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Falar, falado isso, eu acho que a gente podia começar. Eh, que bom que você citou a Bíblia, porque como é tema do do programa de hoje, a gente explicar como a Bíblia, de uma maneira mais simples, como a Bíblia foi formada, porque alguns livros entraram, outros não, por que a Bíblia católica tem mais livros que a protestante e por que existem livros apócrifos. É muita coisa.
Não, podemos podemos falar primeiro o Antigo Testamento. O Antigo Testamento é o mesmo texto que nós temos dos judeus.
Pentateuco.
O Pentateuco é para o judeu a Torá.
E a Torá é apenas a primeira parte do texto judaico. O texto judaico se chama Tanar. Tanar, que tem três grandes partes. A primeira é Torá, segunda é Nevim e a terceira é Ketuvim. No ano, no ano 90 depois de Cristo, houve o concílio de Jamneia, que fechou esses textos como sagrados, como canônicos para os judeus. O Antigo Testamento é esse mesmo texto do Concílio de Jamia que virou o Antigo Testamento.
Então nós temos os 24 livros judaicos que se transformaram em 39 livros do Antigo Testamento. Como é que 24 livros se transformam em 39? Porque eles são mais bem divididos nos 39 livros do Antigo Testamento. Então, o Antigo Testamento nosso é o livro que foi fechado no Concílio de Jâneia. A Igreja Católica tem 10 textos a mais, que dão sete livros a mais a esse conjunto de textos e mais acréscimos a Esther e Daniel.
Ah, tem tem versículos a mais.
Tem sete livros a mais e mais acréscimos ao livro de Ester e Daniel. São 10 textos a mais.
É, é, mas assim, a Bíblia do Antigo Testamento que é fechada no Concílio de Jâna, que é a Bíblia evangélica, é igual, está contida na Bíblia católica. A Bíblia católica é esse Antigo Testamento mais 10 textos. Esses 10 textos do V dar um exemplo, Eclesiásticos. Eclesiásticos dá sete livros a mais e e acréscimo da Ester e Daniel. Esse é o Antigo Testamento.
O Novo Testamento foi gradativamente sendo reconhecido pela comunidade como inspirado e alguns concílios mesmos reconheceram o que a comunidade já havia reconhecido. Então se formou o Novo Testamento. Então nós temos na Bíblia 39 livros do Antigo Testamento, 27 livros do Novo, formados e construídos em um período de 1500 séculos. O que é impressionante, Vilela, que eles foram inscritos por cerca de 40 autores. Dos 40, 31 escreveram os 39 do Antigo Testamento e nove escrever os 27 no Novo. Em 1500 anos, meu querido, eu escrevo um livro meu sozinho. Quando eu olho pro livro, às vezes encontro dificuldades e contradições que precisam ser melhoradas. Eu imagino você analisar um texto que é escrito 39 livros do Antigo Testamento, 27 do Novo, no período de 1500 séculos, por cerca de 40 autores e você não vê nenhuma contradição.
Há contradições aparentes, dificuldades para as quais há respostas. Isso é por si só algo impressionante. Então, a Bíblia é um documento único e devo dizer mais, escrito por autores dos mais diversos repertórios, das mais diversas origens. Houve livros escritos por reis, como é Davi, Salomão, livros escritos por filósofos, como é Paulo. Paulo era uma pessoa de uma grande capacidade intelectual. Paulo estudou aos pés de Gamaliel e ele, Gamaliel, era neto de Iléo, o fundador da maior escola judaica de todos os tempos. Você tem livros escritos por pescadores, livros escritos em estilos literários totalmente diferentes. Você pegar, por exemplo, o livro de Atos, professor Vilela, que foi escrito por Lucas, que foi quem mais escreveu no Novo Testamento, em quantidade de texto. Lucas escreveu o Evangelho de Lucas e Atos. O livro de Atos tem 84 fatos que são provados pela história e arqueologia. Então, nós estamos falando de um documento único, incomparável. O livro de Atos é essencial para o entendimento da Ásia Menor. É um livro de história profundo. É o livro, inclusive que fala do nascimento da igreja. A igreja nasce em Atos 2, em Pentecostes, a igreja cristã. Então aquele documento é um documento incomparável.
Eu digo mais, o Antigo Testamento ele é muito resguardado porque o judeu é o povo do livro. Então o judeu ele resguardou o texto porque a unidade do judeu se dá pelo texto. Não havia Israel, né?
É. Israel foi fundado em 1948.
Recente para caramba.
Recente, né? Inclusive com a presidência de um brasileiro Osvaldo Aranha.
É o Osvaldo Aranha.
Não foi que o o voto de Minerva.
Minerva foi dele, né?
É. Então, veja bem, então você tem o Antigo Testamento, que é um texto extremamente resguardado pelos judeus. Mas o Novo Testamento também, professor Vilela, se nós formos analisar, ele é impressionante pelo seguinte, porque uma coisa é saber se o texto diz a verdade, outra coisa é saber se o texto que nós temos hoje é o mesmo texto que foi escrito lá atrás.
E aí, como saber isso?
Cada um, como é que nós sabemos que o texto diz a verdade? Várias formas. Uma das formas de saber como o texto diz a verdade é ver se ele se expõe à investigação. No caso do cristianismo, claramente é um texto que se expõe o escrutínio, a investigação. Se você pegar a primeira epístola aos Coríntios, no capítulo 15, no verso 14, que é escrito pelo apóstolo Paulo, ele diz assim, ó: "Se Cristo não ressuscitou, é vã a nossa fé, é vã a nossa pregação". Isso é tão profundo, Vilela, porque ele coloca o cristianismo, ele diz assim: "Olhe, se Cristo fisicamente não ressuscitou, é van a nossa fé, é van a nossa pregação. Tudo que é feito de cristianismo depende da existência de um fato histórico público que ocorreu. A ressurreição é física. Pra pessoa dizer isso, tem uma coragem impressionante.
Ô, é o, é o trecho mais corajoso usar escrito em qualquer livro religioso, porque tá colocando todo o sistema do cristianismo e tudo em cheque se Cristo não ressuscitou ou não. E a ressurreição é física.
E quem não acredita em ressurreição tá tá entendendo errado a Bíblia, se é cristão, se diz cristão e não acredita que Cristo ressuscitou. elemento central central do cristianismo. Agora, o que acontece é o seguinte, pelas evidências, nós não temos como dizer que há outra opção senão a de que Deus ressuscitou Jesus entre os mortos. Jesus foi ressuscitado é a hipótese mais plausível para o que se vê no texto. Existem pensadores como Gary Habrimas, que é um intelectual que dedicou metade da vida acadêmica dele aos às provas históricas da ressurreição. Não confundi com o filósofo Jurgen Harber, é o o historiador Gary Habermas. Então veja, primeiramente o texto, ele se expõe à investigação. Veja que não é um fato que se que é verdadeiro, mas não é verificável. Você sabe que existe uma diferença entre algo que é verdadeiro e algo que é verificável. Algo pode ser verdadeiro e não ser verificável.
Sim. Como o amor por o amor do pai do e por um filho.
Um filho. Mas você pode até investigar o comportamento ser correspondente, mas se você
É, mas mesmo assim pode serado.
É.
Po perfeito. Ou então se você me disser assim, Tassos, ontem eu sonhei, aí você me diz o sonho que você teve.
Sim.
Falando a verdade, mas eu não tenho como verificar.
Como que você vai ver se é realmente o meu sonho?
É.
Não tem como, né? Mas a
Tá desligado aqui o a televisão, depois você liga pra gente.
Por mas a ressurreição física pública de um homem é algo verificável. Veja que Paulo não diz assim não. Se eu tive um encontro com o anjo, se eu tive um sonho, se eu tive uma revelação, tudo isso poderia ser verdadeiro, mas a base do cristianismo é um fato investigável. Então isso aí é um, não é assim, eu sonhei, Deus falou comigo por sonho que ele ressuscitou, não foi isso, né?
Perfeito. Poderia ser verdade, mas não é verificado.
Os soldados eh eh viram várias pessoas viram a pedra, teve vários testemunhos, ele apareceu inúmeras vezes, né? Várias aparições.
Isso. Aliás.
Pós morte, né?
É, após a ressurreição. Quem foram as primeiras testemunhas da ressurreição de Jesus? Mulheres.
É, já.
Que eram as pessoas na teoria que não seriam eh tão respeitadas quanto um homem na época, não é? O testemunho de uma mulher valia tanto quanto o testemunho dessa jujuba aqui.
Exato.
Na sociedade judaica.
É.
Então colocaram por mulheres? Porque era verdade. Jamais para um fato central do cristianismo, se fosse mentira, teriam colocado mulheres, teriam colocado os homens cujos testemunhos seriam tidos como fidedignos.
Exato.
Então esse é uma prova da análise textual. Tem outras também, né? Mudança de vida dos filósofos, dos apóstolos, dos pensadores, dos seguidores, as pessoas que se entregaram a vida ao Senhor. A mudança de vida dos apóstolos, por exemplo, você vê que todos eles mudaram radicalmente a vida deles. Todos foram perseguidos, torturados e mortos, a exceção de João, que teve sua pena convertida. Ele foi para Pátimos, onde inclusive escreveu, escreveu Apocalipse. A exceção de João, todos foram perseguidos, torturados e mortos sem negar a fé na ressurreição. Então, da maneira como o texto se expõe, é um texto verdadeiro. Se você abrir, por exemplo, vil em Lucas, no capítulo 3, no verso 1, você vai ter várias alusões ali assim: "O governador era fulano, o sacerdote era não sei quem, não sei quem". É um texto que só tem todas aquelas autoridades coincidindo como naquele exercício daquele cargo em um ano específico, é o 29 depois de Cristo. Então não é um texto que se expõe.
Agora a pergunta é: será que esse texto tão profundo do jeito que é e tão verificável do jeito que é, será que ele não foi mudado ao passar do tempo?
Isso.
Será aí como é que a gente sabe isso?
Tem como saber? Tem como saber? Como é que a gente intelectualmente sabe isso? Pelo número de cópias que nós temos do Novo Testamento. Por quê? Porque o quão maior for o número de cópias, mais fácil é identificar se alguém alterou alguma cópia.
Concord.
Comparando entre elas.
Comparando entre elas. Então, se nós temos um texto antiguidade com número de cópias muito grande, muito facilmente nós conseguiríamos identificar se houve alteração em algum dos textos. No caso dos livros do Novo Testamento, nós temos 5686 cópias na língua em que o Novo Testamento foi escrito, que foi o grego. O Antigo Testamento foi escrito em hebraico, com algumas partes de aramaico. O Novo Testamento foi escrito em grego, 5686 cópias. Vila, esse número é muito alto. Se você tem uma ideia, o segundo texto nessa corrida de número de cópias é a Ilíada de Homero com 643 cópias. Pessoas que vem aqui para você falar de Platão, Aristóteles, dos pensadores da antiguidade ou mesmo de historiadores da antiguidade, o Tácito isso nem tem nada escrito, né? Foi foi passado oralmente.
Quanto? Perdão, perdão, perdão. Continue.
Não é falei isso. Então você veja.
Não tem nada escrito.
É quando não baseados em 10 cópias. Platão é baseado em 10 cópias.
Olha só. E e explicar por que que tinha tanta cópia.
Porque era a maneira que era feita para expandir a mensagem. Agora.
Quem faziam essas cópias? Eram eram daqu.
Cristãos. Os cristãos. Agora, veja bem, eram cópias que eram feitas contra a determinação imperial.
Não podia. Ah, Dioclesciano no ano 303 depois deco Cristo determinou que todas as cópias encontradas fossem destruídas e os cristãos mortos.
E por que isso?
Porque queria proibir a expansão do cristianismo, atacar o cristianismo.
Você assistiu o nome da Rosa?
Assisti há muito tempo. Assisti.
É que tem lá é no mosteiro e eles estão e eles estão fazendo cópias, né, da da.
Isso. Os copistas.
Os copistas.
Então, 5686 cópias garante que o texto que tá ali foi o mesmo que foi escrito atrás. E aliás, ô Vilela, se você pegar essas 5686 cópias e colocá-las uma ao lado da outra, elas são 99.5% dos casos idênticas. Isso é um recorde também, porque em textos da antiguidade a coincidência se dá em torno de 90%. 99.5% dos casos do 0.5% de discrepância desses textos, 80% dessa discrepância, 80% do 0.5% 5% de discrepância diz respeito unicamente à ortografia.
Ah.
E nenhum ponto toca em uma assertiva ou doutrina central do cristianismo. Nada. E outra coisa também, nós estamos falando de 5686 cópias que facilitam o acesso ao que estava no original. Por quê? Porque pela sobreposição das cópias você tem a informação que está na rasura do outro. É como uma meia furada, professor Vilé, se o senhor tiver uma meia furada.
E quiser usá-la, você usa duas meias furadas. Porque dificilmente um furo vai est exatamente onde tá outro furo.
Perfeito. [risadas] Gostei desse. Não vou jogar mais as meias furadas fora.
Não, não. Guardeas numa gaveta específica para este fim.
E o senhor usa duas meias furadas. O furo não vai cobrir, não vai estar no mesmo lugar de outro furo e o problema vai ser resolvido. A mesma coisa é a quantidade de copos.
Que maravilha. Essa é.
Então é o livro mais confiável que existe. Sem falar também das coisas impressionantes que acontecem. Você tem, por exemplo, ideias que estão nas escrituras, mesmo no âmbito da ciência, que somente séculos depois a ciência teve que se dobrar as escrituras.
Exemplo.
Ah, se você pegar a primeira fase da Bíblia, que é assim: "No princípio Deus criou os céus e a terra". Olhe só a primeira frase da Bíblia. No princípio, Deus criou os céus e a terra. Princípio, tempo. Céus, espaço, terra, matéria. Veja bem, o tempo pode existir sem o espaço, não pode?
Pode.
Mas o espaço não pode existir sem o tempo.
O espaço tem que existir em algum curso temporal.
A matéria pode existir sem um espaço, não. Mas o espaço pode existir sem a matéria.
A matéria tem que existir em um espaço, em um curso temporal.
Então, até a ordem é correta. No princípio, tempo, Deus criou os céus espaço, e a terra matéria. E esse verbo criar não é um verbo qualquer. Eu não disse para você que o Antigo Testamento é escrito em hebraico.
Esse verbo criar é o verbo em hebraico baró. Boró é o verbo que quer dizer criar a partir do nada. Línguas antigas faziam essa distinção. O latim fazia, infelizmente nós perdemos no português, porque o latim fazia entre criar e criar. O que é criar a partir do nada? é criar a partir da ausência de qualquer coisa.
Não é moldar, né? Não é pegar alguma coisa e dar forma a um, por exemplo, a um, a um, a um, um escultor que ele pega um tronco de madeira e vai esculpindo e faz um cavalo. Ele criou, mas a partir de alguma coisa.
Perfeito. Moldar é outro verbo em hebraico, é iassá ou assar. É, são outros verbos, mas criar a partir do nada. Então, o que é que a Bíblia tá dizendo na primeira frase? Tá dizendo que Deus criou o espaço, a matéria e o tempo a partir do nada. Essa ideia de que o universo teve uma origem a partir do nada, era uma ideia que não se encontrava na civilização, na história intelectual humana até me do século passado. Você sabia disso?
Não.
Se você pegar qualquer texto desde a Grécia antiga até o idealismo alemão em meados do século passado, todos os textos estavam dizendo o quê? Que o universo, de uma forma ou de outra, existia desde sempre. A teogonia grega, por exemplo, dizia o quê? que Demiurgo havia moldado o universo a partir de uma matéria que existia desde sempre. A ideia que está na Bíblia da criação a partir do nada era tida como uma esdrúxula demais. Era uma loucura. Como é que alguém pode criar algo a partir do nada? Até explicar o nada é difícil, não é, professor?
Pois é. Yeah.