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GUERRA NO RIO DE JANEIRO: REFLEXO DO BRASIL I Professor HOC

Professor HOC40:40

Transcription

Olá, pessoal. Bom, eu parei aqui meu dia e vim aqui falar com vocês, finalizando meu dia para falar com vocês sobre o que tá acontecendo no Rio de Janeiro, né?

Eh, é um assunto eh que não tá diretamente ligado com a geopolítica, mas eu acho que tem muita coisa pra gente prestar atenção e entender eh e até mesmo eh perspectivas que a geopolítica pode ajudar a gente a entender eh o que tá acontecendo no Rio. E bom, não é novidade. Esse problema não é de hoje. A gente já sabe que o Brasil enfrenta uma crise absurda na segurança pública. Eh, não é de também de anos. Isso daqui é um problema de décadas. O Brasil é o país que mais mata no mundo, eh, em número de homicídios, eh, por ano absoluto. Os números são gigantescos. Enfim, nós temos talvez a maior organização criminosa do mundo. Eh, tudo sobre esse tema, ele é conhecido, antigo, sério e grave. E hoje eu vou tentar falar um pouco disso aqui para vocês, eh, e trazer perspectivas ou visões ou análises, eh, que misturem com o conhecimento da geopolítica ou com até mesmo as relações internacionais.

O assunto de hoje te fez pensar num plano B. Escuta e reflete sobre isso que eu vou te dizer. Uma situação de crise geopolítica, ela demanda que você tenha alternativas, opções. E uma grande opção é você ter outras cidadanias. E a cidadania europeia, principalmente de três países que estão mais seguros, como Portugal, Espanha e Itália, podem estar no seu alcance. Se você tem pai, avô, bisavô ou cônjuge de um desses três, você pode ter o direito à cidadania. E não é só isso. Você pode conseguir essa cidadania por outros caminhos, seja com vistos de trabalho, com autorização, com investimento. E ter uma cidadania é também sobre outros benefícios, além da possibilidade de morar nos lugares, mas você vai poder trabalhar e ganhar numa moeda forte como o euro. você vai ter acesso a benefícios, educação muito barata e mais, acesso a investimentos, blindagem patrimonial e acesso a outros países sem precisar de visto, como por exemplo os Estados Unidos. Com uma cidadania europeia você não precisa do visto para entrar nos Estados Unidos. E por isso que eu escolhi a você europeu que tem uma equipe especializada de advogados que atuam no Brasil e na Europa. Um atendimento personalizado, tudo funciona de uma forma muito rápida, direta. Você faz isso por WhatsApp. E eles estão o tempo inteiro te dando diretrizes, atualizando o que tá acontecendo com o seu processo. Para vocês terem uma ideia, gente, desde que eu iniciei a parceria com a Você Europeu, já foram mais de 200 pessoas aqui do canal que foram buscar a assessoria e o apoio deles para ter a sua cidadania europeia. E tem um ponto importante, as regras na Europa tão mudando rapidamente. Então, se você tem esse direito, você precisa correr. Se você não tem, você também tem que ver as oportunidades antes que elas se fechem. E por isso eu negociei com AC europeu um atendimento e um desconto especial para vocês seguidores aqui do canal. Se você entrar num WhatsApp e usar a minha senha Rocky H, você vai ter um atendimento personalizado e eles vão fazer um diagnóstico gratuito para você para entender o que que é possível da sua histórico familiar. Se você também não sabe seus ancestrais, eles também te ajudam com isso. Estão ajudando no meu caso, tão buscando ancestrais meus. Uma oportunidade única. Aproveita. A janela tá se fechando, o mundo tá mudando e ter esse status, não só de poder morar, mas junto com todas essas outras coisas que eu descrevi para vocês, vale muito a pena. Se você segue aqui o canal, aproveita, vai lá, entra no WhatsApp e usa o meu código rock hoc, você tem um tratamento VIP.

Bom, então vamos lá, né? Eh, acho que a primeira coisa eh que a gente pode eh descrever ou apontar é o tamanho do problema. E eu citei agora a pouco aqui eh o nível da violência. Em números absolutos, o Brasil é o país mais eh violento em número de mortos do mundo. Para você ter o número de mortos equiparável com o Brasil, você precisa ter mais de 100 países somados para chegar ao número do Brasil. Já foi pior. Eh, já chegamos em 65.000 mortos por ano. Estamos em 44.000 mortos por ano. Ainda é mais do que qualquer guerra. Eh, eu falei no meu vídeo sobre a discussão da guerra em Gaza, que eh dois anos inteiros de guerra lá eh não chegam aos pés do que 2 anos de Brasil e violência aqui. Ou seja, Brasil é muito mais violento. Eh, tem algumas características ou algumas coisas ainda mais eh preocupantes, né? Uma delas é que eh uma pesquisa feita entre as nações na América Latina eh descobriu que o Brasil é o que tá em primeiro lugar com o maior número ou a maior porcentagem da sua população sob o comando de facções criminosas. De 25 a 30% dos brasileiros vivem sob o comando de uma organização criminosa. Isso significa que de 50 a 60 milhões de brasileiros estão em um território, em uma área aonde as regras da sua vida não são as mesmas regras do que os outros cidadãos do Brasil. Ou seja, eh, basicamente é como se existisse um estado paralelo dentro do Brasil. A gente também já sabe disso, vocês já ouviram falar disso, nós todo mundo chega a essa conclusão. Mas isso tem uma uma relevância imensa, gigantesca, porque isso significa que eh o Brasil não é um país, né? Eh, o que a gente chama de Brasil ou acha que é o Brasil, na verdade não é o Brasil. Ele tá dividido em outros núcleos internos que não são governados pelas autoridades brasileiras.

E aí, eh, eu tenho que trazer a definição básica de estado, que é a definição do Weber. Max Weber, ele escreveu que a definição, eh, do estado é a entidade que detém o monopólio do uso legítimo da força. Isso significa dizer o seguinte: o Estado não é aquele que provê educação, que provê saúde, que as pessoas falam o mesmo idioma, não é nada disso. Tem a mesma cultura. O que define um estado é a sua capacidade de controlar e usar a força. Essa definição do Estado, isso também indica que a função número um do Estado é prover um bem público em primeiro lugar, que é ordem e segurança. O Estado foi criado para isso, para trazer ordem e segurança. Se você está num estado e esse estado não consegue eh deter o monopólio do uso legítimo da força, e vamos tirar a palavra legítimo por enquanto. Já falei disso em outras ocasiões, mas muitos de vocês talvez não tenham assistido ou acompanhado. A palavra legítimo, ela é um pouco mais complicada porque ela envolve percepções de legitimidade, né? E aí a gente pode contestar ou questionar, vai ter gente que vai dizer: "O que é legítimo, né? Legimo de acordo com quem? existe a legitimidade de acordo com o estado de direito, mas mesmo assim legitimidade envolve alguma percepção de legitimidade. E eu entendo que pessoas vão dizer eh que autoridade legítima em certos lugares do Brasil não é o Estado e são outros grupos ou outras facções ou outras coisas. Tá tudo bem, mas mesmo assim e a parte importante aqui é a a da ideia de do monopólio do uso da força. Se você tem um território que mais grupos usam a força, então você não tem um estado de acordo com a definição do Vabber. Se você não tem um estado, como que nós classificamos esse lugar? existe eh na literatura eh das relações internacionais um conceito que é de estados falidos. E os estados falidos ou fracos, fracos ou falidos, não são falidos economicamente, mas eles são falidos no eh na provisão, né, na entrega do bem público mais básico, que é a ordem e segurança. Se o Estado não consegue entregar esses bens, ele não existe, ele tá fraco ou ele tá falido. E essa é uma das explicações do porque nós temos guerras e conflitos no mundo. A instabilidade interna de um estado provoca desordem tremenda. E aí você volta para um estado de anarquia do salvese quem puder, da lei da selva, do estado de natureza do robs, aonde todos vão lutar contra todos e todo mundo vai estar se matando. Então a criação do estado, ela nasce para resolver esse problema de da violência generalizada. A violência generalizada acaba quando você entrega o monopólio da força para uma entidade que consegue ordenar tudo. Se essa entidade não existe, nós voltamos para um estado de anarquia, de bagunça, eh de lei da selva, da lei do mais forte. E isso, obviamente é extremamente instável, perigoso, violento. E por isso que nós teríamos então guerras.

Então, vejam, uma das causas que explica a guerra no mundo é algo que o Brasil vive internamente e por isso vivemos a guerra ou uma guerra aqui interno. O Brasil não tem problemas com seus vizinhos ou não tem problemas com o mundo, mas nós temos muitos problemas de violência aqui dentro, mais do que qualquer outra guerra em qualquer lugar do mundo. E isso é muito sério. Então, dá pra gente dizer até que a gente tem uma espécie de eh de caos ou de uma guerra interna, talvez não uma guerra civil, porque ela não é uma guerra estruturada, com os lados organizados, é meio que uma guerra de todo mundo contra todo mundo. Salve-se quem puder, quem pode se salva. Em alguns momentos, o estado tá lutando contra as organizações criminosas. em outros momentos, essas organizações criminosas estão comandando, explorando, matando, violando eh os cidadãos ou os outros brasileiros. Em outros momentos eh enfim, eh elas estão se chocando entre si. Então, não dá pra gente definir bem que é uma guerra civil organizada, com lados, né? Mas certamente o Brasil vive eh uma situação de guerra. Eh, que tipo de guerra é essa? um conflito generalizado, aonde existem múltiplos lados eh com objetivos distintos ou perdidos, mas tem um elemento geopolítico bem relevante nessa história, que é o controle por território. A geopolítica, né, ela é a combinação da geografia com a política. O que é a geografia? É o espaço físico, a terra. Controlar o território é fundamental para você criar uma política, para você dominar a política naquele espaço. A existência de uma organização criminosa que controla um território impede que o Estado eh coloque as suas leis, as suas regras, o seu funcionamento ali. É uma demonstração evidente de que o controle do território é fundamental para você exercer a sua política. É exatamente por isso que essas facções criminosas estão em busca do controle do território. Eh, não tem nada mais geopolítico do que isso, né? A a terra, o espaço, o lugar que você tá determina o que você pode fazer, quem você é, o que você terá, quais recursos, quais pessoas sobre o seu comando, eh onde que você está colocado, onde está o seu poder, qual é o centro de gravidade da sua existência, é aquele lugar que você controla e não o lugar que você não exerce e esse domínio. O controle do território, ele é crítico na geopolítica no mundo e dentro de um país. Então o controle do território aqui, a luta por esses territórios, ela ela ela acontece quando a gente percebe que o Estado não consegue determinar o que é vai, quais são as regras dali, quem vai extrair o dinheiro da população e uma série de coisas que a gente sabe que acontecem dentro desses lugares.

O fato aqui é eh a causa dessa violência no Brasil é porque o Estado brasileiro não consegue entregar o bem público mais básico, porque o Estado brasileiro não detém o monopólio do uso da força. Melhor ainda se fosse o monopólio do uso legítimo da força. Por isso que temos constituição, estado de direito para fazer essas coisas. Eh, e o Brasil não consegue fazer nada disso. Eh, e isso faz então da gente um estado fraco. Ou a beira da falência, de novo, não é falência econômica, é falência porque nós não entregamos o bem público mais básico. Eh, isso coloca o Brasil eh numa situação de fragmentação e de fragilidade. parte do Brasil não dar certo tem a ver com a falta de unidade nacional. E essa falta de unidade, eu falo muito que ela acontece pela questão eh da falta da identidade nacional do brasileiro, do Brasil, mas ela acontece também porque nós não temos um controle do território inteiro. O território tá sendo governado por grupos que têm objetivos diferentes do suposto projeto da nação brasileira. O projeto do Comando Vermelho ou do PCC não é o projeto da nação brasileira, porque eles não chamam Brasil, eles chamam comando vermelho ou PCC, né? Primeiro comando da capital. Esses nomes eles indicam que eles têm um outro DNA, uma outra origem, um outro objetivo. E eles são outras entidades subnacionais dominando espaços do que é o projeto brasileiro, o projeto de Brasil. Claramente eh, isso faz o Brasil ficar muito fraco. Não só isso, além de ser o mais violento do mundo, além de ser o com maior número de pessoas, pô, 50, 60 milhões de brasileiros estão sob o comando, isso é uma, isso coloca o Brasil em primeiro lugar na América Latina inteira e, provavelmente no mundo. vai ser difícil encontrar um outro lugar no mundo aonde eh nós teremos organizações criminosas fazendo ou controlando tanta gente, tanto território, tanto espaço. E essa situação só piora.

E quando a gente olha pros índices, né, ou pro orçamento brasileiro, quanto dinheiro a gente aloca para lidar com saúde? Quase 10% do PIB brasileiro vai paraa saúde, investido em saúde. Eh, quase 5% do PIB brasileiro vai para educação. E sabe quanto vai paraa segurança? 1.2% do PIB brasileiro. Eh, eu sei que dinheiro não é a solução de tudo e a gente está vendo aí a educação brasileira não recebe pouco dinheiro e a educação ainda assim é um é ruim, muito ruim. Então, o problema não é só dinheiro, mas claramente se a função número um do estado é dar ordem e segurança e a gente destina das coisas mais básicas que a gente pode pensar, quais são elas? né? Primeiro você eh ter a sua vida garantida, depois você eh cuidar da sua saúde e depois você ter educação. Então, essas três são as principais e dessas três eh é muito desproporcional o investimento que se tem nelas. Repito, esse não é a única e a única questão o único obstáculo pro Brasil. Não adianta só eh o investimento, mas o investimento tá fazendo diferença, dado essa gravidade, esse cenário que eu tô descrevendo para vocês, 50, 60 milhões, 45.000 ou 44.000 mortos por ano, eh, seu país que mais mata em números absolutos e a lista é vasta. Então, quer dizer que o Brasil tem algo muito sério a se tratar e não dá para tratar isso com só 1 3 4% 2 eh do PIB. O número tem que ser muito maior. E não é só isso. Claro, eu não quero entrar eh no que tem que ser feito aqui, né? É uma discussão eh de política pública essa, mas a gente precisa eh lidar com esse problema.

E aí tem outras discussões importantes acontecendo, porque no meio dessa desse caos que a gente tá vendo, a gente assistiu lá no Rio, né, essa operação contra o Comando Vermelho, eh o Comando Vermelho usando drones com, eh, jogando bombas como se fosse num terreno de guerra na Ucrânia. Eu tive na Ucrânia, eu vi, eu vi, eu vi os drones operando exatamente dessa maneira. E o Brasil vive uma situação igual. O fato aqui é que se a gente não compreender a gravidade do que é isso, facções criminosas usando armas e táticas de combate, de guerra, eh, o Brasil, assim, ele tá normalizando, ele tá aceitando, ele tá achando que isso faz parte, eh, isso não faz parte de uma de do funcionamento de uma sociedade normal, a não ser que a a gente entenda mesmo que nós estamos em guerra. E eu disse para vocês que estamos, mas nós temos que nomear os inimigos e partir para uma ação contra o inimigo. E precisamos de um plano de guerra para lidar com o inimigo. E claro que assim, tem várias outras complicações e problemas da gente colocar o exército para fazer isso. E nem é isso que eu tô falando. Não acho que essa é a solução, mas eu acho que a gente precisa entender a natureza eh do desafio e do problema. E a natureza desse desafio, desse problema é que nós estamos lidando com uma situação de guerra real.

Bom, tem outros outros aspectos eh importantes aqui a serem observados. Um deles é a ideia dos narcostados, né, que organizações criminosas baseadas com crimes ligados ao tráfico de drogas eh se tornam grupos criminosos que começam a desafiar o surgimento do Estado. Claramente essa realidade existe no Brasil, porque essas organizações criminosas, PCC e Comando Vermelho, eh, são exatamente isso. não chegaram eh em momentos ou talvez de forma tão escancarada como em outros países nós tivemos os cartéis, mas não chegou no Brasil desse jeito porque o território brasileiro, gente, é muito grande. Então, é muito difícil para uma organização dessa e simplesmente sediar e dominar uma parte inteira do território e viver ali em separado, como aconteceu com a Colômbia ou como tá acontecendo com o México, que são países territorialmente menores. O tamanho do Brasil está salvando a gente de não ter eh literalmente eh um cartel que simplesmente criou um outro estado de fato. Quase. A gente tem eh essas áreas, esses territórios controlados, mas não eh num ponto eh comparável com esses narcoados. eh nesse sentido, mas nós estamos sim caminhando eh para isso de outras maneiras, porque por o território ser tão grande, essas organizações e facções criminosas, elas não vão poder usar a mesma estratégia que aconteceu nesses outros lugares. Até porque o Brasil não é um produtor dessas drogas que geraram esse capital, essa riqueza, essas máfias. Nós somos um país de trânsito, né, eh, de ponte de conexão com os países produtores e os países consumidores. E nós somos muito grandes. Então, essas organizações, elas estão elas estão tomando conta do território de outras maneiras. Elas estão entrando dentro da política, elas estão entrando dentro das instituições, do judiciário e, principalmente, elas não estão dependendo mais eh das drogas ilícitas. Elas estão participando em uma série de outras atividades normais da economia, como a gente tá vendo um monte de operações, um monte de questões que todo mundo sempre soube também do transporte aos imóveis, a a o combustível, ao cigarro contrabandeado. São inúmeras as atividades que já têm o domínio dessas organizações criminosas. Então, a penetração delas na sociedade tá se dando de um jeito eh também não tão confrontacional, né, ou tão escancarado quanto o domínio do morro e o uso de drones com explosivos e o confronto direto. É como se fosse uma situação de guerra. acontece isso, isso é parecido com qualquer guerra do mundo, isso é parecido eh com eh cartéis da eh da Colômbia ou do México, mas também acontece de um outro jeito, de um jeito mais problemático, mais mafioso, mais sofisticado.

E aí, né, dentro dessa dessa análise toda, a gente pode colocar ainda um terceiro elemento. Tô falando aqui então de organização criminosa, eh, de narcoado, de cartéis de drogas, de máfia. E agora vamos trazer mais um elemento para essa história, que é a ideia de uma organização terrorista. E tem uma distinção entre organizações terroristas e organizações criminosas. Toda a organização terrorista, ela é uma organização criminosa. Ponto. Mas nem toda organização criminosa é uma organização terrorista. E aí, eh, você tem um diferencial muito crítico para separar uma da outra. Uma organização criminosa que tenha objetivos políticos, ela passa a se tornar uma organização terrorista. Também, como eu disse, toda organização terrorista é uma organização criminosa, mas nem toda organização criminosa é uma organização terrorista. Ela vai se tornar uma organização terrorista quando ela tiver objetivos políticos. E essas organizações criminosas brasileiras estão começando a indicar traços muito sólidos de objetivos políticos. Por quê? A maneira como elas estão desafiando as autoridades. Eh, o assassinato do delegado, já foi o delegado geral aqui de São Paulo, né? eh a matar autoridades, planejar contra essas autoridades são atos políticos já não são atos puramente eh criminosos de uma atividade eh financeira, de lucro financeiro. A penetração delas dentro da política, dentro das instituições, como eu tô citando para vocês, indicam que elas estão tendo ações políticas e aí elas estão entrando no campo das organizações terroristas.

Então, vejam, eh, o Brasil ele tá enfrentando um tipo de problema eh múltiplo, porque eh essa faceta desse crime organizado tá ficando tão forte, tão enraizada, o Estado brasileiro com tantas mazelas, tanta corrupção, tantos problemas que a e esse essa situação ela tá tomando múltiplas formas, tá sendo é uma organização criminosa, Eh, nós temos uma situação de guerra, nós temos eh cartéis se formando que não produzem, mas vendem a droga. Eh, nós temos máfias porque as atuações delas fora eh das suas atividades convencionais, das drogas, né, e entrando para todo tipo de atividade dentro da economia e por fim se tornando também um grupo terrorista. Eh, assim, eh, tem poucas, poucos lugares no mundo que se depararam com algo tão forte e tão difícil e tão problemático. O Brasil tá indo para um lugar muito complicado. Isso é muito sério. não é um assunto qualquer, porque para vencer essa história vai precisar eh de você atacar múltiplas frentes e países não conseguem dar conta disso. E assim, a salvação até agora do Brasil é que nós somos um país muito grande territorialmente. E essa imensidão, e esse é um elemento geopolítico porque envolve a geografia, essa imensidão impede que um só grupo ou que um só projeto consiga organizar e unificar e comandar tudo. O tamanho dificulta a ação até mesmo de uma organização criminosa. Se dificulta a ação do Estado brasileiro, dificulta também a ação eh do projeto criminoso. É, e isso talvez salvou o Brasil de não ter virado eh a Venezuela ou a Colômbia e ou o México, mas nós estamos caminhando para um lugar talvez mais complicado.

E aí tem um outro agravante, né, que eu quero deixar aqui essa reflexão com vocês, que é uma conexão entre as organizações eh criminosas brasileiras e as organizações terroristas. Então, eh, nós sabemos que existe ligação na venda de armas, de drogas, apoio logístico e financeiro, tanto das organizações criminosas com as terroristas e vice-versa. Então, Resbolar, eh, Irã, tem uma série de grupos que estão ligados eh com essas organizações, inclusive servem de pontos de apoio em outros lugares do mundo paraa droga que essas organizações brasileiras estão vendendo. E essas organizações brasileiras eh conseguem armas ou conseguem lavar dinheiro e fora do Brasil com a ajuda desses grupos terroristas. E enfim, eu tô produzindo um documentário sobre eh o fundamentalismo islâmico na América do Sul. Em breve eu vou publicar aqui para vocês. Eh, foram anos de visita a vários lugares do mundo e de pesquisa. Entrevistei muita gente e eu trato desse tema. E um dos pontos de atenção que todos os especialistas ao redor do mundo trouxeram foi essa conexão entre eh as organizações criminosas brasileiras, né, com o tráfico de drogas e as organizações terroristas fundamentalistas e islâmicas, principalmente em regiões como a tríplice fronteira. Ou seja, gente, eh, o Brasil tá num lugar bem difícil. Eh, e assim, a parte fundamental para resolver isso é o Estado brasileiro conseguir prover básico mais fundamental de todos, que é ordem e segurança. Eh, e essa missão não é fácil. Eh, talvez uma parte positiva é que nenhum estado fraco ou falido tá numa condição permanente. Estadosmente colapsados, que é o último estágio de um estado fraco ou falido, foram capazes de sair do colapso e se reerguer. Eh, isso é um sinal de que sim, o Brasil pode, mas a violência é endêmica, é crítica e é profunda no nosso país. e até hoje a gente não conseguiu eh tratar desse mal em forma alguma. O que a gente viu acontecer, na verdade, é só piorar. Eh, a discussão agora eh de narco eh terrorismo, né, que é a combinação eh dessas organizações criminosas de traficantes com terrorismo, ela é um ponto a mais na equação. governador do Rio eh falou disso, usou essa palavra inclusive. E essa palavra é bem importante porque ela ela retrata sim algo que tá acontecendo no Brasil, que é essa mistura, né, desses conceitos aí que eu expliquei para vocês.

Um outro ponto importante aqui é que efeito que tudo isso tem para fora, né, pra geopolítica eh do Brasil. Normalmente países que estão passando por uma instabilidade muito grande interna, eles são vulneráveis a ações dos seus rivais ou inimigos. Felizmente, para o Brasil, isso não é um problema, porque os nossos rivais, vizinhos ou inimigos da América do Sul estão em situações eh piores do que a nossa. tem problemas tão grandes quanto os nossos. E não só isso, são países menores que o Brasil. Eh, então a gente não tem uma ameaça externa colocada que possa tirar vantagem dessa realidade brasileira. E a América do Sul, geopoliticamente falando, é um continente que está muito distante de outras potências. E isso também faz com que vir alguém vira até aqui para tirar vantagem dessa situação é muito complicado. Não é um movimento qualquer. Eh, você vai chegar aqui por avião ou navio e não vai dar para você eh explorar isso de uma forma convencional. Ao longo da história, conflitos internos dentro de países serviram que para rivais ou inimigos usarem esse conflito para desestabilizar e tirarem vantagens dessa situação. Os Estados Unidos, por exemplo, conseguiu sair imune a esse tipo de problema quando ele teve uma guerra civil, porque ele basicamente não tinha vizinhos poderosos capazes de explorar aquela vulnerabilidade tremenda que era uma divisão de uma guerra civil. O Brasil tá colocado, graças à nossa geografia, geografia da América do Sul. Eh, nós estamos colocado numa mesma condição. A situação da Rússia, da China, da Europa, não é uma situação assim do Oriente Médio. Ao longo da história, cada conflito interno dentro da China deixou a China mais vulnerável. Cada discussão interna na Rússia deixou a Rússia vulnerável. A Europa, a mesma coisa, porque você tinha e tem um monte de vizinhos terrestres, vizinhos que são seus rivais, seus inimigos, que tem uma história de longa data nessa situação. Então, por esse ponto de vista, eh essas consequências não conseguem ultrapassar as fronteiras do Brasil. Esse é um ponto importante.

Um outro ponto é a situação, né, do que tá acontecendo na Venezuela com a relação e a briga do Brasil com os Estados Unidos. E aí, eh, eu já disse que uma das consequências do Trump escalar com o Brasil seria, por exemplo, ele declarar que as organizações criminosas do Brasil são organizações terroristas e isso liberaria ou daria eh autoridade para ele, né, dentro da autoridade americana de agir contra essas organizações. E eu já ouvi gente dizendo que, ah, isso seria muito bom. Porque então os Estados Unidos vai resolver com o problema da segurança no Brasil. Ele vai vir aqui atacar as organizações criminosas brasileiras. Óbvio que os Estados Unidos não vai conseguir acabar com o PCC, nem com o Comando Vermelho. Eh, então a gente não quer que isso aconteça. Claro que eu nem acho que nós estamos mais nessa direção. Eh, a conversa eh do Trump com o Lula, ela tem mostrado que os Estados Unidos talvez vai desacelerar ou vai aliviar eh a situação com o Brasil. Então, eu não acho que nós estamos perto do Trump declarar que organizações criminosas no Brasil são organizações terroristas. Talvez a escalada da disputa com os Estados Unidos pudesse chegar até isso. Esse seria um próximo passo, além de mais sanções ou mais tarifas, mas esse seria um passo perigoso na relação do Brasil com os Estados Unidos. Mas eu não acho que nós estamos próximos a isso. Inclusive, o Senado americano acabou de votar a favor, né, com o voto de vários republicanos para que as tarifas do Brasil caiam. Isso não vai ser forçado no Trump porque, eh, a Câmara, né, a House of Representatives não aprovou isso, não votou, mas o Senado votou e votaram especificamente sobre o Brasil. e vários republicanos incomodados dizendo que eh as tarifas contra o Brasil não fazem sentido do ponto de vista comercial, estratégico e assim por diante, que elas são apenas porque o o Trump tem um aliado político, alguém ideologicamente, isso não justifica eh os Estados Unidos brigarem comercialmente com o Brasil neste nível. O o Trump vai impor tarifas ao mundo inteiro, vai usar essas tarifas como uma forma de barganha e negociação para conseguir vitórias econômicas ou políticas. Mas no nível que tava com o Brasil são tarifas muito altas. E se o Senado americano já decidiu ter uma votação nessa direção, isso é uma percepção que eh a política americana tá vendo que não tá fazendo tanto sentido assim. brigar nesse nível com o Brasil. Isso é uma indicação eh de que as coisas podem estar se acalmando e não escalando mais. Então, eh ter uma realidade ou um dia, né, ou um episódio como esse do Rio não vai fazer os Estados Unidos vir e declarar o comando vermelho como uma organização terrorista para salvar o Brasil. O que poderia fazer os Estados Unidos declarar isso era uma situação política mais complicada, mais difícil. E parece que essa situação política ou geopolítica entre Brasil e Estados Unidos está seguindo um caminho melhor. Repito, isso não é garantia de nada. o Trump muda de ideia, mas eh teve o encontro dele com o Lula, as coisas parece que tão indo numa direção eh melhor. Então nós estamos mais longe desse ponto.

Então eh e esse problema todo eh ele não suscita disputas com outras potências maiores. Claro que se o Brasil é um santuário do crime, eh, do domínio de facções criminosas, de máfia, de narcoterrorismo, eh de cartel, de organização terrorista, isso convida organizações criminosas de outros lugares do mundo a falar: "Pô, o Brasil é um lugar fácil de operar, o o Brasil é um lugar bom para operar". E aí isso faz com que o Brasil atraia esses grupos criminosos para cá ou fortaleça os laços de colaboração e negócios e atividades criminosas entre todos eles com o com as organizações criminosas do Brasil. Esse é o é o é o aspecto internacional geopolítico dessa crise mais evidente e que a gente pode observar hoje. Eh, é ruim, é sério, mas teriam outros piores. Eu diria que outros países explorando essa fragilidade interna do Brasil do ponto de vista estratégico na geopolítica, seria bem mais grave. Infelizmente esse cenário não tá colocado para nós, dado tudo isso que eu expliquei.

Bom, é isso, pessoal. Eh, vou tá aqui, né, acompanhando e debatendo. Espero que essas análises, esses pontos de vista tenham ajudado a vocês a enxergar e entender melhor toda essa situação. E não esquece de dar like no vídeo, segue o canal, ativa o sininho, compartilha com seus amigos. Até mais.