vai ter um horário aproximado, mas um horário que talvez não seja tão aproximado assim.

Esse horário, senhores, os senhores que têm hoje essa responsabilidade, se é vem de um depoimento de uma pessoa que usa uma expressão que para mim é muito importante, que se chama Maria Rita. Maria Rita era vizinha do condomínio onde moravam réu e vítima. E Maria Rita nos presta depoimento e diz o que na segunda folha deste depoimento. Exatamente. Exatamente. Diz ela: 1:45. E essa palavra, "exatamente", é uma palavra de precisão. Estava na sacada de seu apartamento fumando quando ouviu um barulho parecendo um estilhaço abafado. E aí ela vai dizer que as luzes do condomínio estavam apagadas, que tudo estava no silêncio. E exatamente 10 minutos após avistou um homem no pátio perto da porta. Seria o tio do R, que morava com eles, caminhando de um lado ao outro falando ao telefone. Ou seja, senhores, horário da morte: 1:45. Fato.

Por que que eu estou dizendo isso? Porque se os senhores ouvirem e pensarem no que o réu nos diz, ele diz o seguinte: "Eu imediatamente, isso ele nos disse ontem, quando ouvi o barulho, liguei a luz e fui correndo pro quarto da minha irmã." Mentira! Está no direito do réu falar o que quiser. Nós temos que pensar se nós acreditamos ou não. Por que que eu digo que é mentira? Porque aí eles assim: "Aí eu comecei e liguei chamando polícia. Entrei no quarto da minha irmã e chamei imediatamente a polícia." Porque sabem por que eu digo que é mentira? Porque nós temos, quando a gente chama a polícia, imediatamente está num sistema chamado Siosp. Siospe, que é o sistema da polícia que anota as ligações. Quando eu fiz uma ligação que eu fui assaltada, que levaram o meu carro, que eu ouvi um disparo, todas essas questões, elas quando a gente liga pro 190, vão cair num sistema. E essa ligação, senhores, foi feita exatamente, vejam, 2 horas, 2 minutos e 38 segundos. Informa que seu sobrinho pegou sua arma e deu um tiro na cabeça. Informa que já está morto, bairro Treza, e solicita a Brigada Militar, apartamento 204. Ou seja, senhores, horário da ligação do réu: 2:02:38. O horário da ligação. A minha primeira pergunta: o que ficou fazendo durante este período? Durante este período, ele ficou sozinho.

Não é por acaso que quando a gente observa as fotografias, os senhores pensem se é possível que o colchão ficasse debaixo ali, tivesse atravessado e ficasse todo ensanguentado imediatamente, como ele nos diz. E ele ensanguentado, colchão ali dele, as roupas de cama dele imediatamente e extravazasse imediatamente de um colchão para o outro, como ele fala, como se as coisas assim transparecessem e fossem já saindo imediatamente o sangue de uma situação como outra, porque a gente sabe inclusive que o sangue tem até um fator bem forte de coagulação. Nós temos um tempo que, entendo eu, que ele inclusive voltou para a cama, deitou para pensar como é que ia agir e agiu nesse período. Então esta é a segunda, a primeira informação. Nós temos um período de tempo.

A segunda informação que nós temos que pensar é: afinal, quem que é o acusado? Quem que é o acusado? Porque é muito fácil chegar aqui e dizer assim: "Eu", e a defesa vai dizer: "Ele era uma pessoa maravilhosa, policial militar, trabalhava". Senhores, eu fiquei impressionada porque quando a gente pega e a gente pega fichas de policiais militares, a gente pega policiais militares com ocorrências e a gente tem as juntadas de ocorrências do réu deste tamanho, porque prenderam, porque fizeram. A gente não tem ocorrências de prisão do réu. Ele trabalhava no quê? Na inteligência. Mas mesmo na inteligência, ele não atuava prendendo ninguém. Trabalhava em corregedorias, em investigações. Ele trabalhava, veja, em investigações. Ele olha pros senhores assim, eu estava no Ministério Público, estava na instituição que eu estou, que eu faço parte, já tinha estado lá, lotado na assessoria de segurança do Ministério Público, esquecendo que eu e o Amorim somos integrantes dessa instituição e sabemos muito bem como as coisas funcionam. Nós temos uma assessoria de segurança no Ministério Público. Sim, ele trabalhava na segurança dos membros do Ministério Público, que a gente tem procurador-geral, se acontece alguma situação de ameaça a algum promotor, a gente pode ter alguma segurança institucional. Temos. Ele trabalhava nesse setor? Não, ele trabalhava lá na Santana em investigações. Sabe muito bem como as coisas funcionam. Tanto que ele escapa e diz: "Ei, eu fazia escutas telefônicas."

Por que que eu falo dessa questão de escutas telefônicas? Porque, senhores, ele nega aos senhores uma coisa que todo mundo diz. De imediato, ele ficou com o telefone do Andrei. Tanto que a Fernanda viu que ele estava no carro quando foram pro cemitério para providenciar no enterro da vítima, com o telefone da vítima. E por que que eu tô dizendo isso? Porque de modo imediato, logo em seguida a esse essa morte, nas horas que se seguiram naquele celular, houve pesquisa no YouTube de como se matar. Mais do que isso, houve mensagens apagadas. Aí a defesa vai dizer assim: "Bom, mas nos dias que houve mensagens apagadas, ele estava trabalhando, ele não tava, não pode ter acessado o celular porque já não estava mais com ele." Esquecendo os senhores que ele sabe muito bem, porque trabalha em investigação, que nós não precisamos ter em mãos o celular se ele não foi efetivamente congelado, que a gente pode continuar apagando. É só a gente ver pelo WhatsApp mesmo que a gente entra que a gente consegue mexer no celular. Ou seja, a gente tem aqui uma perícia que nos mostra que nós tivemos mensagens apagadas daquilo que ele diz. O GP é ótimo. Pois é, esse GP ah nos diz que tivemos vídeos apagados, ah ah que tivemos mensagens, arquivos excluídos, mas não foi possível determinar a a data e o horário que o celular tiveram essas imagens apagadas. E senhores, ah nos fala mais que várias imagens apagadas na folha seguinte e áudios. Vai, vai indo, pode ir. E áudios apagados do celular da vítima.

Qual que seria o interesse da dona Cátia de fazer isso? Que queria o esclarecimento. Nós temos nessa noite duas pessoas que estavam naquele quarto quando a vítima morreu. A vítima e o réu. Duas pessoas se encontravam naquele quarto. Duas: a vítima e o réu. A porta daquele quarto estava fechada. E aí a gente tem que começar a pensar numa outra questão envolvendo o acusado. Afinal, ele é esse bom moço que ele quer aparentar?

Vejam, senhores, moralmente, eles diz assim, mas não é crime. Não é crime. Quem de nós vai criar, vai tirar mamadeira, vai tirar bico e vai casar? Quem de nós vai acordar e vai alisar as pernas, vai dizer: "Isso é meu segredinho, isso é abuso"? Ela só não se deu conta na época. O Marzo foi aqui e nos diz: "Eu fui vítima." E não é, senhores, o pai da vítima, o seu Ronaldo, quando foi prestar depoimento. Se eu for falar no passado, eu sempre ouvi diversas coisas negativas ao Jeverson. Primeira coisa: o Jeverson me conheceu, eu tinha 13 anos de idade e lá no bairro todo mundo falava que ele transava assim com rapaz. Eu não sei porque esse rapaz não veio, mas isso aí daí ele sabe que é verdade. O André Rocha. E esse rapaz era bem mais novo que ele. Eu tenho, como é que é o nome dele? Eu sei que é André Rocha. E ele tinha diferença com o Jeferson ou eram da mesma idade? Não, eu acho que ele era criança. Perto do Jeverson, ele era criança. E o senhor sabe sobre a questão dele com rapazes? Até o André já brincou, chegou a brincar, tecer comentários, tipo: "O André foi namorado da Cátia." Então eu me lembro, eu não sei se eu posso usar esse termo aqui. E o juiz disse: "Pode usar." Desculpa usar esse termo chulo, mas foi o que o cara falou: "Eu comi a irmã e o irmão." O Jeverson Omiro Gular sempre teve essa fama aí de pegar rapazes crianças. E eu digo, e ele vai dizer ao final que ele tem certeza, né, nas últimas palavras dele, que o filho não se suicidou.

E senhores, aí eu tenho uma ocorrência que para mim, que trabalho há anos na área criminal, dou acusado que para mim assim, ó, eu fico martelando e martelando e martelando, que é a ocorrência de 5 de fevereiro de 2011, que a filha dele, a Joyce, fugiu de casa. É a 5 de fevereiro de 2011. Lá em cima, vamos ver. Folha 4. Comparece o comunicante Jeverson com a participante do Joyce, que estava desaparecida e foi localizada. E aí foi feito o exame de conjunção carnal na Joyce. Eu fiquei pensando: exame de conjunção carnal é para ver se houve abuso. Eu fiquei pensando aquilo, mas eu digo, mas por que que uma menina que estava desaparecida, que é filha dele, quando é encontrada se faz exame de conjunção carnal? Sabe aquela coisa que fica te lintando? E eu fiquei pensando, mas será que ele abusava das filhas? Porque os relatos são que quando ele teve no Nordeste morando, foi corrido porque saía com as filhas das amigas. Ele casou com a Ada. A gente tem dois relatos de abuso de adolescentes e aí a gente tem que chegar no Andrei, porque a defesa vai dizer assim: "Mas não tem exame que ele tem que tem esperma." Ah, senhores, quantas e quantas vezes eu olhei essas imagens e reolhei e olhei e olhei. E eu quero, por favor, Gabi, que tu abra as imagens pra gente começar a pensar nas imagens do crime. E eu quero que tu abra, Gabriel, uma imagem que para mim de estudo. Vamos ver se eu consigo aqui localizar ela nesta multidão agora, por favor. A imagem não vai aparecer nas filmagens. Que é a DS 685.

Senhores, prestem atenção nesta imagem. Primeiro, quando nós lermos o auto de necropsia, esse corte aqui não está descrito. Esse inchaço no braço da vítima não está descrito, porque sempre a mãe dizia: "Meu filho estava parecia que com o braço quebrado." Esse corte não está descrito. Por favor, Gabi, aumenta aqui a barriga. Vocês estão vendo o segurar, o segurar e a unha? O segurar e a unha, o segurar e a unha. Essa criança, essa mãe chegou e ele estava acuado. A filha diz a mesma coisa. Esta criança está acuada. Aquela noite, esta criança está acuada. Que que o auto de necropsia diz? Essa criança tinha 1,60 m. A criança era menor que a mãe, que tem 1,54 m. O auto de necropsia não descreve essa lesão abdominal, não descreve esta lesão e nem esta aqui. Esta criança foi segurada para ser abusada e essa lesão aqui que ele tem não está descrita. Tá aqui segurada com as mãos. Tem até os, me parece até os dedos. Acho que até uma unha enfiada aqui.