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[Música] Olá, tudo bem? Tudo bem. Você? Tudo bem também. Você poderia falar pra gente sobre você, sobre o seu espaço, sobre sua profissão?
Claro. Eu sou Sumaia. A minha formação inicial, eu sou educadora física e pedagoga com especialização em neuropsicologia educacional, neuroaprendizagem, educação física escolar e psicomotricidade, que é hoje o meu carro chefe de trabalho. Então, hoje eu atuo exclusivamente como psicomotricista.
Você poderia falar pra gente um pouco sobre a psicomotricidade?
Sim. Psicomotricidade é uma ciência que estuda o homem através do seu corpo em movimento e ela está pautada em três grandes desenvolvimentos, três pilares, que é o desenvolvimento motor, que é o meu poder fazer, o desenvolvimento emocional, que é o meu querer fazer, e o desenvolvimento cognitivo, que é o meu saber fazer. Então eu explico que a psicomotricidade ela organiza a nossa mala de viagem, que é esse corpo, para que a gente possa ter aí um processo de viagem leve por essa vida. E é na infância que a gente precisa reorganizar da melhor forma possível essa mala para que essa criança tenha boas relações, boa aprendizagem e bom desenvolvimento.
Quais são os benefícios da prática de atividades físicomotoras para a redução de comportamentos estereotipados em indivíduos com TEA?
Bom, quando a gente fala na intervenção psicomotora, a gente tá falando no ganho de habilidades. Quando uma criança dentro do espectro autista que tem uma dificuldade em correr, em pedalar, em jogar bola, em chutar bola, ela ganha essa habilidade com a intervenção e o estímulo que precisa ser eficaz e regular, ela tá fazendo uma conexão neural a nível de sistema nervoso central. Quando essa criança ela ganha novas habilidades motoras, ela tem uma tendência a diminuir os seus movimentos estereotipados, dando lugar para movimentos que estão mais qualificados e mais refinados. Então, a intervenção psicomotora ajuda sim nos movimentos estereotipados. Porém, a gente precisa lembrar que muitos desses movimentos eles são necessários pra vida da criança autista, porque é onde ela se regula e ela se organiza tanto na parte sensorial quanto na parte emocional.
Suaia, crianças com TEA apresentam alterações motoras?
Sim, mais do que a gente imagina. Os estudos científicos dos últimos 10 anos, eles mostram pra gente que de 70 a 86% das crianças dentro do transtorno espectro autista tem alterações motoras significativas que influenciam diretamente a área da linguagem e a área social. E a principal disfunção psicomotora que essas crianças têm começa lá na base do desenvolvimento motor, que é alteração de tonicidade. Por isso, elas têm dificuldades locomotoras ou elas se locomovem com alterações de equilíbrio, elas têm dificuldade postural. Isso vai aparecer lá na alfabetização com a dificuldade de segurar o lápis, com a dificuldade de mudar de postura e com baixa mobilidade entre sentar, levantar, conforme elas vão crescendo. Então, as alterações motoras no TEA são significativas e agora por conta dos estudos científicos, elas têm sido olhadas e tratadas.
Como a psicomotricidade pode ser utilizada para melhorar o desenvolvimento motor em crianças com TEA?
A psicomotricidade, eu digo muito pros pais que eu recebo e também pros médicos que são meus parceiros, que ela devia ser. Quando eu tenho uma criança que ainda não tem o diagnóstico, mas que tem uma hipótese diagnóstica de transtorno de neurodesenvolvimento e que pode ser o TEA, uma das primeiras intervenções que ele precisaria receber seria a intervenção motora, que pode ser feita tanto pela psicomotricidade quanto por um fisioterapeuta especializado em TEA. As intervenções motoras, ela vai auxiliar essa criança no desenvolvimento de habilidades que vão facilitar suas relações sociais, vai facilitar o seu brincar, o seu conviver com o outro e diretamente isso vai beneficiar a sua linguagem, vai beneficiar a sua aprendizagem, sem contar na qualidade de vida que essas intervenções podem trazer. Porque quando a gente fala de psicomotricidade no TEA ou de intervenção motora no TEA, a gente tá pensando na funcionalidade. Então, a gente quer que essa criança possa funcionar bem nas atividades de vida diária, como coisas muito simples, como se alimentar, trocar de roupa, tomar um banho. Então, a intervenção motora, psicomotora, ela é de extrema importância para a criança do espectro autista.
Como os profissionais de saúde e educação podem adaptar as atividades psicomotoras para atender as necessidades individuais e específicas de criança com TEA?
Seria fantástico se essa realidade fosse real dentro da nossa prática. Primeira coisa, profissionais da saúde, profissionais da educação precisam de informação sobre o TEA e também sobre o que é psicomotricidade para que eles possam adequar. Nós temos muitos casos de crianças com TEA com muita dificuldade de ficar em sala de aula, de sentar à cadeira e de fazer uma atividade, por exemplo, escrita ou uma colagem ou um desenho. Mas essa criança gosta muito da parte motora. Então, esse profissional ele pode adaptar utilizando circuitos motores, usando dentro da escola recursos que ele tem como uma arquibancada da quadra, usando recursos básicos como uma corda ou uma bola. Mas para que ele possa fazer essa adaptação, ele precisa primeiro desse conhecimento sobre o que aquela criança com TEA consegue me dar como resposta, qual o caminho eu preciso fazer com ela e os princípios básicos da psicomotricidade, que são as bases psicomotoras, as bases sensório perceptivo motoras e lembrar sempre dos três pilares da psicomotricidade, desenvolvimento motor, emocional e desenvolvimento cognitivo.
[Música]