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[Música] O que que a gente vai tá falando nesse podcast aqui? Nós vamos falar sobre Adivinha o Quê: inovação. Mas não é qualquer inovação; é inovação em saúde, e com uma perspectiva extremamente interessante do que já era, o que já é e o que já vem, e quem criou, né, esse bordão? Mais do que isso, esse mantra é o grande, eh, referência aqui. Eu falo que é o meu guru em tecnologia. Aqui no Brasil, tem duas fontes que eu adoro, que realmente trazem coisas que me fazem pensar diferente e me fazem refletir o que que seria o futuro. E uma dessas fontes tá aqui com a gente hoje. Então, para começar, eu gostaria de uma salva de palmas, aquela energia que só vocês têm, para convidar Ronaldo Lemos ao palco. Uhu! Seja bem-vindo, Ronaldo!
Pessoal, o Ronaldo, ele é advogado, professor, escritor; é um dos maiores especialistas em tecnologia e inovação do Brasil. É cofundador do Instituto Tecnologia & Saúde (ITS) Rio, também integra o conselho de supervisão da Meta, colabora em questões globais de governança, tecnologia, Inteligência Artificial, e assim… tem a coluna de tecnologia que eu mais gosto, que eu leio toda semana. Então, seja super bem-vindo aí, Ronaldo.
Obrigado.
Obrigado, pessoal. Muito bacana, muito bom. Obrigado. Por favor, você quiser sentar ali, e a gente chama aqui para compor nossa mesa também uma outra grande mestra da tecnologia, de tecnologia, que recebeu um prêmio… você recebeu, acabou de receber um prêmio, não foi, não, Ângela? Você vai contar aqui pra gente. Então, as boas-vindas à ela: salva de palmas para Ângela Freitas, nossa C do Brasil da mtec. Seja bem-vinda!
Obrigada!
Conta pro pessoal aí que prêmio que você tava lá, que eu vi seu… lq somos nós.
O prêmio é nosso, é da Johnson & Johnson, tá na 100 mais inovadoras pela it fórum.
Meu Deus! O Miguel tava lá com você? Isso aí, coisa [Aplausos] linda! A gente pode converter o prêmio em doação para Operação Sorriso. Ô, a gente tá precisando dessa fórmula, hein, Fábio?
Putz, porque, né… estante prêmio que a gente tá ganhando, a gente tem que começar a monetizar esses prêmios, né? Não, total! Por favor, vamos, vamos tomar os nossos assentos aqui, nos ambientar, e obviamente a gente tem o nosso quarto participante, que é essa plateia maravilhosa. Cadê o barulho da [Aplausos] plateia? Então vamos lá, pessoal. Vamos começar agora o nosso podcast, e agora tá valendo! Que vai pro YouTube, tá todo mundo pronto? Aí sim! Então vamos lá! Bom dia, boa tarde, boa noite! Bem-vindos ao nosso episódio Metch Talks mais do que especial! Esse aqui é ao vivo, a nossa tradição de todo ano fazer um episódio com essa plateia maravilhosa. Cadê a salva de [Aplausos] galera? E o tema do nosso podcast é: Inovação em Saúde: Já Era, Já É e Já Vem. E esse tema, pessoal, a gente tem ninguém mais, ninguém menos para poder nos ajudar nesse debate do que o criador, o criador desse mote, Ronaldo Lemos. Seja super bem-vindo, Ronaldo!
Obrigado!
Meu Ronaldo é o meu guru, que eu sempre acompanho toda semana para realmente saber o que tá acontecendo, e é inspirador as suas colunas. Muito obrigado por estar aqui para nossa audiência. O Ronaldo, ele é advogado, ele também é professor, escritor, um dos maiores especialistas em tecnologia e inovação do Brasil, cofundador do ITS Rio, integra o conselho de supervisão da Meta, e colabora em questões globais de governanças, tecnologia, IA, e é um, uma grande feira conosco aqui. Seja bem-vindo, Ronaldo!
Obrigado, pessoal. Muito animado de estar aqui hoje. Obrigado!
E se juntando a gente, a nossa grande C da mtech Brasil, Ângela Freitas, que sabe tudo de tecnologia e que vai nos ajudar aqui a destrinchar o que que tá nos esperando em 2025. Super bem-vinda, Ângela!
Obrigada! Que maravilha! Que emoção! Que prazer dividir essa mesa com você, Fabrício, e com Ronaldo, grande referência aqui da tecnologia! E cadê a vibração da Medtech [Aplausos] Brasil? E só para dar um contexto aqui, né? Pesquisa recente da… da McKinsey falou muito sobre os “innovative growers”, que são as empresas que conseguem ter crescimentos realmente exponenciais alavancando a tecnologia. Eu sempre brinco que o executivo do passado tinha que saber do negócio e de finanças, e o executivo de hoje precisa saber, além de negócio e de finanças, também de tecnologia, porque a tecnologia ela muda a produtividade de uma tal forma que, se você não souber usar ela, você já tá… você já era, já era, ou não era? Já! E a questão central é a seguinte: a tecnologia, ela é uma ferramenta tão poderosa que quem embarca nela dá um salto quântico, né? Então, vai para cima agora! O desafio é o seguinte: quem não embarca pode ficar para trás. Então, o grande desafio que a gente tem com a tecnologia é: como é que a gente democratiza essa ferramenta? E na minha visão, Fabrício, eu acho que a, a melhor forma de, por exemplo, aprender a usar IA é usando. Tem que pegar um aplicativo de IA e usar no dia a dia, tirar dúvidas e utilizar assim no trabalho, do, das tarefas. Mas é muito importante pôr a mão na massa, tem que realmente se jogar na tecnologia, sair da teoria e para a prática, e acho que isso é super importante. E aí faz um gancho com outro ponto que eu queria levantar, era que, se isso é muito verdade, e ela é… antigamente tinha um tempo para gente ficar olhando, observando. A gente vê, por exemplo, a Netflix, para chegar no primeiro milhão de usuários, foram acho que 3 anos e meio. É, o Opera, quando lançou, foram C dias. Então, se antigamente tinha tempo para gente ficar observando, hoje em dia quem não consegue embarcar nessas transformações que realmente vão fazer a diferença, talvez fique tarde demais. E aí aproveitando para fazer o gancho, eu gostaria muito de fazer uma primeira pergunta, né? Como eu comentei, você é um dos meus gurus que eu me inspiro para entender para onde que o mundo da tecnologia tá indo, e obviamente aí eu faço o link com a da saúde, que é o que eu conheço. Ah, e dentro desse contexto, eh, eu queria, eh, entrar dentro da sua cabeça e, e, e entender como é que é o seu processo de identificar realmente, né, o que que já foi, o que que já é, o que já vem, porque isso pode parecer simples, mas isso é algo extremamente complexo, e a gente que acompanha esse mundo do negócio, é muito fácil fazer apostas erradas, e é muito fácil deixar grandes mudanças chegarem e a gente ficar de fora. Então, conta para gente aí qual que é o seu segredo. Mas ficar só com a gente aqui, não entrar no C do Ronaldo… exp… V contar, pessoal, mas não contem para ninguém, não tá? Vamos combinar desde já. Não é o seguinte: o meu segredo, na verdade, é muito simples. O método que eu uso desde sempre é uma única palavra: essa palavra se chama curiosidade. Se você tiver curiosidade pelas coisas, você se torna à prova de qualquer mudança tecnológica. Então, assim, eh, eu nasci numa cidade pequena chamada Araguari, no interior de Minas Gerais. Tava até falando para você… Araguari foi a primeira cidade do Brasil a ter TV a cabo. Fizeram um experimento, rodaram o mapa do Brasil, puseram o dedo… a cidade caiu: Araguari, e resolveram botar a TV a cabo lá na época. Pessoal, não tinha internet, então o cabo era a rede de informação mais poderosa que existia. Ter acesso a essa informação mudou não só a minha vida, mas mudou a vida da minha geração. Tem muita gente de Araguari hoje trabalha com tecnologia, empreendedorismo e assim por diante. Então, assim, curiosidade é a fórmula: é você olhar para esse mundo, tanta coisa acontecendo ao mesmo tempo, e você ter o interesse e a motivação para tentar descobrir as novidades, de entender, eh, o que que tá acontecendo. Então, isso para mim me dá um prazer imenso. Eu sou curioso. Às vezes a curiosidade, eh, ela te leva para lugares… fala: “Opa, melhor não!”. Mas assim, na maioria das vezes, quando você segue um caminho de descoberta, você tá sempre atualizado. Tem aquela frase, né, que diz o seguinte: se você o que você faz é o que você gosta, isso é ótimo, você nunca vai precisar trabalhar, porque o seu trabalho não é trabalho, ele é prazer. Então, para mim, saber de coisas tecnológicas é o que eu faço por prazer. Eu acordo e tenho grande alegria em saber a última novidade de IA ou saber o que que tá acontecendo, por exemplo, na área de saúde e tecnologia. Então é isso, eu recomendo: ficar curioso e se manter curioso, que essa é a melhor vacina contra você perder o bonde da transformação tecnológica. Que você traz aqui e eu vou destacar dois pontos: o primeiro, qual que é o poder que o ambiente tem? Que a gente tava conversando isso logo antes do, do nosso episódio aqui. Você imagina, né, uma cidade super pequena como a sua… quantos habitantes?
Ah, hoje Araguari tá com 110.000 habitantes, mas na época menos de 100.000, é 88… 88.000. Então a gente pega uma cidade com 88.000 habitantes que, por um experimento quase social, tem acesso a uma tecnologia de ponta, e dessa cidade saem, né, grandes referências como você, como Gustavo Caetano, que até deixa um abraço aí para ele, e e tantos mais. E a gente para para imaginar se esse ambiente tivesse, né, disponível em todo o Brasil, qual que é o potencial desperdiçado que a gente tem, e qual é a oportunidade que a gente tem que buscar. Então, isso que é uma primeira reflexão muito forte, e eu acho que um papel, uma missão que a gente tem de tentar criar esses ambientes inovadores. E o segundo ponto que você traz e eu me identifico muito com ele é esse tema da curiosidade: é realmente ter esse apetite para aprender que é insaciável. E até faço uma conexão: lembro a minha primeira viagem pro exterior, eu devia ter uns 21 anos de idade, eu fui aprender inglês, e aí um professor virou e falou: “Ah, o que que estaria, né, na sua lápide quando, eh, eh, você falecer daqui há tantos anos?” Coisa bem de americano, eu achei… coisa mais [___] que coisa, que pergunta estranha! No Brasil nunca tinha nem… nada. E aí obviamente eu fui obrigado a responder, e o que eu coloquei lá era: “Aqui jaz aquele com um apetite insaciável por conhecimento”. Então, uau! Graças a Deus esse apetite, ele continua cada vez maior. Então me conecto muito com o que você tá colocando. E aí fazendo já uma conexão, né, e trazendo a Ângela para a conversa, essa… e a área da saúde: como é que a inovação aterrisa agora no ano de 2025? Quais são as oportunidades? Quais são os desafios?
Bom, primeiro, saúde é um tema caro para gente como setor, mas também como pessoa, né, Fabrício? Como pacientes que somos, como nossas famílias. E avançar a inovação para mais acesso é um sonho particularmente meu, e acredito que de todos que estão aqui nessa sala hoje. Acho que vou dar um passo na história para falar do setor de saúde em relação à inovação, como que vem caminhando para falar do, do ano atual. O setor de saúde entrou relativamente mais tarde com força na transformação digital, quando a gente compara com outros setores, por exemplo, comunicação, setor financeiro, que foram diretamente impactados pela internet assim que a internet chegou. Mudou tudo: não tem mais mídia do jeito que era, não tem mais banco do jeito que era. E a saúde ainda ficou ainda com modelo um pouco tradicional. Um termômetro interessante disso é o quanto que os setores investem em tecnologia. A gente sabe que nem toda inovação é tecnologia, mas grande parte. Então, por exemplo, se a gente pega um banco hoje, tá na média de 6,8% da receita o investimento que é feito em tecnologia. Quando a gente olha a saúde, é em torno de 4,7. Isso é acima da média, a média é três ponto alguma coisa, mas a gente ainda tem um caminho a percorrer, porque a saúde pode beneficiar muito da inovação. Então, enquanto a história chegou um pouquinho atrás, mas não é motivo para gente desanimar de jeito nenhum. Pelo contrário, eu acredito que a gente tá no momento único da inovação na saúde, e por que que eu acredito fortemente nisso? Porque tem uns astros aí que estão alinhados: a tecnologia hoje é amplamente disponível, ela é mais acessível, e você tem mais pessoas aprendendo a utilizar, principalmente através de IA. Ou seja, a tecnologia, ela tá mais disseminada. Esse é um fator importante da transformação de um setor. Desafios não atendidos? Temos vários na saúde, vocês estão super familiarizados com eles. A gente tem envelhecimento da população, alto custo – quase 10% do PIB da saúde do PIB do Brasil é gasto em saúde, né? Então a gente… e esse custo se eleva ano a ano. Nós temos 34% da população sem assistência básica à saúde. Isso é um número chocante para um país do tamanho do Brasil, e a inovação pode fazer com que esse GAP seja muito reduzido. Então, eh, desafios a gente tem vários. E por último, mas talvez o mais importante: as pessoas, Fabrício. Às vezes eu tô dando aula para médico, e é cada vez mais comum eu ouvir um relato do médico falando: “Ah, agora o paciente já chega aqui com o diagnóstico. Ele já olhou o ChatGPT, já colocou os dados de saúde… dado de saúde, que é uma coisa sensível, o paciente tá disposto a colocar os dados numa, num lugar que ele nem sabe como vai processar esses dados”. Eu coloco o tempo todo, eu sou essa que chega com: “Já estudei ó, esse estudo aqui e tal”. E então… e a disposição dos médicos também para adotar tecnologia mudou. As pesquisas mostram isso ano a ano. Ou seja, com esses fatores alinhados, eu acredito que a gente tá vivendo um momento único em que a saúde vai ser totalmente diferente nos próximos anos. E 2025, com o advento e a disseminação de IA e todas essas práticas de inovação que a gente tem visto no setor, certamente é um marco para essa transformação. E você falou bastante de acesso, né, de democratizar o melhor padrão de cuidado, e algo que eu sempre fiquei muito incomodado, né? Tô há 20 anos na nossa empresa, no setor de saúde, era, por exemplo, da dificuldade que a gente tem de fazer diagnóstico precoce.
Uhum.
Pega, por exemplo, países que são países talvez melhores em termos processuais, como o Japão: o diagnóstico de câncer de pulmão, praticamente 70% são nos estágios iniciais, exatamente que o prognóstico é muito melhor. Aqui no nosso país, infelizmente, praticamente boa parte da população já tá no estágio final, estágio quatro, o que, além de ser muito mais custoso para o sistema de saúde, o prognóstico é muito difícil para a pessoa e para a família. E a gente já tentou tanta coisa para poder mudar essa realidade, e infelizmente a gente nunca teve sucesso. A gente nunca desistiu, mas agora eu tô mais confiante do que nunca que com essas novas tecnologias, o que antigamente era impossível vai ser possível, e se Deus quiser, uma das primeiras questões que essas novas revoluções que a gente tá vivendo vai poder nos trazer é democratizar o acesso ao diagnóstico precoce de doenças, por exemplo, como câncer de pulmão. E aí, Ronaldo, da sua visão, então, de maneira mais ampla, né, o que que são as grandes tendências aí para 2025? Mas antes de você responder, eu quero sentir aqui a energia da nossa galera. Cadê o pessoal [Aplausos] aí? Olha a responsa, hein! Ó, tô preocupado… tô preocupado! Quando a gente grava para câmera, a gente não sabe… todo mundo que tá observando a gente aqui… não tem como esquecer, não tem como… não tem como! E… e pessoal, acho que assim, a primeira coisa que a gente tá vendo é que, primeiro, a IA, ela transforma as nossas vidas pessoalmente, né? Eu acho que esse é o primeiro ponto que a gente tem que pensar: ela é um grande fator de democratização do conhecimento. Por que que o paciente hoje chega no médico já sabendo o que falar, né? Ele já chega lá falando: “Ah, porque eu vi o estudo tal, e eu acho que pode ser isso, pode ser aquilo”, porque hoje você tem a possibilidade de, antes de ir ao médico, passar algumas informações para IA e, inclusive, que ela analise exames. Eu, por exemplo, sempre que faço algum exame de laboratório, eu ponho tudo na IA, fico batendo papo com a IA sobre o resultado dos meus exames, tá? E aí eu chego lá mais bem informado. Agora precisa avisar pros médicos? Isso não é um problema só dos médicos, os advogados, os arquitetos, os engenheiros, os designers… qualquer profissão que trabalhe com conhecimento hoje é a mesma coisa: o seu cliente vai chegar para você já tendo passado por uma consulta com inteligência artificial antes. Então você já tem que pressupôr isso: é a nova realidade, é o que vai acontecer. Só por curiosidade, quem aqui já usou algum aplicativo de tipo ChatGPT ou Anthropic? Levanta a mão, por favor. É, é chocante, né? É… é praticamente todo mundo. Você falou da rápida adoção dessas ferramentas, a gente vê aqui o exemplo na prática, né? E o, o que essas ferramentas fazem é abrir esses campos profissionais que antes eram fechados para gente poder dialogar com eles. Pensa, por exemplo, contabilidade usando o ChatGPT. Hoje você consegue fazer a contabilidade do seu condomínio, consegue interpretar um balanço, coisas que são, que eram técnicas que antes você não tinha ninguém para trocar ideia. Então, para o campo da saúde, a primeira mudança é essa: a gente tem que se preparar para um mundo em que o paciente, ele é um paciente bem informado, ele vai chegar na busca de, eh, um apoio médico ou algum tipo de auxílio sabendo exatamente o que ele quer. E aí ele vai perguntar pro médico, vai falar: “Que equipamento você tem para fazer a minha cirurgia de artroscopia completa do joelho?”, porque ele vai saber que, se ele fizer artroscopia do joelho com um cirurgião sem um apoio, por exemplo, de um robô… tem cirurgiões incríveis, inclusive minha homenagem a eles, que trabalham de forma incansável, estão aí na linha de frente, né, ajudando tanta gente, mas um cirurgião com um equipamento de inteligência artificial na mão, que me faz o corte ser perfeito, erro de 0,5 mm, você padroniza as cirurgias, a prótese encaixa exatamente no seu joelho, sua recuperação é muito mais rápida, você vai para casa, retoma sua vida normal de forma mais rápida, Fabrício. Isso não existe! Então o paciente vai começar a perguntar pro hospital dele que equipamento que ele tem, vai perguntar para o médico se ele sabe usar, por exemplo, um equipamento como esse, porque ele vai querer o melhor, e antes não tinha como saber o que é o melhor, e hoje é totalmente possível. Então é uma revolução que ela é capitaneada a partir do conhecimento que o paciente vai ter sobre saúde. Eu acho que isso é muito positivo. Ou seja, a grande tendência que você enxerga é que a assimetria de informação, né, entre profissionais extremamente experientes e pessoas que vão estar consumindo esse serviço, ela vai reduzir cada vez mais. E que esses profissionais, eles precisam entender esse novo mundo e estar prontos para ele. É, e você precisa oferecer para o seu paciente, para seu cliente o melhor serviço possível, porque ele sabe, eh, que tipo de avanço ele precisa, por exemplo, para trabalhar o problema dele. Eh, é o caso, por exemplo, de um advogado ou um arquiteto. Muito daqui a pouco, né, o cara vai reformar o apartamento, ele já vai chegar no escritório do arquiteto com a planta feita, eh, só pro arquiteto assinar e colocar a credencial dele para fazer a reforma. E o papel do, do arquiteto vai ser revisar o trabalho de conhecimento que a IA fez antecipadamente, assim como o trabalho do advogado vai ser já sabendo que o cliente chegou ali super informado sobre todas as questões. Vai ser: “Olha, a partir daqui vamos tomar decisões juntos”. Então é um exercício que passa não só por conhecimento, mas também por uma, uma prática valorativa de prudência, de troca humana. Então essa troca humana, ela vai se tornar central também no cenário da saúde, porque o que vai diferenciar a relação entre médico e paciente vai ser exatamente a sua troca de informação, o, a forma como você interage com seus pacientes, com as instituições e assim por diante. E esse vai ser o seu diferencial, porque do ponto de vista de informação a gente tá entrando num mundo, vai ter uma equalização enorme do acesso ao conhecimento. E e esse mundo, na minha visão, é muito positivo, tá? Eh, vai melhorar o setor de saúde, vai melhorar o… melhorar o trabalho dos profissionais que trabalham com informação, com conhecimento. E e a gente tem que pressupor que nesse contexto qual é o, o bem mais valioso é a nossa humanidade, é a nossa capacidade de saber que o médico vai muito além de ser um técnico. O médico não é um computador que dá um diagnóstico e executa um comando médico, ele cuida da parte humana, ele observa a família, ele tem um processo de acolhimento que é muito importante. Então esse acolhimento, ele vai ser central e cada vez mais fundamental para quem é profissional de saúde poder se diferenciar. Sensacional! E esse mundo novo… como é que o Ronaldo tá nos descrevendo, Ângela? Como é que você enxerga na prática que as empresas da área da saúde, as organizações da área da saúde podem começar a fazer isso, chegar pros pacientes, que é o que importa?
Olha, primeiro num ponto que você trouxe que eu achei fundamental aqui: realmente a relação médico-paciente muda, né? E o médico passa a ser quase que um copiloto ali do paciente, tira um pouco essa situação da, da autoridade total do médico. Isso passa a ser um pouco mais compartilhado com o paciente, e toda essa inovação que a gente tá falando aqui, ela não vai acontecer se a gente não tiver boas práticas de inovação. Então acho muito interessante quando a gente entende o potencial, e isso precisa ser entendido pelas organizações também, pelo hospital, pela indústria, porque tudo pode parecer muito abstrato ou distante. Todas as organizações têm que fazer um exercício do “por que” elas querem inovar. Essa é a primeira pergunta a ser respondida, Fabrício, porque senão pode ser um risco de você se perder na floresta com tanta árvore, sabe? Fazer tecnologia por tecnologia, porque é hype, porque é moda, e não é isso. Cada organização tem uma razão de se fazer inovação: o que que é isso? É quer mais receita? Quer reduzir custo? Quer melhorar a qualidade do tratamento que faz pro paciente? Reduzir algum risco? Enfim, esse “porquê” tem que estar claro e articulado desde a liderança das instituições e permear toda a organização. Esse é o primeiro ponto. Com isso entendido, é preciso capacitar as pessoas, tanto do ponto de vista técnico quanto do ponto de vista cultural. A cultura ainda é a maior barreira na inovação de qualquer setor e de qualquer organização: a cultura que é muito hierárquica, que não escuta o seu cliente, não escuta o seu paciente, não tá atento à transformação do setor, às demandas dos outros players que compõem esse ecossistema de saúde. Então, a cultura que é avessa ao risco, e na saúde isso é bastante comum, porque se confunde o apetite de inovar e o risco que isso traz com o risco que pode pôr a, a saúde do paciente, e são coisas totalmente diferentes, porque o risco da saúde… existe todo um arcabouço regulatório para que isso não aconteça, mas o risco é necessário, é um componente importante para que a gente possa inovar. Então, cultura… eu diria também que experimentos… Ronaldo falou agora há pouco que é preciso pôr a mão na massa, e é… as organizações também precisam fazer, e precisa fazer isso gigante, precisa fazer com milhões, com projetos de 3 anos, não é fazer experimentos menores, mas começar a pegar gosto e entender o potencial na prática, porque isso vai retroalimentando toda essa estratégia, a vontade das pessoas de fazer com que isso aconteça, a cultura. Ou seja, você cria um ciclo positivo para a inovação. E eu diria também que as parcerias estratégicas são fundamentais, porque ninguém precisa fazer nada sozinho nesse mundo, e na tecnologia e na inovação não é diferente. E o Brasil ainda é privilegiado nesse sentido, porque aqui a gente tem um ecossistema de inovação reconhecido internacionalmente. Nós temos mais de 500 startups ativas no Brasil que trabalham com saúde, com diversas, diversas aplicações, seja no diagnóstico, acompanhamento de tratamento de paciente ou até em aspectos administrativos, automação. Ou seja, por que não usar algo que já existe e acelerar demais o seu processo de inovação ao invés de criar tudo isso do zero? Então, eu… acredito que com esses componentes… é… é aí, é aí que começa. E não pensar duas vezes: vamos começar!
Maravilha! E falando disso sobre cultura, Ronaldo, como é que você enxerga aqui é o papel que cada colaborador nosso aqui tem que ter para promover nessa inovação, esse ambiente de inovação?
Olha, até ponto super importante, e complementando outra coisa chave, pessoal, é que a IA, ela não vai substituir o trabalho humano. Não é uma dualidade assim: ser humano ou IA; é o ser humano e IA, né? A gente vai trabalhar junto. Quando você, eh, trabalha, por exemplo, com um robô capaz de fazer uma cirurgia, é o médico que opera aquele robô, né? Então é importante que ele se capacite para entender como fazer isso. E e sempre quando a gente vê estudo sobre desempenho, desempenho do ser humano e o desempenho da IA, sempre que o ser humano trabalha com IA é… quando você atinge maior potencial, tá? Então, quando você tem a supervisão humana e o uso da inteligência artificial, é quando você alcança os padrões de excelência maiores que são possíveis. Então, eh, eh, o que eu acho que cada colaborador aqui pode fazer é experimentar, desde já, a trabalhar com IA…
É, é muito importante, pessoal, e não tem nenhum mistério nesse processo, né? Todos os dias a gente tem tarefas ali para se fazer do dia a dia.
Experimente usar, por exemplo, os aplicativos de IA para realizar algumas dessas tarefas. Eh, eu, por exemplo, hoje uso IA muito mais para ler do que para escrever. AEs falam, mas Ronaldo, como é que lê, cunhar? É exatamente isso: se eu recebo um documento muito grande, por exemplo, documento de 300 páginas explicando uma questão nova, primeira coisa que eu faço: eu subo aquele documento para a IA. E aí eu converso com a IA sobre o documento; ela, na hora, vira especialista naquele documento. Eu faço perguntas para ela, e ela me responde. Vou dar um caso aqui concreto para vocês entenderem o poder disso, tá?
Esses dias, pessoal do meu condomínio me pediu para redigir uma ata de convocação de uma assembleia geral extraordinária. Pessoal, poucas coisas podem ser mais chatas do que fazer uma ata desse tipo, tá? Aí fui eu lá ler a minha convenção de condomínio; ela é escrita em 1968, tá toda cheia de carimbo, com aquele papel velho do cartório, datilografada. Falei: "Caramba, vou levar 4 horas para ler isso aqui". Que que eu fiz? Peguei meu celular, tirei foto da convenção de condomínio, fiz o upload das fotos no ChatGPT, falei: "Leia minha convenção de condomínio". Em 2 segundos, ele virou especialista na convenção do meu condomínio. Então a loucura aí: eu falei: "Destituição de síndico. Qual é o quórum?" Ele falou: "Artigo oitavo da convenção: 2/3 dos moradores". Vocês já viram que a briga tava feia, né, no meu condomínio? Aí eu falei: "Qual é o prazo de antecedência para fazer a convocação?" "8 dias". Falei: "Muito obrigado. Redija, por favor, a ata". Dois outros segundos, a ata tava pronta, perfeitinha, com linguagem de advogado, com base na convenção do meu condomínio. Eu simplesmente mandei aí o pessoal do grupo de WhatsApp, né? Todo condomínio tem um grupo de WhatsApp, né? Pessoal, vocês sabem disso aí. Mandei: "Ronaldo, como você é rápido para redigir com a IA e tal". Aí eu falei: "É, advogado bem treinado é sempre muito rápido, tá? Muitos anos fazendo isso e tal". Pessoal, nem imagina que o segredo é esse, pessoal. Isso que eu fiz, eh...
Nesse contexto específico, dá para fazer todos os dias no trabalho profissional, e esses experimentos são às vezes simples mesmo; eles ensinam a gente. O que que a IA faz bem? O que que ela não faz bem? Que é muito importante aprender também. E a partir daí você vai evoluindo a sua forma de trabalhar, e você vira um super-homem assim, ou uma supermulher, enfim. É, é muito impressionante, porque te coloca no patamar de trabalho... Um advogado que não usa essas ferramentas não tem condições de competir com o advogado que usa, entendeu? Então essa é a mensagem: põe a mão na massa, entendeu? Vai lá! Precisa fazer curso de A a Z? Até recomendo, tá? Tem muito curso bom, mas o melhor jeito de aprender é pondo a mão na massa e explorando a plataforma, conversando com ela. Maravilha. E, pessoal, na Johnson & Johnson tem o jeito correto, né? E, né? E o jeito que não deveríamos fazer. Eu acho que isso se reflete também em todas as empresas. Então a minha recomendação é: todo mundo buscar entender dentro das suas organizações porque tem muito dado sensível. Isso é isso que você, eh, pode compartilhar em ambientes públicos que não é adequado. Por exemplo, na nossa empresa a gente tem um site que é um ambiente seguro que tem essas mesmas capacidades de inteligência artificial generativa que todos podem e devem usar, mas não sites públicos, no caso da nossa empresa. E, obviamente, que isso deve ser uma realidade para a grande maioria das empresas; isso é fundamental, tá, pessoal? Porque o seguinte: o dado que você coloca na IA, a IA usa para treinar o modelo, e depois ele aparece em outro lugar que você nem imagina. Então, especialmente dado médico, é importante trabalhar dessa forma que o Fabrício falou: use o ambiente corporativo, porque ele assegura que o dado não vai ser compartilhado pela nuvem de IA, se é que a gente pode chamar assim, e aparecer em outro lugar. Pros advogados é a mesma coisa: não dá para ficar pondo dado de cliente numa IA aberta. Você tem que ter um serviço corporativo que, aliás, é tão bom quanto o serviço, eh, aberto, né? E usar isso para respeitar, por exemplo, questões de confidencialidade, segredo industrial, segredo de negócio. Mas dito isso: manda bala, entendeu? Eu tenho que mandar bala de qualquer forma. Maravilha.
Minha última pergunta antes da gente ir pro fechamento aqui, né? A gente tá vivendo a terceira grande onda de inteligência artificial. Então tivemos a primeira aí, que ela era utilizada para fazer predições, por exemplo, uma UTI inteligente que predizia se um paciente iria piorar ou melhorar. E aí você poderia cuidar de forma mais próxima desse paciente. Depois, né, a gente vivendo essa era da inteligência artificial generativa, vários casos de uso, por exemplo, chatbots extremamente inteligentes conversando com os pacientes, aumentando o engajamento deles. E agora a gente vem para a terceira onda, que é a IA ênica ou, eh, eh, que se comporta de duas formas que eu tenho visto, né? Uma: o profissional de saúde na frente, e essa inteligência artificial a gente fica por trás, eh, respondendo os, né, eh, pedidos, né, e os objetivos que são dados. E o outro é o contrário: você tem o que eles já estão chamando já de "Medical Agentic" na frente, e o profissional de saúde na retaguarda. A pergunta, né, que eu tenho para vocês aí, quem quiser começar fica à vontade aí, é: como é que essa terceira onda vai afetar a saúde? Quer começar? Fica à vontade.
Nossa, tá bom. Olha a responsabilidade. Tentei fugir primeiro. Fabrício, só para dizer: fica à vontade para fazer pergunta fácil também, tá? Pode fazer que é essa a gente pode passar a tarde inteira aqui falando sobre ela. Mas eu acho que é assim: a gente tem pelo menos três ondas acontecendo, tá? Primeira: incorporação de inteligência artificial em devices médicos. E aqui eu tô em casa, né, porque eu tô falando aqui com a Johnson & Johnson MedTech. Você tem o VELYS que a gente já falou, você tem, eh, ecossistemas de inovação aberta dentro da empresa, que, aliás, eu acho que é o futuro, tá? Então você pega, eh, os cirurgiões e dá oportunidade para eles trocarem informação entre eles, e com isso você tem um aprendizado não só entre si, mas para desenvolver produtos melhores, inclusive por meio de IA. E eu acho que isso a Johnson & Johnson MedTech já faz muito bem. Tem o Poliphonics, que eu acho que tá, tá no caminho certo. Então essa é a primeira onda. Segunda onda: IA e a questão genética, né, de pesquisa, eh, envolvendo Genoma Humano. Esse lado é muito impressionante, porque você tem IA hoje fazem a previsão do desdobramento de proteínas; isso para desenvolver novos remédios e ter aplicações, eh, novas, é extremamente importante, importante. E por último, tá conectado com essas duas ondas: a IA, ela vai criar o serviço de saúde 100% personalizado. A gente trabalhava com a saúde até agora era assim: era o padrão para todo mundo. Então era uma saúde que era estandardizada, padronizada. O que não tem nenhum problema, tá, pessoal, porque a gente tá falando de populações muito grandes; o Brasil é muito grande, você precisa mesmo padronizar para dar as pessoas o que é possível dentro ali do, do, do desejo de oferecer o melhor. Mas a gente tá entrando num, num momento em que você, alinhando equipamentos movidos por IA com uma compreensão prática do Genoma Humano, você vai ter medicamentos que vão ser desenvolvidos para você; você vai ter um equipamento que vai fazer a sua cirurgia de joelho, ela vai olhar o seu joelho; você vai ter, eh, tratar, lutar, por exemplo, contra um câncer ou, ou uma doença requer um acompanhamento permanente; você vai ter uma terapia que vai ser desenhada especificamente para o seu caso, que é único. E esse momento que eu acho que a gente tá entrando é muito promissor, e a força por trás disso é a inteligência artificial. Porque é ela que consegue olhar para o todo, ela consegue olhar para o, o indivíduo, para o único, e fazer a síntese entre essas duas coisas: que é o que a gente sabe, sabe sobre o todo, que a gente sabe sobre o indivíduo, e eu vou tratar esse indivíduo a partir desse conhecimento. Então é promissor a área de saúde hoje; a revolução que a gente tá vivendo é muito promissora, e é maravilhoso. Uma dessas transformações que você fala, né, de identificar proteínas para medicamentos, na gente tem um experimento extremamente inovador que é ter agentes de IA que estão fazendo, né, esse papel nesse momento e pesquisando novas drogas e exatamente tornando isso na prática. Pessoal, eu tô amando, né, o nosso bate-papo aqui, e vocês aí, plateia, como é que vocês estão? Mas infelizmente a gente precisa, né, chegar ao final. E para a gente fechar aqui com chave de ouro, eu vou pedir para cada um falar no seu fechamento, reflexões: o que que já era, o que que já é e o que que já vem para a inovação na área da saúde, começando com a Angela. Vamos lá.
Já era: esse já era mesmo, saúde na mão com registro em papel. Evoluir prontuário de paciente na mão. E pode parecer uma coisa que é muito distante hoje, mas 10 anos atrás quase nenhum dado de saúde era digitalizado. Então isso aí já era mesmo. O já é, para mim, a IA já é, já é, e ela começa, acredito, em aspectos mais talvez administrativos ou fazendo acompanhamento do paciente, emulando um profissional humano. Tem também na parte clínica para a predição de, de repente, alguma complicação de forma antecipada, mas isso já é hoje. O que vem? Já vem, né? A IA turbinada aí é a IA aplicada na cirurgia digital, é a telecirurgia, é o auxílio em tempo real dessas cirurgias através da inteligência artificial. Isso combinado com uma visão de hospital além das paredes, que eu acredito muito. Eu acredito que a saúde ainda é muito centralizada no hospital, e isso não é sustentável também a longo prazo. Enquanto você tem uma grande parcela da população usando wearables, coletando dados em tempo real, a gente ainda precisa transformar esse modelo, porque isso também melhora o acesso. Então se eu tiver maior prevenção, diagnóstico mais precoce, como você tava dizendo, Fabrício, o acompanhamento dessas condições antes, eu vou ter uma gestão de saúde populacional melhor, acesso melhor. Então, para mim, a IA turbinada já vem. Que que venha logo esse futuro, que venha logo. E, Ronaldo, qual que é sua visão aí para a área da saúde?
Pô, Fabrício, quando eu faço na minha coluna, eu fico uma semana pensando, tá? Você tá me fazendo pensar aqui na hora, mas é o seguinte: vou, vou falar o primeiro para ser um pouco polêmico. Já é: o foco da medicina ser a doença. Foco da medicina precisa ser a [Aplausos] saúde. Agora você começou forte, quero ver as próximas. Acho que essa foi a mais forte. Tá, mas é isso, pessoal. Não dá para a gente viver com a medicina falando só de doença. Doença é central, mas a gente precisa prevenir que ela não aconteça. Então a gente precisa cuidar das pessoas para que elas não fiquem doentes. Eu acho que essa é a tarefa que a medicina vai ter. Já é, e você é óbvio, é a chegada da IA fazendo com que qualquer profissional de saúde hoje tenha superpoderes. Qualquer profissional de saúde hoje tem acesso a todas as bases de dados, de todas as pesquisas jamais feitas sobre uma questão, tá na sua frente ali com o seu paciente. Então você pode usar essa ferramenta para dar ao seu paciente, com a sua prudência, com a sua sabedoria e acolhimento, melhor encaminhamento possível, porque o conhecimento inteiro tá ali à sua disposição, de graça e imediato para ser instrumentalizado. E o último, que é já vem, e aí eu coloco componente até de esperança no meu já vem, que é o seguinte: eu gostaria de ver mais colaboração entre os médicos, que a gente crie mais espaços colaborativos para troca de conhecimento, para troca de informações, digo mais entre os médicos e entre os pacientes. Porque todo mundo que enfrenta uma doença crônica sabe que esse processo ele pode ser muito solitário. Você tá ali eventualmente enfrentando aquela condição, você acha que tá acontecendo só com você, não é verdade? Eh, tem muita gente pode estar enfrentando o mesmo desafio que você, e essa troca de experiências, pacientes e médico, pode fazer avançar tanto os tratamentos quanto a medicina propriamente dita. Então meu já vem fica aí com ar de esperança também. Obrigado. Fechou. Fechou com chave de ouro, Ronaldo. Uma salva de palmas. Obrigado. Agora, agora chegou a minha vez aqui. Vamos lá. O que que já era? Já era, na minha visão, é a gente tomar decisões, né, e ser influenciados apenas pelas mídias tradicionais e, né, pelas autoridades governamentais. Tá meio batido, mas eu acho que o já vem, eu vou tentar surpreender. O já é, eu acho que o que todo mundo já vive hoje em dia, que é ser influenciado pela, né, as comunidades que acaba criando dentro das suas mídias sociais e também nos influenciadores que você respeita e que você acaba seguindo. Isso também todo mundo já sabe. Agora o já vem que eu acho que pode ser algo mais interessante: tambores... Eu fico pensando o seguinte: na verdade, isso já, já tá se tornando uma realidade para mim: você começar a mudar suas decisões baseado em conversas muito profundas que acaba tendo com inteligência artificial generativa de ponta. E isso aconteceu comigo em dois episódios recentes: um relacionado a decisões que eu ia tomar de educação com os meus filhos, então algo muito importante para mim; e o outro foi mais uma curiosidade intelectual, que eu me senti realmente muito saciado intelectualmente, e só olhando exatamente o que que era isso, eu vi o nosso filme que foi ganhador do Oscar, né? Ainda estamos aqui. Uma salva de palmas pro, pro filme. E obviamente o filme faz referência ao livro do Marcelo Rubens Paiva, eh, "Feliz Ano Velho", que fala de muitas transformações e de como os familiares reagem em relação à aquelas transformações. E aquilo me fez lembrar um livro que na minha infância, adolescência me marcou muito, que era "A Metamorfose", de Kafka, que de uma certa forma tinha uma correlação, né? Um foi um acidente que deixou, infelizmente, o Marcelo paraplégico, e obviamente mudou completamente a vida dele de um ano para o outro; e o outro, eh, na loucura de Kafka, uma pessoa, Jorge Samsa, que acordou, né, um enorme inseto. E aí eu perguntei, né, para a inteligência artificial: "Compara as duas obras e me traz insights de como cada família lidou com isso". E assim, maravilhoso que ele trouxe insights sobre como a Alice, né, mãe do Marcelo, lidou com tudo aquilo e como ela foi uma força motriz em relação, né, àquela tragédia, ressignificando tudo; e ao mesmo tempo como o pai do Jorge Samsa lá no "A Metamorfose" foi absolutamente egoísta, e no final eles simplesmente chutam aquele inseto gigante de casa. Então, para mim, o que já vem é a inteligência artificial nos, eh, realmente transformando em grandes confidentes e transformando de uma maneira absurda as decisões que a gente toma. Vamos ver se vai ser ou não, mas eu tô vivenciando isso agora. Eu acho que cada vez vai, vai ser uma realidade. Então muito obrigado aqui por estar conosco, né, nesse momento super especial. E eu queria aproveitar, né, para mandar um recado aí pro pessoal que tá nos assistindo. Espero que vocês tenham gostado tanto quanto eu gostei desse bate-papo. No final das contas, eu acho que eu saio aqui com essa visão de que curiosidade é algo que move o mundo, que a gente tem que nos permitir ser movido por ela, porque só assim que a gente cresce e a gente se desenvolve, e a gente consegue cada vez mais chegar aonde a gente imaginava que nem era possível. Eu acho que também a questão de democratização da saúde, ela passa a ser possível através da tecnologia também; a assimetria entre informações, ela cada vez vai ser menor, fazendo com que essa relação entre profissional de saúde e paciente seja cada vez mais uma relação de colaboração, como muito bem colocado pelo Ronaldo. E no final das contas, o que eu imagino é que um futuro muito promissor nos aguarda aí para frente, principalmente para aqueles que não tiverem medo de abraçar todas essas transformações. Então um grande abraço a todos, e uma salva aqui do nosso time para [Aplausos] [Música] poder.