Transcription
Imagine o caso dessa criança que eu, um dos casos que eu atendi, e que tirava um osso de dente e que causava um escândalo em todas as festas de aniversário. Os pais, então, começaram a não levá-lo e veio até mim com seis anos de idade, numa área muito tardia. É sempre bom atuar nos primeiros anos de vida. Aquela criança não sabia quem era, não sabia, não tinha nenhum relacionamento com mãe, com o pai. Se o pai ou a mãe estivesse ali ou qualquer outro empregado, era a mesma coisa. Ela não sentia fome, ela não pedia, eh, comida. Panto, eh, os pais tinham que adivinhar quando ela, ela estivesse com fome. E ela não tinha nenhuma noção de perigo, ela colocaria sua vida, a sua vida em risco completamente. Não podia ficar uma hora sem ninguém.
Primeira vez que eu atendi, claro, derrubou tudo no meu consultório. E os, eu conversei, tive uma conversa muito franca com os pais. Eu não sei até onde eu posso ajudar essa criança, mas eu sei que se ela tiver um córtex cerebral preservado, se não tiver, se não teve um déficit de oxigenação importante no parto e não tem um, se não tiver um problema genético também significativo que dificulte o processo de registro, nós podemos acionar algumas, nós podemos acionar os fenômenos inconscientes a partir de algumas técnicas. Em destaque, a técnica da teatralização da emoção para excitar o fenômeno RAM, para o registro de experiências, para consequentemente estimular a ação dos copilotos gatilho e janela da memória. Aí, além do, dos dois copilotos, tem um outro que eu não disse e preciso dizer, chamada fenômeno do autofluxo. O autofluxo, ele gera a maior indústria do lazer, a maior fonte de entretenimento humano é produzida por um fenômeno que faz uma varredura, sem autorização do eu, pelas janelas da memória. Vocês nunca ficaram assombrados com quantos pensamentos nós produzimos, quantas imagens mentais? Cada coisa que surge à nossa mente, não que ficaram perplexos? Já, já ficou perplexo? É impressionante. Milhares de personagens, ambientes, circunstâncias. E quando dormimos, nós estamos lá no sono, o eu está em repouso. Quem está em cena? O começa a ler a memória e construir personagens, ambientes e circunstâncias. À medida que constrói personagens, os outros dois copilotos, gatilho e janela, são abertos. Então, esses três copilotos, autofluxo, gatilho e janela, são diretores de cinema, são engenheiros incríveis que constroem, sem uma direção lógica, toda, toda uma, uma fonte de pensamentos, emoções e imagens mentais e também de pensamentos dialéticos. Portanto, o, o, o fenômeno do autofluxo, ele é vital. Sem ele, nós desenvolveremos uma depressão coletiva. Sem ele, a nossa espécie não suportaria. Não basta ter televisão, esporte, música, não basta ter a natureza, a literatura, nem mesmo o sexo. A maior fonte de entretenimento é de entretenimento é o mundo das ideias, das imagens mentais e pensamentos que nós produzimos no teatro da nossa mente, sem autorização do eu, de maneira aleatória, uma varredura surpreendente. É por isso que nós estamos assistindo uma geração insatisfeita, jovem se conectando com celular, com, com redes sociais, conectando com o mundo, mas pelo fato de não estar, não estarem libertando o pensamento anti-dialético e também dialético produzido a partir do autofluxo, ele, eles estão asfixiando a sua emoção. Por isso que estamos na era do entristecimento humano, embora diante da geração que tem mais acesso à indústria do lazer. É o maior paradoxo da atualidade. Talvez isso explique um pouco porque 1 bilhão e 400 milhões de pessoas vão desenvolver o último estágio da dor humana, a depressão. E talvez isso explique muito porque há muitos miseráveis morando em palácios, têm todos os motivos para, para aplaudir a vida, para se encantar com a existência, porque têm recursos financeiros, mas perderam a capacidade de contemplar, de fazer muitas pequenas coisas, perder a capacidade de libertar seu imaginário, se entreter, se distrair no teatro da sua mente. É muito sério. Quando você encontrar pessoas que têm todos os motivos para ser, serem felizes e não são, saiba que há várias causas. Entre elas, o fenômeno do autofluxo não está sendo um bom diretor para inspirar, aspirar, produzir, sonhar, estabilizar, motivar e assim por diante. Cuidado, não fique nos celulares. Cuidado, não fique demais em games e internet. Cuidado, se a sociedade te abandona, a solidão é suportável, como nós dizemos no coach emocional, no nosso instituto. Mas se você mesmo se abandona, ela é intolerável. E nós vivemos numa sociedade de auto-abandonados, de auto-abandonados.
Bom, agora voltando para aquele exemplo, aquele jovem. Quando eu falei para os pais, se tiver preservada, se tiver preservado o córtex cerebral e se nós usarmos a técnica da teatralização da emoção, é possível estimular o fenômeno RAM. Então, eu pedi, por favor, não punam, porque punir, chega no momento, principalmente o pai que era médico, punia o filho. A mãe era mais generosa, afetiva. O pai não suportava todo o escândalo que o filho dava e toda a situação tensa que ele construía nos seus relacionamentos sociais. Não punam mais. Eu vou pedir para vocês super elogiarem toda vez que essa criança tiver uma reação saudável e mostrarem entristecimento toda vez que ela te decepcionar. Mas isso não vai funcionar, pensavam eles. Mas se o córtex cerebral estiver preservado, vocês, em alguns meses, vão se surpreender. Se fizer essa técnica da teatralização da emoção, eu quero também os seus professores, os professores dele aqui, quero sua empregada, vocês todas as pessoas, não perdendo a oportunidade de promover o território da emoção, porque eu sei que tudo aquilo que tem mais intensidade emocional é registrado de maneira privilegiada. Se você fosse mapear tua história agora, quais foram os momentos mais importantes? Todos eles tiveram carga tensional saudável ou doentia? Um abraço ou uma crítica, um apoio ou uma humilhação social, um beijo ou uma rejeição. Tudo aquilo que tem alto volume emocional leva o fenômeno RAM, registro automático da memória, a registrar janelas poderosas, duplo P Killer, sequestro o eu, poder de sequestrar e poder de formar núcleo de habitação do eu, light saudável, poder de libertar o eu e poder de também de expandir o imaginário e assim por diante.
Agora, eu te pergunto, vocês acham que tive colaboração dos professores, dos, dos pais, da mãe? Eu tive. Do pai, me deu muito trabalho. Das empregadas, contei muito pouco. Eu tinha que falar e refalar e dizer de novo. Toda vez que, que a criança dava um escândalo no colégio, era um transtorno. Eu tinha que explicar, por favor, essa criança merece todo o apoio, é um ser humano único, não a abandone. E algumas, como isso foi há 15, 20 anos, eu já não era, há 20 anos, ainda não tinha publicado o meu primeiro livro, eu dizia, explicava, mas minhas palavras não tinham impacto, não tinham impacto. Ele foi expulso de vários colégios e eu tive que aproveitar os professores mais sensíveis e explicava esses fenômenos, pensamento dialético, anti-dialético, fenômeno RAM, autofluxo, gatilho da memória, janelas da memória, o eu. Explicava e explicava. E aqueles que me entendiam, começavam a fazer de maneira adequada. E pouco a pouco, começou a aurora, começou o nascedouro da mais bela experiência. A criança decepcionou, eu estou muito triste com você, e não passe sermões, sai do lado. Claro que ele não entendeu a palavra triste, não entendeu a palavra o verbo conjugado, o verbo ser, e nem a palavra eu. Mas ela registrou algo diferente que não registrava. Fenômeno RAM, arquivou uma janela que principiou uma das funções mais complexas da inteligência, a empatia, a capacidade de se colocar no lugar dos outros. Era o início de um processo. E todas as vezes, todos os dias, que a criança ela fizesse qualquer coisa positiva, ela se acalmou por 10 segundos, ou pegou um copo de água e bebeu, os pais, os professores, todo mundo teria que super aplaudir, valorizar, dar escândalos. E vocês não imaginam o que ocorreu depois de um mês. Já era visível os resultados. A criança, quando ia fazer uma birra ou ter um comportamento repetitivo, ela observava o pai e a mãe, porque ela registrou algumas experiências que começou a produzir vínculos. Ou seja, o comportamento dela tem consequência no outro. Ela quer o retorno prazeroso do outro, um abraço, um beijo, atenção.