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Um dos campeonatos de futebol mais importantes do mundo é a Taça Libertadores da América. É nessa competição que clubes de destaque de toda a América do Sul se digladiam nos gramados pra poder então disputar o título da Copa do Mundo de Clubes. Mas pouca já parou pra pensar no nome desse campeonato. Libertadores da América. Quem são os libertadores da América? Por que esse campeonato leva esse nome? O Vogalizando a História de hoje vai te explicar.
Libertar a América deve dar um trabalho do caramba e isso deve gerar muita preocupação, pois são muitos interesses que tem que ser atendidos. É muita dor de cabeça, mas repare bem nos libertadores da América. Todos eles tem vastas cabeleiras. Como é possível? Como conseguiram manter os cabelos enquanto libertavam a América? A gente explica. Todos eles conheciam a Manual, uma empresa britânica que oferece tratamentos pra calvície desde os estágios iniciais, até os mais avançados. Se tu está preocupado em perder os cabelos ou já perdeu os cabelos porque está preocupado, os caras te oferecem soluções práticas e seguras. Tu vais entrar no site, responder um questionário sobre a tua queda de cabelo e vais receber uma recomendação de tratamento. Esse tratamento é específico pro teu caso e analisado por um médico especialista que acompanha o todo o teu tratamento. É tudo muito simples e pra ver o que a Manual pode fazer por ti, é só entrar no site dos caras, que tá aqui na descrição. E mais, se tu usar o cupom “Vogalizando”, tu não ganha 10% de desconto, nem 20. 30? Tu vais é ganhar 40% de desconto cara. Se tu tá se sentindo inseguro com a tua calvície ou se ela está te incomodando, procura a Manual, que eles vão te ajudar tranquilo.
O começo do século 19 não foi muito agradável pra Espanha. Em 1808, a França, até então sua aliada, dominou o território espanhol e Napoleão Bonaparte, líder francês, colocou seu próprio irmão (José Bonaparte) pra governar a Espanha. Nesse momento de fragilidade, as colônias espanholas aqui na América percebem que esse é um bom momento pra conquistar a sua independência. A América Espanhola era bem grande, pegava todo o atual território do México, e mais um bom pedaço dos Estados Unidos, toda a América Central continental e vários outros países insulares, além de quase toda a América do Sul. No começo do século 19, só Suriname, Guiana, Guiana Francesa e a maior parte do Brasil não eram uma possessão espanhola. Aqui na América do Sul, ainda não existia a Argentina, a Colômbia e o Peru, por exemplo, o que existia era o Vice-Reino da Nova Granada, Vice-Reino do Peru e Vice-Reino do Rio do Prata, todos eles repletos de nativos americanos, espanhóis que viviam na América, os chapetones, e descendentes de espanhóis que haviam nascido aqui, os famosos criollos. Mesmo os criollos mais ricos geralmente eram deixados de fora da política local e os caras instigaram grandes camadas da população a combater os seus colonizadores. As independências na América Espanhola foram marcadas por guerras e episódios de violência, mas os sul-americanos contavam com grandes lideranças, principalmente militares, que conseguiram derrotar os espanhóis, sendo depois conhecidos como “os libertadores”.
Provavelmente o mais famoso desses caras é o Simon Bolívar. Ele nasceu em uma família rica no atual território da Venezuela, na cidade de Caracas. Ficou órfão, foi criado pelo avô e por alguns tios, teve uma educação privilegiada, onde teve contato com o pensamento iluminista, ingressou na carreira militar ainda adolescente e viajou pela Europa e pela América. Ao mesmo tempo em que viu o luxo europeu, o cara também percebeu a miséria americana. Ele se casou jovem, com a Maria Teresa Rodriguez del Toro e apaixonado, trouxe ela pra América. Ah, como é bom amar. Mas poucos meses depois ela teve febre amarela e morreu, deixando o cara viúvo aos 19 anos de idade. Bolívar era contra a escravidão e até fez um juramento dizendo que dedicaria a sua vida à libertação venezuelana e se teve uma coisa que o cara fez, foi libertar. Ele foi atuante nos processos de independência dos atuais Peru, Venezuela, Colômbia, Equador e Bolívia. Tu deve imaginar que o nome do país “Bolívia” é uma homenagem a ele. O país foi fundado com o nome de República Bolívar, até que em 1825, adotou o nome pela qual é conhecido até hoje. O sonho do Bolívar era ver uma América Latina unida, de modo que seria mais fácil combater a pobreza no continente e evitar a interferência estrangeira, que era muito comum. O cara foi vitorioso em batalhas importantes, mas por conta de contra ataques espanhóis, precisava fugir pra outro país da América, onde angariava aliados e voltava pra combater os colonizadores. Apesar de só ter um metro de 67 de altura, o cara tinha uma resistência física impressionante. Ele esteve a frente da formação da República da Grã-Colômbia, um país que formalmente existiu de 1821 até 1831, formado a partir do Vice-Reino de Nova Granada. Ela englobava os atuais territórios da Venezuela, Panamá, Equador e Colômbia, e o cara foi presidente desse país durante quase toda a existência dele, mas por conta de conflitos de interesses o país acabou se dividindo da forma que a gente conhece hoje, ficou cada um por si. O Bolívar defendeu a ideia de um governo democrático onde os direitos seriam garantidos por uma constituição, mas no fim de sua presidência ele buscou centralizar o poder em si mesmo e se tornou um cara autoritário, sendo até chamado de ditador por alguns. Isso ia contra aquilo que ele já havia defendido e as dificuldades de governar esse país foram grandes demais. Ele renunciou ao poder em maio de 1830 e faleceu de tuberculose em dezembro daquele ano. Além de ser o primeiro presidente da Grã-Colômbia, o cara é considerado o segundo presidente da história da Venezuela e também está na lista de presidentes do Peru e da Bolívia. Ele acreditava que enquanto o poder espanhol continuasse existindo na América, a Grã-Colômbia não estaria segura, então o cara investiu todas as suas forças e dinheiro na sua revolução. No fim da vida, ele chegou a dizer que a América era ingovernável e que servir à revolução era como arar o mar. Bolívar morreu pobre, mas é possível que seja o sul-americano mais importante pra história do continente.
Apesar das tentativas do Bolívar, o maior país da América do Sul não foi a Grã-Colômbia, mas sim o Brasil, que é atualmente o 5º maior país do mundo e que foi muito bem sucedido em manter esse tamanho todo durante as guerras de independência da América. O processo de independência do Brasil foi um pouco diferente das outras independências que rolaram na América do Sul, a começar pelo país do qual se conquistou essa independência. O Brasil não lutou contra a Espanha, mas sim contra Portugal, e ao contrário do que muita gente diz, não foi um processo pacífico. A independência foi declarada em 1822, mas só foi reconhecida em 1825, com o Tratado de Paz, amizade e aliança, então nesse meio tempo, grandes batalhas aconteceram em território brasileiro, entre defensores da independência e tropas portuguesas que visavam retomar o controle da política brasileira. A gente pode citar aqui a Batalha do Jenipapo, que aconteceu no território do Piauí, em 13 de março de 1823, que foi vencida pelos portugueses, mas que os deixou muito enfraquecidos, precisando se retirar da região. Essa batalha só aumentou o apoio dos piauienses, que tiveram uma derrota no campo de batalha, mas uma grande vitória moral. A gente vai abordar a independência do Brasil quando ela completar 200 anos, ou seja, daqui alguns meses, mas é importante que a gente saiba que aquele que é considerado o libertador brasileiro, é o único da lista que não é um sul-americano, mas sim português, era o Dom Pedro I, filho do rei de Portugal. Também foi diferente das outras independências porque o Brasil não se tornou uma república, mas sim um império e que não tinha como objetivo a abolição da escravidão, como tinha acontecido na maioria dos outros países da América. O império brasileiro enfrentou vários conflitos internos e disputas territoriais com outros países. Uma das questões mais famosas foi com a Cisplatina, que hoje corresponde ao território do Uruguai. Sim, pra quem não sabia, um dia o Uruguai fez parte do território brasileiro. Acontece que o império tinha intenções de expandir seus domínios até o Rio da Prata, que era essencial pra que se mantivesse comunicação com a província do Mato Grosso, visto que não se tinha estradas que iam até a região na época, além de ser um ponto importante pro comércio da região. Do lado ocidental do rio, fica o atual território da Argentina e do lado oriental, o atual território do Uruguai. Só que na década de 1810 não era só o império brasileiro que tinha interesse na região, porque além da Espanha, que não queria perder o seu domínio, havia a República das Províncias Unidas do Rio da Prata, um estado anterior à Argentina, que queria anexar o território uruguaio ao seu, de modo que teria completo domínio do rio. Nessa época, o Uruguai ainda era conhecido como Banda Oriental do Uruguai, por se localizar na parte oriental e também tinha seus interesses. Montevidéu era uma cidade importante e foi lá que nasceu José Artigas, o maior herói da história do Uruguai, porque esse cara quis mandar todo mundo pro caralho e fazer do Uruguai uma república independente. Só que as coisas não saíram como ele queria, o exército brasileiro invade a banda oriental, derrota as tropas do Artigas e anexa o Uruguai ao império, dando origem a província Cisplatina. Quem não aceitou isso foram as Províncias Unidas do Rio da Prata, que chegaram a declarar a independência da Banda Oriental e sua anexação às províncias, dando início à Guerra da Cisplatina, pra ver quem ficava com o Uruguai. Essa foi daquelas guerras em que um inimigo não conseguia infligir um derrota mortal no outro e quem entrou pra resolver as coisas foram os britânicos, que em 1828 intermediaram um acordo onde ficou definido que, entre outras coisas, o Rio da Prata seria livre pra todos eles e que o Uruguai se tornaria uma república independente, a República Oriental do Uruguai. Artigas já não vivia mais no Uruguai nessa época, porque teve que fugir pro Paraguai depois de ser derrotado pelo império brasileiro. Apesar de nunca mais ter voltado para o seu país e a independência não ter significado estabilidade política na região, Artigas ainda é venerado pelos uruguaios.
O processo de independência da Argentina começou um pouco antes, em 1810, com a Revolução de Maio, quando, em Buenos Aires, capital do Vice-Reino do Rio da Prata, o governador (Baltasar Hidalgo Cisneros) é deposto sob a justificativa de que o rei espanhol que o nomeou já não era mais rei. Quem passou a governar foi a Primeira Junta, formada por cidadãos locais, principalmente criollos, que estabeleceram um governo independente da Espanha. Obviamente isso não foi aceito e começou um processo de luta pela libertação argentina, onde havia de um lado os patriotas, que defendiam a independência, e do outro os realistas, que defendiam a permanência da administração espanhola. Em 1816, a independência é proclamada e é aí que tem início a República das Províncias Unidas do Rio da Prata, que dez anos depois veio a se tornar a república argentina. Talvez o segundo libertador mais atuante de todos seja um argentino, o José de San Martin, que não se limitou só ao território argentino, sendo foi figura importante pra independência do Chile e do Peru também. Mas calma, não tinha sido o Bolívar no Peru? Sim, ele também. Os libertadores atuaram em vários países e em alguns países mais de um libertador atuou. O Vice-Reino do Peru foi a primeira divisão administrativa da Espanha na América do Sul, ocupando quase todo o território do continente, inclusive pedaços do Brasil, só depois é que ele se dividiu no Vice-Reino de Nova Granada e Vice-Reino do Rio do Prata. Revoltas e guerras já aconteciam na região desde muito cedo e várias lideranças atuaram por lá, inclusive nativas, nem sempre buscando independência como se buscou anos depois, mas buscando fugir da dominação espanhola. Se tu conheces o rapper Tupac Shakur, um dos mais influentes da década de 1990 e importante até hoje, tu deves saber que o nome dele foi inspirado em Tupac Amaru, líder inca, que foi um dos mais importantes símbolos de resistência da América. Então não foi apenas uma pessoa que se envolveu e encabeçou os movimentos de independência. No caso do Peru, foi formada a Expedição Libertadora do Peru, que tinha entre seus líderes o José de San Martin. Ele buscou combater os monarquistas no Peru e embora tenha levado anos pra independência ser reconhecida, ela foi declarada em 1821, pelo José de San Martin, que é considerado o primeiro presidente do país. A gente diz que é considerado, porque ainda não era um momento de estabilidade democrática, esses presidentes não eram eleitos por voto popular, isso só veio a acontecer no Peru na década de 1840 e mesmo assim depois disso o país teve golpes de estado e militares tomando o poder. As independências na América espanhola foram processos longos e diversificados, além de terem sido violentos e a democracia não foi estabelecida de uma hora pra outra.
Outro líder da Expedição Libertadora do Peru, foi o pai da pátria chilena, o Bernardo O’Higgins. O cara também era militar e também pegou em armas pra combater os espanhóis durante as guerras da independência chilena, sendo o primeiro presidente do país. Na época o Chile fazia parte do Vice-Reino do Peru e seu processo de independência foi marcado por uma série de batalhas entre os que eram leais à coroa espanhola e os chamados patriotas, que eram comandados pelas elites criollas. O líder dos patriotas na época era o O’Higgins, que assim como o Bolívar, teve vitórias importantes no começo, mas depois de contra ataques espanhóis, precisou fugir do país. É aí que o cara vai pra Argentina e conhece o San Martin, que, junto com seus homens, passa também a dar apoio aos patriotas chilenos. Os dois dão início ao retorno pro Chile, atravessando inclusive regiões difíceis, como a Cordilheira dos Andes, pra chegar em Santiago, capital do país. Até que em fevereiro de 1817, 205 anos atrás, acontece a Batalha de Chacabuco, a mais importante batalha da Independência chilena, porque nela, apesar de dificuldade no começo, com um número superior de homens e uma estratégia que uniu as habilidade de O’Higgins e San Martin, os espanhóis são derrotados e os chilenos recuperam os territórios que haviam perdido. O’Higgins se consagra como um libertador e é escolhido como Diretor Supremo do Chile, dando início a uma melhora na estrutura física do país e construindo escolas, hospitais e bibliotecas, além de abolir títulos de nobreza e estabelecer igualdade legal para os indígenas chilenos.
Outro herói sulamericano é o venezuelano Antonio José de Sucre, um dos principais aliados de ninguém mais ninguém mais ninguém menos que Simón Bolívar. Esse cara também foi atuante na independência de vários países sul-americanos, como quando liderou os separatistas na Batalha de Pichincha, consolidando a libertação do Equador e também na libertação do Peru e Bolívia. O Sucre é considerado o segundo presidente da Bolívia, sucedendo o Bolívar, e uma das mais importantes cidades do país leva o nome do cara. Sucre é a capital da Bolívia de fato, só que a sede do governo fica em La Paz. E pra tu ver como esse cara foi gigante, quem estava comandando a última batalha em solo sul-americano entre os espanhóis e os defensores da independência, foi o Sucre, na Batalha de Ayacucho, no Peru. Essa batalha foi uma vitória formidável pros sul-americanos, apesar de terem um número menor de combatentes, e terminou com os caras colocando fim aos vice-reinos espanhóis, consolidando as independências na América do Sul. É mole, cara? A vida dele terminou em 1830, quando tinha só 35 anos, depois que foi assassinado depois de cair em uma emboscada planejada pelo general também venezuelano Juan José Flores, que tinha disputas políticas com o Sucre. Dizem que essa morte entristeceu o Bolívar de uma maneira gigantesca e o fragilizou ainda mais, o que o levou a morrer também no mesmo ano.
Dependendo da fonte que se leia, outros libertadores podem ser considerados também, como o venezuelano Francisco de Miranda e o uruguaio Juan Antonio Lavalleja, além de figuras como o José Bonifácio e Imperatriz Leopoldina, essenciais pra independência brasileira. Dependendo do país que se vá, as pessoas podem se lembrar de outros nomes importantes que contribuíram muito pra libertação dos seus países. Além da Leopoldina, outra mulher que tem importância nesse processo é a Manuela Sáenz, filha de um nobre espanhol e que foi companheira do Bolívar, compartilhando uma história de amor com o cara, apesar de ambos terem tido muitos amantes. Uma vez ela salvou a vida do Bolívar, quando um grupo de oficiais opositores ao cara invadiram a casa dele, mas ela ajudou ele a fugir por uma janela e ela ficou ali, pra confrontar os caras e não entregar o Bolívar. Ela levou uma camaçada de pau desses caras, mas não entregou o seu companheiro, sendo depois reconhecida como a Libertadora do Libertador.
A gente não preparou uma biografia de cada um dos libertadores, a gente acredita que eles mereçam um episódio só pra eles, mas caso vocês queiram saber mais detalhes sobre esses caras ou o processo de independência de cada país, é só deixar aqui nos comentários. Essas independências foram bem mais complexas do que a gente conseguiu abordar aqui, o que a gente quis é simplificar, mas também dá pra falar sobre esses processos de maneira individual e detalhada. E nós também não falamos sobre o campeonato de futebol e caso tu veio até aqui atrás disso, a gente sente muito em te decepcionar, mas pelo menos tu saiu daqui sabendo um pouquinho mais da história da América do Sul. Caso tu queiras ver um vídeo sobre a história do campeonato, podes deixar aqui que talvez a gente faça, a gente não tem certeza, mas se tem uma coisa que a gente sabe é que o Palmeiras não tem mundial.