📱

Get Our Mobile App

Take your business learning on the go!

Download on the App StoreGet it on Google Play

Não estude filosofia sem ler estes 12 livros

Bárbara Torres8:44

Transcription

Olá, olá. Eu quero falar com vocês sobre algo que sempre me pedem. Bárbara, quais são os livros que eu não posso deixar de ler nessa vida? E eu me incomodo um pouco com esse pedido porque depende muito, né, do que você está vivendo, dos seus gostos. Eu sei que para muitos existem livros que são chatíssimos, que eu gosto, e tem livros que outras pessoas leem que eu corro para longe e a vida funciona dessa forma.

Então, por isso, eu decidi fazer uma série de vídeos falando sobre quais livros todos deveriam ler. Você pode até ler para não gostar, mas que fizeram parte da minha formação. E eu espero que faça parte da sua formação também, porque me marcaram demais.

Existe uma perda muito forte acontecendo na nossa formação intelectual e que não tem muito a ver com essa falta de acesso à informação, mas com a forma como os clássicos da literatura e da filosofia foram sendo deixados de lado sob uma ideia de que são livros antigos, difíceis ou principalmente distantes da realidade atual, quando na verdade o efeito do tempo faz exatamente o oposto com essas obras. Porque quanto mais a sociedade muda, mais esses livros ajudam a entender padrões que se repetem, [música] comportamentos humanos que não se alteram tanto quanto parece e estruturas de poder [música] moral, de pensamento crítico, continuam operando com outras roupagens.

Então, o senso crítico, ele não nasce de uma repetição de opiniões, na verdade ao contrário, ou até mesmo de um consumo acelerado de conteúdo. Ele nasce do contato com ideias que exigem atenção, que não se explicam sozinhas e que obrigam o leitor a desacelerar para refletir e começar a sustentar algumas ambiguidades que apresentam. E é por isso que os clássicos seguem sendo fundamentais, não necessariamente porque trazem as respostas da nossa vida, mas porque eles ensinam a fazer perguntas melhores. Aprendi isso com professor meu.

Quando alguém diz que esses livros não são atuais, normalmente tá confundindo atualidade com superficialidade, porque os problemas centrais tratados nessas obras continuam vivos apenas com novos nomes, novas tecnologias ou novos discursos.

O primeiro que eu não podia deixar de colocar aqui é a República. A República de Platão é um exemplo claro disso, porque apesar de ter sido escrita há mais de 2.000 anos, ela fala sobre temas que a gente vê todos os dias, como, por exemplo, a relação entre poder e verdade, o papel da educação na formação das pessoas e até mesmo a facilidade com que as sociedades aceitam versões confortáveis da realidade. E ao acompanhar os diálogos propostos por Platão, nós leitores, nós somos constantemente levados a questionar o que considera justo, natural ou inevitável. A gente começa a desenvolver mais senso crítico, principalmente por perceber que muitas convicções elas são construídas socialmente e não surgem de reflexão individual.

Já no livro Éticao, Aristóteles muda o leitor desse pensamento mais rígido e ele mostra, ele começa a observar a vida prática, mostrando que agir bem não depende de regras absolutas, mas a capacidade de avaliar situações concretas, ponderar consequências [música] e até mesmo assumir responsabilidade pelas próprias escolhas. algo que treina muito o nosso pensamento crítico, porque a gente impede julgamentos automáticos e começa a fazer sempre uma análise de todo o contexto apresentado.

Outro livro que tá na moda, fala mal, mas que é muito bom é Meditações de Marco Aurélio. Ele não é um manual de autoajuda, como muitos acabam encarando, mas ele mostra um registro íntimo de alguém que tá tentando governar a si mesmo antes de governar os outros. E ao ler esse livro, nós começamos a ter uma reflexão sobre controle emocional, sobre vaidade, sobre medo do julgamento e uma impermanência. Eu sempre aprendo com esse livro a distinguir o que depende de si e o que depende e o que está fora do meu próprio alcance. Essa é uma habilidade essencial para não ser conduzido cegamente [música] por opiniões externas.

E claro, eu não poderia deixar de fora o livro O Príncipe de Nicolá Maquiavel, porque ele continua sendo muito atual. Ele vai rompendo, né, com as visões ingênuas sobre liderança e poder e mostra como que as decisões políticas e institucionais raramente seguem princípios idealizados. E quando a gente começa a entender isso, o leitor ele desenvolve a capacidade de analisar discursos, promessas e ações com mais realismo, sem deixar se levar apenas pela aparência moral.

Agora, Anite, ele aparece como um divisor de águas ao longo de todo esse processo, tanto no livro Assim falou Zaratrustra quanto em genealogia da moral, porque ele força o leitor a sempre ficar investigando a origem dos valores que costuma aceitar sem questionamento, desmontando aquelas ideias herdadas sobre bem e mal, culpa [música] e virtude. Nesse confronto com a própria base moral desenvolve uma autonomia intelectual gigantesca, já que impede essa adesão automática a códigos que já são prontos.

Outra obra que explodiu a minha mente foi de George Orvell na obra 1984 e também na revolução dos bichos, porque ele mostra como a linguagem, a propaganda, o controle da informação podem moldar a percepção da realidade, ensinando sempre o leitor a desconfiar de discursos oficiais, slogans e versões únicas dos fatos, o que é essencial [música] para qualquer pessoa que queira desenvolver pensamento crítico em ambientes altamente midiáticos.

Outro livro sensacional que eu acabei de reler foi do Aldos Husley, em admirável Mundo Novo. Ele mostra [música] uma visão que ao mostrar uma sociedade controlada, não pela força, mas pelo conforto e pela distração, mostra como o excesso de prazer e facilidade também pode enfraquecer a capacidade crítica. Esse para mim é um dos mais atuais, sem dúvidas.

Agora, Dostoyevski, né, tem várias obras sensacionais. Gosto muito de crime, castigo. Tem um vídeo completo aqui falando sobre os irmãos Karamazov e Memórias do Subsolo, que ele mostra vários conflitos morais, racionalizações internas, contradições humanas com uma profundidade gigantesca. é muito muito profundo. E a gente começa a se questionar de justificativas fáceis [música] e começa também a observar como ideias podem ser usadas para mascarar impulsos racionais.

Agora, outro livro de Vran Cafta, O processo, ele vai mostrando um mundo que é muito burocrático e absurdo, onde a culpa existe sem uma explicação clara, treinando sempre essa sensibilidade crítica para reconhecer sistemas opressivos que se sustentam pela confusão e pela submissão.

Agora ainda pro fim, tem o José Saramago em Ensaio sobre a cegueira, que utiliza uma metáfora radical para expor fragilidades éticas, sociais [música] e políticas, mostrando como a ausência de reflexão crítica pode levar à desumanização coletiva. Ou seja, quando eu li todos esses livros, ele não necessariamente vai te tornar uma pessoa mais inteligente, mas ele começa a te fazer a criar atrito suficiente para que o seu pensamento amadureça, porque eles não entregam conforto, né? tem uma complexidade ali. E é justamente por isso, desse contato com ideias difíceis que o nosso senso crítico se forma e se fortalece ao longo do tempo.

Bom, espero que você tenha gostado de todas essas dicas e se você quiser mais listas de livros dessa forma, eu vou trazer, porque eu confesso que eu gosto mais de me aprofundar em cada leitura assim que eu finalizo ou que eu relembro que foi muito importante na minha trajetória. Se você gostou, não esqueça de comentar aqui qual é o seu livro preferido que desenvolve mais o senso crítico. E também não se esqueça de se inscrever no canal, me seguir em todas as minhas redes sociais e também vou deixar disponível aqui as minhas duas mentorias, uma de oratória e outra sobre posicionamento digital, tá bom? Um beijo e até a próxima, pessoal. Ciao. Tchau.