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"Cruzada". Documentário de Gabriel Zagury sobre a Cruzada São Sebastião (LeMetro, 2013)

Marco Antonio da Silva Mello1:31:01

Transcription

[Música] O local da favela pode ser bonito, mas além da falta de higiene, às vezes há perigo de [Música] desabamento. Felizmente, a favela carioca é algo que tende a desaparecer de nossa realidade. O governo federal, através da Xan, vem ajudando as autoridades estaduais a resolver o problema. O lema é demolir para [Música] mais de 50 novos conjuntos residenciais foram erguidos, proporcionando condições melhores a 35.000 famílias antes marginalizadas e vivendo em condições. Agora, vida nova sem favela. Já foi demais, mas olhem bem vocês. Quando devem vez ao morro, toda a cidade vai cantar, vai cantar, vai cantar, vai cantar, vai [Música] cantar.

A Cruzada São Sebastião é um conjunto habitacional construído no Rio de Janeiro em 1955, por iniciativa de uma associação de mesmo nome, fundada por Dom Hélder Câmara. Seus 10 blocos de sete andares, com apartamentos de 18, 24 e 36 m², abrigaram inicialmente 916 famílias vindas das favelas da Praia do Pinto e da Ilha das Dragas, ambas localizadas no bairro do Leblon. Atualmente, em seus 966 apartamentos, moram em torno de 4.000 pessoas. O objetivo de Dom Hélder com a construção dos prédios da Cruzada era melhor atender os moradores das favelas que, na época, se viam constantemente ameaçados por uma política que prometia removê-los para locais antes daqueles onde haviam se estabelecido.

Essa política de erradicação das favelas da cidade foi definitiva e, truculentamente, posta em prática entre 1962 e 1974, durante os governos Carlos Lacerda, Negrão de Lima e Chagas Freitas. Foi uma verdadeira diáspora urbana forçada. 140.000 moradores, provenientes de 80 favelas, submetidas a essa política de triste memória na história urbana carioca, foram arrancados de seus lares da noite para o dia, escorraçados, transportados em caminhões de lixo, seriam lançados nas periferias desassistidas da cidade.

Quanto aos residentes da Praia do Pinto e Ilha das Dragas, uma parte destes foi levada para o bairro de Bonsucesso, originando os vilarejos de Nova Holanda, para a recém-construída Cidade de Deus em Jacarepaguá. Houve ainda aqueles que foram parar em Cordovil, nos apartamentos da Cidade Alta, às margens da imponente Avenida Brasil. Outros, menos afortunados, ainda foram arranjar-se em cubículos de 15 m², construídos pelo poder público em Vila Paciência, Santa Cruz, ou alojar-se no proverbial CH2, Conjunto Habitacional Provisório, na insalubre baixada de Manguinhos. A Cruzada São Sebastião foi o único destino que lhes coube na Zona Sul da cidade, região mais nobre do Rio de Janeiro, graças à peleja sustentada pelo arcebispo auxiliar contra a avidez do capital imobiliário, associado aos interesses particularistas de políticos mesquinhos.

Finalmente, em 1969, a grande favela deixou de existir. Foi um incêndio que colocou um ponto final na sua história. O drama vivido por seus moradores naquele dia ficou conhecido por toda a cidade. A favela da Praia do Pinto, às margens da Lagoa Rodrigo de Freitas, com seus 105.000 m², foi reduzida a cinzas.

[Música] J [Música] [Aplausos]

Que, que cena. Lembra da favela? O que mais te faz lembrar a favela? Ah, o que faz me lembrar a favela, eu sabe, eu acho que aí foi o sofrimento, porque ali a gente, por fim, não tinha mais condição de sobrevivência, sabe? Sabe? Ela estava muito ruim mesmo. Chovia, toda vez que chovia, enchia tudo os barracos da gente. Era tudo alagado, tinha muito inseto, muita, sabe? Não, ali não tinha mais condição da gente viver, não. A gente sofria muito. Nós demos graças a Deus quando tivemos que sair de lá, sabe? Que ali nós tivemos história muito difícil, muito triste para contar, sabe? A gente foi ter um pouquinho, melhorar um pouquinho depois que nós viemos para aqui. O que nos atrapalhava na Praia do Pinto era falta de estrutura, falta de saneamento básico. As nossas casas não valiam nada. A gente começava a escurecer, nós já ficava pensando: "Ah, meu Deus, as águas vai entrar na nossa casa, nós vamos ficar sem nada." Um barracão perto um do outro, todos de madeira, né? Não tinha, não tinha casa de, e coberturas de cimento naquela época, não tinha amianto, era zinco mesmo, né? Algumas telhas daquelas telhas antigas, né? Telhas francesas. Saneamento básico nenhum. Muita, muita chuva enchia, né? A pessoa para ir no banheiro para defecar na coisa. Crianças faziam na lata de tinta, faziam, ia jogar lá na beira da lagoa. Senão jogava por cima do barraco. Cantava aquele em cima do barraco, já era. Pegava jornal, fazia e jogava lá em cima do barraco. O meu barraco era tão ruim, mas tão ruim, eu conto para meus netos, meus netos morrem de rir. Eu tô dormindo, tô deitada, de repente, de repente, vem um cara lá, pufo, pá, puxa minha coberta. Eu acordo espantada, baa. Uma ratazana desse tamanho assim, ó, estava dentro da, dormindo assim, num colchão de lona, em cima de uma cama assim, um paninho leve, forrada, lona, até me espetando, e eu procurando lugar para deitar. Pequenininho. Essas coisas. Menino. Sabe? Aquilo faz. Olha, destelhou tudo. As orações, a água veio batendo e, ah, aquele tremor assim, foi bravo. A isso que me marca, entendeu? Outra vez também que me marcou muito, a minha mãe não estava dentro de casa, a ratazana pariu em cima do, do, não tem aquela, aquelas vigas de madeira, pra, é, a viga da casa. A ratazana acho que pariu ali em cima, no, na junção que fazer, era pau cruzado assim. Então acho que ela ficou ali. Menino, aí caiu os bichinhos. Ah, eu botei a mão assim na cara, cheio de sangue ainda da, da [ __ ]. Eu falei: "Ah, aquilo me marcou, pô." E depois você entrava dentro no apartamento com tudo. Você olha de chama, botando na moça, e vinha com fogãozinho e tudo. A gente cozinhava no fogão de querosene, se você quer saber. Fogão de querosene. A gente, fogão de carvão. O ferro era de carvão. Me lembro disso tudo. Então isso marca gente. Eu cheguei aqui lá pro lado de 52, 53, por aí, e fui morar na favela da Praia do Pinto. Não foi uma vida muito boa também, não foi muito complicada na favela, não. Quando veio aqui a, a, a Cruzada São Sebastião, falada, né? Nós tivemos a infelicidade, já estava sendo construído aqui os prédios, de queimar parte onde a gente morava. Pegou fogo, queimou tudo. Eu praticamente fiquei só com duas roupas que estava no corpo. Só consegui tirar uma porque o fogo já estava queimando lá, né? Cento também foi uma coisa assim polêmica, porque foi assim, a Praia do Pinto pegou fogo, mas dizem que foi um botijão de gás que explodiu num barraco e aquilo semeou a favela toda. Foi um barraco que era um barraco pertinho outro de madeira, né? Meu filho, foi o pessoal gritando, aquela correria, aquela correria, aquele tudo. Aí da do bombeiro, botava água assim, não sei que tem dispositivo que tinha dentro da água, tinha alguma coisa. O barraco voava tudo para cima em questão de, de segundo. Do Pinto acabou, pegou fogo. Chamaram bombeiro, em vez do bombeiro parecer que ia apagar o fogo, parece que o fogo subia mais. Eu tinha três filhos. Então eu acordei apavorado com aquilo, larguei a casa, vim embora. Meu marido: "Você não vai levar nenhuma menina dessa aí." Eu falei: "Foi que eu lembrei que eu tinha aqui." Voltei para pegar as cri. Nossa, mas eu saí sozinha. Fiquei doida. Vi fogo. Não, não, não. Fiquei louca. Falei: "Nossa, mãe, meu Deus, nunca tinha visto fogo, nunca tinha morado em favela, que eu morava no emprego, né? Não conhecia favela." Falei: "Meu Deus, que barulho é igual caixa de fossa que pega fogo." Tu quando eu vi o tamanho do fogo, fiquei doida. E eu lembro isso com muita nitidez, que era a minha mãe segurando na minha mão, né? Ali, e na esquina do, do clube Pai Sandu, e eu vendo o bombeiro jogando, eh, água para apagar o incêndio, e os barracos pegando. Foram as pessoas saindo de forma, eh, eh, eh, desesperada da, da, da favela, né? E aí, eh, tem um, um dado que todo mundo fala, e eu não vou deixar de falar, que criou-se um, um, um, um, um, uma lenda de que esse incêndio foi o incêndio que cada vez mais que o bombeiro jogava água nos barracos, mais fogo pegava, né? E, de forma inexplicável, foi esse o incêndio que culminou com o término, término da favela, né? Favela terminou exatamente depois desse último incêndio. E não por um acaso, num período, né, que havia uma política de remoção das favelas da Zona Sul do Rio de Janeiro, né? Havia uma, uma, uma valorização dos terrenos no Leblon, e certamente a favela da Praia do Pinto, ela não cabia mais no Leblon, no bairro do Leblon, que já, já, já era o início desse bairro chique e famoso que a gente vive hoje em dia, né? E quando o fogo pegou, o pessoal corria para onde? Olha, foi vários lugares. Correram para vários lugares, porque o fogo pegou até do lado de lá. Então corria para fora, para a rua. Aqui, a rua Humberto de Campos, e ficou todos no Humberto de Campos com os móveis na rua. Dias, acho que ficou quase uma semana na queima dos barracos. Os móveis das pessoas ficaram todos nessa rua. Móveis. E algumas pessoas moraram na rua, período pouco mais. Morar na Cupertino, aqui na Humberto de Campos. Ficou os móveis todo aqui na rua, que as pessoas iam lá, quebravam o barraco e traziam o móvel aqui para a beira da rua. E aqui não veio fogo. Então ficaram os móveis emparelhados de um lado do outro. Aquele monte de móveis. As pessoas botavam aqui. Como é que sabia de quem era aqueles móveis? Ah, era separava um pouquinho, né? Botava aí um, uns 20 cm de cada um.

Aqui, nesse pedaço aqui, que a gente tem, era uma das entradas da Praia do Pinto. Ó, entrava por aqui, onde tinha os barracos de um lado e de outro. E aqui toda era Praia do Pinto. Aí é Birótica de quem? A Birótica do BID. Ali em cima era Birótica do BID, famosa essa Birótica. É exatamente. E aqui a entrada da Praia do Pinto, porque aqui tudo era barraco. E exatamente mais ou menos nesse ponto que eu vou parar agora, é que teria a minha casa, casa dos meus pais. Foi exatamente mais ou menos nesse ponto que a casa dos meus pais está. Mais ou menos. Vê nessa praça que a gente vinha de lá para cá, e era um bom pedaço que andava. Então, nesse ponto, mais ou menos, estava a casa dos nossos pais. É de repente, aqui onde tem aquela pera. Aí aqui, de repente, perto dessa árvore ali, no teria a barraca do português. Português vendia o quê lá na barraca dele? Ah, vendia uma série de coisa, tudo, tudo que tinha direito. E o barraco do português era um barracão, aí era uma coisa bem mais feita, né? Bem mais feita. E o seu barraco, como é que era? Não, o barraco era podre, podre, altamente podre. Não tinha condições de ter um barracão. E ali na frente está o Hospital Miguel Couto. Muitas senhoras não teve tempo, ia para o Hospital Miguel Couto, e às vezes não tinha tempo de chegar ao hospital, que a entrada é logo ali. Acabava dando a luz a criança aqui mesmo na pracinha. E daqui pulando para lá. Às vezes não tinha tempo. Quem faz esse parto? Ah, às vezes a pessoa que estava com ela, mas foram poucos casos, poucos casos. Isso aqui por dentro aqui era o gasômetro. Aqui dentro, que são os prédios de alto luxo que foram construídos depois. Então, essa era a favela. Aqui era muito grande, enorme. Tinha outras favelas em volta, tudo isso era favela, tudo isso era favela. Toda essa área aqui. Por isso que chamam isso aqui de Favelão. Se de repente, sim, né? Não sei quem titulou, mas de repente, sim. Se falar que é Favelão, eles viram bicho, mas era Favelão mesmo. Ali era favela, Praia do Pinto, é Praia do Pinto. Todo mundo ali metido da besta, Madame, e tudo, mas é Praia do Pinto, Favelão. A favela já acabou. Estão aqui de Favelão. Praia do Pinto, aqui não é Praia do Pinto. Não, estava de pé. Ah, a Praia do Pinto era isso aqui tudo. Vamos que vamos dizer o seguinte: aqui é aqui a Grande Campos. Então você vê, nessa época, ainda não tinha acontecido da catástrofe do incêndio. Na minha opinião, foi criminoso. Não vamos nem falar nisso. Deixa para lá. Aí o pessoal, cadê, cadê a Selva de Pedra? Cadê a Selva de Pedra? Isso. Então, aí isso aqui tudo era Ilha das Dragas. Tá vendo? Você ainda dá para ver a ponta aqui. Já é a Cruzada. Tá vendo? Errar. Quando eu me mudei aqui para a Cruzada, adivinha o que que foi minha mudança? Eu conto para eles, morrem de rir. A minha mudança foi carrinho. Não sabe? Não sabe? Se carrinho de obra, carrinho de, foi uma trouxa, um bujão de gás, uma trouxa, um bujão de gás, um fogão. Porque eu sou uma das primeiras que mudei. 5 de janeiro de 57. Eu fiquei com muito medo, não sabia. Tudo escuro aqui, não tinha nada. Tudo aqui, não tinha um morador. Era só os apartamentos em obra. Aí eu fui, tive o privilégio de vir, mas com muito medo. Eu tinha 18 anos. Era a mais nova. Dom Hélder falou assim para mim: "Essa é a mais nova que vai mudar." Aí eu virei e falei assim: "Ah, meu Deus, será que eu vou conseguir? Será que eu vou morar 15 anos para pagar? Como é que eu vou pagar? Ai, meu Deus." Chorava dia e noite. Aí depois fechei o apartamento, voltei para a Praia do Pinto, fiquei uns tempos na minha mãe de novo, até eu me adaptar. Aí depois eu voltei, voltei para a Cruzada. E aí fiquei, tô até hoje. Esses anos todos, criei filho, neto, já tô na terceira geração na Cruzada São Sebastião. Não existe lugar melhor do que isso. Eu vi cá Cruzada com 5 anos. Mesmo assim, a favela ainda continuou, né? Algumas famílias ainda ficaram lá, porque a Cruzada não conseguiu demandar o número de família que tinha na favela da Praia do Pinto, que era muito grande, era bem extensa, era uma das maiores favelas da época, né? Eu tenho essa alegria, entendeu? Tenho isso aqui como, como quem sonha mesmo, porque só sabe quem viveu na Praia do Pinto. Eu vi muitas mulheres ir lá para a Sambaíba, lá pro alto Leblon, trazendo lata de água na cabeça. Tinha que vender água para poder sobreviver, entendeu? E depois, hoje, a gente vê o chuveiro caindo, a torneira. Gente, gente podendo lavar, tomar banho com a água. Poxa, isso. Eu, eu dou esse valor todinho. Tem graças a Deus, sabe? Essa gratidão a Deus me faz brotar todos os dias quando eu falo da história da Cruzada. Como é que foi? Vocês nasceram na Cruzada? Eu já sou nascida aqui na Cruzada, sou de 72. Então a Cruzada já tinha um tempo já de criada, né? E você? J. Não, a gente, no meu caso, eu morava no primeiro andar com mais, era meu pai, minha mãe, mais dois irmãos, mais minha avó, minha tia com mais dois filhos. Quantas pessoas dormiram hoje aqui? Meu filho, igual, igual sardinha na lata. É, é, é a Raquel, Rael, Berão e o Alan. E a, a Alana já é de casa. Aí tem a, chegou a Rita, a filha dela, com o nenenzinho e o marido. É agora, só não ocupa a minha cama, a minha sagrada. Ninguém deita na minha cama, só eu e minha neta. Só nós dois. Ninguém. Se tiver apertado, onde quiser, minha cama. Se a família fosse uma família pequena, ela iria morar em kitnet, um pouquinho maior. Ela morava num apartamento de quarto e sala. E as famílias maiores, elas vinham morar aqui nos três últimos blocos, que tem dois, dois quartos, sala, cozinha e banheiro. Então as famílias aqui, teoricamente, né? Elas são famílias maiores, as famílias que estão, eh, que moram nos últimos três blocos são as maiores famílias da Cruzada São Sebastião. A medida que a família ia aumentando, iriam remanejar essa família nos apartamentos maiores, que foi o meu caso, caso do meu pai e da minha mãe. Quando nós morávamos aqui no segundo bloco, no sétimo andar, nós já éramos o quê? Já éramos seis pessoas. Aí a irmã Eni tirou uma pessoa que estava ocupando o apartamento dos dois quartos, que não tinha tanta necessidade, passou para o conjugado e nos passou o apartamento de dois quartos. Rapaz. E aí a população da Cruzada vai crescendo, né? E ela cresce para dentro dos próprios apartamentos, né? As pessoas, é óbvio, pela infraestrutura de morar na Zona Sul, as pessoas não mudam da Cruzada. Elas casam e continuam morando no próprio apartamento, que convive a vida toda com mãe, com avós, com tios. E a grande utilização do espaço é aqui, a rua, né? Até para poder aliviar um pouco essa questão, as pessoas vêm para a rua fazer o quê? E aí a gente fala o seguinte, quando você passa ali, olha da Cruzada, é uma população de afrodescendente enorme, parada aqui no meio da rua, no centro do Leblon. Há um contraste enorme entre essa população de afrodescendente da Cruzada com o restante da população do Leblon. [Música] [Aplausos] [Música] [Música] Não, não. Esse é o Pap. [Música] [Música] BR. Também você quer que BR? [Música] [Música] [Aplausos] Alface. Manda logo. Tá, pelo menos alface. Pelo menos a alface. Você manda logo. Como é que você vê essa quase falta de individualidade que tem entre os moradores da Cruzada? Você abre a janela, você tá no corredor do outro cara. Do outro lado, tá dentro da tua casa. Como é que você vê isso? Isso te incomoda? Você acha isso legal? Às vezes me incomoda, às vezes incomoda, porque você não tem privacidade, né? Suro que você for fazer, até falar um pouco mais alto, o vizinho ele chega na janela para perguntar por que você está falando alto. Ali, a menina já abriu a janela três vezes para ver por que que você está com esse microfone aqui gravando e eu falando, entendeu? Essa coisa, você está dentro da sua casa. É Big Brother, Big Brother, aqui é total, né? Total. A gente dorme de janela aberta, cortina aberta. E mora olhando aqui. Nunca, nunca, nunca tivemos problema de alguém fechar ou abrir, porque você abriu a janela, tá achando que está olhando para dentro de casa. Não tem como, não tem como. Ó, por exemplo, eu estou sempre com a minha cortina fechada. Só quando está, quando bate um solzinho que eu quero botar qualquer coisa, uma toalha para pegar um sol, que eu abro. Então, a minha janela, aí aquele prédio, os fundos dele já dá para a minha janela. De repente, as pessoas para ali. Muro que tem que parar mesmo, porque ali é o muro que pertence ao corredor que pertence ao prédio, né? Aí de repente, ele dá de cara com a minha janela aberta, porque já os prédios já foram construídos assim. A gente acaba se adaptando, né? É uma privacidade assim, comunitária, mais ou menos. Ah, eu tenho os negócios. Estava aqui, eu não estava, estava lá no Almi. É, eu tenho coisa para te contar. Fui comer caruru. Vamos [Música] enviado. Todo mundo frente. Eu fiz essa porta e fechei para ficar mais individualizada minhas coisas. Então, aqui estão as minhas coisas. Antes era um espaço público, daqui até o canto. Aí o morador do canto, o que que ele fez? Pegou e fechou pedaço dele de corredor, virou casa. Morador dos cantos, todos eles. Então ele ganhou 6 m de casa a mais do que eu, que ele fechou lá. Aí ficou isso aberto, mas também ficava muito devastado. Você não podia deixar uma roupa na corda, porque você mora na escada e não tem elevador. Que que acontece? As pessoas têm que subir e descer por aqui. Então sobe os vizinhos, sobe os amigos, e pode subir também pessoas que você não sabe quem é. Por isso que tem as pessoas começaram a fechar as portas para poder deixar a planta, deixar as lixeiras, deixar a garrafa vazia, deixar a bicicleta na porta, porque antigamente você não estava no corredor. Qualquer um podia descer e subir aqui. Eu, uma vez, eu lavei as calças dos meus filhos. Foi a única vez que eu fui roubada na Cruzada. Eu levei um monte de calça jeans deles e botei tudo para secar aqui. À noite, quando eu vim de manhã, não tinha nenhuma. Foi a única vez que levaram alguma coisa minha da Cruzada. [Música] [Música] Pode me dar um toque falando vocês aí. [Música] Vamos conhecer sua casa. Novo. [Música] Prazer. Desculpa aí a a confusão, a bagunça. Aqui é minha sala, né? Que, na verdade, essa aqui é uma junção de dois apartamentos. Aqui é a sala do 608. Nós abrimos aqui. No caso, antes tinha aqui uma, um banheiro e uma cozinha. Ali a continuação no corredor, né? Nós trocamos a posição somente do banheiro. Aqui passou a ser o banheiro do 600 e que era o 68, passou a englobar o apartamento 607. Que aqui já sairia a sala do 607 ou um quarto, como muitas pessoas têm, né? Que seria o quarto de fundos. Aqui seria o meu banheiro do apartamento 608. Aqui seria o caso, a continuação, estava falando que era o quarto do 607, que virou a minha cozinha. E tem uma área pequenininha que a gente, nós aproveitamos um pedaço do corredor e fizemos uma área. Esse aqui, no caso, é o quarto dos meus filhos, que seria o quarto do apartamento 608. Não é modificado, é o original dele, é esse aqui mesmo. Aqui nós já estamos entrando no 607. E aqui, no caso, seria o original, o quarto do 607, que hoje é meu quarto. Vocês me pegaram de surpresa, mas me sinto à vontade. Mas tudo bem. Acho que não vou dizer que seja uma casa de luxo, mas é uma casa habitável, tranquila, uma casa assim, para o nosso ver, uma casa confortável. Meus filhos têm um quarto. Dentro, tem um espaço deles. Eu tenho meu espaço de bagunça. Eu tenho meu quarto individualmente, que muitos apartamentos não têm aqui na Cruzada, como tem prédios no Leblon também que não têm isso. E eu posso ter o privilégio de morar na Cruzada e ter isso, né? Ser proprietária. Na verdade, já está filmando tudo, gente. É, já aqui já combinamos. Vamos chegar filmando. Pode entrar. Como é que é seu nome mesmo? Vânia. Você apresenta o apartamento pra gente. Como é que funciona? Apresento. Pode entrar. Aqui as crianças estão brincando. A cara delas. Elas estão brincando. Tá aqui, estão jogando creme pro rosto. Deixa eu ver o que sai. Amostras de perfume para a pessoa ver qual que gosta mais. Creme, sempre tem alguma coisa para passar nas mãos, no corpo, entendeu? E maquiagem. Eu comecei montando tipo um varal, fazia tipo uma mesa e ia fazendo, colocando as coisas em cima. Aí um vizinho meu daqui, mora lá no canto, me deu essa ideia. Aí comprei algumas coisas mais e todo fim de semana eu boto. As vendas melhoraram com certeza. Pessoal passou a conhecer. Eu pouco vendia aqui, vendia mais no trabalho, na rua. Pessoal começou a vir aqui fim de semana. BR. [Música] [Aplausos] [Música] Patrícia. Um, dois, três. Vai, rala, vai, rala, vai, rala. [Música] Também, ok. Mais lateral. Abre, tia. Bem, ele tá meio chorinho. [Música] Tamanhos. Ah, as crianças me chamando. Vi ch, ch, ch. [Risadas] Col. Criar simpático. [Aplausos] Como é que começou essa loja? Olha, já começou, já tem mais ou menos um ano e meio. E através assim de, da dificuldade do emprego, e eu decidi e comecei. Eu já revendia lingerie, e depois de um certo tempo, a pedido dos próprios clientes, para comprar, trazer blusa, roupa, porque geralmente, tipo assim, tem muita grife. Jorge, e através assim, tem muita grife aqui perto. Então o pessoal estava querendo até uma roupa que esteja na vitrine, mas não tinha condições de ir atrás para comprar. Mesmo porque, até então, eu vendo na confiança. E na loja não faz isso. Jardineira. Agora tá na moda. Jardineira tá na moda. Tá na moda. E tem vários, vários outros modelos. Aí tem vestido, blusa, saia. Tem vários modelos de vestido de menino, de menina. Alguns modelos de bermuda e saia. Esse é outro modelo de jardineira. Essa é a blusa da borboleta, que está na febre. Tem a blusa e tem os macacões. [Música] Também. E quem é o público frequentador dessa loja? O forte mesmo é aqui dentro, mas muitas pessoas de fora já estão vindo. De acordo com, assim, uma amiga compra, leva pro trabalho, ou senão ela vai vestida, a pessoa gosta. Então todo mundo sempre pede. Hoje mesmo, eu já vendi umas cinco peças assim, nem conheço as pessoas, e elas encomendam, me ligam. Tem um cartãozinho também. Eu também disse assim, não podia abusar de chegar e botar uma loja sem procurar saber se realmente eu poderia fazer isso. Então, tipo assim, eu fiz tipo assim, com permissão. Tanto que me deram o alvará e com a legalização assim da CEAB também, que eu, foi a primeira coisa que eu fiz, foi na CEAB perguntar o que eu poderia fazer aqui. Aí na CEAB, eles me orientaram que eu podia fazer, desde que eu não usasse o apartamento todo como como loja, e que eu não atrapalhasse ao vizinho. Então, por isso que eu coloquei um horário de funcionamento para não, né, atrapalhar o vizinho, não incomodá-lo. O que eu peguei foi macaquinho, que agora está na moda. É o macaquinho. Ué, tem de, tem de bermuda. Ele veio de short, de bermuda e de calça comprida. Tem de calça, de calça social. É bonito, é. Ele só que tomara que caia. Você não vai usar porque você usa sutiã. Não dá. Isso no caso, esse, esse vestido que você ficou, o vinho com preto, eu tenho uns quatro modelos dele. Tipo assim, eu tenho quatro vestidos dele estampado. Só tem um liso. Agora, a estampa que eu acho que não vai te agradar. Quem era? Olha, era uma cliente lá de Nova Campina. Ela é uma das que eu falo que ela me liga e fala: "Ó, um vestido assim, assim, assim, assim." Aí eu já sei mais ou menos o gosto dela. Aí amanhã o esposo dela vem aqui, leva, e na segunda ele me traz de volta o que ela não ficou. A imagem dela não está perfeitamente assim, as cores assim, funciona normal. Aparentemente está direitinho, mas só que quando você vê os outros computadores, até computador assim, é até os 98, 95, você vê que a cor dele não é igual. As outras coisas não está aquela cor legítima, não está legítima, está meia. Aí dizem que é por causa do cabo, mas como o cabo dele é fixo, esse cabo aí, né? Aí não, não teria como eu trocar. E esse apartamento aqui, como é que é? Ele é seu? Não, esse apartamento aqui é alugado para a gente fazer uns projetos, consertos de equipamentos para os moradores. Então, o que acontece? Nós estamos aqui há dois, três meses e estamos ainda fazendo o nosso trabalho aqui com comodidade. Entendeu? Então, como vocês viram lá na entrada, cada um se vira como pode, né? Vende doces, outro vende salgado, outros vende pão, entendeu? Pães, doces, e assim vai. Cada um vivendo a sua maneira, como pode, para poder sobreviver, né? E até aqui, não tem tido problema nenhum, entendeu? Isso aqui não é residência. Nós alugamos para trabalho. Nunca houve problema também de os aparelhos aqui fechar a porta, vir embora tranquilo, volta, tá tudo tranquilo. E aqui tem prédios aqui que pessoas alugam sala e faz pensão. Tem pensão aqui, acho que no segundo andar. Lá aluga uma sala dessa e bota mesa de cadeira e serve quem quiser almoçar ali mesmo. Então, cada um, né, tenta ganhar a vida da sua melhor maneira. Mas aonde que estava? Ele passou ali, frente das portas. [ __ ] tá indo lá. [Música] B, como é que tá comida aí? Beleza. [Música] [Música] PR de, de, e todos nós. 1, 2, 3, 4. C. N. Um que é um frango assado, outro que é um pilé de peixe, o outro que é uma fritada, o outro que é uma rabada, o outro que é uma linguiça calabresa. Então ele tem que ter diversas produtos para ele poder escolher, se sentir bem em casa, né? Que tem pessoa que é diferente, tem pessoa que não pode comer mocotó, tem pessoa que não pode comer rabada, tem pessoa que não pode comer feijoada. Então não quer comer. Então ruim de tudo. Então come um filé de frango milanês, come um carré. Tem pessoa que também já não pode comer carré, que diz que tem problema. E como tem outros que com feijoada não pode, que diz que a pressão aumenta ou abaixa, né? Colesterol, é problema que não pode. Diz que minha comida engorda, e diz que a comida que eu boto no prato, ele não consegue comer, porque eu sou exagerado. Exagerado não existe. Existe a pessoa com a boa vontade de servir comida sem miséria. Então, para botar comida no prato da pessoa, com medo. Então é melhor não vender. Que a pessoa veio almoçar, a pessoa não veio fazer lanche. Como é que a pessoa vai fazer lanche de uma coisa que a pessoa trabalha e é trabalho bruto? As pessoas que vêm aqui trabalham, serviço pesado, né? Ninguém de escritório, nem de lojinha, né? É só pessoa mesmo que dá duro na vida. Pai na cozinha era pequeno, de menor, ficava em pé na cozinha olhando ali. Coma. Aí sempre me interessei. Quando a gente ficava, cadê que trabalha na faxina, eu sempre dava meu. Gente, fazer uma comida para eu e meus irmãos comer. Aí depois dali para lá, eu comecei a trabalhar na cozinha e tudo. Botiquinho. Aí comecei trabalhar de lavar prato, cortar tomate, cortar essas coisas todas. Fui me interessando, olhando todo mundo fazer, me interessei, gostei, amei. Certo. E desde a idade de 14 anos. Essas coisas hoje em dia, tô com 50 anos. On de tudo, 30 anos já conheço de cozinha. De 30 a 35. Só não sei fazer aqueles pratos de granfino, mas pelo menos sei fazer o prato, pelo menos maravilhoso dos meus clientes do povão, que é o meu povo, certo? O que eles gostam, eu faço. Eu mesmo hoje em dia, se eu vendo minha comida, porque eu estou desempregado, né? Fui mandado embora no serviço. Arrumei um trocadinho. Então, como eu tenho quatro filhos, tenho cinco, um de 28 que não mora comigo, né? E tem mais quatro em casa. Mas como é que vou arrumar um salário? Já está difícil conseguir um serviço. Pagar um salário já é difícil mesmo, já é duro na queda. Tem dia que a gente pode vontade de chorar. E pela idade, pela idade, e pela idade também, com 50 anos, já fica mais difícil ainda. Faz, não, mas o arroz não engorda. É só. Só tem que fazer um feijão branco. Esse feijão preto aqui, menino, tá acostumado com isso. Não engorda mais. Feijão. Feijão. Sabe? Carro. Que faz? Faz feijoada no feijão branco. É, deixa metade passar. Aí, ao contrário, perigos. Ah, o arroz engorda mais. Engorda. O arroz engorda, que é mais açúcar na dieta. 2 litros do vinho. Quer dizer, 2 litros não. Pequeno. Pequeno. Então dá 9, 9, 11. O mais caro dá 16, que ele pegou mais um peixinho fora. Tá que a gente não vale. Não tá. O por gentileza, tá para você trocar aí pro giro. Eu estou quebrado no osso. Oi. É a minha, agora minha primeira viagem. Exposição. Toma 30. Quanto falei? 16. 16 dá. É seu. Dá R. R. Mas o meu vou levar agora. Me dá um, dois refrigerantes. Certo. Eu gosto muito de música antiga, música de Braga. Maria Bethânia, especialmente. Assim, negue seu amor e seu carinho. Diga que você já me esqueceu. E se machucando com jeitinho, esse coração ainda é seu. Diga que meu pranto é covardia, mas não esqueça que você foi minha um dia. Oi, diga que já não me quer. Negue que me pertenceu. Eu mostro a boca molhada, ainda marcada pelos meus beijos seus. Diga que já não me quer. Negue, negue que me pertenceu. Eu mostro a boca molhada, ainda marcada pelos beijos seus. Essa música mesmo, boa. E todo mundo conhece eles todinho, né? E são cantores que são esquecidos, mas por mim, eles nunca vão ser. Sou da época deles. Renova, porque talvez essas coisas não estão mais na tua vida. Talvez as situações, as situações se agravam de uma maneira, de uma maneira, sabe? Muito, muito. E é isso. É verdade. Mas nessa noite, a minha, meu Jesus, o que vai se agravar, sim, na tua vida é a restauração, é o avivamento, é o poder de Deus em nome de Jesus. Então, quando nós estivermos louvando, você vai estar fazendo essa oração com Deus. E se você também, um dia, quando você assistir esse, esse, essa filmagem, você também será abençoada e abençoado a tua casa, tua família, em nome de Jesus. Então, você bota a mão no teu coração. Lu, bota a mão no teu coração. Nós vamos louvar assim, em nome de Jesus, para Deus renovar, não somente a nossa vida, renovar aqui. [Aplausos] [Música] Veio para brilhar, resplandeceu o meu primeiro amor. Vem, Deus, vem para brilhar, resplandeceu o meu primeiro amor. Oh, glória a Deus, aleluia! Louvado e glorificado seja o teu nome, meu Senhor. Aleluia! Glória a Deus! Aleluia! Glória a Deus! Nessa noite, Senhor, recebemos a tua palavra, Senhor. Recebemos, ó Pai, algo que o mundo ainda não tem recebido, Senhor. E nós temos, ó Pai, recebido. E nós queremos também notificar, Senhor, aqueles que ainda não receberam a paz. Notificar, Senhor, aqueles que não receberam ainda a esperança. Senhor, notificar, Senhor, aqueles que ainda não receberam alegria. Alegria, não alegria, ó Pai, mas uma alegria eterna, prenda verdadeira. Glória a Deus! Queremos glorificar, Senhor, ó Deus, a verdadeira esperança. E que nessa noite, Senhor, renova em nós. Renova em nós para nós compartilharmos, Senhor, porque não queremos estar somente conosco. Queremos compartilhar com a nossa família, queremos compartilhar com nossos vizinhos, queremos compartilhar com nossos amigos. Queremos compartilhar. Aleluia! Mundo, Senhor. Cerveja a noite inteira, a noite inteira, suando e dançando. [Aplausos] E cantando. No V. Ver demais. Só peço você nessa festa. Mas essa zoela é a zoela é a zoer. Oiiiii. Agora não. Tá aqui na Cruzada, existe discriminação? Existe bastante. Como é que é isso? Existia muito mais antes. Existia mais antes. Justamente aí, eles olhavam com estranho e gritavam. E já tive problemas de tacarem coisas em mim, entendeu? Mas nada mais do que isso. Violência de agressão, não anda mais. Mas de atacarem objetos, isso já aconteceu. Como é que foi o processo de aceitação aqui dentro da sua casa? Ah, foi difícil. Até hoje é difícil. Às vezes, minha mãe, hoje já não é tanto, mas é, mas é difícil. Mas começo, eu usava roupas muito curtas, entendeu? Mostrando muito meu corpo. E minha mãe não gostava muito, né? E até modos que mudaram meu jeito. Mudou. Ela ficava, às vezes, me parava e ficava me olhando. Como hoje ainda acontece muitas vezes. Eu pego minha mãe me olhando, eu comendo, eu conversando. Sabe? Ela não vê, mas eu fico só de rabo de olho vendo ela me olhando, entendeu? Foi difícil, mas tem que saber ver o que está errando e tentar melhorar. E vai levando aos pouquinhos. Hoje em dia, minha mãe já, já, às vezes eu ponho uma roupa, não, não está legal, não está, está feio. Põe outra roupa. Põe aquela. Ah, cadê aquela sua blusa? Assim, cadê aquele seu vestido? Assim. Aí hoje em dia, eu me sinto mais, mais realizada em relação à minha mãe, né? Meu pai não sabe de nada. Sabe? Fique que não sabe, mas a gente vai levando a vida assim. [Aplausos] [Música] Agora. [Música] Eu danço. Acende a luz do outro lado lá. Acendeu. Vai lá do outro lado. Aperta aí. Tá para cima ou para baixo? Não é possível. A festa que teve que eu deixei fazer, que eu nem sabia que a minha tá queimar. Que teve uma festa que quando o morador que paga condomínio e quer fazer uma festa, eu retiro todas as barracas, jogo pro outro lado lá e entrego o salão. Aí os que pagam, os que não pagam, sinceramente, eu não dou direito a nada. Vou vir aqui de manhã. Um dia desses, não à tarde, né? Não, eu largo 11 horas. É. Então, possível da placa. Só volto às 3 para trabalhar na Pr. Quer dizer, de 11, 11 às 3, eu estou aqui no prédio. A gente pode filmar isso aqui na claridade. Na claridade, eu estou aqui amanhã. [Aplausos] [Aplausos] Mesmo. Aqui é a parte que eu falei que é um salão de festa. Aqui é o salão de festa do prédio, né? Abrange aqui dentro e aqui fora. Aqui dentro nós temos ainda um espaço e o banheiro. Como a dificuldade de moradores aqui, a ineficiência é muito grande aqui dentro para se pagar as contas aqui dentro, mais os funcionários, eu fui obrigada a alugar as, botar barraca aqui dentro para alugar, para que entre dinheiro no prédio, para que esse dinheiro seja feito pagar as contas, consertar em vazamento e pagar os funcionários do prédio. São essas barracas que são todos eles de praia. Nenhum deles moram aqui na, na Cruzada, nem no quarto bloco. Eu alugo para eles para praia. Eles são de fora. De onde? Helana. Não, olha, a maioria são muito suburbana. Pegam até trem para ir embora. Os barraqueiros de praia, eles vêm de longe, pegam trem para ir embora para casa. E todo mês, certinha a mensalidade dele chega no prédio. Todo mês, direitinho. Aqui a todos eles são, é Caxias, Nova Iguaçu. Então, essa é a parte da lixeira. Ó, essa é a lixeira do lado B, que nós temos o lado A e o lado B, né? Aqui, ó. Lixo. Porque lixo no lixo, porque os moradores têm essa mania ainda, infelizmente, do tempo de Praia do Pinto, de me jogarem lixo pela janela. Me desce fralda, acabam de comprar o frango, o papel do frango desce pela janela. Quer dizer, o pior trabalho aqui dentro dessa Cruzada São Sebastião é o trabalho de conscientização. Aqui dentro, conscientizar aos moradores que isso aqui pertence a eles, que é deles. E que tanta gente até morando numa favela brava, onde nem calçada tem, vive na limpeza. Por que a gente aqui tem que viver na sujeira? Então, nós dois vamos tentar fazer esse trabalho de conscientizar os moradores. Não só para ele não ter menos trabalho, é porque evita barata, evita lacraia, evita ratos também, porque quanto mais lixo, os bichos gostam de lixo. E o que eu fico muito danado aqui dentro é que às vezes a gente fala, eles mandam a gente morar na viela solta. Jogaram uma fralda outro dia, quase pegou na minha cabeça. Fui reclamar, mandaram eu morar na viela solta. [Música] Tenho 84 apartamentos e tenho 38 de frente aqui dentro. Esses, imagina, ficarem seis meses impagáveis. Seis meses. Para você é um ano. Tem anos. Temos que nem paga. Que tem luz, água, limpeza, mas proteção de uma portaria de graça. Portaria aqui é também tranquilizar os moradores, né? Que quer seu direito de ir e vir, porque também depois também entrando aí sem ter o direito. E aí vem primeiro consulta. A gente não tem bagunça dentro do prédio. Vi morador de outro prédio fazer bagunça. As crianças ficarem à vontade aqui. Morador quer se sentir seguro, né? Por isso também existe o fato de ter a portaria. E dia não tem.

Não temo dinheiro suficiente para ter porteira 24 horas. Aí bota de de certo horário até da parte da tarde, até de madrugada, até 2 horas da manhã. Vem e aí, José, tranquilo. Zé, tranquilo, tô chegando. Isso a hora tá boa, vê se tá B fil. Vou até aquele B lá, vamos lá. Aquele bão, pode deixar no carro. V, vou lá naquele mar. Tá na hora. São dia, expectativa que techar alguma coisa, entendeu? Moeda, ouro, aor. Expectativa é essa. E sabe por F [ __ ] outro me chama de terinho do Ouro. Eu sempre dou uma sortez. Não sei se hoje eu vou dar. Eu não tenho trabalho, esse é o meu trabalho, tá? Porque o mercado tá, tá inflacionado e eu já tenho mais, eu já tenho 50, tá? E não tenho uma profissão, não levei a sério quando eu fui jogador de futebol, tá? Então não, não, não, não prosperei. Vem cá, BR, foi, foi naquele mar? Foi só estava no leão, tá batendo, mas tá batendo mar, não tá, tá baixinho. Ah, então tá, dá para mergulhar. Como é que você trabalho, terin? Meu trabalho se resume. Bom dia, Wills, tudo bom? O meu trabalho se resume é o seguinte: eu chego no mar, eu caminho, eu vou até Arpoador, do Arpoador volto no Leblon. Às vezes, se tiver ruim, eu vou pra Copacabana, tá andando, tá? Aí depois eu paro. Se o mar tiver, a água tiver clara, aí eu já mergulho, já mergulho para dar uma olhada lá por dentro. Como é que está a situação para mim procurar ouro? Relógio, ó, o que eu achar, eu vou pegando, tá? Aí eu estipulo um preço, eu quero x. Aí se a pessoa, ó, quanto tem tantas gramas? Quer, quer, não quer, tudo certo para mim. Isso aí, legal. Tô com o relógio lá para vender, rapaz. Tá, eu depois eu falo contigo. Legado, meu mano, qual foi a coisa mais interessante, mais valiosa você achou dentro do mar? Eu achei um cordão em ouro de com 30 g. 30 g de ouro. Já achei outros ass com 20. Esse, o que os 30? 30 g. 30 g me D uma B assim de de 1000 e tal para mim revender, entendeu? É 1300 o cordão de 30 g, vendi por 1300, tá? Depois, na sequência, eu já achei outro com 10 g, outro com com 15 g, mas a maior coisa que eu achei foi esse cordão com 30 g. Foi a maior coisa que eu achei. E o mal dá para mim, dá para mim Me safar, certo? Não é uma coisa certa, eu sei disso, mas graças a Deus, tá dando para mim sobreviver aqui. Isso aqui é meu trabalho, aqui, ó, tá vendo? Isso daqui é a cavadeira. De repente, tá enterrado, faz sem olhar para cá. Binho, faz como tivesse fazendo normalmente. Ah, nor, normalmente. Isso aqui é uma cavadeira que às vezes o ouro tá enterrado, que às vezes o outro tá enterrado. Quando não faço isso, ó, olha, senhora, vem, vem, vem. Ô, Fernando, você morou na Cruzada ou você mora na Cruzada? Não, não moro na Cruzada, eu moro em R. Leng, eu trabalho por aqui, tendo esse carro fazer de de dormitório. Eu Tom conta de carro, estaciono o carro e lavo o carro e reciclo. Tô reciclando esse carro, tá sendo reciclado por mim, que eu tô usando ele para dormir. O importante, o mais importante, se esconder da chuva, entendeu? Usa o carro PR, para não ficar gripado, para não ficar resfriado, para não ficar dormindo embaixo de de lona. Prática, porque o carro é melhor do que a lona, porque a lona resfria. O carro já aquece, o carro já para não perc a temperatura do corpo, entendeu? Você morou na Cruzada durante quanto tempo da tua vida? Há muitos anos. Desde quando eu saí da Cruzada, quando eu tinha 35 anos. O que importa não é Cruzada, é o carro que dormindo. A Cruzada em si, não tem nada a ver comigo. Cruzada, conjunto residencial. Eu tô no Lebron, cara. Usu do bairro do Lebron. T usu da Cruzada. Você uma GR aqui dentro, porque a prefeitura costuma levar. Outro dia, eu eu saí de de um carro, quando eu voltei, ela já tinha levado. Levou sua casa? Não, não, é o carro, não é minha casa. O carro é meu dormitório. Levou teu dormitório? É dormitório, tipo assim, eu fico cansado de trabalhar e dentro do carro e descanso, entendeu? Aqui eu acabei de, isso aqui eu acabei de ler agora, é o eh, significado da felicidade, estudo de da religião oriental e da Psicologia. A felicidade tá, a felicidade não tá em em nós. A felicidade tá em no tal, o tal que faz feliz. Você tem que procurar amar, observar e amar a si mesmo. Não vai, não vai encontrar felicidade nos outros. Você vai encontrar felicidade dentro de si mesmo. Você não vai encontrar a felicidade na batina do pad, não vai adiantar. A felicidade está no seu alto bem-estar, na sua maneira de ver as coisas. Só pode ser feliz se você suprir as suas necessidades cotidianas. Você não pode ser feliz como f assim das coisas. A carência das coisas que traz a infelicidade. Você se sente carente de alguma coisa? Eu me sinto carente de amor. Quando teu [Aplausos] esposa e como é que faz para suprir as carências? Também luta, maluta, é maluta, uma luta, uma luta interior, é uma luta de de dentro para fora para você buscar, buscar a felicidade. Você busca a felicidade, a felicidade não vem de fora para dentro. Ela vai, tem que sair para você pro outro. A felicidade te transmite, ela não, ela não entra de você para mim, ela sai de mim para você. É mais ou menos isso. O operário pode ser feliz mesmo sendo um operário, entendeu? Mesmo ele sendo operário, trabalhando 12, 14 horas por dia, ele pode encontrar felicidade com a família dele. O cara pode ser feliz depois do banho, depois do almoço, acordar junto. Sempre diziam que a Cruzada ia sair, que ia virar um hospital, que a gente ia morar em Santa Cruz, que ia morar só em lugar longe. Nunca, nunca. Eu disseram que a gente ia morar em Copacabana só e morar em lugares péssimos, nas pessoas não gostaria de ir. Que hoje esses lugares são até bom, mas quem povo geralmente é o pobre. Os lugares esp para depois a classe média ou a classe mais alta vir e começar a construir seus prédios. Mas primeiro quem vai pro ruim é o pobre. Então a gente escutava muito sobre isso. E que com a saída do Don, a gente fica com medo mesmo que nós vamos sair sendo toda hora massacrada pel pelo ser humanos da classe média, os grandes, os capitalistas, pequenos burgueses nos pressionando como se nós fosse bicho que não teria direito uma moradia decente, teriam que sempre por lugar ruim. Existia o morro da Catacumba, não sei se Eduardo lembra. Lembra? Então, o que que que que fizeram com os moradores de lá? Existia o morro do Ma do Sobrinho, o que que fizeram com eles lá? Mandaram eles lá por C do Juda, meu filho tá lá. Aquele lá, aquele parque imenso para sociedade, os burgueses estão indo para lá, toda, toda se coçar e tiraram os moradores tudo dali. Quer dizer que os moradores não pode. Aí para trás, eu nunca viajei, nunca saí de fora do Brasil, mas eu eu gosto muito de ler, eu vejo muito documentário, eu vejo muito filme. Eu vejo que aí para fora é assim, funciona assim. Os grandes, os burocratas, os burgueses que tem muito dinheiro no bolso, aonde que eles vivem? Lá para fora, lá bem distante, aonde eles têm as grandes mansões. Agora, a classe trabalhadora, onde vive? Perto do seu serviço, cá na cidade. No Brasil é inverso. No Brasil, eles jogam o trabalhador lá pro C do Juda e fica aqui de frou da cidade. Trabalhador que tem que pagar, não aguenta, não arranja nem para comer, tem que tem que gastar mais que tudo com a passagem, que é muito cara. A marmita chegar aqui já tá azeda. Tá essa dificuldade porque o brasileiro tem o prazer de ver o pequenininho P inchado sofrendo para caramba. O que é ser um morador da Cruzada São Sebastião no Leblon? É um dos bairros mais ricos do Rio de Janeiro, mais nobre. Um ponto mais nobre. Somos nós aqui que estamos no meio. Se você olhar, nós estamos no meio do Leblon, no meio de Panema, no meio da Gávia. Tem pessoas que venderam apartamento, foram para outros lugares, hoje estão arrependidas. Mora ali, mora aqui, mora, mora mal. Eu moro bem. Eu vou para qualquer lar. Quando eu chego na cidade, quando chego no centro, eu tenho 415, tenho 474, tenho 404, rodando a noite toda. Se eu parar na Lapa, eu tenho 403, 434, 435, rodando a noite toda. Se eu parar na rodoviário, eu tenho 128, eu tenho 123, rodando a noite toda. Então, para onde quer que eu vá, o ponto que eu parar, eu tenho uma condução para chegar em casa. Aqui na Cruz? Não, eu moro na Baixada, em São João. Meio ti. Quantas horas você demora para chegar até aqui? Olha, dependendo do trânsito da Lagoa, Rodil de Freitas, eu levo mais ou menos 2 horas, entendeu? Dependendo do trânsito, tanto no começo do dia como no final do dia. Eh, o fluxo de veículo vindo e indo da Lagoa, tudo re bolsa para Baixada é muito grande de pessoas que prestam serviço aqui no Zona Sul. Pedreiro, ladrilheiro, carpinteiro, muita gente trabalha fora. As empregadas domésticas, que é o que mais tem, né? Então, o pessoal, a Zona Sul é uma fonte de trabalho bem melhor do que a da Baixada. Como é que é a relação dos moradores da Cruzada com os moradores do Leblon? Acho que normal. Não é normal, porque o que eu vejo assim, falar por alta, que ass moradores Leblon, algum fala que a Cruzada é a vergonha do Leblon. Então, nem para todos, nem todos pensa, nem todos, mas tem algum. Nem eu acho que o desejo dele seria que aqui fosse como lá, mas infelizmente, quer dizer, se a gente mora aqui, é porque aqui nessa situação, porque se fosse, exemplo, um prédio de luxo, a gente não poderia estar morando aqui. A gente tinha condições de pagar. Existe discriminação por parte de quem? Do Leblon ou dos dois? Olha, eu não procuro ver dessa maneira. Entendeu? Eu vejo a visão que eu tenho de uma outra forma. Agora, a discriminação não existe só no Leblon, em tudo quanto é lugar. Discriminação de cor, de social, enfim, existe diversos fatores que leva a discriminação. Mas eu, no meu, minha convivência dentro da comunidade e perante o Leblon, eu não enxergo dessa maneira, porque o espaço que eles desfrutam, desfrutam, então não sinto muito isso na pele, entendeu? Se as pessoas que, de repente, se sentem assim, elas deveriam sair um pouco mais de dentro da comunidade e conhecer ao redor da comunidade. Talvez por isso elas se sentem discriminadas. Elas, as pessoas, talvez não tenha tanto acesso, entendeu, ao que ela pode desfrutar. E como ela fica muito aqui dentro, ela pode ter essa reflexão de que acha esse constrangimento, essa discriminação. Mas desde o momento que ela parta e vai desfrutar do mesmo espaço, um todo do pessoal do Leblon, com certeza a visão dela vai melhorar a respeito disso. Não existe essa discriminação. Mas eu discordo aí. Sabe? Aí sabe, é um bairro preconceituoso. A sa elite riquíssima e eles e eles realmente são um negócio prepotente e discriminadores. Você já passou por algum tipo de problemas nesse sentido? Nesses anos aí, sabe, mais diverso. Aí sabe, desde da minha mais adolescência, aí sabe, mais até mais a maturidade. Eu eu conheço por diversos casos e já passei por N casos, aí sabe, dentro desse bairro, mais Leblon, aí sabe. Mas eu fui carteiro, aí sabe, dentro desse bairro, aí há 22 anos. E eu eu tenho o less mais certeza por dessa coisa, mais que eu tô falando, é um bairro totalmente mais fechado. Quando você chegava em certos lugares, você não podia dizer que morava na Cruzada. O estigma era muito grande. Morar na Cruzada, ex-favelado, agora favelado de cimento armado, aonde tem ladrão, tem isso, tem aquilo. Ah, por exemplo, eu passo assim, já passei, já vivi certos momentos com meu filho. E às vezes, ele mãe na escola, teve um trabalho de cada um e na casa do outro, mas eu eu me senti constrangida de chamar um coleguinha dele para vir aqui. Entendeu? Então, foi até na época, no momento que a gente estava em obra aqui, então, para mim, assim, foi o meu, a minha desculpa, entendeu? De não, de não pedir. Ele tinha um coleguinha que queria porque queria vir aqui, mas entre eles, mas assim, eu não, não me sentia à vontade de pedir a mãe para vir, entendeu? Porque eu sei que é às vezes para mãe de deixar ou não deixar, entendeu? E da gente passar aquele momento de de constrangimento, mesmo entendeu, de saber se o filho pode ou não. Então, mais fácil deixar de na casa de um coleguinha que mora aqui na Lagoa, entendeu? Do que o coleguinha, nem, nem penso, porque assim, na minha cabeça, de repente, é um preconceito meu, entendeu? Mas a gente sabe que isso acontece, até às vezes para protegê-lo mesmo desse, não entendeu? Eu prefiro evitar de que entendeu. Você estudou onde? Eu bom, eu estudei em colégio de ficade no início, mas depois eu eh, estudei aqui no Jorge Fister, aqui no próprio Leblon, Colégio Municipal, e depois eu estudei no colégio estadual no no Pedro Álvares Cabral. Assim, mas mais assim, o meu contato maior com essa parte, assim, foi mais quando eu fiz o curso de inglês, mesmo assim, que você vê que é m realidade. Estudei com a filha do Gonzaguinha, que ba. Hã, em que ba? Foi, foi aqui em Panema, logo aqui ao lado. E como é que era quando você lá dizia, eu moro na Cruzada? Assim, no início, assim, eu te confesso que assim, eu evitava muito tocar no assunto. Você mora onde? Eu moro ali no Leblon, entendeu? Você, enfim, mais moleque, né? Você, enfim, você chega lá e você nota, entendeu, que o não só a questão aquisitiva, uma questão mesmo de de de de de adolescente mesmo, sabe? Que adolescente tem aquela coisa, né? E tal, que fez, que acontece, que pode, e tal. Você acabava se retraindo. Mas depois, assim, já no final do curso, mais velhos, assim, na Cruzada tinha um certo interesse. O pessoal queria saber como é que era. Tinha um um camarada que estudava comigo, que ele morava aqui no no Leblon, ele fazia maior questão de vir comigo. A gente vinha ali por trás, passava por trás de de lá, entrava aqui por dentro da Cruzada e tal, passava com ele aqui por dentro, levava ele até lá na na na na na na na porta lá na na igreja. Enfim, o pessoal daqui da Cruzada tem muito assim, tem muito facilidade para fazer amizade fora com os moradores da classe média que moram pelo Leblon. Muita gente daqui tem barraca na praia, outro tem um negócio, outro conserta, outro outra coisa, outro peste com ar condicionado. Quer dizer, a facilidade de de clientela para quem trabalha em qualquer coisa que seja, que tem muita facilidade. Então, quer dizer, a relação da Cruzada com Leblon é ótima. O ruim é que muitas vezes os crimes do Leblon, quando tem algum crime pelo Leblon, de principalmente de assalto, costumam dizer, ah, era da Cruzada. Mas na maioria das vezes não é da Cruzada. Aqui antigamente tinha um as blitz, a polícia entrava na Cruzada 2, 3 horas da manhã. E eu peguei isso quando eu cheguei aqui há 25, 30 anos. A polícia invadia a Cruzada, ia procurar a pessoa que ela queria, de dia, de no, de noite, de madrugada. Em geral, entrava nas nas casas, arrebentavam as portas, se você não abrisse, ele arrebentavam as portas. Descobriam as pessoas, tivesse dormindo, quem fosse, você saíam descobrindo, procurando. E Padre Bruno ajudou a acabar com isso, com essa violência que tinha quando Cruzada. Então, isso já foi, então melhorou. Hoje a polícia para entrar numa casa, ela tem que trazer mandato de segurança. Então, nós evoluímos, a coisa melhorou. Porque falam tanta coisa ruim da Cruzada, nunca fala que aqui nascem bons atletas, né? E eu acho que esse ano, eu tô, tô querendo fazer isso, botar a cara e falar, ó, temos aqui bons jogadores, não só de futebol, quanto de basquete, natação, box, muay thai, sabe? Hoje, agora, eu tô a fim de fazer esse investimento, sabe? Mostrar para todo mundo, porque você, você vai na internet, aperta no Google, eu fiz isso essa semana, e quando bota Cruzada São Sebastião, só parece tráfego, tempo todo, morte. Ah, o garoto roubou, não passa nada de atleta. Quando eu terminei o primeiro grau, né, eu estudava aqui no Colégio Henrique Dods, e fui fazer o segundo grau no Colégio André Morá, ali na Gávia. E uma pessoa daqui da Cruzada também, que vinha de um outro colégio, que é o Manuel Cícero, ali na Gávia, nos encontramos no André Morá. E no primeiro dia de aula, que ela era da minha turma, essa pessoa, ela veio me pedir para não dizer que ela era moradora da Cruzada. Por quê? Porque os colegas de de colégio dela não não sabiam que ela era moradora da Cruzada, porque ela sentia vergonha de dizer. Eu falei, não, de forma nenhuma, você pode ficar despreocupada que por mim ninguém vai saber que você mora na Cruzada, entendeu? Então, uma coisa, uma coisa chata que eu, isso aí, você vê, eu tinha na época 18 anos, eu não esqueci isso, isso ficou em mim, né? Eu falei assim, nossa, por que que essa pessoa ter e essa vergonha? Eu, sinceramente, nunca tive e procurei passar isso para os meus filhos também, deles não terem esse problema de dizer de onde que moram, sabe? Depois de 10 anos, faço curso, faço isso, faço, passo na prova, ninguém me chama do governo, ninguém me chama. Mas você deu o seu endereço? Não, claro que deu, né? Cruzada São Sebastião. Não, eu não falo Bor de Medeiros, ué. Precisa falar Cruzada, a B de Medeiros, 699, sempre passei. Tá lá, tudo no meu papel lá. O mundo todo sabe. B de Medeiros, 69, Cruz. Legal. De fazer concurso público, passar e não me chamar. É uma favela para mim? Não, para mim é uma comunidade. É uma com. Eu acho que eu, é uma comunidade. Sei lá, tem pessoas que vende, acha que pode, de repente, como já já ouvi falar, é uma favela melhorada, né? Tem gente que acha que uma Cruzada é uma favela melhorada. Eu não vejo a Cruzada com uma favela. Eu vejo a Cruzada assim, ela tem vários pontos positivos no sentido de você, por exemplo, eu posso comparar a Cruzada com um Selva de Pedra, um prédio que tem várias pessoas. Só que nós temos a vantagem que eles não, de viver uma vida em comunidade, entendeu? De você aqui, você descer de manhã, você encontrar com seu vizinho, você dá um bom dia para ele, entendeu? E às vezes você entra num prédio desse, você desce no mesmo elevador e ninguém nem se olhar. Entendeu? Eu sempre briguei, sempre brigo, eu não moro numa comunidade, eu moro num condomínio residencial. São Sebastião. Eu acho que não temos nada a dever para ninguém, sabe? Somos proprietários, pagamos nossos impostos, temos uma escritura, temos um registro. E a e a própria Cruzada, ela, ela se depõe contra si, assim, tudo que é errado na Cruzada, é certo que é certo, é errado. Então, ela sempre se menospreza. Ela, eu aqui é uma favela, se vai melhorar para quê? Aqui é uma favela, se você cobra uma melhoria de um piso, para quê? Eu tô vendo a Cruzada sendo pintada, hoje tá bonita a Cruzada, mas a cabeça das pessoas não estão ainda. Quer dizer, não adianta você pegar uma, uma tinta, passar uma tinta, se se a pessoa em si acha que ela mora numa favela. A pessoa acha que mora numa comunidade. A palavra comunidade, eh, para algumas pessoas, pode eh, parecer bonita, porque eu sou uma comunidade, somos uma integração. Mas a palavra, para mim, comunidade, ela tem como desrespeito a mim. Eu não sei se eu tô errado, né? Eu não moro numa comunidade, eu moro num, num se, num condomínio que as pessoas são bidas. Quer dizer, eu conheço quem mora no primeiro bloco, é o Déo, né? Meu marido conhece. Nós temos a Fade de entrar e de sair. Então, isso quer dizer que nós moramos numa comunidade? Não sei. A Cruzada é uma favela? Na minha concepção, eu não considero a Cruzada da favela. Sou morador novo dentro da comunidade, perante os amigos que estão aqui dentro. Mas na minha visão, eu não vejo a Cruzada só serão como favela. Desde que vim morar aqui 1990, não vejo como favela. Não, eu não enxergo como favela. Cruzada tá. Eu seu potencial é um conjunto residencial. Perfeito. Você não vê ninguém andando armado para baixo e para cima? Totalmente diferente. Que eu conheço bastantes amigos mesmo que moram no alto Leblon, moram aqui no Leblon mesmo, um por andar, que fala que a amizade mesmo que ele tem verdadeira é aqui mesmo. Na favela, porque não julga, porque ele tá vestindo, não julga porque ele tá comprando uma cerveja, não julga nada. Julga que a pessoa é na zuação naquele momento, entendeu? E por que que agora, quando a gente estava conversando, você falou aqui na favela é como assim? Quando você estava falando agora, ah, foi que eu falei o espírito que já colocaram aqui, que às vezes eu não consigo enxergar aqui, tipo como moro no condomínio Cruzada São Sebastião. Ah, moram na favela Cruzada São Sebastião. Por é de tanto esse espírito de tantas pessoas colocar na sua cabeça, eu já acho que eu moro numa favela. Se tem alguém que fala que a Cruzada é uma favela, é porque ela não conhece. Na verdade, a Cruzada, ela conhece pessoas que tem a favela dentro de si, que tem ainda, ainda existe pessoas que guardam coisas velhas, pessoas que ainda joga lixo pela janela, entende? Então, realmente, isso é do indivíduo, não é da Cruzada. O que que é uma favela para você? Ah, a favela para hoje, eu já não vejo nem mais quadro de favela, porque agora o governo, a prefeitura, os governos, eles estão des eh, alisando tudo. Nem mesmo a Rocinha, hoje a gente não vê mais barraco quase na Rocinha, tudo de alvenaria. Favela para mim era aquilo que eu vivi. Vocês veem a foto da Pra do Pinto, que era barraco mesmo, palafitas, aquelas coisas. Nós, na beira aqui da Lagoa Rodrigo de Freitas, tinha a Ilha das Dragas, que os barracos eram feito dentro d'água. Ali sim, a estrutura, ali era favela, a estrutura. Entendeu? E nós vivemos como favelados por causa da estrutura. Mas aqui, a Cruzada, eu não vejo isso. Para mim, não, não funciona. Eu uso, eu ouço, aliás, escuto como um eco. Entra e sai, dizer que eu moro, eu não, eu já escutei dizer que eu moro em favela de cimento armado. Já escutei isso. Você mora numa favela de cimento armado? Falei, ah, querido, isso aí é você, desculpa, é um recalque, aí sabe. Mais interessante se ele, ã, mas conseguissem aí, sabe, mas definir para gente aí, sabe, mas o que ele tem de conceito de favela, pode ol definir para gente, mas é negue seu amor e seu carinho, diga que você já me esqueceu e machucando com jeitinho esse coração que ainda é seu. Diga que meu pranto é covardia, mas não esqueça que você foi minha um dia. Oi, diga que já não me quer, negue que me pertenceu. Eu mostro a boca olhada ainda marcada pelos beijos seu. Diga que já não me quer, negue que me pertenceu. Eu mostro a boca molhada ainda marcada pelos beijos seus. É só música mesmo, boa e todo mundo conhece. El.