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Boa noite. É uma alegria estar com vocês aqui hoje para falar sobre esse Sacramento que é o centro da vida de vocês, casais aqui da Paróquia e de outros lugares que vieram para serem um pouco edificados. Eh, o tema dessa dessa conferência é como lidar com os estamentos afetivos. Por ora, porque todos vocês são casados e sabem, já acho que já descobriram que o casamento não é o paraíso. Ou seja, que demanda uma intensa atividade de ajuste que está longe de se parecer com qualquer coisa que seja fácil. É um ajuste difícil, mas que precisa ser feito porque o casamento é uma vocação, é um caminho de santificação, é instituído por Deus, conforme nós lemos na escritura, e é para vocês o único caminho de santidade que existe porque vocês estão casados e por esse Sacramento já não tem mais volta. Isso é muito importante. A palavra separação não deve, não deveria existir no léxico de um casal Cristão, justamente porque o sacramento do matrimônio é em si mesmo indissolúvel, como todos nós sabemos pela doutrina da santa igreja e pelo que diz a escritura.
Porém, não basta dizer que o casamento é indissolúvel, porque embora a instituição do casamento seja Divina, é uma instituição ocupada por duas pessoas. E essas duas pessoas humanas são cheias de defeitos, tem as suas dificuldades pessoais, as suas suas crises individuais, e é por isso que é preciso saber lidar com tudo aquilo que acontece no contexto da vida a do um casal. Muito querido, o diácono João Cardo e a sua esposa me falaram bastante sobre um tema que eu eu eu gostei, que é o tema das crises. Quais são os tipos de crises que existem num casamento? Então, por exemplo, eles falam da primeira crise que é a crise de ser dois. Por vocês, a vida toda foram formados para a individualidade, são filhos, e cada um pensou em si, cada um tem o seu o seu próprio estilo de vida, a sua própria personalidade, e de repente vocês têm que viver a dois. E aí o cérebro de vocês não está acostumado com isso, em pensar num nós binário, homem e mulher. Então vocês precisam aprender isso. Isso demanda um ajuste, eu diria até neurocerebral, porque tem que se acostumar com isso. Não é fácil. Às vezes nós temos a nossa individualidade muito bem marcada. Por exemplo, num casamento quando a individualidade é marcada demais, o que acontece? Um cônjuge agride o outro pelo seu modo de ser, não aprendeu ainda a ser dois. Estão na primeira crise. Eles falam de crises subsequentes, por exemplo, a crise de aprender a fazer. A partir do momento que você vive a dois, você começa a fazer as coisas de um jeito diferente, tem que aprender a fazer as coisas de um jeito diferente. Isso vai desde o modo de apertar a pasta de dente a como limpar [Música] a bacia do banheiro, até como que eu faço com quando eu bebo um copo d'água. Ou seja, isso atinge extratos muito diários, muito corriqueiros nossos. Vamos reaprender a fazer, né? Então imagine, por exemplo, um rapaz que é filho de uma mãe dominadora. Toda mãe dominadora, ela só consegue dominar porque ela dá bences. Então se deixar, ela bota até a comida na boca do marmanjo. Aí ele casa, e aí ele vai precisar entender de algum modo que a mulher não vai colocar comida na boca dele, que algumas coisas ele vai precisar aprender a fazer sozinho. Por exemplo, até anteontem você eh morava com seus pais, e a responsabilidade pela casa é deles. Se quebrar uma coisa, são eles que consertam; se queimar uma coisa, são eles que repõem, etc, etc. Aí você se casa, e agora a responsabilidade passa a ser sua da noite pro dia, e isso demanda um ajuste. Algumas pessoas realmente precisam como que desenvolver uma neuroplasticidade de apreender a lidar com problemas que no cotidiano às vezes são razão de muitos desencontros, quando não de desencontros profundos.
Bom, ninguém se apaixona sem idealizar o parceiro, né? Apaixonar-se é idealizar. Então você vê, né? Então, por exemplo, um homem vê uma mulher, acha aquela mulher linda, e pronto. Aí ele idealiza aquela mulher, mas aquela mulher não é real ainda, né? Parece até que Deus cega, e depois do casamento é que ele começa a ver, e ela também, porque há um um um um há uma espécie de ilusão, né, quando a pessoa vai se casar. Ela tá iludida. Aí depois passam os anos, e a idealização cede à realidade. Ou seja, acaba o amor romântico, começa o amor real, raiz, seu João, Dona Maria. Ou seja, já não é feito mais de eh mentiras, agora tem uma pessoa real, coisas concretas para fazer. Algumas expectativas são frustradas, e tem pessoas que são extremamente infantis e que não conseguem lidar com a quebra de expectativas e passaram a vida inteira procurando aquela aquele ideal, ou amarguradas no casamento porque as expectativas foram quebradas. O nome disso é infantilidade, porque as pessoas reais elas são o que são, e você pode idealizar o quanto você quiser uma pessoa, quando você vai viver com ela, que você sabe sabe quem ela é, e todo mundo tem um lado ruim. Não adianta. Então essa lidar com as minhas próprias frustrações é muito importante. Isso é coisa de adulto, gente, né? Quer dizer, adulto é alguém que já não tem mais tempo a perder com ilusões inhas. Já desceu do playground e começou a vir pra vida real. Então não dá mais para você ficar ficar ali, né? Eh, pensando, por exemplo, em: "Ai, como eu queria não sei quê na janela, como uma namoradeira". Alguém tem que te derrubar, daí eis-me aqui. É preciso aprender a lidar com frustrações, com expectativas quebradas. Nenhum ser humano vai corresponder às nossas expectativas totalmente. Só que esse amor, ele também vai se aprofundando e vai se amadurecendo, ele vai se tornando mais verdadeiro com o passar do tempo, ainda que o processo seja doloroso, porque é um processo que consiste em você aprender a se desfazer de certas fantasias que pertencem ao passado, né? Então, e eu me lembro de um amigo que eu tinha, que ele estava já no terceiro casamento, não estava dando certo, e ele estava partindo para um quarto. Se apaixonou por uma mulher e partiu de um para um quarto, né? E aí fomos conversando, tal. Eu falei: "O seu problema, meu querido, é o seguinte: você pode ser o que for do ponto de vista humano, profissional, etc, mas você é um adolescente de 14 anos. Você não não é melhor do que um adolescentezinho de 14 anos que ainda está ali procurando uma fada encantada. Não é melhor, ainda mais hoje em dia que o pessoal olha muito pra aparência, né?".
As influências pessoais de cada um, veja: todos nós somos suas feridas. Não há ninguém aqui que não seja ferido. Todos nós temos uma bagagem emocional problemática. Basta olhar para trás: ninguém tem um pai perfeito, ninguém tem uma mãe perfeita, ninguém tem uma família perfeita. Nós todos passamos por rejeições, nós todos passamos por eh excessiva cobrança, nós todos passamos por todo tipo de trauma que vocês possam imaginar. E não adianta esperar que o meu cônjuge é alguém que caiu do céu. Ou seja, ele tem uma bagagem, ele tem cicatrizes, e portanto eu preciso ser alguém que vou aprender a ajudar esse doente que está do meu lado, entendendo que eu mesmo sou um doente que preciso de [Música] ajuda. Isto é absolutamente fundamental. Veja: se você é casado e não tem estrutura para lidar com as dificuldades psicológicas, emocionais do seu cônjuge, você ainda é infantil. Você não assumiu a sua responsabilidade no casamento. Casar-se é bancar todas as feridas que o cônjuge traz consigo. Não há alternativa. É isso ou nada. Por aí vocês começam a perceber como esses namoradinhos estão totalmente equivocados, né? Eles estão achando: "Ai, somos o casal perfeito, de filme, de propaganda de margarina". Não. Tudo isso vai vir à tona no momento devido. Nem adianta tentar abrir os olhos antes. É melhor que não abra. Deixa, vai acontecer. Expectativas inconscientes: nós precisamos aprender a lidar com isso. Ou seja, aquelas talvez nós tenhamos inconscientemente projetado um roteiro irrealizável. Por exemplo, quantas pessoas replicam estruturas de autoboicote? Então ela ama e precisa ferir a pessoa que ela ama, porque ela não se sente amada, e na crença de não se sentir amada, ela acha que o amor do outro é uma mentira. Então ela tem que reiterar o tempo para si mesma que não é amada, e por isso ela maltrata quem a ama. É um mecanismo psicológico que tá aí, é inconsciente. Alguém te ensinou que você não é amável? Talvez uma mãe muito cúmplice do pai que estava disputando com você o tempo todo a atenção dele, ou um homem excessivamente inseguro que precisa o tempo todo ser validado pela mulher porque se sente inseguro, não se sente suficientemente correspondido, amado, que demanda uma atenção desmedida. Alguém te ensinou essa estrutura de insegurança? Quem foi? Uma mãe castradora que mandou em você, homem; um pai extremamente rígido que exigiu tudo de você e que te deixou inseguro. E agora você tá jogando sobre os ombros, por exemplo, do seu cônjuge a responsabilidade de fazer sentir alguém seguro. Qual é a estrutura que está aí embaixo? A estrutura inconsciente, gente. Dá um trabalho você descobrir isso, mas todos nós temos algo disso, com música de fundo. Como é é que essas questões começam a vir à superfície? Elas começam a vir à superfície através da comunicação. Casamento sem diálogo não é casamento. É importante dizer as coisas. Se eu pudesse repetir isso 300 vezes, eu repetiria: é importante dizer as coisas. O seu cônjuge não é capaz de adivinhar tudo. Você precisa explicar-se. Você precisa explicar os seus sentimentos. Você tem que dizer. Ou se você não consegue dizer, porque às vezes é difícil pra gente verbalizar que a gente está lidando com as frustrações pessoais, a gente precisa aprender pelo menos a sinalizar que nós estamos tentando fazer isso, lidar com aquilo. Mas veja o que o que estraga a maior parte dos casamentos é justamente o desgaste na comunicação. Ou seja, a comunicação começa a ser enviesada, um não consegue mais escutar o outro de verdade. Você ouve o outro, mas você não escuta, você não consegue decifrá-lo, você não consegue entender. E às vezes isso se deve a certas indas próprias de cada um dos gêneros. Por exemplo, os homens, os homens tendem a ser diretos e solucionadores. Isso é um homem, né? As pessoas perguntam: "Por que que a igreja não ordena mulheres?". Você já imaginou uma mulher atendendo uma confissão que não vai terminar nunca, não vai chegar a conclusão alguma? Tô exagerando, caricaturizando, brincando com vocês, mas a verdade é que, né, chega uma pessoa para falar comigo, por exemplo, né, tá aquela coisa desorganizada, tá uma coisa, aquela falação. Para! Na hora! Para! Que que você quer me dizer? Pá! Ponto concreto. Vamos ao objetivo. Porque o homem tende a ser mais objetivo. Só que às vezes a mulher precisa falar, é uma necessidade que ela tem. Às vezes um homem quer solucionar o problema, e a mulher só quer desabafar. Ela não quer resolver, ela nem sabe resolver, mas ela precisa jogar a angústia dela para fora, né? E às vezes eu via um um um sketch de humor de casal que eu achei interessante. A mulher falava pro homem assim: "Ah, eu não queria ir lá nesse nessa reunião, não sei do quê". Aí ele falou: "Então não vai". Aí ela falou: "Mas mas é que se não for, as pessoas vão reclamar, vai ficar tudo muito pior do que já tá". "Então vai". "Mas é que eu não gostaria de ir, eu tô ai, tô tão indisposta para ir". "Então não vai". E assim foi a conversa progredindo desse jeito. Ou seja, ela não está buscando uma solução, ela está querendo apenas deixar aquilo sair, ela tá desabafando. Eh, depois os homens tendem a entender o desabafo da mulher como se fosse uma dica do que fazer, uma ordem do que fazer. Aí se irritam. Então, por exemplo, a mulher fala assim: "Ai, olha, tudo bem que não, né, mas essa torneira aqui, pelo amor de Deus, tá me dando um trabalho tão grande todo dia". Ela quer desabafar. Como que ele entende aquilo? "Ela está me cobrando para eu consertar essa desgraça dessa torneira, e eu não tenho tempo de ver com uma com tal". Aí ele já vai pra solução. Mas que desgraça! Eu já falei que eu não posso concertar esse negócio hoje, tem que esperar chegar o final de semana. Só que não é isso. É um vício de comunicação. Ela está só desabafando. Mas você pode entender aquilo como se ela tivesse dando uma ordem, e aí vira uma coisa chata. Por exemplo, o homem geralmente se sente desconfortável com conversas longas sobre sentimentos e sem nenhum propósito claro, né? Pá, aquela coisa, sabe? Aquela coisa assim: "Você vai pra cama dormir, então bem, e tal, e você tem que e tem que conversar, e tem que conversar, e é sobre sentimento, é sobre e você fala: 'Para onde que tá indo? Não tá indo para lugar nenhum'". Tá tá tá divagando. É um é é uma é uma é um andar à esmo. É isso. Terminou. Terminou. Que bom. Quer dizer, você tem que aprender a lidar com isso da mulher. Confesso a vocês que eu jamais me casaria, e uma das razões é isso: eu não aguento! De modo que eu entendo vocês, homens, porém vocês se casaram, então cada um com seus problemas. Vocês precisam aprender a lidar com a loquacidade feminina. Às vezes, por exemplo, né, a mulher tá com problema de família, tá com problema com as amigas, tá com problema sei lá do quê, e ela precisa falar, falar, falar, falar, falar, falar. Se ela não falar, ela vai enlouquecer, que ela tá aflita, angustiada. Ela precisa. Ao contrário, as mulheres elas tendem a ser mais expressivas e relacionais. Então elas precisam verbalizar os sentimentos, porque se elas não verbalizam o sentimento, elas não entendem o próprio sentimento. Geralmente é assim, a mulher vai entender enquanto ela tá compartilhando o que ela está sentindo. Então você imagina a tortura que é você não escutá-la, né? Ou você não dá atenção, ou você de alguma maneira a muda para ela, né? É terrível, porque ela vai perder a capacidade até de compreender e vai ficar insegura. Se tem uma coisa que mulher não suporta é ficar num espaço de insegurança. Ou seja, não tem um homem, um marido que esteja ali para dar um suporte, para estar segurando a situação. Ele é frágil demais, né? É verdade que tem algumas mulheres que são muito fera, ferida. Então o que acontece? Elas desafiam o homem, elas ficam provocando para ver se o homem é forte, e vão sempre ali naquela perspectiva de provocar, provocar, provocar, provocar. E aí precisa aprender um pouquinho a não ser tão arisca assim. Você é uma mulher, não é uma onça-pintada, não pode provocar desse modo, porque senão, ao invés de estimular a segurança que você precisa, você vai inibir essa segurança, e você vai ficar muito mal, desconfortável, porque você está retroalimentando aquilo que você precisa para você se sentir segura. É assim: as mulheres geralmente buscam conexão emocional através da conversa. Então uma conversa é muito mais do que um bate-papo. É de fato [Música] uma uma conexão. Ou seja, se você não ouve, ou se você não dialoga, ela ela vai se sentir não compreendida, e vai vai dar ruim, vai dar ruim para você. E se tem uma coisa que as mulheres não gostam é quando você antecipa o final do cálculo e vai logo com a solução para cortar a conversa pelo meio. Não, não faça isso. Você corre perigo de vida. A escutar e a deixar que a coisa fique clara até mesmo para ela. E muitas vezes e quase sempre eu digo para vocês: o que ela quer não é tanto uma solução imediata, ela confia em você, ela sabe que você vai resolver o problema, mas no caminho entre o problema e a solução ela precisa desabafar as angústias que ela tem, porque que ela tá agoniada.
Então veja: há conflitos que são muito comuns. A esposa compartilha um problema do dia a dia, e às vezes algumas mulheres são muito assim: "Vem aqui ver, vem aqui na panela ver, vem ver o que eu fiz, vem vem aqui no vem ver, vem ver, vem tal tal", e te chama o marido, isso, e ele tem que ir lá, ele tem que ir lá, né? Às vezes acabou de sentar bem, tá cansado, quer ficar lá sentado. Parece que tem um radar, né, no sofá, e na hora que senta bem, é né? E você tem que ir. Veja: ela está esperando de você apenas empatia e acolhimento. Você ir lá significa que você está validando o que ela está fazendo, você está positivando o que ela está fazendo, e você não ir significa que você não está nem aí pro que ela está fazendo. Portanto, veja: geralmente quando o marido se sente chamado pela mulher, ele pensa: "Ela tá com problema, e eu preciso resolver". Não é isso. Tire isso da sua cabeça. É muito raro ser assim. O mais normal mesmo é que ela está esperando um momento de empatia. Aí, por exemplo, num caso desses, né, o marido vai lá, oferece uma solução rápida, aí ela fica frustrada porque ela não queria, tava pronto, volta. Ela não queria aquilo, ela queria ser ouvida. Então ela acha que ela ela não foi valorizada. Entendido? E eu digo assim: mulheres que foram educadas em famílias de muitas mulheres dão trabalho para o marido nesse sentido, porque o marido precisa aprender a, é tudo de uma conquista, você tem que é como se fosse abrindo uma flor, você tem que ali com jeito o tempo todo, etc, etc, porque é feminina demais, e você precisa aprender a está essa abertura. O que que você pode na comunicação perguntar e para deixar a coisa mais serena? Por exemplo, o marido pode perguntar pra mulher: "Você quer um conselho ou você quer que só que eu te escute?". Se você tiver em dúvida, pergunta: "Não, que eu queria te contar". "Ah, tá bom, conta. N, escuta você. Quando você daqui a uns 20 anos, você vai ter uma paciência maravilhosa, você vai suportar tudo na sua vida, mas quando você é jovem, você quer sair correndo". Não corra, fique ali. E a esposa também, muitas vezes pode facilitar pro marido, dizer assim: "Não, calma, não tô falando, eu só quero desabafar, eu preciso desabafar com você, não precisa me dar uma solução, não precisa resolver nada, só quero desabafar". Ou seja, a comunicação no matrimônio é imprescindível para que as coisas andem bem. Você tem que aprender, sobretudo, a ouvir, a escutar, a entender. Então, por exemplo, erros comuns que se cometem: ouvir apenas para responder, tentar entender, né, que é assim: às vezes os homens eles desenvolvem uma arte que é a arte de ouvir sem escutar. Assim, ela começa a falar, a mente entra num bug, tela branca total. Ela vai falando, falando, falando, aí quando chega nos últimos segundos da fala, a alma faz o download pro corpo, e aí você chega na conversa, né? Então você precisa ouvir, precisa aprender a escutar. Depois: interromper o outro para se justificar. É um erro muito comum e é muito irritante isso, porque ao invés de deixar o fluxo da conversa, aí, por exemplo, né, digamos que ela queira fazer uma queixa sobre você, marido, ou contrário, e você é uma pessoa muito insegura, aí você já se coloca na defensiva, e antes de ela terminar você já tá se justificando. Não faz isso. Um casamento cristão precisa ter humildade. Todos nós erramos, e muitas vezes o erro de um cônjuge é causado pelo erro do outro. Nós alimentamos com as nossas atitudes o erro que nós estamos pelo qual nós estamos sendo mortificados agora. Então não não se justifique, escute. Tem uma queixa para fazer, escute, procure entender aquilo e aprender com aquilo, por mais difícil que seja. Depois: intenções. Sabe aquela pessoa que ela sempre fica tentando descobrir uma intenção errada, tipo assim: "Ela fez isso aqui para me provocar, ele fez aquilo ali para pisar no meu calo". Às vezes não é, às vezes é, mas às vezes não é. O ideal entre vocês é que não haja dúvida. Quando é, já fala logo: "Olha, eu fiz para te provocar", e pronto. Ou quando não é, não não foi para te provocar, e o assunto aconteceu. A comunicação é importante. Vejam: nós não podemos ter reações emocionais sem refletirmos o que foi dito. Então evite esses rompantes de emoção, gritar ou chorar. Calma, calma. EV, você tem que entender primeiro o que está acontecendo. Talvez você não esteja entendendo, porque assim, homem e mulher são muito diferentes, e as coisas não são óbvias. Às vezes o óbvio tem tem que ser explicado. Alguns princípios de escuta ativa do casal: primeiro, olhe nos olhos e demonstre interesse genuíno pelo que seu cônjuge tá dizendo. Olhe nos olhos. Tem que aprender a olhar nos olhos. Aliás, não só olhar nos olhos, né? Vocês não podem perder a conexão emocional. Então vocês têm que se beijar, beijar na boca, vocês têm que se abraçar, vocês têm que se tocar. É importante isso, porque senão vocês perdem a conexão emocional. Aí fica aquele casal que parece duas estátuas uma do lado da outra. Não. Ah, mas tem uns filhos. É ótimo que os filhos vejam você se pegando nesse sentido, né, sentido modesto da palavra. Quer dizer, abraços, beijos, carinho entre os os pais, porque isso dá segurança para eles. Isso faz com que os filhos olhem e falam assim: "Nossa, tá tudo bem aqui, que maravilha! Papai ama mamãe. Nossa, casamento é uma coisa boa, eu tenho que imitar o papai, ou eu tenho que imitar a mamãe". Isso faz muito bem pros filhos. Eh, uma coisa que faz mal pros filhos é aqueles pais distantes, aqueles pais assim frios. Não. Às vezes você, um outro um outro princípio que pode ajudar é repetir com as palavras, com as suas palavras, aquilo que o outro disse para você confirmar o seu entendimento. "Pera aí, deixa eu deixa eu ver se você tá entendendo. Você tá dizendo isso, isso, isso, e assim?". "Não, não é isso. Então o que que é? Ah, é assim? Ah, tá, então entendi". As coisas não são óbvias, entendam isso. Eh, valide os sentimentos do seu cônjuge, aprenda a fazer isso. Então, por exemplo, a su a, digamos assim, que ela esteja ela tenha cometido um erro lá na cozinha, sei lá, e e e fez, botou muito sal na comida, tipo assim, né? Você tem que ser aquele que vai chegar nela e vai falar assim: "Bem, eu, tranquila, não tem problema, a gente come um pouquinho mais salgado hoje, né? Tá ótimo, não, até que eu gostei, tá até nossa". Ou seja, você tem que validar os sentimentos do cônjuge. Precisa sentir-se compreendido. Você não pode chegar e falar: "Que droga! Você botou sal demais nessa comida, tá uma salmoura!". Você não pode fazer isso, porque se você faz isso, a outra já tá se sentindo mal porque ela cometeu um erro, aí ela vai se sentir mal ainda porque você humilhou. Não pode ser assim. Tem que validar. Então, por exemplo, se o se o seu cônjuge tiver uma crise de insegurança, se ele tiver meio irritado: "Calma, você tá irritado? Tudo bem, eu entendo que você se sentiu assim, vamos lá, eu vou te ajudar". Tenha essa empatia. É preciso, porque se você não tiver, não vai acontecer nada, o que vai e eh eh pelo contrário, né? O casamento vai vai erodindo. Depois: pergunte, não presuma, pergunte, pergunte. Evite tentar adivinhar, porque muitas vezes você vai realmente errar na sua avaliação. Então, por exemplo, né, imaginar um diálogo de casa: marido chega em casa à noite, cozido de tanto trabalhar, a mulher passou o dia inteiro trabalhando, resolvendo coisas em casa, etc, etc. Aí ela chega e fala assim: "Ai, bem, Nossa Senhora, tô sobrecarregada, parece que a casa tem 300 pessoas aqui dentro, eu faço tudo sozinho, não aguento!". O marido se sente atacado, por exemplo, parece que é H alfinetada. "Ah, você tá querendo dizer que eu não te ajudo em nada? Eu também faço muita coisa aqui dentro!". Virou uma briga. Qual que seria uma resposta correta no caso, né? "Ah, você se sente sobrecarregada? É verdade, amor, é tudo, é muita coisa para você, né? Tá. Que que eu posso te ajudar?". A maior parte das vezes, se a sua reação for essa, ela vai dizer: "Não, nada, eu só queria, eu precisava ouvir isso". Aí se você diz assim, ainda, por exemplo: "Nossa, você é uma uma esposa tão dedicada, uma mãe tão boa. Tudo que eu pedi a Deus na minha vida inteira". Pronto, acabou. Ela descansa na hora, uh, é, faz uma faxina na casa se deixar, porque você validou o sentimento dela. Val, você validou o sentimento dela. O mesmo acontece quando você aprende a validar o sentimento do seu marido. Quais são os riscos? Eu diria os cinco riscos primeiros que podem existir no matrimônio: primeiro, o silêncio do isolamento. Isso é uma tortura. Não se faz, você não pode ficar sem falar com o seu cônjuge. A escritura diz assim que o que o sol não se ponha sobre o vosso arentim. Você tá com raiva, fala, desembucha, explica e diz por que que você tá com raiva. Mas sabe aquela coisa de ficar em silêncio e não fala? Isso não pode. É injusto com seu cônjuge, você não pode fazer isso com ele. É torturante. No caso da mulher, ela se sente sem chão. Às vezes a gente, né, o homem quando faz isso com a mulher fica com raiva porque a mulher começa a pedir socorro para todo mundo. É claro, ela tá sem chão, sem teto, sem nada, ela tá se sentindo solta no universo. Não pode fazer isso com ela. Mas com o marido também não. Você fica você fica fazendo pirraça, e aí não fala, não quer falar com o marido. Nossa, ele fica perdido. O que que ela tá pensando? Que que tá o que que tá que ele tem? Fica tentando adivinhar, e o homem sempre é mais burro do que a mulher, nunca vai conseguir entender o que que o que que ela tá sentindo, etc. Vai capaz que ele pense que é por causa de um, sei lá. Homens geralmente pensa que é dinheiro, porque o assunto dinheiro mexe profundamente com a alma do homem, porque o homem é é é provedor. Então, por exemplo, teve uma crisezinha financeira, a mulher tá tranquila, de boa, não vai dar tudo certo. O homem tá sem dormir, tá com dor de estômago, tá com com dor de barriga, tá tá tá suando frio. Sai de manhã de casa. Talvez ele ele lute para não demonstrar isso dentro de casa, mas sai de casa, a vontade dele é se jogar debaixo de um trem para ver se assim... Problema econômico pro homem é duro demais. Às vezes para a mulher não tanto. Então é preciso ter essa mútua compreensão. O silêncio não ajuda a se compreender, a pirraça, a birra não ajuda a vocês se compreenderem. Outro erro pesado é a crítica excessiva. Ou seja, algumas pessoas que aprendem a gramática da crítica querem estimular o cônjuge pela via de criticá-lo. "Você não faz nada, não sei o quê, você...", e aí vai, né? Se você escutem bem aqui, se você tem alguma tendência sádica e gosta de viver humilhando o seu cônjuge, converta-se e tome vergonha na sua cara. Você não pode viver humilhando e criticando aquela pessoa que Deus colocou do teu lado. Ou seja, escute, pergunte, seja prestativo, mas criticar e humilhar jamais. Defensividade: terceiro risco. Ou seja, é a pessoa que sempre tá muito na defensiva. Então você nunca pode dizer algo que não está indo bem, porque a pessoa já chega com cinco pedras na mão, já se deu pá, não. Não se defenda, aprenda a escutar. Muitas vezes no casamento você tem que perder a briga para ganhar a relação. Você tem que pedir desculpas por estar certo para salvar o casamento. Tem que ser sábio. Então veja: essa atitude de sempre estar na defensiva, você não pode errar, você não é o outro lado erra, tá errado. Tem que ser humilde, tem que escutar. Será que não há uma ponta de razão nisso, né? Então às vezes, por exemplo, cônjuge chega e diz uma coisa que você que ele acha que você fez errado, você fala: "Tá bom, me desculpa, tá bem, eu vou tentar melhorar". Mais alguma coisa? Isso isso desarma um inferno, né? Isso desarma o inferno quando você é capaz de vencer pela humildade. Quarto lugar: desprezo. Isso é coisa do do diabo, desprezar o cônjuge. Não não pode fazer isso, né? Sarcasmo: aí fica lá rindo da cara do cônjuge, desvalorizando, ironia. Ah, mais uma vez, né, alfinetada. Não pode fazer isso. É um vício de comunicação, né? Então a pessoa fala, aí você fala assim: "Claro, você sempre é a vítima, né?". Pausa dramática. Aquelas músicas de perigo. Você entrou com uma espada no coração do outro. Não precisa disso. O desprezo, além de ser pecado, é extremamente infantil. É você que tá se achando muito bonzinho, porque você talvez seja um filhinho, uma filhinha de mamãe que a vida inteira foi o reizinho dentro de casa e que agora tá achando que você pode ficar dando de dedo na cara do seu cônjuge. E não é assim que funciona o casamento. Não é assim, você não pode desprezar, você tem que valorizar. É a pessoa que tá com você, tá o tempo todo com você. Em último lugar: bloqueio emocional, que é criar discussões ou mesmo ignorar discussões para gerar afastamento, né? Então é isso: você fica lá, né? Eh, cozinhando um galo, tá incomodada, tá incomodado, tem algo que você não tá gostando, tal, e você não fala, e você não chega, e você não diz, e tá ali, aí a pessoa: "Você tá bem, amor?". "Tudo bem". "Tudo bem?". "Não, que tô te achando um pouco tenso". "Não, não é nada, não". Mas você tá fulo da vida porque que sei lá, ela cumprimentou um...
Amigo, que foi? Não sei o quê. E ela sorriu para ele e não sorriu para você. Aí você botou na cabeça: “Nossa, tá vendo? Ela é simpática com os outros, comigo não é tanto assim”. E às vezes ela só, só fez aquilo porque, poxa, uma pessoa que não via há muito tempo ficou contente de ver. Euforia não tem nada a ver com amar mais, mas às vezes você se chateou por causa disso. E então precisa aprender: por exemplo, significa que você é obrigado a falar tudo a toda hora? Não, você não é obrigado a falar tudo toda hora, mas você pode dizer assim: “Eu, eu preciso pensar. A gente vai falar sobre isso, a gente vai conversar sobre isso, mas eu preciso pensar um pouco ainda, tá tudo muito confuso na minha cabeça”. Pronto. Você não deixou um suspense insuportável dentro de casa, ou seja, você vai conseguir evitar conflitos desnecessários justamente por causa da valorização da comunicação.
Ora, aqui, quando a comunicação vai mal, surgem as crises. E aí existem crises que são comuns e crises que são mais raras. Então, a falta de escuta e de comunicação é a mais frequente, mas também, por exemplo, a rotina e a perda da admiração mútua. Gente, é inevitável, você, você não vai viver com uma pessoa a vida inteira idolatrando aquela pessoa, não tem jeito. Então, é natural que você admire menos, você perca um pouco da sua admiração pelo seu cônjuge. Você vai ter que aprender a valorizar e admirar, no seu cônjuge, coisas mais corriqueiras, por exemplo, a honestidade, o quanto ele é trabalhador, o quanto ele é esforçado, quanto é brilhante no que faz. Você vai ter que aprender a admirar a partir de outros aspectos. Nunca deixe de admirar o seu cônjuge.
Não deixe. Uma vez, eu acho, eu, eu, eu fui pregar alguma coisa aí num, um outro estado, e eu fui recepcionado por um casal. Era um casal muito interessante, porque a mulher era uma princesa, sabe? Bem produzida, educada, uma coisa… concur! O marido era um Shrek, um ogro, mas assim… pense num casal bem ajustado. Raramente eu vi aquilo. Então, por exemplo, ela se diverte com ele, ela ri das coisas que ele fala, gosta que ela ria e tal, e não sei o quê. E ele é meio desengonçado, e ela acha aquilo engraçado. Aí ela fica meio derretida. Ah, é um negócio que só Deus é que fez, né? O Livro dos Provérbios diz assim que tem algumas coisas que o autor não sabe como é que existe, não entende, né? Fala: “o caminho da águia no céu, o caminho da serpente na penha…” E o que é que um homem gostar de uma mulher é um mistério, né? É realmente um mistério. Pois é. Então, o que é que eu gostei e achei delicioso naquele casal é justamente a capacidade de não perder a admiração, mesmo tendo entrado na rotina da vida. É muito importante manter isso de ambos os lados. E eu diria assim: a mulher, de um modo especial, precisa aprender a descobrir pontos de admiração no marido. Isso é mais necessário ainda para ela do que para o homem, por incrível que pareça.
Eh, interferências externas: é a sogra que fica se metendo na vida do casal, é a filhinha que gosta o tempo todo de ficar tricotando com a mamãe, eh, o, o papai que fica o tempo todo entrando lá na casa e, e, e tentando se meter em problemas que não é chamado. É assim: existe uma coisa chamada idade adulta. Isso significa o quê? Adeus, papai! Tchau, mamãe! O que é que diz o livro do Gênesis? Jesus repete, tá lá no, no, no, no segundo capítulo do Gênesis, e Jesus repete em Mateus 19: “o homem deixará seu pai e sua mãe e se unirá à sua mulher, e os dois serão uma só carne”. Então você tem que deixar… entenda uma coisa: os sogros são péssimos conselheiros conjugais para os seus filhos, porque eles sempre vão tomar o lado dos filhos contra… ignora! Não dá certo, nunca funcionou na história da humanidade, não é com você que vai funcionar, sinto muito. Então, interferências externas só atrapalham. O que tem que ser resolvido dentro de casa é dentro de casa que se resolve. Além de outros problemas também, que, que geram crises: problema financeiro, de saúde, etc. Ah, nós já falamos um pouco da, da má interpretação, falamos um pouco desse estranhamento que vem pela comunicação, que gera distância, etc. E mas assim, como é que nós superamos isso? Primeiro lugar: eu preciso fazer um esforço para entender o meu cônjuge. Eu tenho que entendê-lo. Entendê-lo significa saber porque que ele está fazendo aquilo e enxergar o lado dele. Eu preciso ter essa delicadeza, essa empatia. Se você se fecha numa redoma e tudo que seu cônjuge faz você já organizou dentro de um mental… não há possibilidade de aproximação, porque você já tá distante mentalmente. Uma coisa é certa na vida: quanto mais perto você está da pessoa, mais baixo você fala. Isso também tem a ver com proximidade. Quando você tá distante psicologicamente da pessoa, você grita, parece que tá lá não sei aonde. Então veja: aproximação demanda sensibilidade. É preciso sensibilidade.
Algumas coisas que são importantes nesse percurso: primeiro, perdoar. Veja, não há casamento sem perdão. Você tem que perdoar muitas vezes ao longo do casamento. É isso daí. É o perdão que vai tirando os tijolos do meio de vocês dois. Tem que perdoar, tem que perdoar, tem que desculpar, e às vezes tem que pedir perdão, mesmo quando você está certo, pelo bem do casamento. É preciso exercer o perdão ativamente, e que seja um arrependimento sincero. É muito frequente que os casais guardem mágoas um do outro, e aquilo vai se juntando com uma sujeira debaixo do tapete, e eles nunca tragam aquilo à tona para resolver. É preciso resolver, e a solução é perdão. Segundo: recuperar a amizade conjugal. Antes de vocês serem cônjuges, vocês são amigos, vocês são parceiros. Então vocês têm que passar tempo juntos. Ah, tem uma aninhada de filhos? Amém, glória a Deus! Mas vocês têm que passar, de vez em quando, o tempo juntos, né? Paga R$ 100 aí para uma sobrinha cuidar da galera e bater perna. Tem que, tem que ter esse momento, esses momentos em que são só vocês dois, né? Porque veja o que é que acontece com os casais: o marido trabalha numa coisa, a mulher trabalha numa outra, tem uns filhos, vive em função dos filhos… aí os filhos ficam adultos, dão os pés na cara dos pais, o marido se aposenta, vai para dentro de casa… começa o inferno! Porque ela nunca aprendeu a viver com um homem dentro de casa. Então ela vai varrer a sala, tá aquele homem lá; vai pra cozinha, tá aquele homem lá; vai pro quarto, tá aquele homem lá; vai pro quintal, tá aquele homem lá… Que desgraça que eu não consigo… ela parece que a casa ficou do tamanho de uma caixa de fósforo! Mas por quê? Porque não aprenderam a conviver juntos. Ao longo do casamento, é importante que seja assim, é necessário que seja assim.
Depois: aprender a leveza do bom humor. Se vocês não tiverem bom humor e leveza, tudo fica muito pesado. Ou seja, existem pessoas que gostam de dramatizar. É um vício psicológico, talvez associado com carências muito profundas e uma idade gigante. Então a pessoa se sente assim: “Nossa, tudo é um drama! Aconteceu uma coisinha… Nossa, vira uma tempestade em copo d’água”, né? É preciso aprender a desdramatizar, minha gente, e a tratar as coisas com, com alegria. Vocês têm que brincar como marido e mulher, jogar um com o outro no sentido lúdico mesmo da palavra, e não diminuir os gestos de afeto. Nunca responda a um gesto de afeto do seu cônjuge com rejeição. O cônjuge chega perto de você, dá um coice nele, um pontapé… cai fora! Não, pelo amor de Deus, não faça isso, né? Chega para te dar um abraço: “Ah, não quero!”. Chega para te dar um beijo: “Ai, não, agora não, faz isso!”. Aceita! É carinho, é afeto! Às vezes a mulher fala assim: “Ai, mas você só me procura para isso!”. Mas às vezes não é isso, e também se for, vocês são casados, mesmo, né? Tem que ir para… aí é triste quando o padre tem que mandar o casal transar, gente! É triste! Vivo mandando, viu? Vocês, vocês não sabem do que é que esse ouvido aqui escuta! Tem que ficar mandando: “Vai lá, se oferece, se entrega, facilita, vai!”. Porque todo mundo ficou muito arisco, todo mundo ficou muito, muito distante, etc., e já não tem mais coragem de, né? Gente, vocês são casados para isso! Deixa com Cerato! Eu vivo, vocês vivam um casamento Cerato! É para mim, para vocês, pelo menos esse consolo vocês têm que ter. Então é importante isso, é muito, muito, muito, muito importante, é fundamental. E o casal precisa não perder a linguagem afetiva, e claro, sempre voltar ao propósito inicial, aos desejos que vocês tinham, a como tudo começou.
Buscar ajuda em Deus, buscar ajuda no sacerdote, sabe? Aí, por exemplo, tá um, um casamento tá meio, sei lá, os dois estão meio em crise, aí vão lá procurar o fulaninho que é divorciado, que tá doido para que você se, se separe, que fica te incentivando a, a destruir o casamento, né? Que fica te incentivando… Não fale com essas pessoas! Não fale, ainda mais os seus problemas mais pessoais! Você tem que procurar o sacerdote. Por que é que o sacerdote é uma pessoa adequada? Porque nunca um sacerdote vai trabalhar contra o teu casamento, cara! O sacerdote sempre vai te ajudar a reconstruir, a perdoar, a que vocês se reencontrem. O sacerdote sempre vai fazer isso. Agora, o fulaninho lá que tem inveja porque você tem, tem um mulherão, ele não tem; que você tem um maridão, ela não tem; e que já tá no terceiro rolo e que tá cheio de não sei o quê… você vai falar com essa pessoa? Ah, mas é meu parente! E daí? Parente tem inveja também, às vezes mais do que quem é de fora. Você tem que falar com gente sábia, pedir conselho para gente sábia, porque matrimônio é um projeto de vida.
Eu queria terminar apenas aludindo a um tema que me parece importante, que é que cada vez mais é frequente nos casamentos, que é o problema da neurodivergência. Você tem um ou dois cônjuges que têm transtornos mentais e que precisam trabalhar esses transtornos. Então, por exemplo, né? A, eu, eu tenho uma amiga minha que descobriu depois de 20 anos de casamento, 20 anos de sofrimento, que o marido é autista. Então ela não entendia aquela dificuldade de, de, de interação numa inteligência tão grande, numa capacidade… O marido era autista! Foi esperar o homem com quase 50 anos para ver! Quer dizer, o quanto de instrumentais ele poderia ter desenvolvido se tivesse procurado ajuda especializada. Eh, transtorno de déficit de atenção e hiperatividade tá muito frequente isso aí. Você fala com o seu cônjuge, seu cônjuge tá, tá lá… você pensa que tá acontecendo alguma coisa… não é só a hiperatividade no cérebro dele mesmo… superdotação! Isso pode ser um problema no casamento: você ter um cônjuge que pensa muito rápido, ele raciocina muito rápido e o outro não, né? E aí você tem que voltar para explicar e tudo mais… pode ser problema. Eh, outros transtornos mais sérios, como transtorno bipolar do humor. Tem o cônjuge lá que é deprimido, daqui a pouco ele entra numa fase de euforia, aí ele fica deprimido de novo. Tem que tratar, tem que tomar estabilizador de humor, tem que passar com o psiquiatra. Eh, o cônjuge não tá dormindo… tem que passar no psiquiatra muitas vezes, porque a vigilância noturna é o começo de muitos problemas psiquiátricos. A gente tem que prestar atenção nisso. Ou, por exemplo, cônjuges que… bom, eu nem falo de tipo transtorno de personalidade borderline, que é muito difícil, né? Uma vez eu vi um casamento de uma borderline com um autista, aquilo era praticamente a porta do inferno! Porque a borderline dramatiza para chamar atenção para si, tem gatilhos tremendos, e o autista não é capaz de entender, tá no mundo dele, tá no mundo dele, né? Então tanto é que não deu certo, era muito disfuncional. Mas você pode ter alguém no casamento… gente, século XX… psiquiatra é médico! A precisa, se tiver com ansiedade, se tiver com, com, com síndrome do pânico ou com crises até mais, mais sérias, mais severas… a gente tem que estar aberto para isso, né? Tem… eu, eu há pouco tempo atendi um, um, um homem muito bom de igreja, tudo mais, mas cruel, insensível… e conversando com ele eu falei assim: “Olha, eu tenho impressão de que você tem psicopatia, porque você não sente culpa, empatia, tem esses sentimentos”. Então você precisa passar num psiquiatra urgente! Isso não tem cura, mas você pode, com terapia e com remédio, você pode pelo menos entender como funciona a sua mente para poder levar sua família adiante sem causar uma, uma desgraça familiar. É difícil, mas é possível. Então nós temos que estar muito atentos. Existem doenças psicológicas que se desenvolvem apenas na idade madura, por exemplo, transtorno bipolar do… é um deles. A pessoa desenvolve por aos 40 anos às vezes, e de repente você tem uma mudança brusca de comportamento por parte da, do cônjuge. Aí você diz: “Como é que eu lido com isso?” Você não tem instrumentais para lidar com isso. É assunto de psiquiatra. Há um, um, um pouquinho tempo atrás, alguns meses atrás, um senhorzinho muito bom, aqueles casamentos de igreja, sabe? Pessoal de Canção Nova que vai para acampamento, tal, que reza… aquele casamento super beato… de repente a mulher virou um Satanás dentro de casa! Era uma coisa inacreditável, implicando e não sei o quê… do nada mudou o comportamento dela. Aí vieram para mim pensando que é espiritual, né? E eu sou o rei de desmistificar essas, essas coisas. Acho que a pior coisa quando se trata uma psicose como se fosse demônio… você afasta a pessoa do caminho de solução, resultado… aí eu falei para ele: “Querido, isso aqui não é aqui, você tem que, você tem que ir no psiquiatra”. Mas ela não quer, não! Pior que a velha era tão atacada que ela conseguiu convencer o psiquiatra que ela tava certo, o marido tava errado, e a terapeuta dela também. Ela também fazia terapia. Eu falei: “Mas vocês têm que falar com esse psiquiatra, bota a filha para falar, bota o marido para falar, etc., etc. Alguém tem que parar eles!”. Não conseguiam, não conseguiam nem acreditavam muito direito… até que, já não tendo mais o que fazer, porque a situação ficou incontrolável, ninguém consegue segurar uma pessoa em surto, eles levaram para uma clínica psiquiátrica. Ela foi medicada e está ótima, voltou a ser quem ela era. Então muitas vezes o nosso problema vai se resolvendo no psiquiatra. Você se tá lá naquela depressão, naquele negócio trancado… aí faz uma consulta… às vezes é importante, viu? É século XXI, a gente tá lidando com muita coisa ao mesmo tempo, é muita informação, é muita solicitação, é muito problema… a vida é muito rápida, é tudo muito acontecendo, e às vezes a gente não tem estrutura para lidar com tudo isso. Então pedir ajuda, e ajuda especializada, é bastante importante.
Termino com uma pergunta: como posso adaptar minha forma de amar para melhor atender as necessidades do meu cônjuge? Que adaptações eu preciso fazer para que o nosso amor possa crescer? Eu preciso ser mais humilde? Eu preciso ser mais compreensivo? Preciso eh ter uma atitude mais acolhedora, menos cheia da razão, mais cheia de compreensão, misericórdia? Enfim, cada um que responda por si e que faça eh, digamos, aquilo que é necessário para que esse projeto de vida chamado casamento dê certo. Muito obrigado.