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Igreja Das Estações 🤎 | ESCOLA DAS ESTAÇÕES | 27/05/2025

Igreja das Estações 🤎1:22:39

Transcription

Pessoal, essa aula de hoje, sim, não tem estado de terra. É muito mais perto. É muito mais perto. É quase 10k mais perto. É bem mais perto. É, vai, a gente vai a pé, um sítio de frente pro outro. Então, gente, é uma tarde de peregrinação ali nas terras da promessa, ali, né, né, Ivan? É gostoso, galera. Quem tiver disposição de ir para se organizar, chama a galera. Vamos fomentar nos grupos, vamos falar para o máximo de pessoas possível para a galera não vir para cá no domingo. Vamos todo mundo para lá, tá bom? Eu tenho certeza que depois desse domingo todo mundo vai querer, pelo menos um domingo por mês, fazer essa, essa, essa, essa, essa ida para lá.

Pessoal, a aula de hoje, para quem está assistindo a gente também aí online, a aula de hoje, esses dias eu estava conversando, não sei em que dia eu estava conversando, falou assim: "Kaká, essa aula ela é o divisor de águas, ela é uma aula que mexe realmente, ela realmente mostra a questão dos fundamentos." Então eu não sei, eu até parei, toquei só uma música só hoje, só terminei um pouquinho antes hoje. Eu não sei até que ponto que eu vou conseguir avançar na aula. Eu vou tentar dar a aula toda hoje. Quê? Eu também não consigo viver mais também não. Então eu vou, eu vou, nós vamos pegar aqui uma aula hoje. Presta muita atenção aí, dá uma acordada e a gente vai trabalhar focado aqui numa matéria muito interessante.

Para quem está vindo a primeira vez ou está nos assistindo pela primeira vez aqui, eu estou dando a Escola das Estações, são 24 aulas. Nós estamos na sexta ou sétima aula, oitava. Uau, Davi é ligado mesmo. Oitava aula. Sendo que as três primeiras aulas foram introdutórias, ou quatro primeiras, três. As três primeiras aulas foram introdutórias e estamos cinco, cinco aulas dentro já de matérias, sendo que uma aula eu dei ela em duas etapas, porque eu não consegui dar ela toda numa aula só. Então vai acontecer muito isso também. E nós vamos de Páscoa a Tabernáculo. Então são 24 semanas, da primeira festa à última festa do calendário bíblico, e a Escola das Estações, porque nós vamos passar por todas as estações nesse período de 24 aulas. E também é uma escola que tem três módulos.

Quais são os três módulos? O evangelho todo para o homem todo, para todos os homens. Então, o evangelho todo, porque eu falei muito sobre o evangelho todo no domingo, eu falei sobre o evangelho parcial, que é a ideia de você apenas absorver na história bíblica, na narrativa bíblica, o aspecto soteriológico da teologia, que é o quê? A salvação. Os grandes debates que a teologia faz é sobre salvação. E nós falamos sobre o para que Deus me salvou. Não só apenas o motivo pelo qual, não só apenas o ato Dele me salvar, mas também o para que Ele me salvou. É fundamental que a gente entenda isso. E eu falei também de Pentecostes e falei sobre Isaías 61, porque a Bíblia fala que o Espírito de Deus está sobre mim, porque Ele me ungiu para a gente tem que estar sempre ligado no motivo pelo qual Deus nos salvou ou no motivo pelo qual Deus nos ungiu. Deus, Ele sempre faz algo com objetivo: para libertar os cativos, oprimidos, enfim, a proclamar o ano aceitável do Senhor.

Então, vamos lá. Então, dito isso, eh, tem dois aspectos fundamentais, dois aspectos que a igreja mais gosta de conversar e de teologar, que é o aspecto soteriológico, salvação, porque tem a ver com o que Ele fez por mim, o que eu vou passar minha eternidade, e a escatologia tem a ver com o que Ele vai fazer por mim ainda. Então, dentro de uma visão mais secularista, eu tenho falado muito isso, gente. A gente tem que tomar cuidado com o evangelho, com o secularismo transvestido de evangelho, o secularismo vestido de evangelho, onde o fim não é a cruz, é a prosperidade, é a fama, é a visibilidade. E hoje nós vamos falar muito sobre isso, entende? Nós precisamos entender quais são os fundamentos do evangelho. Essa aula, Restauração de Fundamentos, ela não tem como objetivo trabalhar o aspecto fundamentalista da teologia, mas tem como objetivo trabalhar os verdadeiros fundamentos da fé. É completamente diferente você ser uma pessoa fundamentalista religiosa, onde você fica dando ênfase aos pontos mais, eh, eh, eh, eh, como é que eu posso dizer assim? Eh, mais religiosos, mais dogmáticos da fé, do que você estar fundamentada sobre um fundamento correto, um fundamento sólido daquilo que realmente Deus está fazendo. Restauração de fundamento significa tirar os meus pés de um lugar que as bases fundantes dele não foi construída por Deus para colocar os meus pés sobre as bases do fundamento cujo fundador, cujo o consultor é o Senhor.

A gente tem que... a Bíblia ela vai colocar muito claro esses dois pontos. E hoje nós vamos dar Gênesis 11, Gênesis 12. São dois textos de Gênesis. Nesses dois textos, nesses dois capítulos, fica muito claro os dois fundamentos.

Então, eh, a primeira coisa que eu quero dizer para vocês é que na semana passada a gente estudou sobre Noé e sobre a aliança Noética. Eu falei sobre o homem como o gerente da terra e eu falei sobre o homem como dono da terra. Tem um versículo em Salmo 115:16, se eu não me engano, se eu estou certo, acho que eu estou certo, que diz assim: "Os céus são céus do Senhor, mas a terra Ele deu aos homens." Então, a partir desse princípio, a partir dessa ideia, pensa sobre isso. Pensa na ideia que Deus deu a terra aos homens, né? Quando o diabo vai tentar Jesus, ele falou assim: "Se você se prostrar e me adorar, eu te darei todas as coisas, todos os reinos, porque eles foram me dados e eu dou a quem eu quiser." Mas quem deu ao diabo, se pegando na lógica, o homem. Mas quem deu ao homem? Deus. Então, se a gente pegar nessa lógica, então alguém sempre está querendo ter o poder das coisas que Deus criou e do mundo. Enfim, mas a Bíblia diz que os céus são céus do Senhor, mas a terra Ele deu aos homens. E eu parto de um princípio, eu parto de uma ideia que Deus Ele fez isso de uma forma extremamente intencional, porque Ele não quer se relacionar com pessoas, com seres humanos, com a Sua imagem e semelhança, apenas por se relacionar ou então por uma imposição ou por um controle ou por um domínio. Essa ideia de domínio não cabe na teologia do reino. Essa ideia de controle, de poder verticalizado, por mais que Deus tenha poder e tenha autoridade para verticalizar o Seu poder e nos dominar e nos controlar, Ele optou em nos conquistar, em nos amar e nos servir. Entende isso?

Todo modelo de liderança que é verticalizado, que é de controle, de domínio... Eu estava falando mais cedo hoje para alguns irmãos que existem pessoas que elas querem ser Deus para as outras pessoas. Todo líder religioso, eu sou um líder religioso há muitos anos, é uma tendência. A gente com o microfone na mão, a gente cantando, a gente transmite uma certa imagem de uma pessoa muito santa. Por isso que eu adoro peidar perto das pessoas. Eu acho que é a coisa mais humana assim, você peida, peido, cago, faço um monte de besteira, você não tem noção, velho. É muito bom você ser humano, você tem que quebrar. Tem gente que cultiva isso. Tem gente, quanto mais divino você te vê, mais divino ele quer se tornar. É verdade. Quebra completamente ao ponto do cara ser um querubim. O cara, o cara acaba de pregar, ele sai pela porta de trás porque ele não pode ter contato com os meros mortais. É ou não é verdade? Tem gente que valoriza isso. É o profeta, é o fulano de tal. Nossa, comecei a falar com pastor, eu faço questão de quebrar o protocolo, porque as pessoas, nós somos uma fábrica de idolatria. Nós produzimos ídolos o tempo todo. É muito fácil a gente fazer de uma pessoa um ídolo na nossa vida. É muito fácil. E é muito fácil sustentar isso. E é muito fácil usar isso para os seus objetivos, entendeu? Aí você usa isso e a maioria dos que fazem isso defraudam, abusam, não só moralmente, financeiramente, como sexualmente também. E hoje eu estou vendo escândalos, mas escândalos. É ou não é verdade? Como é que é exatamente? Não, não precisa falar nome não. Por favor, por favor, evite, evite, evite, evite os desgastes.

Então, o ponto é: o nosso objetivo é sempre levar as pessoas até Jesus. A dificuldade do pastor é você ser um pastor que... Eu, uma vez, tenho um amigo, o irmão da Amanda, que aqui da igreja deve estar nos assistindo agora. O irmão da Amanda, ele cria ovelhas. Eu já falei isso para vocês. E ele tem, ele cria cachorros também. Ele cria os cachorros para cuidar das ovelhas. E ele falou que tem dois tipos de cachorro, e eu tenho um deles que é o Border Collie, e ele tem um outro lá que eu esqueci o nome dele assim. Ele falou: "Você que é um cachorrão grandão, ele é enorme e ele é todo peludo, e diz que ele deita no meio das ovelhas assim, ele é muito manso assim com as ovelhas. Diz que as ovelhas deitam nele assim e mamam nele de tão manso que ele é. Mas diz que ele é o cachorro mais violento que existe. Algum lobo, alguma pessoa chega, ele avança para atacar." Ele com as ovelhas ele é assim, ele vira uma ovelha, mas para algum tipo de ameaça ele ataca para matar. E aí ele falou assim que ele tem dois cachorros: esse que fica no meio, que dorme na ovelha lá com as ovelhas lá, e um outro tipo de cachorro que é o Border Collie, que é o cachorro que ele tira a ovelha desse pasto para levar para outro e vai, e tira. Aí a pessoa, uma vez, perguntou: "Kaká, você não é um pastor?" Eu falei assim: "Eu sou pastor, mas eu sou o cachorro, eu não sou o dono da ovelha." É uma metáfora, né? O dono da ovelha é o dono da ovelha. O cachorro ele exerce uma função pastoral tocando a ovelha para onde o dono da ovelha quer que ela vá. Se você entende que você é o dono da ovelha, acabou. Se eu entendo que isso aqui é um rebanho, isso aqui é um território de alguém, acabou. Acabou. Nós passamos a ter um cabeça, passamos a ter um anjo da igreja e verticalizamos a autoridade numa pessoa. Isso quebra completamente a funcionalidade do reino. Que ele, o reino não foi desenhado para funcionar assim.

Se você pegar as falas de Jesus, Ele fala assim: "Ah, ninguém..." Por exemplo, as pessoas, teve uma vez que uma pessoa falou comigo assim: "Kaká, você é meu pai espiritual." Eu falei com ele assim: "Vem cá, nunca mais fala isso." Ele falou: "Por quê?" Eu falei: "Vai que Jesus escuta." Falei: "Por que, Kaká? Deixa eu te falar uma coisa. Vem cá, vem cá. Nós somos a igreja, certo? Se nós somos a igreja, nós somos a noiva de Jesus. Se nós somos a noiva de Jesus e Ele é o noivo, se nasce uma pessoa da noiva Dele, essa pessoa tinha que ser filha de quem? Dele. Se você me chama de pai, o que aconteceu? Eu fiquei com a noiva de Jesus para fazer filhos para mim. Em outras palavras, eu estou traindo Jesus." Aí eu falei assim: "Mas, Kaká, mas a Bíblia fala..." Falei: "Deixa eu falar uma coisa aqui, ó. Jesus disse, Mateus 23: 'A ninguém na terra chame de pai.' Ah, mas Paulo falou... Não interessa. Eu fico com o que Jesus falou e Ele falou com muita veemência: 'A ninguém na terra chame de pai. Só há um Pai, o que está no céu.' Pronto. Você quiser contestar o que Jesus disse, fica à vontade. Mas Jesus, Ele disse a ninguém na terra. Por quê? Só há um Pai que está no céu. Justamente para quebrar essa verticalização numa pessoa, para quebrar essa dependência de uma pessoa. 'A ninguém na terra chame de guia. Só há um guia, o Cristo. E a ninguém na terra chame de mestre. Só há um mestre, o Messias.' E o resto é tudo cachorro latindo tentando fazer a vontade do Mestre. O máximo que a gente pode fazer é sair latindo, jogando as ovelhas para onde Ele quer que elas vão. Caso contrário, você passa a ter um território eclesiástico e você passa a criar um ambiente que tem dono."

Então, por que eu estou falando isso para vocês? Porque existe duas formas de você construir as coisas. Você pode construir sobre um fundamento correto ou sobre um fundamento extremamente equivocado. Semana passada eu falei para vocês sobre Noé e eu disse: uma das questões de Noé é o quê? Que o pacto, a aliança Noética, ela traz essa marca: o homem deixa de ser o gerente do mundo e ele passa a ser o dono do mundo. E Deus Ele passa a bater na porta. "Eis que estou à porta e bato. Se você entrar, se você abrir, eu vou entrar e vou cear." A partir dessa lógica, Deus começou a procurar na terra homens e mulheres que O invocassem. Porque a invocação, presta atenção nisso aqui, é literalmente quando aqueles que estão na terra e são os donos da terra convidam Deus para entrar. Gente, isso aí é o princípio da oração. Se você pegar e pensar sobre isso, eu estou trazendo um pouquinho da aula da semana passada. Quando Jesus Ele disse: "Pai Nosso que estás no céu", pensa nisso. Jesus, Ele teve a consciência o quê? Pai que está no céu e que Ele era a porta para que o céu entrasse na terra através daquela oração, que é a oração sacerdotal. "E que venha a nós o Vosso reino e que seja feita a Vossa vontade aqui na terra como no céu." Partindo desse princípio, partindo desse princípio, nós temos Deus procurando na terra homens. Lembra daquele versículo, Salmo 124? Lembra desse versículo que fala assim, ó: "Levantai, ó portas, as vossas cabeças! Quem subirá o monte e quem há de permanecer no santo lugar? Aqueles que são limpos de mãos, puros de coração, não venderam as suas vidas à vaidade e não usaram o nome de Deus para fazer o que Deus não está fazendo. Estes são aqueles que receberão a bênção do Senhor da sua salvação." Aí ele diz assim: "Levantai, ó portas, as vossas cabeças! Levantai, ó portais eternos, para que entre o Rei da Glória!" Então, essas pessoas que subiram aos montes e permaneceram com mãos limpas, coração puro, não vendendo suas vidas à vaidade e não usando o nome de Deus para fazer o que Deus não está fazendo, eles recebem uma bênção de Deus para se tornarem portas para que o Rei da Glória entre na terra. Entendeu esse ecossistema? Isso é um ecossistema da oração. É assim que funciona o reino de Deus. O reino de Deus, ele entra na terra através de nós. Por isso que do nosso interior flui um rio, ou deveria fluir.

Enfim, após o dilúvio, Noé saiu da arca. Ele tinha três filhos. Quem sabe aqui o nome dos três filhos de Noé? Sem, Cã e Jafé. Sendo que aconteceu uma coisa interessante. Eu falo isso aqui, gente, a nível de conhecimento, eh, de cultura, de conhecimento da cultura judaica, tem dois filhos que chamaram muita atenção: Cã e Jafé. Sendo que com Cã aconteceu uma coisa muito interessante. Eu quero fazer uma análise sobre a relação de Noé com Cã, porque Noé ele toma todas, segundo a Bíblia, ele faz ali um vinho fermentado, com certeza um vinho forte, toma o pileque. Depois de toda aquela tensão do dilúvio, eu acho que ele se vê a dar uma relaxada aqui, toma umas mesmo, fica mal das pernas. E a Bíblia fala que Cã vê o seu pai nu. Em algumas interpretações tem um livro chamado Talmud, que é um livro de conclusões rabínicas ao longo da história. São várias conclusões rabínicas. Esse livro fala uma coisa muito interessante. Ele fala que uma das conclusões rabínicas, eles falam que quando Cã viu seu pai nu, ali, eles entendem que Cã ele abusou sexualmente seu pai. É uma das interpretações que se faz desse texto. E é muito interessante, tipo assim, eu chamo atenção para essa interpretação porque por uma questão assim, ainda que ele não tenha abusado, mas ele recebeu uma maldição violenta por causa daquela situação e ele dá continuidade à linhagem de Caim. Cã, ele continua a mesma linha de Caim. Mas qual é a semelhança entre o que Cã fez com o que Caim fez? Lembrando que Caim fez um sacrifício, ele fez uma oferta a Deus para atrair Deus para o seu projeto. Então, na verdade, Caim não estava interessado em se aproximar de Deus. Ele estava interessado no que Deus pode me beneficiar a partir da oferta que eu estou oferecendo a Ele. Já Abel, ele percebeu o que Deus estava fazendo. Existe essa diferença. Existe um movimento da terra para o céu, existe movimento do céu para a terra. O movimento correto é "aqui na terra como no céu". É o movimento do céu para a terra e não o movimento da terra para o céu. Estou trabalhando isso com vocês. São as duas formas de construir a sua fé.

Agora, presta atenção. Olha que interessante a questão do abuso, seja sexual, seja moral, de qualquer forma, a relação de Cã com seu pai reflete a relação daqueles que estão sobre esse fundamento com Deus. Porque existem aqueles que só se relacionam com Deus buscando o seu interesse, buscando o seu prazer, buscando aquilo que eu quero. A relação de homem com uma mulher, por exemplo, tipo assim, e da mulher com o homem. No casamento, por exemplo, o casamento é um lugar muito interessante, onde se constrói essa relação pactuada no amor, onde o sexo ele passa a ser um dos elementos dessa relação e não o elemento principal, central. Entende isso? Onde ter prazer ou desfrutar de momentos prazerosos é uma das coisas que acontece, mas existem várias outras questões que acontecem dentro do casamento, num relacionamento conjugal e que nem sempre são prazerosos, nem sempre são assim os melhores momentos. Existe a rotina do dia a dia, existe o desgaste do dia a dia. As pessoas falam comigo assim: "Kaká, quanto tempo que você ora por dia?" Tem pastores que sobem o monte, que tiram o tempo para orar, ficam orando 5, 6 horas por dia. Assim, cara, eu não oro 5 horas por dia e não passo 5 minutos sem orar. Eu não fico 5 horas orando e depois eu saio com o rosto resplandecendo, mas eu não fico 5 minutos sem orar. Entende? A relação entre eu e minha esposa, os momentos de intimidade, eles são momentos de intimidade, mas a grande parte da minha relação com a minha esposa não é tendo relacionamento sexual, é conversando, é brigando, é conversando, é falando de coisas da vida, dos filhos, da, enfim, 95%, 5% você pode destinar aos momentos de intimidade. É muito reduzido. A vida com Deus também é a mesma coisa. Os momentos fervorosos, por exemplo, hoje eu tive um dia, ontem e hoje eu estou vivendo um momento assim muito desgastante com essa questão de cuidar da população de rua de Contagem. São muitas demandas. A própria igreja, os trabalhos que nós estamos, eh, eu estou fazendo tanta coisa esses dias. Meus dias estão muito intensos, assim, mais intensos do que estavam antes. Denso, então tem hora que embola quatro, cinco, seis agendas ao mesmo tempo ali. Eu falei: "Ai, ai, ai, agora embolou. Segura, Jesus! Eu tenho que parar, orar. Hum, para cá, vou para lá, vou para cá." Então, tipo assim, grande parte do tempo está administrando uma atenção muito grande. Quando eu cheguei no teclado aqui hoje aqui, ah, podia ter uma pessoa aqui, não estou cantando para vocês, né? Uma pessoa falou comigo assim: "Kaká, pô, gente, pode pedir a música, precisar de uma, quiser cantar uma canção, pode." "Não sou tão tosco assim, no passado era mais tosco." "Canta aquela música, eu gosto tanto." Eu falei: "Meu irmão ou irmã, assim, desculpa, mas o culto não é para você. Eu estou tentando cantar para Jesus, se puder." Vamos, estou zoando, viu, gente! Brincando. Não sou tão tosco assim, mas não, mas enfim, mas você senta ali. A ideia, cara, é ceder. Eu quero falar com Ele, tocar o coração Dele, chegar aqui para esse momento de música. É um momento da gente dar aquela quebrada. Mas assim, é muito bom esse momento. Mas a espiritualidade de uma pessoa, ela não é o momento que ela senta para cantar, para orar. A espiritualidade de uma pessoa, ela é respaldada pelo seu dia a dia, pela sua perseverança, não pelos momentos de prazer que ela tem. Se você for pautar um casamento pelo tanto de sexo que você faz, acabou o casamento. Não, não é verdade. Os que estão mais casados, os novinhos estão pensando que vai acontecer, mas está bom. Mas a relação ela é pautada por muitas outras coisas. Então, quando você tem uma espiritualidade fundamentada nisso, é o que aconteceu com Caim e agora com Cã, isso já fala do coração, do tipo de relação que você está procurando. É uma relação fundamentada no prazer. É uma relação fundamentada no que eu quero sentir, no que eu quero ter, no que eu quero possuir, no que eu quero conquistar e não numa relação fundamentada no amor do que nós vamos fazer, do que eu posso fazer com você, estar com você, te conhecer e prosseguir em te conhecer.

Então, dizendo isso, nós temos duas grandes linhagens da Bíblia, presta bem atenção. E elas são representadas por esses dois grandes personagens, Sem e Cã. Cã sendo pai de uma genealogia, assim como Caim tem a sua descendência, Cã é como se ele fizesse parte da descendência de Caim. Ele dá continuidade e Sem é como se ele desse continuidade à linhagem de Abel e de Sete. As duas grandes principais linhas de pensamento e de construção cultural na Bíblia. Sendo que, sendo que Sem, olha que interessante, gente, por exemplo, nós temos a Segunda Guerra Mundial, né? A guerra de Adolf Hitler lá, né? É, é considerada a guerra santa. Por que que foi considerada uma guerra santa? Porque Hitler, a perseguição que ele estabeleceu contra os judeus foi fundamentada em causas religiosas. Por exemplo, ele acusou os judeus de deicídio, por exemplo, de ter matado Jesus. "Ah, vocês mataram Jesus." Foi um dos argumentos que Hitler utilizou. Mas essa guerra, ela tem uma causa central que se chama antissemitismo. Até hoje você tem hoje um antissemitismo, mas poucas pessoas sabem o que que é o antissemitismo. Quem é que sabe o que é o antissemitismo? É uma perseguição, não apenas ao judeu, mas toda a descendência de Sem, filho de Noé. O antissemitismo vem de Sem, é de uma linhagem, não é só do judeu, é de uma tribo de Israel. Sim, representa toda uma linhagem. Inclusive a música que eu cantei aqui hoje, o nome dessa música é "Atravessarei", que é uma homenagem aos hebreus, aos hívrides, aqueles que atravessavam. Os semitas, eles eram conhecidos como os hebreus, aqueles que atravessavam, aqueles que estavam em direção à promessa de Deus. Entende isso? Então, e Cã ele veio de uma outra descendência que dá continuidade à descendência de Caim.

E você tem dois grandes personagens nessas linhas sucessórias, nessas linhas genealógicas, dois grandes personagens. Um é Ninrode, um valente Ninrode, um cara assim extremamente poderoso, um general. E o outro você tem um cara chamado nada mais, nada menos do que Abraão, filho de Terá. E tanto Abraão quanto o pai dele, Terá, eles são da linhagem de Sem. Entende isso? Quem está entendendo? E Sem é da linhagem de Noé, que é da linhagem de Sete, daqueles que invocam o nome de Deus, daqueles que procuram e perseguem o que Deus está fazendo no céu para abrir uma porta na terra. Enquanto Cã é da descendência de Caim, ele vem, ele não é, genealogicamente, da linha física, mas é das práticas. Ele absorveu a ideia de Caim, de buscar Deus pelo prazer, buscar Deus para que Ele faça a minha vontade, para que Ele realize os meus sonhos. Presta atenção nisso. Boa. Eh, na Bíblia aparece... o Lucas está falando que na Bíblia Sete... Adão não aparece na linhagem de Caim, mas ele aparece como pai de Sete. É interessante isso. Mas a Bíblia trata muito bem essas genealogias.

Mas vamos lá. Olha só que interessante. Eh, então, Abraão, Abraão é uma figura muito importante nesse cenário. Por quê? Olha só que interessante. Porque ele é o pai da fé. Ele é o pai da fé. E muitas pessoas, muitas vezes a gente pode perguntar, mas por que Abraão é o pai da fé? Tem muito a ver com a forma como Abraão construiu a sua jornada, porque Abraão, ele é um hebreu e hebreu é um atravessador. Por exemplo, Terá, o pai de Abraão, também ele era um hebreu. Então, os semitas eles têm essa linhagem, essa forma de pensar. Enquanto Ninrode ele é da descendência de Cã. Presta atenção numa coisa. Ninrode. Ô, gente, há 2000 anos atrás a gente tem o episódio mais importante que mudou o nosso calendário. Por exemplo, nós estamos no ano 2025 por causa do nascimento de Jesus. Então, teve um homem que veio ao mundo e ele mudou radicalmente a nossa, a... ele mudou o mundo ocidental, principalmente todo o calendário, toda a cultura do mundo ocidental veio a partir de Jesus. Está entendendo isso? Então, se você fala sobre Jesus para qualquer pessoa aqui, ó, a pessoa fala assim, ó: "Jesus, ainda que eu não seja, só teu, mas eu sei quem é Jesus." Qualquer um sabe quem é Jesus naquela época. Noé, ele era o cara mais famoso que tinha, porque Noé foi o cara que venceu o dilúvio. Quem está entendendo? Então, naquela época Noé tinha condenado a sua geração. Noé tinha feito a vontade de Deus. Noé era o homem justo e íntegro. Ele andou com Deus. Então, Ninrode, por exemplo, que era da descendência de Cã, por mais que já tenha passado três ou quatro descendências, Ninrode sabia quem era? Noé, mano. Assim como você sabe hoje, depois de 2000 anos, quem é Jesus. Entendeu isso? E qual que era a preocupação de Ninrode? Que o mundo acabasse no dilúvio de novo. Então, qual era o medo daquela geração? Qual era o grande medo? Qual era a grande questão naquela geração? Estão dizendo que assim como Deus acabou com o mundo, acabou com toda a humanidade debaixo d'água, vai acontecer de novo. Esse era o medo. Ninrode, ele teve um projeto na continuidade de Cã, que era o quê? "Vamos construir uma cidade vertical", que é a torre de Babel. "Caso venha o dilúvio, caso venha o dilúvio, tem como a gente sobreviver se a água subir." Então, desde o princípio, Ninrode, ele teve um projeto. Qual era o projeto de Ninrode? "Eu quero construir um lugar para a gente se proteger de Deus, caso a ira de Deus venha contra nós." Isso é muito sério, gente, porque toda uma ideia, uma construção ideológica que nós inconscientemente nós podemos fazer é: "caso aconteça alguma situação, eu estou protegido." Mas eu estou me protegendo de quem? Talvez eu esteja me protegendo das próprias mãos de Deus. Então o que que Ninrode vai fazer? Eu quero que você abra sua Bíblia comigo em Gênesis 11, no versículo 1. E agora eu vou avançar e eu quero trabalhar com vocês. Eu quero fazer um paralelo entre Ninrode e Abraão. OK? Vamos fazer esse paralelo e nós vamos pegar as características de uma ideia e da outra ideia para a gente poder fazer esse paralelo. Presta muita atenção. Dá uma sacudida na pessoa que está do seu lado aí. Acorda agora e vamos entender o que significa isso.

Gênesis 11, versículo 1: "Ora, em toda a terra havia apenas uma linguagem e uma só maneira de falar. Sucedeu que, partindo eles do oriente, deram com uma planície na terra de Sineá e habitaram ali. Disseram uns aos outros: 'Vinde, passemos tijolos, queimemos os bens; os tijolos vos servirão de pedra, o betume de argamassa.' Disseram: 'Vinde, edifiquemos para nós uma cidade, uma torre cujo topo chegue até os céus, e tornemos célebres os nossos nomes, para que não sejamos espalhados por toda a terra'." Vamos analisar as cinco principais características, tá bom? Primeira característica.

Então, só lembrando de uma coisa aqui, presta bem atenção. Lembra o que eu disse na segunda aula do seminário que eu falei sobre cultura? Vamos ver quem estava aqui sabe me falar como é que forma a cultura, gente. Cultura é uma ideia. Essa ideia quando ela é cultivada ela produz uma cultura. Então, cultura é uma resultante do cultivo de uma ideia. Quem entendeu isso? Qualquer cultura, por exemplo, na Segunda Guerra Mundial, os judeus tinham um problema, que é o quê? Eles mudavam seus nomes, eles mudavam sua forma de vestir para não ser identificado como judeu, para Hitler não achar eles. Só que eles conseguiam se fantasiar, mudavam o seu sobrenome, mudavam a sua forma de viver para não ser identificado. Mas as crianças, por estarem acostumados com a cultura, elas não conseguiam esconder a cultura. E uma das culturas que os judeus têm, por ser uma religião muito ligada à lua e às estrelas, era apontar por causa das estações, por causa das festas, era apontar para as estrelas. E veio... e qual que era a ideia? Quando um soldado do nazismo lá passava e via uma criança apontando e ser judeu, porque só as crianças judaicas apontavam para as estrelas. Quem entendeu isso? Aí os judeus pensaram assim, ó: "Vamos criar uma ideia para as crianças não apontarem e vamos falar que vai nascer verruga na cara delas." Chegou ou não chegou? Olha que loucura. Isso não existe. Isso é fruto da Segunda Guerra Mundial. Era uma forma de inibir as crianças de apontar o dedo para as estrelas para não serem identificadas e não morrerem. Uma ideia que foi cultivada virou o quê? Uma cultura. E hoje você escutou da sua mãe, do seu pai, do seu tio, do seu avô: "Ó, menina, aponta para a estrela não, que você vai dar sem verruga." E você não aponta com medo de ter verruga. Então, toda ideia quando ela é cultivada, ela produz uma cultura. Então, é muito importante a gente saber qual ideia nós estamos cultivando. Qual é o fundamento das ideias que eu cultivo hoje? Será que eu estou produzindo o reino ou não? Pode ser que eu estou construindo uma torre para me proteger de Deus em nome de Deus. Quem entendeu? Compreende isso?

Então, olha só. Vamos analisar as cinco principais ideias de Ninrode e as cinco principais ideias de Abraão. E nós vamos identificar os dois fundamentos de todas as culturas da humanidade. Você consegue encontrar nesses dois personagens, Ninrode e Abraão, assim como Sem e Cã, as principais características de todas as culturas do mundo. E teologicamente, tanto na história quanto na história da ciência política, é provado, por exemplo, a primeira república estudada em toda a história da ciência política, ela é judaica. Então, a religião judaica, ela é uma religião que fundamentou e deu fundamento e base para muitas das ideias modernas hoje. Então, enfim, vamos analisar as cinco principais ideias. "Ora, em toda a Terra havia uma linguagem e uma só maneira de falar." Existem algumas pessoas, como por exemplo, uma teóloga que eu gosto muito chamada Landa Cope, ela diz o seguinte, que na verdade já havia outras formas de falar, já havia outras línguas, outros dialetos, outras línguas. Mas na verdade Ninrode ele se juntou com um grupo de pessoas que falavam a mesma língua. Eu gosto de pensar assim, Babilônia, Babel, ela é um tipo de formação, um tipo de sociedade que procura pessoas iguais, pessoas que falam a mesma língua. Um tipo de bolha social. Quem está entendendo isso? Como é que é? É todo tipo de "ismo", né, social, né? Todo tipo de "ismo" que aglutina pessoas iguais. O reino de Deus ele é diverso, ele é diferente, ele é multifórmico, mas as culturas monotemáticas, né, elas... o grande problema do mundo hoje, eu acredito, são pessoas que procuram se relacionar apenas com pessoas que falam o que elas querem ouvir ou falam a mesma coisa, que é o oposto de um ambiente de amor. O amor ele leva a gente a entender a língua do outro. Por exemplo, casamento é isso aí. Um livro que salvou, um dos livros que salvou meu casamento foi "As Cinco Linguagens do Amor". Muito importante para mim. Por quê? Eu descobri que não existia apenas uma linguagem. A minha. Eu dei vários presentes para a minha esposa, presentes físicos. Ela fazia assim: "Ah, obrigado." Falei: "Não estou acreditando." "Senhor, não, não." Eu fiz, eu comprei, fui na loja dizer a flor para cá, ela fala assim: "Ah, amor, que legal." Hoje ela gosta um pouco mais. Ela, hoje ela gosta mais do que antes. Eu falei: "Cara, não adianta, ela não me ama, não é possível." E eu e ela fazia um monte de coisa para mim e eu não percebia também. Ela estava falando: "Eu te amo" para mim na língua dela. E eu estava falando para ela: "Eu te amo" na minha língua. Aí quando eu li esse livro e falou as cinco formas de... eu sei de cor, uma é palavra de afirmação, o outro é presente, toque, o outro é tempo de qualidade e serviço. Um dia eu fui, eu não, eu tenho que fazer isso mais vezes. Eu peço desculpas à Carla por isso, mas um dia eu fui ajudar a Carla em alguma coisa que ela estava fazendo. Ela me abraçou: "Amor, eu também te amo também!" Eu falei: "Meu Deus!" De repente eu falei "eu te amo" na língua dela. E foi muito interessante. Eu descobri qual é a

Língua de a a linguagem de amor da minha esposa. Por exemplo, para ela hoje, falar que eu amo ela é correr, é sair de manhã e correr no frio. Pronto. Se eu correr, velho, acabou. Mas eu não tô correndo muitos dias. Eu não tô falando muito porque tá muito frio. Eu tô com a minha agenda tão lotada. Hoje de manhã, acordei 5:30 da manhã e tinha duas mulheres na da minha casa me esperando. Ten que ir embora, ten que fazer um negócio. Meu Deus do céu, tô, eu entro no meu carro, eu não sei o que que vai acontecer, velho. Eu não tô conseguindo. Eu tô, eu tenho que organizar minha agenda melhor esses dias para eu conseguir voltar a fazer algumas coisas que eu tô frenético, velho. Mas ela tá bolada comigo que eu não tô correndo. É uma linguagem.

Então, tipo assim, quando você entra num ambiente que todo mundo fala a sua língua, é porque você não quer ter o mínimo de esforço de sacrificar a sua forma de sentir amado para amar o outro. Você quer um ambiente que todo mundo é igual, é ou não é verdade? Que eu não preciso desse esforço. Então, enfim.

Então, esse ambiente de Babel era um ambiente que todos falavam a mesma língua. Era um ambiente que evitava, evita as tensões. Primeira característica.

Segunda característica: sucedeu que, partindo eles do oriente, deram com uma planície de Sinear. Segunda coisa, pensa comigo. Abraão tá saindo do ocidente e indo pro oriente. Ninrode tá saindo do oriente, indo pro ocidente. Eu vou fazer, eu vou colocar o tipo de relevo do Oriente e o tipo de relevo do Ocidente pra gente poder fazer um paralelo. Por exemplo, o oriente é como se fosse uma terra, é como se fosse ali Jerusalém, o Monte Sinai, uma terra montanhosa, uma terra com grandes fales, enfim, é uma terra que você, que você olha assim, igual Belo Horizonte. Belo Horizonte tem uma característica de oriente. Por exemplo, se tiver vindo o exército do outro lado da Serra do Curral agora, marchando para matar todo mundo aqui, agora ninguém tá vendo. Nós estamos aqui de boa. Tá vindo um tsunami ali, ó. Nós não estamos vendo. Nós não estamos vendo nada aqui. Qual é a nossa segurança aqui que não tá vindo uma onda ali que vai vir de cima e vai pegar primeiro aquela turma que tá aqui na beira da montanha aqui, ó? O povo lá, não vou contar, tava protegido, hein? Quem vive em meio às montanhas acredita que a sua segurança não tá em você próprio.

Por exemplo, mas quem procura planície, por exemplo, Brasília, Planalto Central, você sobe naquela anteira, você vê aqui, você vê lá, você vê lá, você vê lá, você vê lá, você vê, você vê todos os cantos. Em outras palavras, se você busca uma planície, é um lugar de visibilidade total, de segurança. Você tem controle sobre as coisas. Se tiver vindo alguma, eu tenho como me proteger. Então, planície, quando fala planície, está falando de terra de visibilidade, de segurança, onde eu tenho controle da situação. Quando fala oriente, é terras de montanhas, de vales, onde eu não sei o que tá acontecendo aqui. Então, eu preciso acreditar. Eu, eu, eu, eu sou obrigado a acreditar que a minha, a minha segurança está no Senhor que fez os céus e a terra. Quem tá entendendo são relevos. Então, segunda característica de Babel, ela foi construída numa planície, num lugar de visibilidade e de controle. OK? Pegaram isso aí?

Terceira característica. E disseram uns aos outros: "Vinde, façamos tijolos". E aqui eu já quero fazer um paralelo. Não, eu vou esgotar todos os pontos, depois eu passo para Abraão. É melhor porque eu não vou embolar o meio de campo. Tijolo. Tijolo é uma característica de uma construção única. Presta atenção. O sistema.

Eu, eu estudei na filosofia, na ciência política e meu irmão também, o meu irmão de sangue, ele é filósofo. E o Igor, há muitos anos atrás, a gente fez, ele me ensinou sobre o pai da ciência, que também é um dos primeiros filósofos da era moderna, que é René Descartes. Eu nem sei o Descartes, eu ia me a pronúncia, eu nem sei pronunciar direito como é que fala o nome dele. É Descartes, ele, ele, ele, ele tem um aspecto interessante porque na filosofia de Descartes, na ideia dele, ele é o pai do individualismo. Só para você ter uma noção, ele é o pai da ciência e ele é o pai do individualismo. Por quê? Porque Descartes, ele, ele, ele está contestando o mundo coletivo. Olha que interessante, gente. Ele, ele, a função de Descartes, tá Descartes, tá Maquiavel, aquela turma ali e Thomas Hobbes, aquela turminha que tá com, que tá tentando refutar a ideia do nós que veio de Santo Agostinho, que veio de Santo Tomás de Aquino, da escolástica, da patrística, a turma dos filósofos que eram católicos, que eram grandes filósofos, grandes estudiosos, que falavam, que pensavam no mundo para todos, enfim, que tinha uma filosofia e uma teologia mais inclusiva, mais horizontalizada, principalmente Santo Agostinho e principalmente e Tomás de Aquino também.

Aí Descartes, ele vem para refutar esses caras, Thomas Hobbes e cara, peraí, esse mundo que vocês pensam coletivo, enfim, e que a própria religião de vocês abusou disso, usou disso para dominar o outro. E de fato é verdade. Esse discurso seus aí, ó, desrespeitou o indivíduo em prol do coletivo. Vocês mataram o indivíduo. E agora nós queremos construir um mundo de indivíduos, que era um tipo de uma defesa.

Mas e aí, para ele fundamentar isso que ele fala, cara, ó, eu duvido em tudo que vocês estão falando. Eu vou falar com você, vou falar uma coisa com você. Eu duvido a terra. Eu duvido que Deus existe. Duvido que a terra existe. O cara duvidou pisando na terra. Duvido que a terra existe. Eu duvido que essa árvore existe, esse passarinho existe. Eu duvido. Vocês falam corpo em alma e espírito. Eu duvido que eu tenho espírito, que eu tenho alma. Duvido. Eu duvido que, vou falar com você uma coisa, eu duvido até que eu existo. Você já sonhou já no sonho, é verdade? Não, mas não tá pensando que aí se não tiver um sonho, uma matrix. Se que agora não foi um sonho, pode ser que a gente não exista. Nós estamos em outro lugar. E aqui agora todo mundo sonhando um delírio sinistro.

Aí ele falou com, no sonho, ser no sonho, aí ele falou assim: "Eu só não posso duvidar de uma coisa, de tudo que ele duvidou". Ele chegou na máxima dele: "Eu não posso duvidar que eu tô duvidando". Porque se eu tô duvidando, eu não posso duvidar que eu tô duvidando porque eu tô duvidando. Olha que loucura, velho. E no sonho eu não duvido. E se eu tô duvidando? Eu tô pensando. E se eu tô pensando, eu existo. Eu existo. Penso, logo existo. René Descartes.

Então, qual a conclusão que ele chega? Que ele existe porque ele pensa. E se eu existo porque eu penso, eu não existo porque eu pertenço. Não existe algo além de mim. Eu existo por mim mesmo. Então, ele é o pai. Ele justifica o individualismo a partir de uma ideia que ele é autossuficiente simplesmente porque ele existe, porque ele pensa. Não existe nada mais conectado a ele ou que veio antes dele, que prove que existe a não ser o seu raciocínio, a sua razão. Então, essa é a base da ideia do individualismo.

Tem um outro pensador chamado Desmond Tutu, que ele é mais moderno, que ele é um pastor anglicano, que ele fala assim, ele refuta a ideia de Descartes, ele fala assim: "Eu não existo porque eu penso, eu existo porque eu pertenço". Ele fala assim: "Existe algo maior do que eu, que além da minha existência, que faz com que a minha existência se torne algo viável, enfim."

Mas tem um outro pensador chamado Pitágoras também, que a partir do individualismo, eles começaram também a entender: o homem é o quê? O homem é razão. Essa ideia do individualismo e do homem ser razão, isso trouxe muitos problemas para a humanidade como um todo. Um deles, o impacto de um deles é a grande Revolução Industrial. Por quê? Porque tem um outro pensador que falou assim que o homem é como se fosse um triângulo. Presta atenção que as somas dos seus ângulos internos dá 180º. Em outras palavras, nós somos uma exata. Então, ignora suas emoções, ignora seus sentimentos, ignora a sua espiritualidade. O homem, ele é razão, ele é pensamento, ele é trabalho. Então, o homem suporta também trabalhos repetitivos. Enfim, tem um monte de implicação nisso, mas todo esse desenho de triângulo, de existência, isso uniformizou, mexeu com a identidade humana. Porque identidade vem de idem. Idem não é quem você é. Idem é igual a quem você foi criado. Então, quando eu, quando eu abandono a ideia que eu sou a imagem de alguém e eu sou o reflexo de alguém que me criou, eu perco a minha identidade e eu passo a funcionar a partir de uma lógica individualista. E eu passo a ter medo e me proteger de tudo aquilo que possa vir tirar a minha liberdade, a minha, a minha individualidade. E eu não estou disposto a me conectar com outras pessoas. Eu não estou disposto a criar uma sociedade onde eu tenho outras pessoas que me compõem. Não, porque eu quero algo que seja bom para mim na minha individualidade.

Então, quando a Bíblia fala aqui, disseram uns aos outros: "Vinde, façamos tijolos", toda construção e edificação feita por tijolos, ela é única. E toda construção unifórmica, ela precisa de argamassa, ela precisa de cimento para colar uma na outra, porque elas não se, uma não sustenta a outra. Eu preciso de um sistema que nos une. E esse sistema ele tem que ter como objetivo o que Cã e o que Caim buscou em Deus: me favorecer. Construir uma torre, ser um tijolo dessa torre. Qual é o meu objetivo? Meu nome ser célebre. Construir uma coisa da terra que a gente vai subindo até chegar ao céu. Nós vamos alcançar o céu através de um projeto da terra pro céu. E quando a gente alcançar o céu, o nosso nome será célebre. E nós vamos edificar isso como? Com tijolos, com uma sociedade unifórmica que trabalhe juntos, sem as suas, as suas expressões de identidade.

Eu tenho que, eu tenho, eh, o Thomas Hobbes, tem uma frase de Thomas Hobbes que ele é o, que ele é o, o, ele é um dos pais da política moderna. E ele fala uma coisa, Thomas, que ele fala o seguinte assim, ó: "Me dê a sua identidade, a sua liberdade, que eu te dou segurança." Essa frase é muito pesada. Tipo assim, anula quem você é, abre mão do seu sonho, dos seus planos, dos seus objetivos, das suas características e se torne um tijolo no meu projeto. E ele chama de Leviatã, é o livro dele. E eu te dou segurança. Tudo isso em troca da segurança. Você vai ter segurança alimentar, você vai ter segurança para morar e você vai ter segurança ibérica. Eu vou, vou construir, vou esticar um lugar que você ali você deixa de ser uma pedra, passa a ser um tijolo para que você garanta a sua segurança, a sua integridade física da sua família. Em nome do nosso Deus que estamos construindo, que vai nos abençoar de um projeto da terra pro céu e nosso nome será célebre e nós vamos conquistar. Gente, estão entendendo essa ideia? É uma ideia que cientificamente falando na política você consegue entender ela claramente. Hobbes, por exemplo, ele é um tipo de, ele é um tipo de, de rod. E se você pegar a linha de Hobbes, ele era filho de um pastor presbiteriano. Thomas Hobbes, ele era filho de um pastor e ele conhecia a Bíblia. O livro de Thomas Hobbes, um dos livros mais famosos da ciência política, chamado de quê? De Leviatã. Hobbes, ele pega um personagem da Bíblia e traz pra ciência política. E qual é o objetivo de Hobbes? É esse: "Me dê a sua liberdade, a sua identidade, que eu te dou segurança".

Então, Babel, gente, é um projeto muito ousado. Babel não é um projeto simples. Ela é uma construção muito bem feita. E qual é o objetivo de Babel? Caso venha um dilúvio, caso aconteça alguma coisa, nós somos, nós estamos protegidos, até mesmo contra Deus. Enfim, agora, contra essa oração, agora, abre a sua Bíblia comigo em Gênesis 12.

Sim, pode falar. Que segurança que tem medo. Exato. Segurança tem medo. O medo é o medo. É o medo. E eu falei, eu falei aqui domingo aqui, falei aquele versículo, para mim é um versículo chave para essa aula. Hebreus 2:14, que fala que Jesus ele foi até o inferno e tomou do diabo a chave da morte para libertar todos aqueles que por medo da morte estavam sujeitos a viver como escravos por toda a sua vida. O medo, ele não só nos neutraliza, ele rouba da gente a nossa autonomia, a coragem de ser aquilo que eu acredito que eu tenho que ser.

Agora, presta atenção, gente. Gênesis 12. Ora, disse o Senhor a Abraão: "Saia da sua terra, da sua parentela, da casa do seu pai e vai para uma terra que te mostrarei". Para comigo. Agora nós temos em Gênesis 12, Abraão. Primeira característica de Ninrode: uma só língua. Segunda característica: planície. Terceira característica: tijolo. Quarta característica: torre. A torre é o coletivo que me dá acesso ao que eu quero. Quinta característica: o meu nome vai ser célebre. Sexta característica: eu não vou ser espalhado. Pegaram as seis características.

Primeira característica aqui, ó: "Saia da sua terra, da sua parentela, casa do seu pai". Terra, cultura, parentela. Tradição familiar. Casa do seu pai, segurança. Quem é o pai de Abraão? Terá. Terá, ele é um semita. Sim. Como que chama a terra que Abraão está? Padã-Harã. Por que a terra que Abraão está chama Padã-Harã? Porque o pai dele, Terá, que é um hebreu que estava atravessando, parou e deu o nome a essa terra. Por quê? Porque Harã, que é o irmão de Abraão, morre. E quando o irmão de Abraão morre, Terá se ofende contra Deus, porque seu filho morre e ele dá o nome daquela terra que ele morreu, o nome do seu filho, e ele para a sua peregrinação. A partir daquele momento, Terá para de invocar o nome de Deus e ele começa a produzir ídolos. E aí ele produz uma tradição que não era mais a tradição daqueles que invocavam. Quem tá entendendo isso? E ele produz uma cultura adoecida de ofensa contra Deus que tirou o seu filho. Abraão nasce nessa terra em Padã-Harã. E agora Deus quer falar com Abraão. E ele tá numa terra de uma cultura que foi fundamentada numa ofensa, numa tradição de ídolos que sustenta essa ofensa e num lugar de segurança, onde ele tinha muita riqueza, onde ele não pedia, precisava arrastar o pé dele para garantir o seu futuro, dele, da sua esposa Sara.

E Deus fala com ele assim: "Sai daí, sai da sua terra, sai da sua parentela, sai da casa do seu pai". Primeira característica que Deus faz com Abraão. Ele tira ele do ocidente, de um lugar de planície, de um lugar de segurança, de um lugar de visibilidade e fala: "Vem para um lugar de montanhas, vem para um lugar em que eu serei a sua cultura, a sua tradição e a sua segurança". Deus chama Abraão para fora de um lugar de segurança. Deus chama Abraão para fora de um lugar que está adoecido. Quem entendeu isso, gente?

A primeira característica é saia, vá. Repete comigo, vai, porque só quem vai vê. É igual a porta do shopping. Eu falo que muitos evangélicos, música, fica assim, ó: "Vai abrir em nome de Jesus. Agora vai abrir o nome. Abre a porta". E eu falo assim, muitas vezes a gente fica aqui orando, mandando a porta abrir, fazendo aqui campanha: "Vai abrir, vai abrir, vai abrir, vai abrir, vai abrir, vai abrir". Olhando, enquanto você tem que ir em direção à porta, o sensor vai te pegar e pum, ela vai abrir. Só quem vai vê. A fé não é o que você acredita. É igual o Anderson Bonfim falou a semana, é como você responde ao que Deus falou para você. É se você se move na palavra que ele colocou no seu coração. Abraão sai da sua terra, sai da sua parentela e ele vai. Gente, presta atenção. Gênesis 2, Gênesis 12, a partir do versículo 7. Olha o que está escrito. Coloca pra mim aqui. Olha ali, gente. Olha ali. Ali o Senhor apareceu a Abraão. Ô, gente, lê de novo. Lê 10 vezes ali agora. O que aconteceu? O que aconteceu? Deus apareceu para Abraão. Gente, e eu, eu, eu, quando eu li, quando eu entendi isso aqui, eu falei que a minha sustentabilidade, a minha segurança está em achar uma planície para construir uma torre ou encontrar com Deus. Quem entendeu isso? Nós estamos procurando uma planície para construir uma torre ou nós estamos querendo encontrar com Deus? Abraão sai de um lugar de segurança, de estabilidade, de conforto. Ele se desloca. Em outras palavras, ele rompe, ele encontra com Deus. Gente, isso é muito surreal.

Qual é o seu objetivo na sua fé? Por isso que eu falo que muitas vezes o evangelho, ele tá, é o secularismo transvestido de uma crença cristã. Na verdade, na verdade, eu tô procurando o quê? Eu tô procurando Deus mesmo ou eu tô procurando prosperidade, bênção? Eu tô procurando estabilidade financeira? Eu estou procurando um lugar para construir o meu sonho na terra de Sinear? O que que eu tô procurando? Eu estou realmente no fundamento da fé de Abraão? Eu quero encontrar com Deus ou eu quero encontrar um lugarzinho, uma toca para eu me esconder ou um ninho para eu ter a minha vida estável? Jesus ele disse: "Se você quiser me seguir, a raposa tem sua toca e ela tá procurando. Os romanos estão procurando o lugar para se esconder do medo da morte. Os pássaros religiosos têm seus ninhos, mas o filho do homem não tem onde reclinar a sua cabeça". Nós estamos seguindo Jesus mesmo nesse evangelho com coach, nesse evangelho das prosperidades? Gente, é isso que nós temos que identificar. Essa aula é para isso. Existe dois fundamentos e ambos estão hoje na atual geração, representando. Existe quem prega o evangelho numa grande comissão grega. Existe quem prega o evangelho numa grande comissão do reino. Nós temos que entender qual fundamento nós estamos desenvolvendo, qual cultura nós estamos produzindo.

Abraão, ele encontra com Deus. Apareceu o Senhor Deus a Abraão: "Darei à tua descendência essa terra". Versículo 7, parte B: "ali edificou um altar ao Senhor que lhe aparecera". Qual foi a primeira coisa que Abraão fez quando ele encontrou com Deus? Ele construiu uma torre? Ele pediu: "Deus, faz alguma coisa para mim"? Não, ele pega pedras, não tijolos. Isso marca, isso estabelece a diferença discrepante. Abraão pega pedras que simbolizam pessoas com identidade. Uma edificação feita por pessoas que têm identidade, que é multifórmica, que não é única, que não são um monte de gente ajuntado fazendo a mesma coisa. Ah, mas Deus tá abençoando tal lugar, cheio de gente. O número de pessoas na bíblica nunca foi sinal de que Deus está ou não está. Pelo contrário, quando Deus viu muita gente junta fazendo besteira, falou: "Eu vou ter que descer e confundir a língua desses povos. Porque se eles se unem para fazer o que eles estão idealizando fazer, pode ser que eles consigam. Eu vou ter que descer e atrapalhá-los, porque pode ser que o plano deles dê certo". Abraão pega pedras e constrói um altar. A palavra altar em hebraico é a palavra "mizbeah". Fala comigo. Mizbeah. Mizbeah. A palavra em hebraico. Altar. Sabe o que significa mizbeah? Lugar de morrer. Enquanto uns estão construindo torres para se proteger do medo da morte, outros estão construindo altares para morrer, para vencer o medo da morte. Essa é a grande diferença. Ou você está usando o evangelho e usando Jesus para construir um lugar para se proteger do medo da morte, ou você está negando a si mesmo, tomando uma cruz e decidindo de uma vez por todas em vencer o medo da morte, em aprender a não se submeter aos grilhões da morte, não ser intimidado pelo medo. É doideira, gente.

A palavra altar é de onde sai a palavra porta, gente. Altar é porta. "Levantai, ó, portas, as vossas cabeças". Quem é altar vira porta. Presta atenção nisso. Por que altar é porta? Porque quando você pega uma semente, a semente ela é uma cápsula. Dentro da semente tem a vida. E por fora da semente você tem o quê? Uma casca que protege a vida que tá dentro. Quando você joga essa casca na terra, a terra úmida apodrece aquela casca e a vida que tá dentro sai para fora. Ela abre uma porta pra vida. Então, se não matar a casca, a vida que tá dentro não vem para fora. Existe uma vida aprisionada dentro de você. Existe um chamado, um destino, uma vocação que muitas vezes o sistema tenta dar manutenção à casca, para fazer com, sei lá, passa meses da casa, cria plano de seguro de vida para casca, plano de saúde pra casca, óleo de pérola pra casca, tudo pra casca. Você não pode, a sua tradição é não abandone a sua casca. E todo o projeto de Deus é que essa casca apodreça e morra, porque tudo que ele tem para você, ele quer que venha para fora em vida. E tudo que ele nos ensinou é construir altares feito de pedras.

Porque Abraão, quando ele encontrou com Deus, ele falou: "Ei, ai, peraí, não é você?" Não. "O de Noé?" Não, "não tô conhecendo você não". Não, não, não, não, não, não. "Não é possível". Caraca, por que Abraão constrói um altar? Porque ele sabia que a partir daquele lugar ele entraria num projeto que não era mais dele, não era mais do pai dele. Ele conheceu o Deus da sua existência, da sua vida, do seu destino. Ele sabia que a partir dali não viveria mais ele. Mas agora esse Deus que ele conheceu, ele viveria para ele e nele. Não tinha mais como eu sustentar as tradições do meu pai quando eu conheci o criador do céu e da terra. Não tem mais como eu sustentar culturas fundamentadas em ídolos. Se eu conheci o criador do céu e da terra, não tem mais como daqui pra frente eu sustentar as minhas ideias. Se eu conheci aquele que criou a minha cabeça, todas as ideias estão nele, eu crio um altar porque agora eu preciso morrer para agora ser parte do que ele vai fazer. Entende isso? São dois fundamentos, são duas ideias, são duas bases. Nós nascemos, todos nós, não tem um aqui, todos nós nascemos nas bases romanas, nas bases gregas, desde a forma que a gente corta cabelo, a forma que a gente veste roupa, da forma que a gente come. Toda a nossa cultura é de preservação, é cuidado com o outro, com o diferente. "Olha lá o que você vai fazer. Se proteja. Olha sua casa, seu carro, sua comida, seu banco, seu dinheiro. Olha, cuidado com plano de tal. Não para, ó, essa pessoa é diferente. Ó, na nossa família a gente nunca se relacionou com pessoas desse tipo, não é assim? Proteção, preservação, pessoas iguais. Cuidado, essa pessoa tá querendo com você, meu filho. Esse menino, qual que é o pai dele? Ela de qual família? Olha, cuidado, é filho de Deus, parece com Jesus. Não interessa. Para mim, o importante é você fazer parte de um grupo de pessoas parecidas com a gente. Cor de pele, orientação sexual, cultura religiosa, grau de educação, dinheiro no banco, posses, quem você tá se relacionando?" Tudo isso simboliza um tipo de cultura. Qual fundamento nós nascemos? E qual é o fundamento do reino? São pedras diferentes que constroem altares. E olha que bonito. Ali edificou Abraão um altar ao Senhor que lhe aparecera, passando dali para o monte e oriente de Betel.

Mais pra frente, quer ver? E Deus, ele fala para Abraão o seguinte aqui: "Eu abençoarei através de você todas as famílias da terra. O meu projeto com você, Abraão, é abençoar todas as famílias. O meu projeto para você é incluir e chegar em todas as famílias da terra. Porque agora, Abraão, você é a porta que abriu na terra para eu entrar". Por isso que toda a cultura dos semitas envolve construir altares. Vamos fazer um paralelo. Ninrode buscou um lugar que se falava a mesma língua. Abraão saiu de um lugar em que todos falavam a mesma língua. Saiu de uma terra da parentela da casa do seu pai. Ninrode procurou uma planície, Abraão encontrou com Deus. Ninrode encontrou uma planície, Abraão encontrou com Deus. Ninrode pegou tijolos e construiu uma torre. Abraão pegou pedras e construiu um altar. Ninrode construiu uma torre para que ele construísse uma estrutura da terra pro céu para ele chegar até Deus. Abraão construiu um altar para morrer para as suas vontades, para que o céu venha para a terra através dele. Ninrode construiu uma torre para ficar num lugar bem alto de visibilidade para que seu nome se tornasse conhecido. Abraão morreu para que o nome de Deus fosse conhecido e Deus fez com que o nome dele se tornasse conhecido em toda a terra. Quem tá entendendo isso aqui? Ninrode construiu um projeto de autoproteção e de uma promessa de não ser espalhado e se proteger. Abraão, Deus, através de Abraão, criou um projeto para espalhar essa mensagem por toda a terra e encher toda a terra com conhecimento dele. Qual são as bases da nossa cultura cristã? Tão entendendo isso? Quem pegou isso aqui, gente?

É muito importante a gente perceber qual é a ideia que predomina na nossa cultura religiosa, porque nós podemos estar pensando que nós estamos produzindo o reino, está produzindo uma Babel. Esse tem sido o meu trabalho nos últimos 20 anos. Eu dou essa aula já tem 15 anos. Quando eu descobri isso, eu encontrei com o seu José Roberto na rua esses dias, na rua. Eu olhei para ele, olhei para esse cara num break, break, na madrugada de quinta para sexta, do dia 15 pro dia 16. Ele tava com muito frio, com apenas uma blusa, com os dois pés juntos, com a mãozinha assim, com 63 anos, dentro do break assim, ó. Pessoas entravam e saíam. E ele aqui, ó, em pé, com as pernas toda enfaixada dessa grossura, toda ferida. Assim, quando eu fui pagar o meu sanduíche, Carla, mas eu, eu paguei, não tava comendo sanduíche de alguma coisa. Quando eu fui pagar meu sanduíche de vegano, era de salada. Era, não era uma salada. Quando eu fui pagar o meu sanduíche, quando eu fui pagar o meu sanduíche, eu perguntei pro cara assim: "Esse cara que tá ali, você já tinha visto ele antes?" A mulher, a mulher do caixa, falou assim: "Ele vem aqui todos os dias e ele dorme. Ele, ele fica aqui até o sol amanhecer. Quando o sol amanhece, ele vai, pega um ônibus e vai para algum lugar". Eu falei: "Ele come?" "Ah, ele come todo dia. Alguém dá um macarrão para ele e o macarrão dele tem que ser com três camadas e tem que ter 12 ketchups todos os dias e depois ele bebe uma Coca-Cola e fica ali em pé". Eu falei: "Você tá falando sério?" Falou: "Sério?"

Ô, gente, nós tínhamos tirado 52 pessoas da rua. Era madrugada, eu tinha levado um casal de meninas de rua que tava passando mal na UPA JK. Eu olhei para aquele cara, falei: "Jesus, eu tô cansado, eu queria ir embora para casa, mas não consegui". Eu tive, eu sentei do lado dele, falei assim: "Mas, e aí, senhor?" Eu comecei a conversar com aquele senhor e depois de tudo que eu conversei com ele, mais de uma hora, ele falou comigo: "Sabe por que eu estou aqui, Kaká?" E ele é professor de geografia, de história, teve aqui na igreja domingo. Eu falei: "Por quê?" Ele falou assim: "Porque eu não tenho mais nenhuma rede de suporte, de apoio. Eu sou sozinho, não tem mais ninguém no mundo. Eu não bebo, eu não fumo, mas eu não tenho ninguém para me tirar daqui, para me ajudar. Eu estou sozinho, completamente sozinho. Sou bruto sistemático, não gosto de abrigo, morro de medo de morador de rua. Sou morador de rua, morro pavor de morador de rua". Ele falou, eu falei com ele assim, falei assim: "Seu Roberto, deixa eu te falar uma coisa. Você é filho de Deus?" Eu falei assim: "Eu sou, Kaká, eu amo Jesus, mas eu tô aqui sozinho, eu não tenho ninguém. E inclusive amanhã de manhã eu não posso te encontrar porque eu tenho que ir na igreja lá em Sabará. Que eu falei com o pastor que eu vou estar amanhã de manhã no culto". Eu falei: "Caraca, maluco, uma pessoa completamente desconhecida, uma pessoa completamente fora da minha agenda. Mas naquela hora eu falei com ele assim: "Cara, não, velho, você faz parte da minha família, mano"."

Ele veio aqui domingo na igreja, quando ele chegou na porta ali, ele falou assim: "Parou, vocês". Falou assim: "Eu vou vir domingo que vem, travou-se". Eu falei assim: "Sei, é muita correria, não sei não, Kaká, eu vou vir domingo que vem". Eu falei: "Por quê?" "Eu gostei muito, muito, muito, muito, muito, muito, muito dessa igreja". Eu falei, falei muito. Aí começa a repetir. Eu falei: "Que alegria que você sentiu bem aqui, acolhido. Todos os seres humanos, todos os seres humanos estão no projeto de Deus. O projeto de Babel é apenas com aqueles que se parecem e que falam a mesma língua. No projeto de Deus estão todos os seres humanos. Não tem nenhum ser humano nessa terra que não está incluído no livro da vida, que Deus não está procurando, que Deus não está com laços de amor tentando trazer para perto dele. Não existe. Não existe. Não existe um ser humano que não esteja em sofrimento, que Deus não esteja sofrendo com ele. Não existe. Ou qualquer prática que ele tenha praticado, não existe. E se nós somos filhos dele e somos da linhagem de Abraão, nós estamos trabalhando para chegar próximo de qualquer um desses seres humanos. Qual é o fundamento que nós estamos? Essa é a pergunta que eu quero que você saia dessa aula hoje. Qual é o fundamento que nós estamos vivendo por toda uma vida? Nós precisamos estar nos fundamentos de Abraão. Quem entendeu isso?"

Vamos ficar de pé. Pai, obrigado por essa aula. Obrigado por mais um ensinamento. Obrigado pela oportunidade que o Senhor nos deu de essa plataforma, de ter esse lugar, essas pessoas que o Senhor tem aglutinado para cultivar, Pai, uma ideia, a ideia do seu reino, que Deus amou o mundo de tal maneira, que deu seu filho unigênito para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha vida eterna. Pai, o Senhor amou o mundo e nós queremos amar o mundo com o mesmo amor que o Senhor nos amou, Pai. Obrigado por mais uma aula, mais uma aula da Escola das Estações, mais uma matéria pra gente poder refletir, ruminar e mais um confronto para as nossas culturas, para as nossas tradições que muitas vezes nos coloca fora da sua agenda. Pai, nos ajude a sair da sua, da terra, da parentela, da casa dos nossos pais. Ajuda-nos a romper da toca do ninho, de lugar de segurança. Ensina-nos a ir para ver, vendo sentir, sentindo, entendendo, entendendo, construindo altares, construindo altares, morrendo, morrendo, nascendo, nascendo, sendo sua testemunha, vivendo o que você tá fazendo. Deus abençoa cada um que está aqui, que estão nos ouvindo online. Todos nós possamos ter consciência e ter a humildade, Pai, de nos prostrar aos teus pés e submeter à sua vontade aqui na terra como no céu. "Levantai, ó, portas, as vossas cabeças, levantai, ó, portais eternos, para que entre o Rei da Glória". Quem é o Rei da Glória? É o Senhor forte e poderoso, o Deus do órfão, da viúva, do necessitado, do desabrigado, do encarcerado, do estrangeiro e dos que mais precisam dele. Amém. Deus abençoe. Amém. Saúda do seu lado para não perder o costume.