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O dia 21 de Abril é feriado, pois nessa data, em 1792, foi executado no Rio de Janeiro o Alferes Joaquim José da Silva Xavier, mais conhecido como Tiradentes. Ele foi enforcado no local, no pelourinho, que ficava próximo de onde hoje fica a Praça Tiradentes, no centro do Rio de Janeiro. E, após ser morto na forca, o seu corpo foi levado para o complexo militar que ficava onde antigamente se chamava a Ponta do Calabouço. Gente, é um resquício desse complexo militar que é o antigo forte que existia lá, onde hoje fica o Museu Histórico Nacional, bem próximo ao Aeroporto Santos Dumont.
É nesse local, o seu corpo foi desmembrado. Para ele, foi tudo cortado: cabeça, tronco, membros. A sua cabeça foi enviada para Vila Rica, atual Ouro Preto, para ficar exposta num poste, e o restante dos seus membros foram espalhados ao longo da Estrada Real que ligava os Caminhos do Ouro até o Rio de Janeiro.
Apesar de nós termos diversas imagens do Tiradentes, nenhuma é da época. Todas essas imagens que nós vemos são ligadas ao mito e não ao homem, e têm relação com a implantação da República no Brasil. E a República, quando ela foi implantada, ela não tinha o apelo popular. E o caos que se seguiu, o regime com censura, as perseguições violentas e revoltas pelo Brasil afora, não ajudaram muito a popularização do novo regime. Precisava se inventar uma tradição republicana, e o Tiradentes, ele começou a aparecer como Jesus Cristo, com barbas e cabelos longos, pronto para se sacrificar pelo seu povo. Povo esse da onde ele teria vindo? É do todos os Inconfidentes, ele seria o menor social.
Uma das mais impressionantes alegorias que nós conhecemos foi criada pelo Pedro Américo, o mesmo pintor da tela "Independência ou Morte", da Sala do Trono e da Batalha do Avaí, e tantas outras marcantes produzidas durante o reinado de Dom Pedro II. O Pedro Américo, dos 16 aos 21 anos, teve seus estudos pagos pelo Imperador, mas com a queda da monarquia, ele acabou perdendo espaço para outros pintores nacionais. Esse retrato que ele criou do Tiradentes, que vocês estão vendo, faz parte de diversas outras telas retratando a Inconfidência Mineira, mas que acabou sendo produzido apenas essa tela. O Pedro Américo retratou, ao contrário dos outros pintores até então, o Tiradentes morto e esquartejado. O outro que vai fazer isso posteriormente vai ser o Portinari.
Novamente, nós temos a associação do Tiradentes com Cristo. A gente vê a cabeça dele, as barbas longas, o cabelo longo, e nós temos ao lado, é, um crucifixo no patíbulo onde ele foi enforcado. E esse patíbulo, com todo esse corpo dele, lembra o altar, é como se fosse o altar da Pátria recebendo o corpo do Tiradentes. E essa Pátria, ela está sincronizada no modo como os diversos pedaços do corpo do Tiradentes aparecem na pintura. O formato deles lembra o mapa do Brasil.
Mas por que o Tiradentes acabou se transformando no símbolo máximo da Inconfidência Mineira? O que foi a Inconfidência Mineira? E quem foi Tiradentes? E, principalmente, quem foram as mulheres que participaram da Inconfidência? Assim, elas existiram? Elas foram apagadas da história? Essas e outras informações, eu vou passar no vídeo de hoje para vocês.
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No vídeo anterior, que tem aqui no canal, eu falei para vocês a respeito da descoberta do ouro no Brasil. E no outro vídeo, eu falei para vocês também a respeito da descoberta dos diamantes na região, principalmente de Minas Gerais. Tanto num vídeo quanto no outro, eu expliquei a respeito do imposto que era pago pelos brasileiros que explorassem as riquezas naturais, que era o quinto, 20% da riqueza extraída, e pra Coroa Portuguesa. Então, 20% era pago de imposto.
Apesar da criação dos Caminhos do Ouro, dos Diamantes, onde postos de controle fiscalizavam e cobravam essa taxa, a Coroa Portuguesa, ela começou a perceber que o valor que era apurado, coisa que se capturava contrabandistas, era superior ao valor apurado pelo imposto. E eles ganhavam mais dinheiro quando pegavam alguém contrabandeando o ouro do que pelo imposto. Eles começaram a perceber o quanto eles deixavam de perder de imposto com o contrabando.
O que que eles resolveram fazer para evitar isso, conseguir ganhar mais dinheiro? Eles criaram um sistema em 1750, chamado de Derrama. Eles fixaram o valor do quinto em 1.500 kg de ouro por ano. Então, esse valor era o que devia ser apurado pelo quinto. Se não conseguisse ser apurado esse valor, a população deveria contribuir para se chegar à soma desse valor. Então, aí criou-se o sistema, a tal da Derrama.
A questão é que, por diversas vezes, o quinto não chegou a 1.500 kg de ouro por ano. A baixa do pagamento da Derrama, ele foi sendo postergado, a ponto de 1789, você ter um acúmulo de impostos atrasados que beirava entre 528 toneladas de ouro a 700 toneladas de ouro. Cada, cada pesquisador fala uma coisa, não se tem bem um número, mas era muito dinheiro em impostos atrasados que o pessoal de Minas Gerais, será que pagar. Aquela velha história, quem paga imposto porque tá ganhando dinheiro, então, bem ou mal, grande parte dessa riqueza acabava ficando aí em Minas Gerais. E com isso, a capitania de Minas acabou se transformando num polo político e cultural do Brasil.
Para vocês terem uma ideia, em 1786, dos 27 brasileiros que estudavam na Universidade de Coimbra, em Portugal, 12 eram mineiros. Com acesso à educação e à cultura, não foi difícil para esses jovens terem contato com a filosofia e a moda, então, aquela filosofia iluminista que vai gerar o movimento iluminista, cujas ideias centradas na razão como a principal fonte de autoridade e legitimidade, defendia ideais como a liberdade, o progresso, a tolerância, a fraternidade, definida também um governo pautado em leis, o governo constitucional e a separação entre a Igreja e o Estado.
Uma antiga possessão europeia na América, imbuída por essas ideias iluministas, acabou se separando, que foram as 13 colônias da Inglaterra na América, que vai formar os Estados Unidos. Se separa em 1776, e da sua constituição, você vai perceber várias dessas ideias iluministas. Em 1789, nós vamos ter a Revolução Francesa, que vai trazer à pauta uma das ideias iluministas, junto com o xeque-mate ao absolutismo.
Inspirados por essas ideias, muitos estudantes, muitos intelectuais de Minas Gerais, que começaram a ter acesso a publicações, a panfletos que conseguiam ser contrabandeados para o Brasil e chegar a Minas, passaram a ter a brilhante ideia de como separar Minas Gerais de Portugal e do Brasil. Vamos criar um estado independente, nós vamos gerir a nossa própria riqueza. Isso bem na época que Portugal estava pressionando os mineiros a pagar a Derrama, né, todo aquele valor que estava acumulado de impostos atrasados para se conseguir chegar lá no quinto, que vivia sendo adiado.
Além do Alferes Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, havia diversos outros implicados, como os poetas Cláudio Manuel da Costa, Tomás Antônio Gonzaga, Inácio José de Alvarenga Peixoto, além de padres e fazendeiros e pessoas de maior ou menor relevo social. Eles participavam de reuniões secretas onde mais se discutia ideias do que propriamente algo prático em relação a esse projeto do novo país. Os conjurados, obviamente, falavam na independência, como eu já falei, mas era uma independência regional. Eles não estavam falando da independência do Brasil como um todo. A ideia deles era separar a capitania de Minas Gerais do restante do Brasil.
Eles não tinham uma posição totalmente formada se esse novo estado, por exemplo, seria uma monarquia, como pregava o Cônego Vieira, ou se deveria ser uma república, como defendia o José Álvares Maciel, que era um rapaz formado em Coimbra, o filho do capitão-mor de Vila Rica. A maioria, obviamente, se inclinava pelo republicanismo, até porque eles acreditavam que isso iria chamar a atenção dos Estados Unidos e gerar apoio para esse novo país que eles estavam imaginando. Lembrando que o estado já tinha passado por esse processo de independência.
Na época, também não era um consenso entre os revoltosos, os conspiradores, a questão da abolição da escravidão. Havia alguns que defendiam a manutenção do trabalho dos escravizados. Não haveria exército nesse novo país, todos os homens seriam armados e, no caso de perigo iminente, eles se juntariam como uma milícia. As mulheres que tivessem um certo número de filhos, elas deveriam receber um prêmio do Estado por ajudar a povoar essa nova nação. Os regulamentos tanto sobre o ouro quanto os diamantes terminariam, então toda aquela legislação portuguesa a respeito de como se exploraria, das taxas sobre todas as riquezas, terminaria e seria feito novas leis a respeito.
Além disso, esse novo país, ele fomentaria a exploração do ferro e do salitre e a construção de fábricas, de manufaturas que não existiam no Brasil como um todo. Também haveria a criação de uma universidade em Vila Rica e a capital seria transferida para São João del-Rei. Cada cidade seria seu próprio parlamento e esse parlamento se uniria a um parlamento nacional. E esse novo país já tinha até uma bandeira, que hoje é a bandeira do Estado de Minas. Há uma controvérsia a respeito desse triângulo, se seria vermelha ou verde, mas enfim, a divisa é uma herança desse movimento e significa "Liberdade ainda que tardia".
O mesmo, a prova, coloquei verdade, que ser aprovei, claro que eu errei. A questão agora é a melhor de todas as propostas. Lembra da Derrama? Então, nesse novo país, todo mundo teria as suas dívidas perdoadas. Então, você vê claramente que esse movimento é um movimento da elite econômica e social da época e que não tem qualquer participação do povo nisso.
Esse grupo, ele acabaria sendo conhecido, por ser mente, como os Inconfidentes. Por quê? Os Inconfidentes? Porque pelo Código Filipino, todos aqueles considerados Inconfidentes, ou seja, que faltavam com fidelidade ao Rei, incidiam em crime de lesa-majestade, pelo qual todos eles foram acusados.
Quando o movimento foi delatado pelo português Joaquim Silvério dos Reis em 1789, ele deu toda a conspiração ao Visconde de Barbacena, Antônio Furtado de Mendonça, que começou a prender então todos os envolvidos. O que que o Joaquim Silvério dos Reis ganhou com isso? Ele ganhou o perdão de todas as dívidas junto à Fazenda Real. A gente pode considerar uma das primeiras delações premiadas no Brasil. Outros portugueses envolvidos acabaram também denunciando a conspiração e foi iniciado o inquérito, que na época chamava-se devassa. E com isso, diversos outros membros da conjuração passaram a escrever para o governador, revelando tudo o que sabiam para tentar ter as suas penas diminuídas.
E o Tiradentes, o que que o Tiradentes tem a ver com tudo isso? Bom, o Joaquim José da Silva Xavier, ele tinha nascido no Brasil em 12 de novembro de 1746. Ele não nasceu pobre, como diz a lenda. Daqui, ele era o mais pobre de todos e não nasceu pobre. Ele nasceu numa família com posses, mas a mãe morreu cedo, o pai morreu cedo. Ele e os irmãos perderam todas as propriedades, a maior parte das propriedades por dívidas. Órfão, ele acabou sendo tutelado por um padrinho, é, pelo tio dele, que era cirurgião dentista e que foi por isso que ele conseguiu aprender um pouco a respeito de dentes, de extrair dentes, de se fazer dentes. Laterais, ele também fazia dentes. E aí ele virou o boticário amador. Bem, além de boticário amador, ele foi tropeiro, ele foi mercador e ele foi minerador. Mas nenhuma dessas atividades lhe deram muita estabilidade, até que ele entrou para o exército. E aí ele entrou como um Alferes na Legião de Dragões de Vila Rica.
No meio de todos os implicados na conjuração mineira, o Tiradentes, ele era o menos instruído de todos e o mais exaltado. Ele falava abertamente a respeito das suas ideias, das ideias dos conjurados, em qualquer lugar, em praças, em postes, em Itabira, Minas, em todas as reuniões sociais em que ele se encontrava, lá estava o Tiradentes falando a respeito da separação. Uma das várias coisas que ele falava era que era uma pena ver o país dele, Minas Gerais, ser reduzida ao estado de miséria só porque a Europa, como uma esponja, sugava toda a substância de Minas. O Tiradentes, além de ser propagandista revolucionário, ele havia chegado a tramar a morte do governador de Minas, o Visconde de Barbacena.
O processo dos Inconfidentes durou de 1789 até 1792. 18 de Abril de 1792 foi lida a sentença, quando se soube que, ou se pessoas que tinham sido condenadas à morte, há sete réus foram condenados a degredo perpétuo na África, e diversos dos religiosos foram remetidos a Lisboa, onde ficaram em clausura. Ouvi alguns outros condenados a exílio de 10 anos, e um dos conspiradores foi condenado a trabalhos forçados.
A Rainha Dona Maria I de Portugal, que ainda em 1790 estava de posse tanto do governo quanto das suas faculdades mentais, ela havia decidido naquela ocasião que todas as penas de morte teriam comutadas para degredo perpétuo, salvo se apresentassem agravantes. E no caso do Tiradentes, caiu sobre ele o fato dele ter sido identificado como um dos membros mais radicais do grupo e ter planejado assassinar o governador de Minas.
A sentença que saiu, o que significa, aliás, sobre o Tiradentes, foi a seguinte: "A justiça que a Rainha, Nossa Senhora, manda fazer a este infame réu, Joaquim José da Silva Xavier, pelo horroroso crime de rebelião e alta traição, de que se constituiu o chefe e cabeça na capitania de Minas Gerais, com a mais escandalosa temeridade contra a Real Soberana e Suprema autoridade da mesma Senhora, que Deus guarde, manda que com baraço e pregão seja levado pelas ruas públicas desta capital ao lugar da forca e nela morra morte natural para sempre, e que separada a cabeça do corpo seja levada a Vila Rica, donde será conservada em poste alto junto ao lugar da sua habitação até que o tempo a consuma, que seu corpo seja dividido em quartos e pregados em iguais postes pela estrada, um dos lugares mais públicos, principalmente no da Varginha e Sete Passos, que a casa da sua habitação seja arrasada e salgada, e no meio de suas ruínas levantado um padrão em que se conserve para a posteridade a memória de tão abominável réu e delito, e que ficando infame para seus filhos e netos, lhe sejam confiscados os seus bens para a Coroa e Câmara Real. Rio de Janeiro, 21 de Abril de 1792."
Como eu disse antes, a execução foi realizada no dia 21 de Abril de 1792, no Rio de Janeiro. O Tiradentes, ele estava preso na Casa de Câmara e Cadeia, que ficava onde hoje se encontra o Palácio Tiradentes, que anteriormente, depois de Casa de Câmara e Cadeia, foi Câmara dos Vereadores e atualmente é Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro. Rumo ao patíbulo, ele parou para fazer as suas últimas orações na Igreja da Lampadosa, que ainda existe lá no Rio de Janeiro. E após ser enforcado, o seu corpo foi dividido em partes e salgado para não apodrecer. Essas partes foram levadas para diversos locais, como exigia a sentença. A cabeça foi exposta em Vila Rica, no poste, e sumiu durante a noite. Os restos dele, aos poucos, foram desaparecendo e, em segredo, foram enterrados na antiga Capela de Santana, em Sete Passos, no município de Paraíba do Sul, no Rio de Janeiro.
Apesar da história oficial registrar somente os homens, também houve mulheres que participaram da Inconfidência. A mais importante delas, sem dúvida nenhuma, foi a fazendeira Hipólita Jacinta Teixeira de Melo. Ela foi uma pessoa importante no movimento. No início, ela ajudava na comunicação dos grupos e, depois, com os líderes presos, ela ainda tentou levantar o exército lá em Minas Gerais, mas isso acabou não acontecendo. A Hipólita, ela nasceu em 1748, em Prados, no interior de Minas. Ela foi uma mulher educada, culta e de fortíssima personalidade. Ela era filha de Pedro Teixeira de Carvalho, que foi um rico minerador e foi capitão-mor de São José del-Rei, atual Tiradentes. Ao morrer, ele deixou toda a fortuna para a filha, inclusive a fazenda Ponta do Morro, onde Hipólita continuou morando quando se casou com Francisco Antônio Oliveira Lopes. O Francisco Lopes, ele era colega de regimento do Tiradentes. Hipólita, ela tinha pleno conhecimento e apoiava o movimento, e a sua fazenda, ela virou uma célula dos conjurados. A fazenda, ela ficava num ponto estratégico, ela ficava bem próximo da Estrada Real, o que facilitava a comunicação dos conjurados que moravam em outras cidades. Então, um ponto de apoio para toda essa comunicação que ocorreu entre eles.
Joaquim Silvério dos Reis, o primeiro a delatar a conjuração mineira, é sobrinho por afinidade do marido dela. Ela que avisou o marido por carta da prisão do Tiradentes, da delação do sobrinho. Ah, e também avisou a outros Inconfidentes o que estava acontecendo para antecipar, eles buscaram alguma proteção. A Hipólita, ainda tentou fazer com que o Francisco de Paula Andrade, que era tenente-coronel em Vila Rica, levantasse as tropas para a revolução, mas isso acabou não acontecendo. Apesar de eles perderem a chance do levante, a Hipólita tinha honra. E o marido dela pensou em escrever uma carta denúncia, aí chegou a escrever uma carta denúncia para aliviar os seus crimes em frente aos olhos da Justiça. Ela não só catou a carta que o marido dela tinha escrito, mas como toda a documentação que eles tinham e jogou no fogo, não permitindo que o marido dela entregasse ninguém. O marido dela foi preso, ele foi encarcerado. Ela fez de tudo para tentar libertar. Uma das coisas que ela fez, ela mandou confeccionar um cacho de bananas em tamanho natural em ouro para mandar para a Rainha em Portugal, pedindo a libertação do marido. Mas esse cacho de banana teria sido apreendido pelo Visconde de Barbacena e nunca chegou à Rainha Dona Maria I. O Francisco Antônio, marido dela, acabou morrendo degredado e foi condenado ao degredo na África. Ele morreu na África e ela teve todos os seus bens tomados pela Coroa de Portugal. Mas ela não se abalou. Ela escreveu para o Ministro do Ultramar, o Rodrigo de Sousa Coutinho, em Lisboa, afirmando e provando que todos os bens dela vinham de herança paterna e não tinha nada a ver com o marido. Ela conseguiu todos os bens dela de volta, o que mostra que a Hipólita, ela não se encaixava muito bem nessa imagem da mulher do período colonial que acatava todas as ordens, submissa e tudo mais.
Outras mulheres, além da Hipólita, também participaram ou tiveram contato com os conjurados, os Inconfidentes. Uma delas foi Maria Dorotéia Joaquina de Seixas, que ficou conhecida como a Noiva da Inconfidência. Ela era noiva do poeta Tomás Antônio Gonzaga, que a imortalizou em seu "Marília de Dirceu". Ele foi preso, mandado para a África, nunca mais voltou ao Brasil. A Maria Dorotéia, ela virou reclusa depois da morte do pai e nunca se casou. Outra mulher foi Bárbara Heliodora Guilhermina da Silveira, de São João del-Rei. Era filha mais velha do advogado José da Silveira e Souza e, aos 18 anos, ela conheceu o poeta carioca Alvarenga Peixoto, que não fazia era ouvidor de São João na Câmara de São João. Eles se casaram e foram felizes até o momento que o marido foi preso como Inconfidente. Assim como Hipólita, a Bárbara Heliodora também teve os seus bens confiscados e também lutou para provar que os bens eram herança paterna. Ela não só conseguiu o patrimônio dela de volta, mas sob administração dela, ela dobrou o patrimônio.
Toda essa história que eu estou contando, não das mulheres, mas da Inconfidência, esse foi o escândalo na época. Ele teve julgamento, teve morte, degredados e tudo mais, mas foi uma coisa bem local, né? Ela não pegou o Brasil inteiro. E esse movimento, por não ter dado resultado, por não ter tido apoio popular, ele, aos poucos, vai cair no esquecimento. E quando, então, ele ressurgir, ó, ele vai ressurgir no centenário da Inconfidência. A Inconfidência foi em 1789, em 1889, ressurgir com mais força essa história toda, juntamente com as ideias republicanas no Brasil. Inclusive, em 1889, nós vamos ter no Rio de Janeiro uma exposição sobre a Inconfidência, com documentação do acervo pessoal do Imperador Dom Pedro II sendo cedido para essa exposição, que ocorreu no Paço da Cidade, no Paço Imperial.
O Tiradentes, por ter sido o único dos Inconfidentes que foi morto devido à conjuração, ele acaba sendo transformado em mártir pelos republicanos. Após a proclamação da República, a figura do Tiradentes, ele é resgatada como herói nacional, né? Toda, lembrando que toda tradição inventada, então a República inventa essa tradição. O dente se da Inconfidência e transforma em 1965 o dia 21 de Abril, a morte do Tiradentes, como feriado nacional.
Existem outras histórias a respeito do Tiradentes. Uma das versões fala a respeito de que outra pessoa teria sido morta no lugar dele, de que ele não morreu efetivamente, né? O Tiradentes ele teria conseguido escapar do Brasil e levado para a França, onde ele participou de alguns episódios posteriores da Revolução Francesa. Mas falta, isso é uma teoria, são teorias que são faladas, né? Falta uma justificativa científica, algo definitivamente prove todas essas histórias, porque até agora não foi feito.
Então, era essa história que eu queria contar para vocês. Tem aí na descrição do vídeo algumas fontes que utilizei para fazer esse vídeo. E aí, eu queria saber de vocês o que vocês acharam do vídeo. Comente, participe aqui do canal. Um abraço, até!