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irmãos, o remanescente. Essa é a parte que coube para eu apresentar para os irmãos. Em vez de entrar direto no assunto, eu gostaria de esclarecer um pouco os termos que às vezes a gente parte do pressuposto que todo mundo sabe o que você está falando, e infelizmente alguns textos, alguns vocábulos da nossa teologia já não são tão de domínio público como nós pensamos.
O que é remanescente? Na verdade, a palavra remanescente, ela vem do latim, significa ficar, permanecer; o sentido de parar algo que está andando e para, ele permanece. Remanescente: permanecer. Vocês viram que até tem uma certa etimologia aí. Só que no grego, você tem a palavra *loipópoi*, que tem dois significados: aquilo que de fato sobra, que ficou, o resto mesmo, o que sobrou, o refugo quase. Então, assim, gente, até pejorativo ou o sentido de outro. Outros autores dizem que não é correto traduzir *loipópoi* remanescente, o que significa o outro. E tem várias passagens da Bíblia que colocam os outros como sendo a mesma palavra em grego: as virgens prudentes e as virgens imprudentes; você tem os discípulos de Emaús versus os outros discípulos; você tem os cristãos gentios em Roma e os outros cristãos. Mas, de qualquer maneira, isso não retira da palavra essa ideia de aquilo que sobra. Como eu falei, remanescente é um pouco arcaico, mas o tempo disso... O outro, aquilo que sobra, outros e pequenos. Essa parte aqui foi muito bem explorada pelo pastor Dornelles: o que sobra da descendência da mulher que tem a tarefa de pregar as três mensagens angélicas, que também se une com o quarto anjo. Esse é o sentido do remanescente.
Parte do que vocês vão ver aqui, irmãos, é: eu tenho um grande débito com esse livro aí, é que eu depois eu fiquei sabendo que ele também foi lançado em português: *A Teologia do Remanescente*, que eu recomendo a leitura para os irmãos. Boa parte do que eu vou falar aqui eu extrai dessas obras, e durante a palestra eu vou citar alguns livros aqui para os irmãos verem de onde nós tiramos essa informação. O professor Rodrigues escreveu o capítulo desse livro muito interessante, é sobre o problema que a igreja enfrenta hoje. Qual é o problema do remanescente? Já que eu falei que remanescente é o que sobra, o que que isso tem a ver com a nossa igreja? Por que que nós somos chamados a igreja remanescente da profecia? E qual que é o problema? Eu não estou vendo problema nenhum aqui, eu vou explicar para os irmãos. Qual que é o problema teológico que nós estamos enfrentando hoje com o assunto de remanescente? Vou pegar historiando um pouco para vocês como que isso poderia ser entendido em outros ramos do cristianismo.
A teologia católica, ela é por demais, ela tem uma força muito grande na igreja institucional. Cipriano já dizia no terceiro século: *xtrages fora da igreja não há salvação*. Tertuliano também dizia: *não pode ter Deus como pai quem não tem a igreja como mãe*. Então, desde o período de Justiniano, em que a igreja conseguiu muita força ali, tá certo, 538 depois de Cristo, você sabe. Esse período aí profético, desde aquele período a Igreja Católica incentivou muito a doutrina da igreja, tanto é que existe na teologia católica – quando eu fiz o doutorado lá, eu lembro de uma matéria que era direito canônico, a área de direito canônico – sopra estudar as regras da igreja, os manuais, os concílios, como deve fazer, como é que um padre pode perder a sua categoria de padre, se não pode perder, como é isso, comunhão, como não é isso, comunhão, é muito detalhado. Só que quando vieram as igrejas protestantes, elas nascem no século XVI ali, num contexto anti-igreja. Mas deixa eu explicar essa expressão anti-igreja: não anti-igreja no sentido de corpo de Cristo, anti-igreja no sentido de organização religiosa. Porque eles vieram de uma organização que havia se apostatado, havia negado os princípios, havia usado a sua hierarquia, sua autoridade para anular o texto bíblico, o ensinamento bíblico. Então, o protestantismo nasceu com uma eclesiologia – olha o paradoxo – com uma eclesiologia anti-eclesiástica. Vocês entenderam isso? Uma eclesiologia assim... O que que a igreja...? Bom, tem a Igreja Luterana, a igreja calvinista, a igreja lá, mas já não pensavam mais no sentido de a igreja de Deus na Terra, porque se lembrava o catolicismo, haja vista que mesmo no adventismo do sétimo dia, agora que por algumas demandas aí nós estamos sendo obrigados a pensar o que é a igreja – nós nem tínhamos a matéria de eclesiologia no seminário, não era uma preocupação, o que é a igreja.
Então, nesse sentido, os protestantes também não se deram muito com a questão de igreja remanescente. Para eles, eles entendiam o seguinte: a igreja, na verdade, é o corpo místico de Cristo, com pessoas de várias denominações protestantes. Os luteranos são igrejas de Cristo, os calvinistas são igrejas de Cristo, e você tem doze igrejas. A igreja visível, que contém os fiéis e os infiéis, e a igreja invisível, que contém só os fiéis. Os irmãos entenderam? Então, você tem a igreja visível: Luterana, Episcopal, presbiterianos, metodistas, vem depois, né, não é bem da reforma ali. Então, essa é a igreja visível. Ela tem os fiéis, os infiéis dentro dela. Vocês lembram da parábola de Cristo, né, quando fala lá dos servos bons e dos servos maus dentro da igreja, etc. E, finalmente, você tem o adventismo do sétimo dia no século XIX, com a ideia de igreja remanescente e a autodenominação que nós somos a igreja remanescente da profecia. Isso foi diferente do protestantismo e foi diferente do catolicismo. Mas o que significa ser igreja remanescente? Qual a dificuldade que hoje é enfrentada com esse tema?
Essa dificuldade, ela começou a partir do diálogo com outras confissões religiosas nos anos... Vocês sabem, os pioneiros diziam: nós somos a igreja remanescente da profecia, acabou, ponto, não tem mais o que discutir ali. Mas com o passar do tempo, especialmente nos anos 50, 1950, 1957 vai ser mais preciso, os adventistas eram acusados de seita por muitas denominações protestantes dos Estados Unidos. Nós não éramos inseridos na confissão de Westminster, nós éramos colocados na mesma categoria de mórmons, Testemunhas de Jeová, cientologia, Ciência Cristã – seitas. Até que Barney House, que era o presidente da *Christianity Today*, junto com uma grande editora americana lá, batista, convidou a Walter Martin, que era o maior especialista em heresias – o pastor Dornelles citou a palavra heresias aqui algumas vezes – uma hora especialista em heresiologia que havia na época e era especializado justamente em seitas. Seitas, para os irmãos entenderem, não é considerado uma igreja cristã, ela é uma seita, ela é uma... uma heresia. Quem é membro de uma seita, por esse entendimento, tem doutrinas que o cristianismo não pode aceitar, não faz parte da divergência cristã. Você pode, dentro da divergência aceitável do cristianismo, defender o batismo por imersão ou por aspersão, isso não faz de você um não-cristão, de acordo com essa ideia. Você pode, dentro do movimento, até a questão do sábado não entra muito, porque os batistas do sétimo dia não eram considerados seitas, mas os adventistas eram. Mas depois de algumas ideias, o Barney House pediu a Walter Martin que pesquisasse os adventistas do sétimo dia: será que eles são seitas mesmo? E o Walter Martin começou então um diálogo com vários teólogos da igreja, fazendo várias perguntas, e a igreja abriu os cofres do White Estate dos Estados Unidos, os documentos para que ele examinasse tudo: as atas, os livros, colocou teólogos à sua disposição, e Francis D. Nichol foi um desses que ajudou naquele diálogo, e o resultado foi um livro chamado *Questões sobre Doutrina*. Só que muitos irmãos da igreja entenderam que o livro *Questões sobre Doutrina* estava apresentando uma visão do adventismo, mas *light*, para poder ser melhor aceita pelos de fora, sem nos considerar em seitas, irmãos entenderam? E dentro dessa visão de diálogo com os de fora, não pega bem ficar falando que nós somos a – o artigo definido – igreja remanescente da profecia. Podemos ser uma, mas não há muitos... Não gostaram da teologia do *Questões*. Outros acharam que foi uma evolução da igreja.
A segunda dificuldade com o tema do remanescente é que o contexto dos pioneiros do adventismo era um contexto de urgência. Eles acreditavam piamente que Jesus voltaria antes da morte deles, e morreram os pioneiros, morreu Ellen White, e a volta de Jesus então foi ficando cada vez mais atrasada, atrasada, e parecia que esse conceito de igreja remanescente da profecia poderia ser mais um equívoco dos pioneiros do século XIX, porque eles achavam: olha, acabou os meus sessenta anos, então, ter o que sobra agora, vamos pregar as três mensagens angélicas, Jesus volta. E Jesus não voltou. E aí parece que essa... essa pregação precisa ser atualizada. A palavra hoje que está tão perigosa, né?
O terceiro problema com esse ensino do remanescente é o treinamento teológico que alguns dos nossos eruditos começaram a ter a partir dos anos 40 e 50. Nós começamos agora a treinar teologicamente os professores de teologia, e eu até vou juntar essa... esse número três aí com o número quatro: divergentes visões modernas. Porque um grupo cada vez maior de teólogos começaram a estudar fora – não que isso seja errado, o mesmo estudei fora, nesse ponto –, mas começaram a ter contato com uma teologia não-adventista que, de certa forma, os influenciou. E alguns... algumas questões bem adventistas, como, por exemplo, o método historicista de interpretação da Bíblia começou a ser questionado por alguns bons teólogos. Quando eu digo bons, no sentido assim, gente que gozava de respeito, e começaram a relativizar o princípio de ano, esse tipo de coisa assim. Outro problema com o tema do remanescente: espiritualidade. Alguns grupos mais radicais dentro da igreja, como adventistas históricos, é: eles acham que a igreja está apostatada. Alguns que propõem que a igreja deveria pedir perdão publicamente pelo erro ocorrido em 1888, quando a igreja não aceitou a mensagem de Waggoner e Jones ali na conferência de Minneapolis. Sabe aquele grupo assim, que o caminho é estreito, o caminho estreito é assim... Eles ainda querem dividir pela metade: eles são fiéis ou espírito de profecias, só que numa dosagem às vezes um pouco equivocada, onde ela – Ellen White – fica acima da Bíblia. Esses grupos acham que a igreja está tão apostatada que é uma incoerência chamada de igreja remanescente. O correto é falar de remanescente dentro do remanescente.
Um outro problema com o assunto do remanescente é a equação, a meu ver, exagerada que existe entre remanescente e ortodoxia teológica. Nós temos uma dificuldade tremenda na prática de aceitar – nós até lemos a linguagem falando que a maior parte do povo de Deus está nas igrejas caídas, a gente fala isso, a gente reconhece que Deus tem um grande povo lá fora –, mas na prática nós ainda somos muito bairristas com a nossa teologia. A gente tem dificuldade tremenda de aceitar que alguém que não guarde o sábado é tão cheio do Espírito Santo como alguém que guarda o sábado. Eu me lembro uma vez quando eu vim dar aula aqui no NASP, um irmão estava levando a igreja para visitar a biblioteca – isso em 1997 – e eu lembro da cena, e ele olhando para a biblioteca e mostrando para os irmãos e falando assim: irmãos, olha que... onde os nossos pastores se formam, olha esses livros, nenhuma igreja tem uma formação teológica com tantos livros como a nossa, é só nossa. Mal sabia ele que 99% dos livros são de autores não-adventistas. Nós até estamos em seminário novo – porque eu não decorei ainda –, mas até no hinário anterior nós tínhamos músicas de autores não-adventistas. Mas na prática parece que, assim, para ser do remanescente ele tem que saber a doutrina do Santuário, acreditar em todos... Não pode ser do remanescente. O perigo também do outro lado disso é você relativizar essa doutrina e achar que ela também é algo dispensável, e o povo...
Posições adventistas sobre o remanescente, o que que nós temos encontrado? Com a posição tradicional: a igreja adventista é remanescente da profecia bíblica. Tem um texto muito bom do Dr. Gerhardt Hasel, onde ele fala: uma vez que não há outro corpo religioso hoje, fora dos adventistas do sétimo dia, que única e especificamente tem as características do remanescente de fé e carrega suas marcas. Segue... Sei que os adventistas, ao cumprirem todos os aspectos do remanescente, são os remanescentes. Eu acho que não, porque o Dr. Hasel disse isso, mas para começar a nossa discussão sobre o tema, porque eu apresentei para vocês os problemas e as posições que eu encontro dentro da igreja. Para começo de conversa, se eu abrir mão dessa declaração, confesso para os irmãos que eu não sei o que estou fazendo aqui, os irmãos... Eu gosto... Eu quis colocar essa posição tradicional assim, de cara, porque esse é o pressuposto inegociável na mesa. O que virá depois, vou apresentar algumas posições minhas que podem ser diferentes. Talvez o pastor Dornelles... Eu não sei, mas esse ponto aqui... Ou igual também não sei, mas esse ponto aqui eu acho que não está na mesa de negociações. O problema é que muitas pessoas estão pensando que o adventismo é mais um grupo que está por aí. Então, a primeira posição que eu já vi aí é de autores adventistas, é aquela que acha que o remanescente de Deus inclui adventistas e não-adventistas. Eu vou descer aqui um pouquinho porque da lista mais difícil para eu ler... Lembra o livro *Questões* que eu mencionei para vocês? Na pergunta número 20, eu esqueci de citar, ele reúne não sei quantas perguntas ao todo, mais de cem perguntas que os teólogos não-adventistas fizeram para a igreja: qual a posição de vocês sobre Ellen White, sobre a guarda do sábado, o selo? E eles foram respondendo, e na questão 20 trata da questão do remanescente, e a resposta esclarece que os adventistas não igualam sua igreja com a igreja invisível; aqueles em cada denominação que permanecem fiéis as escrituras... Deus tem uma multidão de seguidores fervorosos, fiéis e sinceros em todas as comunhões cristãs. Até que eu concordo. Então, a posição de igreja remanescente do adventismo não é exclusivista. Isso é diferente de outras seitas, aceitas, que você só vai ser salvo se fizer parte dela. Eu conheço algumas, por exemplo, que nem oram com pessoas de outra religião, porque ele não participa com pessoas de outra comunhão. E o interessante que muitos desses até me abraçam na rua, conhecem a gente, até pensou: glória a Deus, mas como? Porque eu sou de outra comunhão. Agora tem um probleminha aqui nessa declaração do *Questões*, por isso que eu falei assim: ele tem que refinar a coisa. Embora o livro mantenha bem claro a posição... O conceito de remanescente de Apocalipse 12:17 para si mesmos, os adventistas estão simplesmente aceitando a conclusão lógica do nosso sistema de interpretação profética. Porém, o livro sugere que a igreja adventista não é a igreja remanescente, mas a igreja *do* remanescente, irmãos. Às vezes eu não sou professor de português, não, mas a mudança de uma preposição, de uma conjunção causa grandes coisas. Por isso que eu trago um conselho para os jovens aqui bem rápido: cuidado com as filosofias que às vezes passam para vocês. Eu sou professor de filosofia. O problema às vezes está numa conjunção. O diabo no deserto só cometeu uma heresia com Jesus, se o resto tudo ele só citou Bíblia: cito és o filho de Deus. Olha como é que uma conjunção revelou o que era o diabo. Cuidado com as preposições, com as conjunções, com as vírgulas, com os parênteses. Feche o parênteses. Conhece até um livro: *Light Bearers Studio: Remanescente, Portadores de Luz para o Remanescente*. O título desse livro foi de certa forma influenciado por essa ideia de que a igreja adventista não é bem a remanescente, mas a igreja *do* remanescente, ela leva a luz para o remanescente, entendeu? Não estou condenando o livro, não, o livro é ótimo, eu tenho em casa ali, recomendo, mas eu mudaria o título. Nós não estamos apenas levando a luz para o remanescente.
Um outro livro do Collins Standish – lembra aqueles que eu falei com vocês que são os mais radicais, os adventistas históricos – ele escreveu esse *Getton Store*, onde ele tem a compreensão de que a igreja está tão desviada, tão apostatada que é um contrassenso chamar essa igreja de remanescente. Essa compreensão do remanescente lida com uma das fraquezas percebidas da versão tradicional, na medida em que reconhece que nem todo membro da igreja é, por definição, um membro do remanescente fiel de Deus nos últimos tempos.
Uma outra posição – para mim essa aqui é bem complicada – de Steve Daily: *Adventismo para Nova Geração*. Ele disse que remanescente é uma entidade invisível, e enquanto a visão anterior argumenta que a Igreja Adventista do Sétimo Dia é a igreja remanescente em seu caminho de apostasia, mas que tem que ter um remanescente do remanescente, a visão de Steve é que a gente tem que parar com essa soberba de povo escolhido e começar a reconhecer o ministério dos povos, no plural, escolhidos de Deus, e que nós temos que sair de uma teologia remanescente etnocêntrica para um espírito de afirmação religiosa que reconhece que o reino de Deus na Terra transcende todo o movimento religioso da humanidade e regozija-se que o futuro reino incluirá muitas mansões. Essa influência está chegando no Brasil, tá. Tem muitos movimentos de alcançar os pós-modernos que estão ficando tão pós-modernos na pregação que... Eu falo: isso aqui é adventista, é bonito, é legal, mas não é bíblico, é demoníaco. Bom, esse outro livro aqui de Jack Provons, *A Crise de um Remanescente*, ele fala que remanescente ainda não é uma realidade. Ele projeta que o remanescente só vai realmente existir naquelas descrições que eu estou citando demais o pastor Dornelles, porque foi a palestra que eu assisti, viu? Perdão, eu não vi do pastor Emilson, então eu tenho que citar o que eu vi, viu? Aquele momento que você descreveu ali do... escreveu, não leu a Sra. White falando, né, do grande clamor, depois vem o quarto anjo, tudo mais... Jack: procurar o remanescente antes disso é bobagem. E esse aqui também é um outro, para mim bem complicado. *Remanent: The...* Esse livro de Charles... Ele também parece muito com o que a gente está vendo alguns movimentos no Brasil: que a igreja adventista deveria ser mais envolvida em atividades sociais e políticas. Nós somos muito tímidos, ou... Acho interessante nesse livro porque ele não nega que o remanescente deve dirigir os indivíduos ao evangelho, mas o entendimento desse livro é que a missão do remanescente, como chamar pessoas para obediência dos mandamentos, não faz plena justiça à mensagem do Apocalipse. Devemos ter o evangelho social e o evangelho tão social que as três mensagens angélicas são legais, importantes, bonitinhas, mas fica para o segundo plano. Vamos primeiro falar de racismo, essas pautas aí... Se der tempo, fala de queda de Babilônia... A prioridade da igreja não é falar da queda de Babilônia, nem decreto dominical, nem de volta de Jesus, é falar sobre o problema dos negros, os problemas das mulheres, o problema do homossexual. É isso que é o problema. E aí eu chamo atenção de um livro que eu deveria ter colocado a capa ali, não coloquei, do Dr. George Knight. Eles – na CPB aqui no Brasil – deram uma eufemização para o livro. Como é que ficou o título dele aqui mesmo? É aquele fininho do Apocalipse... A neutralização do adventismo. Mas em inglês, o Dr. George Knight, ele é filósofo, né, ele pôs um livro: *A Castração do Adventismo*, onde ele disse que se nós perdermos isso aqui, nós perdemos a essência do que é ser a igreja cristã.
A segunda parte do que eu vou falar com os irmãos aqui é em grande parte o que eu resumi da tese do Dr. Hasel, que eu já mencionei aqui, uma tese que ele escreveu sobre o remanescente desde o Gênesis até Isaías. E ele até... interessante, o Dr. Hasel foi... eu acho, não sei se eu tô exagerando aqui, mas eu acho que foi o maior teólogo que a igreja adventista teve no século XX, é conhecido dentro e fora da igreja. Você entendeu, alemão... O Dr. Hasel, esse livro ele fez na Universidade Vanderbilt, e quando ele estava fazendo, ele queria ler até Malaquias. Ele criou um Antigo Testamento todo... O orientador dele falou: não, para em Isaías mesmo, que já tem quatro teses aqui, não precisa você continuar. Imagina até Malaquias publicada com letra menor e duas partes dessa grossura. E ele chegou a algumas conclusões interessantes sobre remanescente. Como eu gosto de arqueologia, ele exploram um pouco a ideia de remanescente nos povos sumerianos, babilônicos, e eu tenho aqui alguns documentos que ele menciona ali, por exemplo, no dilúvio da dinastia de Akkad, que é da época do ano 2017 antes de Cristo, antes de Abraão, isso aí. Ele fala do dilúvio como capricho de Deus, dos deuses, esses documentos, e fala daqueles que sobreviveram ao dilúvio. Depois você tem essa... essa lista dos reis sumerianos que também sobreviveram ao dilúvio. Então, tem uma ideia de remanescente aí como algo que sobra, que sobrevive a uma catástrofe aí. Pegando todos esses documentos – que eu não vou forçar os todos para vocês aqui para não perder muito tempo –, o que a gente nota é que essa ideia de remanescente que havia no Oriente Médio era a ideia de tragédia. O remanescente era o símbolo da tragédia. Vou resumir as primeiras páginas da tese: é o troféu da desgraça. Teve uma tragédia em Ur, sobreviveram alguns, aponta para tragédia. Só que na Bíblia – inclusive esse livro aí de John Oswalt, que não é adventista, inclusive, ele fala que a gente começa a notar, especialmente em Gênesis, em Isaías, a ideia de que o remanescente passa a ser um conceito positivo. Tem ainda algo de negativo, o remanescente ele sobrevive a uma tragédia, mas tem algo de positivo porque o remanescente é esperança de que tudo vai dar certo. E interessante que a palavra que aparece em acádico, *šāru*, para falar do que sobra, é a mesma palavra que vai aparecer no texto hebraico para falar do que é deixado: *šār*, igualzinho. Você fala em hebraico *šār*, você fala em acádico *šāru*. Mas o que que a gente percebe? Os autores da Bíblia Sagrada, especialmente Isaías, inspirados por Deus, é claro, pegaram um termo do mundo pagão e o ressignificaram. No mundo pagão, é a desgraça, é o que sobrou depois da tragédia. Sabe aquela casa que pegou fogo e a pessoa da entrevista, ele chorando: só a única coisa que sobrou foi meus documentos. Aquele que sobrou ali nem... nem é nada que vai deixar feliz. Mas em Isaías, o que sobra é sinal de esperança. Vocês entenderam? Vai continuar, Roland, devo falar a mesma coisa nesse livro: *A Bíblia e o Antigo Oriente Médio*, que na Bíblia Sagrada o remanescente não fica só chorando o passado, ele aponta para o futuro. Agora, o curioso é que quando você vai fazer uma pesquisa na Bíblia sobre remanescente, remanescente tem várias situações. Você tem o pequeno remanescente que, pela graça divina, é salvo de uma destruição: Noé, Ló, Amós, José do Egito. Você tem o remanescente fiel que resiste ao declínio espiritual e moral no meio do povo de Deus: você tem Elias; você tem o remanescente santo vivendo os últimos dias: Isaías, Apocalipse. E você tem o remanescente que é considerado Israel como um todo. Israel também é chamado de remanescente. Então, o Dr. Hasel dividiu todas essas várias formas de remanescente e chegou a três categorias. Você tem o remanescente histórico, que sobrevive a uma catástrofe; ou remanescente fiel, que é distinguido por uma confiança em Deus. Interessante porque o remanescente histórico pode ter pessoas justas e injustas. Vou dar um exemplo para os irmãos: os hebreus que saíram do Egito e depois morreram na terra, no deserto... Aqueles que sobreviveram e atravessaram para a terra prometida eram remanescentes. Não era sim ou não, mas a cantar no meio deles perceberam. Então, eu estou notando que a palavra remanescente pode representar o grupo todo, incluindo os infiéis que estão ali no meio. Porque os que entraram na terra da promessa era um remanescente daqueles que saíram do Egito. Mas nesse remanescente você tinha... Segundo: remanescente fiel, já é uma outra categoria de remanescente, que aqueles que em meio à apostasia do povo se distingue por sua fidelidade. E em terceiro lugar, o remanescente escatológico, esse que foi bem mencionado aqui, purificado e salvo a por meio do julgamento final do tempo do fim. Eu queria acrescentar um aspecto que não está na tese do Dr. Hasel: o aspecto legal do remanescente. Vocês sabem que no grande conflito entre Deus e Satanás não basta o diabo ter a maioria do seu lado, ele tem que ter 100%. Por que que Jesus precisou morrer para redimir a humanidade e não precisou morrer para redimir os anjos que voltaram atrás? Porque o diabo não levou todos os anjos, apenas a terça parte deles. Mas no caso de Adão e Eva, 100%. E tem alguns textos da Sra. White que eu não vou citar aqui agora por causa do tempo – parece que o tempo ali é mais rápido do que eu pensei que era, tempo profético, isso aqui um minuto por um dia, ela não é assim, não, aquele literal... A Sra. White tem alguns textos que ela mostra como é que é importante... Olha que interessante, estou falando com minhas palavras: é importante para a legalidade da obra salvífica de Cristo que exista pelo menos uma pessoa no mundo que não aceite o governo de Satanás. Vocês entenderam? É importante para a obra de Cristo que exista no mundo pelo menos uma pessoa que não aceite o diabo. Aí você entende por que que no livro de Jó, quando o diabo chega no céu cheio de triunfo falando assim: eu andei pela terra e passei por ela, eu sou representante da terra, qual foi a resposta de Deus? Por que que quando a porta da graça se fechar Deus não vai deixar que haja mártires? Porque se morrerem todos, não haverá mais salvos. 100% da terra vai estar na mão do diabo, vai ser o triunfo dele. Por isso que os que ficarem depois do fechamento da porta da graça não poderão morrer. Deus tem que ter a sua testemunha aqui. E olha como é que é lindo o plano da redenção. Por isso também que depois do milênio Deus vai ressuscitar os ímpios, mesmo que já estejam condenados, porque pela primeira e única vez na história todos os seres criados por Deus, desde o primeiro até o último, estarão reunidos: os mundos não-caídos, os salvos, os que se ajuntaram com Satanás, o próprio Satanás, os anjos fiéis, os anjos rebeldes, e Deus vai fazer a pergunta. Agora você já sabe o que é o mal, o que vocês querem que eu faça? Mundos não-caídos: acabe com o mal, Senhor! 144 mil: acabe com o mal, Senhor! Diabo e vocês... E até o diabo vai se prostrar e vai reconhecer: justos e verdadeiros são os teus caminhos, Senhor. Pode nos destruir, porque já é tarde demais para nós. Ou seja, o ato último de Deus de destruir o mal será um atendimento à oração universal, literalmente universal, de todos os seres que ele criou. E por que que esse diabo vai admitir? Ele não se converte, porque ele vai admitir junto com os ímpios que é tarde demais. Tanto é que, segundo... depois da admissão, eles vão marchar contra a cidade para tentar destruí-la, e vem fogo do céu, isso destrói.
Agora, irmãos, eu tenho cinco minutos para falar uma coisa que eu precisaria de quinze minutos. Não sei como é que eu faço aqui, não... nem vou olhar para lá, não... Quinze minutos passou, tá, então vinte. Que eu tenho cinco... Ah, meu amigo, tantas vezes lidando com os judeus, você acha que eu aprendi alguma coisa? O pastor Dornelles mencionou aqui Apocalipse 12, e eu não vou ler o texto por causa do tempo, vocês conhecem: uma mulher vestida de sol, perseguida pelo dragão. O dragão estava querendo devorar a mulher, ele não consegue. A mulher vai para o deserto. Quanto tempo que ela fica no deserto? Foi falado aqui na palestra anterior: 1260 anos. Aí o dragão sobe para o céu para devorar a criança, é expulso por Miguel, volta para a terra e começa a guerrear contra os remanescentes. Tem algumas perguntas no texto aqui que me intrigam. A primeira coisa que eu aprendo é que o remanescente ali é uma realidade histórica, é visível, é anunciadora. Isso foi bem explorado ali. Remanescente não é algo etéreo, é visível, e ela – Ellen White – fala que a igreja adventista é a igreja remanescente. Mas deixa-me primeiro aqui colocar para vocês algumas perguntas de Apocalipse 12. O pastor Dornelles, na palestra dele, ele mencionou, colocou os textos ali em como é que fala, o paralelo, e ele fez uma pergunta: olha, em capítulo 12 o dragão persegue a mulher durante 1260 anos. Depois a besta também persegue o remanescente, só que nós temos um probleminha aqui, irmãos. Abra a Bíblia comigo aqui em Apocalipse, Apocalipse capítulo 12... Apocalipse capítulo 12, versículo 14: pode ler na minha Bíblia, mas foram dadas à mulher duas asas de grande águia para que voasse ao deserto para o seu lugar, aí onde é sustentada durante um tempo, tempos e metade de um tempo, fora do alcance da serpente. Então é para a mulher 1260 anos. Na profecia era 1260 anos de perseguição da mulher ou de proteção da mulher? Que diz o texto? Onde ela seria sustentada, fora do alcance da mulher... A besta vai atrás, vomita um rio para engoli-la, até abre a sua boca, engole o rio da besta... A besta não consegue... Corrigindo, perdão, o dragão, o dragão não consegue. Então, a primeira pergunta é: se a profecia tá dizendo que ela ficaria 1260 anos longe do alcance da serpente, por que que os nossos 1260 anos são anos de perseguição? A profecia não se cumpriu. Segundo problema: quando a gente vai a Apocalipse capítulo 13, Apocalipse capítulo 13, versículo... versículo 7, não, perdão, versículo 5: foi-lhe dada a boca que profecia arrogâncias e blasfêmias, e foi-lhe dada autoridade para agir durante 42 meses. 42 meses = 1260 anos, mesma coisa. A besta tinha autoridade sobre o povo de Deus durante 42 meses mesmo? Ou não? Sim ou não? Tá na Bíblia. O que que vocês acham? Tinha, porque se a profecia disse que a mulher ia ficar longe do alcance da serpente, e a serpente e dragão é a mesma coisa... Olha que interessante!
O dragão representa, ao mesmo tempo, o diabo e o poder Romano Imperial que tentou destruir o povo de Deus e o próprio Messias. E vocês conhecem a história; a Bíblia mistura, às vezes, entidades políticas com entidades sobrenaturais. O Rei de Tiro é literalmente o rei de Tiro e também o diabo. Aí, olha como está no capítulo: algumas Bíblias estão no capítulo 13, verso 1; nas outras Bíblias, está no capítulo 12, verso 18. Fala assim: quando o dragão não pode perseguir a mulher, e se voltou contra o remanescente, diz que ele se pôs em pé sobre a areia do mar. Talvez o dragão não pode perseguir a mulher, então ele vai perseguir, fazer guerra contra os remanescentes dela, o resto dela. E ele se põe em pé sobre a areia do mar. E o que é que sobe do mar? Uma besta. O dragão tinha poder para gerir os 1260 anos; não a mulher ia ficar no deserto, fora do alcance dele. Maria, então, a besta é uma continuação histórica do trabalho do Dragão. Se o dragão representou o diabo e, ao mesmo tempo, Roma, a besta tem que ser Roma revivida, só que com um detalhe que não valia para o dragão: esta Roma revivida é um poder apostatado. Então, tem que ser cristão. Não existe islamismo apostatado; existe cristianismo apostatado. Concorda comigo? Não tem como um solteiro ficar viúvo; não tem como. Você só pode ser… não tem como alguém que nunca nasceu morrer. Então, se eu estou falando de um poder apostatado, é porque um dia ele foi fiel. Não pode ser um poder meramente pagão; tem que ser um poder cristão que se tornou pagão. E eu volto à pergunta: se o plano de Deus era que a mulher ficasse longe do alcance da serpente, o que é que aconteceu nesse meio tempo que a serpente não pode ir atrás, mas mandou a besta? Por que é que a besta tinha acesso a um território que o dragão não tinha? O que é que aconteceu? E por que é que o dragão parou de guerrear contra a mulher e foi fazer guerra contra o descendente dela? A mulher não morreu; irou-se o dragão. Uma vez alguém leu: “O dragão irá… se o dragão contra a mulher e foi pelejar contra o… o que é que eu falei que ia? Remanescente mesmo; o que sobra. Então, o que é que aconteceu com a mulher? Ele só perseguiu o que sobra.
Aí, irmãos, me chama atenção esse ponto que talvez nem todos vão concordar. A visão tradicional de muitos comentaristas é que o Apocalipse traz duas mulheres: uma mulher pura, uma mulher prostituta. Eu tenho a impressão de que o Apocalipse está falando da mesma mulher em duas situações. Abra a Bíblia comigo: Apocalipse, capítulo 17. Você sabe que o Apocalipse ele é feito com base em paralelos; o que você encontra no primeiro capítulo, das sete igrejas, você tem no final lá, da Nova Jerusalém. Paralelos, paralelos, paralelos. O Apocalipse, capítulo 7, fala do 144 mil; o capítulo 12 terminou com suspense: a mulher fugiu para o deserto; o dragão não pode ir atrás da mulher no deserto. Então, o que é que ele fez? Completem: enviou a besta. Mas o Apocalipse, capítulo 12 e 13, não explica o que é que aconteceu; a cena congela. A mulher cria asas – imagina o Apocalipse com imagens – a mulher cria asas, ela voa para o deserto; o dragão não pode ir atrás dela; ele espera na beira da praia; levanta a besta; ele manda, e a besta vai atrás da mulher no deserto. A pergunta óbvia é: qual pegou ou não pegou? Ele conseguiu escapar? E o assunto silencia até o capítulo 17. Aí, no capítulo 17, começa assim: veio um dos sete anjos que tem as sete taças cheias da cólera de Deus e falou comigo, dizendo: “Vem, mostrar-te-ei o julgamento da grande meretriz que está sentada sobre muitas águas, com quem se prostituíram os reis da Terra”. Transportou o meu anjo em espírito para onde? Deserto. Então nós vamos ver a continuação. E quando João chega ao deserto, o que é que ele vê? Uma mulher vestida com roupas e sentada em cima de uma besta, embriagada com sangue dos santos. E tem uma expressão forte no grego que… João, quando vê isso, ele fala assim: “Quando a vi, admirei-me com grande espanto”. Espera um pouquinho. João já tinha visto o diabo lutando com Cristo e caindo do céu; João já tinha visto o trono de Deus; ele já tinha visto coisas inefáveis no terceiro céu. Agora ele vai se espantar com grande espanto. E esse pleonasmo, “espantei-me com grande espanto”, tem algo hebraico nessa forma de falar. O hebraico bíblico, que mesmo escrevendo em grego – Novo Testamento – eles são mentalidade hebraica; João era judeu. Então, quando é uma coisa assim, do superlativo, alguma coisa ultra mega power super, você fala no construto: o Santo dos Santos, Rei dos Reis, Senhor dos Senhores. Vocês entenderam? “Admirei-me com grande admiração”, porque olha: imagina, você viu o céu, você viu os anjos, você viu o trono de Deus, você viu a batalha do dragão sendo expulso de lá, e agora você vai se espantar com uma coisa que você vê no deserto: uma mulher montada num bicho. Por que é que João se admirou com grande espanto? Porque ele nunca esperava aquilo. Foi a dor do profeta; ele estava preocupado com as igrejas que ele tinha deixado na Ásia Menor, com heresias que estavam entrando, e agora ele viu que Deus mostrou para ele a mulher se juntando com a besta, e aquilo remeteu a João uma imagem que, no Antigo Testamento, quando o povo de Israel entrava em apostasia, a deusa pagã que eles mais buscavam era esposa e, ao mesmo tempo, mãe de Baal. E um dos textos ugaríticos mostra Asera como sendo uma prostituta que chega no trono de El montada numa besta, e ela serve para todo mundo o vinho da prostituição; dele, todo se embriaga; ficam felizes. E ela falou: “Venham, comam da minha comida, bebam do meu vinho”, e todo se admira e fala: “Quem é a grande Asera?” João, como judeu, lembrou disso, e ele entendeu assim: como no Antigo Testamento o povo de Israel… o detalhe: ela… ela sondava nesse animal, assim como o povo de Israel, no passado, buscou Asera, o povo cristão, no futuro, vai se unir com Roma. João entendeu a mensagem. Repito: há muitos comentaristas que pensam diferente de mim, que são duas mulheres distintas. Eu, particularmente, entendo que é a mesma mulher numa situação fiel e numa situação infiel. E pelo fato da mulher ter se ajuntado com a besta, o que é que sobrou? Aquele remanescente que guarda os mandamentos de Deus e a fé em Jesus. Vocês entenderam? Entenderam? Por que é que o dragão não luta mais contra a mulher, sim, com o remanescente? Que o remanescente foi o que sobrou dela, fiel.
Para terminar aqui, o que é que eu entendo sobre aquelas posições adventistas de remanescente? Depois de ler o Dr. Hazel, ler esse livro e fazer minha própria pesquisa na Bíblia, eu notei que a palavra remanescente tem várias categorias. Então você tem que classificar. Seria mais ou menos assim: a palavra universitário é uma palavra meio vaga, porque tem universitário que estuda teologia, tem universitário que estuda direito, tem universitário que estuda psicologia, tem universitário que estuda agronomia. Então, quando você fala o seguinte: “Eu estou me dirigindo a universitário”, de qual curso? Então, embora todos sejam universitários, estão em cursos diferentes. Da mesma maneira, na história da Bíblia, a palavra remanescente precisa ser explicada, porque ela é aplicada a categorias diferentes. Então, no sentido de um povo que Deus escolhe para guardar a sua mensagem, tem que haver um grupo remanescente, como no passado. Embora Deus amasse todos os povos – no livro de Amós, Deus fala o seguinte: “Judeus, vocês estão se achando demais; vocês acham que eu só tirei vocês do Egito? Eu também tirei os filisteus da terra de Caphtor”. Já leram isso na Bíblia? Deus fala o seguinte: “Vocês acham que só vocês são os meus? Eu também tirei o meu povo da terra de Caphtor”. Ele tá falando dos filisteus. Deus ama os filisteus; Deus ama o etíope. A Bíblia é repleta de pessoas que não eram da nação de Israel e eram heróis e heroínas de Deus: a Rute, aí para contar história… Jesus chegou para um homem pagão… aí a questão da ortodoxia, que oferecia incenso a César, né, porque ele era centurião da guarda romana… Não, mas ele era convertido. Se ele fosse convertido, ele não continuaria como centurião da guarda romana. Só dele ser centurião e amigo dos judeus, ele era aquele adventista que gosta dos adventistas, mas não se batiza. Jesus falou assim: “Eu não encontrei fé igual a desse homem aqui”. Uma mulher, siro-fenícia, cananéia… “Não encontrei fé como ela”. “Eu tenho ovelhas que não são desse aprisco”. Então, a realidade de que Deus tinha um povo eleito visível não anulava a realidade de que Deus tinha pessoas sinceras em outros povos. Isso é bíblico. Ficou claro? Então é um falso dilema: “Pera aí, o Deus tem um povo eleito ou não tem povo nenhum?” Não. Deus tem um povo eleito. E por que é que Deus precisa ter um povo eleito? Por que é que ele escolheu Israel? Para que a verdade seja guardada. E como é que eu lido quando eu trato esse assunto, por exemplo, com ambientes não adventistas e não sabem? Hoje, Pastor Martin, daquele… pode comprovar isso: 70% dos convites que eu recebo hoje são de igrejas não adventistas, e pela graça de Deus eu nunca deixei a porta fechada atrás de nenhuma que eu passei, mas também não precisa ficar pedindo desculpa por ser adventista, escondendo… adventista… sabe onde é que eu lido com isso? Em primeiro lugar, eu falo com ele: “Você sabia que é Ellen White que me ensinou que vocês são meus irmãos em Cristo?” Eu não li os textos da Ellen White aqui por causa do tempo, mas ela fala… cada texto… ela fala até no mundo pagão. Eu tenho o texto aqui, eu vou deixar o PowerPoint depois para quem quiser checar nos seus celulares. Ela fala até no mundo pagão: Deus tem o seu povo, e teve pelo menos uma ocasião… esse povo até de fora da igreja… até os pagãos… de remanescentes. E como é que você concilia isso, Rodrigo? Falar que a igreja adventista é a igreja remanescente da profecia… batista, presbiteriana… elas têm o mesmo direito. Como assim? Ora, se eu sou presbiteriano e acredito em João Calvino, na predestinação… ou eu creio nisso de verdade ou não creio. Se eu creio que João Calvino estava certo e que a predestinação é a predestinação, então é a minha igreja que está certa. Deus pode ter um sincero dele na batista, na Assembleia de Deus, mas quem está certo sou eu, presbiteriano. Senão, por que é que eu sou presbiteriano e não jeová? Se eu sou um pentecostal da Assembleia de Deus e creio no batismo do Espírito Santo com o dom de línguas… o enchimento do Espírito Santo… e eu creio nisso piamente, eu tenho que acreditar que a igreja Assembleia de Deus é a igreja de Deus que está correta, e Deus tem os seus sinceros na batista, na presbiteriana, mas o povo da profecia que está lendo a Bíblia sou eu, que sou pentecostal. Então, qualquer igreja tem não só o direito, mas o dever de acreditar que a igreja dele é remanescente, até o adventista. Senão, por que é que você é presbiteriano e não assembleia de Deus? Esse é o problema que está acontecendo hoje no mercado religioso: cada um está escolhendo igreja… escolhe sapato… “Eu não gostei desse aqui, não tem outro?” Igreja não é assim que se escolhe. “Aí, não vou mais naquela igreja, não, porque o pastor não prega tão bem; eu gosto tanto do louvor; tem uma célula maravilhosa…” As pessoas estão escolhendo igreja hoje como escolhe banco, como escolhe sapato, como escolhe carro. Você tem que escolher a igreja por convicção doutrinária, não é porque você se sente bem. Isso vale até para os adventistas. É assim que eu já logo com eles: “É verdade, você tem razão; eu tenho direito de ter a minha convicção como adventista, como você tem o direito e a sua convicção como assembleia de Deus, como presbiteriano”. O que eu não posso é, na minha convicção, ser exclusivista: somente os que concordam comigo vão para o céu. E você também, na sua convicção… se você tiver a sua convicção, mas dentro dela você está disposto a tratar como irmão alguém que discorda de você… nós estamos no mesmo caminho. Isso não é ecumenismo, é diálogo religioso, não é fanatismo. Então, a igreja remanescente da profecia nunca se envergonha de usar esse título. Agora, dentro da igreja remanescente da profecia existem infiéis. Infiéis. Esse grupo é chamado a pregar as três mensagens angélicas, acrescida da quarta, que será aquele movimento final ali. Agora, esse remanescente fiel da igreja, ele vai ser sacudido, período da limpeza, de modo que no final vai restar apenas os fiéis da Igreja. É uma outra categoria de remanescentes. Perceberam? Então, dentro da igreja remanescente vai sair também um remanescente escatológico. Esse remanescente que é escatológico… então a igreja, para mim, é remanescente histórico, assim como Israel era o povo eleito histórico. Lembra as categorias do Hazel lá: histórico, fiel e escatológico. A igreja remanescente adventista, remanescente histórico, os fiéis e infiéis dentro dela, né? Os fiéis são os remanescentes fiéis, e o escatológico… a… o escatológico vai ser a junção dos fiéis do adventismo, depois do peneiramento, com os fiéis de Babilônia, depois do peneiramento que vai ter lá também. Sai dela o povo meu, e esses dois vão se juntar para fazer o remanescente escatológico. Então, quando eu falo remanescente histórico, remanescente escatológico, remanescente fiel, são apenas diferentes categorias para a palavra remanescente que não são excludentes nem contraditórios. Espero ter explicado esse assunto aí, e que Deus abençoe cada um de nós, e que possamos em breve ver nosso Senhor voltando nas nuvens com poder e grande glória. Amém.