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Estudo da Carta aos Efésios - Romeu Bornelli - Parte 04

Palavra Guardada1:03:32

Transcription

Irmãos, vamos então retornar à epístola aos Efésios, Capítulo 2. Vamos ver alguns versos desse capítulo. Efésios 2:1: "Ele vos deu vida estando vós mortos nos vossos delitos e pecados, nos quais andastes outrora segundo o curso deste mundo, segundo o príncipe da potestade do ar, do espírito que agora atua nos filhos da desobediência, entre os quais também todos nós andamos outrora segundo as inclinações da nossa carne, fazendo a vontade da carne e dos pensamentos, e éramos por natureza filhos da ira, como também os demais."

"Mas Deus, sendo rico em misericórdia, por causa do grande amor com que nos amou, e estando nós mortos em nossos delitos, nos deu vida juntamente com Cristo; pela graça sois salvos. E juntamente com ele nos ressuscitou e nos fez assentar nos lugares celestiais em Cristo Jesus, para mostrar nos séculos vindouros a suprema riqueza da sua graça em bondade para conosco em Cristo Jesus. Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus; não de obras, para que ninguém se glorie. Pois somos feitura dele, criados em Cristo Jesus para boas obras, as quais Deus de antemão preparou para que andássemos nelas."

Vamos ao verso 14: "Porque ele é a nossa paz, o qual de ambos fez um e, tendo derrubado a parede de separação que estava no meio, a inimizade, aboliu na sua carne a lei dos mandamentos na forma de ordenanças, para que dos dois criasse em si mesmo um novo homem, fazendo a paz, e reconciliasse ambos em um só corpo com Deus por intermédio da cruz, destruindo por ela a inimizade. E, vindo, evangelizou paz a vós outros que estais longe, também paz aos que estavam perto; porque por ele ambos temos acesso ao Pai em um espírito. Assim, já não sois estrangeiros e peregrinos, mas concidadãos dos santos e sois da família de Deus, edificados sobre o fundamento dos apóstolos e profetas, sendo ele mesmo Cristo Jesus a Pedra Angular, no qual todo o edifício bem ajustado cresce para santuário dedicado ao Senhor, no qual também vós juntamente estais sendo edificados para habitação de Deus no espírito."

Capítulo 13 inicia. Paulo usa a seguinte expressão: "Por esta causa". A partir daí, versos 1 do capítulo 3 até o verso 13 desse mesmo capítulo, ele fez uma digressão. O que é digressão? É sair, digamos, do argumento principal, da linha de raciocínio onde ele estava, movido pelo Espírito Santo, e entrar em uma via lateral. Muitas vezes Paulo faz isso nas suas epístolas, inspirado pelo Espírito Santo, e essas vielas, chamemos assim, essas digressões, são sempre muito preciosas. Por exemplo, essa que ele faz aqui. Vamos estudá-la mais tarde. Ele usa esses 11 versículos do capítulo 3. Não lemos agora porque não será, no momento, objeto do nosso estudo. Ele vai mostrar exatamente qual é esse mistério que estava oculto dos séculos, das gerações. Nós já ouvimos escrevê-lo no capítulo 1, verso 10, dizendo que Deus vai tornar a congregar em Cristo todas as coisas, encabeçadas na pessoa do seu Filho vitorioso, ressurreto, ascenso, entronizado, né, o Cristo vencedor, encabeçar, após reunir todas as coisas desconexas, reconciliá-las e, então, trazê-las debaixo da subordinação a ele como Cabeça, tornar a congregar ou convergir nele, na dispensação da plenitude dos tempos, todas as coisas. Efésios 1:10. Já vimos que a igreja participa disso porque é o seu corpo. Falamos bastante disso até aqui. Agora, no capítulo 3, de 1 a 13, esse que nós chamamos de uma via lateral que ele toma aqui e depois retorna para a via principal, orando no verso 14. Nessa digressão, ele vai explicar o mesmo propósito eterno de Deus. Já que no há dois, só há um. Ele vai explicar com palavras complementares aquilo que ele já falou: Cristo reunir, Cristo encabeçar, a igreja participar dessa realidade como seu corpo, né? Ele vai explicar de outra maneira. Por enquanto, o que nos importa aqui é o seguinte: olha o verso 14 como ele começa. Não é algo, eh, ocasional. Ele usa a mesma expressão do verso 1 do capítulo 3: "Por esta causa eu, Paulo". Aí ele coloca uma vírgula e faz a digressão que vamos examinar talvez na segunda sessão ou senão amanhã. No verso 14, ele volta à via principal e ele repete: "Por esta causa". Qual causa? Aquela causa que ele descreveu no capítulo dois, que vai ser objeto do nosso estudo agora. E quando ele retoma essa expressão "por esta causa", ele diz o que ele ia fazer já no versículo 1 e não fez, e vai fazer a partir do versículo 14. O quê? Orar novamente. Então, ele escreveu para que você entenda bem. Esses capítulos aí que vamos estudar são os últimos da sessão visão, né? No capítulo 4, nós entraremos na sessão vocação, certo? São os últimos capítulos que falam da nossa herança. Você se lembram? A partir do capítulo 4, entraremos no assunto: a sua herança, como que Deus obterá a sua herança, quais as características do povo da sua herança ou do seu povo que é a sua herança. E aí ele inicia assim o capítulo 4 com toda essa ética cristã, chamemos assim, vida relacional, vida social, vida familiar, doméstica, não é? Vida relacional em todos os níveis. Então, lembremo-nos, no capítulo 3, ele, a partir do verso 14, ele faz a segunda oração que tem a ver então com a compreensão espiritual, como explicamos, verso 18 aí do capítulo 3: "a fim de poderes compreender com todos os santos". Certo?

Até aqui, já vimos. Agora, meus irmãos, se Paulo usou isso que é aqui chamado o nosso Capítulo 2, embora no texto original é um texto corrido, só os irmãos sabem, se ele usou então esses 22 versos que é o que contém aí o Capítulo 22 para descrever a causa, nós já temos aqui uma primeira coisa muito bonita. Mais uma vez, estamos vendo esse homem, o apóstolo Paulo, era um homem de uma única causa. Ele descreve essa causa e diz que por essa causa ele entregou toda a sua vida. Sua história pessoal estava ligada à história dessa causa. E essa união dessas duas coisas, a pessoa dele com essa causa, começou na estrada do Damasco, quando o Senhor glorioso se revelou a ele. "Saulo, Saulo, por que me persegues? Dura coisa é recalcitrar contra os aguilhões." "Quem és tu, Senhor?" "Eu sou Jesus, a quem tu persegues." Então, ele diz, quando descreve essa experiência, que uma luz mais brilhante que o sol do meio-dia brilhou então ao seu redor. Os que estavam com ele não entenderam o que estava acontecendo ali, porque isso foi uma revelação para Paulo. Então, o Senhor tem aquele, aquela comunicação com Saulo e o separa a partir dali para que então fosse esse vaso escolhido. As palavras que o Ananias, que o batizou, falou para ele, como registrados em Atos 9: "Este é para mim o vaso escolhido para levar o meu nome perante os gentios e ele importa. Ele saberá o valor de sofrer pelo meu nome." Então, sem dúvida, meus irmãos, ele é um vaso muito especial. Sem dúvida, cada apóstolo do Senhor teve uma participação singular, inclusive alguns que nem conhecemos bem a história deles. Conhecemos alguma coisa de todos eles, todos os 12, né? Mas de alguns deles, muito pouco conhecemos. Agora, do apóstolo Paulo, que nem mesmo era um dos 12, nós conhecemos muito da sua história, porque o Senhor colocou a mão nesse vaso, o vaso de misericórdia, como ele chama, já falamos isso também, né? Lá em Primeira Timóteo, ele usa essa expressão, para moldá-lo de tal forma que ele fosse então um modelo para todos aí, nós estamos incluídos, todos os que haviam de crer nele. Então, podemos dizer o que o Espírito Santo fez, o Senhor Jesus pelo Espírito Santo, pondo a mão nesse barro disforme chamado Saulo de Tarso, é o que ele deseja fazer na vida de cada um de nós. Esse Cristo formado em nós. Quando nós olhamos a trajetória de Paulo, nós vemos bem o que Deus deseja fazer na vida de cada um de nós. Quem sabe, numa outra oportunidade, juntos nós podíamos reservar um tempo de encontro para estudarmos, nas pinceladas gerais e alguns detalhes específicos da vida e ministério do apóstolo Paulo, porque aí teríamos que passar pelas três epístolas panorâmicas. E você vai ver o brilho e a beleza disso, quando ele põe a mão nesse barro aqui e leva esse barro até o martírio, traçando o caminho da Cruz na vida dele. Cada epístola, você vai vendo o homem amadurecendo, desde Tessalonicenses até Timóteo, as primeiras e as últimas. E você vai ver esse homem crescendo na experiência, na clareza quanto ao eterno propósito de Deus, no "in" da Cruz, no Cristo formado nele, no caráter de Cristo. Então, nós vamos vendo os contornos do traçar de Deus em Paulo. E nós temos uma certeza: é este o único caminho pelo qual o Senhor trabalha em todos os seus santos. Ele sabe disso, por isso ele diz que ele era esse vaso modelo. Por isso que ele diz, escrevendo aos Coríntios, assim: "Sede meus imitadores, como também eu sou de Cristo." Por isso que ele escreveu assim em Filipenses, capítulo 4: "Tudo que vistes, tudo que ouvistes, tudo que aprendestes de mim, isso praticai, e o Deus da paz será convosco." Quem será de nós aqui que tem ousadia de dizer essa mesma palavra dele para os outros irmãos: "Tudo que vistes em mim, tudo que ouvistes de mim, tudo que aprendestes de mim, isso praticai, e assim o Deus da paz será convosco"? Que peso, né, espiritual tinha esse homem! Então, o Senhor traça o seu, eh, caminho, o seu trabalho transformador nesse vaso tão singular, tão precioso. Devemos tanto a esse Apóstolo dos gentios.

Então, meus irmãos, vamos, vamos ver qual era a sua causa, que é o nome, é a expressão que ele usa aqui na versão que estou lendo, né? Há traduções em português que você tem simplesmente assim: "Por isso", "Só um por isso", "Por isso eu, Paulo, prisioneiro de Cristo Jesus". E no 14, "Por isso eu me ponho de joelho diante do Pai". Mas, sem dúvida, eu gosto muito mais dessa expressão que nós estamos lendo aqui: "Por esta causa". Porque, embora ela tenha a implicação do "por isso" mesmo, sem dúvida nenhuma, mas essa palavrinha "causa" fala muita coisa para nós, né? Nós ouvimos muito a respeito de pessoas que morreram por uma causa, não é assim? Uma causa filosófica, uma causa ideológica. Então, vamos ver qual era a causa de Paulo. Sabe como ele descreve nas palavras do capítulo 2? Vamos desde já selecionar isso. Vamos lá. Verso 10: "Pois somos feitura dele". Palavra no original é "poema". Poema! Então, tá aí uma primeira pincelada no que Paulo tá chamando de a sua causa. Essa é a causa pela qual ele foi chamado, viveu e morreu. Nós somos feitura dele. Depois voltaremos a isso aqui. Tem uma palavra à frente desse "feitura dele" que precisamos examiná-la, e vamos fazer isso daqui a pouco: a palavra "criados". E há ainda uma outra palavrinha aqui importante, que ela é importante, na verdade, na epístola toda, é a palavra "andamos" ou "andar", que está no final desse versículo. Então, nós já vamos a elas agora mesmo. Por enquanto, vamos guardar as figuras, chamemos assim, as metáforas que Paulo usou nesse capítulo do para nos ajudar a entender qual era a sua causa, pela qual ele foi chamado, pela qual viveu e pela qual morreu. Primeiro, é porque somos feitura dele. Dois, verso 15: "o Senhor aboliu na sua carne a lei dos mandamentos na forma de ordenanças, para que dos dois" (quem são esses dois? Dois povos: judeus e gentios) "aí no verso anterior ele...". Então, olha aqui a repetição da palavrinha do verso 10 que eu já destaquei: "criados". Está vendo? "A lei". De novo, no verso 10, diz: "criados em Cristo Jesus". E aqui ele diz que ele então "criou em si mesmo um novo homem, fazendo a paz". Com essa metáfora, não precisaríamos gastar muito tempo, porque já gastamos na reunião anterior. Você se lembra? Aquele que está em Cristo é uma nova criação. As coisas velhas já passaram, tudo isso se fez novo. Que novo homem da nova criação é esse que Paulo descreve nos seus escritos? É o novo homem que tem Jesus Cristo, varão aprovado por Deus, glorificado no trono da Majestade. É o cabeça, mas não é um cabeça solitário. É um cabeça que tem um corpo, um corpo de muitos membros: a igreja. E essa entidade orgânica, conjunta, nunca separada, cabeça sem corpo e nem corpo sem cabeça, essa entidade é chamada de o novo homem da nova criação. E é nessa maravilhosa entidade espiritual que nos inclui, Cristo a cabeça, e todos aqueles que creram realmente, sinceramente no Senhor, são seu corpo. É nessa entidade orgânica viva, Cristo a cabeça, igreja o corpo, que Deus revelará a plenitude de sua glória e de sua multiforme sabedoria. Então, esse é o novo homem da nova criação. Segunda metáfora que é mencionada aí: "criar em si mesmo novo homem". Terceira metáfora: verso 19: "Assim, já não sois estrangeiros e peregrinos, mas concidadãos dos santos e sois da família de Deus". Terceira metáfora importantíssima. A quarta: verso 20 a 22: "edificado sobre o fundamento dos apóstolos e profetas, sendo ele mesmo Cristo Jesus a Pedra Angular". Então, ele deixou a metáfora da família, entrou numa outra aqui. Olha, Cristo Jesus é a Pedra Angular. Sobre ele, todo o edifício. Aí está a quarta metáfora, sendo que esse edifício que Paulo se refere aqui é um santuário dedicado ao Senhor. Então, não são duas, não. Aqui é a mesma metáfora. Ele está dizendo que esse edifício é um edifício santo, é um santuário edificado, que tem Cristo Jesus como Pedra Angular, e é um santuário edificado para o Senhor, sobre o fundamento dos apóstolos e profetas, cujo fundamento deles é Cristo Jesus, a Pedra Angular. Então, você tem Cristo Jesus, a Pedra Angular. Sobre ele, os apóstolos e profetas. Ninguém pode lançar outro fundamento a não ser esse que foi posto: Jesus Cristo. É assim que ele escreve em Coríntios 3. Então, o fundamento dos apóstolos e profetas é Cristo, porque Cristo é a Pedra Angular. Sobre Cristo, nós temos os ombros fortes dos apóstolos e profetas, que aí no capítulo 3, Paulo vai dizer que é a eles que foi dada a revelação do mistério de Deus aos seus santos apóstolos e profetas no espírito. Você já viu? Olha o verso 5 do capítulo 3: "esse mistério de Cristo". Final do verso 4: "mistério de Cristo". Depois vamos examinar com mais calma, mas eu estou falando sobre santuário, né? Então, você precisa disso aqui. Final do verso 4 do capítulo 3: "esse mistério de Cristo em outras gerações não foi dado a conhecer aos filhos dos homens nos tempos do Velho Testamento a ninguém, como agora foi revelado a quem? Aos seus santos apóstolos e profetas no espírito." Então, ele vai descrever qual é esse mistério de Cristo. Por isso é que ele diz no verso 20 que Cristo Jesus é a Pedra Angular e que nós estamos sendo edificados sobre o fundamento dos apóstolos e profetas. Ele repete a mesma expressão. Ou seja, a revelação de Cristo para os apóstolos e profetas proporcionou que eles lançassem esse fundamento, que é o único sobre o qual a igreja pode ser edificada. Cristo Jesus é a Pedra Angular. Agora, a beleza aqui, meus irmãos, é que não apenas a igreja está edificada sobre a Pedra Angular. A Pedra Angular é a Pedra Angular. Retirada, todo o edifício cai. Certo? Mas sobre a Pedra Angular, o que nós temos? Apóstolos e profetas. E toda a igreja, ela está debruçada, ela está suportada sobre os ombros dos apóstolos e profetas, que então receberam a clara revelação pelo espírito de qual é esse mistério de Cristo. Um deles foi Paulo, que recebeu com mais clareza. Foi Paulo, mas certamente os outros discípulos também tiveram essa revelação. Pedro teve. Pedro foi lá pregar para os gentios na casa de Cornélio, não é? João o teve, de maneira muito especial. Esses dois, né? Pedro e João. Então, não apenas os apóstolos eram como canos d'água. É isso que eu gostaria de enfatizar, porque é muito precioso para todos nós. Canos de revelação. Então, a água passa pelo cano e nunca se mistura no cano, né? Água é água e cano é cano. Não é assim com a revelação de Deus no espírito. Nós não somos canos d'água com mangueiras aí, né? Para levar água para um determinado ponto do jardim, mas água e mangueira não se misturam. Não. Na medida em que a revelação de Cristo, ela é assimilada, apropriada, me permito a expressão, encarnada na vida daqueles para os quais é revelada, eles próprios se tornam alicerce. Isso é uma coisa bendita, meus irmãos. Olha a história aqui dos próprios irmãos. Não precisa ir longe. E vale para todas as assembleias. Quais são aqueles irmãos, nos quais os irmãos sentem a confiança de que são colunas no testemunho do Senhor entre vocês? São irmãos que nasceram de novo ontem? O ano passado? Há 5 anos atrás? Primeira coisa: não são esses. Esses são novos. Segunda coisa: mesmo que um irmão tenha 30 anos de vida cristã, ele é uma coluna do testemunho do Senhor se a assembleia não vê nele o caráter de Cristo sendo formado? A resposta também é não. Porque não basta tempo de vida cristã, de jornada com o Senhor. A necessidade é Cristo, o caráter de Cristo formado na vida daqueles que ele chamou. Esses são colunas do testemunho do Senhor. Muito importante, porque aí nós saímos do risco da tal autoridade delegada. E hoje em dia, nem essa palavra é usada muito mais. Autoridade delegada. Eu lembro até dos, entre aspas, bons tempos, quando ela era usada, embora seja um erro, sabe? A palavra que é usada hoje: "Fulano ou ciclano tem perfil". É palavra empresarial. Nada a ver com a igreja. Tem perfil para servir aqui ou para ser... Tem perfil de líder? Que coisa é essa, irmão? Nós estamos falando da igreja, nós estamos falando de empresa. Não existe perfil de líder. Existe caráter de líder e não perfil de líder. Porque não há nada no perfil psicológico, intelectual de uma pessoa que o qualifique para ser uma coluna no santuário de Deus. A única coisa que nos qualifica é Cristo sendo formado em nós, de tal maneira que outros possam tocar, ver o próprio Cristo em nós. João chega a dizer assim: "Se nós andarmos na luz, como ele na luz está, mantemos comunhão uns com os outros." E aquele, então, que anda na luz, aquele que diz que anda na luz, esse então deve andar como ele andou. Pedro vai dizer assim: "Ele nos deu o exemplo para que sigamos os seus passos." Que passos são esses? Ele vai dizer: "Todos são marcas de caráter." Quando ultrajado, não revidava com ultraje. Quando injuriado, não fazia ameaças, mas entregava-se àquele que julga retamente, levando em si mesmo, sobre o seu corpo, no madeiro, os nossos pecados, para que nós, mortos aos pecados, vivamos para justiça. Então, o mesmo Pedro, na sua mesma epístola, primeira, que eu estou citando, no capítulo 5, ele diz: "Rogo aos anciãos que há entre vós, eu ancião como eles, pastoreai o rebanho de Deus que vos foi confiado." De novo, olha aí, marcas de caráter. "Não como dominadores do rebanho, mas como modelos dos que vos foram confiados." Não é? "Não por sórdida ganância, mas de boa vontade." Marcas de caráter. "Ora, logo que o Supremo Pastor se manifestar, então vós, quem? Os anciãos que refletiram o caráter de Cristo e que foram colunas do testemunho do Senhor. Logo que o Supremo Pastor se manifestar, vós recebereis, não agora, quando ele se manifestar. Agora, perseverem, suportem, sofram, tomem a cruz, sigam as pisadas do Cordeiro, porque quando ele se manifestar, vós recebereis a imarcessível coroa da glória." Então, meus irmãos, vamos manter isso no nosso coração. Estritamente falando, não existe autoridade delegada. Não existe. Deus é a única fonte de autoridade. Se ele está presente em um vaso, ali há autoridade, porque ele está presente. Se ele não está presente em um vaso, ele pode esbravejar, gritar, reivindicar, ser o que for, apóstolo, superapóstolo, ou seja lá o que for. Parece que no, no nosso país aí, tem um lugar, não sei nem bem aonde, que apóstolo já não é suficiente esse título. Estão usando o título "pai apóstolo". Você já ouviu isso? É um pai espiritual. Apóstolo é o suprassumo daquele, daquela realidade lá. Pai apóstolo. Não tem mais título para ser colocado. Não é? Mas eles são colocados pelas pessoas em si mesmas. Eles se arrogam ser essas pessoas. Então, não existe autoridade delegada. Existe Cristo formado em nós. Se a presença de Deus é percebida no vaso, então ali há autoridade. Ele não precisa reivindicar nada, porque ali há a submissão daquele que pertence ao Senhor, não a vaso nenhum, é ao próprio Senhor. E se o Senhor está presente naquele vaso, então a submissão é ao Senhor, porque ele tem sido formado e é evidente e é visto naquele vaso. Então, esse, nas palavras de Paulo, é um vaso de honra, santificado e útil ao seu possuidor, preparado para toda boa obra. Então, tão lindo, meus irmãos, e tão importante vermos o equilíbrio dessas duas coisas. Porque, então, por um lado, não somos o cano d'água, graças a Deus. Se você já leu, se não leu, leia, por favor, uma obra de Watchman, chamada "O Ministério da Palavra de Deus", e ele usa o versículo que abre o está no primeiro capítulo do Evangelho de João: "Verbo se fez carne e habitou entre nós". Achei muito interessante a maneira como ele colocou. Ele tomou essa expressão: "Olha, o Verbo, ou a Palavra, que é o próprio Cristo, né? O Verbo se fez carne". Só essa frase. Ele disse assim: "Esse é o fundamento ou princípio da obra de Deus." Compreendeu? Se a Palavra de Deus não se fizer carne em você, que tipo de autoridade você tem? Que tipo de representação de Deus você pode ser? Então, em tudo na obra de Deus, esse princípio que governa: o Verbo se faz carne. Então, meus irmãos, isso aconteceu há 2000 anos atrás, na encarnação do nosso bendito Senhor. Mas o que eu estou destacando aqui é o princípio. A obra de Deus só pode prosseguir se o Verbo continuar se fazendo carne, se a Palavra continuar se fazendo carne na sua vida e em minha vida. Do contrário, não há progresso para a obra de Deus. Só há palavras de homens, conceitos de homens, ideias de homens, carisma de homem, intelectualidade de homem, oratória de homem, por aí vai. Ideologias de homens, né? Então, muito bonita essa expressão: "Cristo Jesus, Pedra Angular, os apóstolos e profetas sobre ele, porque receberam essa revelação no espírito e aquilo tomou conta deles, governou a vida deles, eles se entregaram por essa causa, viveram por ela, morreram por ela, não é? O Verbo se fez carne na vida deles." Então, agora nós estamos aqui, ó, em mais esse, esse degrau aqui, não é? Esse estágio. Nós estamos edificados sobre Cristo Jesus, a Pedra Angular, e sobre os fundamentos, os apóstolos e profetas. E mais sobre muitos outros que vieram nesses 2000 anos de história da igreja, nos quais a Palavra também se fez carne. E por isso nós estamos aqui, não é? Os movimentos espirituais, irmã, são os avivamentos espirituais são a maior evidência desse princípio. Não são quantos homens e mulheres de Deus foram levantados nos quais a Palavra se fez carne e o evangelho de Deus prosseguiu vencendo e para vencer, como diz o Apocalipse. E por isso nós estamos aqui. Então, vamos guardar esse lindo princípio. Então, nós estamos com quatro metáforas, certo? Vamos para a primeira para examinarmos um pouquinho. Então, "feitura", verso 10, "poema". Meus irmãos, poema é resultado do trabalhar de Deus em uma vida. Tô falando de cristãos, é claro. Não tô falando de poetas seculares. Mesmo se pensarmos em poetas seculares, nós teríamos uma pobreza de poesia imensa, se de alguma forma esses, mesmo que não pertençam ao Senhor, não tivessem passado por experiências na vida deles onde, de alguma forma, eles tivessem, tivessem tido perdas, sofrimentos, angústias, dores. Então, por causa dessas cinzas, eles puderam escrever alguma coisa que, mesmo de poetas seculares, nós encontramos coisas bonitas, porque são resultados de experiências que tiveram, mesmo que sejam pagãos, ateus, até. Mas em alguns deles encontramos palavras bonitas, porque são resultados não de homens que vivem vida hedonista, vida solta para cá ou para lá, mas homens que passaram necessidades, dificuldades reais nas suas vidas e que então puderam, de alguma maneira, expressar o significado, algo do significado, do valor da vida humana, né? E você vai encontrar isso até em poetas seculares, vários deles. Agora, se nós pensarmos na poesia mais genuína, a poesia cristã, a poesia bíblica, a poesia daqueles que têm o Senhor, isso é muito maravilhoso. Me lembro de novo, para citar o exemplo do irmão Ni, quando ele era ainda um jovem cristão com o coração já ardente pelo Senhor, ele escreveu uma pequena poesia. Ele apresentou para uma irmã que ele considerava aquela que o ajudaria realmente a entender a jornada espiritual. Ela era bem mais experiente e mais avançada que ele espiritualmente falando, é Margaret Barbar. E ele levou essa poesia para ela, e o registro diz que ela olhou aquela poesia, leu aquela poesia, rasgou e jogou no lixo e disse a ele: "Não se escreve uma poesia de um dia para a noite ou de uma noite para um dia, porque poesia, poema, é o resultado do trabalho da Cruz na vida dos santos, dos servos." Então, somos poema dele. Criados em Cristo Jesus. Meus irmãos, cada perda, cada abismo, cada circunstância difícil emocional, perda material, seja lá o que for, perdas, cada tribulação, privação, provação, cada veio, cada rasgo que o arado de Deus faz no lombo daqueles que pertencem ao Senhor. Salmo 129:3: "Sobre o meu dorso lavraram os aradores, nele fizeram longos sulcos." Se o Senhor tem permitido isso em nossas vidas, meus irmãos, ele só tem um objetivo: que nós sejamos talhados por essas circunstâncias todas que citei, para que então nós possamos conhecer o que significa o trabalho da Cruz em nós e, consequentemente, o que significa Cristo formado em nós. Então, isso é feitura dele, um poema dele. Os irmãos certamente já ouviram algo, de uma forma ou de outra, sobre o livro de Jó, não é? Livro de Jó tem 42 capítulos. Os dois primeiros capítulos são escritos em prosa. Prosa é uma narrativa do que aconteceu com Jó, aquela audiência de Satanás com Deus, falando sobre, eh, o Senhor falando com Jó, sobre Jó com Satanás. "Observaste meu servo Jó? Ninguém há na terra semelhante a ele, etc." Então, ele faz, ele joga aquela, aquele desafio nos ombros do Senhor e diz: "É claro que esse homem é o justo, é o ímpio? Não há ninguém na terra sobre ele como ele, porque o Senhor o tem abençoado, o cercado com cerca, a família dele é maravilhosa, ele tem tudo de bom, ele vive em paz, ele está num ninho de felicidade. Tire isso dele e veremos se ele não blasfema contra ti na tua face." Foi o desafio de Satanás. E, em tese, é válido para todos nós. A experiência de Jó é um paradigma para todos nós. Então, depois que ele pede isso tudo, o Senhor permite que Satanás o toque, não só nas coisas materiais, incluindo filhos, né, mas posteriormente toque na sua carne. "Pele por pele", disse Satanás, "e tudo que o homem tem ele dará pela sua vida." Então, o Senhor permite que Satanás toque agora na carne de Jó, mas que lhe poupe a vida, porque o desejo de Satanás era destruir a Jó. "O ladrão veio para matar, roubar e destruir." Mas, então, o Senhor colocou a restrição: "Você não irá destruí-lo, mas pode tocar na carne dele." Então, depois que os dois capítulos acontecem em prosa, em tudo isso, Jó não pecou com seus lábios, é o que você vai ler lá, certo? Então, Satanás já foi derrotado. Satanás já está fora do mapa. Ele perdeu o desafio. Jó não pecou com seus lábios. Em tudo isso, em toda essa perda, em toda essa privação, com a sua carne purulenta, já tocada, ele não pecou. Mas isso são os dois primeiros capítulos. No três, a narrativa não é mais em prosa. Não é uma narrativa. A partir do capítulo 3, é um poema, meus irmãos. Que coisa mais inusitada essa! Quando realmente os sofrimentos de Jó começam a ser descritos passo a passo, isso é do capítulo 3 para frente, a forma do Espírito Santo narrar isso não é mais em prosa, não é uma narrativa corrida. Ele narra em poesia. O que que você acha disso, irmão? Significa que o Senhor agora, depois da crise que ele precipitou, usando seu próprio inimigo ou permitindo que o inimigo fizesse isso debaixo do governo de Deus, depois que a crise terminou, Jó entra no processo. Depois que a narrativa terminou, Jó entra no poema. E então nós temos todos aqueles capítulos que não, não podemos entrar neles agora, né? E quando o livro conclui, lá está. Ele falou tantas coisas inadequadas durante o processo de Deus, entendeu a Deus de maneira errada. Quando chegamos ao final, nós vamos ver ele dizer: "Uma vez eu falei, e eu não replicar. Ponho a mão na minha boca." "Eu sou indigno." Antes, no livro, ele havia dito: "Eu sou justo e reto." E ele não entendia. Ele era mesmo, porque Deus disse que ele era homem justo, íntegro, reto, temente a Deus e que se desviava do mal. Cinco coisas Deus disse sobre Jó e disse: "Não há ninguém na terra igual a ele." Então, ele não está mentindo. Como ele disse: "Eu sou justo, eu sou íntegro." Mas exatamente por isso, ele não entendia porque ele estava sofrendo. Se ele era, era justo, íntegro, temente a Deus e que se desviava do mal, ele não estava sofrendo por causa de pecado. E os amigos dele achavam que ele estava sofrendo por causa de pecado. Aí estava o erro básico dos amigos dele. Mas ele estava sofrendo por causa do propósito de Deus para com ele. O Senhor teria que tocá-lo dessa forma para que ele atingisse uma realidade de filiação, de pertencimento a Deus, muito acima do que ele até então conhecia. É o que ele fala: "Eu te conhecia só de ouvir falar, e ainda assim ele o temia." Ele era reto, ele era íntegro, ele era justo. Mas aí ele vai dizer: "Agora os meus olhos te veem." É aí que termina o poema. "Por isso eu me abomino e me arrependo no pó e na cinza." Esse é o último versículo do poema. Eu, finalzinho, termina em prosa também, porque ele vai dizer que o Senhor vai mudar o cativeiro de de Jó. Não só a sorte de Jó vai mudar. O cativeiro de Jó. Jó era cativo da sua justiça, da sua integridade, do que ele era, da sua beleza. Agora, ele é cativo do próprio Senhor. Foi mudado de cativeiro. Então, meus irmãos, nós somos poema dele. O que ele está escrevendo na nossa vida passa pelos mesmos, mesmos contornos do que ele fez com Jó. Então, meu querido irmão, não se escandalize com os métodos do Senhor trabalhar e tratar sua vida. Não se escandalize, porque o Senhor tem métodos estranhos, mas ele tem objetivos definidos. Métodos estranhos, mas objetivos definidos. Então, esse é o poema. Agora, é dito que esse poema, ou essa feitura, como é traduzido aqui, foi "criados em Cristo Jesus". "Criados em Cristo Jesus". Feitura dele, criados em Cristo Jesus. Vamos devagar aqui. O verso 10 usa a mesma expressão "criados" de uma outra forma, a mesma palavra, né? Diz que de judeus e gentios, ele "criou" ou "criasse", final do verso 15, "em si mesmo um novo homem, fazendo a paz". Bem, Deus não criou em si mesmo muitas. Senhor Jesus não criou em si mesmo muitas coisas. Ele criou uma coisa só, que no verso 10 é chamado de um poema, que no verso 15 é chamado de um novo homem, que ele criou e do qual ele é o cabeça. Já explicamos que no verso 19 é chamado de uma família também. Criado em Cristo Jesus. Que nos versos 20 a 22 é chamado de um edifício ou um santuário dedicado ao Senhor. Então, são várias metáforas para explicar a mesma coisa ou a mesma entidade que foi criada em Cristo Jesus. Porque Paulo usa nessa epístola sete metáforas. Nós já falamos de quatro, né? Para designar o que é a igreja. São sete, na verdade. Temos um a acrescentar aqui. Não entrei nela agora, porque já compartilhamos pela manhã, é a metáfora do verso 23 do capítulo 1: "corpo". É a primeira metáfora. É a preferida de Paulo para falar sobre a igreja. "A qual é o seu corpo", está vendo ela aí? 1:23. Primeira metáfora da igreja em Efésios: ela é corpo de Cristo. Segunda metáfora da igreja em Efésios: ela é poema de Deus, escrito em Cristo Jesus. Terceira: ela é o novo homem de uma nova criação, com Cristo e em Cristo como seu cabeça. Terceira. Quarta: ela é família de Deus, versículo 19. Quinta: ela é edifício de Deus ou santuário de Deus, versos 20 a 22. Esse é número cinco. Número seis está em Efésios, capítulo 5: ela é esposa de Cristo. Então, "maridos, amai vossas mulheres como Cristo amou a igreja e a igreja é comparada a uma esposa". Então, é a sexta metáfora. E a última, número sete, qual é? Capítulo 6, verso 10 em diante: um soldado ou um guerreiro. Interessante que Paulo sai da metáfora da esposa e vai para a metáfora do guerreiro. O que será que uma esposa tem a ver com guerreiro, né? Então, ele está mostrando dois ângulos tão maravilhosos. Por um lado, essa linda, delicada e preciosa esposa. Mais, as esposas como Cristo amou a sua esposa, a sua igreja, e a si mesmo se entregou por ela. Aí ele diz que essa esposa é um guerreiro. E por isso ela precisa se revestir de toda a armadura de Deus para ficar firme contra as ciladas do diabo. Que coisa linda, meus irmãos! Uma metáfora fala da doçura do relacionamento conjugal, Cristo e a sua igreja. Isso que experimentamos no nosso casamento é um antigoso, um antipozo, não é? Do grande banquete que nós experimentaremos juntos como uma esposa coletiva. É isso que nós somos, viu? Nós somos uma esposa coletiva do nosso Senhor Jesus, nosso Noivo celestial. E aquilo que experimentamos em gotas homeopáticas, por mais precioso que seja, né? Não vamos iludir, o mais rico que seja o relacionamento conjugal e que seja assim para a glória e para o testemunho do Senhor de todos nós, mas por mais rico que seja o que experimentamos, são gotinhas de homeopatia diante do que iremos experimentar quando essa noiva estiver diante do Noivo. Apocalipse 19: "Alegremo-nos, exultemos e demos-lhe a glória, porque são chegadas as bodas do Cordeiro, cuja esposa a si mesma já se ataviou." Então, aí o nosso gozo será completo, não será limitado, não será pequenininho, não será corrompido por outras coisas, né? Todo o nosso gozo nessa vida ainda é contaminado, porque estamos vivendo nessa esfera. É por isso que Paulo fala: "Os casados, sejam como se não fossem; os que choram, como se não chorassem; os que se alegram, como se não se alegrassem, dizendo: Olha, tome cuidado com seu choro, você está chorando pelo quê? Tudo nessa terra passa. Cuidado com a sua alegria, você está se alegrando pelo quê? Tudo nessa terra passa, né? Os que usam, os que compram, como se nada possuíssem; os que se utilizam do mundo, como se dele não utilizassem, porque a aparência deste mundo passa." Meus irmãos, quanto mais se aproximar o grande dia que nós aguardamos, grande, glorioso dia. Mas nós precisamos ouvir bem essas palavras. Nós somos casados. Então, tome cuidado. Não ache que o propósito de Deus é fazer algo na sua família para que você seja o cidadão mais feliz, imerso no casamento mais feliz da terra, porque esse não é o propósito de Deus. O casamento é um meio para o testemunho do Senhor. Como é a paternidade, a maternidade, a filiação, não é? Não ache que aquilo que o Senhor tem te dado para te abençoar é porque o propósito dele é encher você de bem-estar, de saúde, de paz, de prosperidade, de tudo que é bom. Esse é um evangelho estranho. Não é o evangelho da Bíblia. Evangelho da Bíblia é: "No mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo, eu venci o mundo." Tendo Cristo sofrido na carne, primeira Pedro, "Armai também vós do mesmo pensamento, porque aquele que sofreu na carne", referindo-se a Cristo, "deixou o pecado", referindo-se especificamente à cruz de Cristo, inclusive. Então, meus irmãos, para isso nós somos chamados, não é? Para vivermos vidas hedonistas, melhor desse mundo, melhor dessa vida, todo lazer, todo entretenimento, esporte que não acaba mais, viagem que não acaba mais, bens que não acabam mais, distrações que não acabam mais, entretenimentos. Vamos guardar o nosso coração, mesmo, porque estas coisas têm um potencial concreto de nos distrair do nosso Senhor Jesus. E tudo que nos distrai do Senhor Jesus tem o potencial concreto de corromper os nossos corações. Irmãos, eu não estou exagerando. Esse é o ensino do Senhor na sua palavra. Então, guarde o seu coração, guarde o seu coração com relação a entretenimentos, guarde seu coração com relação às boas coisas da vida, que sem dúvida são concedidas por nós pelo nosso Senhor. Ele é galardoador. Mas cada coisa que ele concede é um teste. Lembre-se bem disso, sempre. Tudo que o Senhor te concedeu, por um lado, é uma bênção dele, porque senão não te concederia, ou pelo menos não permitiria. Por outro lado, é um teste. Aí você me perguntaria: "Qual teste?" O teste é: onde você manterá o seu coração? Naquilo que eu te dei, na bênção? Ou, apesar da bênção, você vai manter seu coração em mim? Porque ação vai e ação vem, não é assim? Então, bênçãos também são testes, assim como portas que são abertas para nós, aí das diversas áreas da vida, não são oportunidades. Nós gostamos muito dessa palavra. Essa palavra no mercado é uma das favoritas, né? "Fica esperto, fica atento, principalmente você que é jovem. Aproveite as oportunidades, porque esse mundo é um, é uma selva, e na selva vence o mais forte. Então, aproveite as oportunidades." Essa aí é a filosofia de mercado, certo? Não é a filosofia cristã. Todas as oportunidades que, porventura, se abram diante de nós, nós temos que levá-las para o quarto secreto e perguntar: "Senhor, o senhor está aí? O senhor está aí?" Se o Senhor não está aí, não me interessa. Quando o povo de Deus estava corrompido, Jeremias, capítulo 2, a repreensão mais aguda do profeta Jeremias. Anote para você ler depois e meditar. Jeremias 2 de 1 a 10. Abrindo o livro, Jeremias 2 de 1 a 10. Ele vai dizer assim: é um capítulo emocionante, porque primeiro ele vai começar com a linguagem de amor. Ele vai dizer assim: "Que ele se lembrava, o Senhor se lembrava do tempo da afeição deles, quando eram noiva, quando eram e quando vocês me seguiam no deserto, numa terra em que não se semeia." Então, Israel era consagrado ao Senhor e era como primícias da sua colheita. E então Jeremias vai narrar o extravio do povo. E ele vai fazer uma única exortação para dois grupos de pessoas. Um é o povo em geral. Ele vai dizer que quando esse povo se afastou, e ele usa palavras doces, irmãos, um severo juízo, uma severa reprovação, mas com palavras doces de amor. Você vai ler e vai ver escrito aí o seguinte: Senhor perguntando pro seu povo: "Qual foi a injustiça que os vossos pais acharam em mim, para de mim se desviarem, indo após a nulidade dos ídolos e se tornando nulos eles mesmos?" Aí tem mais um princípio espiritual: nós nos tornamos semelhantes àquilo que amamos. Se nós amamos ídolos, seja esses ídolos aí o que for, materiais ou espirituais, ou até emocionais, nós vamos nos tornar semelhantes a eles. E como eles são nulos, então nós vamos nos tornar nulos como eles são nulos, "se tornando nulos eles mesmos". Jeremias, capítulo 2. Aí o verso segue. O próximo verso diz assim: "E sem perguntarem, então eles..."

Levantaram ídolos, seguiram após ídolos. Ídolos vã se tornaram nulos eles mesmos. O Senhor, então, clama de amor por eles, dizendo: "Qual foi a injustiça que vocês viram em mim? O que foi que eu fiz que fez com que vocês se debandassem de mim? Em outras palavras, no que que eu vos escandalizei? Que injustiça vossos pais acharam em mim?"

Aí ele diz assim: "Que vós não pergunteis onde está o Senhor." Essa é a pergunta, essa é a pergunta chave na nossa vida pessoal, meus irmãos, nos nossos envolvimentos em todos os níveis, no nosso casamento, relação com a nossa esposa, com nossos filhos, com os irmãos, uns com os outros. A pergunta a ser feita é essa: Onde está o Senhor? Onde está o Senhor nessa palavra, nessa reunião, nessa adoração, nesse culto, nesse relacionamento? Onde está o Senhor no meu relacionamento com a minha esposa? Onde está o Senhor no relacionamento com meus filhos?

E aí ele vai tornar a pergunta a mesma pergunta mais penetrante ainda, porque se você seguir a sequência quando você lê, note isso aí. Ele vai dizer que os próprios sacerdotes também não fizeram a pergunta. Ele vai dizer: "Os teus sacerdotes não perguntaram: Onde está o Senhor?" Meus queridos irmãos, é a pergunta crucial nos nossos dias, porque onde o Senhor está, nós queremos estar. E onde ele está, então a mão dele está, o trabalhar dele está, a bênção dele está, um avanço para nossa vida espiritual está. Mas se ele não tem estado aí, vamos pensar qualquer nível que você pensar. Vamos pensar no relacionamento conjugal. Se tem havido ali algo que descontenta o Espírito Santo, que é desagradável ao Espírito Santo, o Senhor não está ali. E se o Senhor não está ali, para onde girar esse relacionamento conjugal?

Então, essa é a pergunta crucial. Vamos pedir ao Senhor. Nós que, pela graça dele, tivemos o privilégio de sermos colocados nas nossas casas como cabeças, nós sabemos disso. Nós não temos a filosofia de parceria conjugal que o mundo tem. Não entre nessa. Casamento não é parceria. Casamento é uma relação conjugal que tem o marido como cabeça e a esposa como sua ajudadora idônea ou compatível. Isso é casamento segundo a Bíblia, segundo o que Deus planejou. E nada fora disso vai dar certo. Então, se nós temos essa responsabilidade, qual é a pergunta? Onde está o Senhor? Senhor, nisso que eu tenho falado para minha esposa? Senhor, nas minhas atitudes em direção à minha esposa? Senhor, nas minhas reações quando minha esposa me traz coisas? O Senhor está aí? O Senhor tem se agradado? O Senhor tem encontrado caminho para edificar a nossa vida relacional, ou eu tenho tido aí joguinhos emocionais? Eu tenho tido barganhas com ela? E nós sabemos como que isso opera, né?

Então, para isso nós fomos chamados, meus amigos, meus amados irmãos, para sermos testemunho do Senhor nessa era tão desafiadora. A pergunta chave para que nos mantenhamos no caminho do testemunho do Senhor é: Onde está o Senhor? Os irmãos lembram como nós começamos essa reunião com aquela parte que nós não gravamos? Hum. O Senhor estava lá? Minha percepção foi que definitivamente ele não estava ali. E se ele não está ali, aquela é a mesa dele, é a mesa dele sem ele. Onde está o Senhor? Onde está o Senhor na nossa vida mental? Onde está o Senhor nos nossos sentimentos? Onde está o Senhor na nossa devoção? Onde está o Senhor nos nossos relacionamentos? Onde está o Senhor na palavra, no culto, na adoração?

Vamos seguir com esse verso, por favor. E estamos a pouco de encerrar esse primeiro período. Aí estão as sete metáforas. Foi isso que acabamos de fazer, né? E abrimos esse parênteses longo aí. Sete metáforas da igreja. A primeira, corpo, já falamos um tanto sobre ela. A segunda, feitura, falamos sobre ela. Agora, um poema que o Senhor está escrevendo com aquelas linhas que ele escreveu o poema na vida de Jó e que escreveu o poema na vida de Paulo, como falávamos anteriormente. As mesmas linhas. Não há outro caminho. Esse é o único caminho. A metáfora do novo homem, já falamos bastante sobre ela. A metáfora da família, no verso 19. Linda metáfora. Paulo a usa aqui nesse capítulo 2, versículo 19. Mas ela é a metáfora favorita de João. Ela não é a metáfora favorita de Paulo. Se nós fôssemos perguntar aí, então, qual é a metáfora número um para Paulo? É a que ele pôs aí em primeiro lugar na sua carta aos Efésios. Efésios 1:23. Corpo. Ninguém como Paulo. Ninguém, nem João, nem Pedro, nem Tiago, nem ninguém falou sobre a igreja como corpo de Cristo como Paulo. Mas também ninguém falou da igreja como família de Deus como João. E ninguém falou da igreja como santuário de Deus ou edifício de Deus como Pedro. Ouviu bem? Paulo e o corpo de Cristo. João e a família de Deus. Pedro e o santuário de Deus.

Olha o que Pedro fala na epístola dele: "Vós, chegando a ele, Cristo, a pedra que vive, rejeitada assim pelos homens, mas para com Deus eleita e preciosa, e também vós mesmos, como pedras que vivem, sois edificados uma casa espiritual." Olha do que que Pedro tá falando? Desse edifício santo que tá aqui no final de Efésios 2. "Edificados uma casa espiritual para serdes um sacerdócio santo, para oferecer de sacrifícios espirituais agradáveis a Deus por meio de Jesus Cristo." Então, a metáfora favorita de Pedro é o edifício, do qual todos nós somos pedras vivas e que estamos sendo. Para continuar explorando um pouquinho dele, continuamos sendo edificados juntos. Vamos lembrar como era edificado no Velho Testamento. Primeiro, as pedras eram lascadas ou eram cortadas lá na pedreira. Lembra como o tempo foi edificado? Não se poderia ouvir barulho de martelo no templo de Deus. As pedras deveriam ser cortadas e aparadas ou trabalhadas na pedreira. Sabe do que isso fala? Nós só podemos ser edificados juntos no templo, no santuário de Deus, como pedras aparadas, preparadas para serem justapostas, se na nossa relação pessoal com aquele que é a Pedreira, ou é a Rocha, está firmada em termos de um altar pessoal secreto de cada um de nós com o Senhor. Você entendeu o princípio? Se o altar pessoal nosso com o Senhor, de vida secreta com ele, nos estiver bem firmado, para que ali trabalhe sim o martelo e os instrumentos para lascar essa pedra e para aparar essa pedra, é um trabalho que ninguém vê. É feito lá na pedreira, diante da Rocha. Você e o seu Senhor, numa vida secreta, onde ele está falando, penetrando, entrando com a espada aí no fundo, expondo pensamentos, propósito do coração, aparando as pedras na medida que ele encontra caminho, porque ele pode encontrar. Se nós falarmos, não parou. Ele não vai nos violentar. Nunca. Nunca. Ele vai continuar tentando nos conquistar, mas violentar não. O mundo é que é sedutor. Cristo é amável. O mundo nos violenta. Cristo nos ama.

Então, se essas pedras estão sendo trabalhadas aí nesse lugar secreto, diante da Rocha, então elas podem ser trazidas para o santuário para serem justapostas, trabalhadas, eh, colocadas juntas, para que Deus tenha um santuário e um reino de sacerdotes para oferecer sacrifícios espirituais agradáveis a Deus. Guarde isso, irmão. Não é possível viver a vida do corpo de Cristo sem vivermos uma vida de altar pessoal. Não é possível viver a vida de comunhão se não conhecemos a vida de solidão ou de quietude. É a solitude que nos prepara para a comunhão, e é a comunhão que nos fortalece na solitude. Então, essa é a metáfora do edifício. A da família. Vamos falar um pouquinho sobre ela para não passarmos tão rápido numa metáfora tão bonita. Como dissemos, é a metáfora favorita de João. E ele aprecia tanto essa metáfora que ele usa aquelas, aquela palavrinha doce para se referir a irmãos tão mais novos do que ele, com uma jornada com o Senhor tão inferior à dele, digamos assim. Ele, como um ancião tão amadurecido em Deus, ele escreveu seus cinco livros como o ancião de muita idade, todos os cinco. Talvez o evangelho tenha sido o último que ele escreveu, certamente com mais de 90 anos de idade, seguindo o Senhor por mais de 60 anos. E não só seguindo o Senhor por mais de 60 anos, tomando sua cruz dia a dia, como um verdadeiro discípulo do Senhor, um vaso e um homem maduro de Deus. Então, ele vai dizer assim: ele olha para para aqueles amados todos da igreja do Senhor e diz assim: "Filhinhos, amai-vos uns aos outros, porque o amor procede de Deus. E aquele que ama é nascido de Deus e conhece a Deus." Ele vai dizer assim no seu evangelho, refletindo palavras do Senhor: "Novo mandamento eu vos dou, que vos ameis uns aos outros como eu vos amei. E nisso conhecerão todos que sois os meus discípulos, se tiverdes amor uns para com os outros."

Então, metáfora favorita de João é a família. Ele usa na sua epístola algumas vezes o termo irmão, não é se referindo a esse relacionamento familiar. Aquele que ama seu irmão. Aquele que diz que ama seu irmão. Filhinhos, jovens, pais. Três estaturas espirituais que tocam a questão da realidade da família espiritual. Os mais novinhos na família: "Filhinhos, eu vos escrevi porque sabeis que os vossos pecados são perdoados por causa do seu nome." Que maravilha, né? É alegria dos filhinhos. Eles estão perdoados de uma vida que tiveram desagradável ao Senhor. Eles se deliciam com o perdão. Graças a Deus. Então, ele diz: "Jovens, eu vos escrevi porque sois fortes, e a palavra de Deus permanece em vós, e tendes vencido o maligno." Pais: "Eu vos escrevi porque conheceis aquele que é desde o princípio." Lindo, não é, irmãos? Aquele que é. É o quê? É tudo. Tudo. Ele é nossa paz, nossa alegria, nosso conforto, nossa delícia, nossa segurança, nosso amor. Conheceis aquele que é desde o princípio.

Então, Paulo também menciona, embora ele não explore como falamos, ele menciona essa metáfora da família: "Não são não sois estrangeiros e peregrinos, mas sois concidadãos dos santos e sois da família de Deus."

Vamos terminar aqui essa primeira sessão. Fazer o intervalo. E na próxima, nós já estamos, graças ao Senhor, nesse capítulo três. E vamos examinar um pouquinho dessa causa do que, da maneira como Paulo escreve neste capítulo. E sobretudo, vamos estudar a oração de Paulo, do versículo 14 até o versículo 21. Vamos então orar. Fazer esse intervalo. Senhor, mais uma vez somos agradecidos porque o Senhor nos incluiu em todo esse sublime propósito. Obrigado, Senhor, porque o Senhor nos tem chamado para respondermos com todo o nosso coração aquilo que sempre esteve no teu coração. Amém. Por isso, Senhor, nos ajude a entendermos o significado espiritual das coisas que temos compartilhado aqui. Que não sejam para nós teóricas ou mesmo ensinos. Mas toma-os pela mão, Senhor, e nos introduz na experiência espiritual dessas realidades espirituais, para que teu testemunho seja nítido em nossas vidas. Assim nós confiamos ao Senhor mais essa sessão que vivemos. Mantém, Senhor, tuas palavras no nosso coração. Em nome de Jesus, oramos. Amém.