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Degeneração Celular e Acúmulo Intracelular de Substâncias | Lesões Reversíveis e Irreversíveis

Dr. Victor Proença14:24

Transcription

E vamos falar um pouquinho agora sobre os acúmulos intracelulares que podem acontecer nas lesões reversíveis e irreversíveis. E a diferenciação dos tipos de necrose que a gente tem. Então diversas substâncias podem se acumular dentro da célula, lembrando, intra é dentro, né, dentro da célula, desde proteína, lipídio, entre outros tipos de substâncias.

Porque, professor? Por uma alteração no metabolismo, por um excesso de consumo. Por exemplo, lipídio pode acumular nas células do fígado e aí no fígado fica com esteatose, que a gente chama de esteatose hepática. Isso tá mostrando que o fígado tem uma lesão, tudo bem, mas ainda é reversível. Se acumular mais, vira uma hepatite, uma cirrose. E aí esse dano é muito extenso, o fígado não consegue se recuperar em muitos casos. Apesar dele regenerar muito, a gente sabe, eu vou ficar doidão dos tecidos que mais sim sofre mitose e regenera e tudo mais, mas se a lesão for muito extensa, é muito difícil desse tecido se recuperar. Ok?

Então, o que são esses acúmulos intracelulares? Eles acontecem, por exemplo, por uma remoção ineficiente de substâncias produzidas pelo próprio organismo. Ou seja, a substância fisiológica. Então, proteína, vai produzir proteína, só que se eu não conseguir remover a proteína da célula, ela vai ficando em excesso. Pode acontecer, ou ainda lipídio. E a gente vai mostrar nos nossos próximos slides outras alterações que acontecem, como amido, alguma outra coisa. É acúmulo excessivo de substâncias endógenas, ou seja, do seu próprio organismo. Um armazenamento excessivo de substâncias devido à degradação metabólica ineficaz. Então, por exemplo, eu não consigo degradar o amido ou glicogênio. No caso do ser humano, não consigo degradar o glicogênio. Acumula. E aí quando ele acumula, ele causa uma doença chamada glicogenose. Tá?

Como substância exógena ou externa que está associada à degradação e remoção ineficaz dessa substância. Então, voltando, o que pode acontecer para acumular substância? Eu não consigo tirar da célula. É substância do meu próprio corpo, pode ficar acumulada. Substância externa pode ficar acumulada. Eu posso, por algum erro metabólico, guardar muito essa substância. Ela acaba sendo tóxica para a célula. Então, tudo isso que eu tô falando aqui, basicamente, acaba sendo tóxico para a célula. Por exemplo, essa gordura, um excesso aqui de gordura na célula não é normal, não é fisiológico. E aí, se for no fígado, por exemplo, a gente chama de fígado gorduroso. Quando faz exame, a gente já consegue ver isso.

As proteínas, por exemplo, eu tenho alteração no dobramento de proteína e todos os metabolismos que acontecem dentro da célula pelas organelas celulares, que elas podem se acumular aqui. E aí, quando eu faço um exame citológico ou histológico, que a gente tá vendo agora, eu consigo enxergar isso nas minhas lâminas. E é isso que a gente vai ver um pouquinho hoje. Tá? Aqui algumas substâncias que são substratos que são solúveis, mas por algum motivo de uma enzima que tá faltando nessa célula, ela acaba se acumulando aqui. Então, está representado aqui, a conta com essa bolinha azul escuro aqui, ó. Pode ser, por exemplo, um glicogênio, alguma coisa do tipo, que tá em excesso nessa célula.

E ainda, ingestão de materiais que são ingeríveis, que são externos. Por exemplo, uma tatuagem. Então, aqui, ó, é um exemplo clássico de uma tatuagem. Eu vou colocar dois, é melhor, né? Vou matar. Tu tá feita com ruim para caramba aqui. Quando eu faço a administração de substâncias coloridas, o que que vai acontecer? Eu vou formar aqui vesículas de pinocitose ou fagocitose. Nesse caso, é pinocitose mesmo. E as células vão ingerir essas partículas aqui. Se o material indigerível, ele vai ficar dentro da célula. Ok? Quando acumula aqui, muda a coloração da pele, no caso de uma tatuagem, por exemplo. Ok?

Olá, alguns algumas alterações que acontecem quando as células começam a alterar essa entrada de líquidos na célula, na membrana plasmática, etc. Ele acaba entrando em degeneração. Então, por exemplo, eu posso acumular água dentro da célula. E aí, quando eu acumulo água dentro da célula, eu faço o seguinte. Eu coloco o nome. O Google mais centralizado e dilato muito a célula. E aí, em alguns casos, também o núcleo fica mais marginalizado, ele fica no cantinho. E aí, quando isso acontece, eu tenho um tipo de degeneração que a gente chama, porque tem acúmulo de líquido na célula, que a gente chama de degeneração hidrópica. Hidro vende água. Ok? Então, entra um monte de água, entra sódio também, pela diferença de concentração do meio extra para o meio intra. Consequentemente, a água também entra e as células vão inchando.

Professor, espera aí, deixa eu ver se eu entendi. Isso pode ser, por exemplo, uma alteração da membrana, membrana plasmática, alguma coisa do tipo? E aí eu tenho acúmulo de sais minerais e eletrólitos, água, etc. Assim? E sim, eu voltar ao normal, essas essas células desse tecido aí se recuperam? Sim, porque não é uma necrose, ainda mais uma degeneração. Tem muita chance dela. Eu já saí de reversível para irreversível e entrar numa necrose. Então, esse seria um passo mostrando que esse tecido aqui, ele tá sofrendo lesão. Essa lesão está sendo irreversível e esse tecido vai morrer. Aí, quando morre, a gente vai hoje ainda falar que são os mortos celulares e os padrões de necrose. E morre esse tecido, vai degenerar e aí, consequentemente, vai necrosar todo esse tecido, vai perder o tecido. Ok?

O outro tipo de degeneração que é um acúmulo de gordura no fígado é chamado de esteatose. No caso, esteatose hepática, o fígado gorduroso. Então, só acumula mais de triglicérides dentro das células do parênquima hepático. Quais são as causas? Por exemplo, substância tóxica que cause dano para o fígado, desde álcool, por exemplo, algum medicamento, paracetamol, outra coisa. Causa um dano no fígado. Desnutrição proteica, porque deve ter o metabolismo hepático. Diabetes mellitus, obesidade. E a redução ou não oxigenação adequada desse tecido. E aí o tecido, ele vai ficar mais ou menos assim, ó. Ele vai formar umas bolhas de gordura. E quando a gente faz a fixação dessa lâmina, os fixadores, eles degradam a gordura, então ficam os buracos mostrando onde tinha as moléculas de gordura na célula.

Outro tipo de degeneração é o acúmulo de proteína, que a gente já citou, que é a degeneração hialina. Geralmente aparece com algumas gotículas ou vacúolos, são os espaços no citoplasma, ou ainda agregados arredondados eosinófilos no citoplasma. Então, essa parte mais escura aqui, ó, isso tudo é proteína que tá com um lado aqui. E nas minhas células, tá mais ainda. Acúmulo de proteína em excesso de síntese proteica, aumento de reabsorção renal, defeito no transporte, secreção, acúmulo de proteína no citoesqueleto dessa célula, agregação de proteínas normais. Então, são alguns motivos aí que podem levar essa alteração. Dá para perceber aqui, ó, uma área mais circular, mais escura, que é de acúmulo de proteínas dentro das células.

Professor, se isso continuar acontecendo, essas elas vão morrer? Sim, e esse tecido também morre. Então, aí a gente vai ter uma necrose tecidual. E essa alteração é uma alteração de cálcio, uma degeneração cálcica. Então, o que é que ela? Todo o processo de calcificação no tecido. Aqui também mostrando essas certas aqui, ó, normalmente em volta do vaso sanguíneo, próximo de vaso sanguíneo. Uma parte mais escura, que é calcificação. Quando calcifica e fica duro o tecido, imagina o osso, por exemplo, são mais duros. E aí aquele tecido que é, por exemplo, pulmão, ele vai ficar mais endurecido. E se o pulmão está endurecido, ele não faz o que? Ele não dilata para encher de ar na inspiração e ele não funciona. E quando calcifica, a gente fica com áreas fibrosadas. E aí, aqui só para constar, tá mostrando uma antracose, que é um acúmulo de partículas de carvão. Novamente, relação da poluição, ao tabagismo, entre outras alterações. E aumenta o som. Degeneração cálcica, ela acontece em tecido morto, que são áreas de necrose que a gente tem. Dá para perceber que manda um tipo de necrose, necrose caseosa, que aconteceu nesse tecido dormente por micro-organismos que causam dano no pulmão.

Pode ser ainda acúmulo de glicogênio. Lembra do glicogênio, tipo de carboidrato que a gente utiliza para armazenamento de energia? Tem várias células, mas eles têm, por exemplo, no fígado, muito glicogênio, porque quando a gente consome um carboidrato, ele é quebrado, entra no nosso sangue na forma de glicose, e a glicose é espalhada por todo o corpo. Vai, por exemplo, para o fígado e é transformada, armazenada na forma de glicogênio. Então, se esse glicogênio não conseguisse ser quebrado, ele vai se acumulado na célula. Isso não é legal para os tecidos, principalmente para o fígado, nem para o corpo, porque se eu tô guardando muito, eu não tô usando na forma quebrada, que é a glicose, a molécula é a menor. Então, eu tô conseguindo utilizar glicose como fonte de energia. Tá? Eu encontrada em pacientes com alteração no metabolismo de glicose e do glicogênio. A quebra do glicogênio, a gente tem um nome específico na bioquímica, que é a glicogenólise. Glicogenólise, então, a quebra do glicogênio. Essa alteração que aconteceu nesse paciente, por exemplo, para acumular glicogênio, aparece como vacúolos claros no citoplasma. Então, aqui eu vou aumentar porque não dá para enxergar muito bem, mas esse é o núcleo da célula, esse roxinho. E aqui tem vários pontinhos mais claros em volta do núcleo. Dá para ver nessas células aqui, por exemplo, essa célula aqui, ó, e tem vários espaços, né, em volta do núcleo. Aqui, por exemplo, isso é que quando faz a fixação, a gente consegue enxergar melhor. Então, no diabetes, isso é um exemplo muito claro, porque no diabetes eu não consigo utilizar a glicose direito como fonte de energia. Eu tenho alteração no metabolismo da insulina e eu não consigo quebrar direito. E glicogênio também. Doenças de depósito também podem modificar o glicogênio na célula. E aí, quando eu vejo o fígado e eu enxergo esse monte de buraquinho, digamos assim, quando eu faço a coloração, esses buraquinhos todos, esses espaços, esses vacúolos, que é o nome que a gente utiliza para isso, podem estar relacionados, por exemplo, com excesso de glicogênio no tecido hepático. Ok?

E aí, a gente também tem o acúmulo de pigmentos. Então, tem aqui, ó, esses pretinhos são carvão, basicamente, tá? São a poeira do ambiente, poeira de carvão. Tudo isso daqui, ó, normalmente é no pulmão de pessoas que moram em cidades muito poluídas, tipo São Paulo, assim, por exemplo, ou em outras cidades da China, sei lá, em alguns outros países que os caras até andando de máscara de tanta poluição. É isso que acontece. Tem um excesso de poluição e não-fumantes também, pelo acúmulo de substâncias aí de queima de substância poluente do ar e tudo mais. E isso vai se fixar no pulmão, porque as células vão lá e fagocitam essas estruturas. Então, poluentes do ar, como carbono, por exemplo, de carvão, levam essa cor escura do tecido pulmonar, que a gente dá o nome de antracose. E a própria tatuagem, que nada até ver com antracose, sim, é um tipo de pigmento também, tá? E ainda, dependendo da cor que você fizer aí só tatuagem, você tem acúmulo de pigmentos diferentes nos seus tecidos. A gente também tem acúmulo de substância do nosso próprio organismo, por exemplo, lipofuscina, que é derivado da peroxidação de lipídios. Aqui que mostra para gente, por exemplo, uma lesão por radicais livres e peroxidação lipídica. Então, não aparece como um pigmento castanho amarelado, alguma coisa do tipo. Isso também é um indício de lesão celular, mas é um outro motivo aí, não tem a ver com o carvão, por exemplo, não tem nada a ver com carvão. Ok?