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Estudo da Carta aos Efésios - Romeu Bornelli - Parte 01

Palavra Guardada1:24:59

Transcription

Primeiro, então, vamos ter mais uma palavra de oração e aí vamos entrar nessa epístola.

Então, Amado Pai Celestial, sim, consideramos um alto privilégio nós podermos estar, um pequeno grupo dos seus servos, nesses dias juntos, Senhor. Porque é o Senhor mesmo quem tem atraído os nossos corações em dias tão desafiadores, furiosos, realmente difíceis. Mas, Senhor, o Senhor mesmo nos preveniu que seria assim. Quando o Filho do Homem vier, porventura achará fé na terra? Pedimos, Senhor, que o Senhor use esses dias de comunhão aqui na palavra, nos relacionamentos, nos pequenos grupos, e fale profundamente ao nosso coração. Corrige, atrai, ajusta, Senhor, nossas afeições. Em especial, nossa devoção a Ti, ela seja renovada, e que possamos seguir, Senhor, com as nossas cabeças erguidas, porque sabemos que a nossa redenção se aproxima. Vai alta essa noite e vem chegando o dia. Mais uma vez, Te pedimos, nos abençoe, Senhor, na leitura e na ministração da Tua palavra. Assim nós confiamos toda a habilitação a Ti, Senhor. Habilita-nos em nome do Senhor Jesus. Amém.

Então, vamos lá, meus irmãos, para a epístola aos Efésios. Vamos ler um verso introdutório, primeiro capítulo, dessa epístola, versos 9 e 10.

Efésios 1:9-10: "desvendando-se da sua vontade, segundo o seu beneplácito, que propusera em Cristo, de fazer convergir, resumir nele, na dispensação da plenitude dos tempos, todas as coisas, tanto as do céu como as da terra."

Capítulo 3:8-10: "A mim, o menor de todos os santos, me foi dada essa graça de pregar aos gentios o evangelho das insondáveis riquezas de Cristo, e manifestar qual seja a dispensação do mistério, ele está repetindo o termo mistério que já lemos lá no primeiro capítulo, esse mistério que desde os séculos oculto em Deus, que criou todas as coisas, para que pela igreja a multiforme sabedoria de Deus se torne conhecida agora dos principados e potestades nos lugares celestiais, segundo o eterno propósito que estabeleceu em Cristo Jesus, nosso Senhor."

Senhor, então vamos a alguns detalhes sobre essa maravilhosa epístola. Primeiro, um pouco sobre o contexto maior dela. Nós podemos dividir a vida ou as epístolas que o apóstolo Paulo escreveu. A vida do apóstolo Paulo, poderíamos dividir assim: antes de entrar nos escritos, o apóstolo Paulo serviu ao Senhor desde Damasco até a sua, seu martírio, por 33 anos. E a vida de Paulo pode ser dividida em três fases de 11 anos.

Nos primeiros 11 anos, nós podemos chamar de a releitura. Quando ele foi alcançado pelo Senhor na estrada de Damasco. Ouça com atenção. Dali, ele ficou por aproximadamente 3 anos na Arábia e pelos próximos 8 anos em Tarso. Então, Atos, capítulo 11, é dito que quando Barnabé deixa Jerusalém e prega o evangelho naquela região de Antioquia, ou vai até lá, né? Posteriormente, na verdade, irmãos que foram dispersos é que pregaram lá, e Barnabé vai lá para conferir o que estava acontecendo lá. Então, ele vê o tamanho daquela operação do Espírito Santo em uma cidade alheia a Jerusalém. Aquilo impressionou muito. Era uma nova fase, podemos assim dizer, da obra de Deus, né? Que então, até, até então, estava restrita a Jerusalém e pequenos arredores, né? Agora estava lá em Antioquia. Então, Barnabé fica impactado com a beleza do que ele viu, com a genuinidade do que ele viu. Ele testificou que aquela era uma obra do Senhor. Então, é dito que ele vai a Tarso. Ele sai de Antioquia, vai até Tarso à procura de Saulo. O Saulo, o mesmo Saulo que já tinha sido alcançado pelo Senhor na estrada de Damasco. Entre Damasco e isso, e Barnabé buscar Saulo em Tarso, são 11 anos.

E nós perguntaremos assim: o que é que o grande apóstolo dos gentios estava fazendo? Estava fazendo nesse tempo? Nós poderíamos até, se formos mais ousados, né? E vamos falar aqui com muita reverência, como que o nosso Senhor teve a ousadia de tomar esse homem que ele encontrou na estrada de Damasco, se apresentando pessoalmente a ele, dizendo: "Eu sou Jesus a quem tu persegues". Tomar esse homem e colocar-lhe 11 anos de silêncio, ao invés de começar a usá-lo imediatamente? Por que o Senhor não começou a usá-lo imediatamente?

Então, essa primeira fase de 11 anos, irmãos, nos fala muito. Porque hoje, às vezes, com uma pequenina revelação assim, ó, nós subimos num banco e achamos que somos o iluminado da geração, não é? Enquanto o apóstolo Paulo foi colocado lá 11 anos de silêncio. E nós sabemos o que ele estava fazendo, por causa das suas epístolas. Ele estava fazendo uma releitura da sua Bíblia, que como fariseu, ele conhecia muito bem. Mas agora, à luz, agora ele lia sua Bíblia, o Velho Testamento, é claro, né? Que é só o que existia até então. Ele lia à luz da revelação do Messias, de Jesus Cristo, o Filho de Deus. Por isso ele enche as suas epístolas com os textos do Velho Testamento, porque ele vai interpretar tudo. Ele vai interpretar Abraão, Isaque, Jacó, José, ou a caminhada do povo no deserto. Ele interpreta tudo à luz do que ele viu na pessoa gloriosa do Senhor Jesus.

Então, podemos dizer que Paulo fez 11 anos de o seminário do, do seminário do deserto, lá na prateleira de Deus. Ele e o Senhor, quieto, onde o Senhor estava trazendo clareza, percepção, discernimento. Sem dúvida, ele vendo a sua Bíblia de uma maneira que ele nunca tinha visto, não é? Porque agora o Saulo foi cheio com o Espírito Santo. Aquele Ananias que o buscou quando ele estava cego lá em Damasco, lembra o que falou para ele? Senhor, encorajou Ananias. Ananias estava com medo de ir até Saulo, dizendo: "Ele foi enviado aqui para exterminar com os seus". Nós sabemos disso, né? Ananias, como que dizendo ao Senhor. E o Senhor diz: "Vá até ele, porque ele é para mim um vaso escolhido para levar o meu nome a reis, gentios, e ele vai também conhecer quanto importa a ideia, o valor de sofrer pelo meu nome". E que vida esse homem viveu, não é? Em termos de número de escritos, ele escreveu praticamente a metade de todo o Novo Testamento, 13 livros dos 27 do Novo Testamento.

Então, meus irmãos, nós não estamos diante de um discípulo qualquer. Nós estamos diante, ele mesmo se chama assim, não é? E de modo inspirado, porque consta da palavra de Deus. Então, o que ele falou, ele falou inspirado por Deus, o Espírito Santo. Quando ele escreve a Timóteo, ele diz assim: "Aos Gálatas, primeiro, para nos lembrarmos". Ele fala assim: "Aquele que me separou antes de eu nascer e aprouve por sua graça revelar o seu Filho em mim, sem detença, eu não consultei carne nem sangue, nem parti para Jerusalém para os que já eram antes de mim, não é?". E escreve posteriormente a Timóteo, dizendo que quando o Senhor colocou as mãos nele para trabalhá-lo, o Senhor fez isso para que ele fosse modelo. Tipos é a palavra lá, modelo para todos os que hão de crer nele no Senhor Jesus. E se você ler, é, primeira Timóteo, capítulo 1, você vai ver que modelo que ele está dizendo que ele era. Modelo da misericórdia de Deus.

Sabe, irmãos, esse homem que escreveu essa epístola que vamos estudar, que é um detalhe que penso é lindo para você guardar no seu coração. Quando ele foi testemunha do martírio de Estêvão, você se lembra que as pessoas que apedrejaram Estêvão colocaram suas capas aos pés de Saulo? Você se lembra? Saulo ouviu o que Estêvão falou quando ele estava sendo apedrejado? "Eis que vejo o céu aberto e o Filho do Homem de pé à destra de Deus." Primeiro, e depois: "Senhor, não imputes este pecado". E com essas palavras, ele adormeceu. Antes disso, em Atos 7, Estêvão vai tomar a Bíblia que Saulo conhecia muito bem. Vai começar com Abraão, lembra de Atos 7, testemunho de Estêvão? Ele vai começar com Abraão e vai terminar com Isaías, e vai passar por toda essa história. E sabe o que ele vai fazer? Ele vai mostrar que o templo de Deus não é aquele templo que estava lá edificado diante deles. O templo de Deus é uma casa espiritual, porque o Altíssimo não habita em casas feitas por mãos humanas. "Que casa me edificareis? E qual é o lugar do meu repouso?" Estêvão está terminando aí, citando Isaías, e está dizendo que é aquela geração, assim como seus pais, eles não compreenderam isso. E por isso se rebelaram contra os propósitos do Senhor. Quando ele diz isso, eles se enfurecem contra ele, ranem os dentes, diz a palavra, e o apedrejam. Quem estava ouvindo essa mensagem de Estêvão? Saulo, meus irmãos. Nós podemos afirmar que Saulo nunca ouviu nada até então semelhante a isso. Porque agora, ele, ele tem nas palavras de Estêvão uma interpretação do que é a casa de Deus. E sabe por que que nós destacamos isso? Porque é o maior tema do apóstolo Paulo. Qual que é o tema de Efésios? A igreja é o corpo de Cristo, casa de Deus.

Então, Saulo nunca pode esquecer esse testemunho de Estêvão. Como sabemos? Se você ler Atos 22, quando ele vai falar sobre o fato de ele ter perseguido cristãos, ele diz assim: "Quando se derramava o sangue de Estêvão, tua testemunha, ou teu mártir, ele disse: 'Eu estava lá e consentia com a sua morte'". Então, ele nunca viu ninguém até ali interpretar as escrituras assim. E aquilo impactou de tal maneira que, então, pelos seus escritos, nós sabemos muito bem quanto aquela palavra de Estêvão, interpretando o que é a casa de Deus, ela perfurou o coração de Saulo e foi o tema dele por toda a sua jornada com o Senhor.

Então, 30 anos de jornada com o Senhor, três fases de 11 anos. Na primeira fase, ele está fazendo a releitura, que nós já explicamos, certo? Na segunda fase, ele está viajando e pregando. Essa foi a segunda fase de Paulo, suas viagens missionárias, todas acontecem aí, viajando e pregando. Agora, e a última fase? Preso. Aí nós podemos pensar, então, inútil na obra de Deus, né? Mas foi nessa fase que ele escreveu as suas epístolas mais elevadas. E aqui nós estamos diante daquela que é considerada a mais elevada: Efésios.

Agora, vamos pensar sobre os três escritos, então, rapidamente, e já entramos no tema maior da carta. Como que nós dividimos os três escritos de Paulo para vermos onde que Efésios está, que é o objeto do nosso estudo? Quando Paulo estava na primavera ministerial dele, vamos dividir os escritos dele em quatro fases, como se fossem as quatro estações do ano: primavera, verão, outono, inverno. Tá certo? As cartas de primavera, na, na novidade, quando Paulo ainda era um ministro bem mais jovem, servindo o Senhor e as igrejas, ele escreveu primeira e segunda Tessalonicenses. São as cartas do início do ministério de Paulo. Primeira e segunda Tessalonicenses, a primavera do ministério de Paulo. Flor, perfume, beleza. São cartas tão maravilhosas, né? Paulo se delicia com aquela assembleia dos Tessalonicenses, falando do testemunho deles, né? Do vigor do testemunho deles.

Então, da primavera, nós vamos para o verão. Paulo está amadurecendo na sua vida com o Senhor, no seu serviço ao Senhor. As epístolas do verão são aquelas que realmente são fortes epístolas de repreensão. Quais são elas? São quatro: Gálatas, que nem introdução tem, Gal, ele já entra repreendendo, né? Por causa do que estava acontecendo na região da Galácia, ele sendo, eh, assolados por judaizantes, principalmente. Então, Gálatas, Romanos, primeiro e segundo aos Coríntios são as epístolas de verão, quando Paulo exorta essas assembleias seriamente para que eles acordem e vejam como eles estavam se desviando da simplicidade e pureza que são de Cristo, termo que ele usa na segunda epístola aos Coríntios, certo?

Vamos para a terceira fase: primavera, verão, agora outono. Outono é estação de frutificação, frutos. Então, Paulo nessa fase, realmente, ele deu muito fruto. Quais são as epístolas do outono? Efésios, aqui está ela, sem dúvida, é a mais elevada de Paulo. Colossenses, Filipenses e Filemom. Quatro epístolas do outono, que seria do nosso Novo Testamento. Sem essas quatro epístolas, não é? Depois, nós temos a fase de inverno. E aqui nós temos três epístolas. E elas são também maravilhosas, porque se nós temos os discursos que são chamados do Cenáculo, que registram as últimas palavras do Senhor Jesus, elas são de um valor inestimável, porque ele está concluindo sua vida na terra, ele está concluindo sua obra. Ele nunca perdeu tempo, ele nunca jogou palavras ao vento, certo? Mas se ele está concluindo sua obra, o que é que você acha que ele vai falar? Ele vai falar sobre aquilo que é o sublime do sublime. O Senhor não vai contar parábolas. Tem alguma parábola nos dias finais do nosso Senhor? Existe alguma parábola? Não tem parábola nenhuma. O Senhor vai falar aquilo que é o mais necessário, urgente, importante, sublime, não é? E nós temos lá João 13-17, os chamados discursos no Caco, né? Assim como Paulo, quando ele está chegando na final da sua vida, o que é que ele tem para dizer? Ouça bem.

Quando ele escreve primeira Timóteo, Timóteo morava onde? Em qual cidade mesmo? Éfeso. Éfeso, aqui, para onde ele escreveu essa epístola que estamos estudando. E quando ele escreve, então, a primeira epístola para Timóteo, ele chama a igreja de igreja do Deus vivo, casa de Deus, coluna e baluarte da verdade. Escute bem: casa de Deus, casa de Deus, igreja do Deus vivo. Primeira Timóteo. Mais um tempinho se passa. Paulo agora está à beira do martírio. Ele vai escrever sua última epístola. É segunda Timóteo. Tito está no meio. É pela ordem cronológica, é primeira Timóteo, Tito e segunda Timóteo. Quando ele escreve segunda Timóteo, ele já não chama a igreja de casa de Deus. Aliás, ele nem chama a igreja de igreja do Deus vivo mais. Eles referem a igreja como uma grande casa, na qual há vasos para honra e vasos para desonra. Que que você acha que tempo será que Paulo estava vivendo? Apostasia. Apostasia. Aí ele vai dizer assim: "Então, se alguém a si mesmo se purificar destes erros". Basicamente, eram erros doutrinários. Ele cita Alexandre, Himeneu, Filemom, lembra? "Eles estão pervertendo casas inteiras". Olha a urgência do coração de Paulo. Aí ele diz assim: "Numa grande casa há utensílios de honra e há utensílios para desonra. Quem a si mesmo se purificar desses erros será utensílio de honra, santificado e útil ao seu possuidor, estando preparado para toda boa obra. E tu, Timóteo, procura apresentar-te a Deus, obreiro aprovado, que não tem do que se envergonhar e que maneja bem a palavra da verdade."

Os irmãos estão vendo qual é a necessidade e a nossa nos nossos dias? Qual é? Qual a etapa que nós estamos vivendo? De avivamento espiritual ou de apostasia? De apostasia. Estamos vivendo como igreja uma era de luz ou uma era de trevas? Uma era de trevas. Estamos tendo, o cristianismo em geral, estamos tendo clareza da beleza da pessoa e obra do nosso Senhor? Uma adoração focada nele? Um culto a ele? Uma vida para ele? Um relacionamento nele? Ou estamos distraídos, confusos, ouvindo vozes estranhas, ouvindo pessoas dizendo, pregadores dizendo que a Bíblia é um livro insuficiente, que ela precisa ser atualizada? Não é o que nós estamos ouvindo no nosso país?

Então, meus irmãos, voltando ao que falamos no início, e nem foi gravado, que o Senhor chame o nosso coração mais uma vez para ele. Não nos resta nada mais, meus irmãos. Nós estamos a pouco para que o Senhor rasgue o céu e mostre a sua face para a sua igreja. Quando cada um de nós estará diante dele, então terá terminado essa história. Mas até lá, qual é a nossa incumbência? Mordomos fiéis, prudentes, obreiros que não têm do que se envergonhar, que manejam a palavra da verdade. Vozes solitárias no deserto, se necessário, mas fiéis, que vão poder ouvir dele, naquele dia, aquela voz assombrosa para nós, de tão maravilhosa que será aquela voz: "Muito bem, muito bem, servo bom e fiel. Foste fiel no pouco, porque por mais". Meus amados irmãos, que nós possamos batalhar, labutar, ajudar outros, né? Com a palavra do Senhor, sempre será pouco, porque a nossa medida é tão pequena, não é? Não é, a nossa medida é tão pequena. Mas não importa o tamanho da medida, importa a fidelidade à medida que nós recebemos. Então, "foste fiel no pouco, mas sobre o muito eu te colocarei. Entra no gozo do teu Senhor". Não é isso que mais importa para nós?

Nós estamos esperando ouvir uma outra voz nesse final de dias. Qual voz que estamos esperando ouvir? "Oh, muito bem, você foi um ótimo empresário, você fez isso, você fez aquilo, você foi, você deu muita coisa para os pobres, você ajudou muitas pessoas." Amém, por tudo isso, faz parte do coração de, de amor da igreja, não é? Mas o Senhor disse, através de Paulo, que nós podíamos fazer isso tudo e nada disso nos aproveitaria, não é? Então, vivemos dias assim, dessa necessidade. Então, assim, esse é o contexto maior para guardarmos inicialmente. Agora, vamos entrar um pouco desse, já na epístola.

Você sabe, ou talvez já deve ter ouvido, que essa epístola naturalmente se divide em duas partes: três capítulos de um lado e três capítulos do outro. Bem ao meio, aí. Por que sabemos? Vamos lá. Vamos contemplar essa carta por alto. Primeiro, olhe como começa o capítulo 4 para termos a divisão ao meio, exatamente. Olhe como começa: "Rogo-vos, pois, eu, o prisioneiro no Senhor, que andeis de modo digno da vocação a que fostes chamados." Então, os primeiros três capítulos de Efésios, nós vamos precisar disso o tempo todo que estivermos juntos aqui, esses dias, compartilhando essa carta. Os três primeiros capítulos são capítulos de visão. Então, não perca isso aí. E nós vamos entrar, pela ajuda do Senhor, vamos mergulhar nessa visão aí. O que é que nós temos que ver aí? E por que Paulo ora, já no primeiro capítulo, que o Senhor conceda para os Efésios espírito de sabedoria e de revelação? Não é? Porque o que ele vai escrever aqui é a respeito dessa visão espiritual. Três capítulos que têm como chave a visão espiritual.

Se você quiser, a visão celestial. Sabe, meus irmãos, embora a gente vá entrar em mais detalhes sobre isso depois, mas ouça desde já: visão celestial é o elemento mais importante para podermos prosseguir com o Senhor. Aliás, o livro de Provérbios 29 já diz assim: "Onde não há visão, o povo fica sem controle, ou se corrompe, ou se desgrenha". Depois de fazer um penteado tão bonito para uma festa e chega em casa e tira tudo e fica com aquela cabeleira toda desgrenhada, né? É uma das ideias daquela palavra lá. Onde não há visão, o povo se corrompe, se descontrola, se desgoverna, se alucina, perde o rumo, se desgranula.

Então, a visão celestial, e com a ajuda do Senhor, se nós sairmos daqui ao final desse tempo que estivermos juntos, até no, na sexta-feira, podendo mesmo que tocar algo mais, digamos assim, da beleza, da glória, do significado dessa visão celestial, nós teremos sido realmente alimentados pelo Senhor. Sabe por quê? Nós não administramos a visão. Nós não governamos sobre a visão. É a visão que nos governa, é a visão que nos administra, é a visão que nos regula, é a visão que nos ajusta, é a visão que nos libera e é a visão que nos restringe. Compreende, irmão? Por isso tão importante esse assunto da visão celestial. Aliás, quem que usa esse termo "visão celestial" mesmo? É Paulo. Lembra? Atos 26: "Portanto, ó Rei Agripa, eu não fui desobediente no singular, limão." Veja, no singular, a visão celestial. Não é as visões celestiais, celestiais, né? É no singular. Então, nós vamos buscar compreender, com a ajuda do Senhor, no tempo que gastaremos aqui, qual é essa visão celestial, quais são os componentes dela, porque ela é tão sublime para Paulo e para o Espírito Santo e para nós, e porque ela é tão necessária, indispensável para os dias que nós vivemos, né?

Então, se os primeiros três capítulos são visão celestial, os três últimos podem se resumir nessa palavrinha do versículo 1. Guarde ela aí: vocação. Por qualquer visão espiritual que seja realmente genuína, que não seja um delírio, ela tem que se traduzir em uma resposta vocacional. Então, se a primeira parte enfoca a visão, a segunda parte enfoca a vocação. Então, quando Paulo inicia essa segunda parte, ele vai iniciar com um rogo. Tá vendo? Porque ele já, já fez duas orações por esses Efésios também. Elas são tão preciosas que nós vamos examiná-las com cuidado, todas duas, com a ajuda do Senhor, esses dias que tivemos aqui. A primeira, capítulo 1, é uma oração por visão. O Lúci comentou que vocês já têm estudado essa carta ou abordaram essa carta em algumas reuniões há pouco tempo, né? E encorajo os irmãos a lerem muitas vezes essa carta, né? Se quiserem ouvir o conselho do irmão K. Borgan, para você estar presente aqui, você já teria que ter lido 50, né? Senão, você já estaria desqualificado para estar aqui, porque eu vou falar coisa que você não está nem entendendo, né? Então, no mínimo, as 50 vezes era importante que os irmãos tivessem lido.

E então, quando ele vai abordar essa visão celestial, ele vai dizer que se ela é genuína, se ela foi clara para nós, se o Espírito Santo abriu os nossos olhos, e por isso, então, como eu estava dizendo, ele ora a primeira vez em Efésios 1: "que Deus nos conceda o espírito de sabedoria e de revelação". Então, é uma oração por visão. Agora, ele faz uma outra oração no capítulo 3. Depois vamos estudá-la com calma. Agora, não é uma oração por visão. Agora é uma oração para que Cristo habite ricamente nos seus corações. "Habite Cristo nos vossos corações pela fé, estando vós arraigados e alicerçados em amor." É uma oração para que eles avançassem no que significa uma vida corporativa, habitados pelo Espírito Santo, e avançando para o eterno propósito de Deus em Cristo. É a oração do capítulo 3. Então, são duas orações preciosas. Iniciando no capítulo 4, a segunda metade. Só para termos bem esse panorama aí e não perdermos a beleza do bosque por causa de uma árvore. Isso é sempre importante, né? Por isso nós não estamos entrando nessa primeira reunião diretamente nessa epístola, senão nós vamos lá a uma linda árvore e perdemos a beleza do bosque todo. Primeiro, uma visão panorâmica para então podermos entender o lugar de cada peça, né? Sempre assim.

Então, seguindo nessa segunda parte, capítulos 4, 5 e 6, ele vai falar o que é nossa vocação. Mas, meus irmãos, é tão lindo que ele vai mostrar que toca as coisas mais íntimas nossas. Então, podemos dizer assim: nós saímos de um voo a alturas que nós quase perdemos o fôlego, né? Paulo está subindo o Everest. E ai de nós, né, que mal conseguimos subir o morrinho, então ficamos sem fôlego acompanhando Paulo, né? Isso ele faz nos três primeiros capítulos, nos deixa sem fôlego. Mas quando chega no 4, ele está descendo no outro lado do Everest. Ele está dizendo assim: "Ó, vocês viram? Lembra que vocês viram lá? Então, agora as implicações são essas aqui: maridos, amem vossas mulheres como Cristo amou a igreja e a si mesmo se entregou por ela. Pais, criem os vossos filhos na disciplina e na admoestação do Senhor. Servos, obedeçam os seus senhores, e etc. Não é? Uns com os outros, andem em amor, como Cristo vos amou e se entregou a si mesmo a Deus em aroma suave. Mas a impudicícia, dissolução, longe de vós. Não entristeçais o Espírito Santo, com o qual fostes selados para o dia da redenção." Tão prático! "Aquele que furtava, não furte mais, antes trabalhe com as suas mãos, deixando a mentira, fale cada um a verdade com o seu próximo." Não é lindo, meus irmãos? Ele podia ficar lá em cima, né? Mas não, ele mostra que a verdadeira visão celestial, ela tem implicações em todos os níveis de nossa vida.

Por isso, irmãos, que nós somos capazes de sabermos o que o Senhor está fazendo nas vidas uns dos outros, não é? Porque nós somos delegados inspetores da vida uns dos outros? Não é. Porque se temos tido olhos iluminados, os olhos iluminados têm frutos: fruto de amor, de vínculos, de serviço, de compaixão, de verdade, de firmeza, de compromisso com o Senhor, uns com os outros. Se nós não vemos isso na vida de irmãos, nós os amamos, né? Né? Mas nós temos restrições no que concerne a servir junto com eles. Inconstância, ânimo dobre, não é? Falta de clareza, falta de coerência no viver, no testemunho, no relacionamento conjugal, no relacionamento com filhos. Então, é muito importante. E está aí tudo aí dentro dessa epístola aos Efésios.

Ainda mais uma, talvez seja a última que eu queria dar para os irmãos para avançarmos um pouquinho mais ainda nessa noite. Olhe duas expressões que são bastante importantes nessa carta e que também vão fazer a divisão, eh, da carta em duas fases, como mencionamos aqui na primeira abordagem que eu fiz. Nós usamos visão, três primeiros capítulos, e vocação, três últimos capítulos. Agora, a mesma coisa, dividida de outra forma, abordada de outra forma, com palavras da própria epístola. Olha lá, capítulo 1, verso 14, por favor. Veja aí. Paulo está falando sobre esse selo do Espírito Santo e diz assim: "o qual, o Espírito Santo, então, é o penhor da nossa herança." Queria colocar um destaque nessa expressão aqui: "nossa herança". Bom, então está claro que nós, os filhos de Deus, os chamados pelo Senhor, nós temos uma herança. Vamos deixar até aqui por enquanto: "nossa herança".

Agora, olha o verso 18. Que que nós temos lá nessa primeira oração de Paulo pelos Efésios? Uma das coisas que ele pede: "iluminados os olhos do vosso coração para saberdes qual é a esperança do seu chamamento." Preciso parar aqui um pouquinho para ficar muito, muito claro, por causa do problema de lermos apressadamente e lermos aqui na nossa tradução em português. Bom, se Paulo estivesse dizendo "iluminados os olhos do vosso coração", vosso, e se ele quisesse dizer que esse chamamento é um chamamento que partiu de nós, então ele teria que dizer: "iluminados os olhos do vosso coração para saberdes qual é a esperança do vosso chamamento". Não teria que ser? Os irmãos estão me entendendo ou não? Então, quem é o sujeito por trás dessa palavra "seu" que está aí? Somos nós? É quem? É Deus. Porque é Deus o Pai que é mencionado no verso 17. Olha lá: "o Deus e Pai do nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai da glória". Então, ele é o sujeito, tá bom? Não perca isso aí. "Ele vos conceda", olha aí, "quem conceda? O Deus e Pai do nosso Senhor". Deus Pai, ele vos conceda o espírito de sabedoria e de revelação no pleno conhecimento dele, iluminados os olhos do vosso coração para saber qual é a esperança do seu chamamento." Não, não do nosso. Quem é que está nos chamando? Quem é que fez o chamamento? Deus o Pai.

Agora, vamos estudar isso com mais detalhes quando examinarmos a oração. O ponto que eu quero chegar agora é: "E qual é a riqueza da glória da vossa herança?" Sua herança. Então, herança de quem? De Deus. Não está claro, irmãos? A sua herança. Mais claro vai ficar o restante do versículo: "nos Santos". Então, não pode ser herança dos Santos, como é que seria herança dos Santos nos Santos? É herança de Deus nos Santos, está evidente, não é verdade? Então, agora vamos pegar as duas frases de novo e vamos dividir a epístola. A epístola Efésios aos Efésios se divide assim: "vossa herança" e "nossa herança". Ah, perdão, "nossa herança" e "sua herança". Vamos colocar de outra forma ainda. Nós temos uma herança em Deus, que tem um nome: a nossa herança é o nosso Senhor Jesus Cristo. Ele é a nossa herança. Então, essa é a nossa herança, certo? Que é mencionada, eh, nesse verso, né? Que lemos o 14 e o 18. "Nossa herança" no verso 14, "penhor da nossa herança". E a nossa herança é simplesmente uma pessoa, a pessoa do nosso Senhor Jesus.

Agora, Deus também tem uma herança. Se nós temos uma herança em Deus, que é seu próprio Filho, Deus tem uma herança por meio do seu Filho em nós. Então, temos uma dupla herança. Talvez a figura vai nos ajudar mais que mil palavras. Então, a figura é a seguinte: quando o povo de Deus sai do Egito, entra no deserto e vai para Canaã, como que Canaã é chamado no Velho Testamento? A herança deles. A terra. O Senhor falou: "A terra da vossa herança", certo? Então, Canaã, o povo podia, saindo do Egito, entrando no deserto, mirando, eles podiam dizer: "É a nossa herança". Concordam? E a nossa herança, Canaã, é uma figura do quê mesmo? Da plenitude de Cristo, ou do que Paulo chama em Efésios das riquezas insondáveis de Cristo, porque era uma terra que manda leite e mel. Até aí está claro.

Então, agora, olha aqui. Saindo do Egito, entrando pro deserto, mirando a nossa herança. Ponto de vista horizontal. Agora, olha o ponto de vista vertical. Deus chamou o povo do Egito. Foi ele que interveio. É o seu chamamento, como está escrito aqui. É o seu chamamento. Ele chamou, desceu com asas de águia, Êxodo 19: "Vós cheguei a mim para serdes o meu povo particular, porque toda a terra é minha", não é isso? Então, agora, à medida que esse povo passa pelo, eh, recebe o sangue na porta, tudo provisão de Deus, sangue na porta, carne do cordeiro, cajado na mão, sandália no pé, lombo cingido, caminha, passa o Mar Vermelho, que tipifica o batismo, entra no deserto, estão mirando a nossa herança. Mas à medida que eles vão caminhando, o que é que está acontecendo agora? Do ponto de vista de Deus, Deus está obtendo neles a sua herança. Tá entendendo, irmão?

Então, a primeira geração fica prostrada no deserto, porque ela é uma figura da carne. A carne e sangue não podem herdar o reino de Deus. Então, aquela geração incrédula fica prostrada no deserto, pela sua própria rebeldia, óbvio. Eles foram responsáveis, mas eles também são uma figura. E a segunda geração entra na terra. Quando eles entram, então, o que aconteceu? Duas coisas ao mesmo tempo. Eles obtiveram a herança deles: nossa herança. Eles podiam dizer: Josué falou assim: "Todo lugar que pisar a planta do vosso pé será vosso", porque era a herança deles. Então, quando eles chegaram lá, eles podiam dizer: "Estamos na posse da nossa herança". E Deus podia dizer assim: "Eu estou na posse da minha herança, que são vocês".

Vamos trazer para a linguagem do Novo Testamento. Quando nós olhamos para Cristo, é o que estamos fazendo. Ele é o nosso foco. E nós prosseguimos: "Eu prossigo para o alvo, para o prêmio da soberana vocação". Olha ela aí, vocação de Deus em Cristo Jesus. Quanto mais possuímos Cristo, quanto mais de Cristo é formado em nós, nós podemos dizer: "Nós estamos obtendo a nossa herança", até aquele dia em que isso vai se consumar, quando nós estaremos diante dele. A nossa herança, Cristo, com os nossos corpos feitos semelhantes ao corpo da sua glória, como Paulo disse aos Filipenses, não é? Nossa herança. E Deus, quando nós chegamos nesse ponto, Deus poderá olhar para a sua igreja, na pessoa do nosso Senhor, né? Nosso Senhor poderá olhar para ela e dizer: "Ela é osso dos meus ossos e carne da minha carne". Então, ele obteve na igreja a sua herança.

Então, Paulo diz assim: "Eu quero que vocês saibam", tá aí na oração, verso 18: "Qual é a riqueza da glória da sua herança nos Santos?" Não é maravilhoso, irmão? Você tem pensado sobre você assim? Riqueza da glória da herança dele, que somos nós, os seus santos. Por quê? Porque nós merecíamos? Porque nós éramos a última Coca-Cola do deserto? Né? Não. Por causa do seu chamamento, que também está aí na oração de Paulo, né? "Qual é a esperança do seu chamamento?" Quando formos estudar, nós vamos exatamente que que Paulo quis dizer, qual é a esperança desse chamamento. Mas então, tá aí. Vamos dizer que a primeira parte da epístola, ela vai focar a sua herança e, ou perdão, a nossa herança. Os três primeiros capítulos. Bendito Deus e Pai do nosso Senhor Jesus Cristo, que nos olha, onde está a ênfase? "Nos tem abençoado com toda sorte de bênção espiritual", Efésios 1:3, "nas regiões celestiais em Cristo Jesus". Assim como nos olha aí, a ênfase: "nos escolheu nele para sermos santos e irrepreensíveis e em amor nos predestinou para ele para adoção de filhos". Então, tudo na primeira parte, capítulo 1, 2, 3, é a nossa herança.

Mas nos capítulos 4, 5 e 6, é a sua herança. Como que o Senhor obterá a sua herança desde já nos seus santos? Como está respondido a partir do capítulo 4, versículo 1: "Rogo-vos, pois, como prisioneiro eu, prisioneiro de Cristo Jesus, que andeis de modo digno da vocação a que fostes chamados, com toda humildade, mansidão, longanimidade, suportando-vos uns aos outros em amor, preservando a unidade do Espírito no vínculo da paz." Então, na medida em que isso é real na vida dos santos, porque Cristo está sendo formado neles, então Deus está obtendo a sua herança. Então, não vamos separar essas duas coisas, irmão. Elas têm que andar assim. Nós estamos prosseguindo em direção à nossa herança, e quanto mais prosseguimos, mais Deus está obtendo a sua herança nos Santos. E para pôr isso tudo, esse gráfico, numa frase, qual que é a chave disso tudo? Nossa herança e sua herança: Cristo formado em nós. "Meus filhinhos, por quem sofro de novo as dores de parto, até que Cristo seja formado em vós." Cristo sendo formado em nós é a nossa herança. Mais de Cristo, nós estamos obtendo ele, é a nossa herança. Ou será que nós temos alguma outra coisa que seja a nossa herança? Não é. E na medida em que Cristo está sendo formado em nós, Deus está obtendo a sua herança nos Santos. Porque o que que Deus procura nos Santos? Nossas boas obras? Ele procura Cristo nos Santos.

Quando nós falávamos sobre testemunho, que citei aqui lá com aquele grupo de irmãos, os sete candeeiros, o candeeiro era um objeto maravilhoso. Mas se você toma um candeeiro, mesmo que de ouro, talhado a golpes de martelo e cinzel, como era o candeeiro do Velho Testamento do Êxodo, e você coloca numa prateleira para que ele serve? Um objeto de ornamento, né? Mas ele não foi feito para isso. Não foi talhado para isso. Ele foi feito para ser um receptáculo da luz. Um candeeiro sem luz é só um ornamento. Um candeeiro com luz é um candeeiro com propósito. Ele foi feito para isso, não é? Então, vamos perguntar para nós: que tipo de candeeiro temos sido? Porque o que o Senhor busca nos seus candeeiros é a história dos três capítulos de Apocalipse. Você conhece muito bem. Ele não busca os candeeiros, ele busca a luz, não é? Porque é isso que o sacerdote fazia no seu lugar. Ele não ficava polindo o candeeiro, ele ficava "espevitando" o pavio fumegante, né? Ou para que ele não "fege", para que a luz se mantivesse sempre brilhante. Então, o que é que Cristo busca nas suas igrejas? A ele mesmo. Ele não busca outra coisa. Ele busca a si mesmo. Por isso que Paulo diz: "Eu sofro por vós, para que Cristo seja formado em vós."

Então, essas são as duas ênfases para abordar, então, essa epístola de outra forma. Agora, mais um passo, zinho, nós vamos dar ainda panorâmico, muito importante. Todos esses passos são indispensáveis para podermos seguir, eh, entrando na carta com mais cuidado. Amanhã, os irmãos viram que no início do, do tempo aqui, nós lemos dois pares de versos aí, dois textos. Qual foi o primeiro? Efésios 1:9 e 10. Vamos lá, ele de novo. Depois que Paulo começa a descrever essa riqueza de bênção espiritual que nós temos em Cristo, ele vai fazer nesses versos 9 e 10 um pequeno parêntese. Por isso falamos para os irmãos lerem essa carta muitas vezes, né? Porque se você ler, então, com cuidado, essa primeira parte desse capítulo 1, você vai ver que os, os versos 9 e 10 funcionam como um pequeno parêntese, porque ele vem falando desde o verso 3 das inúmeras bênçãos que nós temos em Cristo. Então, no verso 3, será assunto para mais tarde. Ele fala sobre a eleição: "nos escolheu". Olhe lá, no verso 3, parte final: "nos escolheu nele antes da fundação do mundo". No verso 4, eh, C, ele vai dizer que "nos predestinou em amor", final do 4, início do 5: "em amor nos predestinou para ele para adoção de filhos", que é um tema muito importante aqui, que vamos estudar depois. Ele vai falar sobre a redenção no versículo 7: "nele temos redenção e pelo seu sangue, em remissão dos pecados".

E quando chegamos no 9, ele vai abrir um parêntese, zinho, que ele já fecha no 10. Por isso que no 11, me acompanhe, por favor, ele vai dizer: "nele, digo, no qual também fomos feitos herança". Aí, digamos que ele volta ao argumento principal. Então, depois de ele falar de eleição, predestinação, redenção, ele faz esse parêntese, zinho no 9 para falar de revelação. Quando ele usa esse termo "desvendando", não apenas ele nos escolheu, não apenas os predestinou em amor, não apenas os redimiu, mas em fazendo isso, também a ele desvendar-nos qual era o mistério da sua vontade. Em outras palavras, para ficar claro: por que que ele nos elegeu? Por que que ele nos predestinou em amor? Por que que ele nos redimiu? São as três verdades principais que são colocadas até aqui. E precisamos responder: por ele nos escolheu com qual propósito? Ele nos predestinou com qual propósito? Ele nos redimiu com qual propósito? Por que ele fez isso?

Então, aqui no verso 9, ele vai dizer: "desvendando". É o que ele chama de mistério. Paulo é quem mais usa essa palavra, principalmente em Efésios e em Colossenses. Também usa em Coríntios, também usa em Romanos. "Mistério da sua vontade". Esse mistério da sua vontade, já vamos consultá-lo melhor, desde já. Ele é, de acordo, segundo, conforme o seu beneplácito. Vamos entender um pouquinho também a palavra "beneplácito", meus irmãos. É aquilo que é o mais prazeroso ao coração de Deus. Agora, irmãos, nós não estamos falando de uma pessoa qualquer. Nós estamos falando do Deus eterno, do Deus sublime, do Deus incriado. Ele concebeu algo no coração dele que, quando, digamos, para usar uma figura, eh, metamórfica, né? Quando ele olha esse propósito dele, ali ele se delicia. Ali ele tem o seu maior prazer. É tudo que dá prazer a ele. É o beneplácito da sua vontade. Esse seu beneplácito, continuando aí, vai olhando comigo: "ele propôs em Cristo". A ideia é estabeleceu, não é? Propôs o sentido assim, eh, é uma opção. Vamos ver se dá certo? É um propósito, como nós usamos a palavra propósito tantas vezes, né? Eu tenho o propósito de trocar de carro, ver se eu consigo trocar até o mês que vem. E se deu, deu. E se não deu, eu espero, né? Não. Esse "propôs" é ele estabeleceu. Essa sua vontade em Cristo Jesus. E nada irá mudar essa sua vontade. Primeiro. E segundo, nada poderá fazer com que essa vontade não se realize. Por isso que quando Jó, quando o processo de adoção ou de filiação no redentor transformador de Deus está se concluindo na vida de Jó, no começo ele não entendia nada, né? Senhor virou de ponta cabeça e ele não entendia nada do que estava acontecendo. Como é que ele poderia sofrer desse jeito? Mas ao final, ele diz: "Eu me abomino, eu me arrependo no pó e na cinza, porque eu te conhecia só de ouvir falar, mas agora os meus olhos, olha a revelação aí, meus olhos te veem. E eu sei que nenhum dos teus planos pode ser frustrado." Então, ele propôs, ele estabeleceu esse propósito em Cristo Jesus. E é isso que

O, delícia! Por isso essa palavra, "beneplácito". E nós precisamos capturá-la aí, porque nós estamos falando uma coisa qualquer? Não, meus irmãos, nós estamos falando que o Deus único vivo concebeu no coração dele, que enche o coração dele de delícias, que Ele propôs no seu Filho, e que então não há nada e ninguém que o impeça de realizar esse propósito. Aliás, é com isso no coração que o nosso Senhor Jesus disse aquela frase, um dos sete brados na cruz do Calvário: "Tetelestai!"

E antes disso, ele orou em João 17, não é? Não pouco antes, no Getsêmani, dizendo assim: "Eu te glorifiquei na terra". Com quem que ele tá falando? Com seu Pai. O Messias, "Eu te glorifiquei na terra, consumando, consumando é a mesma palavra, "telest", que ele usou lá, mesma raiz. "Eu te glorifiquei na terra, consumando a obra que me confiaste para fazer."

Nós estamos lendo tudo isso. Estamos lendo tudo isso nesse versículo aqui: "desvendando o mistério da sua vontade, segundo o seu beneplácito que ele propusera em Cristo, e que Cristo realizou e disse: 'Está tudo consumado'". Sabe o que ele faz agora? Ele está no trono, assentado, aguardando até que todos os seus inimigos sejam postos por estrado dos seus pés. Meus irmãos, agora, que propósito é esse? Está no 10, não está? Olha lá. "De fazer convergir". Ó, que verso precioso, irmão! Realmente, na primeira parte, que são os três capítulos ligados à visão, esse aqui, para mim, é o verso chave. Esse aí, 110, é o verso chave da primeira parte, porque ele tá abrindo o mistério da sua vontade. Acabou! Não tem mais nada de misterioso, não tem nada atrás da cortina. A cortina foi rasgada.

E agora, o que que nós vemos é o seguinte: o Espírito Santo dizendo para nós, o que trouxe, trouxe a delícia eterna ao coração de Deus, o Pai, é tornar a congregar. É o termo que está aí na sua versão Revista Atualizada como "convergir". A ideia exata é "tornar a congregar". Ela é usada só mais uma vez no Novo Testamento, essa palavrinha. Você se lembra onde? Vamos consultar para você ver como ela é importante. Romanos 13:9. Ela aparece a única outra vez. Uma palavra difícil de falar no grego, viu? "Anakefalaiōsai". É 13:9. Paulo usou essa mesma palavra uma única vez, eh, nos seus escritos, e ela é a única vez que aparece em qualquer outro lugar do Novo Testamento. Não há uma outra menção dela em nenhum lugar do Novo Testamento, a não ser aqui em Romanos 13:9. E olha como ela é traduzida aqui. Romanos 3:9. Paulo vai dizer: "Pois isto não notarás: não matarás, não furtarás, não cobiçarás; e se há qualquer outro mandamento, tudo, tudo nesta palavra se resume". Aí está a palavra que foi usada lá em Efésios 1:10. Aqui foi traduzida pelo nosso tradutor, João Ferreira de Almeida, por "resume", porque um dos sentidos da palavra "anakefalaiōsai" é resumir.

Agora, nós vamos ser mais ajudados ainda se pensarmos no sentido dela no original. Esse "ana", por junto. Que "falai", nós temos no português a palavra "encéfalo", certo? Esse "falai" no grego é "cabeça". De onde temos a expressão "encéfalo-quefal". Então, "ana", "ana" por junto, "kefal", "cabeça". E esse "yomi", porque é um verbo. Então, significa as coisas que estão desconexas, as coisas que estão dispersas, estão separadas. Quando que elas foram separadas? No universo de Deus, Deus não criou nada desconexo. Deus não criou nada sem sentido. Deus não criou nada, eh, eh, eh, separado. Ele criou o quê? Que Colossenses diz que "nele tudo subsiste". Não é? Quando o pecado entrou, então essa quebra aconteceu. Desconexão. Primeiro, o homem se desconectou de si mesmo. A questão espírito, alma e corpo foi quebrada, foi afetada. O homem não era mais regido pelo seu espírito, ele era governado por uma alma, eh, perdida no no tempo e no espaço, não é? Deixou de ser um representante do governo de Deus. Foi colocado de ponta cabeça. Isso, cada indivíduo. Imagine os arredores, não é? Um irmão mata o outro. Mais alguns capítulos à frente, em Gênesis, Noé e a geração julgada pelo dilúvio. Mais alguns capítulos, Torre de Babel, línguas confundidas, não é? É o que nós temos por causa da entrada do pecado.

Agora, o que que nós estamos vendo aqui? O mistério da sua vontade. Tornar a congregar, tornar a reunir. Se segundo Romanos 13:9, resumir. Segundo o termo no grego, que é o que mais importa, então, para nós, colocar as coisas desconexas juntas de novo. Só aqui já seria muito bonito, mas ainda não é só isso. É reuni-las todas as que estavam separadas e desconexas e colocá-las debaixo de um único "kefal", uma única cabeça. Meus irmãos, é isso que Deus está fazendo efetivamente, falando desde que o nosso Senhor Jesus ressuscitou e se assentou no trono. Na verdade, ele deu nuances desse propósito aí desde o Velho Testamento, trabalhando em direção a ele. Mas quando Cristo morreu e ressuscitou, ponto final nesse sentido. Por isso que lá em Colossenses, Paulo vai dizer assim: "Pelo sangue da sua cruz". Olha essa expressão. "Pelo sangue da sua cruz", ele vai re... ele reconciliou para que reconciliasse, pelo sangue da sua cruz, reconciliasse consigo mesmo todas as coisas, tantas da terra como as do céu. Ou seja, o valor do sangue de Cristo, da morte de Cristo, que costumamos aplicar tão facilmente para nós, né? E também, graças a Deus por isso. Ah, se não fosse assim, não é? Morreu para purificar os meus pecados e os teus também. Morreu para mim e para a tua redenção. Só que, irmãos, olha, isso é desse tamanho o seu propósito eterno. Ele morreu, derramou seu sangue para reconciliar consigo mesmo todas as coisas dos céus e da terra. Então, isso, esse é o mistério da sua vontade, segundo o beneplácito que ele cumpriu, propôs, estabeleceu em Cristo, convergir nele, na dispensação da plenitude dos tempos, todas as coisas, tanto as do céu como as da terra.

Hoje, vamos ficar só com isso, porque amanhã nós vamos voltar e estudar todos esses versos de 3 a 14. Agora, não terminamos, não, viu? Já estão olhando o relógio aí, mas não acabou não. Nós vamos para outro texto que nós lemos no início, Efésios 3, de 8 a 11. E aí nós encerramos por hoje. Olha que lindo! Ele coloca aqui a mesma coisa com outras palavras. "A mim, Efésios 3:8, o menor de todos os santos". Ele tinha esse entendimento sobre ele, porque ele perseguiu a igreja. Na carta mais tarde a Timóteo, ele vai ainda ser mais drástico com relação à maneira como ele se via, né? Ele vai dizer que ele era o maior, o príncipe, é a palavra lá, dos pecadores, de todos os pecadores. Ele vai dizer: "Não tem nenhum maior que eu. Eu sou o príncipe". Vai dizer: "Ah, Paulo, é falsa modéstia". Nós somos iguais. Eu também sou pecador igual a você. Aí ele diria para nós assim: "Mas você não matou cristãos, você não perseguiu a igreja de Deus, e eu sim. Por isso, ele diz: 'Eu sou o principal dos pecadores'".

"Mas ele colocou suas mãos em mim para que eu fosse um modelo para todos que hão de crer nele". Maravilhoso, não é? Em outras palavras, ainda ele tá dizendo assim: se ele fez isso com o príncipe dos pecadores, ele pode fazer com qualquer outro. E ele tem feito, não é? Então, vamos lá. "A mim, o menor de todos os santos, me foi dada esta graça de pregar, presta atenção, pregar aos gentios o evangelho". Pregar o evangelho? Que tipo de evangelho? "Das insondáveis riquezas de Cristo". Meus irmãos, a coisa que nós mais necessitamos hoje, não é em direção ao mundo, não é dentro da igreja de Deus, é pregar o evangelho das insondáveis riquezas de Cristo. O que nós e nossos irmãos mais carecem é entender as belezas, profundidades, das riquezas do nosso inesgotável Cristo. Por isso, meus irmãos, nos debruçar sobre a palavra de Deus. Foi aí que começamos, né? Aquele tempinho não gravado, debruçarmos sobre a palavra de Deus, debruçarmos sobre os evangelhos. Acho que na vez passada também falei isso para os irmãos, não foi? Debruçarmos sobre os evangelhos. As epístolas são maravilhosas, não é? Olha o que nós estamos vendo aqui nessa epístola aos Efésios. Só, só que pense comigo, a imensa maioria, não tudo, certo? Há notas sobre a humanidade de Cristo, muito importante nas epístolas. Hebreus apresenta, tem notas lindas sobre a humanidade de Cristo. Mas o foco das epístolas não é falar sobre o ministério terreno do Senhor Jesus. É falar sobre o ministério celestial do Senhor Jesus. Então, pergunta aos irmãos, a pessoa do Senhor Jesus, ela é descrita onde? Nos quatro evangelhos. Eu vou fazer outra pergunta. Qual é a pessoa que nós encontraremos face a face? É a pessoa descrita nos evangelhos. Então, ali, nós palmilhando cada passo com ele, cada palavra dele, cada gesto dele, cada toque dele, não é? Porque é esse mesmo. Aliás, Hebreus vai dizer assim: "Jesus Cristo é o mesmo, hoje, ontem e o será para sempre". Então, quando nós palmilhamos os evangelhos com eles, nós conhecemos bem melhor a pessoa que veremos face a face.

Então, esse é o evangelho das insondáveis riquezas de Cristo. Agora, no verso 9, eu gostaria de fazer uma conexão dele com o 8, que é a seguinte: quando o evangelho das insondáveis riquezas de Cristo é pregado, que é o que tá escrito no verso 8. Vou repetir. Quando esse evangelho das insondáveis riquezas de Cristo é pregado, Paulo diz que recebeu a graça de pregar esse evangelho. O que que acontece? Quando você, quando esse evangelho genuíno, puro, das das insondáveis riquezas de Cristo é pregado, o que acontece? "O mistério oculto desde os séculos em Deus é manifestado". Verso 9. Porque ele diz que quando esse evangelho das riquezas insondáveis de Cristo, quando ele o prega, ele foi chamado para pregar. Então, ele diz no verso 9 que essa pregação manifesta, manifestar qual seja a "economia do mistério". É a palavra aqui, "oikonomia". A economia do mistério, desde os séculos oculto em Deus. Olha que bonita essa frase. Deus em silêncio, quando não havia um átomo criado, só Deus incriado, como ele é o Deus eterno, havia no seu coração, e nessa relação Deus o Pai, Deus o Filho, Deus o Espírito Santo, havia um propósito estabelecido, como nós já explicamos, né? E quando o evangelho fosse pregado, tantos séculos depois, né, com clareza, é claro, ele foi anunciado no Velho Testamento, mas pregado no Novo Testamento, claro. Quando esse evangelho fosse pregado, essas cortinas que estavam aí no coração de Deus, o Pai, seriam completamente abertas. Então, seria dispensado. Eu senti dessa palavra "dispensação" aqui, né? Seria dispensado o mistério desde os séculos ocultos em Deus.

E aqui também tem uma frase bonita que às vezes a gente lê a Bíblia assim, achando que de repente o Espírito Santo colocou palavras aqui para, eh, compor a frase, né? Porque sem elas ia ficar faltando. Mas não existe nada disso na inspiração do Espírito Santo. Cada palavra, cada frase tem o seu lugar e a sua importância. Então, quando ele coloca que esse propósito eterno que estava no coração de Deus, oculto, certo, ele é manifestado pela pregação do evangelho, é o mistério desse Deus que criou todas as coisas. Eu perguntaria para você, por que que tem essa expressão aí? Paulo tá falando nada de criação, né? Ele tá falando do eterno propósito de Deus. Por que que ele põe "do Deus que criou todas as coisas"? Fica claro para você? Ele está dizendo que Deus criou todas as coisas com um único propósito, que nenhuma coisa criada tem qualquer sentido fora desse propósito. Em outras palavras, qualquer coisa criada tem, eh, não terá qualquer tipo de sentido se ela não estiver vinculada a esse propósito. Então, meus irmãos, quando nós usamos o termo "universo", na Bíblia, ele aparece. Universo. O que significa literalmente? Uni, um. Verso, versão. Universo. Deus criou o universo com um único propósito. E o propósito que nós vemos em Efésios 1:10: "fazer convergir no seu Filho todas as coisas, tanto as do céu como as da terra". E se elas se desconectaram por causa do pecado? Deus não é tomado de surpresa. O pecado do, aliás, do pecado do Éder, pecado de Lúcifer, muito antes de Adão, estava sim na presciência de Deus. E quando ele concebeu seu propósito, tudo isso está na sua presciência. Então, a maravilha do evangelho é que ele vai nos deixar claro que nem Lúcifer, o grande arcanjo, sábio, poderoso, não é como Isaías o descreve, aquelas palavras tão impressionantes, aquele que estava no Jardim de Deus, quando ele se rebela contra Deus, e muito tempo depois, quando esse veneno é injetado no coração do casal, chamado pecado, nada disso trouxe nenhuma surpresa para Deus. Não dissuadiu Deus o seu propósito? Rigorosamente falando, não trouxe obstáculos ao propósito eterno de Deus? Nenhum obstáculo? Como um servo criado poderia ser um obstáculo para o Deus eterno, né? Nenhum obstáculo. Ele trouxe um contratempo. Previsto, aliás. No meio desse contratempo, será que podemos usar essa palavra? No propósito daquele que prevê todas as coisas. Deus faz previsão. Deus faz previsão e Deus faz provisão. Nunca esqueça isso. Isso toca nossa vida em todos os sentidos. Ele é o Deus que faz previsão de tudo. Que ele é o Deus onisciente. E em fazendo previsão, ou em tendo previsão, ele faz provisão. Então, a sua provisão já havia sido feita desde os tempos eternos. Por isso que Pedro vai falar que o sangue de Cristo foi conhecido antes dos tempos eternos. Sangue antes dos tempos eternos, não é?

Então, quando aqui no verso 10, ele vai dizer, verso 9, que esse Deus que tinha esse propósito oculto aí, é o Deus que criou todas as coisas. A explicação é essa: é que ele criou para um único propósito, que qualquer coisa criada que não esteja conectada com esse propósito, não tem sentido. Mas rigorosamente falando, todas as coisas estarão conectadas com esse propósito. Mas agora, vou colocar uma nuance aqui que é importante você compreender. Estarão conectadas em níveis diferentes. Porque, irmãos, até onde eu entendo, e aqui não quero especular sobre nada, não vou fazer, e peço que você também não faça, mas a Bíblia não prega aniquilação, nem de almas humanas, nem dos demônios. Aniquilação. Então, quando na revelação plena da glória de Deus em Cristo, na sua segunda vinda, todo o universo e os seres criados inteligentes estarão conectados. Agora, vou pôr entre aspas essa palavra aqui, "com ele", com a glória dele, em níveis diferentes. Por exemplo, os demônios estarão conectados, entre aspas, me ouve? Ouça com cuidado aqui, mas em um nível de juízo. Mas não desconectados. Estão lá porque ele os colocou lá. Porque ele, ele finalmente os julgou. Ele os colocou separados dele, porque ele é Senhor sobre eles. "Todo joelho no céu, na terra e debaixo da terra se dobrará e confessará que Jesus Cristo é o Senhor". Então, você está entendendo? Nem o inferno, nem o lago de fogo estará em desconexão com os propósitos eternos de Deus em Cristo Jesus. E aí, a última conclusão é muito óbvia e é muito linda. Tudo o glorificará. Tudo, inclusive o juízo dos demônios. Porque ele é o Deus vivo, o juiz de vivos e de mortos, o Deus moral. Compreende, irmão? Tudo o glorificará.

Completando, então, por hoje. Vamos lá. Verso 10 e 11. "O evangelho pregado", como falávamos, "o mistério manifestado". Não perca isso. Evangelho pregado, verso 8. O mistério manifestado, verso 9. O universo criado com esse propósito, já explicamos, final do verso 9. E finalmente, nós temos: "para que pela igreja". E aí, de novo, irmãos, que lindo! Porque se olha o tamanho de tudo que nós estamos falando aqui, não é o tamanho desse propósito. Agora, olha o que Paulo está nos ajudando a entender pelo Espírito Santo. Ele está dizendo assim: ele já falou lá no um, né? Vamos pôr as coisas no seu lugar. Lá no capítulo 1, verso 10, ele já falou que o mistério da sua vontade, a vontade de Deus, é fazer reunir, congregar, conectar e colocar debaixo do único cabeça, que é seu Filho, todas as as coisas. Isso ele já falou. Agora, ele vai colocar uma contraparte aqui. Ele vai dizer assim: "Vamos buscar parafrasear". Ele vai dizer assim: "E eu tenho uma notícia para vocês, e que seja muito clara para vocês, que esse beneplácito que delicia o coração de Deus, o Pai, que tem seu Filho como centro, quando ele planejou isso, ele também escolheu vocês nele". "Bendito Deus e Pai do nosso Senhor Jesus Cristo, que nos tem abençoado com toda a sorte de bênção espiritual nas regiões celestiais em Cristo". Ou em união com Cristo. Então, quando o Pai concebe, e não tem tempo para isso, né? Quando é um tempo, é um, é uma palavra temporal. Mas como é que vamos explicar as coisas celestiais que não têm tempo? Então, a gente tem que usar as palavras que temos, né? Então, a gente põe um "quando", mas é um "quando" que não tem tempo, é um "quando" eterno, não é? Então, naquele tempo eterno, em que Deus, o Pai, concebeu esse propósito no seu coração, ele concebeu para o Filho, e ele concebeu para um corpo de redimidos, ou de muitos filhos, que estariam unidos com o seu Filho no centro desse propósito.

Agora, nós vamos colocar nessa ordem. Então, ainda antes de seguir o versículo, quero dizer algo aos irmãos que me parece muito importante. Há muitos anos atrás, é isso, acontece hoje com um determinado grupo cristão aí, muito conhecido no nosso país, com assembleias aí para todo lado, eles renunciam o propósito de Deus de uma maneira limitada. E nós precisamos tomar cuidado para não fazermos a mesma coisa quanto à nossa compreensão. Então, se você perguntar a esses irmãos assim: "Qual é o supremo propósito de Deus?". Eles te responderão assim: "É ter uma família de filhos semelhantes ao seu Filho unigênito, que, nas palavras lá de Romanos 8:29, foi feito o primogênito entre muitos irmãos". Bom, isso tudo tá na Bíblia, tá escrito que o Senhor fará isso. Só que nós não podemos enunciar o propósito supremo de Deus, ou eterno propósito de Deus, assim. Porque nós começamos pelo lugar errado. Nós começamos pela família, pelos filhos. Mesmo dizendo que os filhos vão ser, eh, tornados semelhantes ao Filho primogênito, nós não falamos nada do Filho primogênito. Só falamos que os filhos vão ser tornados semelhantes ao Filho primogênito. E quanto ao Filho primogênito, esse anunciado não disse nada. Então, qual é o eterno propósito de Deus? Como que nós diríamos? Diríamos assim: "O eterno propósito de Deus é congregar em seu Filho todas as coisas, para que o seu Filho tenha a primazia e preeminência em todas as coisas". E aí, nós podemos colocar um "e", uma família de filhos, unidas organicamente a esse seu Filho glorioso, que seja essa família de filhos semelhantes ao seu Filho. Aí nós estamos corretos. Do contrário, nós estaríamos colocando o propósito de Deus para a igreja na frente do propósito de Deus para Cristo, para o Filho. E o primeiro propósito de Deus, o central propósito de Deus, tem a ver com Cristo, e não com a igreja. Tem a ver com o Filho no singular, e não com os filhos. Mas como nós vemos todas as coisas centradas em nós, então nós nos colocamos também como o centro no propósito eterno de Deus. O irmão entendeu a diferença, irmão? Se há o lugar que a igreja vai ocupar, nós estamos nele aqui em Efésios 3:10. Nós estamos nela aqui na igreja. Olha, para que pela igreja, se ela vai ocupar esse lugar de tão alta glória, é porque ela estará unida ao glorioso Filho. Se ela terá um lugar, até mesmo os governos eternos de Deus nos séculos vindouros, e é claro que ela terá. A Bíblia é clara sobre isso. É porque ela está unida, estará unida plenamente ao regente do universo, ao Senhor dos Senhores e ao Rei dos reis. Do contrário, não teria nada por si mesmo. Então, Efésios 1:10 vem primeiro do que Efésios 3:10. Não vamos fazer assim, porque nós colocaríamos a lua na frente do sol e teríamos trevas na terra. Se nós anunciamos o propósito de Deus só com a primeira parte, que é a primeira parte mesmo adequada, esquecemos a segunda, já estaria bem melhor, porque a segunda já tá garantida, né? O importante é nós sabermos que o o propósito eterno de Deus, vou repetir, e Paulo é tão claro na epístola aos Colossenses sobre isso, né? "Para em todas as coisas ter a primazia, porque aprouve a Deus que nele residisse toda a plenitude". Esse eterno propósito de Deus, e o nosso privilégio é estarmos juntos.

Vamos terminar, então, juntos. Verso 10. "Para que pela igreja, a multiforme". A ideia é multicolorida ou multifacetada. Aí é bonito pra gente entender, sem dúvida. Pensar na figura do prisma, ou do até do caleidoscópio. Alguém aqui, quando era criança, já fez caleidoscópio? Dá para você fabricar em casa, é muito bacana. Você olha naquele furinho lá, tem aqueles vidros coloridos atrás, você vai girando, vai formando os mosaicos, né, coloridos, vários mosaicos, na medida que você gira o o caleidoscópio. Então, então essa é a palavra usada aí. Paulo tá dizendo que a igreja, naquele dia, esses muitos filhos semelhantes ao seu Filho, eles serão um caleidoscópio, um mosaico maravilhoso, que irá revelar diversas facetas da multiforme sabedoria de Deus na vida deles. Por isso, meus irmãos, Deus tem em Cristo um corpo de muitos filhos. Cada um de nós é como um pequeno pedaço de vidro colorido, que foi lançado pela graça de Deus num caleidoscópio eterno. E chegará o dia, então, quando, sem luz, nós não veríamos nada, né? Chegará o dia em que a luz penetrará esse caleidoscópio plenamente. E sabe o que vai acontecer com todos os as hostes inteligentes que foram criadas por Deus? Anjos, santos, que hoje estão diante do trono do Senhor, o adorando, e anjos caídos. Sabe o que acontecerá com ambos? Eles ficarão boquiabertos. Porque anjo não sabe o que é redenção. Os que não caíram, não caíram. E os que já caíram, não serão redimidos. Só os homens conhecem redenção. O Verbo de Deus não se fez anjo. O Verbo de Deus se fez carne e habitou entre nós. Ele assumiu natureza humana. E na pessoa dele, a natureza humana dele, ela foi glorificada até o nível da divindade. Nele, a humanidade dele, e ele é a âncora de nossas almas, segura e firme, que penetra o véu precursor. Então, quando esse propósito se completar em nós, todos os seres inteligentes estarão boquiabertos. Pedro, quando escreve a sua epístola, diz que essas coisas que tocam a nossa salvação são coisas que anjos anelam perscrutar. Meus irmãos, para isso nós fomos chamados. Nós não deveríamos mesmo ser tais sermos tais dos que vivem em santo procedimento e piedade, aguardando a bendita esperança e a manifestação do nosso grande Deus e Salvador, Cristo Jesus. Não deveríamos. Que se deu a si mesmo por nós, para purificar para si um povo exclusivamente seu. Meus irmãos, há uma vocação maior para as nossas vidas. Há? Claro que não há. "Pela igreja, a multiforme sabedoria de Deus se torne conhecida". Aqui tem um "agora", porque sim, graças ao Senhor, será pleno naquele dia, mas é para ser manifestada já. É por isso, meus irmãos, é por isso, por esse aspecto central, que o inimigo de Deus detesta a igreja e tem feito tudo nesses 2000 anos para destruí-la. Mas é claro que ele não pode. Ele não pode destruir o Filho e nem o corpo do seu Filho. Mas é o que ele faz. E não é por causa de mim, nem por causa de você. Nós, para ele, seríamos um grãozinho de areia, o qual ele faria assim. Ele não pode nos destruir porque Cristo o venceu. Cristo está em nós. Agora, ele nos odeia não é por causa de nós, mas é por causa de Cristo habitar em nós. Então, "multiforme sabedoria de Deus conhecida agora de principados", olha aí, "e potestades nos lugares celestiais". E aí ele completa e terminamos aqui: "segundo o eterno propósito". Essa frase é linda, porque ela só aparece aqui, inclusive. O eterno propósito, evangelho pregado, mistério manifestado, todas as coisas criadas, já falamos, final do verso 9. A igreja participando disso. Quatro coisas. Tudo isso aqui por causa do seu eterno propósito, que ele estabeleceu. Graças a Deus, de novo, por essa palavrinha aí. Significa "pois", ali, e ponto final. "Será feito, será cumprido". Ele estabeleceu em Cristo Jesus, o nosso Senhor. Então, eh, essas são as visões, chamemos assim, panorâmicas, que precisamos ter dessa carta, antes de entrar em cada uma das árvores desse bosque. Senhor, então, a partir de amanhã, nos ajude nisso, por favor. Leia em especial o capítulo 1 várias vezes, ainda hoje, manhã cedo, para os que dormem tarde, para os que acordam cedo. Leia esse capítulo para podermos entrar nele com profundidade amanhã. Quanto menos precisarmos explicar detalhes básicos, mais nós vamos ter tempo a detalhes mais profundos. Então, por favor, leia a carta bastante, para podermos gastar mais tempo com aquilo que o Senhor quiser nos dar nesses dias. Amém. Amém.

Vamos orar. Senhor, muito obrigado porque o Senhor deixou em nossas mãos essa pérola sublime, essa epístola aos Efésios. Te agradecemos, Senhor, por esse nosso irmão Paulo. Obrigado, Senhor, porque o Senhor separou esse vaso de modo tão especial e até mesmo espetacular para nos mostrar as tuas riquezas insondáveis. Queremos, Senhor, te pedir que o Senhor, pela mão, pequenos como somos, nos ajude a subir esse monte, Senhor, e sermos tomados pela beleza, a glória, a singularidade da visão celestial. E que isso tenha as implicações em todos os níveis de nossas vidas: no pensar, no falar, nas escolhas, na conduta, nos sentimentos, na devoção, na rendição, nos relacionamentos. Te pedimos, Senhor, faz-nos cartas vivas da tua pessoa. Pedimos ao Senhor também que pronuncie o teu alerta para os nossos corações quanto a esses dias que nós vivemos. Sem dúvida, Senhor, por tua graça, o teu Espírito já tem testificado com o nosso espírito que o Senhor tem colocado as tuas mãos no ferrolho da porta e teus dedos destilam mirra preciosa, e já podemos senti-la, Senhor, porque o Senhor está às portas. Queremos realmente ser tais que vivem em santo procedimento e piedade, esperando e apressando o dia de Deus. Ó Senhor, aplica tua palavra. Te pedimos aqui aos nossos corações. Ajuda-nos a guardar as sementes que o Senhor quis nos dar nessa noite, para que o que realmente seja teu, não se perca, Senhor, mas seja por nós entranhado. Assim nós oramos, contando com a assistência e a habilitação do teu Santo Espírito para prosseguirmos no dia de amanhã. Assim confiado, Senhor, nós no teu precioso nome. Amém. Amém.