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Luciano Subirá - POR QUE ORAR?

Luciano Subirá1:16:46

Transcription

Eh, Tiago, Capítulo 4, Versículos 2 e 3. Eu vou ler na Nova Almeida Atualizada. O texto diz assim: “Vocês cobiçam e nada têm; matam e sentem inveja, mas nada podem obter. Vivem a lutar e a fazer guerras; nada têm, porque não pedem. Pedem e não recebem o que pedem, porque pedem mal, para esbanjarem em seus prazeres.”

Eu quero tomar essa declaração de Tiago e, a partir dela, desenvolver uma pergunta, ou na verdade, a preparação para uma resposta a uma pergunta importante. Pergunta que eu quero estabelecer como tema da minha mensagem hoje: por que orar?

Falando em por que orar, vamos primeiro orar. Pai, muito obrigado por esse tempo de podermos ser expostos ao ensino da Tua palavra, e nós Te pedimos mais do que informação, mais do que orientação; nós clamamos por luz, por revelação, por entendimento espiritual. Nós oramos por estímulo, nós oramos por despertamento, nós oramos por aquele toque que acompanha a Tua palavra, assim como aquela aplicação personalizada que só o Senhor pode produzir. E Te damos glória e louvor, não só pela oportunidade de receber, mas também de corresponder com a Tua palavra. Oramos em nome de Jesus, contando com a Tua graça e o agir do Teu Espírito Santo. Amém.

Bom, esse texto que nós vamos tomar como ponto de partida, uma declaração que Tiago, inspirado pelo Espírito Santo, faz, destaca pessoas que almejam coisas que não alcançam. Então, ele começa no início do verso 2 dizendo: “Vocês cobiçam e nada têm”. A ideia da cobiça, né? Não fala apenas de um desejo errado, mas de um anseio que não é suprido, que não é alcançado. Na sequência, ele diz: “Matam e sentem inveja, mas nada podem obter”. De novo, a ideia de não alcançar aquilo que se deseja. Depois, ele volta a enfatizar: “Vivem a lutar e a fazer guerra”, mas dessa vez ele conclui: “Nada têm, porque não pedem”, ou como dizem as traduções mais antigas: “Nada tendes, porque não pedis”. Basicamente, Ele está dizendo que a razão de não alcançarem aquilo que querem é porque tentaram isso apenas pelas formas, eu diria, não só naturais, mas carnais, e excluir aquilo que eu chamaria de uma grande chave de acesso à manifestação de Deus e ao sobrenatural, que é a oração. Em primeiro lugar, ele fala de pessoas que não experimentam a intervenção divina porque não oram, mas depois ele fala de um grupo que até ora, mas não recebe de Deus, porque, apesar de pedir – que é a coisa certa para se receber de Deus, orar –, eles fazem a coisa certa do jeito errado e não conseguem resultados. Ou seja, tanto por um motivo – não orar –, como por outro – orar de forma errada –, eles acabam não acessando a intervenção divina.

Eu tive o privilégio de nascer e crescer no lar cristão. Então, desde que eu me entendo por gente, eu ouço sobre a oração. Mas eu tive o privilégio de ouvir não apenas o aspecto teórico da oração, gente falando a respeito do que a Bíblia diz ou da experiência de outros; eu tive o privilégio de ver a oração funcionando dentro de casa enquanto eu era criado. E nesse ambiente de oração, nós vimos manifestações do poder de Deus e do sobrenatural, a nossa família, que sempre tiveram um impacto positivo na minha vida. Mas foi depois dos 15 anos, com a experiência do batismo no Espírito Santo, que eu comecei a me sentir irresistivelmente, né, provocado, atraído para um lugar de oração. E digo irresistivelmente, porque quanto mais eu entendia o que era a dinâmica de operação do Espírito Santo e quanto mais eu entendia que isso estava relacionado com a vida de oração, mais provocado eu me sentia. E por ser alguém que, desde bem cedo, começou a entender a importância, pela própria escritura, do sobrenatural, eu queria viver isso. Eu sou de uma época onde já foi popular na igreja o ditado: “Onde há muita oração, há muito poder” – uma clara referência ao poder de Deus –, mas “onde há pouca oração, há pouco poder”. Nem todo mundo concluía a terceira parte do ditado, que era óbvio: “E onde não há oração, não há manifestação do poder de Deus”. Então eu sempre soube que a oração é uma chave de acesso para para o sobrenatural. E se eu e você queremos viver as intervenções de Deus, nós precisamos entender a importância de uma vida de oração.

Me lembro que, ainda garoto, procurei uma vez um homem de Deus. Falei: “Ora por mim”. Ele falou: “Oro, mas pelo que você quer que eu ore?” Falei para ele: “Eu gostaria de ter mais experiências com Deus”. Ele falou: “Se você quer ter mais experiência com Deus, em vez de estar me pedindo para orar por você, você é que deveria estar desenvolvendo uma vida de oração; porque disse, é lá na sua vida de oração que você vai ter as experiências”. Você está querendo alcançar comigo orando por você? Eu fiquei um pouco ofendido, achei ele rude, mal disposto, né, sem vontade de abençoar os outros; mas, de alguma forma, eu percebi, não completamente naquele momento, que aquele conselho estava carregado de toda a verdade que eu precisava. Se havia um lugar onde o sobrenatural seria acessado, era na minha vida de oração, e não apenas pedindo oração para os outros.

Quando você lê o livro de Atos, a maior parte das experiências extraordinárias narradas tem um pano de fundo em comum, que é uma vida de oração. No dia de Pentecostes, o que é que aquele povo estava fazendo? No cenáculo. Atos 1:1 diz que eles perseveravam unânimes em oração. Então, a experiência da visitação do Espírito Santo em Atos 2 foi gerada naquele ambiente de oração. Em Atos, Capítulo 3, nós temos um milagre de um paralítico sendo levantado na porta formosa do templo. A Bíblia diz que Pedro e João iam, como de costume, à hora da oração. Naquele desenvolvimento de uma vida de oração, eles começam a ver sinais e prodígios. Em Atos, no capítulo 4, a Bíblia fala dos discípulos novamente sendo cheios do Espírito Santo, mas não só eles; a Bíblia diz: “O lugar onde estavam reunidos tremeu”. Você consegue imaginar uma reunião dessa, onde o prédio, o ambiente em que nós estamos, todo é sacudido com o poder de Deus? E a Bíblia diz: “E todos foram cheios do Espírito Santo”. E você vai seguindo a narrativa bíblica: um anjo de Deus aparece para Cornélio. Atos 10. O que é que Cornélio estava fazendo? Orando. O apóstolo Pedro tem uma visão no telhado, em paralelo ao que está acontecendo com Cornélio. O que é que Pedro estava fazendo em cima do telhado enquanto preparava comida? A Bíblia diz que Pedro subiu, né, ao eirado para orar. Quando você olha a visão que Ananias tem e o Senhor aparece a ele, tem um contexto, não só Ananias, mas Paulo especificamente está três dias trancado sem comer e nem beber, orando, né, e o Senhor se manifesta a Ananias dizendo: “Vai lá, impõe as suas mãos sobre Paulo”. E nós vemos uma experiência sendo provocada. O Senhor Jesus aparece para Paulo no templo. O que é que Paulo estava fazendo lá no templo? Piquenique? Não, estava orando. E você percebe que a oração é, de fato, uma porta para o sobrenatural, não apenas para experiências, mas também para vivermos além das respostas às orações, o nível maior da manifestação do Reino de Deus nessa terra.

Mas a pergunta em cima da qual nós queremos trabalhar é: por que orar? Porque a oração acaba se tornando essa porta de entrada para a manifestação do sobrenatural. Eu quero, antes de tentar trabalhar o conceito correto, eu quero trabalhar dois questionamentos que eu particularmente me fiz muitas vezes e já vi muita gente, né, fazer o mesmo tipo de indagação e pergunta. Em primeiro lugar, eu quero trabalhar a ideia de que a oração não é meramente informativa. Ela não tem o propósito de comunicar a Deus uma necessidade. O Deus onisciente, que conhece tudo, o Deus presciente, que conhece as coisas antes de acontecerem, não precisa ser informado sobre um problema. Então, a oração não cumpre um papel de informar Deus sobre uma necessidade, uma vez que Ele já sabe de tudo.

O segundo questionamento diz respeito à vontade de Deus. Muita gente me pergunta: “Mas Deus não faz o que quer, quando quer, como quer, do jeito que quer, uma vez que Ele é soberano?” Eu digo para as pessoas: “Não confunda soberania com unilateralidade. Deus não age sozinho; Ele chama o tempo todo o homem para um lugar de interação, e Ele só faz isso porque Ele quis, Ele decidiu ser soberano do jeito Dele”. De vez em quando eu vejo gente dizendo que se Deus depende do homem para fazer alguma coisa, Ele não é soberano. Eu digo: “Se Ele precisar estar reduzido ao seu conceito de soberania, que Ele não é soberano; Ele é soberano do jeito que Ele quer. Se Ele decidiu agir assim, se Ele decidiu revelar na Sua palavra que as coisas funcionam assim, elas são assim, ponto final”. Mas, estritamente entre nós, quando você pensa: “Se Deus faz o que quer, como quer, do jeito que quer, então por que que nós vamos orar? Ele já vai fazer o que faria independente de orar; Ele não vai fazer nada porque eu orei. Então, porque Ele me mandaria, não apenas deixaria a porta aberta, mas me mandaria orar para que Ele faça o que Ele já ia fazer independente da minha oração?” Se nós não entendemos essas questões, provavelmente a nossa vida de oração não vai ser provocada ao nível de de resposta que eu e você precisamos que ela seja. Então há algumas verdades nas quais eu quero trabalhar. Eu vou mexer primeiro nesses dois conceitos para só depois responder: por que orar?

Então, uma das coisas que eu e você precisamos levar em consideração é que o reino de Deus, como um todo, suas verdades, seus princípios, não deveriam sofrer o que muitas vezes nós fazemos, que é uma leitura emocional. Um dia eu perguntei para alguém: “Por que que você ora, Deus?” Ela falou: “Eu oro a Deus porque Deus pode fazer qualquer coisa”. Eu falei: “Mas o fato Dele poder não significa que Ele vai fazer. Uma pessoa rica pode dar muito dinheiro para uma pessoa pobre em necessidade, mas o fato de que ele pode não significa que ele vai fazer, a menos que ele queira”. Eu falei: “Então, apenas acreditar que Deus pode não leva a mim, a você, provavelmente a nenhum lugar prático, a menos que a gente entenda que Ele queira”. Então, a oração, ela precisa nos levar além do entendimento de que Deus pode agir; nós precisamos compreender que o Deus que nos mandou orar tem prazer em responder orações e decidiu usar essa forma para que Ele pudesse se mover e realizar coisas extraordinárias na terra. Quando eu e você entendemos porque orar, nós vamos entender que Deus nos chamou a esse lugar de oração porque nossas orações são parte fundamental do processo para que o sobrenatural se manifeste na terra. E aí nós começamos a entender que o Deus que nos chamou a orar não apenas pode, mas Ele quer responder. Isso já faz toda a diferença. Mas vamos em parte, vamos construir isso, né, com uma coisa de cada vez. Eu disse antes que muitas vezes a nossa leitura emocional… Outro dia eu falei para alguém: “Por que que você está orando por algo?” Ela falou: “Não, porque Deus sabe que eu preciso”. Falei: “Mas se Ele já sabe, o que que você está falando para Ele?” Eu vi que a pessoa ficou quieta. Ela falou: “Não pensei nisso antes”. Ela falou: “Mas Ele me ama”. Eu falei: “Mas Ele te ama antes de você orar. E se Ele não fez nada antes de você orar, por que que você acha que Ele vai fazer depois?” Mas eu estava tentando ajudar essa pessoa a pensar um pouquinho mais e sair fora só daquela esfera emocional, e eu tive que parar a conversa porque, em vez de ajudar a fé dela a crescer, eu vi que eu estava levando as pessoas para um lugar de incredulidade. Eu falei: “Não, não, não, não, não estou falando dessas coisas como se eu não acreditasse; eu acredito, eu tenho vivenciado isso; só quero te ajudar a entender a mecânica, a dinâmica que está por trás da vida de oração”.

Então, algumas coisas que eu e você precisamos entender: que o reino de Deus, em tudo na sua expressão, é baseado, é constituído de leis que o próprio Deus estabeleceu. Tratam-se de leis espirituais. Essas leis regem… Assim como Deus criou leis físicas que regem a natureza – a lei da gravidade é uma delas – e mantém todas as coisas no seu devido funcionamento, o reino espiritual tem leis que o Criador estabeleceu, e nós precisamos entendê-las para que a gente possa se mover de forma adequada dentro do Reino de Deus, não com mero conceito emocional, mas com consciência, com revelação bíblica. Então, a primeira questão é que nós precisamos jogar fora dessa equação a ideia de que a oração é informativa. Eu lembro quando adolescente, vi um pastor pregando sobre oração, e ele falou: “Você precisa argumentar com Deus a ponto de convencê-Lo que você precisa de algo”. Pensei: “Se eu tiver que convencer Deus, eu estou numa disputa injusta. Ele já sabe o argumento que eu vou usar antes. Você está preparado para tudo”. Eu falei: “Quem que ganha uma discussão dessa? Quem que argumenta nesse nível?” E eu percebi que, embora a tentativa daquela pessoa fosse boa, a intenção fosse boa, muitas vezes algumas declarações que transformamos de uma forma, né, absoluta, elas não são bem assim. Eu e você precisamos entender que o propósito da oração não é informar Deus. Jesus diz em Mateus, capítulo 6, quando no Sermão do Monte está ensinando sobre oração, ele diz, versículos 7 e 8: “E orando, não usem vãs repetições como os gentios; porque eles pensam que por muito falar serão ouvidos. Não sejam, portanto, como eles; porque o Pai de vocês sabe o que vocês precisam antes mesmo de pedirem”. Ou seja, antes de você pedir, Deus já sabe o que você precisa. Então, na hora que você pedir… Jesus não está dizendo para não pedir. Quando você olha o texto, ele está justamente dizendo: “Quando vocês orarem, orando…” Ou seja, é para orar, mas Ele está dizendo: “O propósito da oração não é informar a Deus”.

Pastor, o senhor está dizendo que a gente não deveria repetir a oração? Não é isso que Jesus está falando. Ele está dizendo que nós não devemos usar de vãs repetições. Em outras palavras, acredito que Ele está falando que a oração não deve ser transformada numa fórmula, numa espécie de reza que é repetida, e você ter o conceito errado e que vai vencer na canseira. Alguns acham que por muito falar serão ouvidos. Já vi gente distorcer o que Jesus ensinou em Lucas 18, quando Ele conta uma parábola sobre uma viúva que é chamada de viúva importuna. Já vi gente dizendo: “Você tem que importunar Deus, incomodar Deus”, né? E eu olho e digo: “Não foi isso que Jesus ensinou”. Jesus fala de uma viúva que importunou um juiz iníquo. Esse juiz não é a figura de Deus; ele não reflete o caráter de Deus. Ele é um homem ímpio, sem valores; ele não estava nem aí para fazer justiça para aquela mulher, mas ele cedeu pela importunação, porque foi incomodado. O que Jesus está fazendo não é a comparação desse juiz com Deus; é um contraste. Assim como num outro momento em Mateus 7, Jesus disse: “Se vocês, sendo maus, sabem dar boas dádivas aos vossos filhos, quanto mais o Pai celestial não dará coisas boas àqueles que lhe pedirem?” Quando Jesus diz: “Quanto mais”, Ele está dizendo: “Vocês são ruins, maus, já dão bem aos filhos; imagina Deus, que é bom”. Não é mera comparação; é um contraste, é um destaque. Ele está dizendo: “Deus está em outro patamar”. Em outras palavras, Jesus está dizendo: “Ele não vai ser vencido pela importunação”. O que você precisa entender é que há Nele uma disposição de te atender e de fazer algo em seu favor. Quantos estão entendendo? Jesus não está falando contra insistência da oração. Lucas 18:1, antes de falar da viúva importuna, registra o seguinte: “Jesus lhes contou uma parábola para mostrar que deviam orar sempre e nunca desanimar”. Essa insistência na oração já mostra que o propósito da oração não é informativo. Por que que eu vou orar uma segunda vez se eu já informei a Deus na primeira? Então, obviamente, não se trata de informação.

Quando nós tiramos isso da equação, ressalta-se novamente a pergunta: então, por que orar? A oração tem outro motivo, tem outra razão de ser. Ah, pastor, mas a Bíblia usa aquela expressão sobre “lembrar a Deus”. Esse é um texto que você, você vai ver muito, em especial no contexto do Velho Testamento, por exemplo, Isaías 62:6 e 7. O próprio Deus falando sobre: “As tuas muralhas, ó Jerusalém, posto guardas que jamais se calarão, nem de dia nem de noite; vocês que farão com que o Senhor se lembre; não descansem, nem deem a Ele descanso, até que reestabeleça Jerusalém e a ponha por objeto e louvor na terra”. É uma palavra do próprio Deus. As traduções mais antigas dizem: “Sobre os teus muros, ó Jerusalém, pois atalaias nelas”. Aqui a Bíblia está falando: são guardas sobre as muralhas. Qual o propósito desses vigias? Insistir noite e dia, fazer lembrado o Senhor até que Ele restaurasse a sorte de Jerusalém? Por quê? Porque Deus tinha promessas. Essa expressão de “fazer lembrado” não significa que Deus tenha problema de memória, não significa que Ele seja esquecido, não significa que Ele seja distraído, embora muitas vezes a Bíblia use o que na teologia nós chamamos de antropomorfismo – essa palavra grande complicada – fala de Deus usando figuras que o homem necessita a fim de poder entender aquilo que ele não tem um outro paralelo para entender. Então, quando a Bíblia diz que os olhos do Senhor passam sobre a terra, não significa que os olhos Dele necessariamente sejam como os meus e os seus. Quando a Bíblia fala da mão do Senhor, não significa que necessariamente Deus tem uma forma física humana como a nossa ou como a que Jesus assumiu; também não estou negando isso, mas não significa que seja necessariamente assim. Muitas vezes essas palavras nos ajudam a entender, né, paralelos espirituais para os quais não existiria uma outra forma de nos descreverem. Por exemplo, estava conversando essa semana no carro com a minha filha numa viagem. Eu falei: “Interessante a Bíblia dizer que no dia do tribunal do juízo vão se abrir os livros; porque todo registro de antigamente, quando essas verdades foram escritos, era feito na forma de livros”. Eu falei para minha filha: “Particularmente, imagino que se esses textos fossem inscritos hoje, talvez falaria de um outro formato de registro digital”. Falei para minha filha: “Imagino, passarão os vídeos”. Quando falei isso, minha filha ficou preocupada. Falou: “Pai, se for no formato de vídeo, só a gente vê ou todo mundo vê a vida da gente?” Eu falei: “Você tem algo a temer?” Ela falou: “Não, mas seria uma coisa muito estranha, né, a gente assistia ao vídeo, todo mundo”. Ela falou: “É gente demais”. Eu falei: “Tempo é o que não vai faltar na internet, é na na eternidade, né?” E ela olhou para mim e falou: “Você está falando sério?” Falei: “Não estamos brincando, especulando, né? A Bíblia só fala dos livros”. Mas isso não significa que seja uma declaração absoluta, que seja a única forma de registro. Então, quando a Bíblia usa a expressão “lembrar o Senhor”, normalmente isso vem dentro de um contexto. Qual o contexto? Ou Deus fez uma promessa, e lembrar é dizer: “Senhor, já assumiu um compromisso e revelou a sua vontade para ir em outra direção”. Então, Jerusalém estava vivendo um momento delicado e complicado, mas Deus estava dizendo: “Eu coloquei atalaias sobre os muros, intercessores, pessoas que vão clamar noite e dia até que Deus restabeleça”, e eles têm o propósito de estar lá declarando diante de Deus o que é que Ele falou, o que é que Ele prometeu, o que é que Ele sinalizou querer fazer. Agora, se Ele já prometeu, já sinalizou querer fazer, porque alguém tem que orar para que isso aconteça? É a grande pergunta.

Mas já que eu toquei no assunto de lembrar, vamos falar de alguns textos bíblicos que mostram essa ideia de que não se trata de esquecimento divino, mas de um exemplo aonde a oração apresentada visa reivindicar algo onde Deus já se comprometeu a fazer. Gênesis 19:29 diz o seguinte: “Assim, quando destruiu as cidades da Campina” – tá falando de Sodoma e Gomorra –, “Deus se lembrou de Abraão e tirou Ló do meio da destruição, quando subverteu as cidades em que Ló tinha morado”. Quando a Bíblia diz: “Deus se lembrou de Abraão”, não, não está falando de um problema de memória, por quê? A destruição acontece na madrugada, quando o dia está para amanhecer, antes do anoitecer. No dia anterior, Abraão está diante de Deus intercedendo por Sodoma e Gomorra. O Senhor destruiria a cidade se houvesse nela tanto justo. Eu disse: “Não, Abraão, pensa, joguei alto aí”. Diz: “Não, se eu perguntar a segunda vez, ele vai baixando o número. Segunda, terceira, quarta”. E aonde ele chega? Deus diz: “Se houver tanto de justo, eu não destruo”. Mas você percebe claramente que é um posicionamento de intercessão da parte de Abraão. No dia seguinte, mesmo não tendo aquela quantidade de justos, Deus pega a quantidade menor, Ló, além de justo – que o Novo Testamento chama assim –, da família de Abraão, e a Bíblia diz: “Deus fez aquilo por Ló porque lembrou de Abraão”. Essa expressão “lembrou” não é que da noite pro dia Ele sofreu esquecimento; a Bíblia apenas está vinculando a ação do dia seguinte ao posicionamento de oração do dia anterior. Quem está entendendo diga: Amém.

Êxodo, capítulo 2, versos 24 e 25, quando fala da nação de Israel vivendo como escravos no Egito, a Bíblia diz: “Ouvindo Deus o seu gemido, lembrou-se da sua aliança com Abraão, com Isaque e com Jacó, e viu Deus os filhos de Israel e atentou para a sua condição”. Deus já tinha dito em Gênesis 15: “Abraão, a sua descendência será peregrina em terra alheia, será reduzida à escravidão durante 400 anos”. Quando o livro de Atos, Estêvão contando essa história, diz: “Quando se aproximava o tempo da promessa que Deus fez a Abraão”, Ele começa a trabalhar através de Moisés um livramento. Quando a Bíblia está dizendo: “Deus se lembrou”, não significa que Ele tinha esquecido da pessoa; a Bíblia está vinculando que o que Ele vai fazer agora está relacionado com a promessa que Ele havia feito anteriormente. Nós vemos o mesmo exemplo numa intercessão de Moisés em Êxodo 32, quando ele está no monte, o povo faz um bezerro de ouro enquanto ele está recebendo de Deus os dez mandamentos, toda a revelação. Deus sinaliza que vai destruí-los. Depois nós vamos olhar com calma esse texto. Moisés, na sua oração, ele disse para Deus: “Lembra-te de Abraão, de Isaque e de Israel, teus servos, aos quais por Ti mesmo tens jurado”. Em outras palavras, foi o Senhor que fez uma promessa para eles; o Senhor está preso àquilo que falou e prometeu. Lembra daquilo que o Senhor falou. Nesse momento de oração, ele não está tanto de Deus esquecido, mas a expressão “lembra” – tudo o que eu vou orar agora está vinculado ao que o Senhor já falou e prometeu.

E Neemias, no Capítulo 1, dos Versículos 8 a 11, quando a nação de Israel viveu o seu apogeu, né, o ápice da apostasia, foi levada pro cativeiro de de Babilônia, e agora findam os 70 anos dos quais Jeremias havia profetizado que duraria o cativeiro, um processo de restauração está acontecendo, e ele lidera a restauração do tempo. Mas Neemias diria na sequência, para a restauração, não só dos muros, mas da cidade de Jerusalém. E a Bíblia diz que no momento de oração ele se dirige a Deus, antes de, na condição de copeiro do rei que ele era, né, antes dele poder interceder em favor de uma volta para poder ajudar o povo. A Bíblia diz: “A oração dele, Neemias 1, de 8 a 11, está registrada assim: ‘Lembra-te da palavra que ordenaste a Moisés, teu servo, dizendo: ‘Se transgressores, eu vos espalharei por entre os povos’; e é isso que tinha acontecido com eles, eles… mas a palavra não era só essa. Ele diz: ‘Mas se vos converterdes a mim e guardardes os meus mandamentos e os cumprides, então, ainda que os vossos rejeitados estejam pelas extremidades do céu, de lá os ajuntarei e os trarei para o lugar que tenho escolhido para lhes fazer habitar o meu nome, que era Jerusalém’. Estes ainda são teus servos. Agora ele está falando para Deus em favor do seu povo. E o teu povo, que resgataste com o teu grande poder e com a tua mão poderosa. Ah, Senhor, estejam pois atentos os teus, os ouvidos à oração do teu servo e à dos teus servos que se agradam de temer o teu nome. Concede que seja bem-sucedido hoje o teu servo e dá-lhe mercê perante esse homem”. A Bíblia diz que ele termina dizendo: “Nesse tempo eu era copeiro do rei”. Essa expressão “lembra-te da tua palavra”, né, lembra daquilo que o Senhor falou, nunca tem um papel informativo. Ó, já que o Senhor esqueceu, estamos aqui te fazendo recordar. É apenas um posicionamento de reivindicação: é a sua promessa, é a sua aliança, é o seu compromisso. Se dá daqui a pouco, nós vamos entender a importância de orar alinhado à vontade de Deus, mas em primeiro lugar a gente precisa eliminar a ideia de que não se trata meramente de informação. Em segundo lugar, vamos procurar entender esse questionamento a respeito da vontade de Deus, né? Se Deus faz o que quer, quando quer, só do jeito que quer, como se Ele agisse de forma unilateral, qual o sentido de orar? Como eu disse antes, Ele já vai fazer o que Ele quer, independente a gente pedir ou não. E se a gente pedir alguma coisa que Ele não quer, Ele também não vai mudar o que quer porque a gente pediu. Então, qual o sentido de orar? Não só qual o sentido de orar? Qual o sentido de Deus nos mandar orar? Será que esse estudo seria mera ensinação? Será que Deus apenas olhou lá do céu e disse: “Esse povo não tem o que…

Fazer? Vamos deixar eles acreditar que eles influenciam alguma coisa, mesmo que isso não leve eles a lugar nenhum. Será que é assim que Deus agiria? Será que essa seria a dinâmica do seu caráter? Vamos iludi-lo para alguma coisa que não produz resultado? Nós sabemos que isso não é verdade, por quê? A Bíblia traz afirmações recorrentes de que Deus ouve o clamor dos homens. Ó, o que diz Josué, capítulo 10, versículo 14, quando se refere ao dia em que, naquela batalha para ajudar os gibeonitas contra os cananeus, a Bíblia diz que Josué orou e Deus faz parar o sol; o dia se estendeu para que eles tivessem mais luz natural para poder vencer, exterminar completamente o inimigo. Ó, o que a Bíblia diz, Josué 10: não houve dia semelhante a esse, nem antes nem depois dele, tendo o Senhor assim atendido a voz de um homem. Porque que o Senhor lutava por Israel? A Bíblia diz que Deus atendeu a voz de um homem. A Bíblia não diz que isso aconteceu apenas porque Deus predeterminou, no seu conselho por si mesmo, que faria isso, alguém pedindo ou não. Aliás, essa palavra traduzida “atendeu”, e eu particularmente acredito que “atendeu” é a melhor opção de tradução no contexto, mas ela muitas vezes é traduzida como “ouvir”, no sentido não só de escutar, mas de realmente responder e atender alguém, e ela muitas vezes é traduzida como “obedecer”. Nós sabemos que isso não se aplica a Deus, porque nós devemos obediência a ele, não ele a nós; mas a Bíblia está dizendo que Deus fez porque um homem pediu. E eu não sei você, mas eu fico empolgado com essa ideia de que, de alguma forma, a nossa voz possa ser ouvida.

É lógico que Josué está orando dentro do escopo da vontade revelada de Deus. Deus disse: “Vocês vão avançar, vocês vão conquistar a terra, nenhum inimigo vai resistir durante todos os seus dias, eu vou lutar por vocês”. Então ele se posiciona e diz: “Está do nosso lado. Precisamos de mais luz do dia. Não queremos que o Senhor lute em nosso lugar, mas já que o Senhor luta por nós, conosco, nos dê mais luz, nos deixe exterminar todo mundo”. E um milagre sem precedentes aconteceu. A Bíblia diz: “Não houve dia como esse, nem antes nem depois”, Deus atendendo a voz de um homem. Então, o que eu e você precisamos questionar é: onde é que fica a vontade de Deus quando estamos falando sobre oração? No Salmo 69, eu estou escolhendo um de muitas menções nos Salmos, Davi diz: “O Senhor ouviu a minha súplica, o Senhor acolhe a minha oração”. Ou seja, ele não está falando de Deus fazer apenas algo que quis, mas está falando de Deus literalmente atender aquilo que ele clamou a Deus para que Deus fizesse. No Evangelho de João, nós temos algumas declarações que também não podem ser ignoradas. João, capítulo 14, versículo 13, Jesus diz: “E tudo o que vocês pedirem em meu nome, isso farei, a fim de que o Pai seja glorificado no Filho. Se me pedirem alguma coisa em meu nome, eu o farei”. Eu não sei você, mas eu fico empolgadíssimo com declarações como essa, né? A olhar para as declarações da palavra de Deus, no mesmo Evangelho de João, nós vemos outras afirmações, como, por exemplo, João 16:23, 24. Jesus diz: “Naquele dia, vocês não me perguntarão nada. Em verdade lhes digo: se pedirem ao Pai alguma coisa em meu nome, ele lhes concederá. Até agora vocês não pediram nada em meu nome; peçam e receberão, para que a alegria de vocês seja completa”. Ele não está falando simplesmente: “Deus fazia apenas o que quer”, mas ele está sinalizando que eu e você podemos alcançar de Deus algumas coisas que nós queremos, porque nos posicionamos para pedir. E Tiago diz: “Alguns não alcançam é porque não pedem; outros até estão pedindo, mas não chegam lá porque pedem mal, estão fazendo a coisa certa do jeito errado”. Mas o que a Bíblia está mostrando é que, se eu e você fizermos a coisa certa do jeito certo, nós podemos ver a ação de Deus e o sobrenatural invadindo as nossas vidas. Quem está entendendo, diga amém.

No entanto, não podemos negar que há uma relação muito forte na escritura entre oração e a vontade de Deus. É inegável, não dá para vincular essas duas coisas. Por exemplo, em Mateus, no capítulo 6, no versículo 10, na oração do Pai Nosso, Jesus está nos ensinando não uma reza, mas um modelo de oração. Ele nos ensina a dizer: “Vem o teu reino, seja feita a tua vontade”. Pergunto: se a vontade de Deus se estabelece na terra sem oração, porque que é que ele mandou a gente orar para a vontade dele ser feita? Nós estamos falando de uma simples encenação, ou existe alguma relação entre orar e a vontade de Deus poder ser executada, poder se manifestar? Eu particularmente acredito na segunda opção e não na primeira. Uma outra coisa que nós não podemos deixar fora da equação é que orar alinhado com a vontade de Deus é garantia de resposta. Primeira de João, capítulo 5, versículos 14 e 15, diz o seguinte: “Essa é a confiança que temos para com ele, que se pedimos alguma coisa segundo a sua vontade, ele nos ouve; e se sabemos que ele nos ouve quanto ao que lhe pedimos, estamos certos de que obtemos os pedidos que lhe temos feito”. Então eu digo: se oramos segundo a sua vontade, somos ouvidos; se somos ouvidos, certeza que vamos alcançar o que é que nós estamos pedindo. Então, oração que é feita segundo a vontade de Deus é um tiro certeiro, pastor.

Como podemos saber a vontade de Deus ao orarmos? Primeiro lugar: o que Deus já revelou na escritura, o que Deus já revelou na palavra. Em segundo lugar: eu e você podemos lidar com questões que são de ordem personalizada, não são detalhes que estão nas escrituras. Quando Kél estava grávida do Israel, nosso primeiro filho, estava se aproximando a hora do parto. Me lembro de um dia que eu estava no meu momento devocional de oração com Deus, o Espírito Santo falou comigo: “Ore e jejue, porque você vai enfrentar uma grande batalha na hora do parto do seu filho”. A partir daquele momento, durante seis dias, eu não comi absolutamente nada. Eu fiquei em oração e intercessão contínua até que, no sexto dia, me veio o que eu chamo de um testemunho de vitória. Alguns dos crentes mais antigos, em especial do meio pentecostal, usavam uma expressão que é: “Nós vamos orar até chegar lá”. O que que é “chegar lá”? É aquela sensação: alcancei, conquistei algo, né? E quando me veio aquele testemunho interior, foi quando eu parei de orar e voltei a comer. Quando chegou o dia do parto, houve uma grande complicação e, de acordo com os próprios médicos, meu filho só sobreviveu por um milagre, por algo que eles não sabem explicar. Agora, se Deus já queria fazer o milagre, porque é que me mandou orar primeiro? Eu e você precisamos entender que, até para fazer aquilo que ele quer fazer, muitas vezes ele sinaliza e nos chama a esse lugar de cooperação com ele através da oração. Mas quando oramos dentro da vontade de Deus, é certo que ele nos ouve. Isso é certo, que ele nos ouve, ouve. É certo que vamos receber. Então, além daquilo que já está revelado na escritura, a única outra forma pela qual eu e você podemos ter certeza da vontade de Deus é quando o Espírito Santo nos dá um direcionamento mais claro e específico. Além disso, vamos colocar ainda nessa equação algo que volta e meio eu falo aqui, eu sempre tenho dito que oração não é só o meio através do qual eu e você conseguimos de Deus o que a gente quer; isso é uma parte da oração, mas não é a verdade completa, porque oração também deveria ser, em contrapartida, o meio através do qual Deus consegue de nós o que ele quer. Oração também deve compor na nossa vida um ambiente de rendição e de sujeição à vontade de Deus. A Bíblia diz em Mateus 26:39 que, no Getsêmani, o Senhor Jesus ora, né? O livro de Hebreus interpreta o que aconteceu no Getsêmani, dizendo que Jesus ofereceu, com forte clamor e lágrimas, orações e súplicas a quem podia livrá-lo da morte. Então, quando lá no Getsêmani nós lemos nos Evangelhos Jesus dizendo: “Pai, se possível, passa de mim esse cálice”, cálice no próprio ensino de Jesus fala de sofrimento; ele basicamente está dizendo para Deus: “Se tiver um plano B que pode evitar a morte por crucificação, vamos ativar o plano B”. Contudo: “Seja feito não a minha, mas a tua vontade”. A oração sempre tem que nos levar ao lugar da vontade de Deus, e se a nossa vontade tiver em colisão com a dele, nós precisamos nos submeter à vontade dele. Ou seja, até agora, o tempo todo nós estamos numa forte relação entre oração e a vontade de Deus. Essa é uma das razões pelas quais as expressões de fazer lembrar do Senhor não tem papel informativo, mas são um posicionamento de dizer: “O Senhor já revelou sua vontade na palavra e nós apenas estamos colocando isso diante do Senhor para que fique claro que não estamos orando fora da sua vontade”. Entender que há uma relação forte entre a oração e a vontade de Deus é importante, mas não apenas entender que Deus não vai atender uma oração fora da sua vontade; isso também é verdade e tem que ser trazido para dentro dessa ideia. Nós temos orações na Bíblia que foram ignoradas. Um exemplo disso: o que você vê em Segundo Samuel, capítulo 12, depois que Davi comete o pecado de adultério com Bate-Seba e de homicídio de Urias? Natã, o profeta enviado a ele, expõe e denuncia o pecado dele, anuncia uma palavra de juízo, dizendo: “Essas serão as consequências dos seus atos de pecado”, e entre eles Natã diz: “A criança que foi gerada nessa relação pecaminosa vai morrer”. Quando a criança adoeceu gravemente, Davi passa sete dias prostrado com a cara no chão, jejuando, clamando misericórdia sobre a criança, mas o quadro dela não mudou, porque Deus já havia sinalizado sua vontade: “Você pecou, o juízo está acontecendo, você vai colher o fruto que você fez”, e a situação não muda, embora seja o mesmo Davi que lá no Salmo 69 nós vimos ele dizendo: “O Senhor atendeu a minha súplica, ele ouviu a minha voz”. Aqui nós vemos Deus olhando para ele dizendo: “Nesse caso, você não vai ser atendido”. Aliás, vamos tirar um exemplo pessoal só de Davi e vamos tentar ter um olhar mais abrangente, genérico. Provérbios 28:9 diz assim: “Quem desvia os ouvidos de ouvir a lei”, aqui a lei de Deus, a Palavra de Deus, “até a sua oração será abominável”, ou seja, uma pessoa que está andando contrário à palavra de Deus, em deliberada quebra de mandamentos divinos, a oração não só não será atendida, como a Bíblia diz: “É abominável a Deus”. Então é evidente que nossas orações têm um poder extraordinário dentro do escopo da vontade de Deus. Ou seja, orações fora da vontade de Deus não serão atendidas. Por outro lado, me parece muito claro também na escritura que a vontade de Deus sem as nossas orações também não será executada.

Então, qual seria a razão pela qual Deus nos chama a orar pelo cumprimento da sua vontade? E não estou falando só de Mateus, capítulo 6: “Vem o teu reino, seja feita a tua vontade”. Por exemplo, me acompanhe em Primeira Carta de Paulo a Timóteo, no capítulo 2. Primeiro Timóteo, capítulo 2, e vamos ler junto a partir do versículo 1. O apóstolo diz assim: “Antes de tudo”, sabe o que que significa essa expressão traduzida do grego original aqui? Como “antes de tudo”, significa antes de tudo. Às vezes a gente sempre quer um significado diferente, mas é isso mesmo. Em outras palavras, ele está dizendo: “Não tem nada mais importante; isso aqui é primordial, é o ponto de partida, vem antes das demais coisas”. Antes de tudo, o que é que vem antes de tudo? “Peço, e façam súplicas, orações, intercessões e ações de graças em favor de todos os homens”, ou, dependendo a versão, “de todas as pessoas”. Pergunta: porque é que Deus quer que a gente ore por todo mundo? O apóstolo continua, inspirando pelo Espírito, e diz: “Ore em favor dos reis e de todos os que exercem autoridade”. Isso aqui não é só privilégio, é responsabilidade da Igreja orar pelos governantes. O texto diz: “Para que vivamos vida mansa e tranquila, com toda piedade e respeito”. Quantos acreditam que Deus quer que a gente tenha uma vida mansa e tranquila? Mas ele está dizendo: “Ore pelos reis e governantes para que vocês possam ter isso”. Em outras palavras, ele está dizendo: “Você não vai ter isso apenas porque eu quero; você vai ter isso se você orar, porque se você orar eu vou poder fazer o que eu quero; se você não orar, não vou poder fazer o que eu quero”. Aliás, o texto continua e diz, nos versos 3 e 4: “Isso é bom e aceitável”, dependendo a versão, “agradável diante de Deus nosso salvador, que é bom e aceitável orar por todos os homens”. Aí ele diz, no verso 4: “O qual deseja que todos sejam salvos e cheguem ao pleno conhecimento da vontade da… da verdade”. Mas se Deus deseja, e a vontade dele é salvar todo mundo, porque é que eu tenho que orar? Pois é, o tempo todo é o que a Bíblia nos mostra que a vontade de Deus sem oração não será executada. Por outro lado, a oração fora da vontade de Deus também não será atendida. Mas existe uma combinação entre oração e vontade de Deus que se torna uma química explosiva. E aí nós voltamos à pergunta do início: por quê? Porque oração é tão importante e necessária? E acredito que, para a gente poder responder isso, nós precisamos de uma visão panorâmica, abrangente, maior, e precisamos olhar ao longo das escrituras.

Qual é o propósito de Deus desde o início com o homem em relação à terra? Alguém disse com muita propriedade que, para entender o propósito, você tem que voltar no início. Quando questionaram Jesus a respeito de divórcio e casamento, Jesus disse: “Nunca lestes que desde o princípio Deus os fez homem e mulher, e disse: ‘Deixará o homem seu pai e sua mãe, né, se unirá à sua esposa; os dois serão uma só carne’?” Jesus vai lá no primeiro casal para estabelecer o padrão e o propósito de Deus para casamento, porque voltar à origem muitas vezes nos ajuda a entender o propósito. E quando falamos a respeito disso, quando você olha para a criação lá em Gênesis, no capítulo 1, qual foi a declaração de Deus a respeito do homem? Ele diz em Gênesis 1:26: “Deus disse: ‘Façamos o ser humano à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; tenha ele domínio…’”. Deus, depois, o verso 27 diz assim: “Deus criou o ser humano à sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou”. O verso 28 diz: “Deus os abençoou e lhes disse: ‘Sejam fecundos, multipliquem-se, encham a terra e sujeitem-na’”. Aqui ele está falando da terra. Daí ele diz: “Tenham domínio sobre os peixes do mar, sobre as aves do céu e sobre todo animal que rasteja sobre a terra”. Como é que a Bíblia se refere a esse mesmo episódio no Salmo 8, dos versos 4 ao 8? A Bíblia diz que é o homem para que dele te lembres e o filho do homem para que o visites. Fizeste-o, no entanto, por um pouco menor do que Deus; de glória e de honra o coroaste; deste-lhe domínio sobre as obras da tua mão; e sob seus pés tudo lhe puseste. Aí ele afirma, nos versos 7 e 8: “Ovelhas, bois, todos também os animais do campo, as aves do céu, os peixes do mar e tudo que percorre as veredas dos mares”. Deus não estava dando domínio só sobre os animais, sobre toda a terra, sobre toda a criação, sobre tudo que Deus fez. O homem é chamado de a coroa da criação, não apenas porque é feito no final, mas a Bíblia diz: “Deus o coroa de glória e de honra; ele foi feito um pouco menor do que Deus”, a imagem e semelhança de Deus. E aí Deus diz: “Tudo isso que eu criei estou entregando a você; você sujeita, você governa”. Eu diria que a razão pela qual eu e você precisamos orar é uma questão de legalidade; eu diria que é uma questão de jurisdição. Deus, ao criar o ser humano, diz: “Toda a terra criada está entregue ao seu governo e à sua autoridade; você manda nisso aqui”. E basicamente o próprio Deus, que empoderou o homem para governar sobre a terra, disse: “Para que eu possa agir, eu não passo por cima da autoridade que eu lhe concedi; você precisa me solicitar formalmente para que eu possa interferir”. O Salmo 115 resume isso dizendo: “Os céus são os céus do Senhor, mas a terra Deus a deu aos filhos dos homens”. Aleluia. Porque é que Jesus nos ensina a orar dizendo: “Vem o teu reino, seja feita a tua vontade aqui na terra como é feita nos céus”? Porque na jurisdição dele a vontade dele se estabelece sem restrição. Mas para que ela possa se estabelecer aqui, eu e você temos que clamar. Essa é a razão pela qual a vontade de Deus sem oração não se cumpre, e também pela qual a oração fora da vontade de Deus não atrai intervenção dele. Mas é a razão pela qual a combinação das duas coisas é uma química explosiva. Quem está entendendo, diga amém. Aleluia. O que eu e você precisamos entender que inclusive ratifica a autoridade que Deus deu ao homem. Outro dia alguém me perguntou: “Pastor, mas se o que o senhor está falando fosse verdade, que o homem tem autoridade sobre a terra e Deus não quer passar por cima e ele espera uma solicitação, como é que fica as declarações de que a Bíblia diz que do Senhor é a terra e a sua plenitude?” Deus não transferiu a posse do que lhe pertence; Deus lhe transferiu a autoridade de governo por tempo determinado. Mas até que o prazo de arrendamento encerre, ainda que tudo pertença a Deus, a autoridade foi dada ao homem. Aí alguém me disse: “OK, mas então o diabo também não poderia agir na terra, e parece que ele está meio solto”. Falei: “Ele está diferente de Deus; ele está…”. E alguém perguntou: “Por quê?”. Eu falei: “Vamos para a tentação de Jesus no deserto. Lucas 4:5 e 6. A Bíblia diz: ‘Jesus, quando está sendo tentado pelo diabo, num dos momentos, o diabo lhe mostrou todos os reinos, as glórias do mundo, e disse para Jesus: ‘Tudo isso te darei se, prostrado, me adorares’”. O diabo diz assim para Jesus: “Porque me foi entregue, eu dou a quem quiser”. Jesus não olha para o diabo e dizer: “Mentiroso, nada disso é teu”. Até se fosse mentira, não seria uma tentação. Jesus nem questiona o que o diabo está dizendo, se ele tem o poder de entregar ou não; ele apenas diz: “Está escrito: Ao Senhor teu Deus adorarás, e só a ele servirás”. E Jesus sabia muito bem que ele veio para tomar tudo aquilo de volta como Redentor, sem precisar se curvar diante do diabo, sabendo que quem vai se curvar diante dele é o próprio Satanás. Mas tirando o mérito do que faria, nós precisamos entender agora: se o diabo está dizendo: “Me foi entregue, eu dou a quem quiser”, a pergunta é: quem entregou? Foi Deus. Não. Deus entregou tudo isso na mão do homem. Quem que pôs na mão de satanás? O homem. Segunda de Pedro 2:19 diz que quem é vencido em algo se torna escravo daquele que o vence. Quando o homem peca, todo, tudo aquilo que Deus lhe confiou, toda a sua autoridade automaticamente é transferida. Ainda que Jesus tenha vindo para resgatar, e a obra da redenção não se limita aos homens, envolve toda a terra e toda a criação, porque tudo foi afetado com pecado, ainda que Jesus tenha vindo para restaurar a autoridade do homem, nós voltamos a uma posição semelhante ao que era antes da queda. O homem tem autoridade e ele precisa reivindicar uma intervenção dos céus para que os céus possam entrar no lugar da jurisdição ou da legalidade humana. Ou seja, nós não estamos, de forma alguma, limitando o poder de Deus. Deus, por razões que pertencem a Ele, escolheu que as coisas funcionariam assim, revelou na sua palavra que esse é o formato. Então volto naquele questionamento do início: alguns de vez em quando me perguntam: “E a soberania de Deus? Onde fica?”. Eu falei: “Fica com ele; ele continua sendo soberano; ele que decidiu assim; não foi a gente que convenceu ele; nós não iludimos ele para participar do processo e conseguimos fazer ele acreditar como se ele não fosse soberano”. Ele, o criador, Senhor de todas as coisas, decidiu e revelou isso na sua palavra, ponto final. A pergunta é: o que é que eu e você vamos fazer com a autoridade que nos foi dada, com a autoridade que nos foi entregue? A Bíblia está dizendo: “Alguns não têm porque não pedem; os céus não vão se mover em favor de quem não pede”. Pastor, então qualquer um que pedir vai receber? Também não. Porque Tiago diz que alguns pedem e não recebem porque pedem mal. Qual a definição de pedir mal? Primeiro lugar, ele fala de alguns que querem apenas esbanjar nos seus próprios deleites; ou seja, eles não estão sintonizados com a vontade de Deus. E não é porque, para Deus agir na terra, ele precisa da solicitação do homem, que o homem aqui na terra manda Deus fazer o que ele quer e não o que Deus quer. Então nós precisamos entender esse outro lado. Segundo, uma das definições de uma oração bem-sucedida está lá em Tiago, capítulo 1; ele começa falando de sabedoria e termina falando de todo e qualquer outra coisa. Ele diz: “Tem algum de vós falta de sabedoria? Tiago 1:5: ‘Peça a Deus que a todos dá liberalmente’”. Eu amo essa frase: “Deus de forma generosa, liberalmente”, mas ele diz: “Peça porém com fé, não duvidando”. E diz: “Porque o que duvida é semelhante à onda do mar que é levada e agitada pelo vento”. E diz: “Não pense o homem que duvida que receberá do Senhor coisa alguma”. Então aqui nós temos um outro elemento: se qualquer petição funcionasse, todo mundo estava sendo atendido em todo e qualquer coisa. Mas porque a oração ela precisa não só estar alinhada à vontade de Deus, mas ser feita com fé? É que muita gente no processo acaba tendo orações sem resultado, sem nenhuma efetividade, porque a necessidade de fé. Deus determinou: “O justo viverá da sua fé”. Tudo que eu e você vamos receber de Deus está nos depósitos da graça. Como é que a graça é acessada? Romanos 5:2 diz: “Pela fé nós temos acesso à graça”. Então eu e você precisamos entender a importância da fé. E aqui de novo, para que a gente entenda como fazer bem o que deve ser feito, nós voltamos na importância da palavra de Deus, porque orar é a própria palavra. Porque a fé vem por ouvir a palavra. A palavra de Deus não sinaliza só a vontade de Deus e o que ele quer fazer, mas a revelação da sua vontade nos inspira fé, nos inspira confiança e a convicção de que ele fará aquilo que ele já disse que faria. Então nós nos posicionamos em cima da palavra. Agora, o que eu e você precisamos atender e entender é que mesmo as promessas de Deus elas não têm garantia de cumprimento automático. Algumas promessas bíblicas são de fato incondicionais; por exemplo, a vinda de Jesus, quer você acredite quer não, ela vai acontecer; quer você esteja pronto quer não, ela vai acontecer. Mas muitas promessas são claramente condicionais. Hebreus, capítulo 6, versículo 12, diz que eu e você temos que nos tornar imitadores daqueles que pela fé e perseverança herdam as promessas. Ou seja, sem fé ninguém vai herdar a promessa. E Primeira Timóteo 1:18 nós vemos Paulo declarando a Timóteo: “De acordo com as profecias que foram ditas a teu respeito, combate firmado nelas, o bom combate”. Ou seja, se o que Deus falou vai se cumprir automaticamente, porque é que eu tenho que lutar por isso? Mas aí eu e você precisamos entender que uma das razões é que o nosso posicionamento de fé vai nos levar a experimentar a intervenção divina. Quem está entendendo, diga amém. Amém. Com isso, sim… Eu queria que a gente fosse lá para Êxodo, capítulo 32. Êxodo, capítulo 32. Eu quero ler do versículo 7 ao 14. Eu só citei esse texto antes e agora nós vamos ler junto. Quando Moisés sobe o Sinai, passa 40 dias diante do Senhor sem comer nem beber, envolvido na nuvem da glória de Deus, recebendo de Deus os mandamentos; no final desse período, a Bíblia diz: “Então o Senhor disse a Moisés: ‘Vá, desça, porque o seu povo, o povo que você tirou do Egito, se corrompeu e depressa se desviou do caminho que eu lhe havia ordenado; fez para si um bezerro de metal fundido, o adorou e lhe ofereceu sacrifício, dizendo: “Estes são os teus deuses, ó Israel, que te tiraram da terra do Egito”’. O Senhor disse ainda a Moisés: ‘Tenho visto esse povo, e eis que é povo teimoso. Agora, pois, deixa-me, para que se acenda contra eles o meu furor e eu os consuma; e de você farei uma grande nação’”. Primeiro lugar, vamos entender, antes de continuar a ler aqui do 11 ao 14, algumas verdades. Uma coisa que precisa ser separada na Bíblia, quando falamos do plano e do propósito de Deus, é o individual do coletivo; são duas coisas bem distintas. Por exemplo, quando a Bíblia fala sobre a linhagem de Abraão, a nação de Israel, dentro do plano e do propósito de Deus, a Bíblia diz que os dons e a vocação de Deus são irrevogáveis; o que ele prometeu para a nação, para a linhagem de Abraão, vai se cumprir. Ao longo do processo, nós vemos gerações dessa linhagem que falhou e que Deus simplesmente rejeitou; não significa que ele descartou o…

Propósito coletivo. Mas quando indivíduos falham, eles são trocados. A razão pela qual Saul foi substituído por Davi é porque, como indivíduo, Saul falhou, e o plano coletivo de Deus para a nação não poderia falhar. Essa talvez seja a mensagem principal de Ester 4:14. Quando Mardoqueu, seu tio, manda a ela um recado, foi solicitado a ela que intercedesse pela sua nação, pela sua linhagem, diante do Rei. E ela diz: "Se eu entrar sem ser chamada, eu posso ser punida com a morte". Mas o que eu mando o seguinte recado para ela: "Se de todo te calares agora, de outra parte se levantará socorro e livramento a Israel". E diz: "Mas quem sabe se não foi para um tempo como esse que chegasse a ser rainha?" Em outras palavras, tá dizendo: "Filha, você acha mesmo que ganhou esse concurso de beleza e tá no lugar que tá sem nenhum plano ou propósito de Deus? Será que não foi justamente para uma hora como essa, de necessidade do reino, que Deus te plantou e estabeleceu aí?" Mas Ele tá dizendo: "Vou dizer, se mesmo assim você recuar e der de frouxa agora, Deus vai resolver o problema coletivo através de outra pessoa, mas você será substituída dentro do propósito individual como canal de livramento." Então, se nós separarmos essas coisas, fica fácil entender.

Deus dizendo para Moisés: "Me deixa destruir essa geração, e de você eu faço uma nação mais numerosa". Por que Deus teria que continuar com Moisés? Porque tinha um compromisso com Abraão: "Eu vou fazer isso na sua linhagem". E se Ele destruísse, ele precisava de pelo menos um descendente para cumprir o que prometeu. De boa no lugar de Moisés, depois de 40 dias sem comer nem beber, orando para aquele povo para trazer os mandamentos, se Deus falasse para mim: "Mesmo se o povo fosse vocês, deixa destruir", eu diria: "Fica à vontade, vai que é tua". Deus sabe o que é. O curioso é o Deus todo-poderoso olhar para um mero mortal como Moisés e dizer: "Me deixa fazer". E o mais interessante, o assustador, é Moisés olhar de volta e dizer: "Deixo não". Qual o posicionamento de Moisés? Vamos continuar a partir do verso 11. Porém Moisés suplicou ao Senhor seu Deus, dizendo: "Ó Senhor, porque acende a tua ira contra o teu povo que tiraste da terra do Egito com grande poder e forte mão?" Deixa fazer uma pausa aqui. Você viu como a conversa começa? Começa Deus dizendo para Moisés: "O teu povo que você tirou do Egito". Moisés disse: "Por que que o Senhor tá incomodado com o teu povo?"

Na fase mais ou menos ali de pré-adolescência, eu lembro, eu frequentava muito o pronto-socorro do hospital relativamente perto de casa. Só na fase de pré-adolescência foram 14 vezes. Ou engessava, ou costurava, sempre tava resolvendo alguma coisa. Lembro quando meu filho nasceu, primeira oração que eu fiz depois de dedicar a Deus: "Senhor, que não seja como eu fui". Que deu um pouco de paz aos pais. Que pela primeira vez eu entendi o lado dos meus pais. Eu lembro que eu tinha caído de uma árvore, eu tive uma luxação tão séria na mão esquerda que não quebrou nada, mas o encaixe todo da mão saiu, e a mão veio parar na parte de cima aqui do punho, onde fica o relógio. Os músculos soltaram, não mexia. Foi uma luxação tão séria que para botar no lugar tiveram que me dar anestesia geral e engessar todo o braço, né, para que houvesse uma recuperação com tempo para aquela musculatura. Eu, de braço engessado, no dia seguinte já tava na rua brincando. E tinha um terreno baldio do lado de casa, e para encurtar a história, só em algum momento no meio do mato, eu não tinha noção daquilo, me joguei pro meio do mato, e tinha um garrafão de vinho quebrado que alguém jogou, e eu caí em cima daquilo, e aquilo pegou meu joelho direito – um tempão achava que era o esquerdo; um dia desse fui olhar a cicatriz, falei: "Errei o lado, né? Bora mudar de lado". Algum dia desse, enquanto eu dormia – eu tô mais propenso a pensar que foi a primeira, mas gente – eu rasguei o joelho assim, de aparecer os ligamentos. Foi um negócio assim, feio. Eu lembro que eu voltei pra casa de braço engessado, arrastando a perna, aquilo sangrando, gente. Eu não, não vou esquecer esse dia. Primeiro meu pai olhou para mim e disse assim: "Não abre a boca". Ele pegou um vidro de mertiolate. Tom... Lembro que mertiolate antigamente não era mertiolate de hoje; ou a gente que era mole, ou o mertiolate que era pior. Ele virou o vidro inteiro, e ele disse: "Não abre a sua boca", e eu sou mordendo nos lábios. Aí começa a discussão entre meu pai e minha mãe. Meu pai disse: "Hoje quem leva esse menino pro pronto-socorro é você, que o filho é seu". Ela disse: "Não, o filho é seu". Aquele dia não era filho de ninguém. Meu pai diz: "Eu não aguento mais chegar lá e os médicos chamarem ele pelo nome: 'Ô Luciano, você de novo'. Eu não tenho cara para isso". Os dois discutindo, eu diz: "Ei, alguém vai ter que me levar, não posso ficar".

Eu tenho essa sensação quando eu leio aqui Deus dizendo para Moisés: "É o teu povo". Moisés dizendo: "O povo é teu. Eu fui lá que o Senhor mandou, não tinha nada a ver com isso". Ele diz: "Ó Senhor, porque se acende a tua ira contra o teu povo que tiraste da terra do Egito com grande poder e forte mão? Por que deixar que os egípcios digam: 'Ele os tirou de lá com más intenções para matá-los nos montes e para eliminá-los da face da terra'? Deixa de lado o furor da tua ira e muda de ideia contra este mal contra o teu povo. Lembra-te..." Olha a frase do início: "Lembra-te de Abraão, de Isaque e de Israel, seus servos, aos quais por ti mesmo jurasse..." Por ti mesmo foi ideia tua, nós não te pedimos nada, foi o Senhor que decidiu. "...aos quais por ti mesmo juraste, dizendo: 'Multiplicarei a descendência de vocês como as estrelas do céu, e toda essa terra de que tenho falado eu darei a sua descendência para que a possuam por herança eternamente'". O verso 14 diz: "Então o Senhor mudou de ideia quanto ao mal que ele tinha dito que traria sobre o povo". Eu acho impressionante não só essa declaração como Jeremias, capítulo 15, versículo 1. Quando a nação de Israel chega no clímax, no ápice da apostasia, e Deus anuncia o exílio de Babilônia como julgamento, sabe o que Deus diz? Jeremias 15:1: "Então o Senhor me disse: 'Mesmo que Moisés e Samuel se pusessem diante de mim, meu coração não se inclinaria para esse povo. Mande-os embora, que saiam da minha presença'". Que Deus tá dizendo diferente lá do início, onde esses dois pararam minha ira; agora nem esses dois param. Que que Deus tá dizendo? Que Moisés e Samuel eram privilegiados? Que a oração deles eram melhores do que a nossa? Não. Infelizmente, algumas pessoas acreditam nisso. De vez em quando alguém me pede oração e diz: "Pastor, Senhor, pode falar com o homem lá de cima, já que o senhor é mais chegado com ele". Eu olho para tu e falo: "Tu tá de brincadeira?".

Nós voltamos agora no erro histórico da Igreja Romana de criar outros mediadores além de Cristo. Nenhum de nós é ouvido nos céus por mérito. Eu e você usamos o nome de Jesus porque é por causa Dele que nós temos acesso. É pelo sangue de Jesus que eu e você podemos entrar no Santo dos Santos. É por isso que nós usamos o nome Dele. O que Ele fez por nós, ponto final. Mas Deus tá dizendo: "Ainda que Moisés e Samuel..." Que Deus tá dizendo: "Não é que esses homens eram melhores do que outros, é que eles entenderam e usaram o que Deus disponibilizou para todos de uma forma como a maioria não entendeu e não usou". Então Deus tá dizendo: "O assunto agora é tão sério que nem esses dois, que me pararam outras vezes, conseguiram parar o juízo que foi determinado sobre essa geração". Que Deus tá dizendo: "Esses dois entenderam e exerceram uma prática a respeito da oração". E se você não lembra muito da história de Samuel, quando Saul é ungido rei, que o regime teocrático termina e agora a monarquia começa, ele se posiciona diante do povo e diz: "Eu não cometeria o pecado, não cometeria o pecado de deixar de orar por vocês". Pensa no intercessor que deu curso àquela nação. Deus tá dizendo: "Nesses camaradas experimentados na oração, mudaria isso". Ele não tá dizendo que a oração de um é melhor do que a de outros, mas que alguns entenderam e praticaram isso de uma forma diferenciada. E eu e você podemos entrar no lugar de compreensão e cooperação com Deus diferenciado. Quando o assunto é oração, quem tá entendendo diga: "Amém". Amém.

Para terminar, abra comigo em Daniel, capítulo 10. Daniel, capítulo 10, os versículos 2 e 3. Daniel fala que durante três semanas ele pranteou, ficou de luto, chorou. No verso 3 ele diz: "Não comi nada que fosse saboroso, não provei carne nem vinho, não me ungi com óleo algum até que passaram as três semanas". Esse foi o tempo de jejum e de oração. No final delas, um anjo de Deus apareceu para Daniel. No verso 12, Daniel explica e diz: "Então ele..." – aqui ele é uma referência ao anjo – "...Então ele me disse: 'Não tenha medo, Daniel, porque as suas palavras foram ouvidas desde o primeiro dia em que você dispôs o coração a compreender e a se humilhar na presença do seu Deus'". Foi por causa dessas suas palavras do primeiro dia que eu vim. Eu não sei o que passou na cabeça do Daniel, porque a Bíblia não diz, mas eu teria talvez perguntado: "Se me ouviu desde o primeiro dia, porque só chegou depois de três semanas?". A verdade é que o anjo antecipou a resposta e diz no verso 13: "Mas o Príncipe da Pérsia, ou do reino da Pérsia, me resistiu durante 21 dias". Ele tá dizendo: "Levou três semanas para eu chegar, apesar de eu ter saído no primeiro dia, porque houve resistência. Eu fui resistido por quem? Pelo Príncipe da Pérsia". Ele não tá falando de um príncipe humano. Nenhum homem poderia parar um anjo. O poder e a força de um anjo revelado na Bíblia é incomparável. Nenhum homem poderia pará-lo. Mas Efésios, capítulo 6, verso 12 diz que, diferente de Israel do Velho Testamento, nós, o Israel de Deus hoje, a Bíblia diz: "Nossa luta não é contra a carne e o sangue. Nós não batalhamos fisicamente". A Bíblia diz: "Nossa luta é contra principados, potestades, dominadores, segundo a versão, as hostes espirituais da maldade, a toda uma hierarquia no plano espiritual". E nós vemos que os demônios também têm questões territoriais e que existem príncipes – por isso são chamados de principados – sobre nações. Quem era a Pérsia? A Pérsia, junto com a Média, havia acabado de assumir o lugar de Babilônia, estava exercendo o controle do mundo dos seus dias. Não era só a potência mundial, era um governo mundial. O Príncipe da Pérsia era o demônio de maior autoridade que exercia governo do reino das trevas sobre o mundo dos seus dias. O que está acontecendo enquanto Daniel tá orando? Não é um problema da vida de Daniel, é uma movimentação sobre o reino de Deus de proporções globais. E ele diz: "Eu enfrentei resistência de uma das maiores potestades, de um dos maiores principados do reino das trevas". Tanto que ele diz no verso 13: "Porém Miguel, um dos príncipes mais importantes" – outras traduções dizem: "um dos primeiros príncipes"; a NVI diz: "um dos príncipes supremos" – "...veio me ajudar, e eu fiquei ali com os reis da Pérsia". Mesmo com a ajuda de Miguel – quem é Miguel? Patente alta, um dos primeiros príncipes. Apocalipse 12 fala que quando Satanás com seus anjos forem expulsos definitivamente, a Bíblia fala de Miguel liderando os exércitos de Deus nessa guerra. Patente alta. O anjo tá dizendo para Daniel: "A briga tá tão feia que eu precisei da ajuda de Miguel, um dos primeiros príncipes. Ele ficou do meu lado, pau quebrou essas três semanas". Aí tá dizendo: "Eu furei o bloqueio, vim te dar notícia". Mas a briga não terminou. Olha comigo os versos 20 e 21. Ele diz assim: "Ele disse: 'Você sabe por que eu vim? Agora voltarei a lutar contra o príncipe da Pérsia'". E disse: "Tem uma briga na volta, no caminho de volta". E diz: "E quando eu sair, eis que virá o príncipe da Grécia". Que que ele tava dizendo? Assim como os persas, junto com a Média, assumiram o lugar de Babilônia, ainda que esse principado contra o qual nós vamos lutar caia, se levantará um novo principado com a Grécia, que é quem assumiu o governo mundial no lugar da Pérsia. Ele termina dizendo no verso 21: "Mas eu direi a você o que está expresso no livro da Verdade. E na minha luta contra eles não há ninguém que esteja ao meu lado a não ser Miguel, príncipe de vocês". Assim como existem principados malignos, nós temos príncipes dos anjos. A Bíblia destaca Miguel como príncipe do povo, da nação de Israel. Há uma guerra acontecendo no plano espiritual. A pergunta é: Se Daniel parasse de orar no segundo dia, dizendo: "Acho que esse negócio não tá funcionando", qual teria sido o custo dessa guerra, dessa batalha? Se eu e você, como igreja, assumimos uma atitude permanente de negligência na oração, qual será o destino da igreja dos nossos dias? Qual será o curso do estabelecimento ou não do Reino de Deus na Terra? Uma pergunta que frequentemente nós nos fazemos, porque muitas vezes nós achamos que orar é um privilégio quando se trata de alcançar benefícios pessoais, mas nós não entendemos que se trata de uma responsabilidade. Quando falamos a respeito de estabelecer o reino de Deus, é lógico que nós vamos ter intervenções de Deus são de ordem pessoal. Jesus falou: "Tudo quanto pedirem em meu nome..." Se não estamos quebrando princípios nem colidindo com a vontade de Deus, Ele não estabeleceu... E muitas vezes nós podemos ver coisas que para outros pode até não parecer importante. Eliseu fazer flutuar um machado... A maioria de nós teria dito: "Compra outro, gente". Eu já vi Deus fazer desaparecer verruga, joaninha do pé dos outros no momento da oração. Muitas vezes a gente fica tentando definir o que é, o que não é importante. Deus nem definiu esses limites. Eu gosto sempre de lembrar, no início do meu ministério, quando tava mais quebrado que arroz de terceira... Não estava nem no estado de poder chamar mulher de "meu bem", que é um perigo para quem tá quebrado, que às vezes o banco te fisa porque era solteiro... Nem "meu bem" tinha. Mas eu lembro de um fim de ano, eu tava pregando numa cidade, tava acompanhado de um outro pastor, e eu vi uma propaganda de um certo panetone. Gente, quando eu vi aquilo, falei para Deus: "Eu queria tanto esse panetone da marca tal". Não tinha dinheiro para comer nem o barato. Falei: "Mas o Senhor diz: 'Tudo quanto pedirem...' Lá na Bíblia não tá escrito 'menos panetone'". Área questões gastronômicas. Eu falei: "Eu aplico fé, o Senhor pode fazer um milagre. Vai ser, eu vou chamar isso do milagre do panetone". Mas tava com tanta vontade que eu falei: "Deus, negócio é seguinte: eu tô com outro pastor, e ele vai querer filar meu panetone. Manda dois, manda um para ele". Não é que eu não quero dividir, eu quero dividir, dois para ficar um para cada um. E eu orei por isso tão fervorosamente quanto Elias orou por chuva. Não sei se me dobrei sete vezes, mas botei toda a fé do meu coração. Eu lembro que nós saímos do hotel à tarde para alguma atividade e voltamos antes do culto da noite. Quando voltamos – era uma época que chave era física, não era eletrônica; você tinha que pegar na recepção do hotel – ou seja, estou falando de uma cidade, não é um lugar onde eu moro, eu sou conhecido, estou visitando. Quando eu chego, o cara que entrega a chave falou: "Pera aí, tenho uma encomenda para você". Falei: "Encomenda para mim? Tipo, quem me conhece nessa cidade?". Ele falou: "Cara, a mulher passou aqui, contou uma história louca, disse que ela tava no super e uma voz falou com ela que era para ela comprar dois panetones e entregar pros hóspedes do quarto tal, e ela, ela nem deixou nome e contato porque ela disse que era uma coisa muito doida. A voz mandou ela comprar o panetone e disse qual era o hotel, qual era o quarto". Aí eu falei: "Se for a marca tal, é meu". Ele falou: "É, dois desses". Falei: "Manda para cá". Falei pro outro que tava comigo: "Anda comigo, tu vai ser abençoado agora, porque Deus nos permite isso".

Nós não podemos reduzir oração só a isso. Essas coisas, no início, principalmente na fase de maturidade, me empolgava. Primeiro de Pedro 3:12 diz que os olhos do Senhor estão sobre os justos e os seus ouvidos atentos à sua súplicas. Mas à medida que eu ia vendo essas respostas de coisas até mesquinhas, eu comecei a entender: "Pera aí, se os céus estão de olho em mim esperando que eu clame, eles também não estão esperando apenas que eu oro por panetone, mas sim que venha o teu reino, seja feita a tua vontade". Então não significa que eu não vou orar por essas coisas, mas minha vida de oração tem que ser maior do que isso. Eu e você precisamos orar pelo crescimento da igreja, por salvação de almas. Eu e você precisamos orar por gente sendo cheia do Espírito Santo, por famílias sendo restauradas, por manifestações de sinais da parte de Deus. Um dia desse alguém falou: "Pastor, por que é que nós não estamos tendo, não estamos tendo tanto milagre?". Eu falei: "Não tô nem comparando com a igreja de quem serve a Deus há mais tempo. Lembra disso? A década de 90, nós tivemos um mover de cura, sinais, milagres, maravilhas enchendo o Brasil. Foi um negócio extraordinário". Aí o cara falou: "Nós não estamos vivendo mais isso hoje". Eu falei: "Sim, mas se você já era crente na década de 90, você deve se lembrar que nós tivemos um despertamento à oração e jejum na década de 90 como talvez nunca houve antes. E não é coincidência que os sinais e prodígios tenham invadido a igreja justamente na hora onde ela mais estava orando para que o poder de Deus se manifestasse". Eu falei: "Olha para a igreja do livro de Atos. Atos 4: 'Antes tremeu o lugar onde eles estão reunidos. Eles estão orando, dizendo: 'Senhor, concede que anunciemos a tua palavra com toda a intrepidez, enquanto o Senhor estende a mão para operar sinais, milagres, prodígios por intermédio do nome do teu santo servo Jesus'". Enquanto eles oravam por sinais, eles viviam sinais. Agora nós somos parte de uma igreja acomodada que malemá ora, só olhando pro próprio umbigo, mas tá esperando que o reino de Deus se expanda com poder. Gente, se nós queremos ver o sobrenatural, não tem outro caminho. Nós vamos ter que resgatar a arte da oração, do jejum, voltar a andar em fé, ter um posicionamento diante de Deus. Porque à medida que fazemos isso, não estamos vivendo só um privilégio, nós estamos cumprindo com uma responsabilidade. Quem tá entendendo diga: "Amém". Amém.

No último jejum que fiz, em algum momento do início do jejum, eu sempre digo que você descobre que o centro de gravidade da terra puxa para baixo, mas do reino de Deus puxa para cima. As coisas materiais perdem importância. Mas eu lembro que eu comecei a orar e dizer: "Senhor, eu quero ver uma resposta de provisão financeira, porque é do seu interesse. O Senhor sinalizou que a gente como orvalho vai para um lugar maior. O Senhor nos deu uma estratégia, tá funcionando, encorajar as pessoas a aderirem à aquisição de cotas. Eu falei: 'No ritmo que tá indo, vai levar de 1 ano e meio a dois para gente esgotar essas cotas'. Eu falei: 'Eu gostaria de ver um sinal teu. Eu tô orando por algo que o Senhor revelou. Se o seu plano é do seu interesse, eu gostaria de ver até a final do jejum uma intervenção do Senhor nessa área que me encha de coragem e convicção de que essa é a sua direção e que o Senhor tá tão comprometido com isso quanto eu'". Mais no dia 3 de fevereiro, enquanto o pastor Tomás pregava entre o terceiro e o quarto culto, tava nessa salinha entregando o meu jejum, uma refeiçinha de nada, mas naquele ato simbólico agradeci a Deus e entreguei. Uma das primeiras coisas que aconteceu quando eu saí porta fora, uma pessoa me para e diz: "Deus me mandou fazer algo, Ele me mandou ajudar você naquele projeto". Só coloquei para Deus condições: "Tem que ser dessa forma, tem que ser dessa maneira". Eu falei: "Vou dificultar ainda um pouco, porque não tem jeito de ser coincidência". E essa pessoa me parou, ela não só cumpriu todos aqueles requisitos, mas era evidente o timing de Deus no momento que eu tinha acabado de encerrar o jejum. Ele falou: "Deus mandou te ajudar". Essa pessoa sozinha sumiu 20% do nosso desafio. Eu nunca tinha visto uma coisa dessa acontecer. Aí alguém diz: "Coincidência". Eu falo: "É interessante como acontece coincidência na vida de quem ora e jejua". De vez em quando eu falo para um ateu: "Curta sua incredulidade que eu curto minha fé, né? Você vai chamar de coincidência, mas as coincidências só acontecem com a gente, com vocês não tem". É um privilégio viver o sobrenatural, mas quando você começa além do que Deus pode fazer por você no âmbito pessoal, abraçar a responsabilidade de trazer o reino de Deus pra terra e entender que Deus nos deu o privilégio de cooperar com Ele, você vai entender por que orar não é mera formalidade ou burocracia dos céus. Quando Deus estabelece esse padrão de legalidade de que Ele precisa da intervenção de um clamor nosso para poder intervir... Mas significa um privilégio onde Ele tá dizendo: "Eu quero que vocês sejam meus cooperadores e que a gente trabalhe juntos". Ser chamado por esse nível de parceria com alguém como Deus tem que ser entendido como um baita de um privilégio. Isso torna suave a definição da responsabilidade, porque é muito pesada a definição do privilégio. Vamos ficar em pé para orar, que tá acabando. Esqueceram de me avisar que era para terminar antes. A culpa nem é minha.

Será que nós podemos ser alguns minutinhos de oração onde a gente possa diante de Deus dizer: "Senhor, que essas verdades sejam entendidas, que elas sejam absorvidas, que elas entrem, que elas produzam resultado na nossa vida"? Fale com Deus no seu lugar, do seu jeito, da sua maneira, com as suas palavras. Meu Deus, a tua palavra foi anunciada, e a nossa oração não é apenas por entendimento e aplicação personalizada, é que aquilo que o Senhor começou ou está começando nesse momento não pare. No final dessa reunião nós oramos que, junto com a verdade comunicada, venha despertamento, venha teu sopro de vida, venha uma mobilização em cada um dos teus filhos e filhas para se renderem ao teu chamado. Não um convite, mas uma convocação para que possamos nos doar mais à oração, ao jejum, à interação contigo para o estabelecimento do teu reino. Nós queremos ver mais do sobrenatural. Nós clamamos que o poder celestial se manifeste, que a tua glória possa de fato ser derramada, invadir a terra, que a terra se encha da tua glória como as águas cobrem o mar, e que nós possamos, ó Deus, cooperar contigo dia a dia nesse processo. Desperta-nos não apenas para um entendimento melhor, mais profundo, mas para esse despertamento, para esse lugar de correspondência contigo. Permite-nos vivenciar experiências novas e maiores, crescer de uma forma prática no entendimento, na escola da oração, debaixo da liderança do teu Espírito, que é chamado nas escrituras de "o Espírito de súplicas". Pai, nós clamamos por um agir poderoso do teu Espírito nas nossas vidas como indivíduos, na nossa vida como igreja, como corpo, que o Espírito Santo venha turbinar a nossa vida de oração com uma nova perspectiva, com um novo entendimento, com um novo despertamento. Nós clamamos em nome de Jesus. Em nome de Jesus, que o teu Espírito nos leve a essa escola de oração, a esse ambiente onde aprendemos por meio da compreensão da tua palavra, mas também de forma prática, vivenciando intervenções e manifestações dos céus que nos provoquem a nos dedicar cada vez mais, de forma progressiva, a uma vida de oração. Nós suplicamos em nome de Jesus. Nós clamamos pela restauração, pela restituição do sobrenatural na vida da igreja, nas nossas vidas como indivíduos, nas nossas casas. Queremos viver mais as tuas intervenções. E oramos que isso não apenas supra necessidades pessoais, que o Senhor nos use como uma espécie de vitrine, que o seu nome seja glorificado e exaltado, que a fé de outro seja provocada e inspirada. Nós clamamos em nome de Jesus. O Senhor se referindo à sua igreja diz que ela seria chamada "Casa de Oração". Nós queremos cumprir esse papel, e suplicamos graça e favor do Senhor, bem como o teu toque, em nome de Jesus. Em nome de Jesus. Se você crê e concorda, diga: "Amém". Amém. Se você recebe essa palavra, diga: "Eu recebo em nome de Jesus". Glória a Jesus.