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FIM DOS CICLOS DO BITCOIN? | Altcoins, computação quântica, riscos e oportunidades em 2025

Bruno Perini - Você MAIS Rico40:21

Transcription

Enquanto Bitcoin tenta romper aquela região dos 110.000, a gente acompanha no mercado que ele tem reagido menos a eventos geopolíticos recentes, como por exemplo, a contenda entre Israel e Irã, o envolvimento dos Estados Unidos. E já estamos chegando numa época, comparando aos ciclos anteriores, que seria de final de ciclo. Então, será que o Bitcoin vai subir mais? Será que teremos alt season, como algumas pessoas esperam, ou não? Dessa vez ela foi cancelada. E o que que tá fora do radar que pode movimentar esse mercado trazendo grande apreciação de preços ou, pelo contrário, uma grande queda no valor das criptomoedas?

Para falar desse assunto, eu tô aqui novamente com o Felipe Santana da Paradigma Education. Felipe, bem-vindo novamente ao canal.

É sempre um prazer recebê-lo, cara. Inclusive, a gente tem um recado para a audiência quanto à Masterclass do dia 21, não é isso mesmo, dia 21 de julho, segunda-feira, 7 da noite. Aqui nesse canal, eu vou dar uma masterclass importante para vocês que estão interessados em aprender a usar criptos para proteger e multiplicar o patrimônio de vocês. 7 horas da noite, provavelmente vai aparecer um QR code na tela ou o link vai estar aqui na descrição. Inscrevam-se, porque lá eu vou revelar não só formas seguras de comprar e guardar Bitcoin, mas também alguns superpoderes que criptomoedas podem dar para vocês, como, por exemplo, o de voar mais alto que qualquer rentabilidade da renda fixa com empréstimos que você pode fazer com essas criptos, diferentes de blindar o seu patrimônio de todos os vilões que estão por aí interessados em meter a mão no seu bolso. Inscreva-se, participe, você não vai se arrepender.

Aproveitando teu comentário sobre rentabilidade, eu tô abrindo o My Profit aqui para te mostrar a rentabilidade da minha carteira, medida desde 2019, que foi quando eu comecei a usar o aplicativo. E aí, sem o aplicativo, é mais difícil de medir, né? Porque tem questão de cotização, etc. Eu não conheço ninguém no mercado que tem uma rentabilidade maior do que a minha, cara. Desde 2019. Eu vou botar o print aqui na tela.

Boa, parabéns.

Isso não é porque eu escolhi as melhores ações, diga-se de passagem, né? Isso aqui é porque eu tinha muito Bitcoin. Eu acho que o único cara que ganha de mim é o Renato 3 oitão, que só tinha Bitcoin. Tirando ele, acho que não tem mais ninguém. Mas bom, entrando aqui no assunto do vídeo, a gente pegou várias dúvidas que apareceram em comentários de vídeos anteriores e também lá no Instagram. E a principal delas é quanto ao momento atual do Bitcoin. A gente tá vendo que ele tá meio que lateralizando já tem um tempo. Ele chegou a uma máxima em torno de $12.000, aí depois ele caiu. Digamos de passagem, caiu até pouco, né, pensando no evento geopolítico que a gente tinha, com muitas pessoas com medo ali de ser o começo de um conflito que envolveria mais países. E ele tá meio parado agora, lateralizando, se consolidando nessa região ali em torno dos 105 até 110 e fica caindo, voltando.

Que que você acha, cara, que a gente já tá realmente depois de uma nova máxima e agora a lateralização e talvez para baixo, tendo em vista que pode ser que o ciclo esteja acabando se a gente pega os ciclos inteiros do Bitcoin, ou não, é só uma pausa saudável e daqui a pouco a gente pode ver um rompimento e buscar novas máximas?

Eu acredito nessa segunda alternativa. Eu acho que esse comportamento que o Bitcoin tá tendo é extremamente saudável, ainda que ele deixe os ansiosos um pouquinho entediados. Os topos do Bitcoin costumam ser aqueles topos que os americanos chamam de blow-off tops, topos ultra eufóricos com altas estratosféricas que retraem quase que imediatamente. Quando o Bitcoin fica muito tempo num patamar de preço, é muito difícil que isso seja um topo. É mais um comportamento de transformar uma antiga resistência num suporte, usando linguagem arte gráfica. Então, para mim, o comportamento do Bitcoin nesse momento é extremamente saudável. A gente sempre falou, inclusive tem ocasiões aqui nesse canal em que a gente comentou isso, que o Bitcoin durante as suas pernadas de alta tem retrações de 30 até 40%. Por mais que o Bitcoin não tenha caído muito quando eclodiu o conflito entre Israel e Irã, o Bitcoin caiu uns 30% quando houve o anúncio do tarifaço do Trump. Foi lá para 70 e poucos mil, né? Foi lá para 70 e poucos mil. Então foi uma queda típica de um meio de uma fase de alta, não foi grande o suficiente para a gente determinar que se iniciou um novo bear market, um novo mercado de baixa. Pelo contrário, né, a queda foi retraída e o Bitcoin tá agora de novo flertando com esse nível da máxima histórica ali em 110, 11, 12.000. Para mim, comportamento saudável. Sigo acreditando, como meu caso base, na possibilidade de que o Bitcoin venha fazer um topo cíclico mais perto do final do ano. E acho também que o melhor do ciclo ainda tá por vir, que ele costuma se concentrar nos meses finais.

Então, você acha que antes de chegar no final do ciclo vai ter uma subida mais explosiva, digamos assim?

É o que eu acho. Até hoje todos os topos que eu vi no Bitcoin foram extremamente explosivos, agressivos, acelerados, deixaram inclusive pouco tempo para as pessoas que não se planejaram para ele pensarem. Na verdade, isso é um comportamento de ativo de risco, né? Se você tira os melhores 10 dias de um ano de um certo ativo, geralmente ele quase não sobe. Tira os 10 piores também, ele quase não cai. Então ele fica durante muito tempo de lado até fazer algum movimento explosivo para cima ou para baixo.

E aí, se você acha que ainda estamos nesse ciclo positivo, o que espera das altcoins? Porque há vários memes na internet falando assim: é um idoso, né? Não consegue nem andar, falando: a alt season está vindo, e aí tá o neto levando. Calma, vovô, vamos deitar lá na cama para esperar a alt season. Do tipo, cara, não vai ter essa alt season. Você acha que vai ter? Inclusive, se puder explicar o que é alt season para quem tá chegando de paraquedas aqui no canal.

Primeiro vou fazer um comentário sobre o que você falou dos topos explosivos. A gente fez uma pesquisa curiosa na Paradigma, sabe aquele índice do medo e da ganância? A gente pilotou todas as ocorrências históricas dele e os retornos 7 dias adiante, 30 dias adiante e 6 meses adiante para tentar entender se é mais racional você investir em Bitcoin quando o índice tá alto, o mercado tá super eufórico ou quando tá baixo, quando o mercado tá em pânico. E curiosamente, contraintuitivamente, talvez os retornos para o futuro são mais altos quando o índice tá mais perto de 100, quando o mercado tá mais eufórico.

Caramba.

Então, Bitcoin é um típico ativo no qual comprar topo é uma estratégia boa. Comprar o topo da euforia daquele indicador, que não é o topo de mercado ainda.

Exatamente.

Exato. Ou comprar rompimentos de topos passados, sabe? Porque quando rompe vai muito longe. Então fica aí a curiosidade. Sobre o SIS 38 intuitivo mesmo, né? Normalmente você quer comprar quando tá todo mundo desesperado. E também é uma estratégia boa, mas os retornos se concentram naqueles períodos em que o Bitcoin já vem subindo bastante. Alt season seria uma temporada das altcoins, uma fase durante a qual moedas alternativas, as altcoins, sobreperformam, sobem mais que o Bitcoin de forma consistente. Tem várias maneiras de você medir uma alt season. Talvez a mais popular dela seja através da dominância do Bitcoin, que é um indicador que mede de toda a capitalização do mercado de criptomoedas quantos por cento é Bitcoin versus as outras moedas. Durante alt seasons, é natural que a dominância caia. O Bitcoin diminui em relação ao resto do mercado que tá subindo mais que ele. Isso aconteceu em 2017, aconteceu em 2021 e o povo esperava que acontecesse agora em 2025, mas a dominância do Bitcoin só tá subindo. Hoje deve estar em 63, 64%, que são patamares altíssimos historicamente. Acho que nos últimos 6 anos a dominância nunca teve acima de 70%. Quando a alt season acontece de verdade, pelo menos foi o caso nas últimas, a dominância cai para 40%, então se acontecer, tem espaço para altcoins subirem muito mais do que o Bitcoin. Tem outro indicador que eu acho interessante, que é você pegar das 60 maiores altcoins e olhar delas quantas que estão subindo mais que o Bitcoin nos últimos dois meses. Normalmente esse número tá no 20, 30%, quando se tem uma alt season ele vai para 80%. Hoje ele tá em menos de 10%. Acho que ia falar, eu acho que deve ter quase nada subindo mais que o Bitcoin. Quatro altcoins das 60 maiores, subindo mais que o Bitcoin nos últimos dois meses, de setores bem específicos que a gente pode até comentar. Então, a gente definitivamente tá num momento em que o mercado tá de olho para o Bitcoin. A narrativa da adoção soberana predomina. As empresas que estão entesourando criptomoedas estão olhando para o Bitcoin. Ainda até tem rumores de empresas tentando entesourar Solana, Ethereum e outros ativos, mas ainda olha-se muito para o Bitcoin. Até agora a alt season não veio. Vai vir, não vai vir, só o tempo dirá. Eu pessoalmente entendo que isso varia de pessoa para pessoa. Gosto da ideia de você ter uma alocação pequenininha em moedas alternativas, que se vier essa fase do mercado, essa alocação pode crescer um monte e pode fazer você ter um retorno maior do que do próprio Bitcoin. Você realiza os lucros para Bitcoin e vive feliz.

Bom, pegando isso que você falou, né, do Bitcoin, eu tô vendo vários novos compradores nesse ciclo em comparação com os ciclos passados. Você tem os ETFs e as pessoas podem argumentar, mas os ETFs são as pessoas comprando e simplesmente é uma maneira diferente de ter a posse do Bitcoin. Eu, por exemplo, tenho posição em ETF nos Estados Unidos, mas tem muito institucional que não comprava antes, com o ETF ele compra. Então são novos compradores de fato. Aí você tem as empresas Bitcoin Treasury Companies comprando também, então parece que todo mundo que já comprava está comprando e tem mais gente comprando. E eu fico pensando, cara, quem que tá vendendo para esse preço não tá explodindo? Quem são os vendedores de última instância? São os mineradores que são praticamente vendedores meio que compulsivos, né? São obrigados a vender para pagar os custos da mineração.

E outra pergunta é sobre as empresas que estão vendo essa tendência de entesourar Bitcoin. A apreciação das ações, MicroStrategy multiplicou, é até difícil fazer a conta, ela saiu de meio bilhão para mais de 110 bilhões de valor de mercado. Aqui no Brasil, a Méliuz começou a fazer a mesma coisa. Do começo do ano para cá, subiu mais de 100%. E algumas empresas começaram a falar: "Cara, se com o Bitcoin deu certo, deixa eu entesourar Ether, deixa eu entesourar Solana". Mas eu fico perguntando, tá? Mas por que entesourar, por exemplo, Solana? Porque eu entendo um pouco da narrativa do Ether, porque você tem que usar a moeda para pagar taxa. Então vai ter demanda pela moeda, mas na Solana você não paga taxa praticamente. Então, para quem entesourar a Solana, por exemplo, primeiro sobre quem estaria vendendo, fica a bronca que o Thales falou mais cedo aqui da produção que tava pensando em vender. Então, pessoas como o Thales, mas tá pensando, tá pensando.

Você sabe que tem um indicador que chama Coin Days Destroyed? Thales, ele trabalha ou trabalhava aqui no meu time, né? Eu quero pessoas que estão compradas na tese, né? Tem um indicador que chama Coin Days Destroyed, dias de moeda destruídos. Não sei se já ouvi falar, que é no começo do Bitcoin ele era usado inclusive para os mineradores priorizarem transações, porque quase não tinha taxa. Como é que você calcula? Número de bitcoins que a pessoa tá transacionando vezes o número de dias que esse Bitcoin ficou parado. Então, uma medida do quão antigo e baleia você é na rede. Essa semana esse indicador deu um salto que eu nunca tinha visto na história.

É por causa da baleia que movimentou.

Por causa da baleia que movimentou.

Quantos bitcoins? Vou até buscar aqui. 80.000 bitcoins. 80.000 Bitcoins de 2000 comprados em 2011, se eu não me engano, 2012, 2013, há muito tempo atrás. Então, quem que tá vendendo? Tem baleias históricas no mundo do Bitcoin. Foi 80.000 ou foi 40.000? Acho que foi 40. É o cluster de moedas que são vários endereços, controla 80.000 Bitcoin. Eu não sei quantos ele moveu exatamente, mas são muitos bilhões, uma coisa astronômica, para os dias de hoje. Uma coisa astronômica de dinheiro que começou em 15.000 lá atrás, virou bilhões e bilhões. Então, tem uma galera que veio de 15.000.000 para 10 bilhões de dólares. Se o Bitcoin subir mais vezes 2 ou vezes 3, meio que não vai mudar nada na vida do cara, entendeu? Então tem uma galera dessa época que tá despejando moedas nesse ciclo.

Esse cara que moveu, você acha que ele moveu para vender ou ele moveu só para mostrar alguma coisa? Porque eu achei interessante o dia que ele fez a movimentação, né? Era 4 de julho, que é o dia da independência americana. Eu nem tinha feito essa associação.

Pois é. Eu fiquei pensando, cara, será que é só uma coincidência? Ou ele tá movendo esse dinheiro todo e aí país, governo nenhum pode impedir essa movimentação no dia 4 de julho para dar um sinal. Seria bonito. Um boato que eu ouvi seria o de que essas moedas pertenceriam ao Roger Ver, que é um dos primeiros evangelistas do Bitcoin e que ele estaria fazendo um acordo, que ele foi preso, né? É o cara da guerra civil do Bitcoin lá atrás também. É que ele estaria fazendo um acordo com o governo americano. Isso casaria com a ideia do 4 de julho. Mas é demais, né? Ele era a favor do Bitcoin Cash, não era exatamente. Mas interessante, ele manteve então uma boa, uma boa quantia em Bitcoin. Então, mas a verdade é que a gente não sabe de quem que são essas moedas. Existe a possibilidade, inclusive, de que a pessoa tenha simplesmente movido para endereços modernos e mais resistentes, mais seguros. Inclusive, alguns dos endereços a partir dos quais as movimentações partiram aparecem em postagens em fóruns antigos com um usuário dizendo que perdeu a senha para aquela carteira e que tava disposto a compartilhar o arquivo com alguém que pudesse ajudar ele a recuperar os Bitcoins. Então, talvez seja até um roubo de Bitcoin, provavelmente não vai saber disso. Mas o fato é que as moedas foram movidas para outros endereços que não parecem ser endereços de exchange, não parece que elas estão sendo vendidas. Essa baleia em particular não parece estar vendendo as moedas dela, mas tem muitas que eu conheço que estão. Então, $100.000 é um nível psicológico muito importante, colosso, durante muito tempo, que o Bitcoin pudesse chegar nisso. E eu tenho certeza que tem um monte de gente que tá feliz em realizar lucros como essa baleia aí agora no nível que o Bitcoin tá. Só que tem muita gente que tá comprando também, não para ir de 100.000 até 150.000, mas pensando que o Bitcoin vai de 100.000 para 1 milhão de dólares nas próximas décadas. Um perfil muito mais mão forte de comprador: ETFs, Bitcoin Treasury Companies e por aí vai. Acho que é esse tipo de comprador que tá definindo esse ciclo e ajudando a volatilidade do Bitcoin a diminuir.

E quanto a essa questão das empresas vendo essa corrida pelo Bitcoin, nas Bitcoin Treasury Companies, pensarem: cara, vou fazer a mesma coisa, mas ao invés de comprar Bitcoin, elas estão comprando altcoins, como por exemplo, Ether e Solana. Qual você acha que é o upside que poderia vir disso?

Eu acho que sempre que uma febre nova pega em cripto, o especulador médio vai deslizando cada vez mais para o extremo da curva de risco. A febre que houve dos ICOs, começou-se com ICOs de equipes consolidadas que tinham um projeto super sólido. ICOs eram as ofertas iniciais de moedas que foram populares em 2017. Era um IPO no mercado cripto.

Exato. Começou com projetos super bem estruturados. Com o tempo você foi vendo times cada vez mais ágeis e obscuros e fazendo práticas não tão legais. E os investidores estavam investindo, estavam querendo cada vez mais risco. Em 2021 você teve uma febre de stablecoins algorítmicas, que é algo que hoje nem se usa mais. Então você tinha operações lá que ofereciam juros altíssimos para quem depositasse dinheiro nelas, cada vez mais altos, cada vez mais altos, até uma que chamava Terra Luna, que oferecia 20% de juros e no fim não conseguiram continuar captando capital para sustentar o esquema Ponzi que eles essencialmente criaram. No mundo das empresas de crédito de cripto também, sempre teve empresas que ofereciam juros para as pessoas que depositavam Bitcoin com elas, 2%, depois 3%, aí a outra capta dinheiro de investidor, 4%, a outra capta mais dinheiro de investidor para subsidiar a operação, investe 6%, 7% e assim por diante. Com essas empresas de entesouramento de Bitcoin, o ineditismo passou. A MicroStrategy vai ser a primeira para 100. Talvez você tenha a primeira no mercado japonês, a primeira no mercado brasileiro, Méliuz, a primeira liderada por uma mulher. Eu vi esses dias captando, vai ter a primeira, enfim, o ineditismo passa, mas já estão procurando outras vertentes, né? A primeira de alguém que é canceriano, já tá corrido para detalhes assim, já tá indo para a minúcia. E quem acompanha o mercado faz tempo sabe que quando chega nesse nível já passou o auge da febre. As empresas entesourando Solana, Ether, até Hype, que é uma moeda super nova, cara, estão fazendo movimento de curtíssimo prazo para tentar fazer a ação bombar vezes 10 e o dono encontrar alguma liquidez de saída. Eu tenho altíssima convicção de que não vai ter empresas entesourando sustentavelmente altcoins daqui a 5 anos ou 10 anos, mas o Bitcoin vai ter sim.

Bom, e o que que te surpreendeu mais nesse ciclo até agora, cara, pegando tudo que aconteceu, você acha que a gente tá só vivendo aquilo que já era previsível ou não? Tem realmente fatos novos que eles eram inesperados?

Eu acho que tem alguns fatos, alguns fenômenos que se tornaram muito maiores do que eu podia prever. Vou citar dois aqui. O primeiro é a importância geopolítica das stablecoins. Todo mundo que tá em cripto faz tempo sempre soube que havia uma demanda grande por criptodólares como USDC e USDT. Mas nesse ciclo agora, o secretário do tesouro americano tem interesse explícito e vem falando nisso em usar stablecoins para continuar fomentando a demanda por dívida americana. As stablecoins viraram uma entidade parceira estratégica do governo dos Estados Unidos. O secretário do comércio tem participação numa das maiores stablecoins. Se antes tinha gente que achava que os políticos iam querer matar os criptodólares, agora o jogo virou. Criptodólares são aliados da política e esse mercado que hoje vale 200 e poucos bilhões, vai valer trilhões, eu acho. Não é à toa que o Stripe, uma das maiores processadoras de pagamento do mundo, comprou uma empresa de stablecoins. Não é à toa que vários bancos grandes até aqui no Brasil estão cogitando lançar as suas e por aí vai. Então esse desenvolvimento para mim é importante. Inclusive o presidente Trump tá pensando em lançar, aliás, pensando não, né? Lançou, lançou, lançou a dele. É um modelo de negócio muito bom e que tá cada vez mais claro que não vai embora tão cedo.

E só para o pessoal entender, por que as stablecoins acabam auxiliando os Estados Unidos, né? Para quem não sabe, uma stablecoin, sei lá, você pega a USDC ou USDT, ele tem uma paridade. Uma USDC deveria valer um dólar para essa paridade ser mantida, então você tem que ter esses dólares em algum local, que ao invés de ter dólar em conta bancária, eles estão comprando títulos públicos americanos.

É isso, exatamente. O modelo de negócio das stablecoins é as pessoas depositam dinheiro com elas e pegam um token que vale a mesma quantidade de dinheiro depositado. Só que para o dinheiro não ficar parado na conta, elas compram títulos do tesouro americano, esse dinheiro fica rendendo e o que rende fica com a empresa emissora da stablecoin. Ou seja, todo o rendimento praticamente fica com a empresa. Daí que vem o lucro dela. Hoje com a taxa básica de juros americana em, digamos aqui, 5%, se tem 100 bilhões de dólares em Tether circulantes, significa que a Tether, a empresa por trás do Tether, lucra mais ou menos aí ou tende a receita mais ou menos 5 bilhões de dólares por ano. É um modelo de negócio muito bom e deve ter um custo muito baixo também, né? Um custo operacional muito baixo. Tether é uma das empresas que tem mais receita por empregado no mundo. Ganha do Onifans. Eu não sei se ganha do Onifans, mas eu acho que ganha. Fica próximo.

É. E o que que acontece numa fase da história em que bancos centrais estão cada vez mais acumulando ouro, pegar uma janela longa de tempo, e tão dissolvendo Treasuries, né? Porque afinal de contas a dívida americana não para de crescer. Tem a questão da lei de Ferguson, que os Estados Unidos já gasta mais com a dívida do que gasta com exército. Isto costuma ser um ponto de inflexão no declínio dos impérios. A confiança no devedor Estados Unidos tá declinando. Os Estados Unidos precisam continuar refinanciando essa dívida. Quem que tá comprando essa dívida? Claro que tem um monte de países soberanos comprando, mas stablecoins emergindo como um grande comprador de dívida. O próprio Tether, se tu pegar nos últimos 12 meses, deve estar no top 10 maiores compradores de dívida americana. Então é um canal para o secretário do tesouro americano rolar a dívida dele, que é algo importantíssimo. Ao mesmo tempo em que ele faz isso e financia a máquina pública nos Estados Unidos, stablecoins expandem o mercado endereçável do dólar dos 200 milhões de americanos, que é a população americana, para 6 bilhões de pessoas, que é...

A população da Terra inteira. Porque com stable coins, qualquer pessoa que tem um celular pode ter acesso ao dólar. Para um país que vive de exportar inflação, como é o caso dos Estados Unidos, que é dono da moeda reserva de valor global, é importante você conseguir ter acesso a esse mercado gigantesco, porque daí é mais gente para dividir a conta, né? Com mais demanda, a inflação tende a ser menor, sente menos isso no dia a dia.

Exatamente. Exatamente.

E e quanto a risco, cara? Porque se a gente pega o mundo crip, ele tá praticamente recriando aquilo que já aconteceu no mercado tradicional. Então, se a gente volta no passado, você tinha bancos que entesouravam ouro e começaram a fabricar o seu próprio papel moeda. E a pessoa poderia trocar esse papel moeda por ouro a qualquer momento. Só que aí algum desses banqueiros muito inteligente, com menos escrúpulos, ele falou: "Cara, quase ninguém vem tirar o ouro, será que ao invés de ter um para um, eu não posso ter 1.10 para um ou 1.5 para um?" Daqui a pouco você tinha muito mais papel moeda circulando, porque o banco que imprimia papel poderia contratar mais gente, pagar uma melhor sede, eh ter mais equipe, fazer mais publicidade e com isso se tornar mais lucrativo no curto prazo. Só que de tempos em tempos tinha uma crise de corrida bancária e quem tinha feito essa prática ficava sem ouro, o banco quebrava.

Nas stable coins, a gente não corre esse tipo de risco de, na verdade, a gente achar que a paridade é um para um, mas na verdade não é; ou até esse dinheiro investido não tá todo em treasuries americanos, tá em ativos mais arriscados. Aí numa queda de mercado, ela perderia paridade. Eu digo isso porque a gente pega o SDC que fez o seu IPO agora, né, a Circle, é, o nome da empresa Circle, subiu para caramba, inclusive subiu muito, mas eu lembro que há pouquíssimo tempo a gente teve aquele problema quando o Silicon Valley Bank quebrou e eles tinham, se eu não me engano, uns 4 bilhões no Silicon Valley Bank. E na hora que quebrou, isso veio a mercado, essa notícia, a paridade que era um para um foi para 88 centavos. Só que logo depois veio a Janet Yellen e falou: "Não, a gente vai resgatar todo mundo". Aí voltou na hora, né? Então quem comprou acabou se dando bem. Mas eu fico pensando, cara, não é aí que a gente tá acumulando um risco no mercado cripto a ponto de ter algum problema no futuro?

Talvez. Talvez existe um espaço de design muito grande para esse ter boc. Por exemplo, você vai deixar o dinheiro todo em treasuries, o lastro. Treasuries de quanto tempo? Curtos, longos? Como é que você gere o seu risco de insolvência, né? Risco de durage, enfim, tem várias. O SVB quebrou assim também, com muito título de longo prazo e perdendo uma casa mercado.

Exatamente. Então corremos esse risco.

Sim. Os Estados Unidos estão aprovando agora uma legislação que se chama The Genesis Act, que regula a emissão de stable coins e, entre outras coisas, deixa mais claros os requerimentos para você conseguir distribuir uma stable coin lastro. Então a resposta dos governantes, dos reguladores, óbvio, é mais regulação.

É, só que essa regulação também ela é bem confortável para a empresa, né? Porque, por exemplo, se um banco regulado que tá usando reserva fracionária, ele tá criando muito mais eh crédito do que ele tem de dinheiro em depósito, ele tem um problema; se ele tivesse fazendo tudo certinho, o sistema salva ele. Então, para as empresas de stable coins, com essa regulação não é ruim no final.

Exatamente. Essencialmente o que aconteceu com a Circle lá no caso do Silicon Valley Bank, provavelmente ela estaria dentro das regras, entendeu? Não teria quebrado regra nenhuma, veio o papai governo e salvou. Então esse risco existe, existe e existe com os bancos tradicionais, como a gente viu no caso do Silicon Valley Bank. O ponto bom das stable coins é que elas são imediatamente conversíveis por Bitcoin, que é o ativo final, o colateral supremo, que é o único ativo alodial; quem porta aquilo ali é dono daquilo ali. Você pode ser dono daquilo ali sem nenhum intermediário custodiante e que não pode ser ter a base monetária inflada, né? Então o que importa o valor das stable coins é essa transferibilidade global, custos baixos e você conseguir poupar dinheiro numa reserva de valor que também é uma unidade de conta estável, mas a qualquer momento você pode converter isso para Bitcoin. Então é importante que esse direito se mantenha, né? Eu falo isso porque já até se levantou a ideia aqui no Brasil de proibir saques de stable coins de corretoras. Eu acho que tem um futuro no qual stable coins, inclusive, passam a existir isoladamente do resto de cripto. Espero que esse futuro não se materialize.

Bom, pensando agora em futuro, já que você estou essa palavra, eu tô lendo um livro do Ray Dalio que é é bem interessante, né? Ele ficou muito famoso com aquele livro Princípios, que era um livro sobre vida e negócios. Eu particularmente não achei tão bom, porque quando você pensa em princípios, eu pensei em alguma coisa tipo 12 regras para a vida do Jordan Peterson, os 10 mandamentos, né, do Velho Testamento. E lá ele tem, sei lá, 430 regras. Então é, é muita coisa, vira um compêndio assim, né? Mas ele lançou um outro que é o Princípios para navegar essas mudanças de ordem geopolítica global. E é bem interessante porque ele pega os ciclos de dominância e de queda de várias potências. E ele cita vários ali, mas ele pega com mais detalhes, né? Por exemplo, a Holanda, que foi substituída pelos ingleses, que por sua vez perderam o posto para os americanos. E ele mostra porque, na visão dele, a China está acendendo, os Estados Unidos estão decaindo. Ele não fala que isso vai acontecer agora, mas ele fala que pela análise ele coloca vários fatores lá, né? Se eu não me engano são oito, talvez eu não lembre todos, mas ele olha, tem que ver a parte de comércio global, competitividade, educação, tecnologia, poder militar, centro financeiro, moeda de reserva e tinha mais um que eu não vou me lembrar agora, mas ele pega os oito fatores, a China tá ascendendo em todos e os Estados Unidos em alguns já estão decaindo. Ele fala: "Dessa maneira, eu acho que os Estados Unidos já estão na fase final do seu poderio como império". E ele vai citando esse tipo de coisa. E no livro, sempre que ele começa a falar dessa questão da moeda de reserva, ele pega os ciclos. E é interessante o material que ele tem sobre a China, porque a China é antiguíssima. E se você pega um chinês hoje, ele consegue ler o o Arte da Guerra do Sunzu, o original no mesmo idioma, né? A gente não consegue ler em latim, só se você aprendeu o latim, foi treinado para isso. Então ele fala que o chinês tem um pensamento de muito mais longo prazo, de ciclos, enquanto os americanos estão sempre pensando nas coisas que estão acontecendo agora. E quando ele pega o uso da moeda na China, ele mostra que em vários estágios a gente acha que moeda fiduciária é algo muito novo. Mas na verdade, antes dos europeus começarem a usar, os chineses já tinham banido moeda fiduciária, já dando merda em várias dinastias. Então ele mostra, olha, começa com um dinheiro sólido, Sound money, ouro, prata. Aí você muda para um dinheiro que ele tem lastro, que ele chama ele de tipo dois, nesse dinheiro sólido. Aí é o papel moeda mais com lastro. Na China você usou muito cobre também. E aí depois você vai para uma moeda tipo três, que é a moeda sem lastro. E aí depois de um tempo essa moeda sem lastro dá problema, pelo mesmo mecanismo de sempre, um abuso do governo na hora de criar moeda. E o que acontece é que você volta para uma moeda tipo um, depois tipo dois, depois tipo três. Então para gente que tá nesse ciclo de moeda fiduciária desde 1971, parece que é muita coisa, mas para para um chinês não pareceria, porque ele tá acostumado a estudar a história toda da China. E eu fico pensando, cara, será que o próximo dinheiro realmente sólido vai ser o o Bitcoin? Ou voltaremos a utilizar alguma espécie de lastro em ouro, em commodities, né? Eu queria saber a sua visão sobre isso, porque eu tenho uma visão, ainda apesar da influência desse livro, de que o Bitcoin é muito mais uma reserva de valor, mas se você pega no mundo cripto, tem muito entusiasta que acha que não. No final, em última instância, ele vai ser uma espécie de lastro para um novo dinheiro.

Eu concordo com essa visão de que o Bitcoin é o colateral supremo e o lastro para uma nova espécie de dinheiro. Você mesmo fala isso bastante, né, que o Bitcoin bate o ouro em boa parte das características necessárias para um bom dinheiro. Tem uma outra vantagem, é o histórico, principalmente, basicamente o histórico, só que até aí a palavra escrita ainda tinha muitos mil anos de história, de vantagem sobre a a internet como canal de distribuição de informações, né? E essa vantagem evaporou num instante. Então eu acho que isso tá acontecendo com dinheiro também. O Hal Finney, que é um dos candidatos a ser Satoshi Nakamoto, o criador do Bitcoin, ele escreveu lá atrás sobre a ideia de o Bitcoin como high-powered money, então um dinheiro super poderoso, energizado, em cima do qual bancos emitiriam notas, certificados. E aí cada banco vai criar sua própria política e vai ter a sua reserva fracionária no nível que for. Eu acredito nessa visão e acho que talvez na próxima década a gente já veja experimentos nesse sentido começando a prosperar. Nos Estados Unidos já tem um outro legislador que já falou disso, em outros países menores também. É claro que você, eu não, não tenho ciência de casos na história nos quais um governo deliberadamente optou por pegar um dinheiro cuja emissão ele controlava e lastrear esse dinheiro em alguma coisa que ele não controla. Então eu não acho que isso vai acontecer.

É, os casos que o Ray Dalio cita são inúmeros, né? Ele fala, por isso que um americano ele acha absurda a ideia de uma guerra civil nos Estados Unidos, novamente, porque já aconteceu, mas olha hoje e fala: "Não, nunca vai acontecer". Mas para alguém que estudou história há muito tempo, sabe que é uma questão de tempo. Então, como é que ele fala que você sai do dinheiro tipo três da moeda fiduciária para um dinheiro tipo um da moeda forte? Porque alguém ganhou uma revolução e esse cara da revolução aboliu as práticas antigas. Só que depois esse pessoal da revolução vai se corrompendo e ficando cada vez mais parecido com o pessoal que tinha um poder antes. Basicamente uma revolução dos bichos, né? O livro do George Orwell. Então você vive esses ciclos porque realmente nenhum governante em consciência quer imitar o seu poder, a não ser que ele chegue ao poder para tirar o pessoal que fazia isso. Meio que não é que seja uma revolução, mas humilhação na Argentina.

Uhum. Você tinha um modelo funcionando lá, cara, de abuso da gestão da moeda, de se utilizar impressão de moeda para tudo e de repente ele vai lá e fala: "Cara, vamos parar com essa prática". E aí consegue o que ele tá conseguindo, né? Dominar a inflação, reduzir bastante os juros, um crescimento do PIB, tem os seus percalços também para isso, né? Porque muita gente recebia esse dinheiro do estado e agora tá sem esse dinheiro. Mas é é mais ou menos assim, não é que um governante ele vai optar por isso, é porque ele acaba sendo obrigado, porque aquilo fez ele chegar ao poder. É que é um pouco do que tá o que aconteceu com o Trump, né? Eu acho que tem uma tem uma expressão em inglês que eu gosto muito que é canário na mina, o canário da mina. Fala assim em português também. A origem dela acho que é porque os canários eles morrem antes quando falta oxigênio. Então isso ajuda os mineiros a saber até onde eles podem ir, né? E o canário da mina do Bitcoin, estar virando essa espécie de colateral suprema, nova forma de dinheiro, é a galera que tá no poder começando a adquirir, né? São os próprios políticos começando a comprar. Eu quando entrei no Bitcoin não conseguia conceber isso acontecendo nos anos seguintes. Havia um medo por todos os lados de que a classe política fosse sufocar o Bitcoin. Até que a classe política percebeu que é impossível sufocar o Bitcoin e começou a adquirir. O Trump foi eleito em parte com apoio da galera de cripto nos Estados Unidos. Todos os filhos do Trump têm empresas de cripto. O Milei tem cripto cada vez mais. O presidente da Coreia do Sul foi eleito com apoio da base de cripto cada vez mais. Os presidentes vão ter cripto, vão ter propostas de lei relacionadas a cripto. Quantos deputados ou senadores você acha aqui no Brasil que já não tem cripto? O sinal tá escrito, só não tá enxergando essa transição. Quem não quer, fica a recomendação: antecipe-se, estude e prepare-se para não ser pego com as calças na mão.

E qual você acha que é o grande risco pro Bitcoin nessa caminhada no futuro? Porque como você bem cita, eu acho que foi mais difícil sair do zero até o 100.000 do que será do 100.000 até 1 milhão. Na minha opinião, é realmente questão de tempo. Até por isso, o último vídeo publicado aqui antes da nossa conversa foi onde eu falo da importância de se conseguir 0.1 Bitcoin, que é interessante, né? Porque um Bitcoin já tá ficando caro demais para o brasileiro médio. Agora 0.1 não é que você vai conseguir na mesma hora, mas é um objetivo muito mais crível. E apesar de ser só 0.1, se você pega e pensa em satoshi, são 10 milhões de satoshis. Então para muita gente no futuro, a gente vai falar de satoshis, né? Olha, tem 10 milhões, tem 1 milhão, isso aqui custa 1000 satoshis. Existem até propostas para redenominar a unidade base do Bitcoin, do Jack Dorsey, né? Ele suporta, né? Ele suporta.

É, não. O Jack Dorsey eu vi que ele queria mudar o nome, chamar satoshi para Bitcoin.

Exatamente. Aí muita gente entendeu como algo inflacionário. Na verdade não era, só nome para tornar mais fácil esse tipo de cálculo. Se quiser até comentar essa proposta, mas a minha pergunta também é sobre os principais riscos na sua opinião.

Eu diria que para mim o principal risco ao Bitcoin sempre foi ele se tornar o interesse de um nicho, ele se tornar o hobby de um grupo de fanáticos nerds num cantinho da internet. Esse risco para o Bitcoin se materializa num cenário em que os governos passam a gastar menos do que eles arrecadam, se tornam responsáveis fiscalmente, transparentes, eliminam corrupção. Então, acho que esse risco é baixo para o Bitcoin, mas existe. Tecnicamente os riscos do Bitcoin hoje eu diria que se concentram na questão da computação quântica. Eu já vou entrar no detalhe. Eu ri, mas é porque é melhor rir do que chorar, né? Porque eu acho que isso nunca vai acontecer. Esse é o ponto. Mas sobre computação quântica, por favor.

Tecnicamente, o risco é computação quântica e economicamente tem o risco de quando a mineração ficar muito pequena lá no futuro. Eu vou começar por isso que é mais simples de explicar. Hoje os mineradores ganham três e poucos bitcoin a cada bloco que eles mineram. Essa recompensa vai caindo pela metade a cada 4 anos e lá em 2140 vai chegar a zero. É preciso que o Bitcoin se valorize muito para que os mineradores consigam manter o nível de receita que eles estão tendo e continuem trabalhando tanto quanto eles trabalham para a rede, porque se o Bitcoin não se valorizar muito, essa receita dos mineradores vai cair, cair, cair, cair e vai ter menos minerador assegurando a rede. Então esse é um semiproblema econômico; ou o Bitcoin se valoriza muito, ou as pessoas transacionam mais, geram mais taxas e a receita dos mineradores vai se manter estável ou crescente por conta das taxas transacionais que vão compensar essa queda no subsídio, nos novos Bitcoin minerados. Em termos lógicos, a gente pode botar que é um risco de calda assim, porque deve ter mais transação, o preço do Bitcoin vai ser maior, então a recompensa, apesar de ser menor, ser 0 ponto alguma coisa em Bitcoin, ele vai valer mais. E o principal custo da mineração é energia, né? A energia tende a ficar mais barata com o passar do tempo, evolução tecnológica.

Uhum. Tá, mas é um risco, beleza? E você citou computação quântica também.

Ah, aí, o grande risco técnico hoje é computação quântica, que tem dois vetores, no caso do Bitcoin. Pode usar computadores quânticos para bagunçar com a mineração, em termos simplificados, ou para tentar roubar Bitcoin antigos dormentes há muito tempo. Nos dois casos, dá para fazer alguma atualização no código do Bitcoin para se proteger. No caso da mineração, dá para implementar um algoritmo novo de mineração que computadores quânticos não tenham vantagem nenhuma. Isso vai ser feito. Eu acho que é uma questão de tempo. No caso dos bitcoins antigos vulneráveis, a questão é um pouco mais delicada, porque lá lá atrás, na época do Satoshi, os endereços tinham uma peculiaridade que eles expunham uma parte do endereço, que é a chave pública, toda vez que eles eram gastos, toda vez que uma moeda era gasta. E computadores quânticos, teoricamente, quando eles têm uma chave pública, eles conseguem, usando um negócio que chama algoritmo de Shor, derivar a chave privada dessa chave pública. Em outras palavras, as moedas muito antigas lá de antes de 2013, que não se moveram desde então, teoricamente poderão ser roubadas por um computador quântico poderoso suficiente, que não existe ainda, que não existe ainda, tá? Umas duas, três ordens de magnitude de distância da potência dos computadores quânticos atuais. Existem várias alternativas para lidar com esse problema. Hoje em dia os endereços no Bitcoin já são resistentes a computadores quânticos. Você que tem Bitcoin em casa não precisa se preocupar, mas os bitcoins da época do Satoshi tem alguns que estão vulneráveis, inclusive os que o Satoshi minerou lá no começo da rede, que são mais ou menos 1 milhão de moedas. O que que dá para fazer? Dá para a gente fazer alguma atualização no Bitcoin que congele essas moedas, o que eu acho extremamente improvável de acontecer, que é uma questão politicamente delicada na rede. Dá para fazer uma atualização que pegue essas moedas e jogue elas de volta para o pool de moedas mineráveis, o que inclusive combate o problema econômico que eu mencionei antes, que aumenta as recompensas de cauda do Bitcoin, mas também é uma ação meio discricionária demais.

É, eu teria que mudar um pouco do que eu falo sobre Bitcoin, né? Porque a gente fala que ele é incensurável, ninguém pode pegar o seu saldo, corretamente armazenado. No entanto, alguém iria, a rede iria confiscar esse saldo.

Exatamente. E se for fazer isso, vai pegar só os do Satoshi ou pega também os outros que estão dormentes, né? Tem muitas nuances. Ex: Esse cara estava dormente há um tempão e movimentou agora, por exemplo. Tem muitas nuances, entendeu? Então eu acho que isso não é algo que vai acontecer. Outra alternativa, sem tocar nos Bitcoins, sem redesignar os bitcoins dormentes há muito tempo, seria você mudar as regras da mineração e fazer algo do tipo assim, ó: a cada bloco só pode ser incluída uma transação com bitcoins dessa época, bitcoins roubáveis por por computadores quânticos. Isso diminuiria o risco de um choque de oferta no mercado. Então, se alguém roubar as moedas do Satoshi, não vai conseguir movimentar ou vender elas todas de uma vez. Isso diminuiria esse risco, mas a pessoa consegue roubar. Tem várias alternativas para lidar com esse problema. Não tem bala de prata. Hoje em dia eu acho que vão botar as mãos nas moedas do Satoshi e que esse inclusive é um dos grandes prêmios científicos da nossa era. Tem alguns fanáticos que acham inclusive que o Satoshi deixou as moedas esperando para acelerar o desenvolvimento da computação quântica, mas ele era visionário assim, né? Eu acho que é demais, mas eu acho que um dia vão botar as mãos nessas moedas e não vai ser o fim do Bitcoin, entendeu? A gente até comentou num podcast recente que uma das alternativas que um atacante teria com essas moedas, né? Pode fazer várias coisas. Você pode vender as moedas a mercado e apostar contra o preço do Bitcoin nas Exchanges.

Sim, para ganhar dinheiro teria que ser isso, porque se vender de uma vez ele vai derrubar o preço, a recompensa que ele ganhou, né? Ele pode dizer que ele é o Satoshi e cobrar zilhões para dar palestra por aí, mas ele vai ter que cobrar muito para fazer valer, né? Ele pode botar os Bitcoin numa Bitcoin Treasury Company e vender ações ou até fazer airdrop de ações para detentores de Bitcoin para ganhar boa vontade da comunidade. Tem várias alternativas, mas hoje eu acho que vão botar as mãos nessas moedas e é bom a gente normalizar essa ideia, tá?

Pensando agora, Felipe, no cara que ele tá entrando recentemente nesse mercado, ele não entende muito sobre cripto, ele recém comprou as moedas em uma corretora, por exemplo, ou ele tá comprando via ETF porque ele acha que a autocustódia pode ser um problema. Qual que é o caminho seguro? O que que seria interessante dele estudar, além de obviamente se cadastrar para assistir a a sua masterclass no dia 21? Cara, o universo de cripto é gigantesco e tem um monte de possibilidade, tanto para quem investe quanto para quem tem interesse em usar essa tecnologia na sua vida e no seu trabalho. Como eu gosto de falar, cripto dá super poderes para quem sabe usar. Depois que tu aprende a comprar numa corretora e que tu começa a ganhar dinheiro com o negócio, tem que aprender a sacar da corretora para uma carteira que tu controla, pode ter no teu celular,

No teu computador ou até em suportes físicos. Depois que tu aprende a controlar a tua própria carteira, tu pode aprender a evoluir a tua segurança para chegar num nível em que teu dinheiro se torne, entre muitas aspas, invisível. Tu escolhe para quem tu quer mostrar o quanto tu tem e aonde esse dinheiro tá.

Depois tu pode partir do Bitcoin pros outros tipos de ativos virtuais, stable coins, por exemplo, com as quais tu consegue gerar renda passiva de mais de 10% ao ano em dólar, que é algo que é muito difícil de acessar aqui no Brasil. Tu pode ir para altcoins, moedas alternativas que nos mercados de alta às vezes sobem mais do que Bitcoin, entregam mais rentabilidade e tu pode descobrir um vasto universo de operações financeiras que só são possíveis em cripto, envolvendo NFTs, que são ativos artísticos, envolvendo airdrops, que são oportunidades de tu ganhar dinheiro praticamente de graça, investindo muito pouco em cripto e por aí vai.

Então, a minha dica seria: busque informação com quem vive disso. Não acredite em promessas milagrosas na internet, mas acredite sim, ter um sistema novo, um jardim de oportunidades, pode te ajudar a ficar muito mais rico e muito mais livre com o tempo se tu estudar com afinco e souber o que tá fazendo. Então, reforça o convite feito pelo Bruno antes, dia 21 de julho, às 7 da noite, aqui nesse canal. Masterclass gratuita sobre cripto. Tu não pode perder. Tem um monte de conteúdo novo e oportunidade fresquinha que eu vou trazer.

Lembrando que após a masterclass, pessoal, a gente abre a inscrição para oitava turma do viver de renda crirypto. E aí lá você vai aprender, de fato, ainda que não saiba nada, seja completamente novo nesse mercado, como é que funciona o mercado crirypto. E não ser apenas um mero comprador do token quente do momento, né? Mas entender, por exemplo, como é que você usa o mercado de finanças descentralizadas para gerar essa renda passiva que o Felipe falou de 10% em dólar, como é que funciona os protocolos, a interação com eles, a criação de carteiras, o que é interessante, né? Quais protocolos podem oferecer airdrop? Então é muito bacana e é sempre um curso novo. Eu já fiz o Vive deana Crypto umas três vezes. Eu só vou fazer de novo, porque de turma para turma você tinha narrativas que estavam no RP, que elas deixam de existir, protocolos que eram muito utilizados, que de repente ninguém mais usa. Então o mercado tá constantemente se reciclando, a não ser o Bitcoin, que ele continua sempre lá com a sua importância.

E aí, Felipe, eu queria saber também o que que você acha que pode acontecer nesse ciclo, mas que tá meio que fora do radar, que não é uma ideia de consenso ainda. Eu vou falar a minha opinião, eu posso estar totalmente errado, mas eu acho que a gente pode ver uma quebra nos padrões de ciclo do Bitcoin, não ter, por exemplo, um bear market. Só que eu já pensei isso na vez passada. Tivemos e eu não vendi porque eu pensei, não, não vai ter um bear market tão forte assim. Eu queria saber na sua visão o que que a gente pode experimentar nesse ciclo que olha, se isso aqui acontecer vai pegar muita gente surpresa. Vou trazer três hipóteses aqui.

Primeira, a alt season não acontece, o Bitcoin continua subindo. A gente tem alguns tokens, moedas alternativas pontuais que sobem muito mais do que o Bitcoin. Tem algumas que já estão subindo, eu vou mencionar algumas nessa masterclass do dia 21, mas a dominância só sobe. Mas o seu cenário base ainda é uma alt season nesse ciclo ou não? Meu cenário base é que sim, a dominância tem uma queda relevante em algum momento. Então, primeira hipótese é essa, o alt season não aconteceria.

Segunda hipótese, uma cadeia de Bitcoin Treasury Companies quebrando. Isso pegaria bastante gente, pô. Uma cadeia, você diz, então, várias empresas, uma depois da outra. Eu não acho que isso vai acontecer em 2025. Acho difícil que isso aconteça com significância em 2026, mas acho que nos próximos 5 anos tem uma chance não trivial de que isso aconteça. É quando as dívidas das empresas começam a maturar. Exatamente. E óbvio que o risco é muito maior de que isso aconteça com as empresas que entesouram Ether, Solana, essas outras moedas. Tem jeitos de se antecipar isso e de monitorar esse risco. De novo, fica o convite para masterclass do dia 21, onde eu vou falar mais um pouquinho sobre.

Terceira hipótese, essa é positiva, acho que tem pouca gente esperando. Quando você perguntou as coisas que me surpreenderam nesse ciclo, eu falei de stable coins e não falei de mercados preditivos, que é um dos produtos de cripto que mais cresceu, uma das categorias que mais cresceu nesse ciclo. Um exemplo é o Polymarket. Eu acho que esses mercados vão lançar suas próprias criptomoedas e que elas vão se tornar algumas das mais valiosas dentre as altcoins. E acho que quem usou esses mercados no passado vai ganhar essas moedas de presente, que é o famoso airdrop e que isso pode inclusive fazer vários novos milionários. Eu não acho que o pessoal tá esperando isso e acho que pode ser uma surpresa positiva e um catalisador para mais alta em moedas alternativas também.

E você acha sobre essa questão de correspondência histórica entre os ciclos? Ainda é na sua visão algo que vai continuar acontecendo ou não? Você acha também que, cara, se bobear, a gente não tem bear market igual das últimas vezes? Só acredito vendo. Então você acha que o padrão ainda vai se manter? Padrão ainda vai se manter. Só acredito vendo. Aí insira o meme, editor. Eu vendo, não acredito. Não é porque, por exemplo, para você ter esse mercado de baixa, geralmente o Bitcoin tem que ter subido bastante, né, para isso acontecer. E se a gente pega métricas de valuation do Bitcoin, a gente vê que ele tá bem comportado. Então eu falo: "Cara, o preço tem que subir bem nessa fase final a ponto do pessoal começar a vender de fato as moedas". Se isso acontecer maravilhoso. O preço vai ter subido e se ele sobe estratosfericamente de maneira parabólica, ele tende a fazer um movimento parecido, né? E eu posso mandar de ideia amanhã se o preço começar a subir assim. Mas se ele continua com esse comportamento mais, sabe, lateralizado, aí sobe um pouquinho, mas depois ele fica lateralizando também a ponto das métricas começarem a alcançar o preço atual, as pessoas aumentando seu preço médio, falo, pô, não tem tanto espaço assim para cair, a não ser que aconteça um desses eventos, né, quebra de empresas de Bitcoin Trager Company ou coisas assim.

Eu tô contigo. Eu tendo a acreditar que para ter um bear market mesmo, que para quem não sabe é um mercado de baixa mesmo, precisa ter uma alta estratosférica. Então, do jeito que tá, eu acho que aquela queda que a gente teve de 30%, 40% no tarifaço ali, é o que teve para esse ciclo, assim, foi uma baita oportunidade de compra, mas eu ainda acho, ainda tem o caso base de que a gente ainda vai ter pernadas de alta mais agressivas e quedas subsequentes. Se não tiver, fica lateralizado, tá tranquilo para mim, tá show de bola. O Bitcoin pode continuar subindo devagarinho, que como a gente fala, né, essa ideia toda dos ciclos é para quem quer extrair o máximo do negócio no curto prazo, mas no longo prazo a gente sabe que o Bitcoin vai continuar subindo enquanto as moedas fiduciárias continuarem se desvalorizando, tá? Só para definir o vernáculo mercado de baixo aqui eu tô pensando em um mercado onde o Bitcoin é porque em ações o pessoal fala de 20% de queda, começa um bear market. 20% Bitcoin é muito pouco, diria 60.

É, eu acho que não cai mais de 50, entendeu? Então, se cair menos de 50, eu eu não falaria que está num bear market, porque é um movimento que ele é normal até durante ciclos de apreciação do Bitcoin. Se cair mais de 50, eu falo: "Não, realmente o bear market veio igual veio em todos os outros ciclos". Mas a gente vai ver. O futuro tá chegando, né? Tá chegando. Tem alguma coisa que a gente não comentou que você acha interessante?

Acho que a gente passou por boa parte dos assuntos legais. O mundo de finanças descentralizadas que você citou, que tem oportunidade de renda passiva geniais. Quem gosta de renda passiva vai vai gostar do que eu tenho em mente. É uma uma área do mercado que me atrai, mas eu vou guardar esse tema pra gente comentar na masterclass do dia 21. Então, reforço mais uma vez o convite para vocês se inscreverem e participarem, que tem muita informação valiosa que eu vou trazer lá.

Bom, só agradecer, então, sempre o prazer recebê-la aqui no canal. Para quem assistiu, nosso muito obrigado também. Lembrando, a Masterclass tem QR Code na tela, link na descrição. Assistam, é gratuito. E para aqueles que fizerem sentido, quiserem saber mais desse mercado, a gente abre a inscrição pra turma 8 do VR Click. É isso, gente. Grande abraço e até a próxima. [Música]