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Tipos de transtorno bipolar | Psiquiatra Fernando Fernandes

Psiquiatra Fernando Fernandes8:28

Transcription

E existem vários tipos de transtorno bipolar, assunto que gera bastante interesse e também bastante confusão. Fique atento a esse assunto desse vídeo.

[Música]

Olá, todos! Meu nome é Fernando Fernandes. Sou médico psiquiatra e palestrante e, nesse vídeo, eu quero conversar com vocês sobre os diversos tipos de transtorno bipolar.

Transtorno bipolar é uma doença extremamente heterogênea. Não exagero nenhum dizer que não existem duas pessoas portadoras de transtorno bipolar que apresentam a doença exatamente igual, exatamente da mesma maneira, seja nos episódios agudos, ou seja, no curso da doença ao longo da vida. Tanto que, ainda hoje, não há consenso sobre os diversos subtipos da doença.

A classificação mais usada, tanto no meio científico quanto na prática clínica, é a classificação da Associação Americana de Psiquiatria, e vai ser ela que eu vou discutir aqui com vocês.

É importante dizer que a classificação dos diversos tipos de transtorno bipolar é um conceito em evolução. Existem diversos autores de renome que propõem classificações um pouco diferentes ou complementares a essa que nós vamos discutir hoje. Não existe a proposta do conceito de espectro bipolar, no qual se enquadrariam todas as subformas do transtorno bipolar, algumas mais robustas e consistentes, e outras um tanto quanto atenuadas e leves, mas que compartilharam algumas características em comum com aquela descrição clássica do transtorno bipolar que nós conhecemos.

Então, fica comigo até o final, porque eu vou conversar com você sobre os subtipos que constam lá no manual da Associação Americana de Psiquiatria, os subtipos mais consensuais, tanto na prática clínica quanto em pesquisa. Mas antes, se você é novo aqui no canal, não deixe de se inscrever e clicar no sino para ser notificado de novos vídeos e deixe também o seu like, que isso é muito importante para a divulgação no canal.

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Então, sem mais delongas, vamos falar dos subtipos do... Mas antes, um alerta aqui no final, e vou deixar um recado sobre a real importância dessa classificação na vida dos portadores e familiares. Vamos lá, então?

Vou colocar na tela para facilitar para a gente. Eu fiz uma apresentação aqui didática para mostrar para vocês e vou começar pelo subtipo que tem a forma clínica mais leve, é o menos conhecido e o menos reconhecido. Esse subtipo é a ciclotimia.

Para explicar o que é a ciclotimia, a gente olha esse quadro que eu preparei. E em verde, eu vou simbolizar as oscilações normais. Em azul e vermelho, as alterações patológicas, tanto para o lado de euforia (em azul), quanto para o lado da depressão (em vermelho).

O que seria ciclotimia? Na ciclotimia, as elevações do humor são um pouco acima do normal, mas, dá uma olhada, não muito acima do normal, não chega a entrar em euforia. E as oscilações para baixo também são um pouco abaixo do normal, né? Essas oscilações leves, tanto para o lado da euforia quanto para o lado da depressão, é o que a gente chama de ciclotimia. Ela é, como eu falei, muito pouco reconhecido e é muito pouco diagnosticado. É muito pouco reconhecido porque as pessoas acabam achando que essas oscilações podem ser oscilações normais da vida, e muitos médicos acabam perguntando com cuidado e acabam não encontrando a chamada ciclotimia, que é o primeiro dos tipos de transtorno bipolar, cuja sintomatologia é a mais leve.

Logo na sequência, nós temos o transtorno bipolar do tipo 2. Vamos voltar para o quadro para a gente entender o que é o transtorno bipolar do tipo 2. Vamos lá.

No transtorno bipolar do tipo 2, podem acontecer oscilações leves, como na ciclotimia. Mas, no transtorno bipolar do tipo 2, também há os episódios chamados hipomaníacos, que são episódios maníacos, igual episódio maníaco, porém com uma sintomatologia mais leve e, por vezes, com tempo menos prolongado. Esses episódios de hipomania. Um amigo meu, uma vez, perguntou: "Fernando, não seria mais fácil chamar de semi mania, porque seria como uma mania, mas um pouco com a sintomatologia um pouco mais atenuada?" Eu falei: "Olha, é uma boa expressão, eu acho que ficaria bem didático, né, chamar a hipomania de semi mania."

E pode acontecer também os episódios depressivos, porque não pode acontecer os episódios depressivos, que podem ser mais leves ou podem ser mais graves, o que eu tô simbolizando através dessa seta que vai mais para baixo. Então, todas essas formas de apresentação podem acontecer no transtorno bipolar do tipo 2 ao longo da vida. Esse é o transtorno bipolar do tipo 2.

E aí, nós vamos para aquele que tem a sintomatologia maníaca mais exacerbada, que é o transtorno bipolar do tipo 1. No transtorno bipolar do tipo 1, pode acontecer todas essas apresentações ao longo da vida. Pode ter episódios com uma elevação do humor bem leve, que caracterizaria uma hipomania. Pode haver hipomania, pode haver depressões leves, pode haver depressões graves. Mas o que vai caracterizar o transtorno bipolar do tipo 1 é que, pelo menos em algum momento da vida, houve uma mania mais grave. Então, aquele de aceleração, de excitação psíquica, com sintomas mais exacerbados que caracterizam a mania.

O modo de fazer o diagnóstico de mania, no meu canal, você encontra um farto material sobre isso. Em outros vídeos, lá eu tenho palestras inteiras que falam sobre o diagnóstico, né, do transtorno bipolar, e lá eu explico direitinho como caracterizar os episódios maníacos.

Ainda existem dois tipos de transtorno bipolar que eu vou mostrar para vocês, né? O primeiro deles seria o transtorno bipolar sem especificação, seria um transtorno bipolar que acaba não se enquadrando em nenhum deles, seja porque o número de sintomas para configurar o episódio maníaco não foi suficiente, seja porque o tempo desses sintomas não foi suficiente. E um que é autoexplicativo, que seria o transtorno bipolar associado, né, a outras doenças ou associado ao uso de substâncias.

Uma outra ideia errada que as pessoas têm acontece justamente quando há dúvida no diagnóstico entre o transtorno bipolar do tipo 1 e o transtorno bipolar do tipo 2. Realmente, há muitos casos em que a apresentação clínica é fronteiriça entre o transtorno bipolar do tipo 1 e do tipo 2. E muitas pessoas pensam: "Poxa, se eu souber com precisão absoluta qual que é o meu diagnóstico, tipo 1 ou tipo 2, isso vai ser determinante para o meu tratamento e aí eu vou conseguir melhorar."

E aí, eu vou conseguir melhorar? É só uma meia verdade, porque as estratégias de tratamento do transtorno bipolar são muito comuns entre o transtorno bipolar do tipo 1 e o transtorno bipolar do tipo 2. Existem diferenças? Existem. Mas aí, o seu médico, conhecendo a sua história, idade de início, resposta ao tratamento anterior, as suas comorbidades clínicas, as suas comorbidades psiquiátricas, quais episódios são mais prevalentes nesse caso específico, são os episódios hipomaníacos, maníacos, são os episódios depressivos, eles são mais prolongados, respondem bem ao tratamento ou não? Um médico conhecendo toda a sua história, ele vai conseguir determinar o tratamento para você. E muitas vezes, definir transtorno bipolar do tipo 1 e do tipo 2 acaba sendo menos importante do que todos esses fatores que eu falei para vocês.

Espero que esse vídeo tenha te ajudado e trazido pelo menos uma ou duas informações novas para você, porque daí, para mim, já valeu bastante a pena. E se você tem mais interesse sobre transtorno bipolar e depressão, há um farto material no meu canal do YouTube e no meu Instagram. Se você gosta de saúde psíquica, bem-estar e comportamento, não deixe de me seguir nas redes, se inscrever aqui no canal e toda quinta-feira, oito da noite, tem live para a gente conversar ao vivo. Ok? Muito obrigado e até o próximo vídeo.

[Música]