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Eu vou contar uma história que você já está cabeludo de saber, mas vai saber de um jeito diferente.
O descobrimento do Brasil comigo, Eduardo Bueno aqui no Não Vai Cair no Enem.
Em 1415, os portugueses saíram de Portugal e invadiram e conquistaram um território importantíssimo no Marrocos, Ceuta, que aliás, até hoje pertence à Espanha. O ataque português a Ceuta foi mais violento que atentado do Estados Islâmicos. Milhares morreram, Ceuta ainda não foi devolvida ao Marrocos. Um processo expansionista que quase 100 anos depois os traria ao Brasil.
O próprio processo em si dessa viagem incrível, dessa viagem do descobrimento do Cabral também não cai no Enem, porque ele é contado de um jeito, de uma boboseira inacreditável. Primeiro, os caras nunca nos contam quem é que pagou a viagem. Claro que o motor da história sempre foi a grana, sempre foi o dinheiro. Afinal, quem é que pagou essa expedição do Cabral? Essa expedição, pra você ter uma ideia, tinha 14 embarcações, a maioria delas naus, porque ninguém ache que era caravela. Tudo bem, as caravelas foram importantíssimas, mas elas eram muito menores, tinham 3 caravelas na história do Cabral e aposto que tinha 8 naus. As naus eram muito maiores, muito mais portentosas, muito mais caras.
Essa esquadra do Cabral de 14 embarcações. Se você pegar a esquadra do Vasco da Gama, que descobriu o caminho marítimo para as Índias; a esquadra do Colombo, que descobriu a América; a esquadra do Pizarro, com a qual ele conquistou o Peru; a esquadra do Cortês, com a qual ele conquistou o México. Essas quatro esquadras juntas não dava o tamanho da esquadra de Cabral. Era maior e mais poderosa esquadra que Portugal jamais havia enviado para singrar os mares. Nunca antes navegados. No caso, já tinham sido navegados, toda a rota do Cabral já tinha sido percorrida.
De qualquer forma, uma esquadra do tamanho custava dinheiro demais, dinheiro que Portugal nem tinha. Esse dinheiro então é de financiadores de Gênova e Florença, porque Veneza eram todos cidades-estados independentes em guerra permanente entre si na Itália. Veneza tinha feito um acordo com o Império Otomano e conseguia manter o tráfego de especiarias fluindo do oriente para a Europa. Escanteados nesse jogo, Florença e Veneza resolveram investir e dar dinheiro para Portugal continuar na sua expansão marítima, que já havia se iniciado, como falei, em 1415, e contornar o vasto continente africano e chegar na Índia por mar.
Então, Vasco da Gama, depois de anos e anos de tentativa, cai para a segunda divisão. Não, esse é outro Vasco da Gama. Vasco da Gama, depois de anos e anos de tentativas, Vasco da Gama consegue contornar o Cabo da Boa Esperança em 1498, chegando na Índia, ataca violentamente a Índia, volta para Portugal e aí dá as notícias de como fazer essa viagem. E uma nova esquadra é montada, a esquadra do Pedro Álvares Cabral.
Poucas vezes se fala, sei lá porquê, que a viagem de Cabral era para Índia. O descobrimento do Brasil é quase um acidente de percurso, é uma escala, é uma mera escala dentro de um projeto muito maior. E embora se possa dizer que é uma escala e que é quase um acidente de percurso, também tem essa outra discussão que não vai cair no Enem: O descobrimento foi por acaso ou foi proposital? Cara, é uma indignidade brutal, absurda. Você acha que uma esquadra com 14 navios, sendo financiada por mafiosos da Florença e de Gênova, ia desviar a sua rota para ver se tinha alguma coisa ali, do lado de cá do do ocidente, para depois seguir para a Índia? Evidente, todos os sinais deixam claro que os portugueses já sabiam da existência de um território no ocidente, esse território que viria ser o Brasil.
Quando se há nessa expedição, essa expedição tá indo para a Índia. É a Índia que interessa, mas como a rota, a melhor rota para singrar o Atlântico recomendava que se abrisse mais o curso para oeste, é o que Cabral faz e é o que o leva a chegar no dia 22 de abril de 1500 nas praias de areias faiscantes e de águas translúcidas da Bahia, onde dá vontade de não fazer nada, embora os portugueses tenham feito bastante coisa. Esse é esse é o episódio que se chama o descobrimento do Brasil.
Agora, há muitas outras questões envolvendo este descobrimento e ele nos apresentado e, de certa forma, ainda nos é apresentado no colégio de uma forma completamente tediosa, porque ninguém come, ninguém bebe, ninguém trepa, ninguém rouba... E a gente sabe, primeiro, que tinha uma ladroagem total já em Portugal, desvios de verba, essas verbas que vinham da Florença e Gênova, esse jogo de interesses, de dinheiro, de poder e de político. E depois, era uma viagem feita por seres humanos, seres humanos que comiam malesmo. Eles eles só tinham chamado o biscoito de marear, que era um biscoito todo duro, coberto de bolor, comido por barata, que era basicamente a única ração diária que os marinheiros recebiam junto com lentilhas secas e e outras comidas secas também. Só que todos recebiam 2 litros de vinho por dia. Agora, o experimento seguinte: comer pouco e beber 2 litros de vinho com sol na cabeça, com aquela porra navegando e só homem a bordo. Quer dizer, de vez em quando, lógico, caía o sabonete... Se houvesse salmonela, mas não havia sabonete, porque primeiro que ninguém tomava banho, como já falei, era uma imundice brutal. E a segunda coisa é que o abuso sexual dentro dessas naves era de fato terrível.
Mas esses caras chegam e chegam em um ambiente paradisíaco, o sul da Bahia, um lugar onde a elite branca brasileira hoje passa as férias com os nativos servindo como, aliás, o serviram desde o momento que chegaram. Aliás, uma outra coisa que tem que ficar clara dessa história do descobrimento é que o Brasil é um dos únicos países do mundo que entra no curso da história com o seu, aspas ou sem aspas, descobrimento tendo um cronista brilhante, fantástico para descrever tudo o que aconteceu. Claro que estou falando do Caminha, também conhecido como Pedro Vaz de Peninha. Não, esse é outro. O Pedro Vaz de Caminha não era um escritor de ofício. Ele estava seguindo para a Índia para ser o contador da feitoria do estabelecimento comercial que os portugueses pretendiam estar lá em Calecute, mas é ele que faz uma carta soberba, fantástica. E eu sugiro que você desligue imediatamente esse computador, vá ler a carta do Pero Vaz de Caminha, porque essa carta quanto mais você lê, mais você viaja. É uma carta... essa sim, politicamente correta sem precisar ser politicamente correta, porque ela faz o elogio das diferenças, o elogio da tolerância. Ele descreve aqueles dez dias maravilhosos que portugueses e porto-riquenhos passaram em Porto Seguro. Aliás, lendo a carta, você percebe que o Brasil é o único país do mundo que entra no curso da história, não como um conflito, mas com uma dança. Portugueses e Tupiniquins dançam nas praias da Bahia. Um marinheiro tira um acordeão e toca. E o Bartolomeu Dias, ele mesmo, um navegador que havia 12 anos antes vencido o Cabo das Tormentas, dá um salto real, que hoje se chama salto mortal, dá uma pirueta na areia e os indígenas ficam encantados com aquilo. E aí tiram os portugueses para dançar e dançam de mãos dadas. É um momento mágico, é um momento que parece anunciar, de fato, um novo mundo, um nascer, um nascimento de uma nação que, claro que o Brasil não foi capaz de concretizar.
Você precisa só se concentrar nesses 10 dias em que a gente achava que ia dar tudo certo nesse novo território. Mas daí, a cereja no sundae, rezar numa missa. Primeiro veio a cruz. Na verdade, primeiro veio a espada, que não precisaram usar. E em seguida veio a cruz, rezar uma missa. Os indígenas olharam, era uma coisa sagrada. E depois partiram para verdadeiras a canalização. Encontro um bando de nativas, de mulheres não apenas peladas, mas depiladas. Os índios do Brasil raspavam todos os pelos do corpo usando conchas afiadas e também língua de pirarucu. Então eles passavam a língua de pirarucu seca nos pelos, induzidos nos pelos pubianos. Ele olha para as vergonhas das nativas e diz: "Vergonha das quais elas não tinham vergonha alguma." Então vai cair no Enem porque é canalha, sacanagem demais, safadeza demais. E é isso aí, cara. Falou, que quer saber, sabe, não quer saber, não sabe. Tchau!
O QUE VOCÊ ACABA DE VER ESTÁ REPLETO DE GENERALIZAÇÕES E SIMPLIFICAÇÕES, MAS UMA COISA EU GARANTO: O QUADRO GERAL ERA ESSE AÍ MESMO. SÓ QUE SE VOCÊ QUISER SABER COMO AS COISAS DE FATO FORAM, AH, AÍ VOCÊ VAI TER QUE LER!