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Vito Genovese, um verdadeiro chefão da máfia

Nerdologia9:45

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Em diferentes obras de ficção que retratam a máfia italiana nos Estados Unidos, como filmes, alguns tipos de eventos são comuns, como uma guerra entre mafiosos pelo controle do crime ou encontros entre chefões para um acordo. Um homem está ligado à história real desses eventos: Vitor Genov, o chefão da máfia, tema do Nerdologia Criminosos desse mês.

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Sejam bem-vindos a Nerdologia de História. Meu nome é Felipe Figueiredo, formado em História, colunista, podcaster, tuber, professor e não é nada pessoal, são só negócios. Mas você precisa ver essa Nerdologia sobre Vitor Genov, o chefão da máfia.

Vitor Genovese nasceu em 21 de novembro de 1897 em Ricigliano, uma vila na região de Tufino, na então Província de Nápoles, Itália, hoje a região metropolitana de mesmo nome. Seus pais tiveram, no total, uma filha, Giovana, e três filhos. Todos os filhos se tornaram mafiosos nos Estados Unidos e Giovana se casou com um mafioso. Um primo dos rapazes também se tornaria um chefão da máfia em Pittsburg. A família, incluindo o adolescente Vitor Genovese, ou Genov, então com 15 anos de idade, emigrou para os Estados Unidos em 1913 a bordo do navio Taormina, um dos navios que mais transportou imigrantes italianos para os Estados Unidos no início do século XX.

A família se estabeleceu em Nova York, no bairro da Ilha de Manhattan, que ficou conhecido como Pequena Itália devido à esmagadora presença de imigrantes italianos. Em 1910, eram cerca de 10.000 pessoas. O bairro era conhecido por cortiços e por uma alta densidade populacional, e a maioria dos homens recém-chegados trabalhava como operários, ou no porto, ou em fábricas têxteis, ou então em pequenos comércios locais. Como muitos garotos da Pequena Itália, Vito era de uma família pobre e com pouco ensino formal, com apenas até o que chamamos de quinta série.

Também como muitos garotos do bairro, Vito começou a praticar crimes, começando por pequenos furtos. Depois, ele passou a ajudar mafiosos com tarefas cotidianas, como levar bilhetes e pacotes de um lado para o outro. Posteriormente, passou a coletar dinheiro das loterias legais conduzidas pela máfia, algo similar ao jogo do bicho no Brasil. Nessa função, aos 19 anos de idade, Genovese foi preso pela primeira vez, cumprindo uma sentença de um ano de prisão por posse legal de arma de fogo.

Posteriormente, na década de 1920, Vito passa a trabalhar para a organização mafiosa família Maceria, liderada pelo siciliano Jusepe Maceria, conhecido como Joe de Boss. Na organização, ele conhece os também jovens criminosos Francesco Castiglia, conhecido como Frank Costello, e Salvator Lucânia, conhecido como Lucky Luciano. Os três serão dos principais mafiosos dos Estados Unidos pelas décadas seguintes.

A década de 1920 é muito importante na história da máfia de Nova York por dois motivos. Primeiro, entre 16 de janeiro de 1919 e 5 de dezembro de 1933, a produção, importação, transporte e venda de bebidas alcoólicas era proibida nos Estados Unidos. A produção e comércio ilegal de bebidas alcoólicas fez fortuna para os mafiosos. Segundo, se intensifica um conflito geracional dentro da máfia italiana entre criminosos mais velhos, chamados de algo como "bigodudos", e os mais jovens, que buscavam ampliar as atividades criminosas e deixar de lado algumas práticas tradicionais, como fazer negócios apenas com italianos e descendentes.

Os jovens Vito e Luciano vão se associar e explorar o contrabando de bebidas alcoólicas, com financiamento de Arnold Rothstein, conhecido como "Cérebro". Rothstein era um dos principais nomes da máfia judaica de Nova York e fazia fortuna manipulando resultados e apostas esportivas, além de ter servido de inspiração para personagens na cultura pop.

Em 1930, começa uma guerra interna na máfia italiana entre as gangs de Di Maceria e de Salvatore Maranzano. Sob ordens de Maceria, Vito assassinou um líder mafioso da gang rival. A guerra dura mais de um ano e progressivamente se torna uma guerra geracional, com os mais jovens se unindo. Luciano fez um acordo secreto com Maranzano: ele mataria Maceria em troca de liderar suas operações e ser o segundo na hierarquia da gang.

Em 15 de abril de 1931, Luciano combinou um encontro com Maceria, que foi emboscado, sendo Vito um dos assassinos. Meses depois, em setembro, Maranzano convocou Luciano e Vito para uma reunião, junto com Frank Costello. Suspeitando que seriam mortos, Luciano e Vito enviaram quatro integrantes da máfia judaica, desconhecidos de Maranzano, que o mataram. Na mesma noite, foram mortos vários dos "bigodudos".

No lugar de se tornar um chefão de toda a máfia, Luciano criou uma estrutura com funções e divisão de territórios, conhecida como "a comissão". Na própria família ou gangue criminosa de Luciano, Vito era seu segundo em comando. Os dois foram os principais responsáveis pela introdução do tráfico de heroína nos Estados Unidos.

Nesse mesmo ano de 1931, a primeira esposa de Vito morreu de tuberculose e ele anunciou a intenção de se casar com uma prima distante, Ana. A tal prima, entretanto, era casada. Por uma grande coincidência, o seu marido foi morto no dia 16 de março de 1932 e, 12 dias depois, Ana se casou com Vito Genovese, possivelmente sob coação.

Entre 1937 e 1943, Vito viveu na Itália sob proteção do regime fascista de Mussolini. Ele foi para a Itália fugindo de acusações criminais nos Estados Unidos, especialmente o assassinato do mafioso Ferdinand Boa, e na Itália doou milhões de dólares para o partido fascista, foi condecorado, forneceu cocaína para chefões do regime e coordenou o assassinato de italianos anarquistas críticos do fascismo.

Nos Estados Unidos, com a chegada das tropas, Vito oferece seus serviços para os aliados. Sendo um cidadão dos Estados Unidos, Vito passou a ser tradutor e mediador das relações entre os militares dos Estados Unidos e lideranças locais italianas. Enquanto isso, ele contrabandeava ajuda humanitária e explorava a venda de alimentos e roupas no mercado clandestino. As autoridades militares dos Estados Unidos demoraram quase um ano para perceberem que estavam lidando com um homem acusado de diversos crimes no país. Mesmo sob a proteção de políticos e de militares subornados, Vitor Genovese foi enviado para os Estados Unidos para ser julgado pela morte de Boa, mas as duas testemunhas do caso foram assassinadas. Ele saiu do tribunal pela porta da frente, retornando para a gang.

Depois de quase 10 anos, Vito enfrentou resistência de seus antigos sócios, especialmente de Luciano, e os dois discutiram o encontro em Havana, Cuba, na época um foco das atividades criminosas da máfia dos Estados Unidos. Entre 1946 e 1957, Vito Genovese expandiu sua influência e tramou para tomar o poder, assassinando alguns de seus principais rivais, incluindo um famoso assassinato em uma barbearia, enquanto Luciano fugiu para a Itália devido às investigações policiais nos Estados Unidos.

Nesse mesmo período, Ana pediu pelo divórcio, fazendo acusações públicas contra Vito, algo muito raro na máfia. A vida de Ana é bastante interessante. Em 1957, Vito consolidou seu controle sobre a família criminosa, que agora levava seu nome e reunia cerca de 450 criminosos. Ele desejava ser reconhecido como chefão da máfia pelos outros mafiosos. Para isso, organizou um encontro nacional da máfia que seria realizado em uma pequena cidade do estado de Nova York, onde residia um mafioso. A polícia suspeitou que algo ocorreria, especialmente após a encomenda de muitos quilos de carne vermelha caríssima de alta qualidade de um açougue local.

O encontro colocou a organização nacional da máfia nos jornais e resultou em uma grande batida policial, com chefões da máfia tentando fugir até pela mata. O encontro colocou definitivamente Vitor Genovese na mira das autoridades. Em 1959, ele foi condenado por tráfico de drogas; a principal testemunha do caso era um traficante porto-riquenho que provavelmente foi pago por Luciano em uma trama contra seu sócio. Mesmo da prisão, Vitor Genovese continuou conduzindo parte de suas atividades criminosas, incluindo ordens de assassinatos.

Ele morreu de ataque cardíaco no hospital prisional no dia 14 de fevereiro de 1969, e sua vida de crimes inspirou outros criminosos e obras sobre a máfia na cultura pop.

Lembro que temos um Nerdologia Criminoso sobre Al Capone, que é um recorte, e claro que, infelizmente, muita coisa interessante ficou de fora. As sugestões estão aqui na descrição.

Nos comentários do Nerdologia sobre as revoluções, a Guerra Civil Chinesa comentaram que a Revolução Republicana não teria sido curta e que não teria sido o imperador a renunciar, mas sim a rainha regente. Sim, existiram levantes anteriores desde 1895, quando líderes foram executados, mas a revolução de 1911 durou menos que um ano. Além disso, a renúncia de um regente é um nome do imperador que, por direito, é o governante.

Algumas pessoas comentaram que faltou isso ou faltou aquilo. É impossível esgotar um assunto em 8 minutos, e o vídeo tem uma data de término do recorte bem clara. Questões como a Revolução Cultural, por exemplo, foram abordadas no Nerdologia sobre o Exército de Terracota, e nos comentários posteriores.

Não se esqueçam de curtir e compartilhar o vídeo, ativem as notificações do nosso canal para conhecer mais sobre a máfia, e até a próxima!

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