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Teologia Pastoral - Unidade 2

Universidade LaSalle EaD10:24

Transcription

E qual é o conceito de Urbano e o seu desenvolvimento? Qual é o processo de urbanização ocorrido no Brasil? Quais os principais desafios da ação evangelizadora? Como a igreja está presente na realidade Urbana? Isso é o que veremos agora.

Nós estamos iniciando a segunda unidade da disciplina de Teologia Pastoral. Hoje vamos estudar o papel da igreja no espaço urbano atual. É com você, professora.

Você já deve ter observado que grande parte de nós brasileiros vivem em cidades. Não se trata tão somente de um reposicionamento geográfico da população, mas sim uma nova realidade onde cada um precisa se localizar novamente e mesmo se reconstruir em sua identidade. Este movimento não se restringe estão somente uma mudança geográfica, mas acaba criando uma nova forma de organização social, uma nova sociedade, um novo homem e uma nova realidade.

Sempre traz desafios e exigências para as igrejas, não? Principalmente uma e a antiga quanto a católica. Exato, Natália. Conhecer esse fenômeno, seu processo evolutivo, a cultura que surge desta nova realidade tornam-se fundamentais para que se possa implementar um projeto de ação evangelizadora que tenha relevância. Precisamos ter presente que a eficácia de um projeto de evangelização necessita a partir de um mundo real. Pois é a partir da vida que as pessoas encontraram sentido ou não para seu envolvimento com uma comunidade religiosa. E é isso que nos propomos discutir nesta unidade.

Perfeito. Acho que podemos então olhar para as origens do espaço urbano para podermos compreender tudo isso. Conta aí, professora.

Segundo as pesquisas arqueológicas, a cidade tem sua origem na região do Oriente Médio, especialmente onde hoje é o Irã, atravessando o Iraque, tô em Israel até o Egito. Atualmente, entende-se que Jericó, não atual, mas sim outra cidade cujos vestígios são encontrados próximos a Jericó moderna, é a mais antiga que dataria de dez mil anos atrás. As hipóteses para o surgimento das cidades são muitas, como a descoberta das sementes e início do cultivo, e as necessidades de proteger dos ataques de outros povos e defenderam homenagem aos mortos.

Legal, professor. Mas aí no Brasil, imagino que cada local tem as cidades com suas características e modelos diferentes. Se tratarmos do surgimento delas, batalha no Brasil, o processo de criação de vilas e cidades tem seu início do princípio da colonização com a fundação da Vila de São Vicente por Martim Afonso de Souza em 1532. Com o avanço da cidade, cidade acordo com o ciclo de produção e extração, como o ciclo do açúcar, o ciclo do ouro e o ciclo do café. E a partir da segunda metade do século 20, o Brasil passou por um processo de migração interna intenso. Em 1960, a população urbana do país era a cerca de 45% do total da população e já em 2010, a população urbana atingir mais de 84% do conjunto da população.

Nossa! Em um espaço de apenas 50 anos, o campo foi esvaziado, enquanto centros urbanos receberam muita gente. Como isso aconteceu?

Dois fatores foram os que mais influenciaram esse processo migratório no Brasil: a industrialização e a precariedade da vida do campo em geral. A maioria dos que migram são os mais pobres. A cidade moderna pode gerar ou uma qualidade de vida superior àquela do interior, principalmente num país como o Brasil, com grandes extensões de terra ainda isoladas e distantes e certos recursos. O porém, ela não é para todos, mas para os que possuem bases econômicas e culturais para competir.

Essas primeiras cidades tinham modelos ainda comuns em cidades interioranas. E e essa cidades antigas costumam ter características em comum, como uma praça no centro com a prefeitura próxima, com a igreja normalmente católica, a câmara de vereadores em alguns casos, o fórum. Essa estrutura física manifesta um jeito de organização. Toda vida gira em torno desta Praça, na qual a igreja exercia papel prioritário.

Quando olhamos para cidades maiores e que assumiram o estilo diferente, onde se encontram os centros de convergência, esta realidade gera uma série de desafios. Ação evangelizadora. Um deles diz respeito a questões sociais e os povos que migraram do campo para a cidade encontram dificuldades para morar e trabalhar, além do acesso à educação e saúde. Se foi a busca de melhor condição de vida que levou o homem do campo a deixar sua terra, ele encontra condições muitas vezes mais precárias do que as anteriores. Fica a pergunta: a cidade constitui-se em espaço de oportunidade ou deterioração da vida?

É uma boa pergunta. Acho que não há resposta fácil. Mas quais são os outros desafios? Imagino que haja mais.

É um segundo desafio importante diz respeito à questão do pluralismo religioso, sendo que a cidade é por excelência um espaço de modernidade, ela torna-se sempre mais um espaço plural. Nesta realidade que proliferam diversas igrejas e movimentos religiosos, os meios de comunicação, especialmente o rádio e a televisão, tornam-se as grandes vitrines dessas novas formas de vivência religiosa. Por ele se cria e se faz crescer uma igreja. Entende a propaganda então acaba virando a alma do negócio. Assim a igreja precisa achar uma forma de estar próxima da mídia para que possa alcançar as pessoas e lembrar da sua relevância.

Uma terceira frente de dificuldade que se pode constatar é o fato que a Igreja Católica historicamente encontra dificuldades para dialogar com a modernidade e por isso o diálogo com a cidade nem sempre e a Igreja Católica responde a esses desafios marcando presença em quatro grandes espaços: a paróquia, os meios de comunicação, escolas e assistência social. A forma mais expressiva é a estrutura Paroquial, mas mesmo buscando se adaptar, essa estrutura nem sempre se mostrou eficiente.

Mas como superar isso tudo? Como a igreja pode encontrar seu espaço em meio a essas mudanças todas?

Professora, se faz necessário e urgente rever e superar alguns paradigmas, como a concepção Rural da sociedade. Ou seja, a Igreja Matriz não regula mais a vida das pessoas. A cidade moderna desfaz dessa lógica, embaralha fisicamente o Centros e transforma radicalmente os espaços. E é importante considerada que as cidades possuem sua estrutura própria e que elas são importantes no processo de evangelização. Instituições de ensino, de saúde, meios de comunicação, entidades culturais e de lazer, movimentos sociais, entre outros. Sem penetrar nesta realidade, a ação Pastoral não responderá de forma adequada às necessidades da vida da cidade. O Grande Desafio para a igreja católica e a Teologia da cidade é considerar a cidade como lugar teológico, como lugar onde Deus está presente.

Muito bem. Acho que agora podemos rever aquilo que aprendemos hoje. A revisão é com você, professor.

Bom, vamos lá, Natália. Vimos que a cidade se transformou em propulsora da nova civilização Universal na passagem da cultura agrária para urbano-industrial. Essa civilização se caracteriza de forma especial pela sua urbanidade. De um lado, proporciona um modo mais racional e estruturado de morar e, de outro, deixa muitas vezes o indivíduo isolado. Domestica a natureza, mas deixa o homem longe dela. Proporciona uma infinidade de possibilidades para conhecer mais facilmente o prisma de sua própria identidade cultural. A cidade tem a tendência de sempre o construir destruindo, seja a natureza ou indivíduos.

Neste contexto, o evangelho tem um potencial enorme para auxiliar para que a vida das cidades se tornem mais humana. Nós vivemos tempos em que é preciso arriscar. A hora já vai avançada. É preciso correr o risco com o pescador em alto-mar. Bons estudos e até a próxima unidade.

Verdade. Quem não arrisca, não avança. É preciso coragem. E assim encerramos nosso segundo vídeo aula da disciplina de Teologia Pastoral. Até a próxima. Tchau, tchau.