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Pesquisa inédita revela evidências genéticas sobre o transtorno borderline

Jornalismo TV Cultura5:26

Transcription

Pesquisadores identificaram as primeiras evidências de que podem existir fatores genéticos de risco associados ao transtorno de personalidade borderline. Publicado na revista científica Nature Genetics, é o maior estudo genético já feito para essa condição.

Pois é, o borderline é um transtorno de personalidade que afeta cerca de 2% das pessoas nos países ocidentais e costuma surgir no início da idade adulta. O transtorno borderline é aquele transtorno que afeta a personalidade da pessoa, isso é o desenvolvimento dela, eh, desde criança, e que a pessoa acaba tendo dificuldades afetivas intensas e de representação da realidade. Essas pessoas têm, ah, uma dificuldade tremenda de se relacionar, sentem um vazio intenso, a sensação de abandono, ã, depressão.

A gente noticiou essa nova pesquisa que aponta uma influência provável, eh, genética e não só ambiental para o desenvolvimento do transtorno. Eh, como é que você avalia essa constatação? Olha, eu, eu li o artigo e não, não é conclusivo, né? E é o que a gente espera de qualquer, eh, situação ou doença psicológica, né? Tem, é multifatorial, tem um pedaço que a gente procura na genética, né? Eh, e tem um pedaço que a gente não tem como dizer que não seja ambiental, né? Então, os médicos estão procurando lá, diz lá 17%, mas tem dificuldades em dizer em qual gene, como é que é. Então, eu acho que, que é isso. Acho que temos que continuar, eh, procurando a, a genética do sofrimento, eh, psicológico, mas, eh, a gente sabe já, né, que é uma, é um, é um transtorno ou uma dificuldade relacional, né? O borderline tem uma dificuldade de se relacionar com as pessoas e isso tem muito mais a ver ou tem muito mais, eh, ancoragem nas relações sociais do que na genética.

Quais são os sinais de alerta? Como saber que é hora de procurar ajuda?

A gente tem recebido, né, lá no instituto cada vez mais, ah, pacientes jovens. Os adolescentes têm chegado muito com essa, com esse diagnóstico. É uma sociedade, né, é um momento da, na, da nossa história da humanidade onde as pessoas ficam muito sozinhas, ficam nos seus computadores, nos seus celulares, eh, então não treinam a, a relação, como se relacionar, não se frustram, tem dificuldade com isso. Então, os sinais são esses: depressão, isolamento, né? Na conversa do café da manhã ou no jantar, os adolescentes ficam isolados, ah, não conseguem, eh, eh, descrever o que sentem. Tem também os sintomas mais, ah, clássicos de intensidade, né, o cutting, né, e se cortar, ah, o uso excessivo de, de drogas. São esses, ah, eu acho que os sinais que você tem que estar atento para os seus filhos ou com seus parceiros.

E como funciona o tratamento? O tratamento pro borderline, ele é multiprofissional, né? A gente trabalha com grupos, porque o psicanalista, um terapeuta que trabalha com grupos, tem a possibilidade de, eh, testemunhar, né, ah, o teu paciente em relação, né, como ele se relaciona afetivamente e também cognitivamente com os outros. Então, o nosso trabalho lá no Hospital Dia do Instituto da Casa é um trabalho, eh, essencialmente com grupos. Então, todo mundo se relaciona, todo mundo tenta conversar sobre o que tá sofrendo, encontra identificações, eh, um desconstrói um pouco a identificação do outro. Então, o trabalho, eh, isso com o paciente, mas o, o trabalho efetivo só acontece se a gente tem a possibilidade de trabalhar com a família. A família é um aspecto importantíssimo do tratamento. Se você não trabalha com a família dessas pessoas, a gente não tem muito sucesso, porque a família já chega, eh, muitas vezes, eh, cheia, né, de lacerações, ah, sem possibilidade afetiva de lidar já com, com essas pessoas. Então, o trabalho terapêutico com a família é essencial para dar mais um gás, para dar mais chance, eh, para que essas pessoas, eh, voltem para suas casas e tenham escuta, né?

E quando a gente fala em tratamento, a gente fala de uma possível cura ou uma garantia ou busca da qualidade de vida desse paciente.

Como é, é um transtorno de personalidade, a cura seria o quê? Uma transformação da personalidade? Talvez sim, né? Quer dizer, como eu me relaciono melhor com as coisas, com as pessoas, com a responsabilidade, né, com o meu cotidiano, como é que eu arrumo, como é que eu consigo, eh, manter meus horários, eh, não ser tão intenso com a minha família, com meus filhos, com as pessoas, com o chefe. Então, a cura seria isso, né, uma transformação no modo, uma certa distância, uma possibilidade de pensar antes de fazer, né? É um clássico isso, né? Pensar antes de fazer, mas para algumas pessoas isso é dificílimo, né? E as pessoas que têm essa organização borderline, eh, têm uma intensidade, uma impulsividade que impede elas de ter essa distância, esse momento de reflexão anterior ao agir. Yes.