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Primeiro, a partir do verso primeiro. Paulo, Apóstolo de Cristo Jesus por vontade de Deus, aos santos que vivem em Éfeso e fiéis em Cristo Jesus. Graça a vós outros e paz da parte de Deus nosso Pai e do Senhor Jesus Cristo.
Bendito o Deus e Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo, que nos tem abençoado com toda sorte de bênção espiritual nas regiões celestiais em Cristo, assim como nos escolheu nele antes da fundação do mundo para sermos santos e repreensíveis perante ele. E em amor nos predestinou para ele para a adoção de filhos por meio de Jesus Cristo, segundo o beneplácito de sua vontade, para louvor da glória de sua graça que ele nos concedeu gratuitamente no Amado.
No qual temos a redenção pelo seu sangue, a remissão dos pecados, segundo a riqueza da sua graça que Deus derramou abundantemente sobre nós em toda a sabedoria e prudência, desvendando-se da sua vontade segundo o seu beneplácito que propusera em Cristo de fazer convergir nele, na dispensação da plenitude dos tempos, todas as coisas, tanto do céu como as da terra.
Nele, digo, no qual também fomos feitos herança, predestinados segundo o propósito daquele que faz todas as coisas conforme o conselho da sua vontade, a fim de sermos para louvor da sua glória nós os que de antemão esperamos em Cristo. Em quem também vós, depois que ouvistes a palavra do evangelho da vossa salvação, tendo nele crido, fostes selados com o Santo Espírito da Promessa, o qual é o penhor da nossa herança até ao resgate de sua propriedade, em louvor de sua glória.
Por isso também eu, tendo ouvido a fé que há entre vós no Senhor Jesus e o amor para com todos os santos, não cesso de dar graças por vós, fazendo menção de vós nas minhas orações, para que o Deus de Nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai da Glória, vos conceda espírito de sabedoria e de revelação no pleno conhecimento dele, iluminados os olhos do vosso coração para saberdes qual é a esperança do seu chamamento, qual a riqueza da glória da sua herança nos santos e qual a suprema grandeza do seu poder para com os que cremos, segundo a eficácia da força do seu poder, o qual exerceu ele em Cristo, ressuscitando dentre os mortos e fazendo sentar à sua direita nos lugares celestiais, acima de todo principado e potestade e poder e domínio e de todo nome que se possa referir, não só no presente século, mas também no vindouro.
E pôs todas as coisas debaixo dos seus pés e, para ser o cabeça sobre todas as coisas, o deu à igreja, a qual é o seu corpo, a plenitude daquele que a tudo enche em todas as coisas.
Vamos ter mais uma palavra de oração. Amado Pai Celestial, com reverência e santo temor, e com gratidão e alegria em nossos corações, nós nos aproximamos juntos de tua Santa presença, reunidos debaixo do nome vitorioso Redentor do teu filho amado. Rogamos, Senhor, que teu Espírito Santo permeie esse ambiente e que nós realmente possamos ouvir, ainda que seja uma só palavra da tua própria boca. Alimenta, Senhor, ilumina os olhos do nosso coração. Queremos ver-te com mais clareza, amar-te com mais ternura e seguir-te mais de perto. Por isso, sê presente conosco, Senhor, e fala-nos tanto individualmente quanto coletivamente. Carecemos de ouvir-te e confiamos toda a provisão e habilitação para esse tempo de meditação na tua palavra às tuas próprias mãos. Supre-nos, faze provisão para todos nós, no nome precioso do Senhor Jesus, é que pedimos. Amém.
Meus amados irmãos, vamos dar alguns passos então dentro desse tema, primeiro capítulo da epístola aos Efésios. Primeira coisa importante aqui, dos versos 3 a 14, não há nenhum ponto final. Imagine um texto dessa magnitude, apenas com vírgulas ou com pausas. Certamente a impressão nítida que temos é como que uma torrente extravasa do coração e da mente do Espírito desse apóstolo inspirado, e ele não consegue se deter com um ponto final. Ele inicia, depois de fazer a saudação que os irmãos viram nesses versos 1 e 2, que aliás, em boa parte dos manuscritos originais, não contém a palavra "em Éfeso", porque muito provavelmente esta foi uma epístola circular, para circular por todas as igrejas da Ásia Menor, que incluía Éfeso, mas também Tiatira, Sardes, Filadélfia, Laodiceia, Colossos, várias igrejas daquela região onde essa epístola deveria circular. E parece tão coerente essa ideia, porque, meus irmãos, essa é uma epístola em que nós não vemos o apóstolo Paulo combater nada. Ele faz assim, uma tênue referência e, digamos, subliminar, lá no capítulo 4, quando ele fala que nós não devemos ser como meninos agitados de um lado para outro e levados ao redor por todo vento de doutrina e por artimanha dos homens, pela astúcia com que induzem ao erro. Uma menção singela, breve, simples, porque nessa carta não há nada do ambiente combativo. Veja a carta anterior, por exemplo, Gálatas, é uma carta extremamente combativa. Todas as epístolas de Paulo, não há exceção, ele faz menção de dificuldades, dificuldades de ensinos estranhos, dificuldades de pessoas falando coisas estranhas. Para mais de uma delas, para Timóteo, para Tito, ele cita nomes. Algumas pessoas, ele diz que é preciso que essas pessoas se calem. Por exemplo, é preciso fazê-las calar, elas estão pervertendo casas inteiras. Então o ambiente combativo das epístolas de Paulo é bastante nítido. Quando nós chegamos em Efésios, o que é que nós temos? Podemos dizer assim, nós saímos do ambiente das controvérsias para o ambiente da paz. Nós saímos do campo de batalha para a quietude do templo. Nós entramos na atmosfera mais pacífica e de maior quietude de todas as epístolas de Paulo. Por isso, sem dúvida, meus irmãos, que essa epístola é para ser lida e relida e memorizada e guardada no coração, porque nós estamos tendo o privilégio de alçar esse voo, se é que podemos dizer assim, para as mais elevadas alturas de revelação do que ele chama de o propósito que Deus estabeleceu em Cristo Jesus, o nosso Senhor. E ontem, nós já falamos qual é o cerne desse propósito. Nós dissemos que nas palavras de Paulo, tanto em Efésios quanto em Colossenses, são essas duas epístolas aí que são chamadas de epístolas gêmeas, é que nós temos a descrição clara desse eterno propósito de Deus. E precisamos vê-lo e começar a descrevê-lo. Por onde Paulo começa? Ele não começa pela igreja. Ele não começa por esse que é um privilégio nosso tão grande de sermos filhos que foram chamados para sermos semelhantes ao seu filho unigênito, que se fez primogênito por causa do sacrifício do Calvário, repartiu a sua vida com outros. Então o unigênito se tornou primogênito entre muitos irmãos. Mas a descrição de Paulo do eterno propósito de Deus não começa por aí, porque este não é o começo. A descrição dele, como enunciamos ontem, eu goia de repetir. Quando Paulo pensa no eterno propósito de Deus e o descreve assim, ele pensa e assim ele descreve: Deus, desde a eternidade, planejou que o seu fizesse primazia e preeminência em todas as coisas. E juntamente com isso, ele também planejou que fosse unido ao seu filho, no centro mesmo do seu propósito, que é o seu filho, fosse unido ao seu filho uma comunidade de muitos filhos que seriam tornados semelhantes ao seu filho. Então, assim nós podemos escrever com segurança qual é o propósito eterno de Deus, porque nem mesmo a igreja teria lugar algum nesse propósito se Cristo não tivesse a primazia e a preeminência, porque estes filhos devem ser conformados à imagem do seu filho. Então, se o seu filho não tem a posição de centralidade, primazia e preeminência, então a igreja não cumpre, não cumpriria o propósito para o qual foi chamado. Então não podemos colocar essas duas coisas assim, porque você sabe que em movimentos onde isso é feito, a igreja assume o lugar de Cristo, eclipse lua à frente do sol. Então o que nós temos são trevas, porque o cerne do propósito de Deus é a glória do seu filho. Se ele for glorificado na igreja, então a igreja tem a sua glória. Se ele não é glorificado na vida dos santos, então a igreja não tem glória, porque o único que possui glória é aquele que é o resplendor da glória, o nosso Senhor Jesus. Então, quando ele usa palavras na epístola aos Colossenses para descrever isso, por exemplo, Colossenses, capítulo 1, ele diz assim: Cristo, esse Cristo de Deus, esse que tem a primazia, esse que tem a preeminência, Cristo em vós. Então aí entra a igreja. Agora sim, Cristo em vós, a esperança da glória. Meus filhinhos, por quem sofro dores de parto até que Cristo seja plenamente formado em vós. Então, meus irmãos, para seguirmos aqui, a única coisa, única capaz de transformar o caráter de um homem ou de uma mulher é a contemplação das glórias do nosso Senhor Jesus. Nada mais tem poder para transformar o nosso caráter. É por isso que Paulo também diz assim, segunda Coríntios 3:18: "Certamente você conhece muito bem, contemplando todos nós com o rosto desvendado, contemplando como que por espelho a glória do Senhor, nós somos transformados". E a palavra, verdade exata ali, é transfigurados de glória em glória, na sua própria imagem, como pelo Espírito do Senhor. Porque ele é o único capaz de realizar essa obra. Nada e ninguém pode por realizar essa obra nos nossos corações. Somente o Espírito Santo. Mas é por isso que ele veio habitar em nós. "Ele me glorificará, tudo que o Pai tem é meu", disse o Senhor. Por isso eu vos digo, ele há de receber do que é meu e vo-lo há de anunciar. Então é por isso que Paulo ora na oração que iríamos estudar, senão nesse período, no próximo, para que eles tenham olhos do coração iluminados para saberem qual é a esperança do seu chamamento, a riqueza da glória da sua herança nos santos e a suprema grandeza do seu poder para com os que cremos, para que eles pudessem entrar nisso que Paulo chama de a plenitude de Cristo. Então vamos deixar que isso seja bastante claro no nosso coração.
Ainda, amados irmãos, me permitam usar duas expressões nessa carta que são importantíssimas. É bom que você registre aí e que também chamam a nossa atenção para esse eterno propósito de Deus quanto ao seu centro. O que é que Deus, no seu coração eternamente, sempre desejou fazer? Nós já anunciamos aqui o que é, nós vamos ver a mesma coisa com outras palavras, registradas nessa carta. Olhe lá, então, primeiro essa do verso 10, que já comentamos ontem, Efésios 1:10. E aqui, gostaria de chamar a atenção para essa expressão: "convergir nele, na dispensação da plenitude dos tempos, todas as coisas, tanto do céu como as da terra". Convergir nele. Já explicamos isso ontem. Vamos agora pro verso 23. "A igreja é o seu corpo". Ouça bem, a plenitude daquele. Quem será que é esse "aquele" aí, hein? Quem será que é o sujeito aqui por trás? É Deus o Pai? É Cristo? É o Espírito Santo? Quem é? É Cristo, certamente. É de Cristo que está sendo falado aqui, que esse... Olhe o verso 20: "poder que Deus exerceu em Cristo, ressuscitando, fazendo sentar". Vá acompanhando aí, verso 20, 21. Dando um nome a ele que está acima de todo nome. Está vendo? Então o sujeito aí é Cristo. Pôs todas as coisas debaixo dos seus pés. Pés de quem? Cristo. E ele, para ser cabeça sobre todas as coisas, quem? Deus o Pai? Deus o Espírito Santo? Ou Cristo, o Filho? Cristo. Então é dito o sujeito continua sendo ele mesmo, dizendo que a igreja é o seu corpo. Corpo de quem? A igreja é corpo do Pai? A igreja é corpo do Espírito Santo? A igreja é corpo de Cristo? Não vamos fazer confusão entre as pessoas do Deus Trino, né? Por isso, irmãos, por causa dessa confusão que às vezes, durante a mesa do Senhor, nós escutamos, mesmo que ingenuamente que seja, né, aqui não é crítica, apenas correção, encontramos irmãos orando assim: "Nós te louvamos pela tua mesa, Pai. Nós te agradecemos pela tua morte, Pai." O Pai não morreu na cruz. A mesa não é do Pai, a mesa é do Filho, e a morte é do Filho, e o sangue é do Filho, de acordo com o propósito do Pai. Assim como nós poderíamos orar: "Obrigado pela tua mesa, Espírito Santo, e obrigado pelo teu sangue derramado." Quem derramou o sangue foi o Filho, não é? Então é muito importante não fazermos essas confusões, meus irmãos, porque se Deus é Trino, ele também é Uno. Três pessoas distintas. O Filho não é o Pai, o Pai não é o Filho, o Espírito Santo não é o Pai, o Espírito Santo não é o Filho. Mas uma única essência. Certamente não são três deuses e nem um Deus de três cabeças, né? Mas que nós vejamos essas coisas com mais clareza. Então aqui, o Filho, Cristo. Olhe lá. Lá a igreja, então, é o seu corpo, o corpo do Filho de Cristo. Ela é a plenitude daquele. Continua sendo Cristo. Quem é Cristo aqui? É aquele que tudo enche em todas as coisas. Guarde essa expressão. Então aí, o Filho é aquele que enche tudo em todas as coisas. Bom, no capítulo 4, vá lá, por favor, verso 10, para você ver como essa expressão é importante. Ela não está aí por acaso. Paulo vai repetir essa ideia dentro de um outro contexto, mas exatamente as mesmas palavras. Aqui ele está falando sobre a ressurreição de Cristo. Capítulo 4, vá para lá, por favor, verso 8. Ele diz: "Quando ele subiu às alturas, ele levou cativo o cativeiro e concedeu dons aos homens." Quem? Cristo. Ora, que quer dizer subiu, senão que também havia descido até as regiões inferiores da terra? Agora, ouça: "Aquele que desceu", Cristo, na sua encarnação, e mais ainda na sua descida até o Hades, o lugar dos mortos, é também o mesmo que subiu, a sua ascensão, seu retorno à glória do Pai, ao Trono de Deus, não é? Com a sua humanidade glorificada. Então o que desceu é também o mesmo que subiu. Agora, meus irmãos, todas as vezes que você estiver lendo a Bíblia e encontrar essa expressão, essa preposição aí, o "para", "para que", "para isso", você então lembre-se do verbo. Agora, "para" e pare aí, porque essa preposição vai designar propósito, motivo. Isso foi feito para alcançar aquilo. Então está dizendo que ele desceu. Acompanhe de novo. E ele também é o mesmo que subiu acima de todos os céus. Agora, nós temos o propósito. Por que? Por que que ele desceu, encarnando, morrendo, indo até o Hades, tomando as chaves da morte e do inferno das mãos do inimigo, subindo de novo, colocado no trono acima de todo nome, como nós vimos no capítulo 1? Para quê? Segundo esse versículo 4:10 e 13 que acabamos de ler? Para encher todas as coisas. Quero tentar explicar da melhor maneira que consigo o que significa isso. Significa que quando esse glorioso Deus-homem, Jesus de Nazaré, o varão aprovado por Deus, que está à destra do Trono da Majestade nas alturas, quando ele se manifestar de novo para esse universo, porque ele já se manifestou uma primeira vez para realizar sua missão, servo sofredor, mas quando ele se manifestar de novo, não é o servo sofredor, é o Rei dos Reis, é o mesmo servo sofredor, só que agora glorificado, Rei dos Reis e Senhor dos Senhores. Então, o que acontecerá, segundo esse versículo 4:10 e 13 que acabamos de ler? Ele vai encher todas as coisas. O que isso significa? Não haverá um recanto em todo o universo criado por Deus. Ou seja, todas as hostes inteligentes, elas serão afetadas pela gloriosa vinda do Senhor dos Senhores e dos Reis dos Reis, porque no propósito de Deus, ele desceu e depois ele subiu acima de todos os céus para encher todas as coisas. Aí perguntaremos: encher com quê? Claro, a resposta é óbvia, né? É encher com sua glória. Por isso é que todo joelho, nos céus, na terra e debaixo da terra, se dobrarão e confessarão: Jesus Cristo é o Senhor, para a glória de Deus Pai. Está vendo, irmão? Então, repetindo lá, o que significa "encher todas as coisas" na gloriosa vinda do Filho glorioso? Não haverá um espaço em todo o universo criado que não tenha uma impressão do significado da glória desse Filho. Isso é que significa "para encher todas as coisas". Então, guarde essa expressão, que ela, você viu aí, ela é muito importante nessa carta. Agora, há um outro lado dessa verdade, que é o seguinte: se por um lado Deus designou que o Filho e sua glória enchessem todas as coisas, ouça com atenção, Deus também designou o inverso: ele designou que todas as coisas enchessem Cristo, ou fossem trazidas para ele. Você vê parte contra parte aí? Uma é Cristo em enchendo todas as coisas, como você leu, é bem claro. A outra é todas as coisas sendo enchidas com Cristo, ou trazidas a ele. Por quê? Efésios 1:10: "Porque Deus planejou que na dispensação da plenitude dos tempos, ele vai fazer convergir". Olha aí, resumir, tornar a congregar, explicamos ontem, "todas as coisas, tanto as do céu como as da terra, debaixo de uma única cabeça". Então, agora é Cristo que está sendo cheio com todas as coisas, concorda? Por isso que o autor de Hebreus vai dizer assim: "Havendo Deus falado de muitas maneiras aos pais pelos profetas, muitas vezes e de muitas maneiras aos pais pelos profetas, nesses últimos dias nos falou pelo Filho". E ele vai começar a descrever as glórias do Filho. Mas tem uma primeira. Ele começa por uma primeira. E a primeira é: "o qual constituiu herdeiro de todas as coisas". Significa que então, na manifestação da sua presença, a vinda gloriosa do nosso Senhor Jesus, todas as coisas serão trazidas a ele, porque ele é o herdeiro de todas as coisas. Então, nós temos dois enchimentos aqui, é isso que eu queria que você guardasse, porque a epístola aos Efésios vai abrir essa verdade de uma maneira a mais linda como nenhuma outra. Ele será cheio com todas as coisas, e Ele encherá todas as coisas, porque para isso ele desceu, para isso ele subiu.
Então, vamos agora às bênçãos espirituais que são mencionadas desde o verso 3 até o verso 14. Vamos ver essa represa que se rompe aqui, que é o coração de Paulo, sem ninguém que possa estagnar-se. Já é interessante já explicarmos desde já, porque vai aparecer outras vezes essa expressão "regiões celestiais". Que aparece aí nessa epístola é muito, na verdade, simples o sentido dessa expressão. Significa o mundo de Deus e dos anjos eleitos, simplesmente é isso. Regiões celestiais. Por isso ele designa nessas regiões celestiais a pessoa de Cristo, porque Cristo não é igual a regiões celestiais. Essas expressões não são intercambiáveis. Regiões celestiais é o mundo da realidade espiritual de Deus e dos anjos que não caíram. Essas são as regiões celestiais. Então, vai dizer que é nesse mundo de Deus e dos seus santos anjos que nós fomos eleitos em união com Cristo. Por isso ele diz: "nas regiões celestiais em Cristo", certo? Então, essa é a primeira coisa. Agora, quais são as bênçãos? Vamos a elas. Então, a primeiríssima: eleição. Agora, quando nós ouvimos essa palavra, nós temos os dardos da direita e os dardos da esquerda, né? Eleição mediante a presciência, porque Deus sabia que nós iríamos ter uma determinada história, nós seríamos num determinado tempo, iríamos ter uma determinada história e teríamos uma determinada resposta. Então, por causa disso, ele nos escolheu. B é o absurdo dos absurdos, porque então a eleição seria baseada na nossa resposta, seria baseada em nossas obras, e a eleição não é baseada em nossas obras, nem obras que foram previstas. Então, esse é um absurdo completo. Por outro lado, a eleição de Deus não é exatamente, não poderíamos então usar essa palavra arbitrária, porque Deus não nos elege contra a nossa vontade. Então, meus amados irmãos, na eleição, a vontade de Deus, ela trabalha junto com a vontade do homem. Agora, é até aí que nós podemos ir. E sabe qual é o problema das chamadas correntes teológicas, especialmente a reformada calvinista, que vai tentar colocar essa ideia dentro de uma caixinha? E a caixinha deles é muito simples. Por isso muitos aderem a essa, a essa corrente reformada calvinista, porque ela coloca o assunto na caixinha e explica de modo simples. Explica assim: Deus não é soberano? Sim, Deus é soberano. Então ele escolhe quem ele quer, quando ele quer, do jeito que ele quer, e ninguém tem nada com isso. Ele não deve nada ao pecador. O pecador merece ir para o inferno. Então ele escolhe quem ele quer e deixa de lado quem ele não quer. E ponto final. Quem que vai arguir a Deus? Então parece interessante, parece que explicou a eleição. Só que há arbitrariedade aí, não é assim que Deus faz. Então, eu quero ler um texto, um pedacinho, para um irmão. É muito difícil você encontrar um texto bom que tente nos ajudar nesse assunto da eleição, um texto completo. Esqueça, você não vai encontrar. Como também não vai encontrar um texto completo que possa descrever para você como é a Trindade. Você já encontrou algum? Se encontrar, me mostra, porque aí eu vou te dissuadir, vou te encorajar a jogar fora, porque o Deus Triuno não pode ser descrito por causa da nossa limitação de entendimento. Como nós vamos descrever um Deus que é único, ele não é dividido em três, mas ao mesmo tempo, nessa única essência, nós temos pessoas que são distintas, mas sendo distintas, elas não são separadas. Pode explicar? E quando o Verbo, o Deus Filho, ele se faz carne e assume natureza humana, duas naturezas, uma plenamente divina, porque ele é Deus, 100% Deus, e a outra é plenamente humana, porque ele é 100% homem. As duas coexistem, mas as duas não se misturam, não se fundem e nem se confundem. Porque se natureza divina e natureza humana em Jesus se fundissem, então ele não seria nem Deus, nem homem, seria uma terceira categoria, porque as duas naturezas se fundiram, se misturaram. Mas elas não se misturam. Natureza divina, natureza humana, mas unidas em uma pessoa. E não só unidas em uma pessoa, unidas de modo inseparável. De modo que quando ele morre, alguns vão tentar explicar isso e dizem assim: "Não, quando ele morreu, quem morreu é o homem, porque Deus não morre". Tá muito mal explicado. Porque o que a Bíblia ensina é que o Deus-homem morreu. Por isso, um escritor de hinos do passado, ele falando sobre o mistério da Cruz, num poema que se tornou hino muito lindo, ele diz assim: "Ó, que mistério! Veja mistério! Morre o imortal!" Não é? E foi isso que aconteceu na Cruz do Calvário. Você não pode dizer. Já disseram isso no início da história da igreja, e isso, obviamente, foi condenado como uma heresia, que então Jesus é Deus. Tá bem. Jesus é Deus. Ou, pelo menos, a divindade habita em Jesus. É o que dizia... Olha o outro problema. A divindade não habitou em Jesus. Nós não temos duas pessoas, uma pessoa, Jesus de Nazaré. Pense comigo, como o erro é pronunciado. Uma pessoa nasceu lá no ventre de Maria, se chama Jesus, um homem, Jesus de Nazaré. A outra pessoa é o Cristo celestial. Olha aí o problema. Então, quando ele nasceu, foi gerado no ventre da virgem, o Cristo celestial veio habitar no homem Jesus. Agora nós temos duas pessoas. Não temos uma pessoa só. Porque o Cristo celestial é uma pessoa, e o homem Jesus também é uma pessoa. Então aí está outra heresia, porque não foi isso que aconteceu. A pessoa divina do Filho, ele assume, ouça bem, irmão, ele assume, não uma pessoa humana, ele assume uma natureza humana. E é essa pessoa divina que é o Filho eterno, pessoal, eternamente pessoal. Essa pessoa é que dá personalidade a essa natureza impessoal que ele assumiu. Ficou claro? Então ele dá personalidade para essa pessoa chamada Jesus de Nazaré. Se nós perguntássemos assim: Qual é a personalidade de Jesus de Nazaré? É a personalidade do Filho eterno. Por isso que o Anjo Gabriel disse para Maria o quê? O ente santo que há de nascer será chamado o quê? Filho de Deus. Então ele deu personalidade para esse varão que andou nessa terra. Por isso que ele disse assim: "Quem me vê a mim, vê o Pai". Pai nele, ele no Pai. O Filho encarnado nessa terra, dando personalidade a uma natureza que não teria personalidade sem ele. Tanto é que José não participou dessa geração. O Espírito Santo operando nessa substância de Maria e vestindo o Verbo eterno, Filho, pessoa eterna, vestindo a ele de natureza humana. E agora a natureza humana e a natureza divina estão juntas, de modo inseparável, em uma pessoa. Jesus não tem dupla personalidade. Uma pessoa, mas com duas naturezas, divina e humana. Que homem é o nosso Senhor Jesus! E por isso nós podemos ser resgatados como fomos. Porque quando ele efetua sua obra na Cruz e apresenta o seu sangue diante de Deus, porque ele é Deus, então ele está nos justificando à altura das exigências de Deus. As exigências de Deus são a sua glória, a sua santidade e a sua justiça. Quem que poderia nos justificar nesse nível, meus irmãos? Qual anjo? Qual arcanjo? Qual serafim? Qual querubim? Todos são criados, todos são criaturas. Então ele nos justificou apresentando seu sangue. Ele nos justifica à altura das demandas do Deus eterno, demandas da glória, demandas da justiça, demandas da santidade, porque ele é Deus. Mas ele também é homem, então ele pode representar os homens. Há um só Deus e há um só mediador entre Deus e os homens, e o único que poderia sê-lo é Cristo Jesus, homem. Você vê como Paulo, inspirado pelo Espírito, é cuidadoso nas palavras para não se cair em heresias? E não só não se cair em heresias, mas ver a beleza, a abrangência, a plenitude da nossa salvação. Por isso, irmãos, que nós nos gloriamos, nós temos paz com Deus, nós nos realizamos, nós gozamos nele, porque nós somos justificados por essa pessoa. Então Paulo vai dizer que é nessa pessoa mesmo, aliás, nesse caso, antes mesmo da sua encarnação, é que nós fomos abençoados com toda sorte de bênção espiritual. E a primeira, abri o parêntese aqui, né? Agora fecho. E nós estamos falando sobre eleição, que é a primeira bênção aí. Então, não temos que atentar nem para os dardos da direita, nem para os dardos da esquerda, porque a eleição é inexplicável, assim como é a Trindade, assim como é a natureza divina-humana de Cristo, e mais outras coisas. Então, queria ler um texto para os irmãos. Como disse ontem na mesa de comunhão, ali no jantar, foi o melhor que eu encontrei para tentar nos ajudar, não é explicar, nunca, como já disse, mas nos ajudar a, quem sabe, dar uns passinhos aí mais para dentro dessa porta, essa verdade linda chamada eleição soberana. Então, eu vou ler o texto devagar. Seus irmãos, se quiserem, depois, ele está escrito aqui. Não se preocupem tanto em copiar. Posso passar para os irmãos o que está escrito aqui. A o seu ouvido aí, para você prestar muita atenção. Eleição é seleção. É o que antecede na mente de Deus, em Cristo, uma predileção ou preferência. A você podia pensar: "Mas que coisa estranha! Será que Deus preferiu uns, não preferiu os outros? Que será que determinou isso?" Primeira resposta é clara nas escrituras: nunca houve e nunca haverá nada em nós que poderá atrair a atenção de Deus. Nada. Então, ele não nos escolheu porque viu algo em nós, mesmo antes da fundação do mundo, conhecendo a nossa história que viria posteriormente, ou na sua presciência, como nós explicamos. Realmente, isso não foi assim. Não por obras. Efésios, capítulo 2: "Não é pela graça, sois salvos mediante a fé. Isso não vem de vós, é um dom de Deus, e não de obras, para que ninguém se glorie." Então, eleição é seleção. É o que antecede na mente de Deus, em Cristo, uma predileção ou uma preferência que Cristo mostrou quando disse assim aos seus discípulos: "Abre aspas, eu vos escolhi do mundo." Ou, se você quiser citar ainda outra expressão: "Não fostes vós que escolhestes a mim." E a palavra é eleição ali, né? "Eu vos elegi a vós outros." Então, está claro que há, não tem como usar uma outra palavra, pelo menos aqui na nossa linguagem humana, que houve uma preferência. Mas cuidado, não vá achar que você era uma pérola e por isso ele escolheu. Não. Mas o fato é que houve uma preferência no coração dele, já que ele disse, como nós vamos reforçar isso, ele disse para os discípulos: "Eu vos escolhi, eu vos separei." Então, ele demonstrou certamente essa preferência, não é colocando-os na frente de outros. Ele escolheria ainda outros, né? Mas ele começou com aqueles, certo? Então, isso é inequívoco. Seguindo: eleição é, além disso, uma pré-ordenação em amor. Ou, segundo o verso final do capítulo 1. E o que é que temos aí no capítulo 1? "Em amor nos predestinou". Essa palavrinha "em amor", meus irmãos, é muito importante aí. Ela não poderia estar fora desse texto. Não somente nos predestinou para ele, não. "Em amor nos predestinou para ele". Porque está mostrando qual foi o motivo pelo qual Deus realizou eleição em Cristo. E o motivo está aí nessa palavrinha: amor. Ele quis compartilhar com alguns, de modo particular e especial, o seu próprio amor. Então, em amor, ele nos predestinou para ele. O texto vai dizer para adoção de filhos. Depois vamos ver isso. Então, voltando: eleição é, além disso, uma pré-ordenação em amor. Então, aqui ele coloca dois pontos de novo e vai tentar explicar isso assim: você aí, seus ouvidos. Pré-ordenada a disposição em Deus que promoveu e sustenta a sua escolha. Então, uma pré-ordenação em amor. Uma expressão que indica, por um lado, repetindo, a disposição em Deus que promoveu e sustenta a sua escolha. Qual é a predisposição em Deus que promoveu, que sustenta sua escolha? Amor. Seguindo. E por outro lado, essa pré-ordenação em amor significa a determinação, determinação da vontade soberana pela qual a escolha, todo sábia, é posta em operação e tem efeito. Então, aqui ele colocou duas coisas em equilíbrio, você viu? Primeiro, o amor que sustentou e motivou a eleição. E por outro lado, a vontade todo sábia e soberana que realizou a eleição. Depois, você vai ver o que ele fala mais no final sobre isso. Vai ouvindo. Neste controle preordenado da história humana, Deus determinou os tempos previamente estabelecidos e os limites da sua habitação. O texto de Paulo em Atos 17, quando estava pregando em Atenas, no Areópago. A presciência divina. Agora, vamos pensar na presciência, ou seja, Deus conhece todas as coisas antes que elas se, antes que elas ocorram ou antes que elas se sucedam. A presciência divina, vírgula, aquela profundidade da sabedoria do conhecimento de Deus, como também a sua absoluta justiça, proíbem o pensamento traiçoeiro de qualquer coisa arbitrária ou parcial que tenha penetrado nessa predeterminação. Então, ele está dizendo que a predeterminação, por causa da absoluta justiça de Deus, essa absoluta justiça proíbe o pensamento de qualquer coisa arbitrária ou parcial que tenha penetrado na predeterminação. Seguindo ainda, qualquer coisa então que destruísse. Olha agora. Qualquer coisa que destruísse nosso livre-arbítrio. Essa é uma expressão que os reformados calvinistas não gostam. Eles dizem que livre-arbítrio não existe. Então, ele está dizendo que a essência de Deus, presciência de Deus, dois pilares aqui, ó: presciência de Deus e a sua absoluta justiça, proíbem o pensamento traiçoeiro de qualquer coisa arbitrária ou parcial que tenha penetrado nessa predeterminação, ou qualquer coisa que destruísse o nosso livre-arbítrio e que tornasse a nossa responsabilidade uma ilusão. Que linda frase, irmão! Porque se a nossa responsabilidade, como Deus nos criou, é uma ilusão, então como nós seríamos julgados? Mesmo nós que já somos dele, já pertencemos ao Senhor, como nós compareceremos perante o tribunal de Cristo? Como os irmãos conhecem muito bem essa verdade, para que cada um responda pelo bem ou mal que tiver feito por meio do corpo. Se nós poderíamos dizer: "Ah, Senhor, o Senhor sabe, né? O Senhor é soberano. Eu sou só aqui manipulado pelo Senhor. Sou só um robozinho, sou só a marionete." E os ímpios, quando eles estivessem diante do Trono Branco, o que é que eles diriam? "Ó, Senhor, Senhor, é o todo-poderoso. Eu fiz o que fiz porque eu sou assim mesmo." Ou então: "O Senhor não me escolheu." Será que será assim? Será que a justiça de Deus será maculada? Será que a escolha dele foi equivocada? Será que, quanto à eleição de Deus, quanto ao mistério da eleição de Deus, o assunto da responsabilidade do homem não participou? São perguntas. Sim, participou. Agora, como participou, não sabemos. Vamos lá, mais um pouco. Olha que linda essa frase final aqui desse parágrafo: "Deus prevê todas as coisas". Claro, aí entra o que o irmão colocou, porque ele é onisciente. E se ele é onisciente, ele conhece todas as coisas. Então, ele é presciente. Como vai ser onisciente sem ser presciente? Impossível. O onisciente é presciente necessariamente. Então, Deus prevê todas as coisas e faz provisão para todas elas. Então, bonitas essas duas palavras, né? No nosso português, se parecem bastante, né? Então, quando você for pro seu quartinho, tranque lá e pense um pouco e adore o Senhor por isso. Nosso Deus é o Deus que faz previsão, previsão e é o Deus que faz provisão. Amém. Olha que maravilha isso, irmão. Continuando. Olha aí um outro ponto grave que ele pega aqui. Olha a consistência ou a coerência da presciência com o livre-arbítrio. Esse aí é o dardo da direita, o dardo da esquerda, não é? Então, como é que vamos colocar juntos a presciência de Deus? Ele previu porque ele conhece tudo, mas o homem tem livre-arbítrio. Então, ele vai dizer: "A consistência da presciência é um enigma." Aí ele continua assim: "É um enigma que o apóstolo Paulo não tenta resolver." Ou tenta? Qual o texto aí da Bíblia que ele está explicando a presciência de Deus, explicando a eleição? Em nenhum. Ele está apenas afirmando que foi assim, né? Então, esse é um enigma que o apóstolo não tenta resolver. As respostas de Paulo a todas as questões relacionadas à justiça da administração de Deus. Ah, então, por que ele fez assim? Por que ele escolheu esse? Por que não escolheu aquele? Porque então as questões relacionadas à justiça da administração de Deus nas eleições da graça. Resposta de Paulo a isso está nas últimas palavras de Efésios 1:5, que aliás, nós comentamos ontem. Qual é a resposta de Paulo para esse enigma? Resposta: "Segundo o beneplácito da sua vontade." Então, por que que Deus soberanamente realizou a eleição? Segundo o beneplácito da sua vontade. Você entende? Não. Alguém entende? Não. Mas ele o fez segundo o beneplácito da sua vontade. Terminando aqui, já finalzinho do que ele escreve. E assim, então, coerente com Paulo, que diz: "Foi segundo o beneplácito da sua vontade", e ponto final. Ele vai dizer: "Jesus também disse: 'Sim, ó Pai, porque assim foi do teu agrado.'" Tem explicação? Não. "Assim foi do teu agrado." Mas olha que bonito agora, ainda como ele termina falando sobre isso. Escute bem: aquilo que foi do agrado de Deus, ou aquilo que apraz a Deus, somente pode ser sábio e reto. Você tem alguma dúvida? Se Deus está dizendo: "Eu a mim me apraz realizar a minha eleição soberana", tudo que apraz a Deus tem que ser coerente com o caráter dele, e ele é sábio, reto e justo. Então, a eleição divina soberana é sábia, reta e justa, e não anula o livre-arbítrio do homem. E é aí que reside o enigma, para ser mantido como enigma, até que um dia nós vejamos com clareza. E aí, a última frase dele é assim: "Então, se o que apraz a Deus somente pode ser sábio e reto, então o que o apraz deve contentar-nos. Ponto final. Parar de buscar encontrar cabelo em ovo. Graças a Deus, meus amados irmãos, nós fomos escolhidos por ele. Amém. E um dia a voz dele foi ouvida no nosso coração, e nós teríamos até que dizer: "Eu não sei bem como." Não, porque onde eu estava, no estado que eu estava, eu não era nem capaz de ouvir a voz dele. Mas de alguma maneira, meus ouvidos foram abertos. E você não vai saber explicar como seus ouvidos foram abertos. Mas foram abertos. Parece o cego de Lucas, de João 9, não parece? Lembra a história do cego de João 9? Ele nasceu cego, ele nunca viu nada. Ele foi curado pelo Senhor. Aí vêm os homens da lei e vão indagar: "Ó, mas o que aconteceu? Será que ele é cego da asna?" Vamos perguntar para os pais dele. Não é? Aconteceu. E aquela história toda. E o cego não tem muita coisa para dizer. Mas ele tem tudo para dizer. O que ele tem a dizer é o seguinte: "Eu era cego e agora eu vejo." E se esse homem não fosse um profeta, ele... ele chama, ele reprova, né, os homens da lei, porque ele diz assim: "Vocês não sabem que está escrito aí na lei que vocês leem na sinagoga todo dia, que a única pessoa capaz de dar vista para um cego de nascença, segundo a escritura, suas e nossas, é o Messias? Não tem ninguém que seja capaz disso. Está escrito na palavra. Vocês não sabem disso?" Então, se esse homem deu vista a mim, que sou um cego de nascença, quem será que ele era? E deixa eles chegarem à conclusão. Não é? E eles chegam a uma conclusão. O que é que eles devem fazer com o cego? A conclusão deles é: "Vamos expulsar esse cego da sinagoga. Ele não tem mais direito de ficar aqui, porque sinagoga é lugar de cego." Sinagoga é lugar de cegos. Então, vamos expulsar esse que foi curado para que ele vá para outro lugar. Aí é dito que quando ele encontra o Senhor, é dito que ele se prostra e o adora. A sinagoga continuou lá na cegueira, mas aquele ex-cego foi tornado um discípulo do Senhor. Assim foi conosco, meus irmãos. Então, esse é o sentido da eleição. Essa primeira bênção espiritual maravilhosa nas regiões celestiais em Cristo, verso 4. "Assim como nos escolheu nele". Que doce soam essas palavras para nós, não é? "Antes da fundação do mundo". E aí tem mais um parágrafo aí. "Para sermos santos". Separados. Nos escolheu para fora do mundo, de suas coisas. Vocês escolheu para fora de relacionamentos, vocês escolheu para fora de planos, projetos puramente humanos. Nos escolheu para fora de uma vida egocêntrica. Santos, irrepreensíveis perante ele. E segunda bênção, agora, em amor, como já falamos: "nos predestinou para ele". Predestinação não é igual à eleição. Eleição vem primeiro e significa o que nós já tentamos compartilhar aqui. Predestinação é o segundo ato, após a eleição. Aqueles que o Senhor escolheu, já. Ele os predestina. Ele dá a eles um destino antecipado. Predestina. E predestina para o quê? Abra, por favor, Romanos 8:29. Talvez você já saiba de cor, mas eu quero que você veja na Bíblia. Vamos ler o 28 também. Romanos 8:28: "Todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, aqueles que são chamados segundo o seu propósito", que é o tema central da epístola aos Efésios, o eterno propósito de Deus. "Aqueles que são chamados segundo o seu propósito." Romanos 8:28. Agora, o 29: "Porquanto", palavrinha importante, porque está explicando o propósito do verso anterior. Então, ele escolheu segundo o seu propósito. Aí ele vai dizer: "Porquanto aos que de antemão escolheu, também também os predestinou." Então, agora nós entendemos aí a predestinação. Realmente, ela é um assunto, digamos, bem mais simples de compreender, porque a predestinação atinge os que já foram eleitos. E a grande questão enigmática está nessa eleição maravilhosa, soberana, que nós vimos, né? Então, esse que ele já separou.
Pela eleição da Graça Soberana, ele os predestina e os predestina para serem, olha o texto, conforme ou conformados à imagem do seu Filho. Amém. Para que o seu Filho unigênito, agora, seja o primogênito, primeiro de uma série de outros semelhantes a ele, primogênito entre muitos irmãos.
E aí, lindo também o verso 30 para cumprimentar a ideia, porque ele coloca os verbos todos no passado. Ele vai dizer que aos que chamou, a estes justificou, e a estes também glorificou, colocando até o glorificou no passado, né? Porque nesse capítulo 8 de Romanos, versos anteriores, você vai ver ele dizer que, eh, nós, como filhos, temos as primícias do espírito, que por isso gememos o nosso íntimo, aguardando a adoção de filhos, a redenção do nosso corpo. E isso é exatamente a nossa glorificação, que está escrito nesse verso aí 30.
Então, como Paulo já vê isso real, completamente em Cristo, essa redenção do nosso corpo, então ele coloca o verbo lá no passado, dizendo: "Está feito". Para os que pertencem ao Senhor, está encerrado este assunto. Eles serão glorificados porque Cristo é o Senhor deles. Eles terão seu corpo de humilhação tornados semelhantes ao corpo da sua glória (Filipenses 3:20), conforme o poder que ele tem de até mesmo subordinar a si todas as coisas.
Meus irmãos, quase perdemos o fôlego. Já tô com pouco fôlego, né? Tô todo congestionado aqui. Que palavras, meus irmãos! Que herança nós temos! Que eleição nós tivemos! Que predestinação em amor nós tivemos! Santos e irrepreensíveis. Lembra das palavras de Judas? Judas não, não menciona especificamente ali a predestinação, mas é o tema dele no finalzinho da epístola dele. Ora, aquele que é poderoso para vos guardar de tropeços e vos apresentar irrepreensíveis, imaculados, diante da sua glória. Qual que é o tema de Judas? Que nós somos predestinados para sermos glorificados e sermos tornados semelhantes ao Filho glorioso. Então, diz: "Sim, ele é poderoso para vos guardar de tropeços e vos apresentar imaculados, irrepreensíveis, diante da sua glória." Aí ele vai dizer: "Ao Rei, ao Rei único, eterno, seja a glória pelos séculos dos séculos."
Então, a segunda bênção é a predestinação em amor para sermos filhos de adoção. Vamos falar um pouquinho. Temos mais 5 minutos. Vamos buscar respeitar bem os horários para podermos ter o melhor proveito. 5 minutos. Então, um pouco sobre a palavra adoção, que está aí. Olha, e acho que poderíamos, certamente, designar como a próxima bênção. Então, ele nos predestinou em amor. Ela tá ligada, eh, adoção está ligada à predestinação, né? Então, nos predestinou para ele. Aí você tem um outro "para". Você tá vendo? Primeiro é "para ele", predestinados. E segundo é "para a adoção de filhos". É só uma outra maneira de dizer assim: "para ele", predestinou para ele. Para sermos semelhantes a ele. Compreendeu? Porque adoção de filhos é exatamente isso.
Vamos ver se é mesmo? Vamos lá para Romanos 8, onde nós estávamos. Romanos 8, verso 15. Essa palavra *huiothesia* aparece apenas cinco vezes em todo o Novo Testamento. Não precisamos ir às cinco menções. Vamos só algumas delas. Significa filiação, *huios*, filhos adultos, maduros. *Huiothesia*, filiação. Romanos 8:15 diz assim: "Não recebestes o espírito de escravidão para viverdes outra vez atemorizados, mas recebestes, já passado, ato consumado, recebestes o espírito de *huiothesia*, recebestes o espírito de adoção." E é baseados nesse recebimento desse espírito de adoção, que é o Espírito Santo, claro, é que nós clamamos: "Aba, Pai!"
Muito impressionante, irmãos, esse versículo. Você sabe por quê? O único que poderia chamar o Deus eterno, único, verdadeiro, de Pai, é o seu Filho. Ninguém tem esse direito. Deus não é chamado de Pai no Velho Testamento em nenhum lugar, a não ser em três passagens onde Deus, como Pai, é mencionado. Mas, olha, escute aqui, apenas no sentido que ele é o originador de todas as coisas, o criador de todas as coisas. Pai no sentido de criador, não pai no sentido de filiação. Entendeu a diferença? Ele só é chamado um autor cristão. Aliás, muito interessante, algum dos seus escritos chamado James Packer, J. Packer, alguns aqui já devem ter entendido alguma coisa dele. Ele disse assim: "Ele diz assim: 'Pai é o nome cristão de Deus.'" Olha que frase linda. Pai, porque o Senhor disse assim para os seus discípulos: "Vós, vós, não as criaturas, o mundo. Vós orareis assim: Pai nosso que estás nos céus." Que maravilha, meus irmãos!
Quando o Senhor ressuscita e se revela a Maria Madalena, que que ele diz? "Não me detenhas, porque eu ainda não subi para o meu Pai." Essa relação que nunca foi quebrada, eterna. Prosa. Não é só foi quebrada na cruz do Calvário por causa do pecado sobre ele. Não, nele. Sobre ele. "Não me detenhas, porque ainda não subi pro meu meu Pai." Tão pessoal, tão íntimo, só dele. Mas aí ele diz: "Mas vai ter com os meus irmãos." Ele também nunca chamou os discípulos de irmãos. Chamou de servo, chamou de amigo, chamou de apóstolos, chamou de discípulos, mas nunca de irmãos, porque eles não eram seus irmãos até ali. Mas agora ele morreu, e agora ele pode, ressuscitou, e pode repartir a vida dele com o seu. Foi o que ele fez. Então, ele diz: "Vai ter com meus irmãos e diga-lhes: Subo para o meu Pai." Ele reforça isso. Mas também ele diz: "O que é mais? E para o vosso Pai, para o meu Deus, meu Deus, mas também para o vosso Deus." Sabe, meus irmãos, nosso Senhor estabelece duas relações ali. Eu vou terminar com isso aqui. Quando voltarmos no segundo período, vamos voltar aqui nesse mesmo ponto. Ainda tenho muito mais para falar sobre isso.
Quando o Senhor Jesus disse para Maria: "Meu Pai e vosso Pai, meu Deus e vosso Deus", ele estabelece uma dupla relação dos seus discípulos com Deus. A primeira, filiação, adoção, *huiothesia*, que nós estamos estudando. Não é só meu agora, é vós também, porque vocês têm a minha natureza. E não só isso, tendo a minha natureza, vocês também terão a minha glória. A minha glória. Paulo escreve aos Tessalonicenses que nós fomos chamados para alcançar a glória do nosso Senhor Jesus Cristo. Alcançar a glória do nosso Senhor Jesus Cristo. Isso é o nosso chamado. Então, "meu Pai, vosso Pai", relação de filiação. "Meu Deus e vosso Deus", relação de sacerdócio, serviço. Então, se nós disséssemos assim: quem é o Deus, expressão que está aqui em Efésios, e aí é que nós vamos voltar no próximo período. Quem é o Deus e Pai do nosso Senhor Jesus Cristo? Por que Deus e Pai do nosso Senhor Jesus Cristo? Porque Jesus é o Filho amado diante do Pai, e Jesus é o servo perfeito diante de Deus. As duas linhas, irmãos, que são como dois fios de ouro que vão de Gênesis a Apocalipse na Bíblia toda: filiação e sacerdócio. Filiação e sacerdócio. Somos filhos e somos sacerdotes de Deus, do Deus Altíssimo, porque o Filho, segundo o livro de Hebreus, Hebreus 5:5: "Tu és meu Filho, eu hoje te gerei. Tu és sacerdote para sempre, segundo a ordem de Melquisedeque." Quem é o Filho de Deus é o filho sacerdote. Quem somos nós? Os filhos sacerdotes, assim como ele é. Então, "meu Pai, vosso Pai", relação de filiação. "Meu Deus, vosso Deus", relação de sacerdócio. Deus e Pai do nosso Senhor Jesus Cristo.
Vamos ter uma breve palavra de oração. Façamos, então, o intervalo. Obrigado, querido Pai Celestial. Obrigado porque tu, que sempre foste o único Deus e Pai do nosso Senhor Jesus Cristo, também és o nosso Deus e o nosso Pai. Que segurança, que paz, que gozo, Senhor! Habilita-nos para honrar o teu nome como nosso Pai e nosso Deus. Assim te pedimos, que o Senhor continue a explicar, interpretar, selar as tuas palavras no nosso coração, para que produzam fruto, Senhor, para tua honra, para tua glória. Em nome de Jesus. Amém.