Transcription
Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém.
Inspirai, Senhor, as nossas ações e ajudai-nos a realizá-las para que em vós comece, em vós termine tudo que fizermos por Cristo, nosso Senhor. Amém.
Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém. Salve Maria Imaculada e viva Cristo Rei.
Aqui Thiago Bruno, missionário e jornalista católico para o canal Católicos de Verdade. Papa Leão, ele deu uma bela enquadrada nas conferências episcopais quando ele trata a questão da liturgia. Obviamente que o Papa na sua entrevista ele não fala nominalmente a CNBB. Ele está tratando aqui da liturgia e das conferências episcopais. No entanto, nós temos no Brasil muitas vezes a liturgia que é utilizada como política. Utilizam a liturgia politicamente ideologizando essa questão. Então isso daqui carapuçou, né? Serviu como uma carapuça na CNBB.
Então eu quero trazer esse trecho da entrevista que é ao a revista, o jornal Crux. Papa Leão fala com Elise An Allen do Crux sobre questões da LG, da letrinha colorida e a liturgia. Essa daqui é a sexta parte da entrevista. Essa entrevista foi dividida em seis partes e eu estou pegando aqui do meio da sexta parte em diante, que é quando ele trata da questão das conferências episcopais e da liturgia.
A nota do editor é que esses são os sextos trechos de uma entrevista em duas partes entre o Papa Leão e a correspondente sênior do Crux, Elisean Allen, contida em sua nova biografia do Pontífice, "Leão 14, Ciudadano del Mundo, missioneiro del siglo XX". Leão, cidadão do mundo, missionário do século XX. O livro é publicado em espanhol pela Penguin Peru. Estará disponível para a compra nas lojas online a partir de 18 de setembro. As edições em inglês e português estarão disponíveis no início de 2026.
A seguinte pergunta: outro rápido acompanhamento do sínodo, além dos grupos de estudos já estabelecidos, vocês criaram dois novos grupos, um para a liturgia e outro para as conferências episcopais e assembleias eclesiais. Por quê? O que vocês acham que precisa ser estudado sobre estes temas?
Na verdade, aqui é a resposta do Papa Leão. Estas foram aprovadas pro Francisco logo no final do seu pontificado. Ambas surgiram de alguma das outras questões estudadas no sínodo. As conferências episcopais que de fato começaram algumas delas primeiro na América Latina antes da época do concílio, mas que já estavam muito mais desenvolvidas na época do concílio em termos do papel da conferência episcopal e de como ela pode ajudar a igreja em qualquer país ou região. Penso que de modo geral tem havido grande apreço pelo papel da conferência episcopal. Hoje não temos a situação em que um bispo deste lado do rio prega a e o bispo daquele lado faz algo totalmente diferente. Nós nos reunimos e tentamos analisar as questões juntos, formular políticas ou adotar abordagens comuns, considerando a região, a cultura e a língua com as quais as pessoas trabalham. Portanto, em nível pastoral, já houve grande valor nisso.
Sim, a Conferência Episcopal do Brasil muitas vezes propõe situações assim também, só que existem bispos bem distantes, tanto na parte fiel à doutrina como na parte infiel, hein? Nós temos isso no Brasil, não é tudo alinhado, não. Quem dera se fosse tudo bem alinhado, eh, a nível de seguir o que o Papa está falando aqui, hein?
A questão que se levanta já há alguns anos é quanta autoridade real pode ser conferida a uma conferência episcopal, porque uma conferência episcopal, teoricamente ela não tem autoridade alguma. O bispo diocesano tem individualmente, mas a conferência episcopal não tem. Mas nós sabemos que nos bastidores o negócio não funciona bem assim, tá? Tem havido muito debate teológico sobre isso desde a época do Concílio Vaticano Segundo, porque o sucessor dos apóstolos é o bispo individualmente e não a conferência episcopal. A tensão que pode surgir entre se uma conferência episcopal pode tomar uma decisão e se os bispos individualmente devem segui-la, tem sido discutida em diferentes lugares e diferentes maneiras ao longo dos anos. Por exemplo, quando a Conferência brasileira decide pela campanha da fraternidade, se um bispo rejeitar na sua diocese, dá um problemão, hein?
Mas vamos continuando. Houve um desejo expresso no sínodo de analisar isso mais de perto e verificar se a Conferência Episcopal não poderia ter um papel maior na tentativa de reunir os bispos e tomar decisões que sejam úteis para a vida da igreja em sua região ou país. O papel dos núncios também está sendo estudado agora em um grupo separado. Faz muito mais sentido que uma igreja regional estude, reflita e escolha políticas ou abordagens que sejam mais úteis para a igreja naquela área em vez de cada bispo individualmente. Portanto, é uma forma de apoiar os bispos nesse ministério. Essas são algumas das coisas que analisamos lá. Então, há realmente uma análise para de fato eh dar mais poder as conferências episcopais, que hoje não tem, porque individualmente os bispos têm, mas a conferência episcopal teoricamente não teria.
Houve preocupação como uma expressão em um dos documentos sobre o papel dos bispos e das conferências episcopais. Ela questionava as conferências episcopais deveriam ter uma certa autoridade doutrinária. Isso foi traduzido de diferentes maneiras durante o sínodo, mas mesmo no documento original não é traduzido da mesma forma de um idioma para outro. Eu apontei isso. Alguns bispos de língua inglesa ficaram chateados, na verdade, pensando que os bispos do norte da Europa poderiam tomar uma decisão mudando a doutrina da igreja sobre o divórcio e o novo casamento, ou relacionamentos homossexuais, ou sobre poligamia. Essa é outra questão que os bispos africanos trouxeram à tona. Voltando a questões que não são facilmente conciliadas dentro da doutrina formal da igreja, então, devido as diferenças de tradução, isso se tornou uma questão de discussão do sínodo, mas a questão permanece.
À medida que as conferências episcopais se desenvolveram, que tipo de papel elas podem desempenhar? Por exemplo, eu vou dar um um exemplo para vocês de como a tradução difere. Naquela na no rito da missa, quando o padre fala: "O Senhor esteja convosco", essa resposta, "Ele está no meio de nós", só existe em português, porque a tradução do latim, se eu não me engano, é "Et cum spiritu tuo". Mas assim, a tradução mais correta, literalmente, eh, se a gente fosse seguir do latim, não era: "O Senhor esteja convosco, ele está no meio de nós." Nossa resposta deveria ser "E contigo também", "E convosco também". Assim, "O Senhor esteja convosco" e "E convosco também" e "E contigo também". Essa seria a melhor resposta como uma tradução do latim, mas definiu-se para a língua portuguesa. Nos países que seguem a língua portuguesa, na África, em Portugal, no Brasil, "Ele está no meio de nós". Se você pegar do latim, espanhol e qualquer outra língua, essa não é a resposta, né? Então aí você vê como há uma diferença grande nas traduções.
Em relação ao grupo de estudo sobre a liturgia, o que está sendo estudado, em que medida a razão para sua criação está relacionada a divisões em torno da missa tradicional em latim, por exemplo, ou a questões como o novo rito amazônico. Isso aqui é muito importante, meus irmãos, porque trata inculturação. E isso daqui é a grande carapuça que serve na cabeça da CNBB, tá?
Olha o que que o Papa vai falar. Minha compreensão do que originou o grupo se baseia principalmente em questões relacionadas à inculturação da liturgia. Como dar continuidade ao processo de tornar a liturgia mais significativa dentro de uma cultura diferente, dentro de uma cultura específica, em um lugar específico, em um determinado momento. Acho que essa foi a questão principal. A outra questão que também é outra questão polêmica sobre a qual já recebi vários pedidos e cartas. A questão que as pessoas sempre dizem a missa em latim. Bem, você pode celebrar a missa em latim agora mesmo. Se for o rito do Vaticano Segundo, não há problema. Obviamente, entre a missa tridentina e a missa do Vaticano, a missa de Paulo VI, não tenho certeza onde isso vai dar. É obviamente muito complicado. Eu sei que parte dessa questão, infelizmente se tornou mais uma vez parte de um processo de polarização. As pessoas têm usado a liturgia como desculpa para promover outros tópicos. Hum. Tornou-se uma ferramenta política. Isso é muito lamentável.
Ou seja, utilizam a liturgia como uma ferramenta política, hein? Se isso não encaixa perfeitamente na cabeça da CNBB, ó. Acho que às vezes o, digamos, o abuso, entre aspas, da liturgia, como chamamos na missa do Vaticano Segundo, não foi útil para as pessoas que buscavam uma experiência mais profunda de oração. Ou seja, esse monte de invenção na missa de abuso litúrgico não foi útil para aqueles que querem rezar. Enfiaram um monte de porcaria no meio da missa, tá? De contato com o mistério da fé que pareciam encontrar na celebração da missa tridentina, ou seja, aquele silêncio, aquela postura que parece encontrar na missa tridentina. Mais uma vez nos polarizamos, de modo que em vez de podermos dizer, bem, se celebrarmos a liturgia do Vaticano II de maneira adequada, você realmente encontra tanta diferença entre essa experiência e aquela. Não tive oportunidade realmente de me sentar com um grupo de pessoas que defendem o rito tridentino.
Qual que é a questão aqui? O Papa pontuou muito bem. Se o rito fosse celebrado de maneira sóbria, coerente, da forma que deve ser, esse problema de, ah, vou pra missa tridentina, vou ficar na missa do Nova, reduziria em muito essa questão. O problema é que justamente existem os abusos. Esse é o principal problema, tá?
Há uma oportunidade surgindo em breve e tenho certeza que haverá ocasiões para isso, mas é uma questão que eu acho que também talvez com a sinodalidade precisamos sentar e conversar. Tornou-se o tipo de questão tão polarizada que as pessoas muitas vezes não estão dispostas a ouvir umas às outras. Ouvi bispos falarem comigo. Eles falaram comigo sobre isso, onde eles dizem: "Nós o convidamos para isso e aquilo e eles simplesmente não querem ouvir. Eles nem querem falar sobre isso." Isso é um problema em si. Significa que estamos na ideologia agora, não estamos mais na experiência de comunhão da igreja. É uma das questões na agenda. Ou seja, queremos conversar, mas tem grupos que não querem.
Pois bem, então o Papa ele está sabendo claramente o que está acontecendo na igreja. Por essa entrevista já dá para se ter uma boa base de como o Papa Leão está pensando. E essas respostas aqui serviram como uma carapuça na cabeça da CNBB. Vão desobedecer, vão ficar inventando, não vão fazer nada, porque assim, há uma omissão diante desses abusos litúrgicos e bispos querendo ordenar que pessoa não pode comungar na boca, que não se ajoelhe e querendo inventar um monte de coisa e fazendo as pessoas pegar a comunhão com as próprias mãos e molhar no vinho. Tudo abuso litúrgico, bispos promovendo isso. A CNBB precisa conter isso. Então, esperamos, né? Vamos ver se a CNBB vai agir.
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Um abraço a todos. Salve Maria e que viva Cristo Rei. He.
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