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Vamos falar agora de saúde mental. No ano passado, o Brasil registrou um número recorde de licenças trabalhistas por transtornos psicológicos. Foram mais de 546.000 casos. Os dados são do INSS, do Ministério da Previdência.
Diante desse aumento de casos da síndrome de burnout e de uma nova fiscalização para monitorar o estresse no ambiente de trabalho, especialistas alertam para a necessidade das corporações mapearem o risco de esgotamento físico e psicológico com antecedência. Sobre isso, nós vamos conversar eh com esse assunto tão importante, né, pra saúde do trabalhador, com a psicóloga Regina Vera Saltiuc. Bom dia, doutora. Bem-vinda.
>> Bom dia, Lúcio. Muito obrigada. Obrigada pelo convite aí de vocês.
>> Então, Lúci, você tá falando um um assunto muito sério, porque realmente no início isso se tratava de um benefício. Então, as assistências médicas elas estavam voltadas a ao mapeamento, a entrevista dessas pessoas e elas eram encaminhadas para uma assistência médica e psicológica, né? Mas hoje esse mapeamento tem que ser feito pelas empresas mesmo, porque isso é um risco à saúde do trabalhador, aos afastamentos, é um risco sério a também a a ao desempenho, como que a pessoa se sente trabalhando, ela perde a autonomia. Então isso realmente é um risco e deve ser olhado por todas as empresas. E a chave disso tudo tá na gestão, na liderança. Então, a empresa tem que treinar melhor os seus eh líderes para que eles possam ter essa compreensão e garantir a segurança psicológica no ambiente de trabalho.
>> É que quais são os sinais, doutora, que a empresa deve observar? é a queda de produtividade, é um um uma situação de de estouro no ambiente de trabalho, uma eh a pessoa acaba levantando a voz, perdendo o controle. Quais são os sinais que as empresas deveriam eh dar dar mais valor e dar mais atenção?
>> Olha, irritabilidade, como você falou, a pessoa perder um pouco a linha, né? se estressar mais, falar num tom mais alto ou mesmo reuniões em silêncio, as pessoas não participam, ou eh quer seja o o próprio eh operador de máquina, como você tá colocando aí, eh a pessoa tem que ter uma uma atenção concentrada. Então, quando você percebe que tá existindo um risco, as pessoas têm assim uma dificuldade de de se concentrar, uma fadiga mental e isso deve ser observado sim, a queda de produtividade. Então, alguém que tinha uma um retorno muito grande em relação aos seus resultados e tem uma queda abrupta. Então isso tem que ser conversado, tem que ter uma escuta ativa, chamar eh de lado, né, o trabalhador, ver o que que tá vendo, porque o burnout ele é uma doença, ele é uma depressão do trabalho, mas também pode acontecer para quem eh trabalha independente de organizações, é autônomo, a dona de casa. Então, um excesso de trabalho sem eh o descanso necessário, sem as pausas, isso pode levar sim ao burnout. que uma vez estabelecida esse quadro, as pessoas elas têm muita dificuldade de um tratamento rápido. Então, esse tempo fora da empresa ou fora das atividades pode se tornar grande.
>> Eh, doutor, na opinião da senhora, o que que causa mais estresse ao trabalhador é a cobrança, a imposição de metas às vezes eh difíceis de serem cumpridas ou é um ambiente eh mais tóxico no mercado de trabalho, um ambiente com pouca descontração?
>> Eh o ambiente e essas metas que são inatingíveis, quer dizer, metas, excesso de metas, excesso de cobrança, atividades, eh, ao mesmo tempo, muitas atividades, solicitações, às vezes o trabalhador nem bem entregou um um projeto, já tem outro para ele startar junto. Então, essas demandas competitivas e o clima também, né, o clima na no ambiente de trabalho. Eh, por isso que eu coloquei, Lúcio, que a gestão é a palavra-chave, é o ponto chave. Aí o gestor, o líder que vai poder fazer diferença tanto para a prevenção quanto para causar o burnout.
>> É, a gente tem hoje nas empresas uma cultura, né, da disponibilidade total, né, um ambientes cada vez mais competitivos, né, doutora, acabam funcionando como gatilho, né, do esgotamento.
>> Sim. E também tem a questão da da jornada de trabalho, que uma parte é presencial, né? Muitas empresas já estão retornando por presencial, mas algumas ficam eh três vezes por semana na empresa e duas vezes por semana em casa. Então, essas demandas se tornam mais competitivas ainda e a ansiedade aumenta.
>> Agora, existe também a realidade interna, ou seja, tem pessoas que se cobram mais do que outras. Então você tem uma pressão que vem de fora e tem uma pressão que vem de dentro também, porque para algumas pessoas eh ser eh competitivo e ser perfeccionista tá junto, então ser controlador tá junto. Então essas pessoas elas se sentem muito mais suscetíveis ao burnout.
>> Doutora, como é que vai ser essa fiscalização, essas novas diretrizes para fiscalizar esses tipos de ocorrências nas empresas? como é que vai funcionar?
>> Ah, aí cada empresa, ela tem que fazer, né, uma avaliação de de clima organizacional. Ela tem que dar treinamento sempre pros seus liderados e isso vai partir do RH de recursos humanos. E também tem órgãos, né, do Ministério Público que com certeza, de acordo com os afastamentos, isso pode levar o a a pergunta, né, para as empresas do que que tá mobilizando esses afastamentos.
>> É, mas chegaria a um ponto assim da empresa ter sofrer algum tipo de punição se ela tiver uma constância de afastamentos, um certo número de afastamentos pelos mesmos motivos?
>> É, a NR1, ela tá sendo implementada, né? Então, ainda não sei ao fato de como que vai ser feito esses eh essa essas eh esse controle dela, né? Então eu acredito que sim, que vá ter algum tipo de sanção para as empresas, sim, até porque é uma forma de de supervisionar esse tipo de trabalho, né, esse tipo de atendimento da empresa para o trabalhador.
>> É, doutora, o os RHs, né, eles têm tido cada vez umas uma importância maior dentro das empresas, né? A senhora acha que, por outro lado, existe eh tem certas empresas que elas têm uma cultura de pressão por produtividade e de onde vem isso, doutor? É do próprio do dono, da direção da empresa que passa esse tipo de de regra?
>> É, vem vem pelo pelo próprio mercado também. Mercado tá exigindo bem mais das empresas, né? A empresa também tá passando por uma fase às vezes de de contenção de gastos, então reduz eh o número de funcionários e o resultado pode ser maior, tem que ser maior por conta do mercado. Então isso já é uma pressão que a própria empresa tá sofrendo. E aí, de acordo como a gestão entende isso e se prepara estrategicamente para isso ou não, aí essa pressão vai pros funcionários. Com certeza.
É, tomara que dê certo essa implantação, né, doutora, porque a saúde do funcionário é é muito
>> é fundamental
fundamental, né, pra produtividade. A gente conversou então com a Regina Vera Chautucuk, ela é psicóloga, explicando pra gente aqui as novas regras do mercado de trabalho para que as empresas, né, eh, promovam um ambiente saudável, né, nas corporações. Muito obrigado, doutora. Um bom fim de semana para você.
>> Nada, até mais. Igualmente.