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Eu vejo a Equatorial, pelo menos, como aquela ação preferida dos gestores de ações, ainda mais em um momento como esse, conturbado. Mas nem ela passou, né, nesse final de ano. Então, há algum fundamento ali? Se é uma preocupação com a alavancagem ou simplesmente ela acaba sofrendo como todo o mercado sofre. O gringo vende porque, sei lá, tá tendo desgaste. Enfim, o que faz uma ação, quase que a melhor empresa da bolsa, cair num momento desse?
Como eu falei no começo, às vezes o técnico tem um papel também. Se a indústria tá passando por um período de saque, você de fundos de ações, de fundos não só de ações. Ah, tá, é m... Ah, que também opera, verdade, né? E, pô, convém que a Equatorial não é a ação mais sorteada pelos locais. Uhum, pelo contrário, é o porto seguro. Então, é restx, você vende o que você tem, uhum, né?
Então, acho que esse é um assunto que atrapalhou a Equatorial. Agora, ela é imune aos juros? Não, não acho que ela tenha que ser imune aos juros. O juros é, sim, um assunto. Eu acho que ela conquistou o direito de se alavancar porque ela tem um negócio que gera muito caixa. Isso tá muito comprovado. Então, ela usa os mecanismos de alavancagem, inclusive, para conseguir alocar mais capital, né?
Com o passar do tempo, ela provou que sabe fazer isso muito bem, essa gestão de fontes de financiamento, seja equity ou não, né? Com uma subsequente alocação de capital. Esse é um músculo super bem desenvolvido que a Equatorial tem, né? Mas ela é alavancada. Aí você toma um choque de juros, isso é um peso, né? Mas eu não vi sinais de deterioração de negócio, pelo contrário.
Ó, uma conta bem em dois anos que a gente teve de novo na Equatorial, né? 23, 24, a gente teve a Selg, Celg. A gente estima que ela gerou algo próximo de 10 bilhões de valor. Já, como já, né? Ela gerava algo ao redor de um B deidade, já tá gerando, já adicionou mais de um B Dev dar anualizado e já tá apontando para 2,5, né? Ah, no múltiplo que ela pagou, uns oito vezes deidar, pô, já virou 20. Perto do EV pago, já dá mais de 10 de geração de valor, né?
Vamos dar alguns descontos porque, pô, não precisa ser o mesmo múltiplo. Afinal, é o ambiente de juros maior. O juro maior é igual a múltiplo menor na maior parte dos casos, né? Então, vamos dar um desconto aí. Além disso, teve a Sabesp, né? Que, pô, só no MTM, vamos colocar de uma forma mais simples, já dá mais uns 2 bilhões aí.
Então, ela gerou algo ao redor de 10 bilhões com esses dois movimentos, né? Em 23 e 24, que é 10 bilhões no Market Cap dela. Ah, 1/3 mais ou menos, ah, 33, 34 bilhões. Então, ela fez movimentos incrementais que geraram mais ou menos 1/3 de valor em dois anos. Mas e o resto do negócio? Não, o resto do negócio também foi bem, uns mais, outros menos, né?
Ah, teve as Piauí, que tá com turn around indo bem, outros indo um pouco mais devagar. Mas, na média, nesses dois anos, o resto também cresceu uns 15%. Então, você tem um negócio que cresceu 15% e você adicionou mais um terço de valor. É quase como se falasse que você teve uma geração acumulada de valor intrínseco nesses dois anos de algo ao redor de 40, 45%. E a ação ficou parada em dois anos.
Teve a queda no passado, né? Teve, temido bem na média, ficou parada. É quase como se a gente atribuísse todo esse efeito ao movimento dos juros, que em dois anos, aí, não foi o 10 anos, aqui foi uns 230 pontos de movimento em dois anos, né? Então, é como se falasse: pô, esse foi o efeito de juros mais o técnico e tal. A gente acha uma oportunidade bastante interessante.
E, mais do que ficar falando do upside, eu acho que esse é um aspecto que, lógico, a gente tem que olhar. Mas a gente também gosta muito lá na fala do risco. Pô, mas tá bom, qual que é o risco desse, né? Eu acho que a gente tá começando a achar retornos interessantes em negócios de risco menor, como o caso, acho, da Equatorial, né?
E, nesse, como ficou a distribuição da probabilidade dos retornos da Equatorial? Você pô, o preço ficou parado e ela gerou, né, um... ela aumentou 40% aqui em valor intrínseco ao longo de 2 anos, né? Eu acho que é uma oportunidade bacana. Ah, mas é porque é 40%? Não, você teve algum efeito de juros também. Aí a gente pode discutir aqui no duration qual que é o efeito. Não é efeito também de 5, 7%? Tem efeito, é relevante esse movimento de juros, né?
Mas esse eu acho que é aquele típico ativo que continua fazendo tudo certinho, né? E que, quando o ambiente muda um pouquinho, ele vai tá na lista de todo mundo porque líquido, né? N líquido relevante continua. E aquela história, quando a gente fala da oportunidade de alocação de capital, a Equatorial é interessante. Porque, pô, você sei lá, quanto tempo faz que eu já escuto gente falar: "não, Equatorial, tudo bem, eu sei, todo mundo gosta, legal, ah, mas já deu, né? Não tem mais tanta, não tem consenso, tanta oportunidade assim."
Ó, pau, Selg, ah, não, agora já Sabesp, by the way, né? E será que ela, se a gente estivesse vivendo um oba-oba, ela teria conseguido comprar a Sabesp no preço que ela comprou? Difícil, né? Que aí entra aquela, aquele um pouco do filme antigo do Brasil, mas que a gente tá vendo de novo, né? Dos fortes ficando mais fortes, né? Em grande parte por causa de locação de capital, né?
Eu até já aproveitando que você fez esse gancho, para mim é uma história que se repete no Brasil. Uma empresa ou duas, mas geralmente uma empresa consegue formar um super, tanto em questão de market share, mas um posicionamento, usar o termo que você usou, né? Conquistou o direito de ter lucro econômico em um setor que geralmente é muito pulverizado. Ou então o segundo colocado tem uma participação muito menor, mas tem esse espaço para crescimento, né?
Então, ela consegue crescer justamente porque o Brasil é muito difícil prosperar. Tem muitas adversidades. Então, geralmente, quem tem mais acesso ao mercado de capitais, quem tem um tamanho maior, tem melhores fontes de financiamento, acaba conseguindo sair mais forte de momentos como esse. E o sistema de gestão, que eu acho que esse é um ponto importante.
Eu acho que a gente tem até dois cases que eu falo às vezes no escritório que eu vejo algumas semelhanças com a Dener. Vocês já ouviram falar da Dener? Teve até um episódio de vocês aqui, o Cristiano. Ela é uma aula porque ela tem, de um lado, uma capacidade de alocar capital, só que o escopo dela é bem mais amplo, né? Ele já pivotou, já foi de industrials para se virar um provedor de biotec e tal, né?
Mas, enfim, ele é bem... a abertura dele é ampla. Mas qual que é o interessante? Ela alia isso a um sistema de gestão, né? Que eles chamam de DBS, o Dener Business System, né? E é porque eles chegam nessa nova empresa e implementam um sistema de gestão. E eles são pirados com lean manufacturing. Eles conseguem tirar mais eficiência de operações que aparentemente já eram super bem tocadas. Assim, é incrível essa combinação de fatores, né?
Aí eu olho para Equatorial e para GPS, eu vejo histórias bastante parecidas, né? Eles têm um sistema de gestão claramente superior e conseguem aliar isso à alocação de capital. E as pequenas que vão tropeçando no caminho, aí eles colocam para dentro, implementam o sistema de gestão. E essa é a fórmula de geração de valor. Ah, não, ele aloca bem em capital. O que que significa? Qualifica. Ah, ele consegue comprar barato. Ninguém queria, só ele viu. Não, não, na mão dele funcionou.
É difícil isso, a criação desse sistema de gestão é para poucos. É para poucos, assim. Tanto que as estatísticas não favorecem muito o M&A de forma geral, né? Uhum. A GPS faz muita, a GPS faz bastante, né? Mas o que que, por que que ela consegue fazer e continuar fazendo isso de uma forma que gera valor? Passionista, porque tem o sistema de gestão. No caso da GPS, é insano, né? E a Equatorial também, pô, mas como tão rápido? Ela já começou a falar diferente com o regulador aqui na Sabesp, né?
Já, pô, são rápidos esses caras, né? São, sim, são rápidos. A Selg é inacreditável a quantidade de EBITDA que esses caras estão trazendo no prazo que eles estão trazendo. Era da onde? Era uma de Goç, Goç é Enel, né? E uma concessão que não tava, não é que tava brilhando, tava todo mundo feliz com a Enel lá, não era o caso, né? E aí, troc... Pô, o que aconteceu? Os caras sabem tocar o negócio, têm um sistema de gestão capaz de trazer um negócio que tá tirando, sei lá, talvez não esteja nem passando de ano e já leva para nota 8.
E tem a São Paulo aí. Então, eu até ia falar que, quando você perguntou da Selg, tava tentando lembrar quem era, é que era a Enel. Porque todo aquele problema que a gente teve nas chuvas em São Paulo e começou a ter muita polêmica em cima da Enel, da maneira de gestão. Aí tinha uma reportagem da Folha relembrando como foi a Selg da Enel, que é bem diferente do que é hoje a SG da totalmente diferente da Equatorial.
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