Transcription
E aí, o Olá! Sejam todos bem-vindos à nossa disciplina de bases neuroanatomofisiológicas e neuropsicológicas do curso de psicomotricidade. Meu nome é Gabriela Gimenes e a gente vai seguir junto durante essa disciplina.
A primeira coisa que a gente precisa pensar, quando a gente pensa nas bases de maturação psicomotoras, é que o funcionamento desse sistema é necessário à coordenação de vários componentes, sejam eles neurais, né, neurológicos e musculares. Ou seja, o nosso sistema como um todo precisa estar o mais amplamente qualificado e com a mais alta integração e diferenciação de cada um desses equipamentos, sistemas, órgãos, cada um dos componentes do nosso corpo, para que a gente tenha um bom funcionamento, automaticamente uma boa funcionalidade e a nossa integridade.
Quando alguém resolve atirar uma pedra, agarrar um objeto, manipular alguma coisa, levar, né, a colher até a boca para se alimentar, pegar o lápis para escrever, para desenhar, a primeira coisa que a gente observa é a relação desse indivíduo na sua capacidade óculo-manual, né, ou seja, na sua capacidade de direcionar o seu aparelho visual para sua coordenação motora, para sua mão, o ato que está executando. Cada um desses pequenos movimentos é feito, super-vigiado, supervisionado e ativado pelas áreas cerebrais. A precisão e o alcance daquilo que se estabelece como meta, daquilo que precisa alcançar, o que se pretende alcançar, é chamado de um grau de complexidade de movimento, porque se necessita de uma regulação da integração de sistemas. E a gente começa a falar disso para começar a entender a importância do psicomotor íntegro e de psicomotricista atuando enquanto profissional da área, educar, resgatar essas bases que são fundamentais ao nosso desenvolvimento em sociedade, em família ou para satisfação das nossas próprias necessidades e nosso ganho de autonomia.
Para que o movimento ocorra com sucesso, o cérebro precisa ter condições de perceber o movimento que vai se realizar em cada uma das suas pequenas etapas. As informações sobre a localização do objeto, da mão, a captação, né, da sensação, de processamento, da percepção da estação, são transformadas em mapa para o nosso sistema nervoso central, para que o sistema nervoso periférico funcione da melhor forma possível e assim execute as ações. Pode ser lançando uma bola, pode ser brincando de peteca, pode ser cozinhando, pode ser escrevendo, ah, pode ser passando o aspirador na casa, pode ser fazendo a tese de um pós-doc no computador. Tudo isso, né, demanda a integridade do nosso sistema através da percepção que o nosso organismo faz dos elementos que ele recebe, daí, não tem como, meio da relação que ele tem com os objetos e com indivíduos também ao redor. É a percepção que cada um tem do mundo, depende também das atividades organizadas que a gente tem por meio do movimento, a posição, o status do corpo, a regulação que a gente tem. Tudo isso convém que o sistema perceptual, através do ato, através do movimento, vá sempre interagindo, sendo nas grandes atividades ou nas pequenininhas. O ato de bocejar, por exemplo, dá a percepção de cansaço. A evolução dessa nossa percepção do nosso próprio corpo, nosso corpo num ambiente, não se corpão, o outro, do nosso corpo com objetos, vai se desenvolvendo a partir de algo que a gente chama, né, de sentido cinestésico ou de propriocepção. É através desse sentido que a gente tem uma noção do nosso corpo em relação ao espaço, em relação à interação que ele desenvolve com o ambiente, os objetos e as outras pessoas.
Por que que a gente fala dessa relação perceptiva e o que ela... Apesar, né, a gente ter, claro, a questão da audição, do olfato, da visão, do tato, do paladar, a percepção é tão importante quanto esses demais sentidos, e ela vai se desenvolvendo já no meio líquido, enquanto a gente tá no ambiente intra-uterino. A gente também tá em relação com o microssistema, com um microambiente ali dentro. A relação da percepção da barreira, da parede uterina, quando a gente está no corpo da mãe; quando a gente nasce, os primeiros toques, os primeiros contatos na pele, tudo isso vai dando a compreensão do nosso corpo. Ou seja, né, essa sensação de envelopamento de que meu corpo, ele tem uma extensão, mas ele acaba, e quando ele acaba inicia-se o restante: o corpo do outro, o sofá da minha casa, a cadeira da minha mesa, a cadeira da sala de aula, a porta por onde eu entro, a porta por onde eu saio, a quadra onde eu corro, os elementos que eu manipulo, e tudo isso precisa ser recebido pelo meu corpo com qualidade de informações, porque através dessa relação, dessa percepção de meio, eu vou maturando a minha área neurológica e tendo condições, capacidade de produzir atos motores coesos, harmônicos e devidamente funcionais de acordo com aquilo que eu necessito.
O desenvolvimento é observado a partir da maturação do sistema nervoso, e ele pode ser caracterizado por iniciar-se na região da cabeça e vai se estender através do tronco e depois membros superiores e inferiores. Esse processo de desenvolvimento a gente chama de céfalo-caudal, e todo indivíduo vai passar por ele a vida inteira. O fato de sair do nosso tronco para os membros, sejam eles superiores ou inferiores, recebe o nome de desenvolvimento próximo-distal, ou seja, sempre vou desenvolver primeiro aquilo que tá mais próximo, amigo, para depois desenvolver aquilo que está mais distante, né. Não é à toa que o bebezinho, a criança ali até 12 anos, tudo que ela vai explorar está lá trás, muito perto do corpo. Não é à toa que o bebezinho traz tudo muito para perto, bom, né, tronco à frente dos olhos, porque é tudo próximo-distal. Essa é a sequência que o nosso corpo dá nesse processo de desenvolvimento neurológico. É nesse momento de desenvolvimento os principais [Música] as principais, na realidade, informações que a gente recebe vão ser integradas, compreendidas pelo nosso cérebro como importantes e vão se tornando as bases do nosso desenvolvimento psicomotor, porque é por meio dessas informações que a gente vai tá crescendo, né, se desenvolvendo, maturando o sistema neurológico. Os estímulos que a gente recebe quando muito pequenos, quando bebês, ao longo da primeira infância, são importantíssimos para que a gente tenha um, acabou, um repertório motor rico, que depois vai ser refinado, explorado, identificado, melhorado ao longo dos anos da nossa vida. E é o grande pai da neuropsicologia, o Luria Alexander Romanovitch Luria, e ele tem uma teoria que é utilizada até hoje para explicar um pouco desse desenvolvimento neurológico com as suas características emocionais, cognitivas e motoras, e ele é um dos grandes teóricos, né, um dos grandes contribuidores da Ciência da psicomotricidade para a gente entender como se dá esse processo de desenvolvimento no corpo e o quanto é importante passar por cada fase com qualidade, e caso isso não ocorra, o quão importante é um profissional que compreenda desse desenvolvimento para fazer esse resgate filogenético, onde o Vitor tá com perca. E aí nos dar parâmetros, né, para que a gente tenha um bom desenvolvimento a partir daí.
Então, para entender um pouquinho dessa questão das bases neuroanatômicas, funcionais e neuropsicológicas, eu trouxe a teoria do Luria. Ela é ampla, é muito mais que isso que eu vou apresentar aqui, né, mas aqui você já tem um pouquinho de ideia do como ela vem se integrando e do quanto ela contribuiu para que a gente conceber, né, a ideia das bases psicomotoras, daquilo que faz a diferença na vida de intervenção da psicomotricidade, certo? O Luria, ele vai dividir o nosso encéfalo em – oi, oi – e por isso também conhecida como teoria do cérebro triúno, né, três, mais funo integradas, funcionando como um só. E esses três, cérebro triúno, ele vai ser dividido em três subcategorias para descrição. As tudo isso acontece de forma integrada, por favor. O primeiro é a primeira unidade neurofuncional. O Luria vai falar dela, o Mustang. A unidade aqui recebe e processa a informação. Bom, então é a unidade que mais demanda atenção do nosso sistema, nosso corpo, né, da nossa soma, porque é através da atenção que eu tenho ao receber informações, ao ter a sensação, seja ela tátil, auditiva, visual, gustativa, olfativa ou proprioceptiva, eu vou dar sequência de informações. E esse cérebro, esse primeiro, essa primeira unidade neurofuncional também é conhecida como cérebro reptiliano, porque, pensando na teoria da evolução das espécies, se essa estrutura, na realidade, é uma estrutura que aparece em todos os répteis e também aparece em todos os seres humanos e também aparece nos mamíferos. Esse é um cérebro mais arcaico, no sentido de que esse é o primeiro processo de desenvolvimento que a gente denomina hoje de… Stephanie. A… e ele é responsável principalmente pelas questões vitais do nosso organismo. Ou seja, ele tá composto ali de medula, cerebelo, um… BO. Ele vai regular a nossa energia, a nossa atenção, a nossa função tônica, as questões musculares; vai garantir que a gente vença a força da gravidade. Ele dá alicerce para vários processos cerebrais mais evoluídos, mais complexos. Ele depende da substância reticulada, onde se operam os primeiros processos de discriminação intersensorial. Ou seja, é a parte do nosso cérebro que recebe a informação e vai destinando para as demais áreas onde ocorre a especialização dessas informações. E aí, e outra coisa importante aqui, a, é nessa unidade neurofuncional que acontece, por exemplo, o nosso ato de respirar. É aqui que se dá todo o processamento; a gente não tem que ficar pensando em respirar, a gente não tem que ficar pensando pelo nosso coração bater. Então são, e as informações mais vitais, mais humanas possíveis, se dão nessa primeira unidade neurofuncional, de acordo aí ainda com Luria. Só para a gente não perder, pensando nas bases, essa primeira unidade vai ser responsável por regular tônus e equilíbrio. Por quê? Porque literalmente é a base para todo desenvolvimento motor. Sem tônus eu não tenho equilíbrio; sem equilíbrio eu não avanço para experimentar o mundo. Ou seja, eu não me movo, eu não me equilibro, não, certo, manipulo as coisas depois, certo? Pensando nos processos, bom, e nos organismos dentro do nosso sistema integrado, o tronco encefálico, então, ele tem na base da teoria do cérebro triúno a parte mais vital, como eu já disse, do nosso sistema nervoso. Nós damos as estruturas dos répteis e por isso também chamada de cérebro reptiliano. De dentro dessa estrutura do cérebro triúno e dessa primeira unidade neurofuncional, a gente também tem, né, para discriminação aí, mesencéfalo, a ponte e o bulbo. O mesencéfalo é responsável por algumas funções como a recepção de informação. Não é que tudo vai se dar nos processos, tá bom, mas é que assim é a parte principal de cada um desses sentidos. Então ele vai receber informações da visão, audição, movimento de olhos e movimento do corpo que vai direcionar as partes especializadas do nosso cérebro aonde participar de algumas atividades do bulbo e interfere nesse controle de respiração. É o centro da transmissão dos impulsos para o cerebelo e atua ainda como passagem das fibras nervosas e ligam o cérebro à nossa medula espinhal. E o bulbo, então, é sério as informações dos órgãos controlando as funções autônomas chamadas de vida vegetativa: batimentos cardíacos, respiração, pressão de sangue, controle de temperatura e flexibilização. Por exemplo, eu falando agora muito, a minha saliva seca e a sensação na minha boca é de incômodo. Então é o meu bulbo que está repassando essa informação para que eu regule me hidratando, a voz, espirro, próprio ato de engolir, tudo isso é controlado no bulbo.
E aí a gente passa para o tronco encefálico que está bastante envolvido nas notificações de ordem inferior e média, o movimento quase que automático dessa varredura de olho que a gente faz para procurar algumas informações, ó, e vai dando e as primeiras informações do ambiente, por exemplo, o nosso cérebro. Isso ocorre nesse tronco encefálico, depois é processado nas áreas mais especializadas. Ele também é o lugar dos mecanismos de controle autônomo ou subconscientes dos quais geralmente a gente não fica pensando muito, aquelas coisas que a gente faz na nossa rotina sem ter que ficar pensando, né, ah, processando cada passo, cada etapa, ocorre aquilo no tronco encefálico.
E aí a gente chega ao nosso queridão cerebelo, um órgão do nosso sistema nervoso, o nosso minicérebro. Ele encontrado entre o cérebro, essa parte mais evoluída que a gente tem, e o tronco encefálico e faz a conexão. Te amo por isso, ele é considerado esse cérebro reptiliano. Seria como se ele fosse que nem toda a estrutura do cérebro, mas evoluído, só que numa dimensão menor ali. A, o nome dele exatamente deriva do latim e tem essa tradução, né, e pequeno cérebro. Como função vital, ele tem a manutenção do nosso querido equilíbrio. E é uma coisa legal para a gente saber: sabe as pessoas que têm abuso de álcool durante muitos e muitos anos, que quando na… natação, tempo, a gente encontra elas nos ambientes sociais, como todas as ruas, parques de… e elas andam, jamais trêmulas, e você vê que o corpo ele já estava… Não é que a pessoa está alcoolizada, tá bom? Eu não estou falando de uma pessoa que bebeu e está alcoolizada, não é isso que eu tô falando. Que a pessoa que fez uso prolongado do álcool e aí, mesmo que ela não consuma mais álcool, o dano gerado no cerebelo é muito grande, oi, e aí essa tremedeira não é só pela ausência do álcool, mas é pelo dano gerado e ela perde essa capacidade de manter o equilíbrio e a postura. Por isso que ela anda muitas vezes tremendo de um lado para o outro, ela tem um pouco mais dificuldade de fazer esse processo, né, e dizer dissociação de movimentos para andar, se equilibrar nessa passada, enfim, o controle do tônus muscular se perde também, por isso a tremedeira. Não é que ela tá ali tremendo porque ela tá em abstinência, é porque houve um dano cerebral, literalmente. O cerebelo faz essa função de equilíbrio, de costura, sonhos e tudo mais quando e com visão, seja pelas canções do autor do dano, exemplo, ou por e é uma doença pura, um AVC, por um acidente de carro, por uma batida, opa, que bater na hora que tá jogando beijo, sei lá, qualquer uma dessas situações que coloque o sistema, isso, integridade em risco. E aí, claro, por ser o grande controlador dessas nossas funções básicas de querer posturas, é através dele também que se inicia essa aprendizagem motora e depois aí ativando todo o nosso córtex motor.
Quando a gente pensa nesse processo de desenvolvimento, obviamente já coloca um pouquinho das bases psicomotoras. A primeira base, alguns autores a reconhece como sendo a respiração, outros não, porque a respiração ela é um ato reflexo, no, a inação, ato inconsciente, subconsciente, autônomo, sexo, a gente não precisa ficar pensando nela. Porém, todavia, entretanto, e para muitas coisas a gente precisa pensar nessa respiração e fazer a regulação dela para conseguir desenvolver da melhor forma possível o movimento, o gesto, a ação. Então alguns autores a consideram como primeira base por conta dessa regulação necessária para ter um movimento mais… amor Coelho. A própria Cacilda Velasco é uma dessas. O Vitor reconhece a respiração como importante e necessária, porém ele utiliza como descrição para a primeira fase a tonicidade. O Vitor é o Vitor até Fonseca, um dos maiores nomes da psicomotricidade ainda vivos, tão a felicidade. É o alicerce fundamental da organização psicomotora. Sem tônus a gente não tem integração de sistemas, que a gente não tem funcionamento íntegro, subsistema até… Oi, Mônica, concentração, a percepção motora, Frei Vitório, controle postural, a integração inter-o próprio e serve-se sensitivo, né, ou seja, as informações internas do nosso organismo, as próprias expectativas que a gente recebe e a Ester, aquelas que a gente faz, a e a relação de facto de ambiente se dão por meio da tonicidade, por meio do tônus muscular, né, da recepção de informações e e a postura e o movimento depende da combinação dos reflexos involuntários coordenado pela medula espinhal e das ações voluntárias controladas pelos nossos neurônios, pelo nosso sistema nervoso central e suas funções superiores. A postura e movimento dependem também da contração dos músculos, sejam de forma voluntária ou involuntária, e esse sistema motor vai se organizando para executar algumas contrações coordenadas à nossa vontade para executar o movimento que não sejam reflexo e muitas vezes também traz executar esse movimento reflexo que é a integração da nossa medula com o sistema nervoso central para executar uma ação. Por exemplo, sol eu mexendo no fogo, fazendo a minha comida, de repente meu dedo encosta próximo da panela ou do próprio fogo e também que eu retiro a mão por uma questão de proteção. Por quê? Porque o sistema está íntegro e houve integração das informações recebidas, né, dessa sensação térmica na minha pele, e a minha medula espinhal ativou neurônios reflexos para me proteger. Ou seja, não precisou ir lá para o córtex frontal processar que o calor que veio até a minha pele pode ser um dano irreversível ou que não seja irreversível, mas que vai gerar muito desconforto, encantadora, dê certo. Aí para eu puxar a mão, então eu não preciso pensar em tudo isso, meu próprio organismo faz isso por mim pela integridade dos sistemas. Tô pensando ainda no tônus; ele que vai controlar nossa atividade primitiva, não, ele é permanente no nosso músculo para ter movimento, ações. Ele transmite também a regulação emocional que a gente tem, as questões afetivas. O valor vai falar muito isso nesse diálogo tônico, e quando eu estou relaxado, alentado, acolhido, o meu tônus fica mais leve. Quando eu estou irritado, amedrontado, assustado, as mensagens tendem a contrair a nossa musculatura. Não é à toa que às vezes a gente literalmente treme de raiva, a criança faz muito, ela tá com raiva. Isso também é a regulação tônica. Isso faz parte do tônus e se dá por meio do afeto. Afeto é tudo aquilo que me afeta, não necessariamente é o que a gente escuta por aí de ser algo só positivo. Aí afeto é o carinho, é o aconchego, não, afeta é tudo aquilo que me afeta, pode ser negativo ou pode ser positivo. O tônus também é o alicerce das nossas atividades práticas, as nossas atividades que integram o movimento e a cognição, em e a porque isso: eu prestar atenção, preciso estar com… ativar. Ou seja, eu preciso ter meu pescoço ereto para ativar meu cerebelo. Você tiver lá deitado assistindo o meu esté, falo, entende que aquela que formação uma tão importante assim que eu posso relaxar se eu tô numa situação de stress que meu corpo responde rápido. Primeira coisa que a gente faz, podem reparar, uma o pescoço é ativar as para receber as informações. O tônus também é responsável pela nossa vigilância; a gente sempre tem esse tônus de vigilância que é o responsável pela ativação, né, das nossas estruturas nervosas até mesmo para as questões vitais e para fazer a escolha dos estilos, adaptação e a direcionalidade deles. O nosso sistema nervoso, o estado de vigília, né, mas a atenção é fundamental para nossa atividade humana, seja ela a… é de base orgânica, das nossas necessidades, o da relação com um mês e para que a gente tenha equilíbrio, a gente precisa de tônus.
Quando a gente entra nessa segunda base psicomotora, a gente está falando de uma condição básica de organização psicomotora que envolve a multiplicidade de ajustes posturais antigravitacional, ou seja, me dá condições de vencer a força da gravidade, seja em pé, sentado, andando com quatro apoios, andando com três apoios, andando com dois apoios, plantando bananeira, e o equilíbrio, que pode ser estático, dinâmico ou dinâmico global, envolvendo grandes partes do meu corpo. Outra coisa importante: por que que a base chama equilibração e não equilíbrio? Porque quando eu tô falando de equilibração eu tô falando de processos integrados e não necessariamente do ato de estar em pé em equilíbrio. E para que eu tenha um bom processo de equilibração eu preciso responder às perturbações, aos estímulos interiores e exteriores que eu recebo. Toda vez que eu recebo uma nova informação, há uma desequilibração no meu organismo, no meu sistema. E aí o mesmo vai buscar um meio de se equilibrar novamente, de voltar para o seu equilíbrio basal. Tudo isso se estabelece através de uma relação entre estímulo-meio, que é meu organismo, e a resposta que eu vou emitir para isso. Eu preciso ter funcionando integralmente as minhas condições afetivas, cognitivas e motoras até mesmo para fazer essa regulação de forma mais autônoma, tá? Saindo dessas duas bases psicomotoras, a gente vai para a segunda unidade neurofuncional do Luria: é a unidade de processamento e percepção. Então lá na primeira eu recebo a informação, eu tenho atenção, e aí eu direciono para começar perceber, fazer esse processo de percepção e a interpretação daquilo que eu recebo da sensação e fazer esse processamento para a direcionar para as áreas terciárias mais evoluídas, mais complexas do meu cérebro. Nessa segunda unidade neurofuncional nós temos descrito o cérebro mamífero, por quê? Porque ele só é encontrado, a estrutura dele em si só é encontrada em mamíferos; répteis, por exemplo, não possuem essa segunda estrutura. Nessa segunda estrutura a gente encontra as bases de lá, a noção de corpo, estruturação espaço-temporal. A segunda unidade neurofuncional é composta pelos lóbulos occipital, temporal e parietal. Interferem na análise e dedicação e o armazenamento da informação visual, auditiva e tátil, cinestésica, proprioceptivo, processando em seleção, distribuição, identificação. Quando a gente fala da zona primária, ou seja, eu identifiquei que isso é um estímulo visual, mando para o córtex occipital para processar informação, modifico e conservo. Poxa, essa informação, essa imagem é importante porque é o rosto da minha mãe, mandou para a zona secundária, e essa imagem é muito importante, vou gerar memória, encaminho para zona terciária, gera uma memória e vai ser depois utilizada em processos mais complexos. E o lobo temporal, então, que faz parte dessa segunda unidade neurofuncional e vai ser responsável pela nossa memória, pela audição, pelo processamento visual de ordem superior, não é o primeiro, é primeiro tá lá no occipital, que é de ordem inferior, que é o que recebe informações, porque um recebe, o outro processa, que eu tenho uma cena, é isso. Esse lobo temporal também é responsável pela percepção e processamento de informações sonoras e pela nossa capacidade…
De entender a linguagem e o lobo parietal, por sua vez, tem o córtex somato-sensorial. Tá bem próximo ali do nosso córtex motor; ele é responsável pela recepção, pela nossa noção espacial, pelo processamento das informações sensoriais: tato, tudo, ele, temperatura. O lobo occipital, por sua vez, é responsável pelo processamento visual, pelo estilo das memórias e interligações com outras áreas.
E nessa segunda unidade neurofuncional, a gente tem como base psicomotora a lateralização. Passamos do tônus, equilibração, lateralização. Porque lateralização e não lateralidade? Porque ela envolve duas questões: primeiro, a lateralidade do corpo; ou seja, eu parto de um eixo central. Pode ver que tudo no nosso organismo o que é um tá no centro, oi, e para os lados temos dois, para ter o equilíbrio. Então, a lateralidade é a noção daquilo que a gente denomina, por exemplo, em português, como direita e esquerda. Porque isso é aprendido, apesar do nosso, do nosso sistema nervoso entender que nós temos duas áreas. O nosso encéfalo tem duas áreas, né? Hemisfério direito, hemisfério esquerdo, que trabalham de forma cruzada, interpiramidais. Aí, mas as questões nominais, os conceitos, são apreendidos. O nosso cérebro tem um mapeamento de direita e esquerda, mas o nome dele é aprendido. Não é à toa que a, a cada língua diferente, o nome muda, né? Left, right, direitos inatos, tudo isso vai mudando. E a, e essa noção é de frente, trás, em cima, abaixo. Tudo isso a gente aprende através da dissociação de movimentos. E aí me deu a nossa noção de eixo: o meu eixo está aqui, e a minha frente tem um computador, e atrás do meu eixo tem a almofada do meu sofá, e a minha direita tem a minha porta, e a minha esquerda tem um balcão; aí me dando essa noção.
E dentro da base de lateralização, a gente também tem a determinação da nossa dominância lateral. Ou seja, a especialização hemisférica do meu organismo. E eu vou ser destra, eu vou ser canhota, se a minha especialização vai fazer com que eu seja destra de mão e canhota de membro inferior, ou peça de mão destra de membro inferior e canhota. Ah, porque sim, nós temos especialização também da visão e da audição. Não é à toa que a gente tem que falar: “Ah, mas eu enxergo melhor com um olho”, “Ah, mas eu escuto melhor com um ouvido”. Um teste para a gente saber qual é a nossa melhor audição é deixar o celular na nossa frente, pedir para alguém ligar e a gente atende. E normalmente a gente direciona para o ouvido que a gente escuta melhor. E muitas vezes, quando a gente tá com a mão ocupada, por exemplo, a gente atende com o que deixar para o outro. Eu faço muito isso, como eu sou destra, então eu pego com a direita e automaticamente eu levo para o lado direito. Mas a minha opção melhor é no ouvido esquerdo. Então, o que que eu faço? Eu transfiro e continuo com o esquerdo. Quando eu não quero prestar atenção nas coisas, eu fico no direito, aí tanto faz. Mas quando é algo importante, eu preciso direcionar para o esquerdo, porque é aonde eu escuto melhor.
E o Vitor da Fonseca, pensando nessa estruturação da nossa lateralização, ele vai descrever algumas fases pelas quais o nosso corpo passa para que a gente tenha essa especialização de hemisférios e desenvolva a nossa dominância lateral. A gente já nasce com uma predisposição. As fases também são treinadas no organismo e podem sofrer influências do ambiente. Não é à toa a quantidade de pessoas canhotas – sinistras é a palavra correta, sinistral – já nasceram pré-dispostas a utilizar mais a mão esquerda, mas, devido à interferência do meio, passam a utilizar a direita para os processos de escrita, manipulação, enfim, de tudo. Então, o Vitor, lá na sua teoria, ele vai dizer que aos quatro anos a gente passa pela hesitação. O que é hesitação? Eu uso as duas, as duas horas do porto e experimento a escrita, o desenho, o rabisco com a direita, com a esquerda, eu chuto a bola para a direita e para a esquerda. Aos cinco anos, a gente conversa, tem um pouco mais de consistência: “Bom, então eu uso um pouco mais daquilo que eu nasci com a predisposição”. Dos seis aos sete anos, eu tenho um gradiente simbolizado; eu uso quase que cem por cento do tempo a minha área de dominância, porém às vezes eu oscilo para a outra e começo a usar a outra, mas de apoio, é a que eu vou deixar de lado, né? Mas ela começa a ser vista como apoio. Entre oito e nove anos, eu tenho essa discriminação clara. Mas não é para mim, é para o meu sistema nervoso central; aí eu tenho essa especialização hemisférica. Por isso que é tão complicado a gente fazer, por exemplo, alfabetização de crianças antes dos seis, sete anos. Porque? Porque o cérebro dela ainda está passando por um processo de maturação e desenvolvimento de algumas bases que são essenciais, sem as quais ela terá muita dificuldade para aprender. E a lateralização, então, comprovadamente uma tendência de dominação do hemisfério esquerdo no cérebro das nossas, na questão das atividades motoras. Acredita-se que o lado dominante é parcialmente inato ao sujeito e parte do ambiente adquirido, porque a gente nasce com essa predisposição, mas o meio ambiente influencia muito. Hoje, aqui na nossa cultura como um todo, a gente já não vê mais tanto essa questão, por exemplo, né, daí fazer o uso da mão direita. Mas um exemplo claro disso ainda é a, as religiões muçulmanas, porque é, a mão esquerda para o muçulmano, ela é considerada impura. Então, uma pessoa jamais vai poder se alimentar com a mão esquerda; ela usa a mão esquerda para limpar suas necessidades somente, mas é para o canal, tá bom? Generalizando mesmo, é uma pessoa que nasce canhota, dentro dessa cultura, dessa região, ela vai ser influenciada pelo meio a se tornar uma pessoa destra. Por quê? Porque é impossível ela se alimentar com a mão esquerda; isso é um pecado. Um hara, a escrever com a mão esquerda, enfim, as coisas do dia a dia. Por que a mão é considerada impura? É um exemplo banal, com notícias generalizando a informação, anotar uns cem por cento da sua totalidade e clareza do porque, para que, enfim, nem esse método, mas é para a gente ver o quanto se tem essa percepção de que a gente nasce com as características inatas, porém, né, a gente tem hábitos adquiridos na nossa cultura que influenciam também o nosso desenvolvimento. Observa-se ainda que essa lateralidade é homogênea quando a criança for destra de mão, destra de olho, destra de pé. Não é uma lateralidade heterogênea quando a criança for destra de um lado e canhota de outro, enfim, tem essa forma mais cruzada e não necessariamente a gente vai ser destra de tudo.
Estou pensando na especialização hemisférica. Império direito, hemisfério esquerdo. Um é responsável pelas questões mais lógicas: processamento, razão, análise, cidades, ordenação, objetividade, números, formas, escravos, enfim. O outro é mais responsável pela nossa criatividade, pelas questões mais holísticas, extraído, estão imaginação, pela, aleta, ali, atualidade das informações, pelas festividades, pela interpretação que a gente tem dos símbolos, das imagens, dos signos, aquilo que nos rodeia.
E aí, quando a gente sai do tônus, equilíbrio e lateralização, a gente entra na quarta base, ainda na segunda unidade neurofuncional, que vai falar um pouquinho do nosso esquema e imagem corporal. O esquema é a música da Xuxa: “Cabeça, ombro, joelho e pé”. Ou seja, o esquema é a compreensão que o nosso organismo tem das várias partes. Então, é saber: “Nome dos meus dedos, essa é a minha unha, meu punho, esse é o meu nome, meu cotovelo”. É saber aonde está o meu cotovelo, é saber onde tá a minha perna, o meu joelho, é saber onde está a perna e o joelho do outro, é saber onde tá o nariz do outro, onde está o olho esquerdo, o olho direito, onde está o lábio, onde está o dente, o pescoço, enfim. Esquema: identificar as partes do nosso corpo. É a referência do corpo que existe a partir do momento que o indivíduo possui, de fato, a referência desse mesmo. O esquema corporal não é um dado, é uma prática que evolui com a exploração, a imitação e a evidência. Não é à toa que a gente tem criança com doze, treze anos que não sabe o que é, por exemplo, cotovelo. Quando você pergunta: “Onde está o cotovelo?”, ela não faz ideia do que é calcanhar. Então, nem pensar que ela só conhece o pé. Com a imagem corporal, ao contrário, diz respeito à figuração do nosso corpo, é a imagem que o nosso subconsciente tem, oi, e ela é modulada pelas relações que a gente tem com o outro. Quando a gente fala de imagem corporal, uma imagem que eu vejo no espelho, mas é a imagem que o meu cérebro processa de mim, e muitas vezes ela é construída através da relação com o outro. Não é à toa a quantidade de distúrbios de imagem que a gente tem, as questões da bulimia e anorexia estão muito relacionadas à imagem do corpo. Por quê? Porque essa distorção que eu tenho da realidade, é, a pessoa está lá com quarenta quilos, só dá para ver os ossos dela, mas não é assim que o inconsciente dela entende, ela se enxerga, parte, em algum momento a relação à percepção que ela tem dessa imagem, e nada diz, foi construída pela relação que ela tem com o outro. E o esquema, então, é o conhecimento intuitivo imediato que a criança tem do próprio corpo e é um elemento básico para a formação da personalidade. A representação relativamente global e estável que a criança tem de seu corpo, e de gerar possibilidades de atuar sobre as partes dele com o mundo externo e os objetos que o cercam, é organização também das sensações relativas ao nosso corpo.
E aí, depois dessa base linda, a gente tem a de estruturação espaço-temporal. E decorre da organização funcional da lateralização e da noção do nosso corpo para que desenvolva, né? A minha estruturação espaço-temporal. E eu preciso ter bem estabelecido a minha dominância lateral e a, e a noção de direita, esquerda, da frente, atrás, em cima, embaixo. Mas também preciso saber o que o meu corpo tem, qual é a dimensão do meu corpo, se expressa a relação clara. Porque se eu sei que o meu corpo é mais largo, eu sei que ele não vai passar naquele ambiente de frente, que ele precisa ser lateralizado para a direita do meu corpo. Olá, eu sou menorzinha, perna mais magrinha, eu sei os espaços onde eu caio, onde eu consigo passar com mais tranquilidade ou não. Uma estruturação espaço-temporal tem a ver com isso, né? É a percepção do meu corpo no ambiente, da relação com as demais coisas, no uso dela. Entrar no trem às seis da manhã, lotado, é total estruturação espaço-temporal. E cada dia que passa tenho mais certeza que as pessoas não estão com essa base bem desenvolvida, porque elas quase sobem em cima das outras pessoas e ainda não dá nem para fazer a mais, é que eu tenho que colocar algumas vezes até espaço. Mas é uma necessidade de prensar o outro muito grande, porque eu não tenho esse senso, sabe? Eu não tenho essa noção do quanto o meu corpo interfere no corpo do outro. E na organização, estruturação espacial, apresenta o sintoma, criança, exercícios a nível de vivência, atividades, manipulação de espaços, importantes no processo também de alfabetização. Afinal de contas, a nossa alfabetização é ritmo, ritmo, ritmo. Existe um ritmo de leitura, um ritmo de escrita, um ritmo óculo-manual de percepção e registro. A nossa alfabetização é totalmente uma estruturação espaço-temporal. Eu preciso entender que eu tenho que escrever no espaço delimitado na linha do meu caderno, da esquerda para a direita e de baixo para cima; o que a leitura também te dá. Os conceitos espaciais são vivenciados através de movimentos específicos, e a partir daí se propõe exercícios onde se tem o maior nível de complexidade: exercícios de organização estrutural, trabalho de noções importantes para essa aprendizagem da leitura e da escrita.
Agora, depois do trem, em seguida, a gente se dedica atenção especial de exercícios de ritmo. A gente tem uma preensão mais atenta das sucessões temporais, com os intervalos devidos no nosso processo de aprendizagem e a consciência espacial. E a busca de equilíbrio nesse espaço é fundamental para o nosso desenvolvimento. Essa consciência tão necessária é dependente da estruturação do nosso esquema a partir das noções sobre o nosso próprio corpo e progressivamente sobre o corpo do outro e a relação com os objetos e espaços.
E aí a gente chega na terceira unidade neurofuncional, que é a nossa área mais evoluída: o nosso neocórtex, responsável pela representação, pelos mapas mentais, é a planificação das informações, é onde ocorre o nosso planejamento para execução de funções executivas, de funções mentais superiores. Aqui a gente descreve a praxia global e fina da nossa base psicomotora. E na terceira unidade neurofuncional, então, nós temos o nosso lóbulo frontal. Ele implica na formação das intenções, associação e utilização das informações conservadas e as planifica, transformando em comportamento. O lobo frontal é responsável pelo planejamento, pelo córtex motor e pré-motor, pelos movimentos voluntários; ou seja, aquele que eu determino, aquilo que eu desejo, aquele impulso para executar. Representação mental do nosso mundo externo, comportamento emocional. Tem comportamento emocional aqui; é o comportamento emocional refletido, autônomo, tá bom? As questões emocionais mais, primitivas, digamos assim, aquilo que a gente não controla, aquilo que a gente sente. O que a gente faz, a gente controla; o que a gente sente a gente não controla. Essa parte não se dá no lobo frontal, tá bom? Tá lá no sistema límbico, tá em outra parte do nosso cérebro. O nosso lobo também é responsável pela... E nessa, nessa estrutura se dá a nossa praxia global. Apraxia é um conjunto de reações motoras coordenadas em função de um resultado. Pra representa um conjunto organizado com a finalidade de alcançar um fim. E eu preciso ter uma intencionalidade, um desejo, uma vontade. Quando eu falo de praxia, eu não estou falando só do movimento; dá uma outra cidade. Apraxia, ela tem exatamente uma planificação, um planejamento; não é o ato motor pelo ato motor. Eu preciso pensar; é tão um exemplo, o jogador de futebol, durante o seu jogo, ele executa uma práxis, ia, porque, por mais automático que seja o movimento do chute, ele precisa sempre pensar o quanto de energia ele vai dispensar ali, o quanto de regulação tônica que ele precisa ter, ele controla muito esse movimento para que, para que seja o melhor movimento possível, com o menor gasto energético possível. E aí, nesse sentido, apraxia, ela é algo pensado, refletido, planejado; não é só chegar e executar o ato motor. É uma praxia global; é o conjunto de reações motoras coordenadas em função de um objetivo, já estão apoiadas na função de vigilância que são explicadas neurofisiologicamente pela relação recíproca entre o córtex motor e a formação reticulada, áreas importantíssimas do nosso encéfalo. A praxia global tem como função a organização da atividade consciente, da sua programação, regulação e verificação. Por que que eu verifico a minha atividade motora? Para que da próxima vez eu a melhore e assim eu destine menos força, menos energia e tenha o melhor resultado. E daí a gente vem para a praxia fina, que é um ato ainda mais complexo, onde eu falo que na praxia global eu estou falando do uso de grandes partes do meu corpo ou da combinação das mesmas. Quando eu falo da praxia fina, eu estou falando da integração e desse uso da praxia global, só que num nível muito mais complexo e refinado. Vamos aos nossos exemplos aí: é a pinça. A pinça é uma praxia fina e nos diferencia de qualquer outro ser vivo. E os exercícios dessa motricidade fina, desse ato motor fino, são muito importantes para as nossas crianças e para nós enquanto humanos. À medida em que nós educamos esse gesto requerido para a escrita, nós evitamos, por exemplo, a pressão inadequada no grafismo, aquelas letras muito fortes, muito pressionadas, os habbits, né? Nós usamos esse gesto mais sutil, mais uma vez, a gente destina para um movimento menos força, menos intensidade para ter o melhor resultado. Porque? Porque eu me canso menos. Dada a importância deste tipo de trabalho, é conveniente o início da motricidade fina sendo trabalhada de forma eficaz, o grafismo. E essa é a indicação neurológica, esse desenvolvimento, passado não digo cobrança, né, mas para essa efetividade, a partir dos sete anos, que a gente sabe que não acontece nas nossas crianças, relações estimadas desde muito cedo, esse desespero pela escrita. Afinal de contas, quem não sabe escrever, não sabe ler, não será ninguém na vida, a gente ainda tem essa concepção. Ah, e não é legal. O porém, a gente vive numa sociedade que faz isso, então o ideal é proporcionar situações para o desenvolvimento dessa praxia fina, que só vai se conseguir consolidar depois dos nove anos. Ela se inicia lá na infância, mas ela só se consolida a partir dos nove. E estimular essa criança é por jogos, brincadeiras; não é isso? É manipular elementos e objetos: é a minha cortar um pão, o acesso à manteiga no pão, é aprender a pegar com palitinho o que eu vou comer, fazer colar com miçanga, é brincar com a massinha e alguns elementos menores que eu destacar na massinha, é colar pequenos grãos, barbante, ou seja, coisas que me dão essa funcionalidade mais prática, que começa a pensar no como eu vou fazer isso, foi um apertar, muita cola, me falar tudo mais, mas depois chegar no ato da escrita, mas no grafismo propriamente dito.
O pacto dos, o koan. A gente precisa também ter um olhar diferenciado para a nossa coordenação óculo-manual, para o desenvolvimento dessa capacidade que tem a finalidade de domínio desse campo visual associado à praxia fina e ao uso da mão em diversas tarefas, tornando-se a capacidade mais básica para o grafismo. Já não tem esse controle, né, ocular e manual, dificilmente eu vou conseguir escrever, porque eu não olho para onde eu estou escrevendo. Então, eu não tenho esse processo ocorrido, tá escrito. E um gesto bem adaptado interfere nos seguintes fatores: a independência, a ligação do equilíbrio geral e a independência muscular. Independência muscular no sentido de que eu consigo manipular minha mão, mexer minha mão sem ter que mexer meu braço. E a criança, quando ela é muito pequenina, ela mexe o braço inteiro para fazer uma coisa, porque não deve estar desenvolvendo essas e sente essa noção, essa percepção do corpo. Aos poucos ela vai refinando isso, ela começa a fazer a quebra de ombro, a quebra de cotovelo, o isolamento de punho para então eu movimentar harmonicamente para o escrito, para o desenho. A possibilidade de repetir o mesmo gesto sem perder precisão auxilia a rotina; é importante para as nossas crianças. Quando a gente fala dessa educação psicomotora, dessa reeducação psicomotora, a gente tem o hábito de achar que é a repetição. Não é legal e é assim: repetir várias vezes a mesma atividade, não é repetido, ah, sentido de ficar que nem linha de produção, né? Pega, pega, certo? Mas é repetir a possibilidade do ato. Então, se o ato é o dia de encaixar alguma coisa, eu vou dar essa possibilidade em várias vivências, várias situações até que essa criança tenha o desprezo do movimento de encaixar, certo? E para que eu tenha um bom desenvolvimento da coordenação óculo-manual, eu também preciso ter independência direita-esquerda, a dissociação de movimentos aqui é muito importante para conseguir fazer isso. E o desenvolvimento da criança é um sinônimo de conhecimento cada vez mais profundo do seu próprio corpo, de acordo com a rolha, Guerra, o arroio, a guerra é um dos pais da psicomotricidade, também. Ele tem um manual diagnóstico de psiquiatria, é nesse, nesse manual. E ele fala muito das questões da debilidade psicomotora, dos atrasos psicomotores, da base para que a gente identifique algumas questões na primeira e segunda infância que vão ser prejudiciais para o restante do desenvolvimento harmônico desse organismo. Oi, aqui é uma tábula rasa, e as nossas bases. Então, quando é que a gente espera que a criança esteja madura, minimamente madura para passar para a próxima com qualidade? Um fator importante aqui, tá bom? E ao trabalhar o tônus, não quer dizer que a criança não esteja desenvolvendo todas as outras, mas só quer dizer que o maior ênfase naquela faixa etária é para aquela base, por isso que ela chama bases, né? Eu tenho uma base, sigo; eu desenvolvo a segunda, sigo. São bases, aquilo que é básico para o nosso organismo para que ele se desenvolva da melhor forma possível. Não o tônus, o controle tônico, e ele é desenvolvido em sua integralidade por volta de um ano. Tem essa recepção dos estímulos já lá em Jau, entra no útero, porém ele vai ser fortalecido mais ou menos por volta de um ano. A equilibração, processo de equilíbrio, e se dá até mais ou menos dois anos. Não é à toa que a partir daí que a criança anda com um pouquinho mais de autonomia, né? Até aí ela está andando, mas está pegando, andando mais, caindo, entre a base mais alargada. E até os cinco anos, a criança ela vai ter esse apuramento do esquema e da imagem corporal bem definidos. E até os sete anos, a lateralização, principalmente a questão da dominância lateral. A orientação espaço-temporal até os nove, mais ou menos. E a praxia global e fina, ela se dá em todas essas outras bases, mas ela efetivamente também vai ficando, né, mas harmônica, mais íntegra no nosso sistema também por volta dos nove. Mas tem criança que demora um pouco mais até mesmo pelas questões de raciocínio, porque eu, aqui, ó, como eu disse, eu não estou falando da motricidade global e fina, eu estou falando da praxia e apraxia tem uma exigência cognitiva de planejamento e planificação de informações, ok? Então ela pode ocorrer mais tardiamente, porque vai depender também do é de interação que o indivíduo tem com o ambiente, os estímulos que recebe, as informações que vivencia. Por exemplo, uma criança que recebe tudo na mão aos dez anos, e não precisa cortar um pedaço de carne, e não precisa comer de garfo e faca, porque alguém alimenta ou ela está ali na colher que...
Não precisa segurar o copo para virar, dosar, né? A golada que ela vai engolir, porque ela tá sempre com canudinho, um copo de canudinho. Ela vai ter essa praxia global e fina, desenvolvido um pouco tardiamente, tardiamente que eu digo assim, né? Hoje os novos, porque, porque essa relação do movimento do corpo dela com a força que ela faz, onde ele tem aquela, tem, não se estabelece por quê, e ela nem tem vigência para ir, tem sempre alguém fazendo por ela desde os primeiros meses do bebê psicologicamente ativo. A maturação dessas funções sensório-motoras dependem amplamente dos estímulos oferecidos. Pelo menos a estimulação psicomotora precoce, cuja através de preocupações fundamentadas na educação, na prevenção e mesmo na cura dos distúrbios apresentados muito precocemente, indeterminado às crianças. Aqui o distúrbio não é no sentido da deficiência e nem do transtorno; o distúrbio aqui é, é porque a tradução tá bom. Então, é atendido com alguma preocupação, algo que faz com que a criança não se desenvolva na sua integralidade determinada faixa etária. Então, quando é da estimulação, ela tem essa cura, essa melhora. Aqui a gente não tem o transtorno, da patologia ou da deficiência, tá bom? Esse distúrbio é, parece uma questão de tradução, até porque a fase que em totalidade a deficiência não tem cura. Essa é uma característica humana; vai estar com dívida para a vida inteira. A em alguns transtornos também não tem cura, né? Eles têm tratamento para melhora de vida, para a qualidade de vida, mas não vai desaparecer da vida do indivíduo, para que se distribuem, aparece. Mas nessa situação da perturbação, porque é uma tradução, e a estimulação precoce é possível. Com a estimulação precoce, a póstila interferir e estimular os níveis de expressão corporal desde bebê, desde a mais tenra infância. As questões históricas, gestuais, mímicas, oculares, nesse técnicas e auditivas são estimuladas nos primeiros meses do bebê. Ausência desses estímulos podem paralisar a maturação e interferir na organização do sistema nervoso, de maneira ocorrer perda definitiva das funções inatas. Isso não quer dizer que a criança vai ter um dano para o resto da vida dela, por favor, não é isso. Essa paralisação lá no sentido da de parar e nunca mais voltar, é, mas é que a criança deixa de explorar da melhor forma possível aquela faixa etária, ou seja, lá deixa de ter, né, alguns ganhos aí, o que podem vir a ser recuperado, mas que ela não explorou da melhor forma possível que o seu organismo tinha condição pela falta de estímulo.
E durante os primeiros anos de vida dos bebês, eles estão sempre muito atentos a tudo aquilo que eles recebem, né? Esse período, as relações afetivas elas são mais claras, mas efetivas, principalmente aquelas estabelecidas com a mãe. O bebezinho, ele vai representando e desencadeando é o formato dessa relação, a força dessa relação, e vai percebendo a sua potência em relação com um, com os micro sistemas que são as nossas famílias, depois com a escola, depois com a macro sociedade. É o ambiente familiar como um todo. O importante é as relações e reações desse bebê irão caracterizar os sinais vocais, tônicos, posturais, polares e mímicos. É através dessa relação, dessa entrega afetiva que o bebê vai se desenvolvendo. Quanto mais acolhedora o ambiente, quanto mais rico de estímulo e informação esse ambiente, mais rico, melhor é o desenvolvimento do bebê. Quanto mais empobrecido o sistema dessas informações, esses estímulos, mais lento esse desenvolvimento vai ocorrer também. A apresentação da estimulação para o bebê pode ser descrita a partir de quatro fases distintas. Até os três meses, a educação motora não é sistematizada, ela é baseada na descontração da criança. O corpo é mais rígido, os braços e as pernas estão mais dobradinhas, serradinhos, porque ele ainda não tem de controle eletrônico. Dos três a seis meses, a começa a se esse exercício de preparação da posição sentada. Vai se ganhando um maior controle tônico, de uma recepção tônica maior, principalmente da nuca e do tronco. Né? A criança, ela vai fazer isso aqui; ela vira para ouvir um barulho, os reflexos, né, já começam a se preparar para o equilíbrio, se tem uma busca de espaço, ela já começa a brincar com aquilo que tá um pouco mais perto, a buscar algumas informações. É a que se dá o início da nossa coordenação óculo-manual.
De seis a doze meses é o período marcado pelo movimento mais global, aquisição nessa postura sentada, preparação para a posição em pé. Nesta época a criança é capaz de pegar os brinquedos da galo, já buscar, pegar, já tem um movimento de preensão adquirido de forma consciente. Então eu pego porque eu quero, não é porque alguém passou na minha mão. O fecho, eu pego porque eu quero. Já reconhece o meio que faz parte, consegue distinguir algumas pessoas ao seu redor, principalmente as mais próximas, tem consciência de si e começa a desenvolver a consciência dos outros. Aqui a criança tá naquela fase onde a mamãe é a extensão do meu corpo. Então, na realidade, o outro para mim sou eu mesma; olá, tudo sou eu, tá tudo muito aqui. Depois é que eu vou fazendo essa discriminação de que o eu sou eu, o outro é o outro. E aqui a criança, ela sente desamparada no sentido de desproteção mesmo, aqui tá ausência da mãe, porque a figura de cuidado, mas pode ser qualquer outra pessoa que faça esse cuidado da criança, tá bom? Começa a se locomover arrastando e engatinhando.
De nove a quinze meses é o período dos jogos, da aquisição da posição de pé e preparação de independência. Nesta fase a criança está descobrindo o mundo, é visível em perto de alcançar e agarrar tudo em que te dá para fazer consigo própria o ambiente. Aqui para estimulação, deve ser calmo e descontraído, proporcionando desenvolvimento físico, afetivo, intelectual da criança. Lembra que a gente falou é sobre as bases neurofuncionais? Aqui a criança está estruturando a primeira unidade neurofuncional dela, ela trabalhando tônus e equilíbrio, as duas primeiras bases psicomotoras. Lembra que o tônus tem a ver com a fé, não só com as questões musculares para exercer ato motor, mas tem a ver com as questões cognitivas e afetivas também. Aqui durante essa troca, essa relação do diálogo tônico, né, essa efetivação daquela informação que eu recebo de forma mais carinhosa ou de forma mais bruta, essas trocas todas são importantíssimas para esse desenvolvimento. Se eu tenho um ambiente que só me expõe no sentido de tá em, não é feio, não pode, eh machucar, essa criança lá para desenvolvendo um diálogo tônico de péssima qualidade, porque o corpo dela tá entendendo que tudo aquilo que ele podia explorar, que ele podia desenvolver, que ele podia movimentar, não pode. Então a criança vai se contraindo, se fechando, virando um caso lindo, não é? E ao mesmo tempo a criança que é permitida a todo instante, que a gente entra até aí no âmbito da permissividade, ela vai entender que ela pode fazer tudo a qualquer momento, do jeito que ela fizer. E aí a gente não desenvolve freio inibitório, que algo tão importante para as nossas crianças e para nossa vida como um todo. É o freio inibitório que vai dizer para a gente assim, ó: agora não, é isso aí, não dá, não dá para pular do penhasco, não dá para pular do terceiro andar, você não é o super-homem, agora é hora de ficar sentado, que agora é hora de responder a prova, a agora é hora de parar porque você mexendo no fogo, entendeu? É esse freio inibitório. Tudo isso vai ser desenvolvido durante esses primeiros meses de vida, 0 aos 15, 18 meses mais ou menos.
Oi, e aí a gente começa a pensar um pouquinho, gente pensou até agora naquilo que é padrão, aquilo que a gente espera de um desenvolvimento, né, íntegro, mas a gente sabe que nem todos os sistemas estão íntegros em total funcionalidade, e até pelas questões da deficiência, dos transtornos, dos títulos de tudo mais, né? Ó, e aqui normalmente que a gente age enquanto psicomotricista naquilo que está em falta, está abaixo do esperado, para que a pessoa chegue na sua melhor potência e tenha a qualidade de vida. A gente vai falar um pouquinho dos distúrbios psicomotores, os distúrbios físicos e ambientais entre as causas neurológicas de distúrbios psicomotores estão os danos nas zonas de hemisfério esquerdo, responsáveis pela coordenação de movimentos, e mesmo os do hemisfério direito, os responsáveis pelas questões mais exatas, mais lógicas, mais cognitivas. Esses tipos de transtornos irão estabelecer quadro de patologias denominadas de apraxia. As apraxias são conjuntos de transtornos relacionados nos quais o indivíduo fisicamente capaz de entender o pedido é incapaz de realizado na ordem adequada a um distúrbio, apraxia, um tipo de movimento. A condição neurológica, lembra que eu falei, existem situações onde não se a cura e se a busca de qualidade de vida. Mas hoje, paciência com a medicina da forma que nossa a temos a compreendemos e a exercemos em sociedade, e não há cura para algumas questões. A busca pela qualidade de vida, dependendo do grau de lesão neurológica para gerar apraxia, é um desses exemplos. Não haverá cura, haverá busca de melhoria para qualidade de vida. As crianças com dificuldades em sua percepção espacial tem, né, se tornar dispersas em seu ambiente no período escolar, costumam confundir letras na hora de escrever, o objeto que a acionar a sonoridade do F do fim. Dificuldades em estabelecer diferenças entre antes e depois também são percebidas com crianças que apresentam distúrbios psicomotores de ordem espaço-temporal.
E aí, e no geralzão, no quadro geral, pensando especificamente nas escolas, sendo que a gente está atuando em instituições que a gente mais vai encontrar, são as perturbações motoras de hiperatividade ou TDAH. É considerado uma perturbação motora porque essa hiperatividade motora desorganiza o sujeito individual para que ele processe aquilo que está acontecendo ao seu redor. Pode ser uma coisa que ele ame, ele não consegue parar e prestar atenção, mas a gente não consegue parar e focar porque atenção ele presta, porque a gritar essa atenção demais, ele presta atenção em tudo. Essa história de que eu te dei a garantia atenção é um mito do TDAH; ele tem atenção, só que ele tem atenção em tudo; o problema é exatamente esse, ele não discrimina a faça, ele não foca por mais alguns segundos indeterminado o estímulo. E aqui também se apresentam as perturbações intelectuais, gente, porque aparece a palavra preocupação e distúrbio, é o que eu disse, né? Boa parte dessas teorias são traduções de outras línguas. Quem trabalha muito com essa denominação de perturbação é o Vitor da Fonseca; ele é de Portugal, é um português, dele é de Portugal, e aí algumas traduções bem assim para gente, porque é o mais próximo, tá bom? É só as perturbações intelectuais. Então, a inabilidade de raciocínio lógico-matemático, a inabilidade de raciocínio linguístico, tudo e são perturbações intelectuais, perturbações de esquema corporal, né? A criança que não reconhece partes do corpo, então ela não tem funcionalidade dessas partes porque ela não consegue perceber nela própria, quem dirá no outro. Perturbações de lateralidade, perturbações espaço-temporais, as perturbações de grafismo, né? A disgrafia é uma população de grafismo; a pessoa ela consegue ler e entender e fala, mas na hora de escrever ela tem um outro processo onde essa escrita não se dá de forma padrão, e as perturbações afetivas, principalmente as questões comportamentais, vão ser descritas nesse processo.
E aí, e vem para gente, né, psicomotricista, para gente pensar um pouquinho: e qual é nosso papel? E qual é nosso papel de profissional? Qual é o papel do ato psicomotor nesse momento? E eu preciso entender os marcos que a gente falou até agora, a maturação da primeira unidade neurofuncional, a maturação da segunda unidade neurofuncional, maturação da terceira unidade neurofuncional, o que cada uma delas acarreta no nosso sistema, o que cada uma das bases proporcionam ao indivíduo, para que a gente venha a saber executar. Porque aí eu vou conseguir perceber: o indivíduo conhece, ou seja, ele já tem condições cognitivas para isso; o indivíduo quer, e as questões afetivas de motivação estão íntegras nesse processo; o indivíduo pode, ele tem condições motoras de executar o processo. É este olhar de tríade que eu preciso ter para o processo de desenvolvimento do indivíduo que eu acompanho, com base nas informações, né, do desenvolvimento neuroanatômico, funcional, fisiológico e neuropsicológico. Ou seja, a integridade de sistema em cognição, são motor e afeto, para aí eu pensar em possibilidade de desenvolver atividades, situações, vivências, rotina de vida diária, enfim. Se eu percebo que o indivíduo ainda não conhece aquilo que eu quero, ele até pode querer fazer, ir até pode ter condições motoras para realizar, mas se ele não conhece, ele não vai conseguir executar. O indivíduo pode conhecer horrores sobre aquilo que eu quero e tem uma vontade imensa para fazer, mas se ele não tem uma parada do motor íntegro para realizar, ele não vai conseguir. E eu preciso pensar em recurso, em acessibilidade. E o indivíduo pode ter conhecimento, capacidade cognitiva e condição motora para realizar aquilo que eu estou pedindo, mas ele não quer, ou seja, ele não vai fazer. Então, por isso que precisa ter essa integração de tríade das dimensões humanas para que haja de fato um desenvolvimento harmônico, coeso e de qualidade. E quando a gente fala desses aspectos cognitivos, eu tô falando de conceitos concretos, conceitos simbólicos, operações mentais, sejam elas lógicas ou linguísticas. Eu tô falando das questões afetivas, da minha autoestima, da minha motivação, da socialização que eu tenho, das relações que estabelecemos, que eu estabeleço, da motivação externa que chega até mim para que eu consiga realizar coisas, das emoções, daquilo que eu sinto em relação a tudo aquilo que eu vivenciei. Vende nas questões motoras, eu tô falando da coordenação, da capacidade física e das minhas habilidades motoras, né, da condição do meu sistema, do meu aparelho motor para executar tudo isso. E o ambiente lúdico constitui outro aspecto fundamental para a gente pensar nesse desenvolvimento humano, principalmente na primeira e segunda infância, por quê? É o ambiente lúdico que vai motivar, é o que vai estimular a motivação interna daquele serzinho que a gente recebe para que a gente desenvolva da melhor forma possível as bases psicomotoras, né? A tendo em vista a condição do organismo, do corpo daquele serzinho, daquilo que ele já apresenta para a gente poder aproveitar da melhor forma possível, não? Esse ambiente lúdico que é um aspecto fundamental, né, a constitui-se como facilitador e um potencializador das vivências que a gente propõe para se ter relação, comunicação e aprendizagem.
E aqui tem algumas referências disso tudo que a gente falou, né? Então, as referências da neurociência e tem algumas informações sobre o autismo, porque vai falar muito dessa questão do desenvolvimento, porque lembra que eu falei que existem esses marcos, essas cidades que a gente espera que a criança já faça? Eu achei aqui, tem bastante informação do próprio desenvolvimento da criança com autismo, que costuma é bem diferente desses marcos padrões que a gente estabelece, né? Uns além, outros aquém do marco, tá bom? E a gente faz esse olhar para a criança para conseguir pensar no que ela quer, não que ela já consegue objetivamente e motoramente fazer, é que a gente estimule da melhor forma possível e promova um bom desenvolvimento. Bom, e é isso. Espero que vocês tenham gostado, espero ter contribuído de alguma forma. Fico à disposição de vocês para esclarecer dúvidas referente a essa temática. Meu e-mail vai aí para vocês, com slide, qualquer dúvida pode entrar em contato, tá bom? Foi um prazer, até a próxima.