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Mateus Paderes: Autogestão e Produtividade [Ep. 041]

Eslen Podcast1:39:27

Transcription

Salve, salve, pessoal! Sejam todos muito bem-vindos a mais um episódio do Weslen Podcast. Estamos aqui hoje com o Mateus Paderes, que é formado em Sistemas de Informação e especializado em Business Agility, e também é professor do módulo de autogestão do Reservatório de Dopamina, que é um módulo muito elogiado pelos alunos.

A galera tem uma alta retenção nas aulas do módulo de autogestão. Muita gente no início tinha preconceito, acho que esse nome está muito banalizado. Inclusive, acho que é uma coisa legal da gente falar aqui. E a galera muitas vezes tinha um certo preconceito: "Ah, essa questão de produtividade tóxica, eu vou aprender a ser produtivo, vou ficar ansioso com a produtividade". Mas, na verdade, o Mateus, de uma forma muito brilhante, eh, mostrou lá que produtividade não é sinônimo de ansiedade, ou não, ou não, não precisa ser sinônimo de ansiedade.

E aí, Mateus, obrigado pela sua presença, cara. Eh, já vamos começar com esse tópico aí, meu: por que que essa coisa de autogestão e produtividade hoje, na sua visão, está gerando um certo preconceito na população? Assim, você tem, você concorda com isso também?

Concordo. Tem dois pontos. Tem o ponto da produtividade tóxica, que eu acho que já foi muito vendido isso, né? Não sei se foi muito por conta de pandemia, pós-pandemia, todo mundo trabalhando muito e muita gestão de tempo, trabalho, trabalho, trabalho pelo trabalho. E no final, produtividade vira mais um problema do que uma solução. E tem também a questão de gestão de tempo, organização, muito "coach", né, que você vende que é a solução para tudo.

Ah, a parte de produtividade tóxica... Ah, é algo que a gente tenta evitar muito, né? Você vê a produtividade como um fim: "Eu quero alcançar a produtividade, eu quero ser produtivo". E a produtividade acaba não tendo um objetivo. A produtividade, ela tem que ser um meio, né? Eu falei bastante isso no RD, no RD Experience: a produtividade tem que ser um meio para eu alcançar um objetivo, um meio para eu alcançar performance, um meio para eu aumentar meu impacto. Não adianta ela ser o meu fim, se ela for "fim em si" e eu quero ser produtivo por ser produtivo. No final do dia, minha chance de ter um burnout é maior, a chance de terminar o dia ansioso querendo fazer muita coisa é maior. Acaba não tendo tanta função. Perfeito.

E o que que é, o que que você, você seria um cara, por exemplo, que dentro de uma empresa teria um papel de algo ali no eixo de CEO, de organização de projetos, de operações?

Isso. Hoje eu tenho cargo de diretor de projetos, né? Ah, estou guiando a carreira no médio prazo para sentar aí numa cadeira de... legal.

E para a galera entender assim, quem não é da área das empresas, como é que funciona a vertente de um diretor de projeto? Digamos que aqui no RD eu queira, a partir de agora, ter um novo podcast. Assim, você é o cara que organizaria a implementação disso, viabilizar a estruturação, operação, execução de todos os projetos dentro de uma empresa?

Então, dentro da empresa, alguém tem uma ideia. Essa ideia pode ser desde uma ideia para implementar alguma coisa internamente na empresa ou alguma coisa externa, né? Então, vamos dizer aqui que a gente tem o RD. Ah, nós queremos implementar um novo produto para o RD, é uma ideia externa, a gente está passando essa ideia para um usuário final, para um cliente. Ou a gente pode ter a ideia de fazer uma melhoria de um processo. Então, a gente entende que o nosso processo de atendimento do suporte não está tão legal, nossa ideia de, eh, instabilidades da ferramenta não está tão legal. Então, a gente tem um projeto interno para melhorar algum processo da empresa. Para todos esses processos, eh, projetos, você tem alguém que é designado para organizar aquilo. Então, normalmente sou eu ou o meu time que vai cuidar disso daí.

E aí, além disso, você tem os processos que guiam o dia a dia. Hum. Então, como que eu sei se a equipe está sendo produtiva e como que eu sei que os projetos estão sendo tocados da melhor forma possível? Quais são os processos que eu tenho ao longo de um dia, eh, que garantem a minha qualidade no final da operação? Esses processos também ficam comigo para garantir que eles estão sendo executados da melhor forma e também que eles estão sendo melhorados, né? Um processo, ele é infinito, ele não está na sua última versão, a gente sempre está melhorando ele. Uhum.

E você hoje tem... Imagino que com a tecnologia as ferramentas para colocar isso em prática são inúmeras, né? São, tem ferramentas de gestão de projetos mesmo, tem, hoje vai aparecendo muita ferramenta. Eu gosto muito do básico, porque eu acho que a ferramenta ela não vai resolver o problema do processo, eh, e às vezes a ferramenta ela pode estar até meio poluída, né? Tipo, piora. Primeiro vem processo, né? Pessoas, processos e ferramentas, né? Se você não tem as pessoas corretas, você não vai conseguir desenhar um processo que vai ser executável, que vai ter o output necessário. Consequentemente, não vai ter ferramenta que vai resolver seu problema. Então, tem que ter uma pessoa, pessoa, eh, que esteja ali comprada com a empresa em relação à cultura, em relação à habilidade, ela tem que estar preparada para a posição que ela está e sentada ali executando a partir disso. E a partir das necessidades da empresa, a partir dos projetos que eu tenho que executar, dos resultados que eu tenho que gerar, eu tenho processos. E esses processos, eles vão guiar a qualidade que eu vou executar minhas atividades, a velocidade que eu vou executar essas atividades, tudo que eu vou fazer no dia a dia. A partir do momento que eu tenho pessoas e processos bem estruturados, aí eu vou parar para olhar para a ferramenta. Uhum. Porque se a gente inverte esse, eh, prisma, mané, eu vou ter que adaptar as pessoas à ferramenta. Uhum. E quando você olha no mercado, tem ferramenta A, B... É mais fácil fazer o inverso? É muito mais fácil. Não é nem questão de ser mais fácil, mas é que aí eu vou ter que, eu tenho que me adaptar para uma ferramenta que está no mercado, e aí eu vou ter que organizar minha empresa, organizar meu processo para encaixar numa ferramenta. Quando, na verdade, eu preciso organizar a empresa, organizar meus processos para minha necessidade, para os meus clientes, para o meu produto. Então, é muito melhor olhar para dentro e organizar dentro. E se eu precisar organizar e fazer isso num papel de pão, se eu precisar fazer isso no Excel no começo, não tem problema, porque eu estou organizando. Depois disso, eu parto para ferramentas que vão permitir fazer isso.

E você vê o inverso acontecer, cara? Eu imagino que aconteça o inverso. A pessoa deve, até por, considerando a forma de comportamento do ser humano, a pessoa, imagino que muitas vezes deposita na ferramenta a esperança de resolver os problemas sem organizar o comportamento dela, né?

Isso daqui é, cara, sensacional. A gente está falando de empresas e de onde veio até o do módulo da RD. Tudo que eu falo é de conhecimento de empresa. É, eu até botei aqui, depois eu quero ver como que a gente consegue colar isso na nossa vida, né? Porque, perfeito, ou, ah, como eu organizo um projeto não é muito diferente de como eu vou organizar qualquer projeto na minha vida. Eu tenho que ter, fazer dieta, cozinhar mais, mesma coisa.

E aí, quando você fala dessa questão de, eh, pessoas, processos e ferramentas, o que acontece, fazendo abstração até para o dia a dia: a pessoa vai lá e olha no Instagram que o Weslen faz alguma coisa, olha no Instagram que o Mateus usa o Google Calendar. E aí ele quer usar o Google Calendar também. Ele não organizou ele como pessoa, não organizou os processos do dia a dia dele, mas ele já quer usar o calendário. Exato. Aí ele começa a se adaptar para caber no calendário. E aí o dia a dia dele fica quadrado, a rotina fica quadrada, a gestão dele fica quadrada, não encaixa, parece que você tem que forçar para executar.

Então, se a gente já faz isso no dia a dia, as pessoas fazem isso no dia a dia, que é um erro comum. Empresas também fazem isso: "Olha para o concorrente, olha para alguém que está, eh, entregando muito, tendo resultado, faz aquele benchmark mal feito. Pô, o fulano usa o Jira, o fulano usa ferramenta tal de faturamento, a gente tem, tem que usar aquela ferramenta que ela é sinônimo então de sucesso". Quando não é a verdade. Eu tenho que preparar bem ali a base de pessoas e processos para depois ver o que eu preciso encaixar como ferramenta. Às vezes a empresa que está fazendo um sucesso trocaria a ferramenta e continuaria tendo sucesso, porque não é a ferramenta, é as pessoas, né? Pessoas e processos, os processos.

E quando você diz assim, "pessoas e processos" dentro de uma empresa, eh, vamos talvez até primeiro da empresa, depois a gente joga para a PF, né, digamos assim, mas se tu quiser também pode ir costurando isso, eh, o que que seria uma, os processos, quando você, só para a gente conseguir detalhar isso para o público?

Processo é uma sequência de atividades. O que que é um processo, né? É uma sequência de atividades que tem um input e um output esperado. Então, o processo de escovar os dentes: você tem um input ali, você pega a escova, você pega a pasta de dente, você executa uma sequência de atividades e você tem um resultado esperado a partir daquela sequência de atividades. Isso é um pouco de padronização. Por que que é importante ter um processo? Eh, imagina se cada um faz de um jeito dentro da sua empresa. Então, ah, você, você tem uma área de faturamento com cinco pessoas trabalhando, uma área de suporte com cinco pessoas trabalhando, e cada um decide atender o cliente de uma forma diferente, cada um decide fazer gestão de projetos de uma forma diferente. Você não tem certeza dos outputs que vão ter, você não tem certeza do sequenciamento de atividades que está sendo feito. Consequentemente, você não tem controle de qualidade, você não tem, eh, controle sobre o tempo que está sendo executado, os recursos que estão sendo utilizados, o retrabalho que está tendo, né? E você não consegue medir, né? Como que eu vou comparar a banana com maçã? Pô, qual modelo é melhor? Onde que está tendo problema para a gente melhorar? Então, processos é essa padronização de etapas, de passo a passo de tarefas que você executa, eh, com base em um input, com base numa entrada de dados que você vai processar, e aí você tem um resultado esperado a partir desse processamento de atividades. Perfeito.

E aí, tudo que a gente vive é um pequeno processo que você executa, desde, como eu falei, escovar os dentes até qualquer coisa no seu trabalho. Eh, pô, eu vou... A forma com que você chega, você bate o ponto, às vezes, é um processo que você tem que seguir. A forma com que você atende seus clientes, a forma com que você organiza seus projetos, eh, a forma com que você tem que cuidar do financeiro, você segue processos muitas vezes que são estabelecidos ou por alguma entidade. Pô, no mercado você olha e tem a entidade X que fala de boas práticas de faturamento. E esses são os processos que aquela entidade fala, você vai seguir aqueles processos ou você adapta alguma coisa dentro da sua empresa. Perfeito.

E quando você, eh, translaciona isso para a vida da pessoa, para, para atividades pessoais, assim: a pessoa quer treinar mais, a pessoa quer fazer dieta, a pessoa quer estudar mais e se concentrar mais. Eh, você considera que existe também uma, algum tipo de processo que a pessoa deveria entender? É uma construção de processo que, se você parar para olhar, qual é o motor que é essa, esse sequenciamento de atividades no nosso dia a dia, é a rotina. Perfeito. A rotina é a forma, olhando para a PF, né, é a forma com que você cria esse sequenciamento de atividades para alcançar um resultado esperado. Então, a partir do momento que você quer, eh, melhorar, fazer algo novo: "Pô, eu quero agora passar no concurso, então quero estudar mais", ou não, "Eu quero sair da obesidade, quero, eh, colocar ter uma vida mais saudável". Tudo isso é uma mudança de um comportamento, tudo isso você tem um objetivo que você quer alcançar. Então, a partir dessa mudança, a partir desse objetivo, você vai definir um processo. "Ah, eu vou na academia três vezes por semana. Para ir na academia, eu preciso acordar, comer alguma coisa, pegar minha roupa e ir, pegar meu carro e ir para a academia". Isso é um processo que você executou. Então, você monta aquela rotina para automatizar a execução desses processos para alcançar o objetivo que você quer.

E por que que muita gente associa rotina, na sua visão, com ansiedade? Assim, tipo, como se fosse uma coisa que vai te gerar ansiedade. Porque tem dois pontos, né? Ah, eu acho que as pessoas... Estava conversando com o Lutz isso outro dia. Muitas vezes a gente começa a executar, aplicar alguma coisa com uma base de conceito errado. E se o conceito está errado, tudo dali para frente vai dar errado. Qual que é o conceito de rotina? Assim, se a gente tem um, uma, um ditado que assim: "Se entra porcaria no artigo, o resultado vai ser porcaria". Ou, qual que é a etimologia da palavra rotina? Rotina significa, do francês, "rota". Então, legal. O que que eu quero alcançar? É uma rota. O que que é uma rota? Rota é o melhor caminho que você pode percorrer de A até B para alcançar esse objetivo e chegar onde você quer chegar. Então, exemplo: você quer ir de Florianópolis para o Rio de Janeiro. Você vai colocar lá no Waze e falar: "Pô, quero chegar no Rio de Janeiro". O Waze vai calcular distância, pedágio, buraco, trânsito, tudo, e vai falar: "Olha, essa é a melhor rota que você pode seguir para alcançar seu objetivo, que é chegar no Rio de Janeiro". Se você tem um objetivo diferente, quer chegar no Rio de Janeiro, mas você quer passear com a família, então você quer ficar parando em praia, tudo mais, colocar no Waze vai te dar a melhor rota? Não, ele vai te dar a rota mais rápida. Então, você tem que encontrar uma outra forma. Para você encontrar a rota mais adequada, você tem que adicionar novos filtros para fazer esse trajeto. Então, você continua tendo um objetivo, chegar no Rio de Janeiro, mas tem algum filtro diferente para ter uma rota de sucesso. Voltando para a rotina: se rotina é rota, a rotina, rotina deveria ser a forma com que eu organizo o meu dia a dia, com a forma com que eu organizo meus processos para alcançar um objetivo. As pessoas acham que rotina é chata, rotina monótona, rotina gera estresse, ansiedade. Mas a maior parte das pessoas não definiu nem qual é o objetivo da rotina delas. Por que que você quer montar uma rotina? Por que que você quer acordar 4:30 da manhã? E olhando, igual eu falei, de copiar as ferramentas erradas: a pessoa, às vezes, abre o Instagram e, não quer dizer que a pessoa não tem que seguir alguém que ela acha legal, que ela não tem que usar como inspiração, acho que tem que modelar, né? Aí ela abre o Instagram, ela vê: "Ah, o fulano acorda 4:30, o ciclano ele acorda, raspa a língua e faz, pisa na grama descalço, o outro ele acorda, toma banho gelado". Aí ela olha tudo esse monte de informação que tem e gera um pouco de confusão. Ela tenta copiar para o dia a dia e aí ela fica frustrada, ansiosa, porque muitas vezes ela não consegue fazer tudo aquilo, ou é ruim, né, ou a experiência é ruim, porque não tem um objetivo bem claro. Só está tentando replicar. Então, essa replicação, ela vai causar frustração com a rotina, porque você está construindo algo que não é para você. Uhum. Pode gerar ansiedade muitas vezes, porque você já olha alguém, quem que tem uma rotina muito bem estruturada... Isso aconteceu na mentoria, eh, chegou uma pessoa para fazer mentoria comigo e aí ela falou: "Meu, eu não consigo ter agenda, não consigo ter rotina, isso só me gera ansiedade, estresse, não dá certo". Falei: "Deixa eu ver sua agenda. O que que você fez?" Aí ela abriu a agenda lotada. Falei: "Legal, o que que você já fazia aqui da sua agenda?" "Ah, eu montei essa agenda e não fiz nada, rodei uma semana e não consegui fazer". Falei: "Você já montou essa agenda cheio de coisa, eh, era muitas atividades, muito, a pessoa completou das 6 da manhã às 9". Nossa, está louco. Só que, é, aí a pessoa quer sair do 8 para 80, é óbvio que vai gerar ansiedade. Tipo, imagino que seria o equivalente a você querer mudar a dieta, né, de uma forma absurda do nada. Vai funcionar? O cara que está totalmente desregulado, come fast food, não tem nenhum tipo de padrão, aí vai comer fruta, fibra, frango, o corpo, acho que ele até passa mal, não aguenta. Então, você dá um salto do 8 para o 80, e você, a agenda começa a gerar mais ansiedade do que resultado. A rotina começa a gerar mais ansiedade do que resultado. É aquele famoso momento em que a pessoa olha para a agenda e ela fala: "Putz, falta, falta 15 minutos para eu acabar essa tarefa na minha agenda, mas eu vou precisar de uma hora. Mas se eu usar uma hora, eu vou atrasar aquela, aquela atividade que eu já coloquei". Aí vira um, perdeu, perdeu o sentido, não tem mais o sentido ali. Então, as pessoas têm, têm esse problema de conceito do que que é rotina, não tem objetivo, principalmente em relação do que que é a rotina que a pessoa quer seguir. Ela tenta copiar isso, já começar no 80 vai gerar frustração, vai gerar ansiedade. Tem que começar aos poucos, tem que começar realmente ali "baby steps", né?

O Fábio, ele fala que até as pessoas que não têm rotina, têm rotina, se você for observar um pouco mais amplo. Sim, porque, por exemplo, a pessoa fala: "Cara, eu não consigo ter rotina". Mas às vezes você vai olhar nos últimos dois anos, essa pessoa aí, por exemplo, da sua mentoria, ela tentou fazer isso nos últimos dois anos umas 10 vezes. Então, ela tem uma rotina, ela tem uma rotina de tentar fazer um monte de atividade de forma extrema, aí ela falha, aí ela fica um vale ali frustrada, aí tenta de novo. É uma rotina, sim. Mas, e mesmo a pessoa que fala assim: "Não, eu não uso calendário, não uso rotina, tipo, me prende muito". Essa pessoa, ela não vai fazer uma, uma semana caótica. Ela não acorda na segunda às 6, na terça às 9, ela vai para o trabalho às 10, no outro dia às 8. Na segunda ela vira à esquerda para chegar no trabalho, na direita ela vira à direita. As pessoas, elas seguem o mesmo padrão de comportamento. Tem até alguns estudos que eu acho que bem engraçado: a pessoa quando ela vai para o trabalho, ela tende a fazer a mesma rota, andar nas mesmas ruas, do mesmo lado da calçada. A pessoa que pega o transporte, ela entra no mesmo vagão do trem, do metrô, tenta sentar no mesmo banco, porque é muita novidade se você ficar mudando isso a todo momento, a gente não fica confortável com isso. Rotina é super econômico, cara, do ponto de vista comportamental, muito, porque você automatiza uma série de decisões que você não precisa tomar. E aí, obviamente, a longo prazo isso gera uma economia gigantesca a nível de sistema nervoso central. Então, é, é super bem-vindo.

E aí eu tenho uma, uma parada, Mateus, que eu sempre fiz assim, eu não sei se do ponto de vista de organização de projeto e execução de operação assim é correto. Mas intuitivamente eu sempre tive uma lei assim que eu coloquei para mim mesmo, até falo numa aula lá do RD, eh, que eu utilizo a agenda, eu coloco uma série de itens na agenda e eu me... E aí, obviamente, os itens que eu tenho na minha agenda, eles têm cores diferentes indicando a prioridade. Então, tem itens em vermelho, itens em laranja, itens que são relacionados a esporte estão em amarelo, itens relacionados à minha contabilidade pessoal estão em verde, itens relacionados ao meu aprendizado de novas habilidades estão em roxo, tipo aula de inglês e tal. Eh, e tem coisas que ali são inegociáveis, os em vermelho e os laranja são inegociáveis, eu preciso fazer agora. Tem alguns itens que eu coloco em, eh, roxo, é roxo clarinho assim, tipo um azulzinho clarinho. Esses itens são negociáveis. Então, sei lá, eu preciso ir ao mercado comprar plástico filme, falei isso, esse exemplo, que eu preciso comprar plástico filme, eu preciso comprar não sei o quê, gastou tudo lá na bicicleta, é, exato, estou com medo que o suor [ __ ] minha bike. E aí eu, eu esses itens, cara, se chegou no final do dia assim, eu estou extremamente cansado, eu boto para outro dia e não fico mal em fazer isso. Então, eu tenho essa regra de ter uma gordura na agenda diária para queimar, claro que eu tento não queimar essa, não ficar me, me passando, né, mas eu tenho essa flexibilidade. Como é que é na, na parte de você que é um cara que trabalha profissionalmente com essa organização de projeto, o que que você pensa sobre isso? É uma coisa coerente a ser feito?

Tem dois pontos que você falou que são interessantes. O primeiro ponto é: você tem atividades que são fixas. Tem coisa que é inegociável, você tem que fazer. Quando você vai montar uma rotina, qual é o primeiro passo, né? Definir o objetivo para saber onde eu quero chegar nessa rota. Qual é o segundo passo? Eu tenho que deixar agendadas atividades fixas, porque eu não tenho negociação. Eu tenho que levar meu filho na escola às 9 da manhã, às 9 da manhã eu tenho que ir na faculdade 7:30 da noite, eu não vou chegar às 8, 9. Aquele horário ele tem que acontecer, então já está ali o horário que vai ser executado. Eh, você tem uma priorização muito boa, então você tem clareza do que que pode ser feito no outro dia. E, sinceramente, é melhor ficar para outro dia do que fazer malfeito. O mercado é um exemplo, às vezes, que, ok, dependente do dia que você vai fazer. Mas responder um e-mail, cara, às vezes você tem que responder um e-mail para um, para um cara da, da universidade, para um cara da, da revista científica, tem que ser um e-mail muito bem estruturado. E você já está cansado, está ali no final do dia, já está com a cabeça não muito boa. Se você parar para escrever esse e-mail nesse momento, não vai sair bom. Pode ser que você perca uma oportunidade ou responda de atravessado ali o cara que está revisando seu artigo, alguma coisa. Pô, o cara vai ler lá, vai cortar sua oportunidade. Então, é muito melhor você deixar para outro dia do que fazer malfeito. Só que isso demanda planejamento. Porque se você estiver com as coisas sempre atrasadas, sempre em cima da hora, você não vai ter a opção de deixar. Se fosse vermelha, filho, minha ansiedade estaria no talo. E aí, pô, se você está sempre correndo atrás do atraso, sempre você está ali fazendo as coisas de última hora porque você não se organizou, não se planejou, você não tem essa opção de: "Pô, hoje eu não estou me sentindo bem e vou deixar para amanhã". Vai ter que fazer do jeito que está. E quando você faz com, não má vontade, eu vou dizer, mas com pouca energia, você já está cansado, já não é o momento ideal para você fazer aquilo, a qualidade sai baixa, a própria produtividade sai baixa. Sabe quando você pega, não sei se você tem isso, eu, se eu tentar estudar de... Cara, eu tenho que ler, sei lá, três vezes a mesma página. Também tenho. É difícil, não parece que o conteúdo não... Eu começo a ler e começa a divagar. Então, é questão de produtividade. Eu não estou sendo produtivo na atividade que eu estou colocando naquele horário e eu não estou conseguindo absorver o conteúdo. Então, é interessante, um, você já tem a questão de priorização, tem a questão de horário fixo, porque aquele horário fixo, beleza, não tem o que fazer, é naquele horário e já era. Os outros horários, eles são flexíveis. E aí você joga esses outros horários baseados com autoconhecimento. Então, a gente acabou de falar: "Pô, final da tarde não rola estudar". Eu não vou insistir no erro de colocar para estudar no final da tarde. Perfeito. Coloca no final da tarde alguma coisa mais simples, ir no mercado, fazer alguma coisa que não demanda uma capacidade cognitiva alta. E coloca essa atividade que é uma atividade importante para você no seu horário nobre da agenda. Pô, é de manhã. De manhã também eu, eu acordo bem cedo quando eu tenho que fazer esse tipo de coisa, porque eu não tenho barulho. Eu também. E não tem, não tem tipo, não vou ficar preocupado de ter alguém me chamando, porque às vezes não tem ninguém chamando, mas você fica: "Pô, será que tem alguém precisando isso mesmo, cara? Será que alguém mandou coisa no WhatsApp aqui? Será que alguém chamou lá, alguém vai brigar?" Então, você está, mas o seu sistema atencional está dividido, né? Não fica focado de verdade.

Eu vou te falar, cara, eu sou um cara paradoxalmente mais produtivo em feriado, final de semana e horário que não é comercial, só não de noite. Vou dar um exemplo: agora eu estou escrevendo a tese do meu doutorado e é uma atividade que requer uma concentração muito grande, principalmente nas sessões de discussão dos capítulos ali que tem que ler muito artigo e tal. E tem dias, tem final de semana que eu prefiro... Isso já faz um tempo que eu faço, tá? Eu prefiro tirar a sexta à tarde da minha agenda e transformar a sexta à tarde como se fosse no sábado à tarde ou no, no sábado de manhã. Isso eu faço desde... Putz, cara, faz um tempão já que eu faço isso, desde o início do mestrado assim. Porque sexta à tarde é um clima que é difícil assim, cara, está todo mundo: "Putz, já está vagaroso", tu manda mensagem, a pessoa não responde, já está lá em Nárnia. Então eu falei: "Eu vou tirar sexta à tarde para descansar", já que eu tinha essa flexibilidade por ser bolsista do, do mestrado e tal, e depois profissional liberal, profissional autônomo. E aí vou, vou estudar sábado de manhã. Então, o que eu fazia sexta à tarde, eu tiro da agenda as atividades e, e descanso. No início foi difícil porque eu ficava me cobrando, me culpando de estar descansando. E aí o que eu fazia sexta de manhã, eu acordava super cedo, propositalmente eu forçava acordar um pouco mais cedo para ter sono cedo. Aí eu não descansava durante o dia. Então, chegava sexta, cara, 20 horas da noite já estava super exausto. E aí no sábado eu acordava tipo 4 da manhã, 4:15, aí tomava um café, velho, só não comia, só tomava um café preto. E aí das 4:30 às 9, cara, aí a sociedade começou a acordar e eu trabalhei um bloco gigantesco, foi super produtivo, cara. Então, isso de fato é você ter conhecimento, né? Você, e obviamente ter a flexibilidade na agenda que permite isso, né?

Aí, deixa eu te perguntar uma coisa, já considerando isso, eh, no ponto de vista de colocar muitas atividades na agenda. Eu quero bater nesse, nesse prego, porque acho que é um erro comum nas pessoas. A pessoa, ela, até eu, eu já li isso em algum, já ouvi alguém falar isso: as pessoas tendem a superestimar o que conseguem fazer em um dia, então elas acham que conseguem fazer muito mais, e subestimar o que consegue fazer em 10 anos, por exemplo. Eu já atendi muito paciente que quando você vai olhar a agenda e, e o jeito da pessoa organizar o dia, não tem espaço de descanso. A pessoa considera o descanso uma perda de tempo. E por diversos, e, eh, diversas razões até neurocientíficas, a gente sabe que o período de descanso é importante. A gente sabe que tem pessoas que trabalham o dia todo e estudam à noite, né? Então, aí talvez seja um pouco mais difícil encaixar um descanso de fato. Já fui essa pessoa, já tive meus momentos assim, na, principalmente no último ano de faculdade, muito complicado, é uma fase da vida. Mas, considerando que a pessoa tem a possibilidade de colocar período de descanso, o que que você sugere assim que na agenda exista?

Tem esse ponto da faculdade primeiro. Ah, são pontos fora da curva. Acho que todo mundo, todo mundo não, né, a maior parte das pessoas vai passar por isso. Não vai ter período que vai ser um inferno, velho. Hum. Um momento que, tipo, cara, você vai acordar 6 da manhã, vai para o trabalho, vai sair do trabalho 7 da noite, tem aula 7:30, tem que pegar o buzão rapidão, vai chegar meia-noite em casa e ainda, se bobear, vai ter que estudar para a faculdade porque tem prova amanhã. Eu acho que nesse contexto é redução de danos, cara. Tipo, o final de semana não sai para balada, velho, bota sono que está faltando e, ou, e tentar organizar bem tipo alimentação. Ah, um pouquinho de exercício, porque são pequenos detalhes que vão fazer você ter mais energia no dia a dia, ter uma recuperação melhor. Então, já falando isso porque às vezes a pessoa fala, tipo, a gente vai falar de agenda, vai falar da rotina, e aí a pessoa fala: "Ah, mas eu estudo, tudo mais". Cara, segura, falta no pior cenário ali de tempo, olhando a duração, 4 anos para isso acabar. Eh, acabou, vai ficar um pouco mais fácil. Se você fizer essa, entre aspas, políticas de redução de dano, vai sobreviver e ainda vai conseguir performar o máximo possível. Então, de fato, cara, final de semana talvez seria uma boa opção se você conseguir fazer almoço para a semana inteira. Eu, por exemplo, eu sou um cara que eu poderia hoje contratar um cozinheiro, uma cozinheira para ter ali minhas marmitas. Eu faço minha comida. Agora, na verdade, de hoje a minha namorada está fazendo porque estamos num sabadão aqui gravando podcast. Mas normalmente sábado, inclusive posto várias vezes lá, eu faço 3 kg de frango em cubo com sal, pimentão, cebola, páprica, um monte de coisa ali, bonito ali, páprica defumada. Pessoal, esse é o segredo: o dia que vocês começar a botar páprica defumada no frango e nos legumes, é "game change" para o resto da vida, hein? Páprica defumada é rolê e pimentão. E aí eu faço, que, 3 kg de frango, eu faço duas panelonas de que dá 1 kg de arroz, deixo pronto, e faço, sei lá, 8, 10 beterrabas. Cara, isso daí, meu, eu já matei aí. Durante a semana eu faço os brócolis na hora ali que precisa. Eu já matei as principais refeições, as principais refeições, exato. 5 minutinhos para fazer as principais refeições do dia, que é o almoço e a janta, estão prontas. Aí eu deixo na geladeira, eu não congelo, tá, pessoal? Boto a geladeira no máximo e deixo na geladeira mesmo. Lá, lá por sexta, quando tu já vai comer, ela está com meio estranho assim, o cheiro começa a ficar meio estranho, mas sobrevive até sexta-feira. Aí às vezes sexta o cara faz um macarrão ali mais rápido. Mas, cara, resolve demais o problema. Então, essa pessoa que está na faculdade, às vezes seria inteligente tirar o final de semana, deixar várias marmitas prontas, além de economizar um monte e comer melhor, né, cara? É uma redução de danos, sim.

Eu passo um exercício sempre na mentoria, independente se a pessoa está estudando, fazendo o que for, que é o seguinte: durante duas semanas, anota tudo que você faz, tudo. Duas semanas, porque às vezes tem alguma atividade que é meio pontual, vai aparecer nos 15 dias. Então, "Caramba, eu vou para o trabalho e..." Seja em trabalho, vida pessoal. "Ah, no trabalho eu faço A, B, C, D. Em casa, ah, eu limpo a casa, eu lavo a roupa, eu cozinho, eu tenho que ir no mercado, eu levo o cachorro para passear", tudo. A partir disso, você tem um mapeamento completo do que você faz. E aí você começa a olhar de forma mais estratégica para o seu tempo versus o que é prioridade. Nessa lista vai ter coisa que você pode, eh, eliminar. O que que é eliminar? Baseado nas minhas, nas prioridades, não faz sentido eu estar fazendo isso. Pode ser que você elimine amanhã, pode ser que você elimine em um mês, tem que ter um plano para você tirar aquilo dali. Perfeito. Você pode automatizar. O que que pode ser automatizado? Tem coisa que você pode automatizar às vezes com uma ferramenta. Exemplo: "Ah, eu estava atendendo uma pessoa que era, ela tinha que ficar, eh, recebendo as mensagens dos, dos alunos para agendar a aula, e ela, e ela lá agendava as aulas". O cara gastava uma hora por dia nisso. Falei: "Meu, o tempo que você está gastando nisso, compra uma ferramenta que vai intermediar isso e vai automatizar para você". Terceiro ponto: o que que é prioridade e que você vai ter que executar? E aí o que você vai executar... Tem coisa que você pode delegar e coisa que você vai executar. No meio do que você vai executar, ou seja, cara, você já limpou um monte de coisa aí, teve coisa que você eliminou, teve coisa que você, e, automatizou, teve coisa que você delegou. Chegou no que eu vou executar, qual que é a melhor forma de você executar isso? "Pô, eu tenho que fazer comida, não vou comprar, eu vou fazer minhas marmitas". Será que eu colocar um bloco só no final de semana é melhor? Será que eu contratar alguém, delegar isso, é melhor? De qualquer forma, isso vai automatizar a rotina e vai, eh, minimizar o impacto de você ficar comendo fora. Porque eu já tentei cair nessa daí de tipo, ah, chegava tarde em casa, eu vou fazer janta, não funciona, cara. O iFood sempre cantava em casa, cara, está exausto, não rola. Não foi à toa que eu fiquei pesando 125 kg, eh, depois a gente vai falar sobre isso mais para frente. Ô, não é à toa, cara, tipo, sempre a chance de falhar, está cansado e vem aquela questão de recompensa. Ó, neurobiológico falando: uma das partes mais caras do nosso cérebro é o córtex pré-frontal. Ela é cara. O córtex pré-frontal, pessoal, só para você saber, é a região do cérebro envolvida com tomada de decisão, avaliação de consequência. Sabe quando você está na dieta e, e tem aquele chocolate assim, você pensa: "Não, não vou comer porque eu estou na dieta, vou ficar mal". Esse pensamento, essa conversa entre você e você mesmo, quem faz é o córtex pré-frontal. O córtex pré-frontal, por ser caro, quando, e chega no final da noite, você já está com o seu cérebro atolado de adenosina, já está cansado, já fez muita fosforilação, já está exausto. A região que mais precisa de combustível já está tendo pouco combustível, né, porque você já passou o dia todo. E o cérebro, ele é, ele tem um mecanismo de auto, e, digamos assim, uma, um, um feedback, um, um feedback inibitório, ou seja, quanto mais você usa ele, mais ele dá sinal de cansaço para você dormir. E tanto é que na escola você aprendeu que existe o, a moeda energética da célula que é o ATP, né, o trifosfato de adenosina. O que que é o trifosfato de adenosina? São três fosfatos numa, são adenosina três fosfato. Quando você usa, vira ADP, que é o difosfato da adenosina. E quando você usa mais uma vez, ou seja, você gastou energia pensando, vira o AMP, que é adenosina monofosfato. Quando a adenosina monofosfato aparece, produto dessa fosforilação do ATP, ou seja, produto do uso energético, essa, eh, adenosina se liga num receptor que induz fadiga central. Inclusive a cafeína é uma, é uma substância que se liga antes no receptor de adenosina, impedindo a adenosina de ligar ali no receptor, portanto diminuindo a sua percepção de fadiga. Aí chega o cara, a fadiga está lá, ainda está lá. Isso, você, você reduziu a percepção de fadiga. Aí você chega de noite, teu cérebro atolado de adenosina, não consegue pensar em mais nada, tomar boas decisões, tipo estressado, cara, buscando recompensa, você não vai fazer um frango grelhado com arroz. Nem é hora que vai aparecer aquela frase na sua cabeça: "Não, mas eu mereço pedir aquele japonês". Exato. E outra, o iFood, não sei se vocês sabem, pessoal, ele sabe a hora que você normalmente tende a pedir alimento. Eu, por exemplo, teve uma época que o Lara ia lá em casa, a gente fazia um monte de reunião e trocava ideia, a gente sempre comia pok na quarta-feira, comida havaiana. Até hoje, cara, toda quarta-feira de tardinha, que era a hora que o Rafi chegava lá, ele me manda um: "Vai um pok aí, cara?" É por localização, está tudo muito inteligente. Eu cheguei aqui no aeroporto e o Uber já me sugeriu vir para o Mercury. Exato. Ele já sabe, ele já sabe, ele já sabe quando você está em tal localização, o iPhone tem isso, você tende a abrir este aplicativo. Isso. Então, é muito, tem que... Então, chega de noite, aí, meu, então encontra essas atividades, você vai ter que encontrar uma forma de, cenário ainda do estudante, né, você encontrar uma forma ainda de recuperar melhor e usar melhor seu tempo. Esse é um exemplo. É uma forma de recuperar melhor, cara, ficar atento com cafeína depois de certo horário, porque você vai descansar pouco. O pouco que você vai dormir, você tem que ter certeza que ele está recuperando qualidade, né, porque normalmente está dormindo 6 horas, 5 horas por noite, tipo, quando está dormindo muito. É o que que você come de noite, o que que você come de manhã. Então, você tem que ficar muito atento a esses pequenos detalhes que vão permitir você ter o pouco de descanso, seja um descanso bom, e o final de semana bem utilizado para ganhar tempo durante semana. Exato. Sair do cenário estudante, vamos voltar lá para o cenário do cara que tem agenda cheia. Ele tem um dia, se formou, já está trabalhando, está o dia a dia corrido, ele tem que ainda estudar porque está fazendo uma pós, mas a pós é duas vezes na semana. Ele trabalha muito, tem suas tarefas de vida adulta. Eh, só que as pessoas, elas tendem a deixar estudo e descanso de lado com o passar do tempo, porque elas querem ficar atarefadas. Elas querem ficar atarefadas porque a gente cria essa impressão de que ficar, ficar ocupado é bonito, né? Ter muita reunião é bonito, estar com a agenda cheia é bonito, é isso que me dá o resultado. Só que isso causa um, um estresse, né? Nem no esporte você treina o dia inteiro. O esporte, se ele fosse só resultado de você treinar muito, é, ganhava quem treinava mais. Isso. E não é a realidade. O, o próprio, o, o Vinhal veio aqui, ele falou, né? Tipo, pô, o cara treinava de manhã, voltava para casa, dormia, comia, recuperava porque tinha que fazer outro treino. Como que eu faço para ter uma recuperação, eh, para diminuir estresse e ficar mais performático ao longo da semana? Eu gosto de brincar que a gente passa por picos de estresse ao longo do dia e você tem que ter um estresse que seja saudável, né? Não quer dizer que você não pode ter nada de estresse, mas também você não pode passar muito esse pico. Quando você olha ao longo do dia, você tem desde o momento que você acorda até o momento que...

Você chega no final do dia na sua casa, situações que vão aumentar seu nível de estresse. E você tem que encontrar uma forma de ir puxando isso contra a correnteza, porque se você não puxar isso contra a correnteza... Exemplo: eu acordei e saí para trabalhar, tomei uma fechada no trânsito. Aí eu cheguei no trabalho, eu recebi um e-mail mudando uma priorização em cima da hora, já fiquei P da vida porque mudou todo o meu sequenciamento de atividades, estresse de novo. Entrei na primeira reunião do dia, o cliente me deu uma invertida, passei vergonha na frente de todo mundo. Não deu 11 da manhã, o seu pico de estresse está no máximo.

Como que eu faço para encontrar uma forma de ir puxando esse estresse para baixo? E aí vai do autoconhecimento. Então, pô, eu já estou sentindo que eu estou ficando estressado, ou eu já sinto que eu chego no final da manhã muito fadigado. Eu vou colocar 5, 10 minutos ali às 10 da manhã, 10:30, para levantar, pegar uma água e deixar o celular na mesa. Sai! Isso é importante, né, cara? Porque a galera acha que descansar é ficar rolando reels. Não! Aí sai. Nem só isso, né, mas sai. Está ali no WhatsApp? Sai! Está respondendo mensagem? Ou sai, está ali rolando o feed? O problema é que a hora que você está rolando o feed, você tem a falsa impressão de que você está estudando, mas você está ocupando a sua cabeça com conteúdo. E tem a impressão de que alguém falou isso: "Ah, eu fico rodando notícias", mas no final você não absorve nada de útil. Você está consumindo um monte de pequenos conteúdos e está jogando ainda coisa para dentro da cabeça. Não, não teve nenhum consumo bom de conteúdo, mas a energia está indo embora. Uhum. Então, coloca esse descanso proposital ali no meio da manhã, 5, 10 minutos de levantar, pegar uma água, respiração. Cara, só de você parar, conseguir colocar um padrão de respiração mais cadenciado, pô, respirar... Respirar quatro em 4 segundos, segura a respiração, solta em seis. Você já consegue diminuir seu nível de estresse, já consegue colocar numa situação mais prazerosa. Você puxou esse estresse um pouco mais para baixo. Aí você volta para a rotina do trabalho, vai subir, e você vai fazendo essas pausas.

Pô, trabalho de casa. Quando eu estou vendo que eu estou ficando um pouco estressado, cansado, a coisa que tipo é ótima: eu vou lá e faço um carinho na minha cachorra. 5 minutos. Eu pego minha cachorra, pego uma água, sento no sofá. Cara, a hora que você volta a trabalhar, parece que tipo... E realmente, cara, 5 minutos de um descanso adequado e correto é bastante tempo, né, cara? Não, ele muda muito. Faço essas pausas de cinco no momento que eu estou com um período muito grande de trabalho.

Aí vai autoconhecimento também, porque tem dois pontos, né? O ponto de autoconhecimento para você saber ler você mesmo e entender que você está ficando estressado, e autoconhecimento para você entender qual que é o tempo máximo que você consegue ficar focado trabalhando. A gente estava conversando, você falou que faz blocos de uma hora de estudo. Pô, você já deve ter testado: estudei meia hora, não perdi o foco; deu 1 hora e meia, fiquei cansado. Uma hora foi o tempo ótimo. E meia hora, eu sinto que eu estou no auge assim. Aí se eu sair, perde o flow ali do... Exatamente. Então, autoconhecimento para você entender quanto tempo eu consigo ficar trabalhando de forma sequencial sem perder qualidade.

Como que a pessoa pode fazer isso? Ela pode ter um Journal, né, um diário, onde a pessoa vai anotando, né? "Comecei a trabalhar agora, 1 da tarde. Estou fazendo reunião ou estou estudando." Anota lá o tipo de atividade, o horário que começou e vai estudando. Exemplo: estou lá estudando, estudando, estudando, estudando. Passou 45 minutos, eu comecei a perceber que eu estou ficando disperso, estou me perdendo ali na leitura. Anota a 1:45 e vai catalogando isso ao longo de uma, duas semanas, três semanas. E você vai começar a ter um catálogo, porque o mais importante é ter dado para tomar decisão. É difícil, a galera não sabe nem o basal dela mesma, né? Então, tem que criar, tem que ter, criar consciência sobre esse basal. E na percepção, eu acho que a gente não tem essa, essa, esse dado muito, muito alto. Então, vai anotando: "Ah, comecei a ler esse horário, parei esse horário porque fiquei disperso na reunião. Comecei a ficar estressado. Comecei a perder a boa", tipo, trabalhando depois de tanto tempo. Depois de duas, três semanas, você vai ter dados para tomar decisão. Pô, eu estou percebendo que eu consigo trabalhar, consigo ler e ficar focado durante uma hora. Consigo ficar nas reuniões durante 1 hora e meia. Ok, encaixa uma pausa já no tempo máximo que você consegue, ou próximo ao tempo máximo que você consegue ficar focado trabalhando. Isso vai ajudar para que você não perca a produtividade, né?

Pô, no meio da atividade, toca ali o pomodoro, o despertador para você parar. Não é produtivo, mas também vai evitar que você chegue no nível extremo de fadiga, aquele nível que já vai ficar... você vai ter que descansar muito mais para recuperar. Então, vai encontrando esse equilíbrio ao longo do dia. E muita gente, cara, assim, acho que deve estar pensando: "Mas, mas poxa, dá trabalho anotar! Como é que eu vou anotar tudo isso?" E aí, beleza, talvez tem aplicativo que ajude e tal. Como é que você... Que que você argumentaria com a pessoa assim? Pra, digamos assim, a gente não está aqui para forçar a pessoa a ser produtivo ou alguma coisa assim, mas é que quando a gente... Como é que eu posso dizer isso? Eh, existe um efeito colateral na saúde da pessoa dela não ter rotina. E lembrando, tá, pessoal, aqui a gente não está falando de novo que rotina é você ter atividade das 9, das 6 às 9 da noite, das 6 da manhã às 9 da noite, sem intervalos de descanso e de uma maneira maluca e pouco produtiva, mas muito intensa. Pelo contrário, a gente está falando que rotina é você ter um autoconhecimento para entender qual que é a hora correta de colocar as coisas, aonde, etc. Mas muita gente fala: "Cara, não, isso daí é bobagem, é bobagem." No entanto, existe um efeito colateral para a pessoa, para a saúde da pessoa.

Primeiro porque, por exemplo, se ela comer em horários muito diferentes todos os dias, a gente sabe hoje, por uma série de estudos, que a alimentação é uma forma de sinalizar o nosso ciclo circadiano. Se você tem uma alimentação em horários específicos ou em janelas específicas, não sei se é sempre no mesmo horário, mas janelas específicas... E a gente sabe hoje que todas as células do nosso corpo têm genes de ciclo circadiano. Além da luz, além da luz natural, a alimentação também é um, é um, é um... a gente chama de "zeitgeber", uma palavra originalmente em alemã que significa, numa tradução livre assim, um "arrastador". Então, você tem o seu ciclo circadiano ali de acordar, está horário, dormir, está horário. O ciclo circadiano também envolve, além do sono, picos de fome, picos de alerta, eh, eh, eh, libido também tem a ver com ciclo circadiano. E se você, por exemplo, come num... isso já foi feito experimento tanto com humanos quanto com modelos animais... se você come um dia 10 da manhã, outro dia 1 da tarde seu almoço, aí um dia você come o seu lanche às 16 horas, outro dia às 14, você está dando um sinal em horários diferentes todos os dias para o seu corpo, de forma que até a tua percepção de fome altere. Então, assim, enfim, só estou dizendo isso para você entender que existe um prejuízo em não ter.

Aí, quando você fala assim: "Mas, cara, para você organizar sua rotina, é importante que a pessoa anote, a pessoa tenha a noção do seu basal, né?" E a pessoa que acha isso muito difícil... Cara, imagina que você deva trabalhar com isso para caramba, né? A pessoa que acha que é muito trabalhoso isso, né? "Ah, isso é foco no longo prazo e tem que ter um objetivo sempre." Normalmente, a gente acha na rotina como uma forma de melhorar, a forma de evoluir algum ponto da nossa vida. E se eu estou querendo evoluir, estou querendo melhorar, estou querendo crescer, estou querendo alcançar alguma coisa, mas vai dar um trabalho que eu preciso colocar uma energia no começo e, principalmente, nos pontos que se a pessoa não quer fazer a rotina que é vendida na internet, que todo mundo acorda às 6 da manhã feliz raspando a língua e toma banho gelado... E não estou criticando nem julgando isso, mas que não é o que todo mundo precisa. Uhum. Mas se a pessoa não quer cair na armadilha de fazer o atalho, fazer aquilo que é rápido, que todo mundo vende, que é fácil fazer, ela precisa ter autoconhecimento. Uhum. Porque a rotina, ela é diferente. A sua rotina é diferente da minha, que é diferente de todo mundo. E para a pessoa conseguir montar uma rotina bem estruturada, bem organizada para alcançar o objetivo dela, ela precisa ter autoconhecimento. Então, tudo isso de eu falo: "Anota, pensa, reflete", é porque a pessoa realmente precisa encontrar ali dentro dela qual que é o modelo dela que ela vai ter que aplicar. Uhum.

E é óbvio que ela não precisa fazer tudo de primeira. Ela não vai começar anotando o horário de produtividade dela, anotando essa questão do foco, anotando tudo. Ela vai começar a rotina com a parte mais básica: quais são as minhas atividades de horário fixo? Perfeito. E, por exemplo, qual que é a principal coisa que eu quero fazer? "Ah, eu quero melhorar o meu estudo." Ok, eu vou colocar um horário fixo de estudo durante a semana. É isso, é isso. E eu vou começar a fazer uma leitura a partir disso. "Será que esse horário está sendo bom? Será que esse horário não está sendo bom?" Vamos testar mudar esse horário de lugar. Coloquei de manhã, vou testar de tarde. A gente precisa testar para se conhecer também. Então, eh, comece aos poucos e você vai encontrando a sua forma de organizar sua rotina.

Isso tem benefício. Pô, a partir do momento que você tem uma rotina bem estruturada, reduz muito o estresse. Uhum. Eu vou reduzir a sensação de ansiedade, porque, diferente do que as pessoas acham, é muito mais ansiolítico você não ter clareza do que vai acontecer amanhã, não ter uma organização bem feita dos seus projetos, do que que ter. Pô, você vai dormir e, pelo menos eu, tenho... vou ficar muito mais ansioso se eu deitar, dormir e eu não faço a menor ideia do que eu tenho que fazer amanhã. Para mim, causa muito mais ansiedade do que ter a agenda lá, porque eu durmo tranquilo, eu sei que eu vou acordar e sempre que eu acordo eu estudo um pouquinho. Depois, está padronizado, está automatizado. Então, a rotina tem diversos benefícios: ela vai reduzir ansiedade, vai reduzir estresse, vai permitir que você reduza riscos a partir do momento que você planeja e começa a olhar um pouco para o futuro, uma semana para o futuro. Você reduz a sua exposição a riscos que você pode passar e vai permitir que você ande de forma mais intensa em torno dos seus objetivos.

Ah, Mateus, mas eu quero ter uma rotina, uma agenda mais leve. Eu quero só ocupar a minha agenda, além do horário de trabalho, uma hora por dia. Não tem problema. Tudo vai depender da intensidade que você quer colocar em torno do seu objetivo. Pô, eu quero colocar uma intensidade muito alta, eu quero aprender a falar inglês em um ano. Ok, você vai ter que colocar uma intensidade diferente de alguém que quer aprender a falar inglês em 3 anos. Uhum. Vai ser meia hora por dia? Vai ser uma hora por dia? Vai ser 3 horas por dia? Então, tudo depende do objetivo e da intensidade que você quer colocar para organizar essa rotina.

E dentro da sua, da sua análise, assim, como é que você enxerga a... Por não ter esse dado claro, mas assim, dentro do que você tem contato, a galera normalmente sabe os objetivos que eles querem? Na sua visão, algumas pessoas sabem? Tipo, vou dizer que está para uns aí, é de métrica do que eu já peguei de aluno mentorado, 30/70, 40/60. Assim, 40% sabe, 60% não sabe. É bastante gente. Não tem nem ideia, né, para que lado ir. Não tem ideia. É, não tem ideia, nunca pensou. Então, e aí, e diferente de idade, tá? Tem gente nova que não sabe, tem gente nova que sabe. Tem gente que já tem um pouco mais de idade, mais experiência, que sabe. Tem gente que não sabe. Então, é bem variado assim o resultado.

E tipo, no caso de não saber, muitas vezes não saber se quer... E quer subir na empresa, se quer melhorar. Tem cenários desde o tipo: "Cara, por que que eu estou estudando o que eu estou estudando?" Ou a pessoa que já tem, sei lá, 30, 40 anos e fala: "Meu, por que que eu estou há 20 anos fazendo isso?" Olha só, cara, é... Peguei cenário agora, isso... Isso me mandam muito nas caixinhas: "Velho, faz transição de carreira, começa não sei o quê." E aí eu falo: "Ah, não é ruim pensar nisso, tem que chegar uma hora que você vai ter que pensar nisso." Exato. É um elefante que não pode ficar na sala, né, cara? E melhor que seja quanto antes. Então, ah, se foi agora com 20, se foi agora com 40, tanto faz. Agora já tem consciência disso, vamos dar um próximo passo para evoluir no tema. E é bem variado. E aí tem a variação também de intensidade. A pessoa sabe mais ou menos o tipo: "Ah, eu gosto um pouco de trabalhar com isso ou fazer aquilo." Ah, então, um exemplo: "Ah, sou fisioterapeuta, trabalho na área de saúde. Eu gosto de atender pacientes, eu gosto de fazer fisioterapia, mas eu não sei muito bem como traduzir isso para o meu dia a dia, para uma forma mais rentável financeiramente." Então, pô, a pessoa até sabe ali o como, o que que ela quer fazer da vida, mas tem ali a dificuldade de traduzir isso para o dia a dia. Uhm.

Ou a pessoa que sabe que quer... "Eu sei meus objetivos e metas. Eu quero ser mais saudável, eu quero passar num concurso." Mas aí, na hora de traduzir, barra. Isso aparece muito, cara, barra muito na execução, do tipo: procrastina. Eh, isso com pessoas muito mais novas, né? Procrastina muito, tem dificuldade de realmente executar. Na hora de executar, está cansado, não consegue. Tem uma dificuldade gigantesca em traduzir a ideia para a ação. E o que você, eh, tipo assim, entende sobre a galera? Particularmente, eu acho muito, é uma barreira muito grande você continuar fazendo uma coisa pela qual você não sabe o porquê está fazendo, né? Até quando a gente vai estudar motivação assim e comportamento, é muito complicado você não ter um motivo para a ação, né? A galera acha que às vezes que motivação é euforia, é alegria, é acordar gritando, é você ser extrovertido. Isso não é motivação, tá, pessoal? Motivação é você ter um motivo claro. Você pode estar muito triste e motivado. Por exemplo, um pai que tem um filho e está desempregado. O cara está mal, está triste, a mãe triste, todo mundo está triste, puto, ferrado ali. Mas podem estar muito motivados porque eles têm um excelente motivo para trabalhar: o filho passando fome, né? Então, motivação é diferente. Alegria, essas coisas, não é motivação. Motivação é um motivo para a ação. E de fato, cara, olhando assim do ponto de vista de comportamento, é uma barreira quase intransponível você continuar executando uma parada que você não tem motivo. Por isso que acho que o início da galera que está assistindo aí, eventualmente procrastina um monte, faz um monte de... enfim, tem dificuldade de sair do lugar, é se perguntar o porquê que estão fazendo aquilo, né, cara? O primeiro passo sempre da rotina, o primeiro passo quando vai definir metas, o primeiro passo da minha mentoria inteira, tipo, eu não vou falar de meta, o primeiro passo do módulo do RD não é falar de metas, não é falar de planejamento, é falar do quê? Falo propósito primeiro. Por que que você faz isso? E propósito não é aquele negócio tipo místico, mimoso, não. Tipo, cara, por que que você faz o que você faz ou por que você quer fazer isso? E aí pode ser muita coisa, né, cara? Pode ser: eu quero ganhar grana. Pode ser: eu quero ser uma melhor pessoa. Eu quero contribuir com a sociedade. Eu quero ser um pai bom, quero ser uma mãe boa, um irmão melhor, sei lá. Então, tem diversos exemplos. Eu posso querer, ah, ter um filho, eu quero dar uma boa situação de vida para o meu filho. Mas você tem que definir isso, porque senão, a partir disso, cara, qualquer lugar que você vai trabalhar, qualquer empresa do mundo, vai ter problema, vai ser estressante. Todo lugar vai ter problema. Às vezes a gente tem essa falsa ideia de que, "Ó, vamos mudar de empresa e a empresa do lado é perfeita." Não, todo lugar tem problema. Só que baseado no seu propósito, no que você gosta de fazer, você vai... você vai encontrar o problema que é mais gostoso resolver. Exato. E ele é mais tolerável, né, cara? Ô, teve um chefe meu que falou: "Cara, qual que é o problema que... qual que é o problema que te dá tesão de resolver?" Cara, você tem que encontrar isso. Aquele negócio que você fala assim: "Cara, eu vou acordar, vai ser estressante, vai, mas tipo, você passa por aquilo, é tolerável no longo prazo você ficar repetindo aquilo." Porque você não vai trabalhar 1 ano, 5 anos, vai repetir isso até 60 anos, 50 anos, sei lá quando vai aposentar. E você tem que encontrar uma forma de tolerar esse processo no longo prazo. Não dá para ficar esperando para viver a sexta-feira e descansar no final de semana até os seus 60 anos de idade. A vida virou o inferno.

E a galera que consegue ter o propósito e identificou o propósito e tem uma noção, tipo, "Eu quero passar num concurso público, eu quero ser professor, eu quero, eh, ser, sei lá, eu quero ser um cara empresário, eu quero ter uma empresa X, enfim, quero consultório", e ainda assim tem problemas de procrastinação. O que que você tem a dizer sobre procrastinação? Como é que é a sua abordagem? Porque é um problema hoje gigantesco, né, cara? A galera tem muita dificuldade hoje de estabelecer uma rotina onde consiga cumprir parte daquilo que se propôs por conta da procrastinação.

Eu tenho uma hipótese que as redes sociais estão ferrando a cabeça da galera, porque é muito estímulo hiper recompensador com baixíssimo esforço e alta intermitência de novidade. Nosso cérebro adora alta intermitência de novidade, né, cara? Ele adora você ter reels ali, um monte de estímulo. Aí do nada você vê uma mina bonita e depois para baixo é um cara pulando de uma montanha de neve com uma música p* no fundo, carro rápido. Exato. É, e aí você não sabe o que tem depois, você vai rolando. Quando vê, você passa 15 minutos ali. E isso também faz mal. Alguém falou disso no Her Experience, eu não lembro se foi o Fernando ou se foi o... eu não lembro agora. Mas e também tem o oposto, né? Tipo, você está ali rodando muita coisa boa, do nada você vê um desastre. Tipo, a sua cabeça fica uma bagunça, né? Exato, exato. E eu acho, cara, que muitos não têm como ter esse dado, tá? É apenas uma opinião. Eu acho que muita gente hoje tem problema de procrastinação por conta da rede social, porque na minha opinião, a rede social é um buraco muito mais... o buraco é muito mais embaixo do que a galera acha que é, se você não souber usar. Como é que é a tua visão sobre isso?

Tem um caso exatamente desse de mentor: a pessoa não está conseguindo fazer alimentação do horário certo ou realmente progredir de carreira porque ela fala que tipo não tem a motivação e fica mexendo no celular. Aí você pergunta: "Mas por que que você não para de mexer no celular?" "Não, chega na hora ali, eu quero mexer no celular, não consigo focar." Procrastinação, ela tem o primeiro passo: tem que olhar a motivação. Porque se você não tiver realmente um porquê muito claro de você estar executando aquilo, a chance de você procrastinar, de você não perder ali o foco, perder a atenção, você vai encontrar motivos para você parar de fazer aquilo. "Ah, porque hoje está chovendo, porque eu tenho que lavar roupa", fazer aquela procrastinação ativa, sabe? "Ah, eu vou lavar roupa porque eu tenho outras coisas para fazer em casa." Então, e acontece bastante procrastinação ativa: o cara ele faz N outras coisas que tem que fazer, mas não faz a principal prioridade. Então, tem que encontrar o porquê, isso já vai ajudar muito em relação à motivação. Segundo ponto: às vezes é uma tarefa de muito longo prazo, complexa, muito grande. E a gente não calcula muito bem coisas complexas, atividades de longo prazo. Eh, é... eu esqueci agora o nome do livro, mas tem um livro que ele fala que é o seguinte, né: atividade de longo prazo, você tem a exaustão no meio do caminho. E essa exaustão, ela vai começar a fazer você procrastinar, vai fazer você começar a duvidar, a encontrar barreiras que vão te impedir de chegar até lá. Então, quando você encontra algo de muito longo prazo, muito complexo, você tem que encontrar uma forma de cortar isso em pequenos pedaços. Eu gosto de brincar que é como se fosse fazer uma gamificação, né? Pô, beleza, você quer ter tantos R$ 1.000 investidos, você quer chegar nessa posição de carreira, você quer ter uma família daqui 5 anos. Tá, mas qual que é a primeira fase do joguinho que você tem que fazer nos próximos 3 meses para ficar um passo mais perto dessa meta de 5 anos? Se você ficar olhando só para 5 anos, é muito complexo fazer isso. É muito complexo eu parar para estudar, que é um cargo que eu vou conseguir só no final do ano. Não precisa nem ser 5 anos. É muito complexo parar para ler um livro todo, olhar tudo aquilo para quem está começando ainda. Então, qual que é o primeiro passo pequenininho que eu tenho que fazer?

Tem um livro que chama "Eat That Frog", que é sobre procrastinação com aquele sapo. E ele fala que comer um sapo deve ser uma coisa terrível. Aí ele fala assim: "Imagina que todo dia de manhã você tem que acordar e comer um balde de sapos, e esses sapos são suas atividades que você tem que fazer." Legal. Ele fala: "O que que você faz? Pega um daqueles sapos, divide em sapos pequenos, pega o sapo mais feio que tem e come ele primeiro." Fala: "Cara, a partir do momento que você comeu um sapo grande, feio, qualquer coisa a partir dali fica fácil." Então, pega essas atividades, esse projeto complexo, quebra em pequenas atividades e faz a atividade mais importante, talvez a atividade mais difícil, no primeiro horário do dia, no primeiro horário da semana. Porque a partir do momento que você fez aquela atividade que já era cansativa, que já era mais estressante, qualquer coisa fica mais fácil.

E o que que as pessoas normalmente fazem que gera procrastinação? "Eu vou fazer o fácil primeiro, deixo o difícil para depois." Aí chega 5 da tarde, tem que fazer aquela tarefa difícil. "Ah, eu vou deixar para amanhã." Aí chegou terça-feira, aí foi, foi para quarta, quinta, mas já é sexta. Aí sexta-feira já estou cansado, deixa para segunda. E aí fica empurrando. E às vezes começa a surgir outra tarefa. Foi difícil? Agora são duas, são duas, não é mais uma. E um grande problema... Isso deu um exemplo falando de trabalho. Vai chegar um momento que você tem um prazo para você entregar no trabalho e você vai ter que fazer, queira ou não. Aí você vai fazer talvez com uma qualidade baixa, de qualquer jeito. E depois fica naquela pergunta, né: "Por que eu não sou promovido? Por que eu não cresço?" Porque está empurrando para frente.

Depois eu dou algumas dicas de como resolver o grande problema da procrastinação, que eu acho que é pior ainda: é procrastinação em projetos pessoais. Porque tem coisa que ninguém está te cobrando. Tem alguém te cobrando para estudar inglês hoje? É, não tem. Alguém nem precisava, cara, está ligado? Tem alguém te cobrando hoje para você fazer triatlo, alguma coisa? Não. Então, a atividade pessoal, você não tem a pressão externa. E aí, como não tem a pressão externa, nunca vai chegar o prazo de entrega. Então, você que se propôs a emagrecer, você que se propôs a aprender inglês, você fica procrastinando aquela atividade até ou vai ficar eternamente, ou até alguma coisa muito triste acontecer, que é você perder uma oportunidade que aconteceu com uma pessoa muito próxima minha, que ela ficou procrastinando no inglês, procrastinando, procrastinando, procrastinando. Chegou a vaga do exterior para ela trabalhar e ela não passou para trabalhar fora porque não tinha inglês. Então, fica, fica muito atento. Procrastinação é ruim. É do trabalho? Resolva, senão você não vai crescer. Projetos pessoais? Cria uma forma de você ter uma rede de apoio, ter alguém para te acompanhar junto para você evitar essa procrastinação. Define uma meta, coloca alguém junto com você, porque isso vai evitar a sua, a possibilidade de você ficar procrastinando isso para sempre.

Tem até um artigo que foi publicado na universidade... Cara, minha memória é péssima. O artigo, ele estava tentando estudar o que fazia uma meta ser mais, ter mais sucesso de execução. Eles quebraram, dividiram lá o grupo de pessoas no estudo em cinco grupos. Um grupo que pensava numa meta. Um grupo que pensava e escrevia a meta. Então, "Ah, quero alcançar a..." Ele sempre vai incrementando alguma coisa, né? Então, além de pensar e escrever, o terceiro grupo, ele escrevia um plano de ação. Então, "Ah, o primeiro mês eu vou fazer isso, depois daquilo." O quarto mês, ele falava para alguém, ou o quarto grupo, desculpa. Então, "Ó, Eslin, eu vou agora perder..." Ele socializa a meta. "É, eu vou agora perder 5 kg, então eu vou correr a meia maratona", igual você foi lá e falou. E o quinto grupo, além de ele falar, ele dava reporte toda semana: "Olha, eu falei que eu ia emagrecer 5 kg, engordei 200 g, perdi 300 g." Ah! E aí o que que eles encontraram? Que não necessariamente o grupo que escreveu o plano de ação foi melhor que o grupo que escreveu a meta, aqui ficava bem próximo. Mas o grupo que se comprometia publicamente, tinha alguém junto ali acompanhando, era uma diferença gritante em alcançar a meta. Você reduz essa procrastinação, você tem um compromisso externo que você firmou com alguém. Então, é muito mais saudável. E além de se você encontrar alguém que é prazeroso você ver junto, seja namorado, esposa, um amigo, pô, aquele cara vai junto com você, aquela pessoa está junto com você, vai treinar junto, vai querer fazer. Aí vocês conversam sobre a dieta, o que que você comeu. E é isso, é bom para a procrastinação, isso é bom para formar hábito, isso é bom para modular comportamento. Em todas as esferas, isso vai ser bom para você fazer. Exato, exato, exato.

E tem uma outra parada que você estava falando de dificuldade da gente olhar para longo prazo e tal. Uma vez eu li um estudo que os caras chegavam para a galera e perguntava assim: "Você quer $1.000 hoje, ou você quer $1.100 semana que vem?" A galera preferia $1.000 hoje, né? Então, tipo, uma semana custava $100, mais ou menos. E para uma galera parecida, eles chegaram e falaram assim: "Você quer $2.000 daqui 50 semanas, ou $2.100 daqui 51 semanas?" Mesma coisa, uma semana a mais. Dava longe, né? Só que está longe. Aí a galera preferia os $2.100. Tipo, uma semana hoje, cara, a gente é muito mais sensível à recompensa hoje. "Eu quero $2.000 agora, não quero esperar para semana que vem." A maioria da galera, teve gente que esperou, né, mas a maioria quer agora os $2.000. Então, eles não queriam esperar uma semana para ganhar $100, mas como é daqui 50 semanas, eles não tinham... Exatamente. Então, o que que esses... o que que esse dado nos mostra, né? A gente tem uma miopia de recompensa futura. É difícil a gente... a gente é pouco sensível à recompensa futura. Então, por isso você falou, se você for fazer... É por isso que eu digo, cara, estudante de... a galera concurseiro são super-heróis, velho! Porque eles fazem tudo que o sistema de recompensa não gosta. Eles se esforçam para caramba para uma meta futura, a meta incerta. É muito difícil de você quebrar em pequenos pedaços, porque tipo, você não tem recompensas pequenas. A sua recompensa é passar no concurso. Exatamente. A recompensa é longa, incerta e você tem que mobilizar um bloco gigantesco de energia para conseguir talvez conseguir aquela recompensa. Então, os caras realmente têm que ter um sistema motivacional muito f*da. O que que normalmente os cursinhos fazem? O que você falou aí que esse estudo fez: eles criam aulões, eles criam simulados. Simulado é uma forma de quebrar a meta. Você fez um simulado ali, viu que foi bem? "Opa, está ficando mais animado!" Exatamente. Então, os cursinhos eles conseguem resolver isso de alguma forma, por isso que muita gente que entra em cursinho tem uma probabilidade maior de passar do que a galera que faz sozinho, embora tem gente que consiga estudar sozinho e tal. Então, a galera tem que pegar esses conhecimentos que a gente está mostrando aqui e transpor para projetos pessoais, para quem quer emagrecer, quer...

E aí a gente entra no que eu falo quase todas as aulas da do RD: você modular um contexto, um ambiente para que seja mais fácil você... você ficar muito atento nisso. Eu sou muito crítico comigo mesmo e eu estava pensando outro dia por que que às vezes eu caio nesse tipo de armadilha. Falo: "Pô, eu defini uma meta, mas eu preferi fazer uma gratificação momentânea ao invés de realmente seguir na meta." E aí eu paro, que é um dos passos para mim que tem que ter rotina, melhoria contínua. Você tem que ter pontos de reflexão, parar para entender, entender: "Tá, eu fiz isso. Por que que eu fiz isso?" Dependendo se foi algo bom ou ruim, tem que entender, porque se foi algo bom, você repete; se foi algo ruim, você inibe. Perfeito.

E eu fiquei pensando nisso, eu acho que eu caí até numa aula do RD que eu estava pensando: "Pô, por que que a gente tem córtex pré-frontal, a gente tem, é muito preparado para conseguir visualizar no longo prazo, mas ao mesmo tempo a gente é muito suscetível a inverter e cair em gratificação momentânea?" Perfeito. E aí eu acho que, que numa aula que você estava falando de um artigo do Schultz que era de recompensas e estava falando do núcleo accumbens... O nosso corpo, nós fomos preparados, somos preparados para... Passamos todo o nosso histórico evolutivo planejando no curto prazo. Pô, a gente tinha que ficar, sei lá, durante 80% da nossa evolução, 90% da nossa evolução, não sei, é, preocupado se a gente tinha comida amanhã, se a gente estava seguro. 98% da evolução, um caçador-coletor não podia se dar o luxo de querer: "Ah, daqui duas semanas eu vou comer uma paca." Não, o cara está com fome, velho, tem que comer amanhã já! Ele... Nós fomos treinados durante toda a evolução a estar focado no que tem, está aqui na minha frente, na comida que eu vou ter que comer, na segurança que eu tenho, se eu vou conseguir reproduzir, passar a g* pra frente agora. E por mais que pareça ser muito tempo atrás, a evolução nossa, ela é lenta. Vou dizer lenta porque, tipo, pô, vou falar assim, seu humano vive lá 80, 90 anos, ele vai reproduzir uma vez. Imagina quantos anos vai demorar para a gente ficar ou bem adaptado ou bem zoado pelo... E por conta das redes sociais, é porque vai começar a repetir gene, sei lá, daqui quantas gerações isso vai ser e filtrado, adaptado de forma positiva ou negativa. Talvez daqui alguns anos, algumas... na verdade, algumas, alguns milhares de anos, talvez dezenas de milhares de anos, mil anos, a gente tenha uma pessoa que consiga entrar no reels e se ligar que está ali rápido e sair, já ir fazer outra atividade. Porém, daqui dezenas de milhares de anos, a tecnologia evoluiu mais rápido e já não vai ser mais. Então, esse é o jogo, cara. A sociedade, a evolução tecnológica é muito mais rápida que a biológica. Então, sempre vai existir uma incompatibilidade. A gente chama isso de incompatibilidade evolutiva. A tecnologia está avançando muito rápido e a biologia vem devagarinho, rápida, saca? Demora muito para se fazer essa seleção.

E por que que eu fiquei pensando nisso? Eh, falei: "Pô, beleza, eu tenho um mecanismo primitivo, eu sou forçado a meio que cair nessa gratificação, então eu tenho que ficar mais atento." Além de ser forçado, porque você tinha falado do ambiente, além de ser forçado a essa gratificação momentânea, eu estou em ambientes que vão reforçar isso. Eu estava conversando com a Jéssica Campa outro dia, ela falou: "Meu, você vai lá e compra uma bicicleta nova, mas você tirou todo o seu dinheiro da reserva de emergência para comprar essa bicicleta. Ninguém vai te penalizar, você vai ganhar tapinha nas costas, pô, que da hora, bicicleta nova!" Exato. "Mas você fez uma cagada gigantesca, mas todo mundo vai olhar a bicicleta." Agora faz o contrário: pega o dinheiro que você ia gastar na bicicleta e coloca na reserva de emergência. Ninguém vai te dar parabéns, ninguém vai falar nada. No máximo o Rafael Lara vai te dar um parabéns. L... vai falar que foi Jéssica. Ô, Gabi, só aumenta um pouquinho o ar aí, meu. Deu frio aqui. Frio é... Aumenta uma temperatura aí. Aí, pô. Então, você tem o mecanismo primitivo te forçando a focar no curto prazo e você tem todo seu ciclo de amizade, todo mundo está te focando a focar e forçando a focar no curto prazo. Então, tem que ficar muito atento para ficar nessa bolha. E quando você está muito dentro dela, cara, é muito difícil você enxergar fora. Exemplo da época que eu estava obeso, ou de épocas que você está realmente bebendo, está fumando. Cara, para você é tão normal aquilo. É óbvio que é importante ter uma vida saudável, é óbvio que é importante estudar, mas é óbvio que é importante dormir melhor. Caiu numa esteira, cara, você está numa esteira de... você está ali e é muito difícil. Acha que os outros são idiotas de não estar fazendo o que você está fazendo. Parece que... E aí, a hora que você tenta, é... são etapas, né? Você está ali tão imerso que você não enxerga além daquilo. Só que na hora que você vai mudar, e você passou por isso também, parece que a decisão no longo prazo é a decisão errada, de tanto que as pessoas estão falando o contrário para você. Exato. Você chega até a ficar em... em assim, em dúvida: "Será que eu estou tomando a decisão certa de fazer isso, de, sei lá, ser um pouco mais saudável, pra dar um pouco mais de..." Tanto que você é criticado, a decisão do longo prazo parece a decisão errada. Perfeito.

E como é que você chegou aí, Mateus, nos seus 125 kg, cara? Que que rolou aí? Foi uma jornada do pico e voltando. Pois é, ô, 125 kg. Que altura você tem? Tenho 1,75 m. É, cara, estava, estava bem, bem complicado. Eu pesava pouco antes, antes de ir para São Paulo, eu pesava, sei lá, 78, 80 kg. Aí eu fui engordando um pouco. Você tem agora? Agora eu estou com 82. Eu passei por alguns extremos. Eu era mais magro realmente na adolescência, na época que eu comecei a estudar para passar no vestibular, tudo mais. Tipo, comecei a engordar um pouco mais. Eu sempre fiz exercício físico, comecei a parar um pouco. Aí quando eu vim para São Paulo, foi um pouco de choque, porque aí entrou naquela rotina de trabalho, estuda. Então, o dia inteiro fora. Eh, comecei a abrir mais mão ainda do esporte, comecei a abrir mão de realmente refeição saudável. Então, pô, chegava em casa tarde, outro estava indo para a faculdade, comia a porcaria, parava para comer Subway, comer qualquer coisa na rua, iFood-zeira. I... Não era nem iFood, porque estava indo para a faculdade, chegava na frente da faculdade, tinha, sei lá, Subway. Então, tipo, cara, cheguei numa época que pegava dois Subway de 30 para comer. Caraca, irmão! Mas aí vale deixar claro que não era uma questão só de comer coisa errada, você comia muito, né? E acho que vale a pena até tentar trabalhar o porquê você comia muito. Cara, tinha toda uma disfunção em relação a estresse e ansiedade que estava rolando. Então, uma ali para o meio da faculdade, final da faculdade, já tinha todo o pico em relação a... Você tem foto do teu Instagram dessa época? Tenho. Roda aí. Não, no Instagram acho que no Instagram não vai ter. Não tem no feed do Instagram. Não, acho que tem no destaque. Se você olhar, cara, vai procurando aí, Gabis, continua. Depois ele bota na TV. Deixou no destaque, deve ter alguma coisa lá. Ah, então, já tinha uma falta de tempo e a falta de organização que aí fazia eu comer fora, fazer o com um fora da dieta. Ah, comecei a deixar o esporte de lado muito para focar no trabalho, porque via que eu tinha que ter tempo livre para ficar trabalhando. E aí eu passei por um ciclo bem traumático em relação ao trabalho. Eu trabalhava muito, abria mão muito do descanso, do esporte e tudo mais. Eh, entendia que aquilo era o que eu tinha que fazer para conseguir ter resultado. Isso me causou muita ansiedade. Cara, não sei se eu cheguei a ter quadro de quase burnout ou quase depressão, mas eu lembro que eu saía do trabalho e eu pegava, sei lá, 40 minutos de trânsito, 50 minutos de trânsito para chegar até em casa. Eu voltava chorando no carro assim, alguns dias de estresse realmente. E aí descontava isso o quê? Comida, bebida e cigarro. Com... Ah, você fumava também? Cara, eh, é aquela coisa, eu só fumava quando eu bebia, mas eu bebia todo dia, então, e estava todo dia fumando. É, comia muito, muito em quantidade. E tinha uma época que eu comia muito a qualidade baixa. Aí eu tentei falar assim: "Pô, eu vou comer bem", mas eu comia muito em quantidade, mas comia realmente comida de verdade, né? Mas bebia assim, começava a semana bebendo terça-feira, alguns, algumas semanas, final de semana. O dia que eu saía para beber, eu bebia uma garrafa de vodca, eu fumava um maço de cigarro. É, Marlboro vermelho. Tipo, fumava, bebia e achava que aquilo era o normal: passar a semana toda trabalhando muito, eh, para ganhar dinheiro e o final de semana tinha que... o descanso do final de semana era esse: sair para balada, tipo, beber, comer e fumar. E aí isso vai acumulando, vai acumulando, acumulando, acumulando. Construiu um corpo de 125 kg, ansioso, estressado, 125. Sono? Uma merda. Não, uma merda. Não, chega um momento que você não consegue dormir já confortável, porque eu lembro que eu estava procurando um travesseiro uma época para eu conseguir dormir de lado, porque dormir de barriga para baixo e dava um pouco de falta de ar, tudo mais. Não.

consegue mais ficar confortável com o peso do corpo, né? E dificuldades do dia a dia. Eu nunca cheguei a pesar o meu máximo, assim, foi 86, mas era um peso de musculação. Assim, dificuldades no dia a dia, cara, é amarrar o tênis era um desafio, amarrar o tênis era um desafio, mas botar meia era uma grande dificuldade.

A grande dificuldade que eu via era o estresse que carregava, cara. Eu acordava, eu saía para trabalhar, eu já saía, parecia que eu já não tinha uma baixa do estresse. O corpo, ele estava tão sobrecarregado. Eu saía, eu criava discussões, brigas mentais com pessoas na rua. Eu saía estressado, assim, num nível de manhã. Sim, de manhã eu pegava, assim, entrava no ônibus para ir trabalhar, sei lá, tipo, já estressado, estressado, estressado, estressado. Se alguém falasse alguma coisa torto, tipo, de brigar na rua, caramba, brigar, tipo, de ficar bravo mesmo. Então, eu acho que o principal efeito colateral que teve foi muito mental em relação ao estresse. E aí a gente sabe, com diversos estudos hoje em neurociência, que o estresse é um dos principais fatores de risco para depressão, cara.

Aí, galera, bota na tela aí, se tiver como. Essa daqui eu já tinha começado a emagrecer um pouquinho. Eu falei: "Pô, eu vou começar a emagrecer, voltar a treinar, eu vou tirar foto". Aí eu já tinha, acho que, passado alguns meses já que eu tinha começado. E, cara, tu parecia mais velho, velho, não parecia? Quantos anos atrás é essa foto? Cara, isso daí, acho que deve ter sido em 2019. Tu parecia mais velho do que hoje, cara. Não, fica, acaba com o corpo, né? Corpo, cabeça, o corpo fica, é, o cabelo fica zoado, a pele fica zoada. E aí ele vai acumulando, porque você, o que aconteceu, regulou tanto que o estresse estava tão alto.

E aí, qual que é o mecanismo também de voltar? Tipo, cara, eu vou comer também. Então, ia no japonês, às vezes, durante a semana, rodízio. Tinha perto da faculdade, tipo, comia um monte. Comia na frente da faculdade um monte de coisa, dentro da faculdade. Então, a todo momento estava comendo. Dentro do trabalho, cara, eu lembro que a gente saía, às vezes, no almoço e tinha uma conveniência perto do trabalho. A gente comprava um monte de bala, chocolate, essas coisas. Eu tinha uma gaveta só de doce, assim, forrada, forrada de chocolate. Então, assim, e algumas pessoas trabalhavam comigo naquela época também tinham problema de sobrepeso. Então, era normal, era o ambiente favorável. Tanto que não foi um hábito que eu criei quando eu comecei a trabalhar naquela equipe. As pessoas já faziam aquilo. Eu falei: "Pô, boa ideia, legal, gostei de trabalhar, tô gostando desse time aqui".

E começou a ficar disfuncional. Disfuncional por conta de estresse, disfuncional porque é ansiedade. Eu comecei a perceber que falei: "Pô, não, não vou conseguir chegar onde eu quero chegar, eh, pensar do jeito que eu quero pensar se eu continuar assim". Estava começando a fazer TCC, começando a estudar mais no final da faculdade. Estava ficando realmente exaustivo, cansativo fazer tudo aquilo. Falei: "Eu vou começar a cuidar um pouco melhor do meu corpo". E aí, na época também, eu tive um problema de gastrite. Então, também, né, cara, pô, chocolate para caramba. Acho que é o corpo pedindo socorro. E aí eu fui no hospital. Lembro que eu fui parar no hospital, tipo, não estava conseguindo comer nada, nada, nada. Aí o cara falou, tipo: "Meu, corta refrigerante, corta fritura". E você comia, você tomava bastante refrigerante e fritura? Tomava. E café também. Mas o café cortou, depois voltou. Tipo, o café acho que não tem nem problema.

Aí, no meio de tudo isso, e aí cortei. Falei: "Pô, o refrigerante eu cortei até hoje". Para você ter ideia, eu fiquei daquela época até hoje, sei lá, foram uns sete anos. Eu fui tomar a primeira Coca-Cola no meio do Iron Man, porque eu estava passando mal e a Coca-Cola ela ajuda a descer o gel, tipo, ela dá uma limpada. Cara, eu parei, eu fiquei olhando para a Coca-Cola, assim, falei: "Famoso". Falei: "Meu". E até hoje, assim, se minha namorada abre a lata de Coca-Cola, o cheiro do refrigerante parece que, tipo, cara, fica impregnado, assim, no corpo. Você quer tomar aquilo. E aí eu cortei o refrigerante e a fritura forçado por causa do que o médico falou.

Comecei a emagrecer, comecei a emagrecer um pouco, porque, meu, é um ajuste que, sei lá, quantos refris tomava no dia. Aquele pequeno ajuste em 15 dias você já via um emagrecimento. Aí eu falei: "Pô, já que eu tô, eh, mudando, vou parar de alimentação, né? Vou comer um pouco melhor, vou voltar a fazer academia". E eu sempre gostei de academia, sempre treinei quando era mais novo, tudo mais. Então, voltei a treinar, fazer academia. E eu caminhava só porque na minha cabeça estava muito pesado, não ia correr. E aí começou a dar mais resultado. Comecei a ver resultado tanto comportamental quanto físico. Tipo, pô, comecei a tirar foto todo mês. Estresse, imagino que começou a reduzir. Sono melhorou? Melhorou. Não, o sono melhorou. O sono era terrível. Não, acho que eu acordava, é, é, tinha, não tinha uma noite de sono contínua. Acordava todo momento, todo momento.

Cara, é inimaginável. Eu já tive épocas assim também, cara. Para quem não sabe, pessoal, também tive minha época de fumar uma carteira de cigarro por dia e beber de terça para frente. E é isso, cara. O cara acorda puto com todo mundo, assim. O cara já acorda estressado, tá tudo, o corpo tá zoado. E o sono era uma, é inimaginável conseguir, você conseguir construir uma empresa, uma rotina de estudo, um capital desse jeito, cara. Não tem como, velho. E às vezes as pessoas olham, falam assim: "Ah, mas eu conheço Fulano, Fulano, ele é diretor, ele é não sei o quê". Ele, tipo, cara, no longo prazo não, mas o custo dessa pessoa, cara. E o Fulano, tu olha assim, ele tem, ele tem 38 anos, parece que tem 50.

A Raquel comentou de um estudo, acho que foi de empresas que possuem CEOs que são maratonistas. Tem uma diferença na capacidade dela de faturamento. Até então, tipo, é diferente. E, pô, você tá uma pessoa que tá obesa, todo o meu sistema motivacional, meu sistema, tipo, de recompensa, ele tá focado em coisa momentânea. Eu quero uma coisa que ele é um livro difícil. Imagina agora você numa posição de diretor, dono de empresa. O seu sistema, a sua capacidade de tomar decisões a longo prazo também vai ser impactada. Você não vai conseguir pensar tão estratégico. Então, precisava mudar.

Aí comecei a fazer essa mudança. Comecei a treinar, comecei a perder peso. A minha sorte é que eu comecei a treinar, acho que, musculação junto. Porque se eu tivesse ido só realmente para esteira, acho que teria ficado bem mais feio em relação ao emagrecimento. E aí fui treinando, fazendo esteira, treinando, fazendo esteira, tipo, até que foi perdendo um pouco de peso e aí estabilizou. Minha namorada também é engraçado, porque a gente passou pela mesma curva. Ela era magra, eu comecei a engordar, ela engordou junto. Então, tem foto os dois gordinhos. Aí agora a gente emagreceu junto também. Olha só, cara, tem uma influência muito grande. Legal, que legal. O ambiente ali importou pra caramba, né? Importou pra caramba.

E teve, teve um pico, foi bem engraçado. Engraçado assim, né? É interessante, você, você adapta o corpo para aquilo que você precisa, né? Ou aquilo que você vê que é importante. Passei por isso. Aí eu caí para 80 kg. No começo do ano eu estava 90. Acho que foi, vi na mentoria, você falou: "Pô, tá forte". Tipo, eu estava treinando, tá bem maior, velho. Eu estava treinando, treinando, tipo, seis vezes na semana, fazendo cárdio, é, musculação. Então, estava ganhando massa, estava com 90 kg. Aí eu comecei a nadar, fazer triatlo. Tipo, cara, era até meio difícil nadar, assim. Aí mudamos, invertemos completamente, assim, o treino. Agora para 82 kg. Tipo, você vai adaptando o corpo e vai, é igual eu, cara. Eu estava com 86 e agora tô com 70. Hoje acordei com 75. Caraca! E a gente vai baixar para 72. O Lincol quer baixar para 72. Queria bater uns 76 também para ver se é, é na, na, na, no teu, no teu, na tua altura. Não é uma regra, mas tem alguns padrões, assim. Na tua altura, acho que para triatlo é uns 76, 75, 74. Tentando abaixar. Triatlo fica muito mais performático até na, e a bicicleta também, porque você tá carregando peso, mas aerodinâmico também, né? E a corrida também, mais leve. Correr 21 km com 82 ou com 76 é totalmente, totalmente diferente, principalmente em quesito de recuperação, cara. A recuperação é muito melhor, porque não dá uma porrada tão grande no corpo.

Mas, pois é, e aí você foi desse contexto aí, vodca, cigarro, estresse pra caramba, para um cara hoje que tem, pô, um monte de aluno, que trabalha pra caramba, treina triatlo, né? Como é que tá o teu volume de treino agora? Vou assim, o que é normalmente na média? Eu vou ter prova agora, a primeira semana do ano. Vou passar o Ano Novo e Natal treinando. Janeirão vou ter um 70.3 lá no Chile. Eu vou fazer, é, 70.3 para quem não sabe, a gente fala normal, esquece 70.3, é meio Iron Man. É 1900 nadando, eh, 90 km de bicicleta, 21 correndo. Isso. Então, agora estava no, tá o pico do ciclo, né? Então, tá dando umas 18, 20 horas de treino por semana. Aí você joga mais ou menos umas 3, 4 horas de natação. Como é que tá em, em distância semanal? Distância de natação estava dando, acho que, uns 15 km, 10 km de natação por semana. É, de bicicleta ele dá uns 200 e de corrida estava dando 50, 60 semanal. Pro Full é o dobro, né? Ah, o Full é o dobro.

E aí vai fazendo ajuste, né? Essa prova que eu vou fazer, ela tem subida. Então, cada volta que você dá no plano, você pega uma altimetria considerável. É uma subida de 1 km que você faz. Aí você sobe, desce ela, depois sobe, desce ela de novo. Para voltar, tem que subir ela seis vezes. Então, vai adaptando. Estava com um pouquinho de dor, reduz um pouquinho a corrida, vai ajustando ali o que precisa. Ah, e deixa eu te perguntar, considerando isso, quanto tempo dá por semana de, de treino? Umas 20 horas. 20 horas. Então, pelo menos como se fechasse todas as manhãs para treino. Manhã, eu normalmente eu divido, né? Ah, de segunda, quarta e sexta eu faço bicicleta e natação. Então, normalmente eu pedalo de manhã, faço um pedal mais longo de manhã. E aí eu faço a natação de noite, das 18:30 às 20 horas. Uma hora e meia nadando, assim. Eu prefiro, porque se eu colar um no outro, não, não nada igual, né? Já chega para nadar com a perna pesada. E a natação é mais tranquilo, porque ela não alerta tanto. Então, o cara até relaxa e dorme mais de boa, né? Eu gosto porque ele cria um bloco no final do dia que você desliga do trabalho. É isso. Então, tipo, ou eu coloco isso ou eu coloco realmente alguma outra atividade para desconectar. Porque, beleza, eu terminei de trabalhar ali 18, 18:30, vou lá pra natação e volto. Cara, você nem lembra que você estava trabalhando. A hora que você dá pouquinho tempo, você já desligou, vai dormir rapidão. Exato.

E assim, o meu orientador do doutorado nada, né? Ele é nadador e ele nada bem, cara. Tipo, ele nada assim em piscina, em piscina para 1000 metros, assim, ele nada para 1:20. Caraca! 1:18. Ele é forte. E aí ele me falou, quando eu comecei a nadar, ele me chamou lá e falou assim: "Cara, tu vai adorar. Principalmente quando chegar o momento", porque eu não sabia nadar, né, cara? Eu comecei do zero mesmo. "Principalmente quando tu começar a nadar sem pensar que tá nadando, tu automatizar". E agora tá acontecendo isso. Até os 500 metros, assim, eu vou tranquilo. E, cara, realmente, tu tá ali, meu, é uma meditação. Para o ambiente. E o ambiente fica quieto, porque tu tá embaixo da água, né, cara? Cara, então, é maravilhoso. De fato, eu fiz um teste. Eu estava tentando nadar sem, eu vejo que na natação vem muito pensamento automático por causa disso. Porque você tá num ambiente que você não tá olhando o chão, eh, tá ali completamente silencioso e vem muito. E tem muito, e a natação tem muita sensibilidade. Tu sente a água passando por você. É, e tem que prestar atenção, até porque se você perde essa sensibilidade, você perde. Então, eu estava tentando até fazer exercício, assim, de, tipo: "Cara, como que eu faço para nadar? Eu quero tentar nadar o máximo possível sem ficar com pensamento". Começa, vira uma meditação. Cara, é um mindfulness. Tu presta atenção na água, na temperatura da água. É maravilhoso.

Cara, eu fiz em julho, a gente faz um desafio lá na natação, lá em São Paulo, que é o Desafio de Inverno. Então, durante o mês de julho, eh, ganha quem fazer o maior volume de natação. Eu nadei 110 km no mês. Eu teve um dia que eu nadei 11 km na piscina. Eu fiquei 3 horas. E a minha meta era essa: eu quero tentar nadar e treinar minha cabeça, nadar uma distância maior sem e ficar com aquele sabotador ali, tipo: "Ah, tá cansado, tá passando muito tempo". Eu sinto muito isso na natação. E foi, cara, chegou no final desse mês, tipo, estava com outra cabeça para conseguir suportar isso ali, treinado, passando. E água quente lá na piscina, é? Ah, é, piscina é quente, assim. Eles deixam uma temperatura. É por aí.

E deixa eu te perguntar agora, pensando isso, pô, 20 horas por semana nadando e treinando. E assim, claro que agora você tá num contexto que permite, né? Por conta do seu trabalho e tal. E mas lá no, lá atrás, quando você tava naquela condição ali, eu, eu digo isso porque eventualmente muita gente que tá assistindo, pela, também aí, se, sei lá, melhora sua rotina, alguma, também assim, muita gente deve tá assistindo, eh, para melhorar a rotina, né? E naquela época você tinha uma rotina onde aparentemente era meio que destinada totalmente ao trampo, né? E a, e aos estudos, né? Como que era antes? Ah, acordava muito em cima da hora para sair pro trabalho. Então, normalmente eu acordava, eu não comia em casa, já saía. Eu vou falar porque às vezes a pessoa entende e fala assim: "Pô, eu tô mais ou menos assim". Acordava em jejumzão e vazava e vou pro trabalho. E aí já pegava ali o buzão, ia pro trampo. Chegava no trampo, comia alguma coisa na padaria na frente do trabalho. Então, pastelzão e tal, ou pão de queijo, coxinha, um refrigerante ou alguma coisa. Caraca! 7 da manhã o cara larga uma coxinha e um refrigerante. Já subia pro trampo. Aí fazia o trabalho, já descia para almoçar. Aí almoçava ali na frente também. Trabalhava até umas sete por aí. Ia pra faculdade. E aí depois ficava na faculdade ou quando acabava a faculdade, não tinha faculdade, tava na pós, acabava trabalhando até mais tarde, né? Usava desculpa de: "Pô, eu tenho que ser aqui tarde por causa do trânsito". Então, ficava lá trabalhando até umas 9 por aí.

Ah, e assim, quando você começou a introduzir o treino, né, e comer melhor e tal, imagino que para introduzir o treino e para comer melhor você teve que reduzir eventualmente horas de estudo ou trabalho que você tava ali fazendo. Eh, mesmo assim, provavelmente você rendeu mais trabalhando menos porque era um trabalho de mais qualidade, né, cara? Sim. Acho que essa é uma parada que a galera muitas vezes não pega. Em vez de você ir pra balada no final de semana, porque, cara, assim, pessoal, é normal a galera achar: "Ah, eu vou pra balada para dar uma relaxada". Você não relaxa, cara. O seu, você tá maltratando o seu corpo na balada. Psicologicamente você pode ficar de boa, é verdade, mas fisiologicamente você tá dando uma porradona. Porque primeiro você passou a madrugada em claro, muitas vezes tomando estimulante. Isso se você não usa droga, enchendo seu corpo de álcool, que é, que desidrata. Para você vai voltar a ter. E às vezes você nem sabe disso porque você vive tão disfuncional. E eu tô dizendo, eu tô dando essa sugestão porque eu era assim. Às vezes você vive tão na merda já na tua rotina que você nem entende isso por não ter tido duas semanas clean. Então, é, é tipo uma galera que sempre dormiu mal, não sabe o que é dormir bem e acha que dorme bem. Mas você nunca parou um mês e falou: "Cara, esse mês eu vou fazer o bagulho certinho e vou ver como que é comer bem e dormir bem". Ou, ou pelo menos vou implementar isso e vou ver como é que funciona. Você vai ver que é bizarro, assim. Então, eh, a galera normalmente vai balada, balada para relaxar. Você vai até terça mais ou menos arrastando para voltar a funcionar direito. Aí quarta tem o happy hour, aí vai, aí, [censurado], entendeu? Aí tu tem dois, um dia.

Mas isso, isso que você falou é interessante. A pessoa não sabe o que é o, o, o descanso. Ela não sente esse efeito porque ela já tá tanto dentro desse ciclo. Eu só fui perceber isso esse ano depois que eu comecei a, eu parei de sair realmente. E agora, tipo, é muito difícil sair da rotina, muito difícil por conta de, de treino no final de semana, tudo mais. A exemplo do R Experience, sei lá, a gente chegou em casa, eu fui pedir alguma coisa para comer. Ah, eu fui dormir era 11 horas. Tem dia que eu durmo 8:30. Eu também, cara. Então, cara, eu fui ficar, eu fui ficar ok ali na segunda, assim. O domingo foi meio já letárgico. E tu sente a cabeça, parece, tem areia dentro. Cara, não sei se para você assim, fica meio confuso, assim. A gente brinca, parece que a gente tá de ressaca de sono. Parece que a minha namorada falou: "Nossa, parece que a gente foi pra balada". Porque você acorda, aí você come, parece que você tá com sono ainda, você volta a dormir e fica meio, tipo. Mas aí que tá, cara. Tem gente que vive assim sempre e não sabe. É normal. Inclusive o Matt Walker, que é o maior neurocientista que pesquisa sono do planeta, ele tem um estudo publicado na revista Sleep, clássico, acho que é um dos mais, acho que é o mais citado da revista Sleep, que ele fez isso. Ele levou os caras pro laboratório, ele dividiu uma galera, ele tinha um laboratório de sono, ele dividiu a galera em quatro ou cinco grupos, onde um grupo dormiu 8 horas, outro grupo eles acordaram com 6 horas, outro grupo eles acordaram com quatro, outro grupo com duas e outro grupo não dormiu, alguma coisa assim. Sim. E aí eles fizeram isso por seis dias. Então, um grupo ficou dormindo 3 horas durante seis dias. Sabe, dormir 3 horas por dia durante seis dias para ver o acúmulo do sono, né? E o que basicamente ele viu, assim, no, e todo dia ele, ele dava alguns testes lógicos de raciocínio, memória de curto prazo, memória de longo prazo, resolução de problema e tal, tal, tal. O que que basicamente ele viu? A galera que dormiu 8 horas se saiu melhor em todos os testes. Teste padronizado para raciocínio lógico e memória. A galera que dormiu 6 horas saiu um pouco pior. E foi uma escadinha. Quem virou a noite foi um desastre. Só que quando ele aplicou um teste igualmente para essa galera perguntando como eles acham que estavam, percepção, assim, o grupo de 6 horas respondeu que estava tão bem quanto o grupo de oito. Só que no teste eles saíram pior. Ou seja, a galera acha que tá bem e fala: "Não, tô bem, cara". Mas daí ele tem déficit, só que não percebe. As pessoas falam.

E a gente só saca isso hoje, tu tem essa sensibilidade porque tu dorme bem e tem rotina. Então, por isso que no domingo tu fala: "Cara, tá, tá estranho". Só que normalmente a galera leva nessa onda mesmo por nunca ter parado. E assim, de novo, pessoal, a gente sabe que tem gente que tá ferrado, velho, como a gente já teve. É rotina, é trabalho, é faculdade, é não sei o quê, não tem, não tem como dormir mesmo. Mas provavelmente tem uma galera olhando agora aqui que já passou tudo aí, que já passou e poderia tirar um mês e falar: "Meu, vou dar um gás aqui, vou ver como é que é que esses caras estão falando aí". É, não tem volta, cara. Não vai voltar para aquele, para aquele. Não precisa focar no longo prazo, de focar assim, tipo, ah, beleza, vou. E de novo, não é para você virar um ultramaratonista, não é para virar um bodybuilder, não é para, e, cara, pega, não é para abrir uma marmita de ovo na fila do banco, tá ligado? Não. O, o, o mínimo, o mínimo do mínimo do mínimo. E você não precisa, não foca de novo no longo prazo porque é difícil focar no longo prazo. Cria um desafio, que foi até como eu comecei a levar sério mais a academia no passado, que foi quando eu comecei a ganhar mais massa. Eu falei assim: "Meu, eu vou cortar 100% álcool". Eu falei: "Vou cortar 100% mesmo". Vou cortar 100% álcool, eh, e vou realmente focar muito na alimentação e treinar muito forte. Foi um, o cara que dava treino para mim, ele falava: "Cara, você treina muito bem, seu corpo tá desenvolvendo, mas o álcool tá te cortando". Falei: "Vou dar um desafio para mim de fazer isso em três meses". Aí eu fiz no final do ano, bateu ali dezembro, eu tinha diminuído só um pouco o álcool, deu um resultado bem diferente. Aí eu falei: "Quer saber? Eu vou ficar sem, sem beber até meu aniversário". Na virada do ano eu falei isso. Então, meu aniversário era setembro. Fiquei sem beber até ali.

A hora que você coloca isso e você testa e você vê o resultado, o cara que tá, tá treinando vê que vai ganhar mais massa, o cara que tá correndo vê que vai recuperar melhor. Tipo, você que tá estudando, você vê que você vai conseguir render melhor. Humor, né, cara? Melhora. Economiza dinheiro. Economiza dinheiro. Não foi uma boa economia porque eu troquei pelo triatlo, então ficou ali. Exato. Mas é, é, e é uma parada realmente que muita gente não experimenta, cara. Não experimenta e vai criando uma rotina toda desorganizada e perpetua aquilo. E aí, voltando à pergunta lá, muito provavelmente você começou a produzir mais trabalhando menos porque tava trabalhando de forma mais inteligente e mais focada. Então, aquelas 5 horas que você gastava para produzir X, agora você produz em uma, duas, porque você tava focado. Alerta. Rende muito mais porque o sono, pessoal, você não sabe, o sono é o inverso do alerta. O seu alerta é o inverso do sono. Então, se você dorme muito bem, o inverso acontece. É a tendência que você esteja muito alerta. Se você dorme meia boca, a tendência é que o seu alerta seja meia boca. Então, então, só de corrigir o sono, cara, já é um, já muito melhor.

Então, começou a emagrecer, tipo, comecei a melhorar um pouco o sono. As 8 horas de trabalho que, na verdade, deveriam render cinco, começaram a render seis, começaram a render sete. Então, um dia que ficava a necessidade de ficar até mais tarde já não existia tanto porque o básico que tava sendo feito ali às 8 horas tava começando a render mais. Então, muitas vezes você tem a impressão de que, pô, eu preciso trabalhar 9, 10 horas, eu preciso fazer hora extra. Na verdade, é, pode ser que uma parte dessa hora extra realmente seja por demanda, priorização, problema da empresa. Mas vamos focar onde você tem controle. Como que tá a sua organização? Como que tá a sua rotina? Como que tá seu sono? Se você conseguir resolver isso, é bem possível que você reduza uma parte dessa hora extra. Você vai ser mais produtivo, você vai conseguir entregar mais. Se você vai entregar com uma qualidade melhor, que também tem a questão de retrabalho. Pô, entreguei, entreguei ruim, depois isso vai voltar para você refazer. Não adianta. Exato, exato.

E até o, o, eu, cara, eu adoro esses links que acaba acontecendo com o RD, até com alguns artigos que você comenta. Aquele artigo do Chambless que ele fala, né, tipo, eh, você, a excelência ela não vai ser causada por alterações quantitativas. Então, não, você não vai ser melhor no trabalho ou você não vai ter mais resultado no trabalho só porque você tá trabalhando mais. Uhum. E é uma das grandes falhas que a gente acaba tendo. Pô, eu tô, eu quero trabalhar mais, eu quero, desculpa, eu quero entregar mais, eu quero ser promovido, eu vou parar de treinar ou eu vou dormir um pouco menos para trabalhar mais porque eu consigo fazer o, eu quero fazer. Não é isso que vai gerar. O que vai gerar realmente é você ter um tempo de, de qualidade melhor. É alteração qualitativa. Aquele tempo que você tá ali trabalhando, ele realmente tem um, ser um tempo de maior qualidade, tem mais insights, tem mais capacidade de ter ideias, né, cara? E aí envolve, eh, outra coisa que não acabava acontecendo é habilidades pro trabalho. Pô, você vai ser mais produtivo também a partir do momento que você se desenvolve mais. Como que uma pessoa que tava gastando final de semana para ir pra balada ia conseguir se desenvolver estudando? Tipo, não, não rolava, não encaixava na rotina. Então, a partir do momento que você começa a ter tempo também para estudar, começa a focar mais realmente em aperfeiçoamento, aquela hora extra também diminui porque você tá tendo mais ferramentas, mais comportamentos, mais habilidades para produzir mais no dia a dia. Consequentemente, se você demorava meia hora para fazer uma atividade, agora demora 20 minutos. E isso vai acumulando de forma positiva, né?

E assim, outra parada que, que vale comentar também é longevidade, né, velho? Como é que a pessoa vai conseguir ter longevidade numa rotina toda desestruturada e sem pensar nisso? Aí vai virar aquela pessoa com 40 anos, 45 anos, tá toda arrebentada da saúde, tomando já dois, três medicamentos, isso aqui. Isso é pouco ter longevidade, né, cara? É reforçado um pouco. Eu lembro quando eu comecei a trabalhar na multinacional, alguém tinha falado: "Não, esse gerente que vai entrar aí agora", tinha trocado a gerência, né? "Ah, ele já teve burnout só daqui uma vez de ambulância". Tipo, as pessoas falavam isso como se fosse algo, tipo, admirável. É, tipo: "Não, já aconteceu umas duas vezes, assim". Você fala: "Cara, velho, tipo, e é o, é para, é isso que eu tenho que mirar? Então, é ali que eu tenho que chegar?" Tipo, exatamente. Qual área que tu trabalhava quando, nessa época que você diz: "Ah, essa época eu trabalhava, ia pra faculdade"? Qual que era o rolê? Eu sempre trabalhei com TI. Ah, sempre fui focando na mesma área, né? Eu comecei trabalhando com suporte e para um produto. Aí eu comecei a perceber que eu gostava de organização, tudo. Então, sempre fui trabalhando na área de tecnologia, mas na área de projetos, processos, organização.

E agora, cara, com a galera deve estar se perguntando assim: "Pô, mas e um cara que trabalha com isso, é especialista em organização, é um cara que trabalha com um projeto e tal". A pergunta que muita gente deve estar fazendo assim: "Você procrastina, cara? Como é que você lida quando você falha na sua agenda? Como é que é a sua reação?" A partir do momento que a gente tem agenda e tem a rotina, acaba sendo uma chance bem menor de procrastinar por motivo. Às vezes, como motivação. Pô, não vou procrastinar isso porque eu não tenho muita clareza do porquê eu tô fazendo isso. Reduz, mas tem momento que acontece, né? Não somos robôs. Eh, pô, às vezes você tá ali de tarde, tá cansado, acontece comigo. Ah, de vez em quando tô cansado, eu tenho que fazer a leitura de alguma coisa, eu tô estudando, eh, eu vou parar para fazer a atividade. Eu percebo que eu já tô corpo meio mole, tô sem energia. Eu começo a fazer, eu faço muita procrastinação ativa. Eu começo a fazer outra coisa que eu tenho que fazer, mas que não é importância. Uhum. Então, a hora que eu percebo que já tá acontecendo isso, eu, eu paro para fazer uma avaliação realmente, tipo, eu tô procrastinando porque. Mas você racionaliza assim? Eu racionalizo porque já tenho clareza. Eu coloco muita coisa para ser feita. Eu tô com muita coisa de novo. Eh, vou falar que eu toco muita coisa em paralelo para não, ninguém deturpar. Tudo vai depender da intensidade que você quer fazer e se você quer alcançar metas mais rápidas. De novo, com equilíbrio. Não adianta eu querer fazer uma intensidade alta sem ter equilíbrio porque não chega no longo prazo. Mas por que que eu faço algumas coisas em paralelo? Então, hoje eu treino para triatlo, eu gero conteúdo, eu tô empreendendo e sou diretor numa startup fora do país. Então, é bastante coisa para ser feita em paralelo. Eh, vai acontecer um momento que vai ter procrastinação, vai chegar uma hora que vai ter um pouquinho de falta de energia, vai ter procrastinação. Mas eu fico muito atento. Eu tenho que racionalizar para não acontecer de acumular muito porque a agenda acaba ficando cheia. Uhum. Então, pô, eu tô procrastinando porque eu tô cansado. Eu já vou parar e pensar: "Beleza, procrastinei nisso daqui semana passada também". Uhum. Ah, procrastinei. Será que é o horário que tá errado? Uhum. Ah, legal, você faz uma. Entendi. Então, eu já paro. Porque não, eu faço um diagnóstico. Não adianta eu não vou ficar repetindo. Você tá dando errado. Eu quero entregar, eu quero alcançar. Porque tudo isso que eu faço tem um porquê. Tem alguma meta que eu quero bater, alguma coisa que eu coloquei no meu ano que eu quero alcançar. Então, se eu percebo que eu já tô falhando em alguma coisa de planejamento, rotina, eu já paro e olho para trás, que é por isso que eu falei de anotar. É porque se ia falar isso, se você não tem agenda, vai olhar para onde? Você nem sabe se foi a segunda vez, a terceira. Você ocorre sempre. Às vezes tem um horário do teu dia que você procrastina 30% das tarefas. É um pico de procrastinação. Mas se você não tem agenda, você não sabe. Não vai ter histórico. Então, é bom ver isso. Você consegue voltar lá, ver: "Pô, nos últimos dias aqui, tipo". Eu normalmente eu deleto, eu movo de lugar. Vai ficar um espaço em branco. Então, ela serve como histórico também. A gente. Isso. Exatamente. Então, vou lá e olho, tipo: "Ah, beleza, procrastinei também. Era a mesma atividade? Será que é horário? Será que tá muito complexo? Será que eu não pensei em alguma coisa?" Eu começo a tentar encontrar o porquê eu tô procrastinando e eu vou lá e ajusto. Esse tema do estudo, eu comecei a perceber que eu tava procrastinando quando eu colocava para estudar de tarde e eu comecei a perceber que eu tava muito cansado. Comecei a inverter. Vou jogar de manhã. Mas de manhã tem treino. Então, você vai encontrando uma forma de encaixar com o equilíbrio, né? Como que eu consigo tocar cada um desses pontos de forma que eu consiga gerar resultado e manter isso no longo prazo.

Pessoal, para quem não sabe, o Mateus tem um módulo de autogestão lá dentro do Reservatório de Dopamina. E agora ele veio aqui para Floripa, além de participar do podcast, para regravar o módulo, né? E também ele vai gravar uma aula, uma aulona, uma masterclass que vai ser disponibilizada pra turma anual do Reservatório de Dopamina para quem assinar o RD até o dia 19 deste mês de dezembro de 2023. Se você está assistindo esse podcast depois, considere ainda assim assinar o Reservatório de Dopamina, que você vai ter acesso a todos os módulos que tem lá. O link está aqui na descrição do vídeo e no primeiro comentário fixado. E você tem o link da página ali do, do Reservatório de Dopamina onde você consegue ver todos os módulos que a gente tem lá. Não só as minhas aulas, já passou das 100 e eu continuo postando uma aula por semana lá. Só meu, assim, acho que tem umas 80 horas de aula. As aulas têm aproximadamente 40 minutos em média cada uma. Tem umas mais longas de uma hora e pouco, tem outras mais curtas de 20 minutos, mas em média é 40 minutos de aula só nas minhas aulas, que são mais de 100 já, sobre neurociência e comportamento. Além disso, você tem aula de autogestão com Mateus, tem aula de culinária básica, o Lincol que veio aqui no podcast lá no primeiro episódio, segundo episódio, também tem aula de nutrição com ele, tem aula de, eh, de empreendedorismo com a galera do G4 Educação. Tem, enfim, tem um monte de aula legal lá para você. Considere visitar a página para conhecer o que é o Reservatório de Dopamina.

E aí, Mateus, pergunto para você, eh, agora você vai regravar o módulo, né? É um módulo que você gravou em que ano aquele módulo? 2000 e. Gravei no final do ano passado. Final do ano passado. Tem muita retenção, a galera assiste bastante, a gente vê lá nas métricas. E, e nessa, nesse novo módulo que você vai subir lá, é aquele atualizado? Essa é a ideia. Eu vou colocar o mesmo conteúdo que é a base e aí eu tô adicionando módulos focados também, tipo, algumas aulas focadas em produtividade, não procrastinação, carreira. Alguns pontos que vão alinhar também com carreira, porque no, no final vai, você tem que ter um output disso de organização para colocar em prática ali algum ponto de carreira. Então, tem procrastinação, carreira, tem mais coisas sobre autoconhecimento também, reflexão, você conseguir ter esse tipo de raciocínio e racionalizar e diante de um problema para conseguir melhorar a rotina. Então, tem alguns pontos extras também. Legal.

E a galera que eventualmente queira, eh, bota o Instagram dele aí na tela, ô Gabs. Mas a galera que eventualmente queira contratar, você tem algum tipo de serviço para, pro público que tá assistindo? Sim, sim. Tem, tem uma mentoria que chama Balance, justamente para falar de equilíbrio, eh, porque falar só de produtividade não basta, né? A ideia é que você tenha resultado no longo prazo. Então, qual que é a ideia do, ideia individual? Ela é uma mentoria que hoje, agora ela tá fechada. Acesso à mentoria tem só aula gravada. Então, a pessoa pode comprar lá um pacote de aula. Tem 20 horas de aula sobre autoconhecimento, onde vai falar de propósito, reflexão, journaling, organização, planejamento. Um segundo pilar de organização fala de planejamento, metas, eh, rotina, produtividade, procrastinação. Terceiro pilar que é sobre carreira. Então, como que eu faço para conseguir desenvolver uma, uma carreira de alta performance? Quarto pilar que é saúde. Então, a gente fala um pouquinho sobre saúde porque é um pilar que você tem que ter equilibrado para conseguir sustentar os demais. E o quinto pilar que é financeiro, onde tem aula do Rafa e da Jéssica, porque você precisa ter tudo isso equilibrado para ter sucesso, resultado na vida. Você não consegue só trabalhar produtividade, não vai ter resultado na carreira. Se você trabalhar sua carreira, como que tá o financeiro? Se você trabalhar tudo isso, mas não sabe onde quer chegar, como que tá seu autoconhecimento? Então, mescla tudo isso.

E a galera, você, você dava mentoria individual? Eu dou mentoria em grupo. Então, essa, o Balance, ele tem as aulas gravadas, você pode comprar hoje. E a mentoria em grupo eu abro. Isso aí tá no link da bio. Vai ter ali no link da bio se o pessoal quiser acessar. E aí esse é o Instagram dele para quem quer seguir também. Tá. A mentoria em grupo deve abrir de novo em março. Eu faço uma turma a cada três, seis meses, que aí realmente a ideia é acompanhar o pessoal. Como a gente falou, tem muito detalhe sobre rotina. Uhum. É muita coisinha que você tem que ficar atento. Uhum. E a minha ideia justamente é você ser acompanhado. É uma mentoria em grupo. Você vai ter lá as aulas para assistir, os encontros que são ao vivo e você tem muito contato comigo. E a ideia é acompanhar essa pessoa no processo de mudança para que ela consiga realmente montar a rotina, que ela consiga olhar pra carreira dela com cuidado, que ela consiga olhar, falar: "Pô, eu quero definir meu propósito". Quais que são as barreiras que você tá encontrando? Então, eu tô ali para tirar essas barreiras. Legal.

E além disso, sobra tempo pro triatlo? Sobra tempo pro triatlo. Aí tem que sobrar. Legal pra caramba. Vai pra cima aí, Gabs. Então, aí tá o Instagram, Mateus 100th Paderes, para quem quiser acompanhar ele. E todo dia tem caixinha ali, tem respostas, tem uma mentoria gratuita. Então, fiquem à vontade aí para, para acompanhar ele no Instagram. É isso, Mateus. E falar uma coisa da RD. Você falou das aulas da RD. Para quem não assinou e para quem tem dúvida, assim, é, não é só de comportamento, cara. Eu usei muito as do RD, eh, dentro do conceito de liderança, eh, porque você começa a ter mais contexto sobre comportamento mesmo, mano. Você fala bastante sobre isso e ajuda muito no dia a dia. Eh, eu lembro uma vez um, uma pessoa que eu tava liderando, ela falou, tinha acabado de assistir uma aula sua sobre como o comportamento era formado e comportamento disfuncional. Você tava explicando. E a pessoa falou: "Meu, eu sinto muita insegurança porque eu não sou da área e eu quero tirar a certificação porque eu só com a certificação eu vejo que eu vou realmente conseguir falar o que eu quero falar, demonstrar o que quero demonstrar". E era a pessoa que mais performava da minha, da minha área. Falei: "Cara, você é a pessoa que mais performa. Você não acredita que você viu ser a aula das lentes sujas?" Cara, eu não vou lembrar a aula, mas eu, eu assisti a aula como se fosse de manhã. Eu fui dar um feedback pro cara de tarde. O cara falou: "Não, eu vou comprar a certificação". Aí eu falei, falei: "Cara, ó, você tá passando por isso, você tem a, a, o sentimento de segurança. Aí você vai lá, você vai tirar a certificação, você vai só reforçar, tipo, que você precisa disso para conseguir dar um próximo passo. Porque você vai tirar a certificação, é óbvio, você vai adquirir algum conhecimento, você vai um resultado e você vai ficar reforçando isso que você precisa às vezes pagar alguma coisa". Não dizendo que não precisa, mas que realmente era necessário. E você já performa hoje. Então, os conhecimentos do RD ali ajudou a dar feedback, ajudou a trabalhar mais no dia a dia, cara. Foi muito bom. Agradeço muito isso, o conhecimento que você compartilha.

Legal, cara. E assim, muita gente manda, cara, galera: "Ah, eu sou de uma multinacional, não sou da área da saúde, isso me ajuda pra caramba". A ideia é um, é uma parada de comportamento, ensinar, porque não tem, né, cara? Até então não tinha difundido assim de uma, uma forma fácil de entender e ao mesmo tempo com rigor técnico, né? Acho que por isso que foi um sucesso tão grande. Então, assim, pessoal, se você tiver interesse em conhecer o projeto, tá aqui o link na descrição e assina lá que agora a gente vai ter atualização aí do módulo do Mateus. Vai gravar aí segunda, terça e quarta. Ou amanhã também? Segunda, terça e quarta. Segunda, terça e quarta. Legal pra caramba. Então, fechou. Deixa aí o seu like no vídeo, assim você reforça o meu comportamento de vir aqui continuar gravando esses podcasts. E nós nos vemos no próximo episódio. Até lá.