Transcription
Uma boa noite a todos os irmãos, você que está acompanhando de casa. Eu sei que há milhares de pessoas, literalmente milhares de pessoas acompanhando essa vigília, e nós temos o privilégio de encerrá-la aqui. Eu sei que já passaram excelentes oradores aqui, o pastor Reinaldo Siqueira, que é professor do NASP, também o pastor Benedito Muniz falou também. Eh, e o pastor, depois do Benedito, o pastor Conde também falou, não é isso? E o pastor Gilmar Batistote também falaram aqui.
Muito bem, irmãos. Eu vou fechar essa fala sobre o santuário e sobre o julgamento, falando agora especificamente do julgamento no santuário, mas voltado ao livro do Apocalipse. É lógico que para cobrir tudo do Apocalipse, a gente teria que ficar aqui não durante uma vigília, mas durante dias e dias. Mas nós vamos tentar dar um resumo para que você em casa possa acompanhar com a gente e possa pegar a sua Bíblia e estudar. Lembre, é uma vigília, é um tom espiritual que nós estamos dando, mas isto não retira dessas palestras que você está tendo também um certo, uma pitadinha de didática, de teologia. Então, aproveite para ter esse curso de teologia gratuito com vários professores, e eu tenho a honra de encerrar aqui, tá bem? Vamos falar um pouquinho então sobre o julgamento no santuário.
Primeiro lugar, deixe-me lembrar de um clássico de Victor Hugo, o Corcunda de Notre Dame. Eu sei que, infelizmente, por causa dos problemas hoje de cultura, as pessoas conheçam talvez uma obra clássica mais pelo filme, pelo desenho animado da Disney do que pela obra original na qual ele foi escrito. Mas o Corcunda de Notre Dame, ele foi um livro produzido no século XVI por Victor Hugo. E quando Victor Hugo escreveu o Corcunda de Notre Dame, minto, no século XIX, tem uma cena, uma palavra que sempre se repete no filme do Corcunda de Notre Dame que me chama atenção. É quando gritam: "Santuário! Santuário!" Para quem não conhece o resumo do livro do Victor Hugo, Corcunda de Notre Dame é uma história fictícia, porém ambientada na Europa, na França. E havia uma mulher que teve a luz a uma criança, e eles iriam matar essa mulher, e acabaram até pegando um embrulho que estava na mão dela, pensando que era apenas um pacote qualquer. Viram que era uma criança corcunda, deformada. E eles não mataram a criança, mas deram a criança para que o pároco pudesse criar aquela criança. Ele aceitou fazer isso com a condição que aquela criança, por ter uma aparência horrível, jamais abandonasse a torre da igreja de Notre Dame, a igreja que foi incendiada há pouco tempo agora, e os franceses estão reconstruindo. E tem vários momentos ali da cena que você vê, por exemplo, o Claude Frollo, ele vai tentar pegar uma cigana, e ela corre para a igreja e grita: "Santuário!". Um determinado momento, o próprio corcunda pega uma mulher, leva até o alto da torre e grita: "Santuário!". Noutras palavras, o santuário era o lugar de refúgio para você não ser julgado de maneira injusta.
Por isso que eu dei essa introdução aqui de quebra-gelo. O santuário no passado era visto de uma maneira protecional, judicialmente falando. Só que hoje, convenhamos, no século XX, a ideia de comparecer perante um tribunal, seja em que papel for, não nos parece agradável, principalmente se estamos na condição de acusados de algum crime. E as pessoas realmente, talvez em razão disso, não queiram muito comparecer perante um tribunal, seja em que situação for. Talvez por isso, eh, as pessoas rejeitem tanto a ideia de comparecer também diante do tribunal de Deus. Esse assunto tornou-se quase inexistente nos púlpitos modernos, porém ele é bíblico. E aqui, deixe-me abrir um parênteses para falar com você um pouco sobre isso. Nós estamos tendo uma visão que eu diria muito romântica de Deus, mas estranhamente romântica. Uma visão na qual Deus não pode ser aquilo que a Bíblia falou que ele é: um Deus que julga.
Deixe-me fazer uma pergunta para você que está em casa. Qual das asas do avião é a mais importante? Se for para cerrar uma asa do avião, qual das duas você vai mandar tirar? A da direita ou da esquerda? Eu sei que a pergunta parece tola, mas ela leva a uma conclusão lógica. O avião para levantar voo precisa das duas asas. Noutras palavras, não se voa com uma aeronave tendo apenas uma asa. Da mesma maneira, não se pode fazer teologia com apenas um lado de Deus. Qualquer doutrina sobre salvação ou teologia que enfatize demais um lado de Deus, negligenciando o outro, se torna uma heresia. Aliás, em outras palavras, sabe como é que eu poderia conceituar heresia aqui a vários pastores? Heresia é um lado da verdade que ficou louco. Podem pegar toda heresia, ela não é uma mentira 100% mentirosa. A heresia geralmente é um lado da verdade que se toma, se acentua demais, colocam no lugar errado, e aquele lado da verdade se torna uma heresia contra Deus. Exemplos: Jesus Cristo era Deus. Claro que ele era Deus, mas eu posso enfatizar tanto a divindade de Jesus que eu esqueço que ele também se tornou homem, um dentre nós. Nós somos salvos pela graça de Deus. É claro que somos salvos pela graça, mas eu posso enfatizar tanto essa graça a ponto de esquecer as obras. Perceberam? As obras não são o meio. Essa é outra frase da Voz da Profecia. Nem a causa da nossa salvação, mas o resultado dela.
E hoje eu fico preocupado porque os púlpitos estão apresentando uma visão muito humanista de Deus. Eu ouço frases aí que são completamente antibíblicas e pregadas por pessoas que fizeram teologia. Querem exemplos? "Deus não julga ninguém." Que blasfêmia! A Bíblia fala que Deus julga. "Deus não condena." Que mentira! Deus condena. Deus está mais interessado em salvar a mim e a você do que uma mãe de tirar um filho de uma casa pegando fogo. Mas se você não aceitar a graça, Deus não levará você para o céu na marra. E alguém pode falar: "Tá bom, eu não sei quantos estão me assistindo ou quais." De repente, alguém que não tem muita afeição à Bíblia vai dizer: "Ah, que barato, né, Rodrigo? Que maravilha esse Deus de amor que você prega." Então, deixa eu ver se eu entendi. Esse Deus de amor fala assim, estou citando de maneira irônica: "Venha comigo para o céu e aceite a minha graça, senão vou jogar você no inferno." Que Deus de amor você está apresentando, hein, Rodrigo?
A comparação seria efetiva e correta se eu estivesse falando de um namorado possessivo que fala com a menina assim: "Ou você namora a mim, ou então vou matar você". É lógico que ele está sendo possessivo, ele está errado. Esse camarada merece a cadeia. Por quê? Quando um jovem chega para a menina e fala assim: "Ou você namora a mim, ou não deixarei você namorar ninguém", ele está completamente fora do seu juízo, porque a menina tem outras opções, muitas até melhores do que ele para namorar. Ele não é a única opção dela. Mas no caso de Deus é diferente. Deus não é uma dentre muitas opções. Deus é o único no qual existe vida. Então, quando Deus diz a mim e a você: "Aceite-me, senão você vai pro lago de fogo e enxofre, o inferno", não é porque Deus está como um namorado possessivo querendo punir o amor não correspondido. Não é isso. É como se a água dissesse para o peixe: "Viva em mim, peixe". Porque fora da água, peixe não vive. É nesse sentido, a água não estaria sendo possessiva com o peixe. A água não estaria sendo, e é uma pessoa descompensada no seu sentimento. A água está revelando pro peixe que a única maneira que ele tem de viver é nela. Fora da água, peixe morre. Fora de Deus, você morre. Simples assim.
Então, anote uma coisa num cantinho da sua Bíblia. Aí, eu confesso para vocês, desculpem abrir o coração, eu já estou um pouco cansado dessa visão romântica de Deus que nós estamos tendo hoje. Deus tolera tudo, Deus não condena. É aceitação. Você já percebeu que muitos desses pregadores que falam tanto do amor de Deus não falam sobre santificação? Deus ama, Deus aceita, Deus acolhe. Mas onde é que está a parte da santificação? Onde é que está a parte do temor do Senhor? Não existe. É só Deus aceita. Deus parece até, nessa conjuntura, um namorado daqueles bobos que fica rastejando atrás da menina que não quer nada por ele. Ele até corta os pulsos porque ela rejeitou o namoro. Ora, Deus ama você mais do que qualquer pessoa, mas saiba, meu amigo, minha amiga, se você rejeitar o amor de Deus, ele não vai cortar os pulsos por sua causa. Deus não é um adolescente descompensado no primeiro amor, que acha que não tem mais vida sem a amada dele. Deus ama você, mas Deus sobrevive à sua rejeição. Então, por que rejeitar?
Tá bom. E já que eu falei de julgamento, de um Deus que julga, como é que eu posso compensar e eh correlacionar isso com o amor de Deus, que é grandioso? E nesta noite, eu vou mostrar para você como o juízo de Deus no livro do Apocalipse, no santuário, revela tanto o amor de Deus. Quer ver? Você que está em casa, pegue sua Bíblia, corra, pegue sua Bíblia e leia comigo. Eu quero ler duas passagens com você. Vamos ler primeiro Eclesiastes, capítulo 12, versículos 13 e 14. Um versículo que, infelizmente, tem desaparecido de muitos púlpitos. Como eu falei, só fala do Deus que ama, que tolera, que não julga ninguém. Mas vamos ao que diz Eclesiastes, capítulo 12, versículos 13 em diante. 13, 14. Pegou sua Bíblia aí? Não pega a Bíblia, não fica só ouvindo não. E se eu tiver mentindo para você, pega a Bíblia correndo, vai lá, eu te dou 30 segundos. Vai lá, busca sua Bíblia. Eu quero ouvir aquele barulho assim, ó. E se você for mais sofisticado, tudo bem, pode pegar, baixar um aplicativo da Bíblia. É porque eu imagino que alguns estão assistindo no seu telefone, então não tem como baixar a Bíblia aqui, mas se tiver, pegue a Bíblia, acompanhe, acostume a acompanhar a pregação lendo a Bíblia. Vamos lá, então. Eclesiastes, capítulo 12. Tô supondo que você já pegou sua Bíblia, versículos 13 e 14, diz assim: "De tudo o que se ouviu, a conclusão é esta: Tema a Deus e guarde os seus mandamentos, porque isso é o dever de cada pessoa. Porque Deus há de trazer a juízo a todas as obras, até as que estão escondidas, quer sejam boas, quer sejam más".
E dentre os outros muitos versículos que eu poderia ler para você, eu quero acentuar um de Apocalipse, capítulo 14, versículo 7, que, aliás, é uma das principais mensagens que a igreja tem que pregar hoje. Apocalipse 14, versículo 7. Quando alguém disser para você: "A bandeira da igreja tem que ser o direito da mulher, a bandeira da igreja tem que ser o direito do negro, a bandeira da igreja tem que ser as causas sociais", peça a essa pessoa gentilmente para procurar ler a Bíblia. Ah, então, Rodrigo, você tá dizendo que a igreja não pode falar de necessidades sociais? A igreja não deve falar dessas coisas? Eu não disse isso. Eu tenho em minha casa muitos livros. Se você acompanhar o meu canal Rodrigo Silva Arqueologia, você vê que eu sempre gravo com a minha estante no fundo. E uma coisa que eu aprendi, e olha que eu já dei para a biblioteca mais de 2.000 livros, agora eu estou ficando só com aqueles mais, eh, assim, relevantes mesmo, técnicos, e fora os outros milhares de livros que a gente tem em aplicativos, em banco de dados, que hoje você faz uma dissertação só com o seu computador. Mas uma coisa eu aprendi: para que eu conseguisse achar um livro na biblioteca, eu tinha que catalogar e deixar os livros no lugar certo. Se eu estou falando de seis livros, é fácil localizar um em seis, mas se o número passar de 1000, você vai ficar meia hora procurando um livro que você não sabe onde está. Então, o que que a gente aprende? O livro certo na prateleira errada não ajuda, causa transtorno. Eu não sou médico, mas eu acho que os médicos concordarão com o diagnóstico que eu vou dar aqui. O remédio correto para a doença errada se torna um veneno. Mesmo o remédio correto para a doença correta na dose errada também pode ser um veneno. A diferença entre um veneno e um remédio é apenas uma questão de dosagem e eh tomá-lo numa situação em que ele não deve ser tomada. Perceberam?
Então, é assim que eu falo com alguns temas que nós estamos colocando hoje. É lógico que eles são legítimos. Devemos buscar as pautas sociais, devemos falar do amor de Deus, devemos falar da aceitação, devemos falar da inclusão. Mas esses temas certos, no lugar errado e na ênfase errada, eles obliteram o que deve ser colocado em primeiro lugar. Esse é o ponto. Não é questão de tudo ou nada. Não significa que, a partir do momento que eu digo isso aqui, eu estou dizendo que a igreja não tem que falar de pautas sociais. Não estou dizendo que a igreja não tem que falar dessas coisas. Não é nada disso. Eu estou apenas dizendo que nós não podemos falar disto sem esquecer aquilo que realmente Deus pediu para darmos o assento nos últimos tempos: as três mensagens angélicas de Apocalipse 14. E eu vou chamar a sua atenção agora para o verso 7, que diz: "O que muita gente hoje não quer escutar". Assim diz na minha tradução. Vou ler o verso seis também. "Vi outro anjo voando pelo meio do céu, tendo o evangelho eterno para pregar aos que habitam na terra e a cada nação, tribo, língua e povo, dizendo em alta voz: Temam a Deus e deem glória a ele, porque é chegada a hora em que ele vai julgar. E adorem aquele que fez o céu, a terra, o mar e as fontes das águas."
Como acadêmico, eu digo pros irmãos que esse texto me traz dois problemas sociais. Um deles é que eu tenho que admitir para a academia que eu sou criacionista. Isso hoje é quase um suicídio intelectual. Um arqueólogo admitindo que acredita na criação e na literalidade do Gênesis já é o suficiente para muita gente falar: "Esse cara é louco, como é que deram um título de doutorado para esse cara?". Eu tomo paulada às vezes do secularizado até falar: "Chega, porque eu sou criacionista". E tomo paulada de muitos religiosos também, porque eu falo que Deus julga e que temos que acentuar que vem o julgamento de Deus. E as pessoas não querem isso. Eles querem a filosofia de almanaque, aquela filosofia que eu posso em qualquer programa de televisão e eu vou ser bem-vindo ali. E olha que eu já fui a vários. Só fala de amor, de aceitação, mas você não fala da ética da santidade. A Bíblia fala de juízo. E temos que enfatizar isso, irmãos. Está na Bíblia.
Bom, aliás, uma pergunta. Qual foi a última vez que você ouviu um sermão na sua igreja sobre Apocalipse 14? Pena que eu não tenho as respostas de uma enquete, mas eu gostaria de saber. Quantos estão conosco agora, pastor, nos assistindo? >> 4000. dispositivos. >> 4200 dispositivos. Vocês sabem que tem uma conta que eles fazem aí, parece que você pode até dobrar, né? Nós temos, vamos colocar por baixo assim umas 8.000 pessoas. Eu gostaria de saber dessas 8.000 que frequentam a igreja, qual foi a última vez que você ouviu um sermão sobre Apocalipse 14? Qual foi a última vez que você estudou Apocalipse 14? As três mensagens angélicas. E quantos sermões você ouviu de amor, de aceitação e de não julgamento? Repito: tema certo, na ênfase errada, vira heresia. Heresia é um lado da verdade que ficou louco. Eu não discordo do gnóstico quando ele fala que Jesus era Deus. O problema é que ele nega que Jesus foi homem. Perceberam?
Bom, continuando aqui na minha análise, vamos ver um pouquinho sobre o juízo no púlpito. Eu já falei com vocês, né? Eh, teve um sermão muito famoso, pregado em 1741, chamado "Pecadores nas Mãos de um Deus Irado". Esse foi pregado por Jonathan Edwards. Ele pregou esse sermão baseado num texto da Bíblia de Deuteronômio 32:35. E a história, esse é um dos mais famosos sermões que quando Jonathan Edwards falou com o pessoal sobre os pecadores nas mãos de um Deus irado, ele começou a falar do juízo e enfatizar o lago de fogo e enxofre de tal maneira que dizem os historiadores que as pessoas se agarravam nos bancos da igreja com medo do buraco abrir e eles serem engolidos. Eu não vou falar que eu concordo 100% com aquele tipo de abordagem de Jonathan Edwards, que era uma abordagem muito do medo, do pânico, do terror, enfatizava muito o medo. Mas será que nós não caímos hoje num outro extremo? Um extremo em que nós não tememos a Deus, nem o seu juízo? Hoje, se Jonathan Edwards ressuscitasse e pregasse o mesmo sermão, muita gente ia falar que ele era apenas um fanático, um alarmista, um teórico da conspiração. Não se resolve um extremo com o outro. Não se resolve um extremo com o outro. Tá certo?
Vamos falar então de uma maneira equilibrada sobre o juízo dentro do Apocalipse. Chama minha atenção que olha esse dado que eu peguei aqui do jornal The Guardian. 2/3 dos crentes dos Estados Unidos veem o Covid-19 como uma mensagem de Deus. Ou seja, mesmo numa sociedade eh eh secularizada como a que vivemos, o COVID ainda foi interpretado por 2/3 dos norte-americanos, religiosos e não religiosos, isso era uma pesquisa geral, como sendo um alerta de Deus. Agora, outras pesquisas me chamaram atenção, especialmente feitas pelo Instituto Gallup, e mostrou um abismo entre o céu e o inferno. Foi feita pesquisa desse jeito na Europa, em países da Europa, nos Estados Unidos, no Canadá. E de maneira mais ou menos uniforme, sabe o que que as pesquisas revelaram? Olha lá. "O inferno é um auditório pela metade", escreveu o poeta Robert Frost. Só que em muitos países do mundo ocidental, inclusive secularizados, a lacuna entre os crentes do céu e do inferno é mais como um abismo. Por exemplo, uma pesquisa do Instituto Gallup revelou que mais da metade dos entrevistados achava que existe um paraíso, porém menos de um terço reconhecia a existência do inferno. Raciocine comigo. Se eu estou fazendo uma pesquisa e 50 pessoas falam: "Eu acredito no céu", eu supunha encontrar pelo menos outros 50 que diziam: "Eu acredito no inferno". Mas eu estou encontrando uma maioria que acredita no céu, desproporcional a uma minoria que acredita no inferno. E quando eu digo inferno aqui, não importa se é o inferno imediatamente após a morte para alguns, se é o lago de fogo e enxofre depois do juízo, que é o entendimento adventista, não importa. O fato é: você acredita que existe um inferno? Vocês perceberam o que que esses dados nos revelam? Revelam que as pessoas não estão mais com medo do juízo de Deus. Mesmo que quando vem uma praga como o Covid, todo mundo acha que é um sinal dele. Aí todo mundo fica meio apavorado. Mas esfria o susto do Covid, todo mundo acredita no céu, mas não acredita no inferno. "Deus é bonzinho demais para punir alguém." Que frase diabólica!
Vamos ver então o juízo na Bíblia. O julgamento de Deus é descrito na Bíblia como um processo e não apenas como veredicto. Isso é importante no Apocalipse. Por exemplo, Pedro fala do tempo de começar o julgamento pela casa de Deus. Primeira Pedro 4:17. O julgamento, portanto, é um processo de avaliação que começa por aqueles que fazem parte da igreja de Deus, a casa de Deus. Em última instância, esta avaliação leva a um veredicto. Aí vamos ao Apocalipse. Apocalipse, capítulo 11, versículos 1 e 2. Abra a sua Bíblia comigo. Você está em casa e acompanhe. Olha o que foi dito a João: "Foi-me dado um caniço semelhante a uma vara e também me foi dito: Levanta-te. Vai medir o santuário de Deus, o altar, os que adoram no santuário. Mas deixe de lado o átrio exterior do santuário. Não o meça, porque esse átrio foi dado aos gentios, que por 42 meses pisarão a cidade santa."
Bom, tem várias perguntas que a gente faz aqui nesse texto. Primeiro, o que significa esse ato de medir o santuário de Deus? Porque o anjo deu, Deus deu uma vara para João, fala: "Agora mede o santuário e mede assim, mede o altar, mede o templo, mede os que nele habitam." Falando na nossa cultura, fica um negócio meio sem sentido, ficar medindo cada um, ó, esse aqui tem 1,72 m, esse aqui tem 1,50 m, esse aqui tem 1,63 m. É meio sem sentido isso. E da mesma forma também medir o santuário, o altar, evidentemente o altar de holocausto, e medir também o santuário, os móveis do santuário, mas deixar de fora o pátio dos gentios. Para explicar para você, a palavra "gentio" é uma forma vulgar de falar do não judeu, tá bom? Vem do latim, eh, o judeu. Então, esse pátio foi dado para eles, não é para João medir. O que significam estas coisas?
Eu estou desenvolvendo já de um tempo para cá uma abordagem bíblica que eu estou provisoriamente chamando de abordagem físico-cultural. O que significa isso? Raciocine comigo. Quando você vai conhecer um livro de uma cultura, ele fica muito mais claro para você se você conhece aquela cultura. Por exemplo, eh, conhecer Os Sertões de Euclides da Cunha. Depois que você visita o lugar onde aconteceu o massacre de Canudos, tem outro sentido. Quando você convive com aquele regionalismo nordestino, você entende as expressões que aparecem no livro, os costumes, os comportamentos. E assim é com qualquer outra literatura. Quem é gaúcho sabe, quando você conhece bem o Rio Grande do Sul, convive lá, algumas expressões idiomáticas gaúchescas fazem mais sentido para você. Xavier a porta, bombátia, né? Eh, o chimarrão e outras coisas mais. Eu poderia dar exemplos de vários lugares do Brasil. África. Depois que você conhece a África, como é que algumas coisas fazem mais sentido? A Bíblia é da mesma forma, meu irmão. Se eu puder numa frase sintetizar o que é Bíblia, eu digo para você: Bíblia é Deus falando com sotaque humano. Então, Deus se vale da cultura local para pregar a mensagem dele. Então, vamos entender a cultura local.
Eu vou pedir ajuda pro pro câmera aqui. Ele vai me ajudar. Eu vou cobrir isso aqui um pouquinho. Aqui você tem uma maquete do santuário, tá bom? Você que está em casa acompanhando comigo, eh, você tem uma maquete do santuário, como ele era. Ah, já está vendo ali, já estou vendo o meu retorno. O que que você tinha? O santuário, ele era coberto de vários tipos de panos diferentes. Tá bem? Eu vou descobri-lo aqui apenas para ficar mais fácil para você que está em casa ver. E ele foi montado no deserto tendo dois ambientes: o lugar santo e o lugar santíssimo. E aqui era coberto. Quem estava do lado de fora do santuário não via o que acontecia aqui dentro. Aqui você tinha os seguintes móveis: o altar com os pães da presença, 12 pães, representando as 12 tribos de Israel. Esses pães eram trocados a cada sábado. Aqui você tinha um candelabro com sete tochas chamado de menorá, representando o Espírito Santo. Aqui você tinha um altar de incenso. Aqui havia uma cortina e atrás da cortina você tinha a arca da aliança, contendo os 10 mandamentos. E junto dessa arca você tinha a vara de Arão florida. E você tinha também eh cópias dos livros da lei de Moisés. Do lado de fora aqui no pátio, o que você tinha? Isso aqui era o átrio exterior do santuário. Você tinha o altar de holocausto, esse que eu estou pegando aqui, aqui que o cordeiro era queimado e a e morto e a carne dele era jogada aqui e queimada. Esse altar é importante. Aqui você tem a bacia de bronze, onde o o sacerdote se lavava antes de entrar. E aqui você tem os vários animais aqui que eram sacrificados. E o povo mesmo ficava do lado de fora do santuário. Então você tem aqui o lado de fora onde o povo ficava, entregava uma oferta aqui. O sacerdote sacrificava o animal, queimava sua carne aqui, pegava as cinzas desse lugar e levava para dentro do santuário todos os dias. E essas cinzas, ele alimentava aqui o altar de incenso. E o sangue que tinha ali, ele também aspergia dentro desse local aqui. Porém, uma vez por ano, no dia do Yom Kipur, no dia do perdão, o dia 10 do sétimo mês, o sacerdote entrava no lugar santíssimo. E o que que ele tinha que fazer nesse dia? O professor Reinaldo Siqueira explicou isso para vocês aqui em Levítico 16. Ele tinha que aspergir o sangue em todos os lugares. O que que acontecia? Qual que era o processo? Pode mostrar aqui um pouquinho para mim. Eu vou mostrar para vocês o procedimento. Qual era. É porque, na verdade, é como se o santuário fosse dia a dia contaminado pelos pecados de todos que ali confessavam suas culpas. Então, uma vez por ano era o momento de purificar o santuário e retirar dali os seus pecados. Porém, tudo isso aqui era um símbolo de realidades superiores que acontecem no céu.
Só que antes de mostrar essas realidades do céu, eu quero mostrar mais uma coisa para você, tá bem? Vou pedir só a gentileza ao pastor Dilson. Eh, enquanto isso, vamos trocar de câmera aqui. O pastor Dilson vai pegar aquela maquete e vai colocar no lugar dessa aqui. Ficou didático para você que está em casa? Você conseguiu acompanhar? Percebeu o santuário? Muito bem. Esse mesmo desenho, essa mesma planta arquitetônica, foi usada posteriormente no templo de Salomão e depois no templo de Herodes, que foi o templo que o autor do Apocalipse, João, conheceu.
Vamos voltar agora aqui a essa outra maquete. Agora eu tenho, dessa vez, uma maquete fácil aqui, uma maquete que você vai ver do templo de Jerusalém. Eu vou colocar nesse nesse perfil aqui que ele possa ver. O templo ficava aqui. Aqui é a parte maior do templo, tá bem? Não era mais uma tenda, era uma porta onde o sacerdote entrava para o lugar santo. Aqui você tinha aquele pátio, aquele átrio externo. Aqui em cima eu tenho justamente o altar de holocausto. Eu vou subir assim para que o câmera possa pegar o altar de holocausto. Ele era bem alto. A pessoa só tinha acesso ali subindo uma escada. A bacia, como havia no santuário. E aqui dentro você tinha as duas partes: o lugar santo e o lugar santíssimo. Quando João tem a visão do Apocalipse, ele vê um santuário como esse no céu. E a ordem foi para que ele medisse o santuário. "Medir o santuário, o altar de sacrifício que eu mostrei aqui, medir o altar, medir o santuário, os que adoram dentro dele, mas o pátio exterior, onde ficavam os gentios, que ele não medisse." O que significava isso?
Muito bem, vocês ouviram a palestra do professor Reinaldo Siqueira, e essa palestra mostra como que o santuário era eh purificado, o sangue tinha que ser levado dentro de cada parte. Agora vamos ver uma coisa ali. Esta vara para medir que aparece ali é em grego a palavra *calamos*. *Calamos* é um junco, uma vareta mesmo. Uma vareta tipo vara de pesca. É uma vara. Ele podia servir de flauta quando você fazia os furinhos ali e tocava. Em lamentos, eles usavam essa vareta. Podia ser uma caneta, como vocês estão vendo ali, era feita assim, ou uma régua para medir. Eles pegavam uma vara, geralmente alta, e essa vara eles usavam para fazer toda a medição.
Agora, uma coisa que nos chama atenção, e eu vou explicar para vocês agora uma expressão idiomática da Bíblia. Eu já há tempos e eu já, como eu já falei disso em palestras anteriores, vez ou outra eu encontro alguém que me cobra: "Rodrigo, cadê o dicionário de expressões idiomáticas?". Desculpa, irmãos, eu vou tentar ainda terminá-lo. É porque um dicionário não é uma coisa tão simples de se escrever, e a gente sempre publica um livro, mas esse dicionário é um dicionário que eu quero fazer de expressões idiomáticas da Bíblia. Eu vou explicar para você. Se eu dissesse aqui: "Gente, hoje eu estou morto de cansado", certamente isso não causaria nenhuma consternação em nenhum dos milhares que estão nos assistindo. Mas se daqui a 2000 anos a minha palavra virar Bíblia, ia confundir muita gente: "Como é que o morto se cansa?". Então, eu tenho que entender algumas expressões idiomáticas que aparecem na Bíblia. E na Bíblia, a palavra "medir algo ou alguém" é uma expressão idiomática também para julgar uma pessoa. Quer ver isso na Bíblia? Abra a Bíblia comigo no livro de Mateus, capítulo 7, versículos 1 e 2. Mateus, capítulo 7, versículos 1 e 2. "Não julguem..." Para Mateus 7:1 e 2: "Não julguem para que vocês não sejam julgados. Pois o critério com que vocês julgarem, vocês serão julgados. E com a medida que vocês tiverem medido, vocês serão medidos."
Deixa eu explicar para você uma coisa sobre a poesia hebraica. Olha aqui para mim. Eh, nós hoje temos uma ideia de poesia como sendo rima, métrica ou até romance. A métrica é questionada se ela tem na Bíblia ou não. Vou deixar isso aí pros especialistas na área de hebraico. Mas de qualquer maneira, a poesia na Bíblia não tem um sentido apenas romântico, é de facilitar a memorização. Por exemplo, se eu estou dando o meu discurso aqui, estou falando em prosa, ele tem a sua importância. Mas se eu parasse aqui em hebraico, hebraico bíblico, e falasse em poesia, todo mundo: "Ó, isso é importante", porque a poesia era um acento. Por exemplo, o livro de Daniel, quando fala das coisas da terra, fala em prosa. Quando fala das coisas do céu, fala em poesia. E qual a característica da poesia bíblica, da poesia hebraica? Ela tem paralelismo de ideias. É como se eu dissesse assim: "A menina era bonita e inteligente, uma garota charmosa e esperta." Perceberam? Eu falei a mesma coisa com palavras diferentes: menina, garota, charmosa, bonita, inteligente, esperta. Isso era usado nos Salmos. Depois você pega o Salmo 2 para você ver. Você vai lendo o Salmo, sempre tem paralelismo de ideias. "Limpa-me, Senhor, purifica-me." Presta atenção nos Salmos, vários deles. E Jesus estava dando a sua palestra quando, de repente, ele falou em poesia: "Não julguem para não serem julgados, porque a medida que vocês medirem, medirão a vocês também."
Vamos outra passagem. Segunda Coríntios, capítulo 10, versículo 12. Segunda Coríntios, capítulo 10, versículo 12. Na minha tradução diz assim: "Porque não ousamos nos classificar ou comparar com alguns que louvam a si mesmos. Mas eles, medindo-se consigo mesmos e comparando-se consigo mesmos, revelam falta de entendimento." A palavra que para medir é *metreo*, que é a mesma palavra que aparece no Evangelho de Mateus lá e em Apocalipse, onde vem a palavra "metro". Então, aqueles que medem a si mesmo, ou seja, eles julgam a si mesmo, fazem-se de juízes para si mesmo em causa própria. Entendeu o sentido de medir? Ficou claro para você acompanhar em casa? Então, no Apocalipse, quando Deus dá uma vara para João e fala: "Meça a cidade", Deus está falando: "Está na hora de fazer o julgamento."
Mas, Rodrigo, então, mas o julgamento é uma coisa ruim? Quer dizer que o povo de Deus vai ser julgado? Aí que vem uma outra questão que nós temos que aprender do juízo na Bíblia. Acompanhe em casa esse texto que eu vou mostrar para você. A Bíblia fala que nós temos que ter um desejo pelo juízo. Como assim? Você tem várias palavras em grego que dão a raiz da palavra julgamento, que é *krima*. Você tem a palavra *crisis*, tem a palavra *krima*. *Krino*, eu julgo; *krites*, juiz em grego. Na tradução grega do Antigo Testamento chamada Septuaginta, essas palavras, por sua vez, repetem eh traduzem alguns termos hebraicos para juiz que tem um sentido ligeiramente diferente daquele que popularmente nós pensamos. Por exemplo, você tem a palavra *dam*. A palavra *dam* que aparece ali significa juiz no sentido de punir, reivindicar, obter a justiça para uma pessoa. Alguém que briga por mim. Você tem a palavra *chofet*. *Chofet*, embora seja mais comum para julgar, tem o sentido de governar ou até proteger, mas com a autoridade de punir os meus inimigos. Tanto é que um livro da Bíblia que fala dos heróis do povo de Deus é chamado Livro dos Juízes. Livro dos Juízes. E por fim, você tem a palavra também *rev*. *Rev* que significa demandar uma causa, entrar numa ação judicial. Você percebeu as várias palavras para juiz que tem em hebraico? A palavra *dam*, por exemplo, juiz é o nome de uma das tribos de Israel. Ele seria o juiz sobre os seus irmãos, aquele que cuidaria dos seus irmãos. Vou vou dar uma liçãozinha de hebraico muito rápida para você prender em casa. Quando você coloca o *yota*, perdão, *iota*, o *yod*, depois da palavra, vira um pronome possessivo. Então, se eu falo, por exemplo, *El* Deus, *Eli* meu Deus. Perceberam? *Dam* juiz. *Dami*, meu juiz. *El* é Deus. Então, Daniel, meu Deus é juiz. O nome Daniel. Percebeu? *Chofet*, como eu falei com vocês, é o nome que se dá para aqueles heróis da Bíblia. Mas nesses casos, eu mostrei que juiz não é apenas aquele que pune, é aquele que pega minha causa, que briga por mim, que me reivindica.
Desse modo, na cultura bíblica, o juízo só é algo a ser evitado por alguém que está em falta, mas para aquele que é injustiçado, aqui sim eu posso entrar na pauta social de uma maneira escatológica, de uma maneira bíblica. Para aquele que é injustiçado, para aquele que é oprimido, para aquele que é que que é machucado pelo diabo e pelas provações da Bíblia, ele tem que clamar pelo juízo de Deus: "O dia que o meu juiz virá me fazer justiça". Uma justiça que não é minha, uma justiça que é de Deus. Tanto é que Martinho Lutero, quando já era doutor em teologia, treinado pelos teólogos da Idade Média, já tinha saído da Idade Média, já estava entrando na Idade Moderna, Lutero não entendia essa expressão "juízo de Deus", a "justiça de Deus". Ele tinha pavor daquilo. Até que ele leu no Salmo 72, se eu não me engano, o 71, 72: "Senhor, livra-me por tua justiça, em ti me refugio." Lutero não entendeu como Deus pode me livrar pela justiça dele se a justiça é algo com o qual Deus pune, é um instrumento de punição. Aí Lutero entendeu a outra fase do juízo de Deus. A justiça não é algo que Deus cobra de mim, é algo que ele me oferece. E em me oferecendo a sua justiça, ele também me oferece a reivindicação que eu tenho. Qual reivindicação? De olhar nos olhos do diabo e falar assim: "Você é derrotado. Eu sou um filho de Deus." O diabo poderia até querer ir ao céu entre os *bine Elohim*, entre os filhos de Deus, mas o Senhor tinha o direito de falar: "Viste o meu servo Jó? Você tem essa reivindicação, meu amigo?" O juízo de Deus é algo que quem conhece a Bíblia deseja, anseia, porque é quando o Senhor fará justiça ao seu povo, aos seus escolhidos.
Rodrigo, tudo bem? Então, é nesse sentido que João mede o santuário, que nele adoram? Exatamente nesse sentido. Eles estão ansiando pelo juízo de Deus, pela proteção de Deus, pela justificação determinante de Deus. E isto coincide muito com o dia da expiação que você ouviu aqui na palestra do professor Reinaldo. Porque em Levítico 16 fala do dia da expiação. Ele ele explicou aqui, eu estava assistindo do hotel que ele ele colocava sete vezes o sangue em cada uma das partes. E se você olhar na sua Bíblia lá em Levítico, você vai ver que primeiro era purificado o altar de sacrifício, depois o santuário e as próprias pessoas. É o mesmo esquema que eu tenho no Apocalipse. Mede primeiro o altar, aquele altar de fora. Mede também o santuário e os que adoram dentro dele. E por que não mediu o pátio? Olha aí na sua tela, você vai ver. João mede o santuário, o altar. Já falei que isso é justamente o que acontecia. Em Ezequiel 40 também fala do dia da expiação, quando o santuário era purificado, mas ele não mede o pátio, porque por ali estão aqueles que não aceitaram a graça de Deus, aqueles que não estarão dentro da reivindicação de Deus, aqueles que por conta própria quiseram o juízo. Olha o que diz Ezequiel 44, verso 9. Olha na sua casa aí. "Assim diz o Senhor Deus: Nenhum estrangeiro, incircunciso de coração, nem incircunciso de carne, entrará no meu santuário por qualquer estrangeiro que esteja entre os filhos de Israel."
Eu quero mostrar rapidamente para você a cena do que o profeta Ezequiel viu quando Deus deu uma visão para ele semelhante à de João, mandando que ele medisse o santuário. Veja aí na sua casa. O que Ezequiel viu foi mais ou menos isso. Depois você pode ler com calma Ezequiel, capítulo 40, na sua Bíblia, que lá fala exatamente qual foi a ordem que o profeta Ezequiel teve de medir o santuário de Deus. No livro de Ezequiel, capítulo 40, diz: "No 25º ano do nosso exílio, no princípio do ano do 10º dia do quarto mês, 14 anos depois da queda da cidade de Jerusalém, nesse mesmo dia veio a minha mão do Senhor e ele me levou para lá. Em visões Deus me levou à terra de Israel, me pôs sobre um alto monte, sobre o qual havia uma estrutura da cidade para o lado sul. Ele me levou para lá e vi um homem com aparência como de bronze. Estava em pé junto ao portão e tinha na mão um cordel de linho e uma cana para medir. O homem me disse: 'Filho do homem, veja com os próprios olhos, ouça com os próprios ouvidos. Preste atenção em tudo que vou lhe mostrar, porque para isso você foi trazido aqui. Anuncie à casa de Israel tudo que você está vendo.'" Ezequiel viu o santuário medido. Eu não tive a visão de Ezequiel, mas eu posso chamar a sua atenção hoje como profeta: eu anuncio para você o julgamento de Deus vai chegar. E o que João vê ali no Apocalipse, portanto, é uma forma escatológica do dia da expiação. Se é escatológico, não pode acontecer no santuário da terra. E nós aprendemos no livro de Hebreus, que também foi explanado aqui pelo pastor Batiste, se não tiver enganado, que há um santuário no céu. Note, a Bíblia não fala que o céu é um santuário. O céu tem um santuário. Portanto, nesse santuário existe a purificação dos nossos pecados. E Cristo já está passando para os momentos finais da história desse mundo.
Então, eu quero terminar aqui a minha fala contando uma historinha para você. Eu quero contar uma história, depois vou falar de uma palavrinha e o quarteto vai cantar para nós aqui. Você está com receio do julgamento de Deus? Você ainda tem medo do lago de fogo e enxofre? Você talvez está preferindo aquela visão romântica que Deus não pune, não condena? Eu espero que a mensagem dessa noite tenha mostrado para você uma outra faceta do julgamento de Deus. O julgamento em que Deus nos reivindica. A palavra "reivindicar" vem de julgamento. Nos apropriar daquilo que é seu. Deus vai nos apropriar novamente para ele. Sabe por quê? Cristo com seu sangue pagou a dívida que havia contra nós. Ele morreu por nós na cruz do Calvário, mas ele ainda não voltou para tomar o reino. Ainda há desastres, guerras, traições, pânico, medo, desgraças. Mas quando ele vier para reclamar o que é seu, aí, meus irmãos, não precisaremos ter medo de nada. E talvez uma parábola ilustre para você. Uma vez, na época do Far West, um jovem foi acusado de um
Crime. Ele numa briga de bar matou um outro homem porque estava bêbado. E naquela época, você sabe, as pessoas eram enforcadas. Só que muita gente conhecia aquele rapaz e resolveram apelar ao governador da cidade para que não enforcasse aquele rapaz. O governador aceitou o apelo, só que ele queria saber a quem que ele estaria dando a liberdade.
O governador então escreveu uma carta anulando a sentença de morte daquele jovem, colocou dentro de uma Bíblia, vestiu-se de religioso, colocou um clerman e foi até a cadeia. Quando o governador, disfarçado de religioso, chegou com a Bíblia na cadeia, que estena triste. O jovem começou a gritar atrás das grades e falar assim: "Vai embora daqui, suma, eu cuspo em você. Se você vi aqui, eu bato em você".
E o governador, disfarçado de religioso, falou: "Não, meu jovem, por favor, deixe-me falar com você. Tem algo muito importante para você aqui dentro. Não quero saber do que tem nesse livro". E cuspia e xingava e blasfemava. O governador ainda tentou aproximar ele, se vier aqui, eu te ataco e joga esse livro, leva esse livro embora. Ele falou: "Não, fica então com o livro, não quero saber".
Governador então saiu e logo depois o cacereiro chegou para aquele jovem e falou assim: "Você é louco. Sabe o que você fez? Você mandou embora a sua chance de ser liberto. Aquele não era um religioso, ele era o governador do estado. E naquele livro, naquela Bíblia que você cuspiu, estava a sua carta de remissão.
No dia da sentença, aquele jovem foi colocado no cada falso e deram-lhe a oportunidade de falar umas últimas palavras. E ele falou para todos os que estavam ali, especialmente os mais jovens, eu serei morto daqui a pouco, mas eu não vou morrer por causa do crime que eu cometi. Eu vou morrer por causa do perdão que eu recusei.
Eu queria que o quarto viesse aqui à frente. E enquanto eles estão vindo aqui, deixa-me falar ao seu coração agora, porque eu não sei em quantos lares esta mensagem vai chegar. Talvez alguém está ouvindo enquanto trabalha de Uber. Talvez alguém está ouvindo num ponto de ônibus à noite. Quem sabe você pode estar ouvindo essa mensagem até no momento em que ela já não está mais ao vivo, apenas numa gravação do YouTube.
[Música]
O lago de fogo e enxofre, meu amigo, minha amiga, deixe me corrigir. O lago de fogo enxofre, meu irmão e minha irmã, não é um sadismo de Deus. Deus não é uma criança malvada queimando formiguinhas com uma lupa esquentada pelo raio do sol. Se de imaginar se trata, eu não acho que estou cometendo sacrilégio algum em dizer que naquele dia do juízo haverá uma lágrima nos olhos de Jesus, talvez até um soluço. Ele olhará para aqueles que estão no lago de fogo e enxofre com dor. Sabe por quê?
[Música]
Ele dirá: "Eu enfrentei a cruz do Calvário para que vocês não precisassem escolher o lago de fogo e enxofre. Eu enfrentei o inferno. Porque independente da do entendimento que você tem pro inferno, eu acho que eu posso colocar uma frase que harmoniza todas as as ideias teológicas sobre o inferno, por mais divergentes que sejam. Sabe o que é inferno em última instância? A ausência absoluta de Deus.
Perceba que no Apocalipse o lago que arde com fogo e enxofre não produz queimaduras, ele produz tormento. Um tormento indescritível de um peixe que está fora da água, está fora da vida, está fora de Deus. O único, e não é blasfêmia o que eu estou dizendo na heresia, está na Bíblia, o único que enfrentou a ausência absoluta de Deus até hoje, não, não foi o diabo. O diabo vai enfrentar quando ele for lançado no lago de fogo e enxofre. Quando ele for lançado no lago fogo e enxofre, aí ele vai saber o que que é a ausência absoluta de Deus. Nem o diabo ainda sabe. O único que enfrentou a ausência absoluta de Deus foi o cordeiro morto desde a fundação do mundo. Para quê? Para que ninguém mais precise passar por isso.
Esta é a mensagem do juízo do apocalipse. E agora que você sabe, conforte-se com ela. Peça a Deus essa mensagem. Peça a Deus esse conforto e ele vai lhe dar. Ansei pelo juízo de Deus. Deus está voltando. E sabe por que a volta de Cristo tem barulho, tem som, tem terremoto, o sol se escurecendo? É simples, porque Deus está entrando com a tropa de elite para tirar você desse cativeiro. E quando a polícia vem para libertar alguém, não dá para ir com flores, tem que ir com efeito, com bomba. Deus está rasgando o céu porque ele quer buscar você. E agora que você sabe disto, é muita mediocridade espiritual guardar isto para você. Temos uma missão e esta missão foi aquela que eu iniciei abrindo. Vi um anjo voando pelo meio do céu, proclamando em alta voz: "Temei a Deus e dá-lhe glória, pois é chegada a hora do seu juízo. E adorai aquele que fez o céu, a terra, o mar e as fontes das águas.
Quando você anseia pelo juízo de Deus, você não consegue ficar calado. Você anseia e fala para as pessoas. Temos uma missão, nos preparar, aguardar e levar outras pessoas a desejarem o dia do juízo de Deus, conforme enunciado no Apocalipse. Preste atenção nessa música que o quarteto vai cantar nesse momento.
[Música]
[Música]
É tempo [Música] de assumir compromisso, dedicar-se inteiramente ao serviço. O mundo perece por falta de fé. Já se perdeu a esperança. É tempo de assumir nossa posição. Ar em meio às trevas, ser luz na escuridão, unir as nossas forças no poder do seu espírito. Testemunhar do amor, da paz de Cristo.
[Música]
Vamos trabalhar integrados na missão de levar Jesus a cada coração. E assim vivendo em comunhão com os servos e discípulos, proclamemos seu amor e salvação.
[Música]
É tempo de atender a urgência, anunciar o evangelho a qualquer preço. São muitos que sofrem e perdem a razão. Vem sem liv de perdão. É tempo de assumir nossa posição. Louvar ao Pai eterno, render-lhe adoração, unir as nossas forças no poder do seu espírito, testemunhar do amor, da paz de Cristo. Vamos trabalhar integrados na missão de levar Jesus a cada coração. E assim vivendo em comunhão como servos e discípulos, proclamemos seu amor e salvação. Vamos trabalhar.
[Música]
Vamos trabalhar [Aplausos] integrados na missão. [Música] Jesus a cada coração e assim viver em comunhão como se fos seu amor e salvação. [Música] Proclamemos a Deus proclamemos Deus. seu amor e salvação. [Aplausos]
>> Amém. E agora chegou a hora de falarmos com Deus. Incline a sua fronte, feche os seus olhos e oremos. Senhor, a mensagem foi dada por mim, por todos os outros palestrantes que me antecederam nessa vigília. Mais uma vez eu te peço humildemente, Senhor, que o Senhor possa melhorar a linguagem se ela não foi adequada. Que o Senhor possa atingir os locais onde talvez a voz dos pregadores não atinja. E que assim como eu fui tocado tantas vezes pelas músicas do Araltos, pelo rádio, que mais uma vez, Senhor, o Senhor possa usar esse quarteto para que outras pessoas possam ser alcançadas agora em formas mais atualizadas de mídia social, assim como Deus usou a voz da profecia nas ondas do rádio, que ele possa usar agora a programação da igreja do UNASP São Paulo através das redes sociais. E que ainda que falte o rádio, ainda que falte a TV, ainda que faltem as redes sociais, que nós emprestemos a nossa voz para o nosso semelhante. E ainda que nos falte a voz, que o Senhor possa usar o nosso semblante. E se nos faltar o semblante, que o Senhor use o nosso corpo. E se faltar o nosso corpo, porque nós também morremos, que o Senhor possa usar a nossa vida, a nossa influência para levar pessoas ao teu altar, a nossa história de vida. Toca no coração de cada um nesse momento, ó Pai. Eu imploro porque eu tenho certeza que eu estou orando por pessoas que estavam desacreditadas, pensando em sair da igreja. Diz para elas, Senhor, que as férias delas acabaram, que elas têm que voltar pro teu redil. E dá-nos o privilégio, Senhor, se não for pedir demais, que possamos ter resultados positivos dessa mensagem para honra e glória do teu nome, é claro. Fica conosco por amor de Jesus. Amém, Senhor.
[Música]