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Guiados pelo Poder e não pela Sensibilidade | Heber Campos Jr. CC 2024

Consciência Cristã54:53

Transcription

E eu quero convidar você a abrir a sua Bíblia no Salmo 25. Eu quero ler, ah, apenas uma parte dele. Eu não vou ler inteiro, mas uma parte dele que mais tarde eu vou voltar nesse trecho aqui. Salmo 25. Esse Salmo de Davi começa assim: "A ti, Senhor, elevo a minha alma. Deus meu, em Ti confio; não seja eu envergonhado, nem exultem sobre mim os meus inimigos. Com efeito, dos que em Ti esperam, ninguém será envergonhado. Envergonhados serão os que sem causa procedem traiçoeiramente. Faz-me, Senhor, conhecer os teus caminhos, ensina-me as tuas veredas. Guia-me na tua verdade e ensina-me, pois tu és o Deus da minha salvação, em quem eu espero todo dia. Lembra-te, Senhor, das tuas misericórdias e das tuas bondades, que são desde a eternidade. Não te lembres dos meus pecados da mocidade, nem das minhas transgressões; lembra-te de mim segundo a tua misericórdia, por causa da tua bondade, ó Senhor! Bom e reto é o Senhor; por isso, aponta o caminho aos pecadores. Guia os humildes na justiça e ensina aos mansos o seu caminho. Todas as veredas do Senhor são misericórdia e verdade para os que guardam a sua aliança e o seu testemunho. Por causa do teu nome, Senhor, perdoa a minha iniquidade, que é grande. Ao homem que teme ao Senhor, ele o instruirá no caminho que deve escolher. Na prosperidade repousará a sua alma, e a sua descendência herdará a terra. A intimidade do Senhor é para os que o temem, aos quais Ele dará a conhecer a sua aliança."

Até aqui a palavra do Senhor. Eu quero explicar a vocês o tema que me foi passado pela Vinac. E então, a partir desse tema, explicar a vocês quais as minhas preocupações e exposição nesta noite. As perguntas que movem esta mensagem nesta noite são as seguintes: Como ser guiado pelo Espírito Santo? Seria somente pela leitura da Bíblia, ou há uma direção mais direta e espiritual? E eu creio que esse tema é uma preocupação de O Fiel. Dois autores recentemente publicaram um livro sobre o Espírito Santo, defendendo que ele nos guia pelos assuntos mais mundanos da vida, dando-nos direção específica sobre onde, quando, como e o que fazer. Uma direção que pode vir, inclusive, de forma miraculosa. Então, há pessoas que esperam que o Espírito dirija de forma miraculosa, e entendem que às vezes ele o faz de forma mais ordinária. E esses autores até dão diretrizes bem bíblicas para discernir a direção do Espírito. Vou dar exemplo de duas delas para você saber que, de fato, você está sendo orientado pelo Espírito. Eles perguntam assim: Essa orientação exalta Jesus Cristo? Boa pergunta. É direcionada para envolver outras pessoas com o evangelho também? É uma outra boa pergunta.

O problema é que esses critérios, eles não garantem boas decisões. E quando eu falo isso, eu pareço gerar um certo, uma certa dúvida, mas eu quero explicar o que eu quero dizer. Como esses autores acreditam em direções miraculosas, eu vou dar um exemplo, tá? É um exemplo só para ilustrar para você como é que eles não garantem essas perguntas. Por mais que sejam interessantes, elas não garantem decisões, ah, que seja. Digamos que na igreja desses irmãos, uma profecia diga ao pastor da igreja o seguinte: "Assim diz o Senhor: Vejo que és homem de Deus e que farás uma grande obra em meu nome. Expande o templo da igreja para que outros ouçam a palavra." Ouve essa profecia e diz: "Recebo." Bom, é bom receber, né? Profecia ruim não é. Mas ele fala assim: "Recebo." Tipo, gostei dessa. Essa aí é para mim. E aí ele parece estar honrando o Senhor, parece ser útil à igreja e parece fazer com que mais pessoas ouçam a palavra. Então, qual é a conclusão que provavelmente esse pastor teria? "Só pode ser de Deus." E tal. Essa seja a sua conclusão também. Mas eu quero chamar a atenção para uma possível outra leitura. E se essa tal profecia, ah, fomentar tentação à soberba de um pastor que sempre quer um grande ministério? E se essa tal profecia concentrar fiéis em um local sem condições de pastoreio? Ministério grande é mais difícil de ter pastoreio. E se essa profecia custar o não investimento missionário em prol da construção de um império? O que eu quero dizer para vocês com essa ilustração é dizer que alguém pode entender essa direção do Espírito como sendo muito de Deus, mas se ela não vier acompanhada de sabedoria, ela pode gerar decisões ruins. Então, nessa noite, a gente vai falar sobre sabedoria, que infelizmente é uma das coisas menos exploradas quando o assunto é direção do Espírito. A maioria das pessoas está esperando uma direção direta e que é operada sem que haja boa reflexão e maturidade na revelação divina. E aí cai o nosso engano.

Então, eu quero fazer três coisas com vocês nesta noite ao pensar sobre o que significa ser guiado pelo Espírito. Primeiro, eu quero mostrar como existe um alto grau de subjetividade nas igrejas evangélicas hoje quando o assunto é direção do Espírito Santo. Existe um alto grau de subjetividade. Em segundo lugar, eu quero mostrar os perigos dessa ênfase exacerbada na subjetividade desgovernada. Então, primeiro, a gente vai falar dessa subjetividade, depois ressaltar os perigos. E em terceiro lugar, eu vou voltar para o Salmo 25, que a gente leu, para que a gente tire algumas orientações bíblicas sobre direção divina. Então, eu vou voltar no Salmo 25, mas não por vários minutos, tá bom?

Então, eu quero começar falando da subjetividade da direção. E eu faço questão aqui de, sem mencionar nome, basear muito do que eu tô falando aqui em livros de versos que a gente tem publicado, tanto em português quanto em inglês. Eu quero mostrar primeiramente como, quando o assunto é direção do Espírito, existe uma grande confusão teológica. Infelizmente, deveria ser algo que todo mundo entendesse bem, mas na prática, parece não ser. A expectativa de uma direção constante, subjetiva, com respeito a diversas escolhas da vida, gera essas confusões. Primeira confusão é dizer que discernir a direção do Espírito é um assunto difícil. Vários teólogos dizem isso. Vários. Um deles diz que não há resposta fácil. Quando alguém pergunta para ele assim: "Como é que eu sei que o Espírito nos guia?", ele diz: "Ah, esse não é um assunto fácil." "Poxa, o senhor é teólogo, a gente esperaria uma resposta mais clara." Embora ele tenha algumas diretrizes. Outro autor considera que a direção divina pode ser, às vezes, até ambígua. Decisões tão importantes na vida, como escolher o nosso cônjuge. Um terceiro teólogo chega a dizer algo que eu acho mais chocante. Eu vou ler as palavras dele para você ouvi-lo. Ele diz assim: "Não há simplesmente qualquer garantia de que, por estarmos crescendo em santidade ou porque somos carismaticamente dotados, estamos vivendo conforme a vontade de Deus." Quer dizer, não há nenhuma garantia que você está vivendo segundo a vontade de Deus, mesmo que você seja cheio do Espírito. Na verdade, se a vontade do Pai não era sempre fácil para Jesus, o santo e carismático, quanto mais para nós. Olha o que esse autor está dizendo, que até Jesus tinha dificuldade de entender a vontade do Pai. Mas eu tô citando autores para você compreender que essa confusão, ela é presente.

Mas e quando alguém vai dar alguma direção, pastor, sobre, eh, como é que a gente entende a vontade de Deus? Como é que a gente é guiado pelo Espírito? Uma das primeiras diretrizes que eu acho que é complicada é quando eles falam das circunstâncias. Muita gente diz assim: "Que Deus nos guia através das circunstâncias." Um dos autores, inclusive, cita Atos 16, aquela história em que Paulo vai pregar num lugar, mas ele é impedido pelo Espírito de Jesus. E aí, depois, aparece uma visão a ele, alguém dizendo: "Passa a Macedônia e ajuda-nos." Então, ele é dirigido a pregar em outro lugar. Esse texto é citado como exemplo de circunstâncias. Acontece que em Atos, eh, 16, não há uma direção clara resultante do ser impedido de pregar na Ásia. Imagina se Paulo concluísse que Deus não quer salvar asiáticos? Ele poderia tirar essa conclusão se ele tivesse analisando a porta fechada. Porém, eu costumo dizer que providência nunca vem com legenda. É por isso que a gente diz assim: "Eu não sei porque que isso está acontecendo comigo." Não é que eu não amo o Senhor, ou que eu tenho que me arrepender de algum pecado grave. Eu tô vivendo junto do Senhor, mas Deus, as circunstâncias da vida, a sua providência, não vem com legenda para explicar tudo nos mínimos detalhes. Se você acha que o que aconteceu com José vai acontecer com todo mundo de entender como cuidados de Deus cooperaram para a preservação da sua família, eu quero te frustrar hoje à noite, dizer que nem sempre é tão claro assim. Porque providência não vem com legenda e não dá para a gente interpretar a providência e concluir, ah, que Deus vai fazer desse ou daquele jeito. Tudo que a providência ensina pra gente é que o Senhor Deus é soberano, e que ele é sábio, e que às vezes ele toma caminhos diferentes daqueles que a gente planejou. Só isso. Então, não dá para dizer que Deus nos guia claramente pelas circunstâncias. Portas abertas podem ser oportunidade para você fazer o que é mal, inclusive. Deus disse que certa vez conduziu o povo, o provou o povo com profetas falsos para ver se o povo amava o Senhor. Oportunidades, mas elas não eram boas oportunidades. Se a gente pegasse a história de Jonas, Jonas chegou em Jope e tinha bilhete para Tarsis. "Portas abertas deve ser de Deus." E você sabe pela história que não é de Deus. Mas a circunstância estava lá, a porta estava aberta, foi possível ir. Mas providência não vem com legenda. Por isso que não é simples interpretá-la.

Tem gente que fala que Deus guia pela palavra. O que é excelente. Mas às vezes usa até de maneira indevida. Um autor que eu li diz assim: "Que quando a gente cresce no apreço pela palavra, a gente desenvolve uma habilidade de cheirar a vontade de Deus em cada situação." Falei: "Uau, de Deus? Não, não é de Deus." Não é claro que ele está usando uma, uma analogia aqui, uma metáfora. Mas ainda assim, o que é que está sendo destacado? De que a vontade de Deus você pega no ar de maneira, é, meio subjetiva. Uma outra orientação que eu acho muito complicada, quando autores dizem assim: "Que você pode orar por uma situação até você estar certo da vontade de Deus no assunto, porque você vai ter paz interna." Você já conversou com gente que está amortecida no seu, na sua consciência moral, e ela fala: "Sim, eu tô em paz." Se ela confiar na sua paz, problema. Caminho de perdição. Nosso coração não é confiável. Inclusive, a escritura não legitima essa paz interna. Vou dar um exemplo bem claro: se um jovem diz assim: "Tenho o sentido de Deus que eu, que eu vou pro ministério da palavra, eu quero ser um pregador da palavra." Ele almeja o episcopado. Primeira Timóteo 3 diz que ele tem que dar evidências externas e visíveis à comunidade para que, de fato, ele seja ministro da palavra. Não adianta ele dizer: "Mas eu tive um chamado lá no quarto, eu e Deus." Paulo fala: "Ele tem que ser assim, assim, assim, assim, assim." Vai dando uma lista imensa. Por quê? Porque essa subjetividade não é suficiente para dizer: "Fui dirigido pelo Senhor." Para Paulo, a direção vem por meio da confirmação da igreja. Então, você percebe que existem várias diretrizes que nos confundem.

Uma última que eu vou falar com certa preocupação é quando as pessoas falam de uma certa sensibilidade para sentir o Espírito. A essa, a ideia de você ter uma sensibilidade mostra que você tem que ter a, uma apreensão diferente do que a maioria das pessoas. Por exemplo, sensibilidade à direção do Espírito. Ah, pode ser natural. Alguma pessoa que se entende dirigida pelo Espírito. Mas alguns de nós sentem que são uma porta, isto é, não têm sensibilidade para nada. E aí, quem tem sensibilidade parece muito mais espiritual do que, do que quem não tem. Você já deve ter ouvido pessoas que disseram: "Você estava andando assim na rua, de repente o Espírito falou: 'Entra aqui no beco'." Aí você entrou no beco. "Agora vira direita." Você vira direita. "Agora vira esquerda. Agora fala com essa pessoa." Ele falou isso. Parece tremendamente espiritual. O problema é que isso não se discipula, não se ensina. Isso é uma coisa que ainda está calcada em coisas que a escritura nunca prescreve. Agora, escuta, porque isso aqui é importante, é pesado, mas é importante. A Bíblia nunca pede para você ser sensível ao Espírito. Pelo contrário, diz que o Espírito é poder. Você sente ele? Necessariamente. É por isso que ele é traduzido como "vento impetuoso" no dia de Pentecostes. Você não precisa desenvolver sensibilidade. Ele é o, o Espírito de Deus, ele pode se fazer notado. Ele pode se fazer notado. Ele não precisa da sua sensibilidade. Ele é eficaz em tudo que ele faz. Então, entenda como esses exemplos que eu tô dando são exemplos de gente que escreve livros, tá, para tentar ajudar eu e você a entender o discernimento do Espírito. Mas há muita confusão. Confusão. Qual é o pressuposto, por trás dessa orientação? A ideia de que eu posso construir o mapa espiritual das minhas decisões, como se tivesse um vislumbre do script do próximo capítulo. "Senhor Deus, eu quero abrir um negócio. Eu gostaria muito que o senhor mostrasse para mim se é da tua vontade." Aí Deus dá para você a ideia de que lá na frente o negócio está bombando, está indo muito bem. Deus, vou abrir negócio. O que a gente quer, na verdade, é um trailer do sucesso. É claro. Mas a escritura nunca prometeu para você um trailer do sucesso. Ele não antecipa coisas para você dizer: "Ih, Deus diz que vai dar errado, melhor não fazer." Ele não antecipa um filminho de possíveis circunstâncias. Essa é uma expectativa pagã. A gente tem uma expectativa de uma vida perfeita, livre de tropeços. Então, quando a gente fala assim: "Senhor, mostra se é teu, se, se eu devia fazer", o que a gente quer? Senhor, me livra de passar por aflições. Mas a escritura não diz que você vai ficar sem aflições. Ela vai dizer que Deus vai te livrar em meio a elas. "O Senhor, de todas as aflições, livra o justo." Mas ele não deixa de fazer o justo passar por ela. Então, queridos, a gente precisa perceber que o pressuposto é de descobrir uma certa vontade individual de Deus para que você tenha que descobrir para agradar o Senhor. Qual é a consequência disso? A consequência é que a Bíblia não trata dos específicos da vida. Isto é, você não consegue abrir lá em Terceira Coríntios e descobrir para qual faculdade o seu menino vai, né? Não tem lá em Terceira Coríntios. Não tem nem em Terceira Coríntios. Mas se tivesse, você ia procurar lá. Não tem que casa você deve comprar, ou se você vai alugar, ou se você não vai alugar, ou se você deve ter mais um filho ou não deve ter mais um filho. Não tem isso na escritura. E como não tem essas respostas que muitas vezes a gente busca, o que é que acontece? A gente procura outros meios de descobrir. Aqueles que são carismáticos vão atrás de profecias, sonhos, visões. Aqueles que são mais tradicionais vão atrás de circunstâncias ou um moveres interno ou uma paz de mente. Não importa aqui agora se você é carismático, é pentecostal ou não é. O ponto é que todo, quase todo evangélico vai atrás de uma direção que extrapola a escritura, porque a gente quer descobrir as coisas que Deus não colocou na escritura. Com isso, a gente está dizendo que ela não basta, ela não é suficiente para me dirigir. E há, e os irmãos, objetivos bem perigosos. Eu já dei exemplo de portas abertas, de você interpretar que se a porta se abriu, então é de Deus. Aí aquela pessoa que sempre sonhou em morar fora do país, vai lá e tira um visto de turista. Aí ele fala: "É de Deus, vou morar fora." Não, nada disso. O visto é de turista. Você quer passear, você vai passear, mas você não vai morar. Mas o coração fala alto nessas horas, e a gente interpreta segundo as inclinações do nosso coração. Então, esses métodos subjetivos são terríveis.

Outro muito usado e considerado por muitos espiritual é quando você faz teste com Deus. "Senhor, se é do Senhor, que apareça tal pessoa agora." Não é? Se nem Gideão fez com o novelo, lembra? Uma hora molhada, outra hora seco, né? Então, as pessoas lembram da história de Gideão e acham que ele estava agindo com fé. Meu irmão, ele estava agindo com incredulidade. Deus já tinha mostrado para ele que ele seria vitorioso. Deus já tinha consumido um, um sacrifício de forma espetacular para dizer para Gideão: "Eu sou contigo." Mas ele titubeia. Por isso que vem o primeiro teste. "Novilho, senhor, só confirma só hoje." Aí Deus fala: "E confia." Mas, senhor, sem assim abusar. Uma outra confirmação pode ser. Mas isso não é espiritual. Inclusive, tome cuidado com exemplos do Livro de Juízes. Livro de Juízes tem muito juiz cabeludo, complicado. Eu não tô falando de Sansão, não, tá? Isto é complicado. Livro de Juízes não é um, um livro de bons exemplos. Muitas vezes, o ponto que eu quero que você aprenda é que esses métodos que a gente vem falando como sendo espirituais, Deus abriu uma porta, ou ele, ou fazer testes com Deus, ou impressões no nosso coração, eles são tremendamente subjetivos e, por serem subjetivos, são muito perigosos.

E eu quero dar exemplo agora, na minha segunda parte, dos perigos dessa direção subjetiva. Veja, aparentemente, quem está buscando, ah, conhecer a vontade de Deus, buscando direção do Senhor, a gente crê, e é mesmo, só se preocupa em conhecer a vontade de Deus. Quem ama o Senhor, quem quer agradar o Senhor. Então, não é errado a gente querer direção da parte de Deus. Tanto é que tem gente que vai despertar, ser despertado a mais oração, mais leitura bíblica, o que é muito bom. Por outro lado, desenvolve uma espiritualidade muito perigosa, que sempre espera receber uma confirmação do Senhor. Isso é piedoso, mas não é verdade que o Senhor vai confirmar do jeito que você espera. Entenda os perigos resultantes disso. Primeiro, pode gerar muita ansiedade. "Quando eu não recebo a confirmação, o Senhor não disse nem sim, nem não. E agora? Eu faço? Eu não faço?" E tem gente que vive ansiosa por descobrir a tal vontade de Deus. Em outros, eles ficam escravizados no: "Isto é, Deus sempre fala com ele." "Pera aí, pera aí, irmão. Espírito está falando aqui." Isso é terrível, porque esses sentimentos, eles têm maior proeminência do que a verdade revelada e escrita nas Santas Escrituras. Em outros casos, isentos de responsabilidade. Pastor chega para a igreja dele e fala assim: "Irmãos, eu queria ficar com vocês, mas Deus está me mandando para outro lugar." Olha que beleza. Culpado é Deus. "Eu até queria ficar com vocês, mas é de Deus, né?" Entendem? É de Deus. Deus está me mandando. Eu fico totalmente isentado de responsabilidade. Ao invés de dizer: "Olha, eu vejo por essa e por aquela razão que agora eu vou servir melhor em outra localidade." Ok, mas assuma a sua decisão. Só que não. A gente transfere para Deus. "Foi Deus, irmão. Foi Deus." Não é. Então, parece santo, mas não é tanto.

E veja os danos teológicos. Agora, eu vou falar de coisa mais séria. Olha os danos teológicos resultantes desse tipo de mentalidade. A gente gera uma visão distorcida de Deus. Por quê? Porque Deus parece brincar de esconde-esconde com a sua vontade. Parece que Deus está escondendo, assim, ó, e ele quer ver se você vai descobrir. Só que na escritura, ele é chamado de revelador. Essa ideia de Deus esconder a vontade dele e de você não combina em nada com quem ele é e como ele se mostra. É verdade que há coisas de em Deus que são escondidas. Ele fala: "Há coisas que estão escondidas, mas as reveladas são para vós e para os vossos filhos, é para vocês conhecerem bem e transmitirem às próximas gerações." Então, o nosso Deus é um Deus revelador. E quando a gente cria essa ideia de que a vontade de Deus é difícil e obscura, a gente distorce a visão do próprio Deus. Ele é maculado no seu caráter. Além do que, vida cristã parece gerar muitas incertezas, né? Como é que você sabe que você vai agradar a Deus? Você já teve a terrível experiência de comprar presente para quem você não conhece bem e agora ele vai gostar ou não vai gostar? Já pensou você chegar em todo culto dizer assim: "Senhor, não sei se hoje o Senhor vai se agradar, mas a gente vai tentar aqui." Turma ensaiou direitinho o louvor, se esforçando aqui, ó, fez o estudo da palavra, pessoal vai cantar o melhor que pode. Mas que terrível adorar um Deus que você não sabe se você vai agradá-lo. Isso é totalmente distorcido. A vontade de Deus não pode ser tão obscura assim. Inclusive, o nosso erro é achar que em situações em que as escolhas não são entre um certo e um errado, Deus só agrada se agrada de uma delas. Não, não é verdade que uma das decisões agrada o Senhor e a outra ele faz assim: "Ah, que absurdo." Não é verdade. O Senhor Deus levou apóstolos a pregarem para gentios e outros trabalharam mais entre judeus. E nenhum dos dois, ah, escolheu errado. Ambos fizeram aquilo que Deus queria deles, que era fazer discípulos de todas as nações. Então, é uma visão distorcida de Deus. A gente achar que tem muita coisa na nossa vida que a gente tem que descobrir o que o agrada, mas tem incerteza se, de fato, agrada ele ou não. Deus não se apresenta assim.

Segundo problema: uma visão distorcida das escrituras. A Bíblia é o livro que nós temos que conhecer. Mas a impressão que conhecer as escrituras não basta para agradar a Deus. É terrível você querer orientação especial da parte do Senhor naquilo que ele já revelou. Tem crente que acha bonito dizer assim: "Deus mostrou para mim que eu tenho que perdoar o irmão." Tá na palavra, querido. Você tinha que ler esse livro, tinha que ler esse livro, conhecer, comer esse livro. Mas que orientação especial do Senhor? Ele já mostrou. Não espere que o Senhor faça isso. Isso seria desprezar a revelação dele.

Terceiro problema: a visão distorcida da vida cristã. Fazer a vontade de Deus se fazer a vontade de Deus é algo incerto em que você vai na base da tentativa e erro. Isso gera ansiedade, como eu já falei, e aumenta o peso da responsabilidade por decisões erradas. Sabe, alguns sofrem muito quando eles não recebem a tal da confirmação divina. Para as decisões que eu mencionei aqui, são as pessoas mais inclinadas à ansiedade. Mas outros julgam que estão ouvindo Deus o tempo todo. Isso é uma inclinação à soberba. Os dois estão em perigo. Os dois desonram o Senhor com essa visão distorcida da vida cristã.

Então, a gente precisa corrigir várias coisas da nossa percepção da direção do Espírito. Vou dar um exemplo bem fácil de se guardar. Eu e você crescemos ouvindo da ideia de que a gente tem que descobrir a vontade de Deus. Não tem nenhum verso em toda a escritura que você tem que descobrir. Descobrir é tirar a cobertura. Quem tira a cobertura é o Deus revelador. Você não descobre. Efésios 5:17 fala: "Procurai compreender qual a vontade do Senhor." A vontade do Senhor você compreende, você conhece e apreende. Você não descobre. Quem descobre é o Senhor, e ele já a descobriu a você. Não é algo que você tenha que achar que ele não tenha descoberto a você. Então, entende como isso muda a maneira da gente pensar em vontade de Deus? Se ele já tirou o véu, se ele já descobriu, então eu tenho que conhecê-la. Antes do que eu mesmo buscar revelá-la, buscar descobri-la. A gente não deve ir atrás daquilo que Deus nunca intentou revelar. É importante que você saiba disso. O seu desejo é saber coisas que Deus não prometeu dar a conhecer a você. Isto é, ele não promete dizer para você que daqui a dois anos você vai estar nessa posição. Pode começar o negócio que vai dar certo. Ele não promete isso a você. Se ele prometesse, os fiéis não passavam por tropeços. Os mais crentes eram pessoas sem dificuldades. Mas esse evangelho não é o que a gente prega nessa conferência. Amém? Você sabe disso. Amém.

Então, nós não podemos ter uma teologia da vontade de Deus em que a gente quer que Deus revele aquilo que ele não prometeu revelar. O que ele quer que a gente conheça são os preceitos na sua palavra, que vão nos guiar por santos e sábios caminhos. O que Deus revelou é suficiente para o principal propósito de Deus para nossas vidas. Você deve se lembrar de um texto que fala assim: "A vontade do Senhor é esta: a vossa santificação." Essa é a vontade de Deus. Já pode chegar falando assim: "Ó, eu sei a vontade de Deus para sua vida." "É mesmo, irmão?" "Sua santificação." Tem muita gente que vai murchar assim, de sem graça. "Ah, essa aí eu já sabia." E por que isso não é suficiente? Por que que você busca ir atrás de outras coisas? Agora, talvez esteja perguntando assim: "Pastor, eu acho que eu tô entendendo. Senhor está falando. Acho que eu tô." Mas assim, a gente nunca pode pedir para Deus nos dirigir assim numa decisão sobre compra de um imóvel, sobre ter um outro filho, sobre colocar se, se o filho adolescente vai estudar perto de casa ou longe de casa. A, não pode nunca pedir para Deus essas coisas. Que dizer, das áreas específicas e subjetivas. É aí que a gente entra naquilo que a escritura chama de sabedoria. Sabedoria é a habilidade de aplicar os preceitos do Senhor às circunstâncias da vida. Uma pessoa sábia é aquela com quem a gente gosta de conversar quando a gente está meio assim, com nuvem na frente do nosso visor, parece que a gente não sabe para onde ir. Aí você conversa com uma pessoa sábia, você fala: "Uau, parece que eu vou embora." Por quê? Porque ela sabe. Ela sabe aplicar a palavra de Deus. Ela sabe discernir situações à luz da palavra de Deus. Essa sabedoria pode vir por meio de vários caminhos: quando a gente reflete sobre a palavra de Deus, quando a gente recebe conselhos de irmãos maduros, quando a gente suspeita das nossas motivações. Esses são caminhos que Deus usa para nos fazer sábios, tá?

Que eu quero fazer nesse último momento é mostrar um coração desejoso de buscar a direção de Deus e ser sábio. A gente vai gastar os últimos minutos agora olhando para o Salmo 25 e nos deleitando naquilo que o salmista nos ensina. Então, agora, com a sua Bíblia aberta, vamos ver o que que o salmista procura. Salmo 25 é um Salmo de Davi, de acordo com o cabeçalho dele. Ele às vezes é chamado de um Salmo de lamento, porque o salmista fala muito dos seus inimigos. Eu não li o trecho que vai do 15 até o 21, mas o tempo todo é: "Senhor, tenho inimigos, os têm laços, tem pessoas atrás de mim, tribulações, sofrimento. Considero os meus inimigos, pois são muitos, me abominam com ódio." O tempo todo ele está falando de inimigos. Então, ele é chamado por muitos estudiosos de um lamento. Mas eu acho que tem uma outra característica do Salmo que ressalta, e é essa que eu vou destacar hoje à noite: é o seu caráter didático. Outros estudiosos tendem a chamar esse livro de um, esse Salmo de um Salmo didático. Por quê? Porque ele tem uma linguagem muito própria de literatura de sabedoria, quando ele fala assim de caminho e vereda, várias vezes. Olha lá, versículo 4: "Faz-me, Senhor, conhecer os teus caminhos, ensina-me as tuas veredas." Versículo 5: "Guia-me na tua verdade." Versículo 8: "Bom e reto é o Senhor; por isso, aponta o caminho aos pecadores." Nove: "Guia os humildes na justiça e ensina aos mansos o seu caminho." Dez: "Todas as veredas do Senhor são misericórdia e verdade para os que guardam a sua aliança." Percebe quantas vezes fala caminho, caminho, veredas? E essa é linguagem típica de literatura de sabedoria. Provérbios, por exemplo, fala muito do caminho que o filho deve seguir quando ele ouve a instrução do seu pai. Então, esse é um Salmo bem didático. E para corroborar com essa ideia didática, ele tem uma, uma escrita no original hebraico que segue acróstico. Isto é, ele vai letra a letra do alfabeto hebraico do verso 1 até o verso 22. Isso não era incomum. O mais conhecido para nós é o Salmo 119, que faz esse acróstico, mas tem outros Salmos. Ao todo, oito poemas acrósticos. E eles serviam como espécie de artifício de memorização. Você sabia como é que começava o próximo verso. Então, se Davi está ensinando a vida de quem busca direção do Senhor, eu quero que a gente aprenda com a sua didática.

O Salmo começa dos versos 1 a 3 com uma súplica. Diz assim: "A ti, Senhor, elevo a minha alma. Deus meu, em Ti confio; não seja eu envergonhado, nem exultem sobre mim os meus inimigos. Com efeito, dos que em Ti esperam, ninguém será envergonhado. Envergonhados serão os que sem causa procedem traiçoeiramente." O que o salmista está dizendo aqui é que ele ora, ora ao Senhor, ele suplica ao Senhor em momento de angústia, porque ele sabe que Deus é totalmente confiável. Ele sabe que Deus é confiável. Ele sabe que Deus não o envergonha. Essa aqui é uma coisa bela para a gente aprender. Tem crente que vive com medo de ser exposto com respeito às bobagens que faz. E a gente devia ter medo mesmo quando a gente está em caminhos sem penitência. Mas o Senhor não quer expor aqueles que, de maneira contrita e arrependida, se voltam a ele. Não é intento do Senhor. Ele não envergonha aqueles que são dele. O prazer dele é fazer os contritos e arrependidos se aproximarem dele. Então, ele diz assim: "Senhor, eu elevo a minha alma porque eu confio no Senhor. O Senhor não me envergonha." Essa é uma oração muito bonita, porque a gente vai ver no Salmo aqui que ele tem pecado e pecado grande. Olha o versículo 18: "Considera as minhas aflições e o meu sofrimento e perdoa todos os meus pecados." Olha o verso 11: "Por causa do teu nome, Senhor, perdoa a minha iniquidade, que é grande." Então, o salmista está indo para o Senhor porque ele carece do Senhor, e ele sabe que o Senhor é confiável. Como eu já disse antes, só os que confiam no Senhor é que têm interesse em saber a sua vontade e ter direção dele. Então, a primeira palavra de encorajamento para você, se você se interessa nesse assunto, se você diz assim: "Pastor, eu sempre anseio saber a vontade do Senhor." Vou dizer para você: isso é um gosto de crente, tá? Isso é um gosto de crente. Crente é que quer saber a vontade do Senhor, é que quer conhecer a vontade do Senhor. Primeira boa lição e encorajadora lição que a gente tira desse Salmo.

Mas sem entrar em muitos detalhes, eu disse que dos versos 15 em diante, Davi fala das perseguições, das aflições. Versículo 20: "Guarda-me a alma e livra-me; não seja eu envergonhado." Verso 21: "Preserve-me a sinceridade e a retidão." Então, assim, ele sabe que ele está numa situação difícil. Tem gente que quer ver ele destruído, tem gente que quer ver ele envergonhado. E ele suplica: "Senhor, livra-me dessa exposição pública." Alguns intérpretes acham, inclusive, que Davi talvez tenha escrito esse Salmo na época do seu adultério com Bate-Seba. É uma possibilidade. E que pessoas poderiam usar isso contra ele. Mas observe o fato de ele estar sofrendo aflições faz dele mais carente de proteção e direção divina. Você já não percebeu na sua vida que os momentos em que você ora melhor é quando está doendo? Amém? Não é isso. É a hora melhor. Isto é, Deus te quebra, aí você fala com ele do jeito que você tem que falar com ele sempre. Então, a aflição, ela desperta em nós um senso de dependência maior, entendeu? Um senso de maior necessidade dele. É quando a gente está aflito que a gente se preocupa mais em obter cuidados específicos do Senhor, direção do Senhor. "Senhor, me livra de cair no laço do enganador, me livra, Senhor, me dirige." Inclusive, Jesus ensinou a gente a orar assim: "E não nos deixes cair em tentação, mas livra-nos do mal." Olha o pedido por livramento. Então, o salmista está orando assim porque ele está aflito. E quando a gente está aflito, nós ficamos mais sensibilizados no senso de precisar mais do Senhor. Essa é uma boa sensibilidade: a gente precisar do Senhor, a gente reconhecer que a gente carece mais dele.

Nos versos 4 e 5, a gente vê o que que ele pede. Qual é o cerne da sua súplica? Verso 4: ele diz: "Faz-me, Senhor, conhecer os teus caminhos, e ensina-me as tuas veredas. Guia-me na tua verdade e ensina-me tu, pois tu és o Deus da minha salvação, em quem eu espero todo dia." Perceba que o foco do Salmo está a súplica por direção. Por isso que eu escolhi esse Salmo para falar dessa mensagem de hoje, porque o salmista quer direção. Inclusive, ele usa quatro verbos distintos no original que visam se complementar, porque eles são praticamente sinônimos e eles são usados pelo menos duas vezes cada. Olha só: no versículo 4, ele fala: "Faz-me, Senhor, conhecer os teus caminhos." Ele usa esse mesmo verso no versículo 14: "Aos quais Ele dará a conhecer a sua aliança." O próximo verbo, ah, no verso 4, diz: "Ensina-me as tuas veredas." Ele vai repetir no versículo 15: "Ensina-me novamente." No versículo 9: "Ensina os mansos o seu caminho." Então, tem a ver com guiar, ensinar. O outro verbo é "guia", conduz, está no verso 5 e no verso 9: "Guia, guia, Senhor." E o último verbo é "instrui", traduzido por instrui. São quatro verbos diferentes no hebraico, mas eles são semelhantes e eles ensinam uma coisa pra gente. Eles revelam que instrução e direção estão muito ligados. Deus não dirige gente que não conhece a sua verdade. Entende? Você não tem que pedir direção do Senhor sendo um ignorante. A direção vem mediante instrução. Inclusive, porque esses verbos são citados de maneira complementar. O Senhor dirige, guia, aqueles, conduz aqueles a quem ele instrui, aqueles a quem ele ensina. É assim que ele mostra o caminho. Então, o salmista não está pedindo para Deus mostrar alguma vontade escondida. O que ele quer é ter uma conduta apropriada que se harmonize com os preceitos do Senhor. Isso aqui é uma direção que a gente sempre tem que pedir ao nosso Deus. Isto é, os que esperam no Senhor querem que ele lhes firme os passos. Essa é uma coisa que a gente tem que orar sempre. "Senhor, firma os meus passos." Um dos verbos no hebraico é muito bonito, da ideia de que Deus faz o caminho. Ele não só te coloca no caminho, ele rasga o caminho para você. Você, essa é uma maneira de Deus colocar você do jeito mais poderoso possível no caminho certo a andar. Não é, ele rasga o caminho para você andar nele. Então, ah, os caminhos, as veredas de Deus não são aquele plano escondido dele. Você e eu não somos encorajados por esse Salmo a buscar alguma coisa escondida e sim conhecer a sua verdade. É assim que ele nos guia: "Guia-me na tua verdade." A verdade dele é a sua revelação, é a sua santa e bendita palavra. Ele quer ser dirigido por caminhos santos. Essa é uma boa oração para você fazer: "Senhor, eu tenho uma decisão importante a tomar e o Senhor sabe das consequências. Me permita nunca, ou não me permita cair em laços de iniquidade. Me dirige por caminhos santos." Essa é uma boa oração para você fazer. "Me dirige por santos caminhos, Senhor. Eu quero fazer aquilo que honra a tua lei, os teus mandamentos."

Nos versículos 6 e 7, vem uma coisa um pouco incomum quando o assunto é descobrir ou ser guiado na vontade de Deus. Eu não vejo muitos livros falando como o salmista Davi falou. Ele diz assim: "Lembra-te, Senhor, das tuas misericórdias e das bondades que são desde a eternidade. E não te lembres dos meus pecados da mocidade, nem das minhas transgressões; lembra-te de mim segundo a tua misericórdia." O que é que ele está pedindo aqui? Ele está pedindo que o Senhor Deus o trate não segundo ele merece. Não segundo ele merece. Inclusive, se você tem a sua vida de oração esfriada quando você tropeça, entenda que a sua reação é totalmente contrário daquilo que o salmista faz aqui. Ele sabe das suas iniquidades, ele ainda se lembra bem dos pecados da sua mocidade, mas ele diz: "Senhor, não os considere. Não os considere." O que é que ele está orando assim? Ele está suplicando a um Deus que não, cujas misericórdias não contabilizam o pecado. Isto é, ele é temente a Deus. Lá em outro lugar, ele fala: "O Senhor guia aqueles que são tementes a ti. O Senhor instrui e abençoa aqueles que temem o teu nome." Ele é temente a Deus, mas isso não significa sem pecado. Então, o que é que ele faz na oração por direção? Ele quer que o Senhor Deus o perdoe. Queridos, e essa é uma bela maneira de juntar dois assuntos que normalmente não são colocados conjuntamente. Quem quer andar de forma santa, quem quer escolher bons caminhos, precisa dizer assim: "Senhor, limpa as coisas que eu já fiz. Isto é, apaga as minhas transgressões. Não considere os meus pecados." Ele pede isso. Ah, não porque ele é santo, mas porque Deus é bom. Quando a gente está mais contrito, o Espírito Santo está fazendo você orar melhor. Eu quero que você entenda isso. O Espírito já está te dirigindo, se você foi devidamente quebrantado. Ele já está te dirigindo.

Nos versos 8 a 10, a gente aprende que o Senhor é o mestre. Olha o que ele diz: "Bom e reto é o Senhor; por isso, aponta o caminho aos pecadores. Guia os humildes na justiça e ensina aos mansos o seu caminho." Aqui a ideia de que o Senhor é apresentado como o grande instruído. É bom. O Senhor guia o seu povo. E o seu povo, no verso 9, é chamado duas vezes da mesma palavra hebraica, que na nossa edição ao meio da Revista Atualizada traduz por "humildes" e "mansos". Mas, na verdade, é a mesma palavra. E ela, eu acho que no contexto do Salmo, talvez fosse melhor traduzida como "aflito", porque essa seria uma outra tradução dessa palavra: "aflito", "miserável". Então, quem é que o Senhor guia? O aflito e miserável. Esse é humilhante, entende? O humilde é bonito. "Senhor, guia os humildes." Aí parece que dá para bater até no peito. Mas "Senhor, guia os miseráveis." Aí a honra é toda do Senhor e nada sua. Então, eu destaco isso para você entender que o, o salmista está fragilizado. Ele ama o Senhor, mas o destaque dele não está no seu amor por Deus. Não é assim: "Senhor, sabe que eu sou um servo fiel, tenho seguido o Senhor, então me dirija." Não é isso. A ênfase dele é nas glórias do Senhor. Tanto é que no versículo 10, ele diz: "Todas as veredas do Senhor são misericórdia e verdade para os que guardam a sua aliança e os seus testemunhos." Todos os caminhos que Deus reserva para o seu povo, povo da aliança, são misericórdia e verdade. Essas duas palavras estão entre as mais belas ditas acerca de Deus. A palavra para misericórdia aqui significa o amor leal de Deus, o amor de aliança. Quando Deus ama, até quando você fraqueja, ele continua te amando. E ele diz: "Senhor, eu creio que todos os caminhos, todas as veredas que o Senhor tem reservado para seu povo, povo da aliança, são reto."

são misericordiosos provém do seu AM amor leal. O Senhor Deus é assim. Ele é Leal. Ele é fiel. São características que Deus com as quais Deus se apresentou lá no Monte Sinai no livro de Êxodo. Deus é fiel à suas promessas. Pactua. Ele é pastor e o bom pastor dá a vida pelas suas ovelhas. Ele não as deixa perdidas. Ele conduz elas pelo caminho. Você entende o que ele tá falando de Deus? Ele tá eh abrindo o seu coração e ele tá admirando o senhor que lhe guia. Ele tá louvando e adorando o senhor que lhe Guia.

Os caminhos do Senhor são uma designação das suas leis no sentido de que são caminhos bons. São caminhos retos. Como o Deus bom e Reto não nos trata segundo os nossos pecados. Então quando a gente suplica por direção santa e Graciosa calcados nas promessas de Deus significa que Deus cuida do Povo da Aliança. Conhecer a revelação da Aliança na palavra é fundamental para compreendermos a sua direção.

Último Ponto eu vou fechar. Versículos 12 a 14 ele vai mostrar a herança a homem que teme ao Senhor. Ele o instrui no caminho que deve escolher. Na prosperidade repousará sua alma e a sua descendência herdará a terra. A intimidade do senhor é para os que o temem. Aos quais Ele dará conhecer a sua aliança. O que que o salmista tá dizendo aqui de que para estes que vê ao Senhor com coração contrito aflito arrependido desejoso da sua direção ele tem reservado vida Próspera. Tanto a coisas que ele prometeu no caso do verso 13 a sua terra ao seu povo. Mas no Versículo 14 a sua intimidade. Isto é Deus não só prometeu terra pro povo. Ele prometeu a si próprio pro povo. Intimidade com o senhor.

A direção é resultado de intimidade concedida àqueles a quem eles se revela em aliança. Essa palavra intimidade ela é bastante interessante. Às vezes ela é traduzida como algum conselho secreto. Às vezes ela é traduzida como um círculo íntimo tipo uma assembleia. E é difícil saber do que se trata aqui. Mas eu creio que não se trata de Deus revelar planos escondidos do tipo assim vou te mostrar você daqui a 5 anos. Deus não é vidente para você. Tá aqui tem a ver com Deus se expor aos que são íntimos dele como revelando iluminando e certificando as verdades dele em seus corações. Você já teve o prazer de ler as escrituras e dizer assim eu já tinha passado por aqui mas eu nunca tinha visto isso. O senhor guiando você iluminando você e aquecendo o seu coração com a sua verdade.

A provérbios fala assim o senhor reserva A verdadeira sabedoria aos retos. Ele garante a seu povo isso. Eu amo o texto em que Jesus diz assim eu não tenho chamado vocês de Servos Chamo vocês de amigos porque o servo não sabe os detalhes da casa. Os amigos sab. Isto é os escravos não ouviam os planos e os intentos. Por isso que de vez em quando Jesus fazia alguma coisa ele chamava os discípulos e revelava a eles o significado daquilo que ele tinha feito. Por quê? Porque ele tem pacto com eles de dirigi-los de instruí-los. É disso que o Salmo tá falando. Aos tementes a Deus com quem ele entrou em aliança existe essa promessa de que a proximidade com o senhor L trará luz para suas escolhas e Elas serão abençoadoras.

Querido eu quero terminar dizendo o seguinte. Paulo usa uma expressão em romanos e em Gálatas de sermos guiados pelo Espírito. Tem muita gente que acha que aquela direção em que você o espírito fala vira esquerda no beco vira direita. Entenda bem o que Paulo tá falando. O que ele tá dizendo é antes você era cativo de outro senhor. Agora ele te colocou debaixo do senhorio do espírito. É disso que ele tá falando. O espírito agora seu senhor. Se ele é o seu senhor então você certamente é guiado por ele. Não entenda a direção do Espírito como uma coisa obscura como algo que é difícil de saber o que é. Rogue a ele que faça você sábio sábia para escolher com propriedade com prudência. Mas Deus não esconde o que ele quer que você saiba. Ele já revelou tudo que você precisa para viver uma vida agradável a ele. Creia nisso. Creia nisso. Seja alguém que é guiado pelo Espírito não naquela subjetividade perigosa que eu falei no começo. Mas em temor do senhor em ser sujeito a ele quebrantado diante dele carente dos cuidados dele. Eu tenho certeza que se você tiver essas características você já tá sendo muito bem dirigido muito bem guiado. Tenho certeza certeza. Então não tema a direção do Espírito não se angustie não seja ansioso ansiosa. Descanse no pastor que conduz muito bem o seu rebanho. Vamos [Aplausos] [Música] orar.